"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!
domingo, setembro 05, 2010
segunda-feira, maio 12, 2008
Origem: Tailândia
Duração: 113 minutos
Realizador: Tanit Jitnukul
Com: Jaran Ngamdee, Winai Kraibutr, Theerayut Pratyabamrung, Bin Bunluerit, Bongkoj Khongmalai, Chumphorn Thepphithak, Suntharee Maila-or, Phisate Sangsuwan, Theeranit Damronggwinijchai
"Nuat Kheo, o líder dos combatentes de Bang Rajan"
Estória
No ano de 1765 o reino da Birmânia (actual Myanmar) decide anexar o vizinho do Sião (agora Tailândia). O exército birmanês é composto por uma força de 200.000 homens, fortemente treinados e armados. Os atacantes são divididos em dois corpos, compostos por 100.000 combatentes cada um, que visam cercar Ayutthaya, a capital do Sião.
O exército que segue pelo Norte, espalha o caos e a destruição, mas inesperadamente é atacado e travada a sua progressão em Bang Rajan, uma aldeia composta por agricultores e caçadores. Durante uma das escaramuças, o chefe de Bang Rajan, o valente “Taen” (Chumporn Thepphitak) é ferido gravemente. O guerreiro idoso e sábio, apercebe-se que não está em condições de dirigir a resistência contra os birmaneses, e aconselha a procura de um líder forte e destemido.
A solução é encontrada na aldeia vizinha Nang Bat, na pessoa de “Nuat Kheo” (Jaran Ngdandee), um guerreiro destemido. “Nuat”, imbuído de um espírito patriótico, aceita a tarefa que lhe é incumbida e consegue fazer com que um pequeno grupo de homens e mulheres consigam se opôr com ferocidade a um inimigo muito mais poderoso.
Os birmaneses, estarrecidos com a resistência fazem sete investidas contra a aldeia de Bang Rajan, mas são sempre inevitavelmente rechaçados. No entanto, o desequilíbrio das forças em confronto torna-se cada vez mais evidente, em ordem ao resultado final.
"Review"
“Bang Rajan” é mais um épico tailandês, impregnado de nacionalismo, que visa expôr a história de uma vila a cuja designação o filme foi buscar o seu título. Baseada em factos verídicos, a narrativa encontra-se alicerçada num evento ocorrido em 1765, que viria a inspirar o patriotismo de todo um povo. Como decorre da sinopse, o exército birmanês, no seu costumeiro conflito com o Sião, resolve invadir um reino que na altura se encontra fragilizado. Inesperadamente, a maior resistência que encontra, provém de uma vila que encontra na sua marcha para Ayutthaya, a capital, e que o obriga a travar oito onerosos combates. Eventualmente, a destruição dos valentes aldeões acabaria por chegar, atendendo à desproporção de efectivos e armamento. No entanto, os custos traduziriam-se numa “vitória de Pirro ou pírrica”, ou seja, uma vitória obtida à custa de um alto preço que eventualmente comportará prejuízos irreparáveis. Estamos pois perante uma espécie de “Fort Alamo” tailandês, onde à semelhança da célebre batalha travada na localidade texana, muito poucos acabariam por fazer tanto. É este o espírito presente em “Bang Rajan”.
A película teve uma boa expressão internacional, tendo sido exibida nos festivais de Toronto, Seattle, Vancouver, Havai e Montreal. Neste último, viria a ser considerado o segundo melhor filme asiático em exibição, sendo apenas suplantado por um rival de peso, “Sympathy For Mr. Vengeance”, de Park Chan-wook, e superando “Musa, the Warrior”, que se ficaria pelo 3º lugar (uma clara injustiça!). Mesmo assim, não há nada como um realizador norte-americano de nomeada reparar num filme asiático, e num gesto de altruísmo, atribuir-lhe a chancela “qualquer coisa presents”, e expondo-o na montra do cinema dos Estados Unidos da América. Quentin Tarantino fê-lo com “Herói” e Francis Ford Coppola com “A Lenda de Suriyothai”. O senhor amável, seria nada mais nada menos que o conhecidíssimo Oliver Stone, que viria a patrocinar uma exibição de “Bang Rajan”, por algumas salas de cinema norte-americanas.
