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sexta-feira, agosto 15, 2008

Natural City - 내츄럴 시티 (2003)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 112 minutos

Realizador: Min Byung-chun

Com: Yu Ji-tae, Lee Jae-un, Rin Seo, Jung Doo-hong, Chang Yun, Jeong Eun-pyo, Ko Ju-hye, Kim Eul-dong

"R"

Sinopse

O ano é 2080 e o mundo sobrevive em função de uma tecnologia avançada após uma guerra brutal. “R” (Yu Ji-tae) pertence a um corpo especial da polícia militar, cuja função é perseguir e eliminar ciborgues que traiam o seu propósito de existência (servir conforme foram programados) e se virem contra os humanos. O comportamento pouco ético do agente não é bem visto pelos seus colegas, em especial o seu amigo e chefe “Noma” (Chang Yun), o que faz com que ambos entrem em conflito por diversas vezes.

A razão para “R” comportar-se muitas vezes de modo reprovável e se meter em negócios ilícitos, muito se deve à paixão que este nutre por “Ria” (Rin Seo), uma ciborgue cuja função é dançar num bar. O prazo de validade de “Ria” está a expirar, e “R” recorre a todos os meios e mais alguns para descobrir uma forma de prolongar a existência do seu amor. A solução parece estar em “Cyon” (Lee Jae-un), uma rapariga que vive de tirar sortes e da prostituição, pela razão de o seu ADN ser o necessário para salvar “Ria”.

"Ria contempla uma paisagem de sonho"

“Cyon”, contudo, parece igualmente interessar a um poderoso ciborgue renegado chamado “Cyper” (Jung Doo-hong), o que provocará inevitavelmente um conflito de interesses com “R”. No meio de uma guerra aberta entre humanos e ciborgues, surgirão respostas surpreendentes para a vida dos contendores, e que fará com que o destino dos mesmos seja decidido definitivamente.

"O ciborgue Cyper"

"Review"

Vencedor do prémio para melhores efeitos especiais no “Fantasporto – edição de 2005”, “Natural City” constitui um filme de ficção científica sul-coreano, que descaradamente (não tomem desde já o termo como depreciativo) vai buscar imensa inspiração a essa fabulosa obra de Ridley Scott denominada “Blade Runner”. Trata-se de uma película que no tocante aos critérios estéticos, não deixa os seus créditos por mãos alheias, proporcionando-nos um espectáculo visualmente impressionante, em que os elementos futurísticos e mais obscuros ditam a lei. E essencialmente, esta é a razão principal para ver esta longa-metragem. O remanescente gira tudo à volta deste aspecto em particular. O uso e abuso do “CGI” (imagens geradas por computador) é extremamente competente, fazendo com que os cenários sejam, à falta de melhor expressão, completamente de sonho. O pendor pós-apocalíptico encontra-se bastante presente, corporizado no excessivo metal das estruturas e nas ruínas urbanísticas e pessoais . Por sua vez, a escuridão só encontra par no tempo constantemente chuvoso, que nos faz lembrar mais uma vez, e de sobremaneira, “Blade Runner”. Tudo por uns “míseros” 6 milhões de dólares, o que não é nada se pensarmos por exemplo que o orçamento para “The Matrix”, um filme eivado de elementos semelhantes, rondou os 63 milhões naquela moeda.

Por falar nesta última película, é claro que as cenas de acção de “Natural City” foram beber alguma inspiração na obra dos irmãos Wachowsky, com o habitual uso dos “slow motion” e da imagem acelerada ao sabor das conveniências do momento. A coreografia das lutas ficou a cargo do actor Jung Doo-hung, um reconhecido especialista de artes marciais (interpreta por exemplo um mestre de combate em “Fighter in the Wind”) e que dá vida nesta obra ao vilão cibernético “Cyper”. É mais um caso do triunfo do estilo sobre a técnica, em que como a expressão indica, o que interessa é conseguir espectacularidade visual. Ao contrário do que muitos defendem, existem aspectos bastante positivos nesta orientação, embora a veracidade fique a perder. O clímax chega com a companheira ciborgue de “Cyper”, a destilar uma quantidade de pancadaria à moda antiga nos polícias militares. Caramba, não há nada mais sexy que uma mulher bonita, armada em má e vestida de cabedal! Bem...talvez acrescentando uma katana ou qualquer espécie de sabre, sempre se possa mudar um pouco de opinião...

