"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!

segunda-feira, abril 30, 2007

Beijing Rocks/Bak Ging lok yue liu (2001)
Origem: Hong Kong
Duração: 110 minutos
Realizador: Mabel Cheung
Com: Daniel Wu, Shu Qi, Geng Le, Richard Ng, Faye Yu

"O jovem compositor Michael Wu"

Estória

“Michael Wu” (Daniel Wu) é um jovem de Hong Kong, educado desde muito novo nos EUA, que vai viver durante uns tempos para Pequim (Beijing), por ser desejo do seu pai (Richard Ng), um rico construtor civil, que o jovem aprenda mandarim e componha canções nesse mesmo idioma. “Wu”, um músico frustrado e sem inspiração, no entanto passa a sua vida na diversão, levando uma vida boémia e sem nenhuma responsabilidade.
Certo dia, quando andava em mais uma das suas deambulações nocturnas, “Wu” assiste a uma rixa num bar em que são intervenientes uma banda de rock chamada “Moonwalkers”, os donos do estabelecimento e as autoridades. O motivo da altercação prende-se com as letras politicamente incorrectas que “Road” (Geng Le) debitava no microfone e que fez com que o técnico de som desligasse a corrente eléctrica, findando desta forma o concerto do agrupamento musical.
"A groupie Yang Yin"

A partir daqui, “Wu” torna-se numa pessoa muito próxima da banda, acompanhando diariamente os seus anseios e frustrações, num país que se está a abrir para o ocidente, mas que de certa forma ainda imperam vários tipos de censura.
Igualmente “Wu” não consegue deixar de se sentir atraído pela “groupie” dos “Moonwalkers”, “Yang Yin” (Shu Qi), namorada de “Road” e possuidora de uma personalidade muito própria e carismática.
"Yang Yin e o namorado Road, o vocalista da banda Moonwalkers"


"Review"

“Beijing Rocks” foi daqueles filmes que absolutamente nunca tinha ouvido falar antes, e que me caiu nas mãos, numa daquelas promoções do “Yesasia”, em que escolhemos o filme de borla que nos parece menos mau. Como não gosto de “andar às escuras” na vida em geral, e principalmente na escolha dos dvd’s que compõem a minha colecção, lá fiz um pouco de pesquisa e deparei-me com alguns motivos que me fizeram optar por esta película na aludida promoção.
O facto de possuir Shu Qi como uma das intérpretes principais, actriz com atributos artísticos, e não só, que me cativam de alguma forma, constituiu a primeira chamada de atenção (já sei, os homens não prestam para nada…lá foi ao ar uma réstia de bom senso ou inocência que este texto pudesse ter…).
Um segundo factor de atracção, passou pela leitura da sinopse de “Beijing Rocks”, que me fez aguardar uma película na senda de filmes como “24 Hour Party People”, ou das obras de Cameron Crowe, tais como “Singles – Vida de Solteiro” ou o fabuloso “Almost Famous – Quase Famosos”, este último, o filme do realizador que colhe mais a minha simpatia. Por este motivo, e funcionando como mais um “quid”, despertou-me a curiosidade o facto de ser pouco comum um filme de Hong Kong ou da China debruçar-se sobre tais matérias. Igualmente, convém ao caro leitor saber que eu sou um perfeito ignorante acerca da vertente musical, em especial do ambiente “rock”, que se respira por aqueles lados. E quando se vive uma situação destas, mandam as mais elementares regras, que nos devemos cultivar em ordem a suprir as lacunas existentes.
E pronto, está tudo sumariamente explicado no que concerne a esta parte!
Num registo que nos faz lembrar de certa forma “Failan”, embora com motivações distintas, o filme começa com “Wu” a chegar a Pequim, deparando-se com características muito próprias da grande cidade, vistas através do vidro de um automóvel. Os grandes edifícios e alguns resquícios da ocidentalidade já se vislumbram e misturam-se com os traços próprios do regime autoritário chinês, tais como o culto ao líder de sempre, Mao Tsé Tung (Mao Zedong). As referências ao ambiente vivido em Pequim repetem-se, com alguma frequência, ao longo desta longa-metragem. Essas mesmas referências estão obviamente relacionadas com o regime musculado comunista. Pense-se no grito de revolta que o sub-mundo do “hard rock” pretende ser contra os estigmas dominantes, e que predominam bastante ao longo do filme. Atentemos ao passeio de bicicleta que a banda faz em frente à cidade proibida (residência dos antigos imperadores chineses), belíssimo monumento que se encontra desfigurado com tarjas evocativas da denominada “Revolução Cultural” e apologistas do “perfeito e maravilhoso pai da China”. Sem querer politizar em demasia (temo que já o fiz, infelizmente) a presente crítica, permitam-me apenas que refira uma frase que “Yang Yin” profere a certa altura do filme:
“Desejo um dia cantar e fazer um strip na Praça de Tianamen!”
Sintomático? Julgo que sim!
"Uma actuação de improviso dos Moonwalkers"


“Beijing Rocks” constitui um filme dramático, eivado de uma ternura que não nos deixa impassíveis ou indiferentes. Em muito devemos isto à bem conduzida narrativa, à interessante música imbuída de letras bastante significativas, a alguma comédia que nos desperta recordações tão caras e que ao pouco se vão distanciando (a cena do criador de porcos que se vai queixar que os animaizinhos não comem devido ao barulho que a banda faz está fenomenal!), à fotografia conduzida com mestria pelo consagrado Peter Pau, mas acima de tudo às bem construídas personagens e consequente inter-relacionamento.
Daniel Wu, um dos actores com melhor cartaz em Hong Kong, dá-nos a conhecer uma personagem que se encontra perdido quanto às suas origens. Não fala bem inglês e expressa-se ainda pior em mandarim. A composição das suas músicas não corre bem. Foge dos tentáculos de um pai dominador. Acaba por encontrar um pouco de redenção nos “Moonwalkers”, mas mesmo aí apaixona-se por uma rapariga que não lhe pode corresponder.
Geng Le, que interpreta “Road”, o rebelde e traumatizado vocalista dos “Moonwalkers”, consubstancia-se num perfeito grito de revolta contra as concepções dominantes. Ele não visa apenas ser um “rocker”. Simplesmente anseia ser diferente de tudo e de todos. É a figura trágica do filme, e sentimos claramente um mau fim a aproximar-se à medida que caminhamos para o epílogo.
A bela Shu Qi, representa uma figura digna de rivalizar com “Penny Lane” de “Quase Famosos”, excelentemente interpretada por Kate Hudson. No entanto, “Yang Yin”, afigura ser muito mais insegura e excessivamente dependente de “Road”. Tem vários sonhos, muitos deles votados ao fracasso devido à conjuntura pessoal que vive. Contudo, a sua saudável loucura dá muita vida e encanto à película.
“Beijing Rocks” é um bom filme, competentemente dirigido pela realizadora Mabel Cheung, rodeado de uma aura educativa, mas ao mesmo tempo saudavelmente idealista e rebelde. Tal imagem é bem ilustrada numa frase de uma das músicas dos “Moonwalkers”, a banda fictícia do filme:
“So Buddha Says: If I don´t go to hell, Who will go to hell?”
"A vender cds de origem duvidosa"


