"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!

sábado, outubro 28, 2006

Dragon Tiger Gate/Lung Fu Moon (2006)
Origem: Hong Kong
Duração: 94 minutos
Realizador: Wilson Yip
Com: Donnie Yen, Nicholas Tse, Shawn Yue, Dong Jie, Li Xiao Ran, Yuen Wah, Chen Kuan Tai, Sherin Teng, Tommy Yuen, Sam Chan, Tony Wong.
"Dragon Wong"
Estória
"Dragon Wong" (Donnie Yen) é um perito em artes marciais, originário da "Dragon Tiger Gate", uma afamada escola de artes marciais fundada pelo seu pai e pelo seu tio.
Quando era criança, os pais separaram-se, "Dragon" foi forçado a partir com a mãe, e em consequência deixou para trás a escola e o seu irmão mais novo "Tiger Wong" (Nicholas Tse).
Os irmãos ficam sem se ver durante anos, até um dia em que "Tiger" está a jantar com uns colegas num restaurante e assiste aos maus tratos infligidos por um bando de pelintras a um casal e à sua filha pequenina. Com o seu sentido de justiça e de protecção dos mais fracos a funcionar, o jovem dá um enxerto de pancada nos malfeitores, mas inadvertidamente mete-se no caminho de um poderoso chefe mafioso chamado "Ma Kwun". Mesmo assim, "Tiger" leva vantagem no confronto, até aparecer "Dragon", actualmente guarda-costas de "Kwun". Uma troca de golpes espectaculares sucede-se, mas apesar da boa prestação de "Tiger", "Dragon consegue repelir os ataques do irmão. Ambos tratam-se como adversários, não fazendo a mínima ideia que são aparentados. A luta dá-se por finda e "Kwun" permite que "Tiger" saia em segurança do restaurante.
"Tiger Wong"

Não demora muito a que novo reencontro dos irmãos se efective, pois um dos amigos de "Tiger", aquando da luta no restaurante, aproveita a confusão e leva consigo a placa "Lousha", um artefacto dotado de um simbolismo muito significativo, e que tinha sido oferecida a "Kwun" pelo mais poderoso líder do crime, o chefe dos "Black Devils".

"Dragon" é encarregue de recuperar o símbolo, o que consegue, e posteriormente tanto aquele como "Tiger" descobrem que são irmãos, devido a ambos possuirem umas placas de jade que se complementam na perfeição.

Quando os "Double Devils" assassinam tanto "Kwun", como o tio de "Dragon" e "Tiger", estes auxiliados por "Turbo" (Shawn Yue) decidem partir para a vingança usando a sua principal arma: o fantástico domínio das artes marciais!

"Turbo"

"Review"

Confesso que houve desde logo três coisas que me fizeram ficar com "o pé atrás" em relação a "Dragon Tiger Gate".
A primeira passava pelas críticas pouco abonatórias que têm sido feitas um pouco por todo o universo da "net".
A segunda razão era a instabilidade demonstrada pelo realizador Wilson Yip, capaz de fazer filmes de boa qualidade como "Sha Po Lang", mas igualmente de dirigir "flops" como "Dragão Branco".
A terceira e última questão que me atormentava era o facto de raramente se fazerem boas adaptações de "manga" para filmes realísticos, constituindo excepções à primeira vista, "Azumi, a Assassina", "Shinobi: Heart Under Blade" e "The Storm Riders".
Por outro lado, e como excelente cartão de visita, a película apresentava Donnie Yen como o coreógrafo e director das cenas de luta, o que garantia à partida que o filme estaria polvilhado de acção, sendo uma antítese de tudo o que é maçudo e remédio para insónias.
Após o visionamento de "Dragon Tiger Gate", conclui que em regra geral não me enganei.
A maior parte das críticas que li estavam correctas.
Wilson Yip realiza mais um produto descartável.
"Azumi, a Assassina", "Shinobi: Heart Under Blade" e "The Stormriders" continuam a ser "à segunda vista" (!?), as melhores adaptações de "manga" para o cinema de "carne e osso".
Vamos por partes.
O argumento é muito fraco, com frequentes falhas, tais como Donnie Yen num determinado momento não querer falar com o irmão, mas depois e inexplicavelmente, querer ir a correr para os braços dele. E já agora como é que Donnie Yen já sabia que Nicholas Tse era seu irmão, antes mesmo de ir falar com ele? Estejam à vontade para explicar. A páginas tantas fui eu que não entendi...
A representação dos actores acompanha a inépcia argumental. As tentativas de dramatismo encaixadas à pressão no meio das cenas mais movimentadas, quase sempre não resultam. Não querendo particularizar, mesmo assim vejo-me forçado a dizer que cada vez mais fico com a impressão que Nicholas Tse não passa de "um menino bonito" de Hong Kong, com pouca habilidade para a arte da representação. Já em "The Promise" tinha começado a formar esta ideia, que só irá ficar definitivamente consolidada, ou pelo contrário refutada, quando assistir a mais um ou dois filmes deste actor. E já agora vou ver se dou um salto ao "Youtube" para ver se o rapaz tem mais jeito para a arte do canto. Será que esta crítica um pouco dura é por eu estar verde de inveja por Tse ter casado recentemente com Cecilia Cheung?! "Joking"!
Como pontos positivos do filme, destaco em primeiro lugar as lutas de artes marciais. Muito "wire-fu" é certo, mas extremamente bem feito e acompanhado por vezes de um ou outro efeito especial para enfatizar a fúria dos golpes. Não nos podemos esquecer que aqui estão em causa três super-heróis! Polegar para cima para o trabalho de Donnie Yen neste particular.
"Dragon Tiger Gate" igualmente impressiona pelas suas paisagens citadinas, fotografia e caracterização das personagens que transmitem exemplarmente a aura neo-urbana onde filme vive e respira.
Esta película foi muito aguardada e publicitada, e quando estreou obteve receitas muito boas no oriente, tendo rivalizado com filmes como "O Código de DaVinci".
No entanto não passa de um "blockbuster" mediano e sem substância, que apenas entusiasmará pelas fantásticas cenas de luta e pouco mais!
Não será relembrado.
"Tiger Wong em acção!"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cineasia, Horror and Kung Fu

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 6

Argumento - 6

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade -7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação Final: 6,88

"Os membros da Dragon Tiger Gate"












quinta-feira, outubro 26, 2006

Jet Li (Biografia)
Jet Li nasceu em Pequim a 26 de Abril de 1963 sob o nome de Li Lian Jie.
Com apenas dois anos anos ficou órfão de pai, tendo os seus professores assumido um papel importante no seu desenvolvimento pessoal. Quando Li tinha oito anos, o seu professor de Educação Física apercebeu-se do potencial físico do rapaz e recomendou que este fosse estudar para a Escola Nacional de Desporto Amador, situada em Pequim, por forma a que Li pudesse iniciar-se na disciplina marcial do "Wushu", modalidade que constitui o desporto nacional da nação chinesa.
Nesta academia ficou sob a orientação do conceituado mestre Wu Bin, estudando disciplinas convencionais durante o dia, e praticando intensivamente "Wushu" pelo fim da tarde e noite.
Wu Bin ficou impressionado com o esforço, o querer e a abnegação do jovem Li, mas estranhamente os seus golpes não eram suficientemente fortes. Não tardou muito que o mestre descobrisse o que se passava. Anos antes a avó de Li tinha adoecido devido à ingestão de carne, e aconselhada a tornar-se vegetariana. A família decidiu seguir o mesmo regime alimentar, em parte por solidariedade com a matriarca, mas sobretudo pela extrema pobreza económica, que os impedia de ter uma alimentação saudável e equilibrada.