Um aspecto extremamente importante é o romance entre “R” e “Ria”, que promete um pseudo- triângulo amoroso com a humana “Cyon”. Aqui reside um dos itens mais interessantes do filme, e que para além do aspecto sentimental, faz reflectir acerca do futuro da humanidade e da relação desta com a máquina. “R” é um homem que está disposto a pisar a linha e a desafiar o instituído para salvar um ser cibernético que ama mais do que qualquer humana. Essa criação tecnológica, com prazo de validade à semelhança de qualquer produto que encontramos num super-mercado, é motivo para que um ser humano desafie tudo o que possa de forma a preservar a “boneca” (termo cínico que os colegas de “R” usam para designar “Ria”). É caso para reflectirmos até que ponto chegaremos com a evolução tecnológica, em que precisamos de nos desumanizar para voltarmos a ser criaturas sentimentais outra vez.

"Cyon perante a metrópole futurística"

Quanto ao desempenho dos actores, nada nos é oferecido que seja extasiante. Numa perspectiva de pura especulação, acredito que o realizador Min Byung-chun queira ter transportado a ideia para os intérpretes que tinham de ser o mais circunspectos possível, de forma a acompanhar a aura geral da longa-metragem. O resultado foi uma aparente falta de empatia com o telespectador. No entanto e ao contrário da opinião geral, é minha franca convicção que Yu Ji-tae desempenha um “R” de forma competente e sincera, invocando bem um teor depressivo muito próprio (esta faceta seria potenciada a 200% em “Oldboy”, num genial desempenho). Estamos perante um clássico anti-herói, inconsistente e cujo fito não se reconduz propriamente ao que é correcto de se fazer. “Cyon”, corporizada pela actriz Lee Jae-un, acaba de certa forma por ser a personagem central da película e que visa nos transmitir algum tipo de compreensão e esperança. A rapariga esforça-se, mas aqui precisávamos com todo o respeito de uma âncora como Kang Hye-jeong (a minha preferida para este género de papel em particular), ou então a super Jeon Do-yeon. Para um registo mais ameno, e eventualmente gastando mais uns “won” (a moeda da Coreia do Sul), sempre teríamos a estonteante Jun Ji-hyun. O resto do elenco queda-se por uma mediania que não embaraça, ressalvando o ar sempre marcial e “fixe” de Jung Doo-hung que levanta um pouco os nossos sobrolhos no que toca à acção. Peca pela falta de minutos!

Os amantes de “Blade Runner” e afins (não demasiado exigentes), com certeza que não ficarão indiferentes a “Natural City”, atendendo a que a atmosfera futurística e do “cyberpunk” está toda lá, temperada com os elementos dramáticos sul-coreanos do costume e momentos de acção por vezes bem conseguidos. Igualmente é preciso reconhecer que um dos grandes méritos de “Natural City” é pugnar por uma convergência dos cinéfilos mais existencialistas e pensadores no que toca ao futuro da humanidade, com aqueles que gostam mais de acção. A verdade é que a película acaba por perder um pouco a identidade, sendo algo ingénua e desta forma não conseguindo obter plenamente nenhum dos seus propósitos. Contudo, sempre se dirá que é um “blockbuster” de regalar a vista (“os olhos também comem”), detendo alguns momentos extremamente interessantes e até emblemáticos! Pense-se em “Cyon” a criar o seu jardim, sob os auspícios de uma bela estátua em homenagem a uma deusa desconhecida. Julgo que acima de tudo, a grande frustração que remanesce quando chegamos ao epílogo de “Natural City” passará pelo facto de uma ideia boa e atractiva (embora longe de original) ficar a meio caminho em alguns factores que lhe são dados a explorar.