Trailer (Não encontrado!) , The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 9

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,38







sábado, abril 28, 2007

The Legend of Fong Sai Yuk/ Fong Sai Yuk - 方世玉 (1993)
Origem: Hong Kong
Duração: 106 minutos
Realizador: Corey Yuen
Com: Jet Li, Michelle Reis, Josephine Siao, Chan Chung Yung, Vincent Chiu, Sibelle Hu, Paul Chu, Adam Cheng
"O herói Fong Sai Yuk"
Estória
“Fong Sai Yuk” (Jet Li) é um jovem e espectacular praticante de Kung Fu, um pouco inconsciente e que adora arranjar sarilhos conjuntamente com os amigos. Certo dia, após algumas peripécias, conhece “Ting Ting” (Michelle Reis), a filha de um rico comerciante Manchu (Chan Chung Yung), e ambos se enamoram um pelo outro.
Certo dia, e para não variar, “Fong” arranja mais um problema. O pai de “Ting” decide fazer um concurso de artes marciais em que aquele que conseguir derrotar a sua mulher (Sibelle Hu), ganhará a mão da sua filha. “Fong” luta para defender a honra dos cantoneses, nem imaginando que se irá tornar o futuro marido do seu amor, pois acontecem mais algumas confusões, fazendo com que o herói pense que a sua esposa será a criada de “Ting”, rapariga que não deve muito à beleza.
"A adorável Ting Ting"

Para piorar ainda mais a situação, a irascível mãe de “Fong” (Josephine Siao), veste-se como um homem para lavar a honra da família no combate, fazendo com que a progenitora de “Ting” se apaixone por ela. Como se não bastasse, o pai da rapariga não faz a mínima ideia que o pai de “Fong” (Paul Chu) é um destacado membro do grupo “Flor Vermelha”, uma organização que luta contra a dinastia Ching, de origem manchu é que governa a China.

Quando o governador de Kau Man (Vincent Chiu), um acérrimo opositor do grupo “Flor Vermelha”, tudo faz para exterminar a organização, chega a hora de “Fong Sai Yuk” lutar pela sua família e pelo povo oprimido da China.

"O pai de Ting Ting põe a mãe de Fong Sai Yuk em problemas"

"Review"

Todas as civilizações têm os seus heróis populares, e a China, com a sua riquíssima história, não constitui excepção. Possivelmente, a personagem mais conhecida será Wong Fei Hung, que deu origem a vários filmes e séries, tais como a saga “Era Uma Vez na China” ou “Drunken Master”. No entanto, Fong Sai Yuk é um mito com quase tanta importância como Fei Hung, e que hoje em dia ainda faz o imaginário de muitos.

Reza a lenda que “Fong Sai Yuk” era neto de Miu Hin, um dos cinco anciãos que conseguiu escapar à destruição do Templo de Shaolin, levada a cabo pela dinastia Ching (ou Qing). Foi treinado pela sua mãe que o banhava numa água temperada com uma solução herbal que supostamente fazia com que Fong Sai Yuk fosse quase invulnerável, um pouco à semelhança do herói mitológico grego Aquiles.

Feito este pequeno parênteses histórico, necessário muitas vezes para percebermos certos aspectos importantes, passemos então ao filme.

Diversão é a palavra de ordem! “Fong Sai Yuk” é uma película que nos mantém presos ao ecrã (ou à tela) do princípio ao fim, atendendo à acção frenética, feita de combates fenomenais, com uma tremenda imaginação e, claro está, algum “wire-fu”. Particularmente vibrante é a luta ocorrida entre “Fong Sai Yuk” e “Siu Wan”, a futura sogra do herói, cuja regra principal passava por quem tocasse primeiro com os pés no chão, perderia o combate. O resultado é devastador no bom sentido, e de tirar quase a respiração!

"Fong Sai Yuk domina com mestria o Kung Fu"

Outro aspecto que mantém em alta o entretenimento, é a comédia que o filme possui para dar e vender! Aqui as honras terão de ser forçosamente atribuídas a Chan Chung Yung, o actor que representa o pai de Michelle Reis. Tem um ar e expressões de partir “o coco a rir”, passe a expressão, para além de um diálogo verdadeiramente oportunista e charlatão que nos faz dar saudáveis gargalhadas. Como já referi por diversas vezes neste blogue, não sou um adepto de comédia, mas lá de vez em quando consigo ver uma ou outra obra que me consegue pôr um sorriso nos lábios. Esta é uma delas.

Jet Li é um perfeito “Fong Sai Yuk”, Michelle Reis uma adorável “princesinha”, Josephine Siao está muito bem no papel da possessiva mãe de “Fong”, Vincent Chiu é um vilão de nomeada. O resto do “cast” acompanha muito bem estes actores, todos representando personagens que colhem a nossa simpatia quase de imediato.

O argumento não é nada demais, mas atendendo ao objectivo do filme, cumpre plenamente o seu desiderato. A banda - sonora é muito agradável de se ouvir, e faz acentuar brilhantemente o pendor heróico e movimentado do filme.

Não se pode pedir muito mais a “Fong Sai Yuk”, mas tal também se afigura desnecessário! Deste Jet Li, em excelente forma, gosto eu bastante!

Uma boa proposta!

"Fong Sai Yuk enfrenta em combate o governador de Kau Man"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8





quinta-feira, abril 26, 2007

Kagemusha, a Sombra do Guerreiro Aka O Sósia/Kagemusha, the Shadow Warrior/ Kagemusha - 影武者 (1980)

Origem: Japão

Duração: 152 minutos

Realizador: Akira Kurosawa

Com: Tatsuya Nakadai, Tsutomu Yamazaki, Kenichi Hagiwara, Jinpachi Nezu, Hideji Otaki, Daisuke Ryu, Masayuki Yui, Kaori Momoi, Mitsuko Baisho, Hideo Murota, Takayuki Shiho, Koji Shimizu, Noburo Shimizu, Sen Yamamoto, Shuhei Sugimori

"Lorde Shingen, o irmão e o sósia"

Estória

No último quartel do século XVI, a família mais poderosa do Japão é o clã Takeda, liderado pelo carismático e poderoso “Takeda Shingen”. “Kagemusha” é um pobre ladrão, que é apanhado a roubar umas moedas, e em consequência do seu acto, condenado à morte através de crucificação. A sua sorte muda quando “Nobukado”, o irmão de “Takeda Shingen” se apercebe da grande parecença que o delinquente tem com o chefe do clã Takeda e, em virtude disto, apresenta-o ao mesmo. “Shingen” acha que “Kagemusha” poderá ser-lhe útil como sósia em certas ocasiões, decidindo perdoar-lhe o crime e mantê-lo por perto.