"Jet Li e a esposa Nina Li"
Em ordem a melhorar a alimentação de Li, Wu Bin forneceu durante anos alimentos à família daquele. Os resultados aos poucos apareceram, com Li a ficar dotado fisicamente para uma séria prática de artes marciais.
Após três anos na escola, com onze anos de idade Li vence os campeonatos nacionais na sua categoria, feito que viria a repetir cinco vezes consecutivas.
Foi admitido na equipa profissional de "Wushu" de Pequim, tendo feito exibições em mais de quarenta países, incluindo os E.U.A., onde actuou na Casa Branca perante o presidente de então, Richard Nixon, e o famoso secretário de estado Henry Kissinger. O seu brilhante estilo pessoal, tanto de mãos nuas, como no manejo da espada e da lança, impressionou peritos em artes marciais de todo o mundo.
Ainda adolescente, Li torna-se instrutor de artes marciais, tornando-se inevitável a entrada no mundo do cinema.
Em 1982, estreia-se em "Shaolin Temple", num papel de um jovem que aprende "Kung-Fu", vinga-se dos assassinos do pai e salva o imperador. O filme com várias cenas filmadas no próprio mosteiro de Shaolin, foi bastante aclamado e teve direito a duas sequelas que igualmente partilharam de grande sucesso.
Apesar deste êxito inicial, o meio dos anos 80 foi complicado para Li. A sua estreia como realizador em "Born to Defend" não foi afortunada, tendo a película redundado num fracasso de bilheteira e os filmes seguintes passaram relativamente despercebidos. Posteriormente o seu casamento com Huang Qui-Yan, uma colega da equipa de "Wushu", que levou ao nascimento de duas meninas, falhou e o divórcio foi inevitável. Os rumores na altura passavam por explicar o fracasso nupcial devido a um suposto romance que Li teria mantido com Nina Li-Chi, tendo ambos os actores sido protagonistas de "Dragon Fight". O que é certo é que Li muitos anos mais tarde (1999) viria a casar com Nina, união que se mantém até hoje e da qual nasceu uma filha.
Jet Li precisava de um novo fôlego na sua carreira cinematográfica, e mudou-se para Hong Kong. Em boa hora o fez, pois protagonizou o épico e lendário filme "Era Uma Vez na China" de Tsui Hark. A figura de Wong Fei-Hung, talvez o mais popular herói de artes marciais da China, foi brilhantemente interpretada por Li, e com certeza ninguém se esquecerá das excelentes cenas de luta presentes, assim como da comicidade constante no romance entre Li e Rosamund Kwan. As duas sequelas seguintes não ficariam atrás em termos de popularidade.
Li agora estava em alta. "Swordsman II" constituiu outro grande evento no mundo dos "Wuxias", e toda a gente queria ter o actor nas suas películas.
Durante anos, Li representou heróis lendários do folclore chinês, desde o revolucionário que luta contra a dinastia Manchu em "The Legend", passando pelo monge caído em desgraça à procura de redenção em "Tai Chi Master", até ao vingador dos chineses contra os invasores japoneses em "Fist of Legend", um "remake" de "Fist of Fury", protagonizado por Bruce Lee.
Os anos passaram com Jet Li a tornar-se numa das figuras mais proeminentes do cinema asiático, mas faltava ainda o reconhecimento mundial.
A oportunidade surgiu com "Arma Mortífera 4", a saga policial que conquistou o mundo inteiro, versando a sua estória acerca das aventuras e desventuras do duo de polícias interpretado por Mel Gibson e Danny Glover. Li neste filme interpreta pela primeira vez o papel de mau da fita. O sucesso da longa-metragem esteve distante dos seus congéneres anteriores, mas teve o condão de chamar a atenção de Hollywood para Jet Li.
"O inesquecível e brilhante papel como Sem Nome (Nameless) em Herói"
Joel Silver, o produtor de "Arma Mortífera 4" ficou impressionado com o potencial de Li em filmes de acção e convidou-o para o papel principal em "Romeu Deve Morrer", onde a outra figura de destaque era a falecida actriz e cantora Aaliyah.
Jet Li estava no mapa mundial e as coisas ainda poderiam ter melhorado se tivesse aceite o convite de Ang Lee para assumir o papel de Li Mu Bai no fabuloso épico de artes marciais "O Tigre e o Dragão". Li recusou a proposta pois tinha prometido à esposa que não trabalharia durante a gravidez desta. Li Mu Bai viria ser excelentemente desempenhado por Chow Yun Fat.
Continuando o seu périplo pelo Ocidente, Jet Li viria a co-protagonizar com a aclamada actriz Bridget Fonda o "Beijo Mortal do Dragão", lutaria contra si próprio em "Força Explosiva" e embarcaria num duelo memorável com Marca DaCascos em "Nascer para Morrer", filme onde entra igualmente o "rapper" DMX e que seria nº 1 no "box office" dos E.U.A.
Pelo meio voltaria à China, para interpretar o fabuloso papel de "Sem Nome" no maior épico de artes marciais jamais feito, "Herói" (é discutível eu sei, mas não me censurem pois simplesmente AMO o filme!!!). Apesar de a película ter estreado na China em 2002, só chegaria aos E.U.A. em 2004, pela mão da Miramax e de Quentin Tarantino, o que originou confusões no público norte-americano, pois muitos pensavam que se tratava de um novo filme deste realizador.
Li ainda viria a ter a oportunidade de contracenar com a lenda Morgan Freeman e com o conceituado Bob Hoskins em "Danny, the Dog", longa-metragem que serviria para consolidar ainda mais o estatuto do renomado actor oriental.
O último filme que protagoniza, "Fearless" de Ronny Yu (The Bride With White Hair) parece marcar um regresso às origens da carreira do actor. Obviamente que sem ter visto o filme não poderei opinar com um mínimo de certezas, no entanto pelos "trailers" que visionei e pelas crícas que li, afigura-se como uma produção com bastante nível.
Jet Li é provavelmente, a par de Jackie Chan, o actor asiático mais conhecido no Ocidente. O seu contributo para a internacionalização do cinema oriental é inquestionável.
Existe inclusive quem ponha a causa a hegemonia de Bruce Lee em detrimento de Jet Li, no tocante a quem detém o estatuto principal de herói de acção asiático.
Aqui não cabe tomar partidos, mas temos que forçosamente admitir que Li será no mínimo um rival à altura. Esta premissa ainda assume mais relevância atendendo a que Bruce Lee teve uma carreira curta, embora indiscutivelmente pródiga, quando pelo contrário Jet Li parece ter ainda alguns bons anos pela frente.
Um ícone dos nossos dias!
"Com a malograda cantora e actriz Aaliyah"
Curiosidades (Fonte: Internet Movie Database)
  • Estuda inglês com um professor privado durante 4 horas por dia;
  • Foi convidado por Ang Lee a desempenhar o papel de Li Mu Bai em "O Tigre eo Dragão", mas recusou devido à gravidez da esposa;
  • Forneceu a sua voz para o jogo de computador "Rise of Honor", para além de ter participado na criação gráfica das lutas;
  • Estava presente nas Maldivas aquando do tristemente famoso "Tsunami" de 2004, tendo-se ferido num pé. O acidente deveu-se à queda de uma peça de mobília quando agarrava na filha de 4 anos e tentava fugir para um ponto mais elevado;
  • Anunciou que "Fearless" seria o seu último filme de artes marciais, devido a pretender dedicar-se a outras vertentes tais como um documentário acerca do Budismo;
  • Representou a personagem historicamente verídica de "Huo Yan Jia" em "Fearless", assim como o discípulo deste "Chen Zhen" em "Fist of Legend".
"Um verdadeiro mestre de Wushu"


