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terça-feira, fevereiro 26, 2008

My Heart Is That Eternal Rose/Sa shou hu die meng (1989)

Origem: Hong Kong

Duração: 91 minutos

Realizador: Patrick Tam

Com: Kenny Bee, Joey Wong, Tony Leung Chiu Wai, Michael Chan, Ng Man Tat, Gordon Liu, Kwan Hoi San, Cheung Tat Ming

"Ricky Ma"

Estória

“Ricky Ma” é um jovem boémio que se encontra apaixonado por “Lap” (Joey Wong). No entanto, quando assassina um polícia, devido a um negócio mal sucedido, vê-se obrigado a fugir para as Filipinas, levando a promessa que “Lap” posteriormente iria ter com ele. No entanto, a rapariga nunca chega a se reunir a “Ricky”, pois torna-se amante de “Sheng” (Michael Chan), um poderoso chefe de uma tríade, em ordem a salvar o seu pai.

"Ricky tenta proteger Lap"

Seis anos depois, “Ricky” é um assassino profissional que retorna a Hong Kong, tendo em vista executar um trabalho. Acidentalmente, acaba por encontrar “Lap”, e o amor reacende-se. O problema é que “Sheng” não permitirá de ânimo leve que “Ricky” roube a sua amante. O casal, ajudado por “Cheung” (Tony Leung Chiu Wai), tenta fugir. No entanto, os seus intentos não são bem sucedidos e tudo degenera numa orgia de sangue e violência.

"Cheung mal tratado"

"Review"

Os filmes de “tríades” de Hong Kong, sempre foram um dos pratos fortes do cinema daquelas paragens, tendo atingido o seu auge com os grandes filmes de John Woo, mormente “A Better Tomorrow”, “Hard Boiled” e “The Killer”. Na sequência destes grandes sucessos do mítico Woo, o género tornou-se extremamente popular, e vários realizadores enveredaram por tentativas no segmento, umas bem sucedidas, outras nem por isso.

“My Love Is That Eternal Rose” é uma dessas várias longas-metragens que nasceu da grande popularidade do género, e embora por vezes sejam conseguidos resultados quase espectaculares, o filme ficou muito aquém das minhas expectativas. Essa é que é a verdade!

A película possui todas as características que definem de certa forma o estilo onde se insere. Estamos a falar de uma cruzada romântica e heróica, entre dois amantes desencontrados, que redunda num banho de sangue e violência (como referi textualmente na sinopse). Afinal as tríades não deixam de ser das organizações do submundo mais temidas no planeta, e quando alguém tenta “meter a mão” na amante do chefe, a coisa vai dar para o torto de certeza!

O argumento é extremamente forçado, com situações pouco credíveis e que apenas servem de motivo para uma saraivada de balas, ou para Joey Wong destilar sensualidade por todo o ecrã (não é que me importe com isto, muito pelo contrário!). Verdadeiramente inacreditável é como “Ricky” e “Lap” se reencontram em Hong Kong. Quais as probabilidades de numa região com 7 milhões de habitantes, e com uma das maiores densidades populacionais do mundo (cerca de 6350 pessoas/km2), “Ricky” ir a fugir de uns homens que o querem matar e quase ser atropelado por “Lap”? Passemos por cima disto, o reencontro sucedeu-se, o problema está resolvido, e ala que o caminho é para a frente!

"Lap rodeada dos membros da tríade de Chan"

As cenas de acção, embora não sejam em tão grande número quanto se possa imaginar, são marcadas por uma loucura desenfreada. Para aqueles que conhecem as obras da época de John Woo e afins, reconhecerão logo as armas cujas balas parecem nunca acabar, as acrobacias e as cenas bastante rápidas no meio de um tiroteio infernal, o sangue a jorros, os planos pausados ou em câmara lenta. Tudo isto acompanhado de um pendor épico, por vezes bem sucedido, outras nem por isso. No entanto, “My Heart Is That Eternal Rose”, à semelhança de outros filmes, só vem dar razão aqueles que, à minha semelhança, defendem que quando toca a libertar o inferno na terra, os filmes de tríades de Hong Kong são inimitáveis.