Durante um cerco ao castelo do senhor rival “Tokugawa Ieyasu”, líder do clã Tokugawa, “Shingen” é ferido com grande gravidade e morre pouco tempo depois. O seu desejo final foi que a morte se mantivesse secreta durante 3 anos, em ordem a que a sua presença mantivesse os inimigos em respeito. Por lealdade ao seu senhor, o irmão “Nobukado”, conjuntamente com os principais generais e conselheiros do clã, armam um plano que passa por “Kagemusha” substituir o falecido “Shingen”.

A “performance” de “Kagemusha” é bastante convincente, conseguindo enganar tudo e todos, inclusive o neto e as concubinas, para além dos espiões dos Tokugawa e do seu aliado “Oda Nobunaga”, que andavam desconfiados que “Shingen” tinha falecido.

"O Exército do clã Takeda marcha sobre uma paisagem magnífica"

Depois de liderar com sucesso o clã Takeda na batalha de Takatenjin, “Kagemusha” ganha um excesso de confiança, e tenta montar o cavalo de “Shingen”, que apenas permitia ser conduzido pelo seu verdadeiro dono. Tendo falhado neste propósito, o embuste é descoberto e “Kagemusha” expulso do seio do clã, tendo a chefia deste sido assumida pelo filho de “Shingen”, chamado “Katsuyori”.

“Katsuyori” que sempre tinha vivido na sombra do pai, tenta ficar envolto em glória, liderando o poderoso exército dos Takeda contra “Oda Nobunaga”, que controla a capital Quioto, resultando daqui a batalha de Nagashino. “Kagemusha”, meio enlouquecido, assiste e teima fazer parte no combate que decidirá o destino dos Takeda.

"O exército do clã Takeda resplandece debaixo do pôr-do-sol"

"Review"

À partida quando estamos perante um filme da autoria de Akira Kurosawa, e ainda para mais sendo o mesmo um épico “Chambara”, daqueles a que o conceituado mestre japonês tanto nos habituou, só poderemos esperar uma película envolta numa magnificência total e sem praticamente defeito de relevo que se aponte.

Os eventos passados em “Kagemusha” (que literalmente significa guerreiro-sombra), embora de certa forma romanceados e ficcionados, contêm um certo fundamento histórico, pois o senhor “Takeda Shingen” é baseado na figura real de Daimyo Takeda Shingen, um poderoso senhor feudal que tentou obter a supremacia total no reino nipónico. A batalha de Nagashino, igualmente aconteceu, tratando-se de um confronto ocorrido em 1575, embora não com as consequências representadas na película.

Na análise da equipa que trouxe “Kagemusha” à luz do dia e ao branco das telas, chama à atenção o facto de constarem nos créditos da versão internacional do filme, como produtores, outros dois nomes consagradíssimos da sétima arte: Francis Ford Coppola e George Lucas. Tal se deve ao facto de o orçamento para a rodagem de “Kagemusha”, ter sido excedido, e por esse mesmo motivo, os estúdios “Toho” ficaram com falta de capacidade financeira para a conclusão do filme. Coppola e Lucas, sendo admiradores confessos do trabalho de Akira Kurosawa, convenceram a “20th. Century Fox” a subsidiar o remanescente do filme, tendo obtido em troca os direitos para a distribuição internacional da película.

“Kagemusha” é olhado por alguns como uma preparação para outro épico samurai que Kurosawa viria a realizar 5 anos depois, intitulado “Ran – Os Senhores da Guerra”. Não cabe aqui tomar posição sobre este aspecto, embora se adiante que ambos os filmes têm alguns pontos de contacto, sendo no entanto películas diferentes. Apenas posso adiantar que a minha preferência vai para “Ran”, mas não me choca absolutamente nada que outros prefiram “Kagemusha”. Ambos são obras que merecem todoo respeito e consideração.

Quando visionamos “Kagemusha”, e conhecendo um pouco da biografia de Kurosawa, apercebemo-nos logo que o realizador japonês com certeza teve uma vida muito ligada à escrita e à pintura, tal é o intrincado, mas brilhante enredo presente, assim como os momentos verdadeiramente de sonho no que toca à fotografia.

"O significativo sonho de Kagemusha"

O ladrão sósia de “Shingen” (grande interpretação de Tatsuya Nakadai) recolhe quase de imediato a nossa simpatia, quando deparamo-nos com a dificuldade e estranheza que o mesmo sente em personificar um homem com quem não tem nada em comum, a não ser a aparência. Um é o senhor mais poderoso do Japão, rivalizando com o próprio imperador; o outro, um pobre ladrão. “Shingen” possui uma personalidade forte e destemida, própria de um nobre que sabe o que vale, de onde vem e para onde vai; “Kagemusha” (chamemo-lo assim, porque na realidade nunca sabemos o verdadeiro nome da personagem ao longo do filme), é quase um animal assustado, que não faz a mínima ideia de como um membro da nobreza se deve comportar. O chefe guerreiro é uma “pedra inamovível” (expressão que faz parte do estandarte dos Takeda); o outro, uma pedra rolante (nada de confusões com a expressão “Rolling Stone”, nem os significados comummente decorrentes).

Falar de Kurosawa, significa falar de pormenores. Em “Kagemusha” eles estão lá todos. Pense-se no orgulhoso exército Takeda a marchar numa praia, com um mar revolto e ao mesmo tempo um brilhante arco-iris que pontifica no céu. Reflicta-se acerca do mesmo corpo guerreiro, orgulhosamente espraiando-se numa planície, com o pôr-do-sol a emanar a luz que verdadeiramente pinta as armaduras dos samurais com um brilho esplendoroso. Interiorize-se a chocante imagem do cavalo moribundo, no remanescente da batalha de Nagashino. Mas acima de tudo, deleitemo-nos vezes sem conta, com a carga solitária de “Kagemusha”, contra o exército de Nobunaga, elevando a honra de um clã que nunca foi seu, e a sua última viagem feita no rio, talvez para um lugar melhor, passando lentamente ao pé do estandarte caído dos Takeda.

Se críticas negativas há a fazer a “Kagemusha”, será talvez o facto de não possuir o “pace” de “Sete Samurais” ou “Ran - os Senhores da Guerra”, mas tal só vem ao de cima por estarmos a falar de Kurosawa, um verdadeiro génio da sétima arte, fazendo com que na relação das suas obras umas com as outras, se possa tomar partidos. Quando se trata da comparação dos seus filmes, com os de outros autores, inevitavelmente o realizador nipónico levará na maior parte das vezes vantagem.

Vencedor da Palma de Ouro do festival de Cannes – edição de 1980, "ex-aequo" com "All That Jazz", é uma obra obrigatória para qualquer cinéfilo que se preze.