Não custa nada conferir esta tentativa de abordagem futurística sul-coreana/“bladerunneriana” da relação homem e máquina, desde que não se aquilate grandes expectativas! O resultado redunda acima de tudo num “tour de force” visual e em meia-dúzia de aspectos que não são de olvidar!

"A polícia militar passa um mau bocado"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

  1. Cine-Asia
  2. Cinema ao Sol Nascente
  3. Filmes Esquecidos e Outras Histórias...
  4. FanatiCine
  5. Mad Blog
  6. Zeta Filmes

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,63





quinta-feira, julho 03, 2008

Fighter in the Wind/Baramui Fighter -
바람의 파이터 (2004)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 121 minutos

Realizador: Yang Yun-ho

Com: Yang Dong-kun, Aya Hirayama, Masaya Kato, Jeong Tae-woo, Jung Doo-hong, Park Seong-min, Lee Han-garl, David Joseph Anselmo, Michael Frederick Arnold

"Choi Bae-dal, que mais tarde seria conhecido no Japão por Masutatsu Oyama"

Sinopse

Durante o ano de 1939, “Choi Bae-dal” (Yang Dong-kun) é um pugilista sul-coreano que viaja até ao Japão, com o sonho de ir para a escola de aviação imperial, tendo em vista se tornar num piloto de um caça. Contudo, as suas expectativas saem frustradas, pois “Bae-dal” é metido num programa de kamikaze. Recusando-se a voar num avião para a morte, é condenado a ser fuzilado por desobediência. É aqui que “Bae-dal” conhece “Kato” (Masaya Kato), um oficial do exército japonês, que o desafia para um combate, vencendo-o por larga margem.

"Yoko e Bae-dal"

“Bae-dal” é libertado e vive de biscates nas ruas de um país agora ocupado pelos vencedores da guerra no Pacífico, os norte-americanos. No desenvolver da sua actividade, arranja problemas com a yakuza, e em vias de perder mais uma luta, é salvo por “Beom-su” (Jung Doo-hung), um mestre de artes marciais sul-coreano. Este toma “Bae-dal” como seu discípulo, e ensina-lhe a sua técnica, tentando-o tornar num lutador justo e honrado. Posteriormente, “Beom-su” é morto num reencontro com a yakuza e “Bae-dal”, despeitado, vinga o seu mestre.

Triste com o sucedido, e apesar de amar “Yoko” (Aya Hirayama), “Bae-dal” retira-se para as montanhas e treina arduamente, com o propósito pessoal de se tornar o melhor lutador do mundo de artes marciais. Tempos depois, “Bae-dal” começa a dar nas vistas, ao vencer os melhores combatentes japoneses de Karate. No entanto, “Kato”, agora presidente da associação de artes marciais do Japão, tudo fará para não permitir que um sul-coreano humilhe as tradições ancestrais do seu país.

"Kato, o defensor da tradição nas artes marciais japonesas"

"Review"

“Fighter in the Wind” é baseado numa personagem verídica, visando contar a história do sul-coreano Choi Bae-dal, um famoso lutador que emigrou para o Japão por alturas da II Guerra Mundial. Aqui somos convidados a acompanhar o homem na sua juventude, quando desenvolve o estilo de karate conhecido como Kyokushin, que o possibilita derrotar por todo o Japão os melhores mestres de artes marciais. Bae-dal viria a mudar o seu nome para Masutatsu Oyama, e subsequentemente tornar-se-ia numa verdadeira lenda.