Filmes:
  1. The Shaolin Temple (1982)
  2. Shaolin Temple 2: Kids from Shaolin (1983)
  3. This is Kung Fu (1984)
  4. Born to Defend (1986)
  5. Shaolin Temple 3: Martial Arts of Shaolin (1986)
  6. Abbot Hai Teng of Shaolin (1988)
  7. Dragon Fight (1989)
  8. The Master (1989)
  9. The Kung Fu Master (1993)
  10. Era Uma Vez na China III (1993)
  11. The Last Hero in China (1993)
  12. The Tai Chi Master (1993)
  13. The Bodyguard from Beijing (1994)
  14. A Lenda do Dragão Vermelho (1994)
  15. Fist of Legend (1994)
  16. Meltdown (1995)
  17. The Enforcer (1995)
  18. Mo hin wong (1996)
  19. Black Mask (1996)
  20. Era Uma Vez na China VI (1997)
  21. Hitman (1998)
  22. Arma Mortífera IV (1998)
  23. Romeu Deve Morrer (2000)
  24. O Beijo Mortal do Dragão (2001)
  25. Força Explosiva (2001)
  26. Nascer para Morrer (2003)
  27. Danny, the Dog (2005)


Internet Movie Database (IMDb) link, Página Oficial

Observação: Dedicado ao indefectível fã de Jet Li Dr. Sérgio Freitas

sábado, outubro 21, 2006


Windstruck/Nae yeojachingureul sogae habnida (2004)

Origem: Coreia do Sul


Duração: 123 minutos


Realizador: Kwak Jae-young


Com: Jun Ji-hyun, Jang-hyuk, Kim Su-ro, Lee Ki-woo, Im Ye-jin, Kim Chang-wan


"Há dias em que não se deve sair de casa..."


Estória

"Gyeong-jin" é uma mulher polícia com uma atitude muito dura para com o crime, e que não amiúde cai em exageros, roçando a tão propalada brutalidade policial. Um dia, quando estava de folga, começa a perseguir um assaltante que tinha acabado de furtar a carteira a uma transeunte e acaba por deter a pessoa errada, um professor do ensino secundário chamado "Myung-woo".

Após algumas peripécias, a confusão acaba por ser sanada, mas "Myung" não se livra de "Gyeong", pois acaba por andar a patrulhar as ruas com a polícia, no âmbito de um programa de voluntariado.

Após passar uma noite algemado (literalmente!!!) à "Gyeong", enquanto esta perseguia criminosos, "Myung" não consegue resistir ao charme e beleza da rapariga.

"Myung" e "Gyeong" começam então a namorar, e os bons tempos sucedem-se, com o casal a fazer todas aquelas coisas que os jovens enamorados adoram tais como viajar pelo campo de modo a fugir do bulício da cidade, dançar à chuva, jantar à luz das velas e por aí fora.

O problema é que o perigoso trabalho da rapariga colide com a atitude demasiado cavalheiresca do jovem e a tragédia acontece...


"Balbúrdia na sala de aulas!"


"Review"

Em 2004, "Windstruck" foi um dos filmes que gerou mais expectativa no oriente, pelo facto de juntar novamente o realizador e a actriz principal de "My Sassy Girl", a belíssima comédia dramática coreana, por quem tantos se apaixonaram. Tentando aproveitar ao máximo o culto criado à volta desta película, e atingir dois grandes mercados cinematográficos simultaneamente, "Windstruck" foi o primeiro filme coreano a estrear simulatneamente no país de origem e em Hong Kong. Não foi com grande surpresa que o retorno financeiro proveniente das bilheteiras foi bastante aceitável, mas mesmo assim esteve a milhas do seu predecessor.

Que dizer então de "Windstruck"?


Desde logo pelas razões já apontadas, as comparações com "My Sassy Girl" são inevitáveis. Mesmo assim tentarei não fazer girar em demasia a órbita deste texto em relação àquele aspecto.


Desde logo tenho a dizer que "Windstruck" é um bom filme, bastante enternecedor, mas que não chega ao nível evidenciado em "My Sassy Girl".


Vejamos os aspectos negativos.


Desde logo, o romance acontece e evolui depressa demais. Quem é que acredita que dois seres se podem apaixonar com a rapidez que "Gyeong" e "Myung" o fazem, começar logo a namorar com aquela intensidade, fazer todas aquelas coisas que vemos no filme num tão curto espaço de tempo, etc...etc...etc...? Este aspecto retira logo alguma credibilidade à paixão interpretada pelos dois actores principais. À primeira vista nem há razão para que este desenfreamento aconteça, pois não estamos a falr de um filme com 75 ou 80 minutos, em que se tentam apressar as coisas devido à falta de tempo. A única desculpa que encontro relaciona-se com a segunda hora do filme, em que, e sem tentar desvendar demasiado o enredo, julgo que o realizador Kwak Jae-young pretendeu extrapolar mais a dor de "Gyeong", sendo o romance apenas um preâmbulo.


Outro aspecto foi o exagero dos clímaxes. Não usei este termo no plural de uma forma inocente. No que toca a películas dramáticas, sempre gostei dos crescendos até atingirmos finalmente o ponto máximo, aquele grande momento em que nos toca definitivamente no coração e, porque não dizê-lo sem rodeios, com lágrimas por vezes a acompanhar a nossa emoção. Ora quem visiona "Windstruck", tem que preparar-se para a exploração deste pormenor ao máximo. O espectador pensa que o topo já chegou, que o filme não durará muito mais, e logo a seguir toca a aparecer outra cena que pretende ser mais um clímax, "and so on", "so on", "so on"... "Windstruck" possui cenas deste género para dez filmes!!!


Outra coisa que eu acho que se dispensava era a alusão directa que se faz a "My Sassy Girl" no epílogo, e que inclusive até tem a intervenção do actor Cha Tae-hyun. Eu pessoalmente achei um pouco "piroso", mas daí, é uma opinião e vale o que vale.

"Algemado, mas não chateado!"

Não se pense que "Windstruck" não tem pontos favoráveis! Longe disso!

Jun Ji-hyun presenteia-nos com mais uma boa interpretação, a que muito ajuda aquela pose de menina rebelde e adorável que ninguém consegue resistir! Já tinha ficado com uma relativa boa impressão de Jang-hyuk em "Volcano High", que se manteve agora. O restante elenco não se sai igualmente nada mal.

Curioso sem dúvida é a banda sonora que resolveram usar neste filme, com uma versão coreana de "Knockin' on Heaven's Door" (título muito sugestivo para quem conhece o enredo do filme) e umas musiquinhas "à la Motown". Resultou bem sem dúvida!

Assim como critiquei mais acima o exagero dos clímaxes, também reconheço que caa uma dessas cenas individualmente consideradas, representam momentos muito belos de cinema. É certo que todos os "clichés" do romance e do drama lá estão, mas não deixa de ser bonito de se ver!

Mais uma nota cumpre aqui deixar. "Windstruck" apesar de ser uma comédia/drama romântico, é temperado com várias cenas de acção bem executadas, muito por força da profissão da rapariga. Mesmo assim alguém vai ter de me explicar como é que uma pessoa falha tiros a 5 metros de distância, mesmo estando a correr...

"Windstruck" é um bonito filme, com aspectos muito bem conseguidos, sem no entanto atingir o patamar de "My Sassy Girl", película difícil de bater. A pontuação atribuída no item "Gosto pessoal do M.A.M." não é a mais sincera, pois na realidade seria um 7. Levou um 8, pois o autor deste "blog" ainda não aprendeu a resistir a certo tipo de "clichés" românticos e dramáticos...

A ver!

"A importância do vento e da liberdade..."


Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português/espanhol:

Avaliação:


Entretenimento - 8
Interpretação - 8
Argumento - 7
Banda-sonora – 8
Guarda-roupa
e adereços – 7
Emotividade – 10
Mérito artístico – 8
Gosto pessoal do “M.A.M.” – 8

Classificação final: 8

quinta-feira, outubro 19, 2006

Akira Kurosawa (Biografia)
Akira Kurosawa nasceu em Tóquio, no dia 23 de Março de 1910, sendo o mais novo de 7 irmãos.
Frequentemente afirmou que a primeira grande influência da sua vida foi o seu professor Tachikawa, que era um apologista da educação dos seus alunos no amar das artes sob qualquer forma. Estava dado o primeiro passo para o jovem Kurosawa amar o cinema.
Dotado de uma certa habilidade para a pintura, igualmente se tornou num amante da literatura, tendo feito parte de um grupo que tinha como gosto específico os escritores russos do século XIX, em especial Dostoevsky.
Outra grande influência do realizador foi sem dúvida o seu irmão Heigo, grande admirador da sétima arte, e que inclusive trabalhou como "Benshi", palavra japonesa que servia para designar os narradores na época do cinema mudo. O suicídio de Heigo afectou para sempre a sensibilidade e a maneira de ver o mundo do seu irmão mais jovem Akira.
Em 1930, Kurosawa respondeu a uma oferta de emprego publicitada num jornal e tornou-se no assistente de realização do realizador Kajiro Yamamoto que gostou bastante da versatilidade e da vastidão de conhecimentos artísticos que o jovem possuia. Cinco anos depois, Kurosawa já escrevia argumentos e realizava várias sequências dos filmes de Yamamoto.
Em 1943, faz a sua estreia oficial como realizador em "Judo Saga" (Sanshiro Sugata), filme onde se encontra presente uma sequência memorável em que dois mestres lutam até à morte, tendo como pano de fundo um campo onde a relva é fustigada violentamente pelo vento. O impacto foi positivo e demonstrou que Kurosawa era um jovem realizador com um grande potencial.
Como os seus primeiros filmes foram realizados durante a II Guerra Mundial, e vivendo numa das potências beligerantes, governada por um regime autoritário, as películas tinham que passar pelo crivo da censura.
Foi em 1948 que Kurosawa fez o seu primeiro trabalho com um cunho verdadeiramente pessoal, intitulado "Drunken Angel". A propósito deste filme, Kurosawa viria a afirmar que foi aqui que se auto-descobriu.
No ano de 1951, o ocidente foi verdadeiramente alertado para o cinema nipónico por uma das melhores obras de Kurosawa, "Rashomon", película que ganhou o prémio máximo no festival de Veneza, e que ainda teve direito a um óscar honorário para o melhor filme estrangeiro.
Um período dourado seguiu-se para os trabalhos do realizador, com "Os Sete Samurais" a servirem de inspiração para o "western" denominado "Os Sete Magníficos", e o solitário samurai "Yojimbo", a basear a personagem de Clint Eastwood em "Por um punhado de dólares".
Por sua vez Kurosawa também buscou influências no ocidente, particularmente em John Ford, um realizador que admirava de sobremaneira, e com base nos trabalhos deste, criou "The Hidden Fortress", filme que por sua vez viria a desempenhar um papel relevante na inspiração de George Lucas, aquando da feitura da saga da "Guerra das Estrelas".
O seu amor pelas tragédias "shakesperianas" originou mais dois filmes de excelente qualidade, "Throne of Blood", baseado em "Macbeth" e "Ran, os Senhores da Guerra", inspirado em "King Lear".
A partir de 1965, Kurosawa viveu uma época negra na sua carreira e quando "Dodeskaden" (1970) foi um fracasso de bilheteira, tentou o suicídio.
A ultrapassagem deste período menos bom, surgiu inesperadamente fora do Japão, quando Kurosawa foi convidado para a realização do filme nipo-russo "Derzu Uzala", película que demorou 4 anos a ver a luz do dia, mas que indubitavelmente valeu a pena, pois venceu o óscar para o melhor filme estrangeiro, para além de arrecadar a medalha de ouro no festival de cinema de Moscovo, ambos os galardões atribuídos em 1975.
O reconhecimento do trabalho do realizador não ficaria por aqui, pois viria a ganhar mais prémios com "Kagemusha", e o já aludido "Ran, os Senhores da Guerra".
Akira Kurosawa é provavelmente o realizador mais conhecido do cinema asiático, merecendo o epíteto de "Grande Mestre" ou "Lenda". Um verdadeiro autor do princípio ao fim, supervisionou pessoalmente a edição, assim como escreveu o argumento de grande parte dos seus filmes.
As suas memórias foram editadas em 1982, sob o título sugestivo e ao mesmo tempo irónico "Something Like An Autobiography".
Em 1989, recebeu um merecido óscar de homenagem à sua brilhante e profícua carreira.
Faleceu na sua cidade natal, Tóquio, no ano de 1998, vítima de um ataque de coração, deixando um legado impregnado de uma nobreza e genialidade admiráveis.
Um ser iluminado, que só aparece uma ou duas vezes em cada século!
"Caricatura"
Curiosidades (Fonte: Internet Movie Data Base)
  • Os actores que entraram mais vezes nos seus filmes foram Toshirô Mifune (16 vezes sempre como protagonista) e Takashi Shimura (19 vezes, repartidas em papéis como protagonista e actor secundário);
  • Os seus filmes foram alvo de "remakes" tanto por cineastas europeus, como americanos;
  • Em 1971 tentou suicidar-se golpeando os pulsos mais de 30 vezes. Felizmente os ferimentos não foram fatais e Kurosawa recuperou completamente;
  • A certa altura da sua carreira não conseguiu financiamento para os seus filmes, e devido a esta situação, sujeitou-se a fazer anúncios comerciais no Japão, tendo inclusive realizado alguns;
  • Tinha mais de 1,80 m., altura considerável atendendo à média japonesa;
  • Numa votação levada a cabo pela revista "Entertainment Weekly", foi considerado o 6º melhor realizador de todos os tempos, tendo sido o único asiático a figurar no "Top 50";
  • Era um grande fã do realizador norte-americano John Ford, tendo este sido bastante amável para Kurosawa na primeira vez em que se encontraram. A partir daí, Kurosawa passou a vestir-se da mesma maneira que Ford quando se encontrava em período de filmagens;
  • Sempre quis fazer um filme da série "Godzilla", mas a administração da companhia "Toho" nunca embarcou neste projecto, pois temia que os custos associados fossem bastante elevados;
  • De acordo com a sua família, Kurosawa estava sempre a pensar em filmes. Em casa estava por vezes sentado e silenciosamente parecia estar a imaginar cenas na sua cabeça;
  • Em 2005, foi considerado pela revista "Empire" o 6º melhor realizador de todos os tempos;
  • Era um fã do realizador indiano Satyajit Rai.
"Nos primórdios"
Filmes que realizou:
  1. Judo Saga (1943)
  2. Most Beautifully (1944)
  3. The Men Who Tread on the Tiger's Tail (1945)
  4. Judo Saga II (1945)
  5. Those Who Make Tomorrow (1946)
  6. No Regrets For My Youth (1946)
  7. One Wonderful Sunday (1947)
  8. Drunken Angel (1948)
  9. A silent Duel (1949)
  10. Stray Dog (1949)
  11. Scandal (1950)
  12. Rashomôn (1950)
  13. The Idiot (1951)
  14. Ikiru (1952)
  15. I Live in Fear (1955)
  16. Donzoko (1957)
  17. The Hidden Fortress (1958)
  18. The Bad Sleep Well (1960)
  19. Yojimbo (1961)
  20. Sanjuro (1962)
  21. High and Low (1963)
  22. Red Beard (1965)
  23. Dodesukaden (1970)
  24. Dersu Uzala (1975)
  25. Sonhos (1990)
  26. Rapsódia em Agosto (1991)
  27. Not Yet (1993)

"Será que indica o rumo da genialidade?"