"O delírio final"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Tempore, Cinedrio, Paixões e Desejos

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 9

Argumento - 9

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 8

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,38





quarta-feira, abril 25, 2007

Samaritana/Samaritan Girl/Samaria - 사마리아 (2003)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 95 minutos

Realizador: Kim Ki-duk

Com: Kwak Ji-min, Seo Min-jeong (aka Han Yeo-rum), Lee Eol, Woo Yong, Park Geong-gi, Jeong In-gi

"Yeo-jin segura na lista de clientes, sob um fundo outonal de sonho"

Estória

“Yeo-jin” (Kwak Ji-min) e “Jae-yeong” (Seo Min-jeong) são duas jovens estudantes de liceu, unidas por uma grande amizade. As raparigas parecem levar uma vida normal de adolescentes, no entanto a realidade demonstra que isto não é bem assim.

Em ordem a terem possibilidades financeiras que lhes permita viajar até à Europa, fazem uma parceria que passa por “Jae-yeong” se dedicar à prostituição, enquanto “Yeo-jin”, à semelhança de um “manager”, arranja os clientes e faz a gestão do dinheiro ganho com a ilícita actividade.

Apesar de estarem unidas por um objectivo comum, as raparigas têm perspectivas antagónicas acerca da situação que ambas vivenciam. “Jae-yeong” encontra a felicidade em dormir com homens mais velhos a troco de dinheiro, acreditando que é uma moderna incarnação de Vasumitra, uma lendária prostituta indiana que convertia homens ao budismo, através do sexo. Por outro lado, “Yeo-jin”, apesar de não ter contacto físico com os clientes, sente-se impura por estar envolvida no esquema, e de certa forma culpada por permitir que a amiga se sujeite a tais actos.

Após um acidente trágico que envolve “Jae-yeong”, “Yeo-jin” sente a necessidade de expiação pelos seus pecados, e arranja uma forma pouco convencional de o fazer. Começa a dormir com os clientes da amiga, mas em vez de receber os proveitos do seu trabalho, devolve-lhes o dinheiro que anteriormente foi cobrado por “Jae-yeong”.

O pior acontece quando o pai estremado de “Yeo-jin”, um polícia de Seul, descobre as actividades da filha e, inconformado, resolve pôr cobro à situação.

"O pai de Yeo-jin sofre imenso com a vida da filha"

"Review"

Kim Ki-duk é um dos mais conhecidos e controversos realizadores da Coreia do Sul, tendo a fama de ser mais apreciado no exterior, em especial na Europa, do que propriamente na sua terra-natal. Tal já deu azo a confrontações verbais, em que o realizador, após o fracasso de bilheteira na nação sul-coreana de um dos seus filmes, ameaçou que iria embora do país, e nunca mais aí realizaria produções cinematográficas. Posteriormente, Ki-duk retratar-se-ia desta afirmação. De qualquer forma quando estamos a falar de um realizador de longas-metragens como “The Isle”, “Spring, Summer, Fall, Winter… and Spring”, “3-Iron” e este “Samaria”, há que reconhecer o mérito do coreano e admitir que estamos perante um dos melhores realizadores asiáticos da actualidade. Esta premissa assume ainda mais acutilância, quando Ki-duk escreveu praticamente todos os argumentos dos seus filmes.

“Samaritana” não será um filme fácil de digerir para muitos de nós, atendendo à controvérsia em que se vê envolto, versando acerca da prostituição juvenil e das suas motivações, para além das trágicas implicações no seio de uma família, ou melhor dizendo, de várias famílias.

O argumento afigura-se quase excepcional, estando dividido em três partes, a saber, “Vasumitra”, “Samaria” e “Sonata”.

Em “Vasumitra”, é-nos apresentada a relação entre as duas amigas, onde podemos acompanhar os seus périplos pela actividade a que se dedicam. Aqui embora “Yeo-jin” tenha o seu quê de importância na estória, a trama centra-se sobretudo em “Jae-yeong” e nas razões que a levam a prostituir-se e que não passam apenas pelo dinheiro. O conflito muitas vezes desencadeia-se entre ambas, mas acabam sempre por se apoiarem, embora “Yeo-jin”, em assomos de moralidade, insista sempre em lavar sofregamente a amiga, como se quisesse lhe retirar toda a sujidade e impureza do mundo, tanto física, como moral. A primeira tragédia acontece.

“Samaria” constitui a parte central da trama, e a mais longa. Observa-se a transição de “Yeo-jin”, como gestora do “negócio”, para a prostituta. Porventura, o termo “prostituta” aqui não é bem aplicado, pois a rapariga devolve o dinheiro anteriormente pago pelos clientes, à medida que os vai riscando da lista pertencente a “Jae-yeong”. O pai de “Yeo-jin” revela-se finalmente, e assume uma importância fulcral na batalha de sentimentos que aqui se desenrola. Sentimos o seu angustiante sofrimento, e a sua luta longe dos olhares de “Yeo-jin”, para que os propósitos dos clientes resultem frustrados. É-nos dado a visionar das mais belas e significativas cenas desta longa-metragem. A da voz da filha no telemóvel é particularmente tocante. Neste segmento só pensamos “Se fosse a minha filha, o que é que eu faria?”

Finalmente chegamos a “Sonata”, em que as coisas parecem estar a compor-se. Aqui é que verdadeiramente Kim Ki-duk demonstra o expoente máximo da sua capacidade em contar uma estória, ao fazer com que nos deparemos com duas opções.Uma trágica e que nos atinge como um valente estalo na cara, outra serena e terna, que nos faz sorrir. Encapotada surge uma terceira, que se consubstancia no epílogo e acaba por ser uma grande lição de vida! É tremendo como nos conseguem fazer sentir tantas sensações díspares, num tão curto espaço de tempo!

"Yeo-jin carrega a tragédia de Jae-yeong"

A interpretação dos actores, e em especial das actrizes, é de uma grande valia artística, o que ainda assume mais mérito quando estamos a falar de praticamente estreantes no mundo da sétima arte. Seo Min-jeong, a actriz que interpreta “Jae-yeong” (porque não dizê-lo Vasumitra) debutou em “Samaritana”. Kwak Ji-min, a moralista decadente “Yeo-jin” (já agora a “Samaritana”) por sua vez, só tinha entrado em “Whispering Corridors 3: Wishing Stairs”, uma película de terror. Ambas agem como verdadeiras profissionais, e parece que já possuem grande experiência e talento. Cumpre igualmente parabenizar Lee Eol, o pai da “Samaritana”, que verdadeiramente nos deslumbra nas partes em que sofre pelo comportamento da filha. Mesmo assim o que eu gostaria mesmo era de ver Choi Min-sik a representar este papel. O filme seria perfeito!

E a fotografia, senhores! Um tempero de paisagens de sonho e de estética nua e crua, sem falha de maior que se aponte, sempre em perfeita consonância com os vislumbres sentimentais que se pretendem ver passar.

“Samaritana” constitui um filme de elevadíssimo nível que, não sendo fácil de apreender, despertará sentimentos no corpo e na alma dificilmente olvidados ou esquecíveis. Um dos justos vencedores do Festival Internacional de Cinema de Berlim – edição de 2004.

Muito bom!