Não pensem que estamos perante uma película que visa ser um registo biográfico fiel da vida de “Bae-dal”. Sendo baseado numa manga de Ikki Kajiwara intitulada “Karate Baka Ichidai”, “Fighter in the Wind” pretende ser uma homenagem ao lutador, que vive sob o signo da espectacularidade visual e dos combates. Mesmo assim, a “manga” foi adulterada pelos laivos nacionalistas, que explicarei mais abaixo no que consistem na minha opinião. De certa forma, somos confrontados com um filme que possui uma aura semelhante a “Fearless”, de Ronny Yu (será mais correcto dizer o contrário, pois “Fearless” foi realizado dois anos após “Fighter in the Wind). Tal comparação fará sentido, tendo em conta que ambas as obras visam expôr uma história verídica, embora altamente romanceada, acerca de uma personagem que partindo de uma situação pessoal trágica, torna-se numa lenda das artes marciais. Em ambos os casos, fazendo com que o seu estilo e ensinamentos fossem difundidos pelo mundo inteiro, transformando o homem em lenda. O espectro trágico de “Bae-dal” ainda é mais acentuado pela sua aparência. Com roupas de combate esfarrapadas e o cabelo comprido mas completamente desarranjado, o herói parece um verdadeiro maltrapilho das artes marciais, cuja aparência infunde tudo menos respeito.

Existe desde logo à partida um tema que é bastante recorrente em vários filmes sul-coreanos, e que aqui já foi por algumas vezes abordado. Trata-se da vertente nacionalista exacerbada. “Fighter in the Wind” foi das películas sul-coreanas mais criticadas no que concerne a este aspecto. E de facto é preciso reconhecer que os japoneses são retratados mais uma vez como seres orgulhosos, cruéis e inflexíveis, cujo único propósito parece ser atormentar os coreanos o mais que puderem. Só existem praticamente dois elementos nipónicos que se salvam do “bota abaixo”. Um (ou melhor uma) é “Yoko”, o amor de “Bae-dal”, interpretada pela bela actriz Aya Hirayama. Mas mesmo aqui, vemos uma rapariga que é obrigada a lutar imenso contra as convicções e “status quo” dominante, de forma a poder encetar algo semelhante a um relacionamento com o herói da trama. O outro personagem japonês que não é difamado apenas aparece em espírito, nunca em corpo. Trata-se do célebre e lendário samurai Musashi Miyamoto, um renomado espadachim japonês que viveu nos séculos XV e XVI e cujos ensinamentos servem de inspiração para o modo de vida de “Bae-dal”. Outro povo que não escapa à crítica veemente são os norte-americanos. No período de ocupação são vistos como seres estúpidos e delinquentes, que humilham o povo ocupado. Mesmo aqui parece existir uma crítica velada aos japoneses, porquanto os mesmos não parecem ser capazes de defenderem o seu povo, sendo necessário que “Bae-dal” se transforme numa espécie de justiceiro nocturno com a cabeça a prémio, que salva jovens raparigas de serem violadas pelos norte-americanos. Mais uma tentativa de sublimação dos sul-coreanos perante os seus vizinhos e rivais japoneses, de duvidosa verdade histórica.

"Treino sob condições agrestes"

Os combates são do melhor que o filme tem, desenvolvendo-se todos, sem excepção, ao mais alto nível. As lutas são violentas e dotadas de espectacularidade, mas ao mesmo tempo convincentes para quem as visiona. Bem, talvez haja que fazer uma excepção em relação a uma das cenas finais em que “Bae-dal” se confronta com um boi, tentando partir-lhe os cornos. Mas mesmo aí, e fazendo um pouco de pesquisa, parece que uma das habilidades do lutador era precisamente aquela que à partida não acreditamos como muito verosímil. O verdadeiro “Bae-dal” era bastante conhecido por lutar contra os bovinos, e em várias exibições públicas mediu forças com os animais, quase sempre saindo vencedor. No remanescente, e voltando a falar de combates entre humanos, os mesmos são extremamente rápidos, fazendo jus a um dos princípios basilares de “Bae-dal”, a saber, “um golpe, uma vitória”. Mesmo assim, sempre temos direito a um ou outro “slow motion” que nos possibilita tirar partido de movimentos visualmente mais deslumbrantes. Para os fãs de artes marciais será um delírio ver “Bae-dal” pôr o seu Kyokushin a funcionar contra outras variantes de karate, judo e até kendo. Igualmente teremos direito a ver um duelo final emblemático que, não sei porquê, fez-me lembrar o epílogo de “Judo Saga – Sugata Sanshiro”, o primeiro filme que Kurosawa realizou.