The Internet Movie Database (IMDb) link, Akira Kurosawa Database

Esta biografia encontra-se igualmente disponível "on line" em ClubOtaku











quarta-feira, outubro 18, 2006


Votação
Qual o vosso actor asiático favorito?
Depois da votação lançada para as senhoras, chega agora a vez dos cavalheiros, igualmente numa escolha tremendamente complicada!!!
Podem clicar aqui, para exercerem o vosso direito democrático!
Dúvidas cruéis se levantam, mas Oldboy e Failan constituem argumentos tremendamente fortes! Por isso, Choi Min-sik!!!

sábado, outubro 14, 2006

Battle Royale/Batoru Rowaiaru ( 2000)
Origem: Japão
Duração: 113 minutos
Realizador: Kinji Fukasaku
Com: Tatsuya Fujiwara, Aki Maeda, Taro Yamamoto, Asanobu Ando, Kou Shibasaki, Chiaki Kuriyama, Takeshi Kitano, Yûko Miyamura
"Os ilustres concorrentes, ou melhor dizendo, a carne para a matança!"

Estória

Algures no Séc. XXI, o Japão encontra-se imergido numa crise económica gravíssima, que faz dispara o desemprego para uma taxa de 15%, o que equivale precisamente a quinze milhões de desempregados.

Sem esperança de um futuro risonho, muitos estudantes perdem o respeito aos professores e à escola, entram em motins e abandonam os estudos, tornando-se em verdadeiros delinquentes juvenis.

Com a caótica situação provocada pelos alunos das milhares de escolas existentes no Japão e que agrava ainda mais a instabilidade que se vive no país, o governo resolve tomar medidas drásticas. É emanada a "Lei Battle Royale", que cria um jogo muito peculiar envolvendo os adolescentes.

O desafio consiste em selecionar uma turma muito problemática, levá-la para uma ilha isolada, e pôr os estudantes a se matarem mutuamente, até que reste apenas um: o vencedor do jogo!

Outras particularidades fazem parte deste mórbido embate, tais como o facto de se em 3 dias não houver um vencedor, os colares que os alunos usam ao pescoço explodem automaticamente; é facultada uma mochila a cada um dos participantes que possui um "kit" de sobrevivência e uma arma que pode ir desde uma sofisticada metralhadora, passando por uma "katana" japonesa, até a uma simples tampa de panela; existem zonas qualificadas de muito perigosas, em que se o estudante lá estiver a determinada hora do dia, tem uma probabilidade muito mais elevada de ser morto, etc.

Este ano calhou a "má sorte" aos 42 alunos que compõem a turma de "Shuya", um rapaz órfão devido ao suicídio do pai por enforcamento.

Quando o jogo começa, igualmente se inicia a violência, o caos e as mortes em larga escala!

"Shuya e Noriko"

"Review"

Muitos poucos filmes tiveram o condão de provocar tanta polémica como o famoso "Battle Royale". Aquando da sua estreia no Japão, muita gente afluiu aos cinemas, outros demonstraram-se verdadeiramente chocados, e o próprio governo nipónico pensou seriamente em bani-lo.

Não demorou muito que este efeito se propagasse por todo o mundo, e a curiosidade grassou, atendendo a que o filme supostamente contava a estória de um grupo de adolescentes que se matavam uns aos outros, numa orgia de violência gratuita.

Diga-se desde já que este aspecto foi bastante empolado, pois apesar de "Battle Royale" ser por vezes chocante e violento, igualmente constitui uma película com grande substância, expedita mensagem e eivada de grande qualidade.

"O professor Kitano acompanhado da tropa"

O filme não possui praticamente momentos mortos, sendo recheado de bastante acção e um agradável entretenimento, se é que se pode usar esta expressão.

O facto de o argumento versar em grande parte acerca de adolescentes que lutam até à morte, é o grande culpado da polémica levantada em torno do filme, atendendo a que infelizmente e com alguma frequência, temos conhecimento próprio ou através dos meios de comunicação social, de eventos relacionados com a delinquência juvenil, tendo o seu expoente máximo nos massacres em liceus perpetrados por alunos, situação que ocorre amiúde, em especial nos E.U.A.

Se o filme mantivesse o mesmo argumento, com a única diferença de substituir-se os adolescentes por adultos, com certeza que metade do "frisson" criado à volta da película esvairia-se.

A interpretação dos jovens actores é muito boa, conseguindo em grande medida nos transmitir o desespero angustiane da luta pela sobrevivência e a infindável tristeza (pelo menos para alguns) em tirar a vida ao amigo ou colega com o qual partilhamos o quotidiano. Sobressai naturalmente o "acting" do único actor verdadeiramente experiente no filme, o consagrado Takeshi Kitano, ou como é frequentemente conhecido, "Beat" Takeshi.

Como já foi anteriormente avançado, "Battle Royale" não pode ser resumido a um conceito tão básico como a violência gratuita. Várias mensagens são transmitidas pelo filme, e se eu quisesse apontar quais as películas que melhor reflectem a natureza humana, com as suas expectativas e frustações, esta com certeza faria parte do rol. Veja-se por exemplo a personagem de "Shuya", que muitas vezes quando se encontra metido em situações delicadas, reflecte acerca da mensagem que o pai suicida lhe deixou ("Força Shuya! Tu consegues Shuya!"), ou então a figura de "Kawada" , um vencedor de uma antiga edição de "Battle Royale", que se submete novamente ao desafio, apenas para tentar perceber o que a namorada "Keiko" tentou-lhe transmitir aquando da sua morte.

Isto só para dizer, e insistindo novamente no aspecto da natureza humana, que o filme está impregnado de reflexões acerca do medo, da timidez, do amor, decepção, inveja, ciúme e humilhação, todos estes factores potenciados ao máximo pela situação crítica em que estes estudantes vivem.

Muitos poderão não gostar de "Battle Royale", mas todos terão forçosamente de reconhecer que é um filme que mexe conosco, fazendo jus à máxima "Amado ou Odiado".

Atrevam-se a visioná-lo!!!

"O alucinado!!!"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 10

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,25


"Chiaki Kuriyama não está para brincadeiras"
