"A fúria de um pai"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cine-Ásia, Axasteoquê?, Play It Again

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 9

Argumento - 9

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,38




"My Asian Movies" - 1 Ano


O “My Asian Movies” faz hoje um aninho, e teve a felicidade de a data do seu aniversário coincidir com um dia tão emblemático para Portugal, o 25 de Abril, evento que assinala a libertação de um regime ditatorial e opressor, que coarctou os destinos do país durante muitos e maus anos.
A ideia que esteve por detrás do aparecimento deste espaço foi dar a conhecer, do ponto de vista do consumidor e amante do cinema, um segmento (entenda-se do ponto de vista espacial e não de estilo) da sétima arte que ainda é relativamente desconhecido na nação portuguesa, embora se admita que os fãs do cinema asiático crescem a olhos vistos, muito por força do trabalho que tem sido levado a cabo por certos festivais de cinema, por algumas distribuidoras e lojas da nação, revistas especializadas e porque não dizê-lo, de meios como a blogosfera, do qual o “My Asian Movies” faz orgulhosamente parte.
Uma das coisas que mais me orgulha neste pequenino projecto, é ser originário da ilha da Madeira, uma terra com uma área geográfica reduzida, mesmo no contexto de um pequeno país. Como dizia um grande amigo meu certa vez, num jantar bem regado (para não variar…), “quem raio se iria lembrar de fazer um blogue madeirense de cinema asiático?”.
Em um ano apenas, e através do maravilhoso e privilegiado mundo da blogosfera, tive o grande prazer de entrar em contacto com muitos outros cinéfilos inveterados, porventura com conhecimentos muito superiores aos meus. Igualmente tive a felicidade de receber apoios e mensagens de incentivo de frequentadores do blogue, que muito me honraram e só deram força para continuar.
Acima de tudo quero agradecer a todos aqueles apoiaram este humilde e pequeníssimo espaço, e como forma de compromisso, dar a minha palavra de honra que o “My Asian Movies” está aí para as curvas. Para onde caminha, só o futuro o dirá!
Permitam-me apenas como palavras finais destacar algumas pessoas, que de uma forma ou de outra, deram o seu contributo e incentivo para que o “My Asian Movies” crescesse e não fosse um sonho efémero:
- Ralis.Net (os manos Nóbrega em toda a sua pujança e amor pelo Rali!);
- Asian Fury (o grande Takeo e os seus filmes de porrada!);
- Cine-Ásia (excelente e completo blogue de cinema asiático);
- ClubOtaku (o melhor espaço português de cultura japonesa, do qual este blogue muito se orgulha em prestar colaboração na secção de cinema);
- Paixões e Desejos (a dupla Paula e Rui Lima continua a nos maravilhar diariamente com as suas excelentes críticas de cinema, mas acima de tudo pela simpatia e “savoir faire” demonstrado);
- Anime-Comic (pela pertinente correcção do “katakana” que antes estava presente no “My Asian Movies”, para além de ser um espaço verdadeiramente bom no que toca a “anime”);
- Elogio do Silêncio (Enorme Cláudio, para quando a reactivação do blogue?! Olha vamo-nos ficando pelas jantaradas!);
- Filho do 25 de Abril (o grande Ricardo oferece-nos um espaço de superior dimensão cultural e intelectual!);
- Fotos do Madeiras ("Mano", tu ainda vais desgraçar a minha já debilitada imagem com as fotografias que pões por aí!);
- Humor 3 D (César, vais viajar para o Porto Santo à custa dos desgraçados da Liga Record!);
- O Ingénuo (Cajó na sua sempre pertinente análise da realidade regional, precisas é de actualizar isso com mais frequência…);
- Rod Costa (um espaço pessoal, de um amigo de anos e primeiro comentador aqui no blogue! Lá se foram os tempos do cacau e dos cobertores!);
- Só se falhar (o grande Vítor Marote e o seu companheiro lá vão destilando classe pelas estradas da Madeira!);
- Ultraperiferias (Luís Filipe Malheiro construiu um espaço de crítica política e social que é uma leitura obrigatória no dia-a-dia!).
A todos o meu mais sentido e sincero obrigado! Bem hajam!

sábado, abril 21, 2007

Kai Doh Maru - O Filme/Kai Doh Maru (2001)

Origem: Japão

Duração: 45 minutos

Realizador: Kanji Wakabayashi

Vozes (versão inglesa): Mitsuki Saiga (Kentoki Aka Kai Doh Maru), Bruce Winant (Lorde Raikou), Jay Sinder (Sadamitsu), Flavio Romeo (Asuna), Corine Orr (Princesa Oni), Don Puglisi (Suetake)

"Asuna e Kai Doh Maru conversam acerca de algo de estranho que estão a ver"

Estória

No período da história do Japão conhecido como Heian, “Kentoki” vê o seu pai, um pequeno nobre rural, ser morto pelo tio, num conflito que visa conquistar o poder do feudo. A razão para que tal evento suceda passa pela intenção do pai de “Kentoki” em designar como seu sucessor a filha, em detrimento do irmão.

“Kentoki” é salva da morte pelo célebre samurai Lorde “Raikou Minamoto”, o líder da guarda pessoal do primeiro-ministro, um xógun da clã Fujiwara.

"Lorde Reikou e Kai Doh Maru"

A rapariga é criada por “Raikou” como um homem, sendo educada na arte do combate e da guerra, e cinco anos depois junta-se ao corpo guerreiro liderado pelo seu salvador, conhecido como os “Quatro Cavaleiros”. Para além do seu nome próprio, a heroína passa igualmente a ser identificada como “Kai Doh Maru”.

A certa altura, uma figura do passado da rapariga ressurge na pessoa da Princesa “Oni”, prima de “Kai Doh Maru”, e filha do tio que tentou assassiná-la. “Oni”, sob o feitiço de um estranho ser, julga que a prima encontra-se em cativeiro contra a sua vontade, e engendra um plano para salvá-la, o que irá provocar um rasto de sangue e destruição.

"As estranhas raparigas gémeas, acompanhadas do samurai Sadamitsu"

"Review"

Por força do meu gosto pessoal pela ciência histórica, em especial pela vertente político-militar, e já agora por lendas e épicos medievais, tenho uma tendência natural para, transportando isto para o campo do “anime”, deter uma especial predilecção por filmes como “Ninja Scroll” ou “Vampire Hunter D”. Era pois com alguma expectativa que aguardei o visionamento de “Kai Doh Maru”, mesmo sabendo que a película possuía apenas 45 minutos de duração, e por esta razão não haver espaço a grandes desenvolvimentos a nível de enredo e afins.

O realizador Kanji Wakabayashi, auxiliado pela equipa da “Production I.G.”, cria uma animação diferente da que estamos habituados, e praticamente sem pontos de contacto com outros animes (pelo menos com os que eu tive oportunidade de ver). Os tons de claros de pastel são lei, dando sempre uma aura algo esvanecida à película. A verdade é que durante todo o tempo, parecemos ver o filme coberto por uma ténue cortina de nevoeiro. Segundo o autor, o objectivo foi honrar a arte típica do período Heian. Pessoalmente, tenho que admitir que em certos momentos este factor funciona muito bem, principalmente no que se refere a reforçar a transmissão do factor histórico-trágico da trama. Também cumpre dizer que no tocante às cenas de acção, esta técnica já não é tão feliz, pois não podemos apreciar condignamente a movimentação das personagens. Mesmo assim, algo de positivo resulta nos combates, passando principalmente pela acentuação natural do vermelho ilustrativo do sangue derramado/jorrado.