“Bang Rajan” é mais um épico tailandês, à semelhança de “King Naresuan” ou “A Lenda de Suriyothai”, que evoca o espírito lutador do povo tailandês contra o vizinho do lado, o reino da Birmânia. A abordagem à questão conflitual que nos é facultada por “A Lenda de Suriyothai”, é mais polida e política, sendo por este motivo uma película mais refinada. “Bang Rajan”, pelo contrário, aposta muito mais na acção em detrimento do factor argumentativo. E esta premissa é revelada logo no início do filme, em que apenas nos é facultado um pequeno enquadramento histórico, em jeito de narração, para passarmos logo a assistir um ataque dos aldeões da localidade tailandesa a um esquadrão birmanês. Nada de introduções para que nos possamos ambientar e compreender verdadeiramente o que está em jogo. É logo pancada de meia-noite! Pessoalmente, não sou afã deste estilo de realização, tanto nos épicos como nos filmes de acção. Tenho uma clara preferência por aquelas longas-metragens que nos expõem as situações que estão em causa, de forma a que estejamos habilitados a percepcionar o remanescente do filme, num sentido crescente e controlado. Existem excepções, é claro, mas “Bang Rajan” não é uma delas.
“Bang Rajan” tem elementos que nos fazem lembrar “Sete Samurais”, na parte em que uma vila inferiorizada perante um inimigo externo, consegue fazer face às adversidades graças a um punhado de guerreiros dotados de uma grande alma e força de vontade. Terá igualmente algum do espírito presente em “Braveheart”, essencialmente devido às sangrentas batalhas que nos são apresentadas e que constituem sem dúvida alguma, o ponto forte do filme. Os combates são impregnados de um grande realismo, e o que faz mais impressão sem dúvida nenhuma, é a maneira como os guerreiros tailandeses combatem. Fazem-no sem qualquer tipo de protecção como uma armadura. Marcham para a guerra em tronco nu, armados com os seus sabres e machados extremamente afiados. Estas armas quando entram em acção ao cortar a carne do oponente, só nos fazem lembrar o talhante lá do bairro a fazer o seu trabalho. Brrrr..... O realizador Tanit Jitnukul filma as lutas em larga escala, mas igualmente intimista e de uma forma um tanto ou quanto desorganizada. Isto acaba por ter efeitos positivos na película. A câmara acompanha a ferocidade dos guerreiros de muito perto e com movimentações que acentuam a acção. Inclusive, nos combates travados em lama, as lentes ficam completamente conspurcadas quando os guerreiros tombam. Qualquer tipo de guerra convencional não parece existir, mas antes uma guerrilha organizada e tribal, eivada de uma violência quase sem precedentes.
Os “clichés” e estereótipos da ordem encontram-se presentes, de forma a possibilitar que esta longa-metragem conquiste uma certa empatia perante quem a visiona. Existe “Tong Menn”, o homem que caminha e pena pela estrada da vida da vida, agarrado ao álcool e à sua miséria pessoal, tornando-se desta forma a personagem trágica do filme; “Nuat Kheo”, o herói relutante, que acaba por corajosamente assumir a responsabilidade pelos destinos de um povo que à partida tem o seu destino selado; “In”, o conscencioso guerreiro que ama a sua esposa, mas ciente do seu dever para com a comunidade, tudo faz para equilibrar os seus deveres familiares com a sua honra no campo de batalha.
O epílogo já se está mesmo a ver que apostará tudo no drama exacerbado e nas cenas emblemáticas. Por mim, tudo bem! É das facetas que gosto mais dos épicos asiáticos, confesso! No entanto, afigura-se-me que a forma como os “tearjerkers” foram inseridos, acabaram por tornar as cenas potencialmente mais fortes do filme, numa piroseira que deve bastante à credibilidade. Embora reconheça que sou bastante permeável a estes jogos sentimentais que os realizadores asiáticos adoram fazer (é uma questão cultural, acima de tudo), e que tal constitui um factor importante para o meu propalado gosto por esta cinematografia, haverá sempre que distinguir o excelente, do bom, do mediano e do mau. Não nego que fiquei tocado pelos amantes moribundos a rastejarem num campo de batalha, de forma a se poderem tocar por uma última vez. Simplesmente entendo que se calhar é preciso reinventar um pouco o género. Em defesa de “Bang Rajan”, sempre se poderá invocar que o filme é de 2000, e portanto antecedente de muitas obras célebres que enveredaram pelo mesmo diapasão. No entanto, fico com a franca impressão que a nível de representação e do caminhar pelas estradas do “jogo de lágrimas”, os tailandeses terão ainda muito que aprender com as restantes cinematografias asiáticas de eleição.