sexta-feira, outubro 13, 2006


Brigitte Lin (Biografia)
Nascida em 3 de Novembro de 1954, em Taiwan, Lin Ching-Hsia frequentou o liceu feminino de Chingling, tendo posteriormente ingressado na universidade de Tanjiang. Depois de ter sido notada por um produtor de cinema nas ruas da cidade de Taipei, fez a sua estreia cinematográfica no filme "Outside the Window", película que nunca chegou a estrear numa sala de cinema, devido a complicações legais.
Foi através do seu papel em "Outside the Window" que Lin teve o seu primeiro romance conhecido com Chin Han, o outro protagonista da citada longa-metragem. O romance não durou muito, pois Chin era casado.
A estreia formal de Lin nas lides da sétima arte aconteceu anos mais tarde em "Floating Clouds".
Continuando a ser alvo de permanentes rumores, devido ao já aludido romance com Chin Han, Lin acaba por se mudar no final dos anos 70, para os Estados Unidos da América, onde frequentou alguns cursos de representação.
Em 1983 acontece uma viragem na carreira da actriz, que se iria revelar vital. Lin deixa de representar papéis românticos e envereda pelo "Wuxia", género que a iria popularizar verdadeiramente, e que marcaria para sempre os apreciadores do género. Tudo se deve a Tsui Hark, que querendo relançar o género, precisava de uma personagem feminina forte e convincente. Lin revelar-se-ia mais do que à altura.
Em 1983, sob a direcção daquele realizador e produtor, entra no clássico "Zu: Warriors of the Magic Mountain". Brigitte Lin viria a trabalhar mais tarde com Tsui Hark em "Peking Opera Blues".
Posteriormente viria a desempenhar os seus papéis mais marcantes, sempre no género das artes marciais fantásticas. São exemplos disto, a saga dos filmes "Swordsman", no papel da infame "Evil Asia", nas películas "The Bride with white hair I e II", como a amante destroçada e traída sedenta de vingança contra os homens, ou em "New Dragon Gate Inn", como a mulher enamorada e que se sacrifica pelo seu homem.
Lin ganhou o prémio para melhor actriz com "Red Dust" no "Golden Horse Film Festival", um conhecido festival de Taiwan, que visa premiar os melhores feitos no cinema asiático.
Em 1994, Brigitte Lin despedia-se do cinema com dois papéis inesquecíveis, em igualmente dois brilhantes filmes do realizador Wong Kar-Wai. Falamos da esquizofrénica Ying/Yang no incompreendido épico "Ashes of Time", e na misteriosa mulher da peruca loira em "Chungking Express"
Após "Chungking Express", Lin formalmente anunciou a sua retirada do mundo do cinema, invocando para o efeito o seu casamento com o empresário Michael Zing, e a necessidade de se dedicar por completo à vida familiar.
Brigitte Lin é uma figura incontornável do cinema asiático, sendo para muitos, a sua maior figura feminina a par de Gong Li. Ainda hoje constitui uma inspiração para actrizes como Zhang Ziyi ou Cecilia Cheung, as novas divas, embora já com carreiras consolidadas.
O seu regresso ao cinema continua ainda hoje em dia a ser dos temas mais debatidos e dos eventos mais ansiados em Hong Kong, mas apesar dos rumores, infelizmente desde 1994, os amantes do bom cinema continuam a não ter o privilégio de assistir a um novo desempenho desta lenda do cinema asiático.
Filmes :
  1. Outside the Window (1973)
  2. Gone with the Cloud (1974)
  3. Love, Love, Love (1974)
  4. Ghost of the Mirror (1974)
  5. Cloud River (Moon River) (1974)
  6. Pure Love (1974)
  7. Little House of Love (1974)
  8. Woman Reporter (1974)
  9. Green Green Meadow (1974)
  10. Girl Friend (1974)
  11. Long Way from Home (1974)
  12. The Life God (1975)
  13. The Unforgettable Character (1975)
  14. Hot Wave (1975)
  15. Love of Pin Pin (1975)
  16. Water Cloud (1975)
  17. Little Sister-in-Law (1975)
  18. Evergreen Tree (1975)
  19. Autumn Love Song (1976)
  20. The Golden Shadow (1976)
  21. Forever Love (1976)
  22. A Different Kind of Love (1976)
  23. Love Forever (1976)
  24. 800 Heroes (1976)
  25. Hour of the Wolf (1976)
  26. The Chasing Game (1976)
  27. Tomorrow I'm Twenty (1976)
  28. Kung Fu of Love (1976)
  29. I'm a Seagull (1976)
  30. There's No Place Like Home (1977)
  31. Cloud of Romance (1977)
  32. Warm in Heart (1977)
  33. Love Affair of Rainbow (1977)
  34. Orchid in the Rain (1977)
  35. Dream of the Red Chamber (1977)
  36. Misty Moon (1978)
  37. Love of the White Snake (1978)
  38. I Hear the Cuckoos Singing (1978)
  39. Morning Mist (1978)
  40. Moon on the Beach (1978)
  41. Green Mansion (1978)
  42. A Journey of Love (1978)
  43. A Love Seed (1979)
  44. Off the Sucess (1979)
  45. The Wild Goose on the Wing (1979)
  46. Deep in Love (1979)
  47. Love Running (1979)
  48. A Unforgettable Day (1979)
  49. Under a Rosy Sky (1979)
  50. A Pair of Silly Birds (1980)
  51. The Marigolds (1980)
  52. Canton Revolution (1980)
  53. Love Massacre (1981)
  54. Women Soldiers (1981)
  55. Burn Phoenix Burn (1982)
  56. Hero Vs. Hero (1982)
  57. Lily Under the Muzzle (1982)
  58. Pink Squad (1982)
  59. Deadly Angels (1982)
  60. Fantasy Mission Force (1983)
  61. All the Wrong Spies (1983)
  62. Black and White Pearls (1983)
  63. Big Surprise of 1938 (1983)
  64. Orchids of Midnight (1983)
  65. Seven Foxes (1983)
  66. Watch Out for the Dagger, Darling (1984)
  67. The Other Side of Gentleman (1984)
  68. Police Story (1985)
  69. Dream Lovers (1986)
  70. Peking Opera Blues (1986)
  71. True Colours (1986)
  72. 30 Million Dollar Rush (1987)
  73. The Lady in Black (1987)
  74. Flag of Honor (1987)
  75. Starry is the Night (1988)
  76. Web of Deception (1989)
  77. Red Dust (1990)
  78. Peach Blossom Land (1991)
  79. Royal Tramp (1992)
  80. Royal Tramp II (1992)
  81. Handsome Siblings (1992)
  82. Eagles Shooting Heroes (1993)
  83. Boys Are Easy (1993)
  84. Black Phanter Warriors (1993)
  85. Deadly Melody (1994)
  86. Fire Dragon (1994)
  87. Three Swordsman (1994)
  88. Chungking Express (1994)

quinta-feira, outubro 12, 2006

Votação
Qual a vossa actriz asiática favorita?
Ora aqui está uma pergunta pertinente!!! As opções são quase infindáveis e de escolha muito, mas mesmo muito complicada...
Para votarem, por favor cliquem aqui.
Desde já revelo o meu voto: Cecilia Cheung!!!

domingo, outubro 08, 2006

Leslie Cheung (Biografia)

Fat-Chong Cheung, mais conhecido por Leslie Cheung, nasceu em Hong Kong, no dia 09 de Dezembro de 1956, sendo o mais novo de dez irmãos.

Desde muito novo, teve contacto com o cinema, pois o seu pai era o alfaiate do actor William Holden.

Após o divórcio dos seus pais (circunstância que invocou sempre para justificar o porquê de não acreditar no casamento) foi estudar para a Universidade de Leeds, em Inglaterra.

Depois de retornar a Hong Kong, Leslie Cheung lançou-se no mundo da música, tendo ficado em 2º lugar no concurso "ATV Asian Music", para melhor cantor. Em 1981, o seu album "The wind blows on" foi um espantoso sucesso, tendo-o tornado no mais popular intérprete musical do continente asiático.

À semelhança de muitos outros casos em Hong Kong, o seu sucesso no mundo da música, fê-lo entrar para o mundo da sétima arte, tendo o seu primeiro grande papel sido no clássico de acção de John Woo "A better tomorrow", onde contracenou com outro grande nome do cinema asiático, Chow Yun Fat.

A carreira de Leslie Cheung no cinema estava definitivamente lançada, e em 1987 protagoniza outro grande clássico do cinema de Hong Kong, "A Chinese Ghost Story". Em 1988, entra na sequela de "A better tomorrow" e interpreta um dos seus papéis mais emblemáticos, o de playboy fumador de ópio no filme de Stanley Kwan, "Rouge", uma estória de fantasmas que se passa em Hong Kong, num período que medeia entre 1930 e 1987. "Rouge" foi um dos filmes mais aclamados do cinema oriental dos anos 80 e estabeleceu definitivamente Leslie Cheung como um actor dotado de grande versatilidade, sendo capaz de interpretar tanto heróis de acção, como desempenhar papéis iminentemente românticos.