"Os sequazes da princesa Oni"

Como anteriormente foi aludido, não se pode pedir muito ao enredo, atendendo à curta duração do filme. A ideia é boa, embora não muito original. Tem o condão de focar uma estória pessoal num período característico da vida do país do sol nascente, aspecto sempre atractivo para o signatário do presente texto. Pouco mais haverá a dizer, atendendo às naturais lacunas originadas pelos motivos apontados, e que fazem o espectador ficar com várias dúvidas e praticamente nenhuma resposta.

De resto, a habitual violência deste género de animes faz com que “Kai Doh Maru” não seja um filme dirigido a um público infantil, tendo, isso sim, o seu alvo apontado para adolescentes e adultos. Existe igualmente a velada estória de amor, a certa altura rodeada de um certo contorno reconducente ao lesbianismo.

Valerá acima de tudo pelo facto de podermos apreciar um estilo de animação diferente do normal, mas não é um “Ninja Scroll” com certeza!

"A violência por vezes impera no filme"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 7

Animação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7







segunda-feira, abril 16, 2007

Ondas Invisíveis/Invisible Waves (2006)

Origem: Tailândia

Duração: 114 minutos

Realizador: Pen-Ek Ratanaruang

Com: Tadanobu Asano, Kang Hye-jeong, Eric Tsang, Maria Cordero, Toon Hiranyasap, Ken Mitsuishi, Hideki Jitsuyama, Tomono Kuga, Hiro Sano, Prompop Lee

"Kyoji"

Estória

“Kyoji Hamamura” (Tadanobu Asano) é um cozinheiro japonês, que trabalha em Macau, território asiático que esteve sob administração portuguesa até fins de 1999. Por trás do seu honrado ofício, “Kyoji” é igualmente um assassino a soldo de um poderoso chefe mafioso, chamado “Wiwat” (Toon Hiranyasap).

O mais recente trabalho que lhe é encomendado passa por assassinar a esposa do patrão, a Sra. “Seiko” (Tomono Kuga), que é ao mesmo tempo amante de “Kyoji”. O japonês é bem sucedido na sua missão, usando para o efeito o método do envenenamento, após um jantar a dois.

"Noi"

Posteriormente, o chefe de “Kyoji” comunica-lhe que ele terá de desaparecer por uns tempos até as coisas acalmarem, enviando-o para Phuket, uma ilha que constitui uma renomada estância turística da Tailândia.

“Kyoji” embarca num navio até ao seu destino de fuga, e durante o cruzeiro conhece uma jovem rapariga chamada “Noi” (Kang Hye-jeong) que viaja acompanhada da sua filha bebé de nome “Nid”. Uma amizade nasce, e porventura algo mais.

Quando “Kyoji” chega a Phuket, começam a acontecer sérios problemas com a sua vida, vendo-se rodeado de intriga e traição por todos os lados.

"Um beijo ardente, o prelúdio de um homicídio"

"Review"

Da Tailândia, e sob a chancela do realizador Pen-Ek Ratanaruang (realizador de “Last Life in the Universe” e “6ixtynin9 – Sixty Nine”), chega-nos “Ondas Invisíveis”, um filme que mereceu honras de abertura do Festival Internacional de Cinema de Banguecoque – 2006, para além de ter sido um competidor na 56ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim.

Por força do argumento escrito por Pradba Yoon, revelador de um enredo passado em locais distintos, e com personagens de origens diversas, Ratanaruang teve de se rodear de intérpretes de várias paragens.

Foi feliz na escolha do elenco, cerceando-se de actores com provas dadas. Tadanobu Asano é um afamado actor japonês, que detém no seu currículo participações em “Zatoichi”, “Ichi – O Assassino”, “Taboo”, “Gojoe”, entre muitos outros. Possuía igualmente a vantagem de já ter anteriormente entrado em outro filme do realizador tailandês (falamos de “Last Life in the Universe”). Da Coreia do Sul foi recrutada Kang Hye-jeong, a “Mi-do” do fenomenal “Oldboy”. Hong Kong, por sua vez, marca presença com o veterano Eric Tsang, conceituado actor que tem como cartão de visita películas como a trilogia de “Infiltrados”, “Fly Me To Polaris” e “Anna Magdalena”.

A trama de “Ondas Invisíveis” gira à volta de temas como a culpa ou a traição, sendo apresentado envolto numa extrema melancolia. E é a partir desta premissa, que se constrói um filme rodeado de uma aura soturna e porventura triste, bem ilustrada pelos interlúdios que focam o ondular das ondas.

"Kyoji, após ser assaltado, telefona ao patrão a solicitar auxílio"

A realização evoca bem este aspecto, optando por, não amiúde, enveredar por filmar indícios do que se está a passar em determinadas cenas, acompanhados apenas dos sons humanos, como o arfar, ou então do arrastar e do ranger de objectos. Veja-se por exemplo a cena em que “Kyoji” está a debater-se com o assaltante no seu quarto de hotel em Phuket. A porta do quarto e a parede circundante está a ser filmada. Ouvimos os sons da luta. Mas em momento algum vemos “Kyoji” a lutar com o delinquente. Outro exemplo será a cena do jantar homicida.

A fotografia, da autoria de um dos melhores mestres da arte, Christopher Doyle (“Herói”, “2046”), envereda muitas vezes pelos tons acinzentados, acompanhando fidedignamente os sentimentos ilustrados pelos intervenientes. Não é um dos melhores trabalhos de Doyle, diga-se de passagem.

A interpretação dos actores constituirá eventualmente o melhor que o filme tem. Tadanobu Asano presenteia-nos com uma actuação competente e convincente. Kang Hye-jeong, embora a milhas do que nos mostrou em “Oldboy” (convenhamos que é extremamente complicado igualar tal registo), demonstra que merece um lugar de nomeada no panorama do cinema asiático. Os restantes intérpretes estão, em geral, num nível aceitável. Destaco aqui Ken Mitsuishi no papel de “Lizard”.

O pior é sem dúvida a extrema monotonia pela qual o filme envereda, que por vezes nos faz bocejar, e se estivermos um pouco cansados, porque não dizer adormecer. Existem alturas desta longa-metragem, em que o encadeamento é claramente um excelente remédio para quem sofre de insónias.

Uma proposta mediana que não entusiasma, mas que possivelmente elevará a cultura cinematográfica de cada um...