O “background” histórico é interessante, tirando um ou outro laivo nacionalista mais impulsivo e de que já falei acima. Embora não constitua um dos elementos fulcrais da história, mas sim o seu pano de fundo, sempre se poderá afirmar que conseguimos compreender alguma coisa das dificuldades do pós-guerra no Japão. As ruas são complicadas, com a criminalidade da yakuza a ditar leis. Os víveres são escassos, e a população vive tudo menos bem. As interpretações situam-se num nível acima da média, sendo Yang Dong-kun um guerreiro contemporâneo (e ao mesmo tempo tradicional) de eleição. Merece igualmente uma palavra especial, o actor e praticante de artes marciais Masaya Kato que, embora limitado a nível de minutos, interpreta um vilão moralista extremamente aceitável. Melhor dizendo, até acabamos por compreender Kato na sua perspectiva de defesa dos bons costumes e da tradição do seu país. Sendo assim, dificilmente poderemos encará-lo como um “mau” convencional. Aya Hirayama cumpre bem, embora reconheça que posso estar a ser influenciado pela sua beleza inocente, singela e acima de tudo cativante.

“Fighter in the Wind” é um filme que valerá bastante a pena espreitar, ressalvando neste raciocínio um ou outro exagero/defeito de pormenor. Ideal para os inúmeros fãs de artes marciais que não vivem apenas para a luta, mas que se interessam igualmente por um argumento bem construído, embora algo incompleto. A cinematografia é lindíssima e o drama bem explorado, ou este não fosse afinal um filme sul-coreano. Como vocês sabem que eu gosto de uma ou outra frase emblemática, e sendo assim, findo desta forma o presente texto citando “Bae-dal”: “Tenho medo de lutar, mas ainda receio mais sobreviver como um aleijado...”

Uma proposta bastante interessante!


"Bae-dal demonstra a sua técnica contra um dos mestres japoneses"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,88




sábado, dezembro 16, 2006

Arahan: Acção Urbana de Artes Marciais/Arahan: Urban Martial Arts Action/Arahan jangpung daejakjeon (2004)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 113 minutos

Realizador: Ryu Seung-wan

Com: Ryu Seung-beom, Yoon So-yi, Ahn Sung-kee, Jung Doo-hong, Yun Ju-sang

"Sang-wan"

Estória

Numa cidade moderna da Coreia do Sul dos nossos dias, um ladrão furta uma carteira a uma transeunte, fugindo em seguida numa mota. Mal sabe ele que está a ser observado do alto dos arranha-ceús, por uma bela jovem chamada "Eui-jin". Impressionantemente a rapariga começa a saltar de edifício para edifício, com uma franca naturalidade. O delinquentemente igualmente começa a ser perseguido por um polícia idiota chamado "Sang-wan". Quando o agente da autoridade finalmente alcança o ladrão, depara-se igualmente com "Eui" que bloqueia o caminho ao fugitivo. A rapariga fazendo uso das suas incríveis habilidades em artes marciais, recorre à técnica conhecida como "rajada de vento", mas em vez de acertar no criminoso, atinge em cheio "Sang" que cai inconsciente.

"Sang" acorda na casa do pai de "Eui", um dos remanescentes 5 membros de um grupo conhecido como "Os Sete Mestres", que constituem os guardiões de "Arahan", o último estado de transcendência, onde nada mais há a aprender. "Os Sete Mestres" procuram incessantemente pelo "Maruchi", um mestre supremo a quem possam transmitir o segredo de "Arahan", mas enfrentam extremas dificuldades, pois hoje em dia ninguém quer saber do "Tao" ou do "Chi", as energias cósmicas que fazem mover o mundo e todos os seres vivos.

Acreditando que o jovem polícia tem um "Chi" extremamente poderoso, os mestres decidem treiná-lo nas artes marciais e ensinar toda a filosofia que as suporta."Sang" por seu lado acha toda esta estória ridícula e recusa a oferta que os mestres lhe fazem, voltando à sua vida normal.

Posteriormente o polícia é humilhado por uns "gangsters", ficando irritado pela sua fragilidade física e impotência em responder a este tipo de ataques que em muito atrapalham a sua profissão. Por via disto, decide ir ao encontro dos mestres para que estes lhe ensinem a técnica da "rajada de vento", começando assim um treino intensivo.