O actor continuou a protagonizar uma série de filmes durante os anos 90, o que lhe deu oportunidade de trabalhar com os mais conceituados realizadores. Logo em 1990, protagonizou mais um filme de acção de John Woo, "Once a thief", sendo acompanhado por Chow Yun Fat, à semelhança dos dois filmes da saga "A better tomorrow".

Mais tarde, expandiu as sua capacidades de interpretação no filme de Wong Kar-Wai "Days of being wild" (1991), desempenhando o papel de "Yuddy", um homem que usa e abusa das mulheres com que enceta relacionamentos.

Em 1993, Cheung dá vida a uma das personagens mais marcantess da sua carreira, o do espadachim "Cho Yi-Hang", no clássico "Wuxia" intitulado "The Bride With White Hair", fazendo uma dupla romãntica inesquecível com Brigitte Lin. Não nos podemos igualmente esquecer que nesse mesmo ano, faz parte de um dos mais importantes clássicos de Kaige Chen, "Adeus minha concubina".

As capacidades de Cheung estão sempre em crescendo e parecem não ter limites. A emotividade e extrema competência com que encara os seus papéis fazem com que já nesta altura seja sem dúvida um dos actores mais emblemáticos de Hong Kong, estando para muitos e com toda a justiça, no topo da cadeia.

Em 1994, volta a trabalhar com Wong Kar-Wai, num dos mais incompreendidos e ao mesmo tempo melhores filmes a que Hong Kong deu vida, o épico de artes marciais "Ashes of Time". Em 1997, outra vez aliado ao mesmo realizador, protagoniza talvez o papel mais polémico da sua carreira em "Felizes juntos". Referimo-nos ao homossexual "Ho Po-Wing" que mantém um relacionamento com "Lau Yiu-Fai", personagem desempenhada pelo igualmente grande actor Tony Leung Chiu-Wai.

Tendo continuado a manter uma profícua carreira cinematográfica, destaca-se ainda o seu papel como um corrector de bolsa que descobre outras facetas da vida, ao adoptar uma criança em "The Kid", e ainda a interpretação no "thriller" intitulado "Inner Senses", como um psiquiatra.

A tragédia chegou no dia 1 de Abril de 2003 (oxalá fosse mesmo uma mentira, embora de mau gosto), quando Leslie Cheung suicidou-se, atirando-se do 24º andar do Hotel Mandarim, situado no distrito de negócios de Hong Kong. Uma nota de suicídio foi encontrada na sua roupa, dando a entender que a causa principal deste acto teria sido a grande depressão em que se encontrava na altura. Muito se especulou acerca dos motivos para a depressão, mas apenas os mais próximos do malogrado actor, porventura saberão das reais razões.

O que é certo é o facto de o cinema mundial, e o asiático em particular, terem ficado incrivelmente mais pobres com a perca deste grande talento.

Curiosidades (Fonte: Internet Movie Data Base)

  • Foi um dos mais populares cantores asiáticos dos anos 80. Deu por terminada a carreira em 1989, não sem antes dar concertos durante 33 noites seguidas.
  • Membro do juri do Festival Internacional de Cinema de Berlim, em 1998.
  • Foi o primeiro actor de Hong Kong a entrar num filme proveniente da República Popular da China (Adeus minha concubina.
  • Membro do juri do Festival Internacional de Cinema de Tóquio, em 1993.
  • Foi o primeiro cantor a efectuar 100 concertos no Coliseu de Hong Kong.
  • A sua música intitulada "Monica" foi votada a canção do século.
  • Foi consagrado como a maior estrela do cinema asiático pela cadeia de televisão CCTV-MTV, em 2000.
  • Já após a sua morte, em 2005 foi considerado o actor chinês favorito em 100 anos de cinema chinês, numa votação organizada pela "Henderson Land Development Co. Ltd", "Hong Kong Ferry Co. Ltd", "HKFAA" and "UA Cinemas" no âmbito do centenário da história do cinema chinês.
  • Foi um dos primeiros da geração de estrelas "Pepsi" na Ásia.

Filmes:

  1. The drummer (1982)
  2. Intellectual Trio (1985)
  3. For your heart only (1985)
  4. A better tomorrow (1986)
  5. A chinese ghost story (1987)
  6. A better tomorrow II (1987)
  7. Fatal Love (1988)
  8. Chatter street killer (1988)
  9. Aces go places 5 - The Terracota hit (1989)
  10. A chinese ghost story II (1990)
  11. Rouge (1990)
  12. The banquet (1991)
  13. Arrest the restless (1992)
  14. All's well, end's well (1992)
  15. Adeus Minha Concubina (1993)
  16. Eagle shooting heroes (1993)
  17. The eagle shooting heroes: Dong cheng xi jiu (1994)
  18. The chinese feast (1994)
  19. The bride with white hair (1994)
  20. The bride with white hair II (1994)
  21. Once a thief (1994)
  22. Long and winding road (1994)
  23. It's a wonderful life (1994)
  24. He's a woman, she's a man (1994)
  25. Ashes of time (1994)
  26. All's well, end's well too (1994)
  27. The phantom lover (1996)
  28. Who's the woman, who's the man (1996)
  29. Viva erotica (1996)
  30. Tri-star (1996)
  31. San seunghoi tan (1996)
  32. Days of being wild (1996)
  33. Temptress moon (1997)
  34. Felizes juntos (1997)
  35. Knock off (1998)
  36. Anna Magdalena (1998)
  37. Moonlight express (1999)
  38. Time to remember (2000)
  39. Okinawa rendez-vous (2000)
  40. Cheong wong (2000)
  41. Inner senses (2002)

The Internet Movie Database (IMDb) link, Leslie Cheung Fan Club


sábado, outubro 07, 2006

A Chinese Ghost Story/Sinnui yauwan (1987)

Origem: Hong Kong

Duração: 92 minutos

Realizador: Tony Chin Siu Tung

Com: Leslie Cheung, Joey Wong, Wu Ma, Lau Siu Ming, Sit Chi Lun, Lai Wan

"O pobre e ingénuo cobrador de impostos Ning Tsai Chen"

Estória

"Ning Tsai Chen" (Leslie Cheung) é um pobre e bondoso cobrador de impostos que se dirige para uma vila a fim de exercer o seu nada bem vindo ofício perante os habitantes. Os problemas começam logo quando a caminho da povoação desencadeia-se uma tempestade e "Ning" fica com o livro de registo dos devedores todo ensopado devido à água da chuva. Em virtude desta situação, igualmente "Ning" fica sem dinheiro para pagar uma estalagem onde passar a noite e é obrigado a procurar refúgio no templo "Lan Yeuk", desconhecendo que o mesmo encontra-se assombrado.

Após algumas peripécias nocturnas, "Ning" conhece "Nieh Hsiao Tsing" (Joey Wong), um espírito que vagueia pela floresta circundante ao templo e instantaneamente apaixona-se. Claro está que "Ning" não faz a mínima ideia que "Nieh" é um fantasma.

"A bela e adorável fantasma Nieh Hsiao Tsing"

"Nieh" igualmente enamorada por "Ning", faz tudo para protegê-lo do espírito mais poderoso da floresta chamado "Old Dame", quando pelo contrário estava obrigada a entregar o cobrador a "Old Dame" para esta devorá-lo.

"Old Dame" descobre o embuste de "Nieh" e leva-a para o submundo, tendo em vista obrigá-la a contrair matrimónio com o "Senhor da Montanha Negra".

Com a ajuda de um estranho monge taoísta chamado "Yen", "Ning" decide penetrar no submundo e tentar salvar o seu amor.

"O casal de apaixonados"

"Review"

Antes de tudo é preciso dizer que estamos perante um dos maiores clássicos que o cinema de Hong Kong produziu, dotado de um elenco de grande respeito e com a produção do mito Tsui Hark.