"A morte iminente"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cine-asia, C7nema

Avaliação:

Entretenimento - 6

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 6

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7





sábado, abril 14, 2007

All In (Série Coreana) - Música

A rapariga diz no início qualquer coisa como isto 'It hurts too much to love you... I can't do this anymore'.
Caramba, estes coreanos sabem mesmo fazer melodrama, eh, eh, eh!

sábado, abril 07, 2007

The East Is Red Aka Swordsman III/Dung fong bat baai 2: fung wan joi hei (1993)
Origem: Hong Kong
Duração: 97 minutos
Realizadores: Raymond Lee e Ching Siu Tung
Com: Brigitte Lin, Yu Rong Guang, Eddy Ko, Joey Wong, Shun Lau, Waise Lee, Jean Wang, Fennie Yuen, King Tan Yuen
Atenção!!!
Só deverá prosseguir a leitura do presente texto, caso tenha visionado "Swordsman II", sob pena de o enredo deste filme ser parcialmente revelado mais abaixo!
"Asia, The Invincible, com uma armadura típica de um Lorde Samurai"

"Estória"

Após os acontecimentos sucedidos em "Swordsman II", e no seguimento de uma épica batalha, a notória vilã "Asia, the Invincible" (Brigitte Lin) é dada como presumivelmente morta, embora a sua lenda perdure por toda a China.

No entanto, para alguns subsiste a desconfiança acerca do falecimento do mito. "Koo" ( Yu Rong Guang), um oficial da Dinastia Ming, é uma destas pessoas. O guerreiro acompanha um galeão espanhol ao "Recife Negro", local onde os eventos nefastos do filme anterior aconteceram, tendo em vista encontrarem o navio holandês que jaz no fundo do mar, para além do "Pergaminho Sagrado", de onde "Asia, the Invincible" retirava a sua prodigiosa técnica e força.

Ali chegados, deparam-se com uma estranha personagem, que se auto-intitula o "Guardião do Túmulo", e que os leva até à campa da guerreira. Quando os espanhóis tentam profanar este lugar, o misterioso guardião elimina-os usando uma técnica marcial fora do normal, e muito mais poderosa do que qualquer outra alguma vez vista. O "Guardião do Túmulo" é nada mais, nada menos que "Asia, the Invincible", que forjou a sua morte, em ordem a que todos pensassem que tinha desaparecido para o mundo.

"O oficial Koo ao ataque"

No entanto, "Koo" explica a "Asia" que apesar de muitos pensarem que a lutadora está morta, existem numerosas pessoas a fazerem-se passar pelo mito, para benefício próprio. Enraivecida por esta situação, "Asia" jura eliminar os usurpadores da sua imagem e recuperar o lugar que é seu por direito.

No entanto, a guerreira sofre um grande desgosto quando descobre que a imitação mais perfeita de entre as impostoras é a sua ex-concubina "Snow". Contudo, esta situação não a faz recuar.

No meio de uma luta pelo poder supremo na China e no mundo, que envolve o "Sun Moon Sector" (a organização comandada por "Asia"), a dinastia Ming, os japoneses e os espanhóis, o sangue e a vingança serão os actores principais!

"Snow"

"Review"

Atendendo ao grande sucesso evidenciado por "Swordsman II", mas acima de tudo pela personagem mais emblemática daquela película, a infame "Asia, the Invincible" (aka "Invincible Asia ou "Evil Asia"), era incontornavél que se fizesse mais um episódio da saga, de modo a consagrar a figura interpretada pela lenda de Hong Kong, a Sra. Brigitte Lin (1000 vénias!!!). Os realizadores Raymond Lee e Ching Siu Tung, aliados ao produtor/realizador Tsui Hark aceitaram o desafio, e o resultado saiu num mediano "assim-assim", que utilizou uma propaganda comunista chinesa para dar o nome a esta película.

Acima de tudo, esta longa-metragem visa essencialmente duas coisas: entreter e dar um fim mais dignificante e sonhador a "Asia, the Invincible". As lutas são do mais tradicional que há nos "Wuxias", com os voos imp0ssíveis, a acção que nos tira a respiração, etc., etc. Já este aspecto foi aludido diversas vezes neste blogue, pelo que não vale a pena continuar. Mesmo assim, foi-se um pouco mais além, fazendo com que "Asia" consiga agarrar balas de canhão em pleno voo, e remete-las à origem com o dobro da potência!!! Neste particular, os fãs puros de filmes movimentados não ficarão desiludidos.

A fantasia impera um pouco em demasia e chega a ir longe demais, como é o caso do navio japonês, que se consegue transformar numa espécie de submarino, tendo em vista atacar os seus adversários numa posição submersa. Uma crítica implícita ao reino do sol nascente?!


"Asia, the Invincible e Snow, uma relação amor-ódio"

Não resisto contar uma certa passagem do filme, que achei deveras interessante, mais pelo seu conteúdo do que propriamente pela representação em si, e que ilustra um pouco a parca compreensão que por vezes os ocidentais têm em relação à cultura chinesa, incluindo os seus mitos. A certa altura, quando "Koo" dirige-se ao túmulo de "Asia", acompanhado dos soldados e sacerdotes espanhóis, começa a dar saltos fantásticos, tão típicos dos heróis lendários dos "Wuxia". Os europeus ficam abismados, e o general espanhol não resiste a perguntar a outro emissário chinês que tipo de bruxaria é aquela. O oriental, por sua vez espanta-se e diz que é uma coisa perfeitamente normal, atendendo a que "Koo" é um mestre em artes marciais, detendo uma técnica chamada "light Kung Fu". O espanhol não entende, e o chinês não lhe consegue explicar mais nada. Isto fez-me lembrar as constantes críticas fáceis e sem rigor nenhum, que sobreveem de pessoas que por não estarem habituadas a este género de películas, denegrem as capacidades sobre-humanas evidenciadas e que passam pelos saltos sobrenaturais e pela extrema rapidez no desferimento dos golpes. Meus amigos, nós estamos no campo das lendas e do conceito de herói popular para os orientais! Estamos no mundo do "Jianghu" 江湖. Manda a mais elementar prudência e bom senso que se deve tentar primeiro entender minimamente as coisas e só depois enveredar pela crítica, seja ela positiva ou negativa. É engraçado que eu nunca vi ninguém criticar o facto de o Super-Homem voar, ou o "Neo" de "The Matrix" fazer acrobacias em tudo copiadas dos Wuxias. Já agora, o que acham de um certo rei espartano dar saltos à Jet Li?

Feito este aparte, resta dizer que a interpretação dos actores é mediana, salvando-se apenas Brigitte Lin e Yu Rong Guang (Joey Wong desiludiu-me um pouco), a banda-sonora é razoável e muito típica do segmento onde se insere, o guarda-roupa e a fotografia é o costume, ou seja, bom.

Nada mais a reportar, a não ser que este filme fica abaixo de outros expoentes do género, confirmando apenas que "Swordsman II" é, sem margem para qualquer dúvida, o melhor filme da saga.