Entretanto uns operários da construção civil, aquando da escavação de um túnel, encontram uma câmara antiga que se encontra selada. Quando a abrem, apanham um grande choque pois está um homem vivo lá dentro. A pessoa é nada mais, nada menos que "Heng-hu", um dos "Sete Mestres" que foi banido há centenas de anos atrás. "Heng" inicia a sua busca pela chave de "Arahan" que lhe permitirá controlar o mundo, atacando para o efeito cada um dos seus cinco companheiros.

Apenas "Sang" e "Eui" lhe poderão fazer frente!

"Eui-jin"

"Review"

A nível de argumento, "Arahan" pouco nos traz de novo. Existe um jovem que tem uma vida infeliz, mas que igualmente possui habilidades extraordinárias que desconhece em absoluto; um mestre que procura alguém a quem possa transmitir o seu fardo pessoal; um vilão que tudo faz para conseguir o seu objectivo. E também como não podia deixar de ser, um relacionamento amoroso, que na maior parte dos filmes do género despreza quese em absoluto o contacto físico.

"Sang-wan" constitui uma personagem chata como tudo, e que só apete bater. Faz lembrar aqueles colegas chatos, que se queixam constantemente sobre tudo e nada fazem para mudar alguma coisa. Nem sequer nos esforçamos para ter pena dele. Um clássico "tótó"! Claro que quando o rapaz finalmente aprende as artes marciais, e começa a distribuir uma valente carga de "porrada", lá começamos a ficar mais próximos do rapaz.

"Eui-jin" é possuidora de um grande "sex appeal", e transparece aquele ar de má que nenhum "macho" que se preze consegue ficar indiferente! A interpretação é no geral bem conseguida, embora não muito interventiva. Existe uma cena em que "Sang" vislumbra um bocado da pele de "Eui", quando ela veste o seu "kimono" de treino, e a rapariga vira-se e sai-se com a frase "Wanna die?". Não vos faz lembrar nada? De certeza? Vejam então o que Jun Ji-hyun está constantemente a dizer em "My Sassy Girl"!

As lutas seguem a tradição de "The Matrix" e "Volcano High", com grandes voos e paragens em "slow motion" para que possamos apreender e ficar maravilhados com os golpes aplicados. Muito bonito de se ver sim senhores, mas nada de inovador é apresentado. O mesmo não se poderá dizer das frenéticas corridas e saltos entre os arranha-céus, em que confesso, fiquei deslumbrado, principalmente naquela parte em que "Eui" começa a correr pelas janelas de um prédio enorme, como se estivesse simplesmente a dar um passeio pela estrada.

"Os pupilos a receberem instrução do mestre Ja-woon"

"Arahan" é um filme igualmente possuidor de bastante comédia. Em geral as cenas deste género são muito engraçadas, conseguindo arrancar alguns risos ao espectador. "Parti-me" completamente com a ida de dois dos cinco mestres a um programa de televisão, tendo em vista a exibição das suas capacidades. Os meus olhos chegaram a lacrimejar!!! Como não sou por natureza um grande apreciador de comédia, imagino que estas cenas ainda tenham um efeito mais intenso naqueles que verdadeiramente o são.

Apesar de não ser um filme sério por natureza, existe uma grande mensagem ideológica que pode ser extraída de "Arahan". Alguns bons e velhos costumes estão a ser perdidos pelas novas gerações, nas quais ainda me incluo, e que urge recuperar. Esta é uma ideia que eu concordo plenamente, principalmente quando se tratam de valores como o respeito, a honra e a dignidade!

"Arahan" é um filme "normalzito", sem brilho absolutamente nenhum, salvo um ou outro pormenor. Entretém bastante, sendo ideal para ver num Domingo à tarde, em que só nos apetece estar em casa e não pensar praticamente acerca de nada.

"Luta contra o vilão Heng-hu"

Trailer, Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia, C7nema

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 6

Guarda-roupa - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 7