"A Chinese Ghost Story" não se enquadra no "wuxia" e/ou filme de artes marciais convencional. Trata-se antes de uma bonita estória de amor, abundantemente temperada com elementos de comédia, fantasia e artes marciais.

O resultado: muito bom!

A estória de amor resulta plenamente, pois existe uma grande química entre Leslie Cheung e Joey Wong, embora não atinja a quase perfeição evidenciada em "The Bride With White Hair", com o mesmo protagonista a fazer um inesquecível par com a igualmente consagrada Brigitte Lin.

Leslie Cheung tem uma interpretação inesquecível, conseguindo convencer-nos da sua deliciosa ingenuidade e do seu puro amor por Joey Wong. Esta por sua vez, desempenha bem o seu papel como o fantasma destinado à tragédia e ao mesmo tempo a protectora de Leslie Cheung, que está constantemente a meter-se em sarilhos. Já agora, uma palavra especial de apreço para Wu Ma, que dá vida ao espadachim e monge taoísta. É ele o verdadeiro herói de acção e que dá aquele saudável laivo de loucura (parece contraditório, não?!) ao filme, sempre que invoca o seu bem distinguível grito de guerra "Prajna Paramita"!

"Ning caminha para o reduto do seu amor"

A comédia é bastante aceitável, dando azo inclusive a algumas gargalhadas, especialmente quando aparecem aqueles guardas da vila que sempre que veêm alguma pessoa a fugir, pensam logo que é um criminoso e insistem em aprisioná-lo, tendo em vista a obtenção de recompensas.

Os efeitos especiais são muito arcaicos comparados aos de hoje, mas não nos podemos esquecer que estamos a falar de um filme de Hong Kong com vinte anos. Atendendo a este pressuposto, a opinião é positiva, principalmente no tocante aos "sutras" consubstanciados em raios que Wu Ma insiste em lançar aos espíritos maléficos.

A acção, subtraindo os já mencionados efeitos especiais, é a típica de Hong Kong, com muito "wire-fu" à mistura.

"A Chinese Ghost Story" é um belo filme, que agradará sobretudo aos românticos e não defraudará aqueles que são fãs do cinema de artes marciais e "swordplay" de Hong Kong dos anos 80 e 90.

Um ícone clássico obrigatório!

"O estranho monge taoísta Yen"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cineasia

Avaliação:
Entretenimento – 8
Interpretação – 7
Argumento – 8
Banda-sonora – 8
Guarda-roupa e adereços – 8
Emotividade – 8
Mérito artístico – 8
Gosto pessoal do “M.A.M” – 8

Classificação final: 7,88






Blood: O Último Vampiro/Blood: The Last Vampire (2000)

Origem: Japão

Duração: 48 minutos

Realizador: Hiroyuki Kitakubo

Vozes das personagens principais: Youki Kudoh (Saya), Saemi Nakamura (Enfermeira Makiho Caroline Amano), Joe Romersa (David), Rebecca Forstadt (Sharon), Stuart Robinson (Louis), Akira Koteyama (Mama), Tom Fahn (Professor), Paul Carr (Director da escola)

"Saya em posição de combate"

Estória

Em 1966, nos primórdios da guerra do Vietname, os norte-americanos possuem bases militares no Japão, como obrigação e decorrência deste país, por força da derrota na II Guerra Mundial.

Eventos de uma elevada gravidade começam a ocorrer na base norte-americana de Yokota e na zona circundante. O governo fica seriamente preocupado e após aturada investigação, descobre-se que um grupo de demónios bebedores de sangue são a causa de toda a situação.

"A maldade por vezes esconde-se por trás da capa da inocência..."

"Saya", uma vampira caçadora destes demónios conhecidos como "Chiropterans" é encarregue de pôr cobro à ameaça contando para o efeito com a sua força sobre-humana e a sua rara "katana".

O sangue vai começar a jorrar!

"A investigar vestígios de sangue"

"Review"

"Blood: O Último Vampiro" é um "anime" visualmente impressionante, característica normal nos produtos deste segmento oriundos do país do sol nascente.

As personagens e as suas movimentações são bastante realistas, sendo exemplo disso a sequência inicial em que "Saya" dilacera e mutila numa carruagem de metropolitano.

Os cenários e os seus componentes são igualmente maravilhosos, tendo o realizador demonstrado um especial cuidado nos jogos de cores e sombras, que obteve resultados muito bons. Neste particular gostei imenso dos aviões da base aérea de Yokota.

A acção é uma constante em toda a película, com lutas bem elaboradas, sanguinárias e de tirar simplesmente a respiração. A curtíssima duração do filme teve um papel muito importante neste aspecto.

E é precisamente aqui que "Blood..." apresenta a sua gritante falha. O filme tem apenas 48 minutos...

Não sei sinceramente qual a razão para isto. Aliás até agradeço que os leitores do "M.A.M." comentem este aspecto e tentem elucidar-me, mas na minha humilde opinião isto faz com que a película desemboque num grande vazio.

Um exemplo claro ocorre logo no início do filme, quando "Saya" mata o passageiro da carruagem e um dos agentes norte-americanos põe em causa se o homem assassinado é um "Chiropteran" ou, pelo contrário, um ser humano perfeitamente normal. A heroína irrita-se com este comentário, chega a agredir o agente, e depois ficamos sem ter resposta a esta pertinente questão.

Esta mesma curta-duração, que nem faz com que eu considere "Blood..." uma verdadeira longa-metragem, destrói a sempre necessária empatia do espectador com as personagens, pois as mesmas não são alvo de um congruente desenvolvimento.

"A caçadora observa a sua presa"

E é aqui que os "clichés" que tantos criticam, por vezes com razão, poderiam servir de bálsamo para a resolução da questão.

Porque não fazer uma retrospectiva bem elaborada de "saya" desde os tempos em que tornou-se vampira, até ao momento em que decidiu enveredar pela caça a demónios?

Porque não arranjar um vilão ancestral ou até mesmo actual que desse realmente luta à rapariga?

Porque não desenvolver muito mais os "Chiropterans" por forma a que saibamos quem realmente são e a razão do seu aparecimento?

Porque não explicar o motivo porque "Saya" trabalha para os norte-americanos?

Etc...etc...etc...

Se o realizador teve um especial cuidado em certos pormenores tais como a introdução de diálogos tanto em japonês, como em inglês, consoante a nacionalidade das personagens, estranha-me sinceramente que tenha produzido uma obra que limita-se a expor uma animação de grande qualidade, mas que "a contrario" possui um argumento que não faz minimamente jus ao exibido visualmente. A nota 7 atribuída aqui atribuída ao argumento visa unicamente premiar uma ideia óptima/original de uma caçadora de demónios no Japão da época da guerra do Vietname.

Resta-nos a esperança que Ronny Yu, o realizador de "The Bride With White Hair", tenha o condão de aquando da futura realização da versão "carne e osso" de "Blood...", debelar estes aspectos. Aliás, Yu dá desde logo a conhecer que o argumento sofrerá uma alteração de monta a nível temporal, atendendo a que a sua obra irá passar-se em 1948, no Japão pós-II Guerra Mundial, num período em que a devastação provocada por este conflito está muito presente. Quem tiver interesse numa entrevista em que este realizador disserta acerca do seu último filme "Fearless", que tem como protagonista Jet Li, assim como na futura versão de "Blood...", poderá aceder à mesma aqui.

"Anime" interessante, mas falha redondamente em tornar-se num clássico!

"Música de fundo para o início de um combate"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Gritos Insanos, AnimeHaus, Anime Portugal

Avaliação:
Entretenimento – 8
Animação – 8
Argumento – 7
Banda-sonora - 6
Emotividade - 7
Mérito artístico – 8
Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 7,29