"Asia, The Invincible descarrega a sua fúria no oficial Koo"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 6

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,13





sexta-feira, abril 06, 2007

Love Letter Aka When I Close My Eyes (1995)

Origem: Japão

Duração: 116 minutos

Realizador: Shunji Iwai

Com: Miho Nakayama, Etsushi Toyokawa, Bunjaku Han, Katsuyuki Shinohara, Miki Sakai, Takashi Kashiwabara, Ken Mitsuishi, Emiko Nagata

"Hiroko adormecida na neve"

Estória

"Hiroko Watanabe" (Miho Nakayama) é uma jovem rapariga que vive em Kobe, arrasada pela morte do seu noivo "Fujii Itsuki", ocorrida dois anos antes num acidente de montanhismo.

Aquando da celebração do aniversário do falecimento do seu amor, "Hiroko" descobre na casa deste o livro do liceu onde "Itsuki" concluiu o ensino secundário, situado na recôndita cidade de Otaru, na ilha de Hokkaido. Folheando o livro, "Hiroko" aponta no seu braço a antiga morada de "Itsuki".

Mesmo sabendo que a casa de "Itsuki" em Otaru já não existe, atendendo a que foi demolida para dar lugar a uma auto-estrada, "Hiroko" resolve escrever uma carta dirigida ao seu falecido noivo com os simples dizeres "Dear Fujii Itsuki. How are you? I am fine. Hiroko Watanabe". O objectivo é o simbolismo impregnado e a descarga de sentimentos. "Hiroko" sabe muito bem que não vai obter uma resposta. Pelo menos era o que pensava...

"O falecido Fujii Itsuki, noivo de Hiroko"

Surpreendentemente "Hiroko" recebe uma carta de volta, assinada sob o nome "Fujii Itsuki". A explicação passa por a missiva ter sido entregue a uma rapariga que partilha o mesmo nome que o noivo de "Hiroko".

A homónima de "Itsuki" (igualmente interpretada por Miho Nakayama), ao receber a carta de "Hiroko", tinha ficado assustada, mas ao mesmo tempo curiosa, e decidiu responder da mesma maneira ambígua, sem revelar o facto de ser uma mulher (esta ideia nem lhe ocorreu, pois compreensivelmente nesta altura, não imaginava o que realmente se estava a passar).

Novas trocas de correspondência sucedem-se, e acabamos por descobrir que a rapariga "Itsuki" foi colega da mesma turma de liceu do rapaz "Itsuki". A partir desta premissa, nasce uma forte ligação entre as duas mulheres, que a "Hiroko" servirá para descobrir aspectos que desconhecia da adolescência noivo, e por outro lado fará com que a "Itsuki" feminina redescubra o seu passado e se aperceba que, porventura, nem tudo era o que pressupunha em relação ao "Itsuki" masculino dos tempos de liceu.


"Gravando memórias no braço"

"Review"

Shunji Iwai é um realizador detentor de uma característica que aprecio imenso, e que passa pelo facto de ser capaz de expor, de uma forma simples, uma estória que muito bem poderia acontecer no nosso dia-a-dia e transformá-la num filme que transborda de sentimentalismo anti-barato, e nos toca bem lá no fundo da alma. Já o tinha notado em "April Story" , fiquei completamente rendido nesta obra antecessora daquele filme.

A maneira como Iwai trata do enredo em "Love Letter" é digna dos maiores elogios e aclamações, e salvo um ou outro defeito nunca por demais evidente, roça a quase perfeição. O primeiro ponto a focar é que, apesar de porventura a sinopse indicar o oposto (aqui provavelmente a culpa terá de ser assacada ao subscritor deste texto), a estória é-nos apresentada com uma fluidez tal, fazendo com que nunca nos percamos em devaneios inúteis ou sejamos contagiados pela superficialidade. Simplesmente o que aqui conta é sentir o anseio, a dor e as expectativas dos intervenientes. Podendo à partida, e pela supramencionada descrição no que tange à troca de correspondência numa fase inicial, haver algum efeito que se reconduza ao paranormal, à semelhança do belo melodrama sul-coreano "Il Mare" , cedo isto se desvanece. O motor da trama é desencadeado por um simples engano, reconduzindo-se este à entrega de uma carta a uma pessoa com o mesmo nome e que, por coincidência, conhece muito bem o passado do destinatário.

Pensando melhor, aqui eventualmente poderia ser apontada uma falha no enredo que passa pelo seguinte:

i) Constando na carta a morada correcta; ii) a casa a que corresponde a morada já não existe, pois foi demolida tendo em vista a construção de uma auto-estrada; iii) a cidade de Otaru é pequena no contexto japonês, mas tem mais de 140.000 habitantes (mais ou menos a mesma população da minha povoação, o Funchal)

Pergunta-se com lógica, "porquê que a carta não foi devolvida ao remetente, e pelo contrário foi entregue a uma pessoa que vive noutro ponto completamente diferente da cidade, tendo por único meio de relação, o facto de ter o mesmo nome?"

Não opinarei em demasia acerca deste ponto, até porque o filme fascinou-me bastante. A única desculpa que encontro para este aparentemente inexplicável contrasenso, será o carteiro ser um apaixonado da "Itsuki" feminina e provavelmente ter dado com a carta (quantos carteiros existirão em Otaru?). Adiante!


"Oração de saudade"

A fotografia é de uma beleza quase inexcedível. O constante cair da neve ilustra com magnificência a dor e o "inverno" dos sentimentos de "Hiroko" e posteriormente da "Itsuki" feminina, transportando igualmente as intermitências dolorosas de uma personagem para a outra.

O desempenho dos actores é bastante aceitável, cabendo as honras quase por completo a Miho Nakayama, uma actriz que não conhecia muito bem, mas que a partir de agora prometo que estarei mais atento. Ela praticamente deslumbra, interpretando duas personagens distintas com igual competência e personalidade. O melhor elogio que se poderá fazer a Nakayama é ficarmos com a sensação, ao visionar "Love Letter", que estamos perante duas actrizes diferentes e igualmente boas. Não é um caso de dupla personalidade. Constitui, isso sim, duas actuações de elevado mérito, reunidas numa película intemporal.

A banda-sonora ajuda ao desfile agonizante dos sentimentos, sendo contituída sobretudo por bonitas passagens de piano, acompanhadas de um violino que desperta por vezes algumas das nossas sensações mais escondidas.

No fim de "Love Letter" há que retirar duas conclusões contra-corrente e eventualmente pessimistas.

A primeira é que nem sempre o tempo cura tudo. Mas caso as feridas do coração não sarem, há que seguir em frente e tentar conviver com a realidade, nunca lutando ingloriamente contra o que não pode ser vencido, ou seja, as recordações.

A segunda, não sendo tão óbvia, passará pelo passado muitas vezes voltar para nos assombrar, e mudar completamente a percepção que nós tinhamos de coisas que aconteceram há anos atrás. Às vezes vamos a tempo de alterar as situações; noutras, como em "Love Letter", é tarde demais...

Aconselho vivamente!!!

"Uma carta de amor"

Trailer (Não encontrado)

The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras Críticas em Português/Espanhol:

Esta crítica encontra-se igualmente disponível "on line" em ClubOtaku

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 9

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,25