“Bang Rajan” constitui um épico aceitável, cujo visionamento se aconselha. Isto assume mais acuidade, quando a edição de dvd de dois discos da Contender é um verdadeiro mimo, com extras fenomenais!

"Monumento aos heróis de Bang Rajan"
Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link
Avaliação:
Entretenimento - 8
Interpretação - 7
Argumento - 7
Banda-sonora - 7
Guarda-roupa e adereços - 8
Emotividade - 8
Mérito artístico - 8
Gosto pessoal do "M.A.M." - 7
Classificação final: 7,50
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
à(s)
7:08 da tarde
4
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Etiquetas: Bin Bunluerit, Bongkoj Khongmalai, Chumphorn Thepphithak, Épico, Jaran Ngamdee, Phisate Sangsuwan, Suntharee Maila-or, Tailândia, Tanit Jitnukul, Theerayut Pratyabamrung, Winai Kraibutr
segunda-feira, junho 04, 2007
Origem: Tailândia
Duração: 110 minutos
Realizador: Prachya Pinkaew
Com: Tony Jaa, Petchtai Wongkamlao, Xing Jing, Johnny Nguyen, Nathan Jones, Bongkoj Khongmalai, David Asavanond, Dean Alexandrou, Lateef Crowder, Damian De Montemas, Don Ferguson, Jon Foo, Ron Smoorenburg, David Ussawanon, Suchao Pongwilai
Considerações introdutórias
Nas férias gozadas pela minha pessoa e que já começam a deixar saudades, faziam-se tardes de cinema em casa, quando não havia pachorra para as almoçaradas. Verdade seja dita, tal só acontecia devido à valente noitada e à inerente/necessária cura da ressaca.
Um grande amigo e principal anfitrião da minha estadia lá para a região centro do nosso país, decidiu na ida ao clube de vídeo, trazer este “A Honra do Dragão”, desafiando-me a criticá-lo aqui no blogue quando retornasse à Madeira.
A sugestão não foi nada ingénua, pois o meu colega é um acérrimo crítico pela negativa do cinema asiático, preferindo infinitamente as lides “hollywoodescas”, em especial a vertente da comédia.
Já tinha visto “A Honra do Dragão”, embora não possua o Dvd na minha colecção de cinema asiático. Sendo assim, durante este texto, esqueçam a expressão “My Asian Movies” e foquem-se apenas em “Asian Movie”, pois pela primeira vez é criticada uma película que não consta do meu acervo pessoal. Lá para o futuro, e a um preço nunca superior a 5, 6 euros, ponderarei a aquisição.
Estória
“Kham” (Tony Jaa) é um jovem tailandês que desde muito novo cresceu rodeado de elefantes, imbuído num espírito de amizade e devoção para com estes animais, sendo orientado e influenciado pelo seu pai (Sotorn Rungruaeng). O rapaz é educado na mais estrita tradição dos Jaturangkabart, os antigos guerreiros do Sião, que protegiam os elefantes de guerra durante as batalhas.
Certo dia, “Kham” e o seu pai levam o elefante “Por Yai” e a sua cria “Korn”, tendo em vista conseguir com que os mesmos sejam seleccionados para pertencerem aos animais pessoais do imperador, o que constitui uma grande honra e um objectivo de uma vida. No entanto, e com a colaboração de um “gansgter” local, os elefantes são roubados e enviados para Sidney, a cargo de um mafioso vietnamita chamado “Jhonny” (Johnny Nguyen), proprietário do conhecido restaurante asiático “Tom Yum Goong”.
"A devoção mostrada para com Por Yai"
“Kham” embarca para a Austrália tendo em vista recuperar os seus animais e amigos, sendo posteriormente ajudado pelo polícia australo-tailandês caído em desgraça “Mark” (Petchtai Wongkamlao Aka Mum Jokmok) e “Pla” (Bongkoj Khongmalai), uma estudante tailandesa, que é forçada a prostituir-se para pagar uma antiga dívida.
Do outro lado, está o “gangster” “Jhonny” que acaba por ser uma figura menor quando comparada com “Madame Rose” (Xing Jing) e o seu grupo de rufias, entre os quais pontifica o gigantesco “T. K.” (Nathan Jones).
"Kham prepara-se para enfrentar o gigante T.K."
"Review"
Quem conhece o enredo do mega-êxito “Ong Bak”, apercebe-se logo das evidentes semelhanças existentes entre aquela longa-metragem e o argumento de “A Honra do Dragão”, cujo título original “Tom Yum Goong” se refere a uma sopa tradicional tailandesa que dá o nome ao restaurante do filme. Num, o que era furtado era a cabeça de um Buda, aqui são elefantes, constituindo ambos símbolos sagrados da cultura e religião tailandesa. Posteriormente, em ambos os filmes, um jovem ingénuo, mas que ao mesmo tempo é uma autêntica máquina de pancadaria, dirige-se para um sítio estranho, enorme e cosmopolita (troquemos por miúdos: grande cidade) tendo em vista recuperar o que foi roubado. Conhece pessoas que o ajudam a ultrapassar as dificuldades, nos casos vertentes, um rapaz e uma rapariga com vidas complicadas. Os maus são mesmo maus, e lá se vê o herói obrigado a demonstrar dezenas de vezes que quando toca a partir braços, pernas e tudo o que venha mais à rede, quem manda é ele! Como é preciso dar um toque de dramatismo à coisa, toca a morrer alguém, que lhe é bastante próximo. E já está! Temos aqui a fórmula mágica para demonstrar no ecrã, as quase inexcedíveis capacidades de luta da super-estrela de artes marciais Tony Jaa.
Pelos vistos, o realizador Prachya Pinkaew pretendeu em “A Honra do Dragão” esgotar ao máximo o estilo de filme que se assemelha muito a um videojogo de luta em que temos dezenas de personagens menores a serem “despachadas” em poucos segundos, e uns mais complicados que ainda levam uns minutos a por cobro. No entanto, e mesmo num segmento cinematográfico tão limitado do qual “A Honra do Dragão” faz parte, sempre se torna interessante ver estilos de luta tão díspares a se confrontarem. Jaa tem que se deparar com lutadores de “Wushu”, assim como de Capoeira, para não falar do colosso Nathan Jones (“Boagrius” de “Tróia”, o gigante que Brad Pitt mata no início do filme) um ex-lutador de “wrestling”, cujas medidas oficiais andam pelos 2,08 metros de altura e 180 quilos!!!
"Luta com o mestre de Capoeira"
O próprio Jaa introduz uma variante nova de Muay Thai, distinta da usada em “Ong Bak”, e que sugestivamente se denomina de muaykodchasarn (tradução livre: boxe de elefante). O próprio actor confessou que pretendeu combinar a arte de defesa de um elefante, com a citada arte marcial. O efeito, diga-se em abono da verdade, é devastador para os oponentes.
Notei igualmente que se pretendeu apostar ligeiramente mais no dramatismo das situações. O filme começa com uns bons dez minutos a mostrar um pequeno “Kham” a crescer em conjunto com o elefante “ Por Yai”, com todas as convivências e brincadeiras que normalmente temos com os amigos quando somos petizes. Igualmente aqui nos apercebemos da importância da tradição sagrada dos Jaturangkabart, os defensores dos elefantes, dos quais “Kham” directamente descende. Está criada a empatia e a explicação necessária para todo o manancial de luta e fricção de feitios que posteriormente irá decorrer. No fim, a perda do costume, que nos chega através de um choque que confesso inesperado, mais pela maneira como nos é apresentado.
Filme mediano, e por vezes infantil, que apenas servirá para libertarmos um pouco de tensão ao visionarmos os incríveis golpes e acrobacias de Tony Jaa. Mas daí, existem muitas outras coisas que poderão produzir o mesmo efeito. A escolha é vossa…
The Internet Movie Database (IMDb) link, Trailer
Outras críticas em português: Axasteoquê?
Avaliação:
Entretenimento - 9
Interpretação - 5
Argumento - 6
Guarda-roupa e adereços - 7
Banda-sonora - 6
Emotividade - 8
Mérito artístico - 8
Gosto pessoal do "M.A.M." - 6
Classificação final: 6,88
Dedicado ao "Mano"
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
à(s)
5:34 da tarde
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Etiquetas: Artes Marciais, Bongkoj Khongmalai, David Asanavond, Dean Alexandrou, Johnny Nguyen, Jon Foo, Lateef Crowder, Nathan Jones, Petchtai Wongkamlao, Prachya Pinkaew, Suchao Pongwilai, Tailândia, Xing Jing