Outro aspecto extremamente marcante na película é a “piroseira”, ou melhor dizendo, a aura de “novela mexicana” (para o cidadão “comum” entender melhor) que imbui a película. Músicas excessivamente dramáticas, por vezes com um som algo duvidoso (a edição da Mei Hah, embora remasterizada, não deverá ser alheia ao facto), aliadas a uma interpretação com alguns altos e baixos, levam a esta conclusão. Mesmo assim, é sempre um prazer ver Joey Wong a derramar lágrimas por tudo e por nada, ou o grande Tony Leung Chiu Wai a sujeitar-se a umas interpretações menos conseguidas (embora aceitáveis). Uma nota de curiosidade para os fãs do denominado “kung-fu old school”. Gordon Liu faz o papel de um dos vilões do filme. Poderá ser uma oportunidade para verem uma das maiores lendas das artes marciais, representar uma personagem distinta das que o fizeram brilhar na constelação de actores de Hong Kong.

Uma derradeira palavra para o trabalho positivo de fotografia efectuado pelo grande e sobejamente conhecido, Mr. Christopher Doyle. Planos de sonho, que adquirem mais valor numa altura do cinema de Hong Kong, onde não abundavam os recursos materiais e eram realizados filmes a rodo e a metro, muitas vezes com ausência de critérios qualitativos.

Com um título que invoca o mais puro romantismo (a expressão sempre servirá para fazermos figuras tristes perante alguma rapariga...), “My Heart Is That Eternal Rose”, é uma película algo infantil no geral, mas com momentos que salvam a honra do convento e que puxam o sentimento. Para aqueles que apreciam os filmes de “gangsters” de Hong Kong, aliados a um espírito apaixonado forçado, será uma boa proposta. Para os restantes, um mero satisfazer de curiosidade. Nada mais.

Nota final: É curioso como este filme, no preciso momento, tem no IMDb uma nota média elevadíssima de 7.9 (embora apenas num universo de 71 votos). Enigmático...

"Uma despedida sentida"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 6

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,13





segunda-feira, dezembro 17, 2007

The Moon Warriors/Zhan shen chuan shuo - 戰神傳說 (1992)

Origem: Hong Kong

Duração: 85 minutos

Realizador: Sammo Hung

Com: Andy Lau, Anita Mui, Maggie Cheung, Kenny Bee, Kelvin Wong, Yi Chang, Chin Kar Lok

"Fei"

Estória

O governante “13º príncipe Yen” (Kenny Bee), é destronado pelo seu irmão maléfico, o “14º príncipe” (Kelvin Wong), sendo obrigado a fugir com os seus apoiantes, de onde se destacam “Hsien” (Maggie Cheung). Tendo caído numa emboscada a meio da floresta, “Yen” vê-se em apuros, mas é salvo devido à intervenção de “Fei” (Andy Lau), um pobre e gentil pescador, com grandes habilidades nas artes marciais e que possui como melhor amigo uma orca chamada “Wei”.


"O 13º príncipe Yen"

Necessitando desesperadamente de ajuda, “Yen” pede a “Fei” que vá ao encontro do imperador aliado “Lam Ning” (Yi Chang) e da sua filha “Yuet” (Anita Mui), tendo em vista a união de esforços contra o “14º príncipe”. “Fei” não evita apaixonar-se por “Yuet”, mas o seu amor é impossível, pois a princesa está noiva de “Yen” desde tenra idade.

Quando o “14º príncipe” descobre onde o seu irmão está refugiado, congrega as suas forças para dar a estocada final. A derradeira batalha pelo domínio do reino irá começar, e cabe a “Fei” ajudar “Yen” a sair vitorioso.

"Yuet e Hsien"

"Review"

Dotando-se de uma equipa técnica e de um “cast” bastante apelativo, o lendário Sammo Hung despe a capa de mestre e actor emblemático das artes marciais, e mais uma vez decide tentar a sua sorte na realização, aventurando-se desta vez no mundo do “Wuxia”. A premissa da estória está longe de ser uma novidade no género, ou seja, um monarca bondoso é destronado por um ente familiar do pior que existe; é ajudado por um homem simples mas uma verdadeira máquina com um sabre na mão; existe um triângulo (ou melhor um quadrado) amoroso pelo meio, mas que a honra impede que vá muito além; entretanto o vilão aparece para o confronto final, e pois…já estamos conversados! O desenrolar da trama é bastante típico dos “wuxias” dos anos ’90, com as falhas argumentativas do costume, umas mais evidentes do que outras. Mesmo assim, sempre lá aparece umas frases mais significativas pelo meio, e que nos ficam na memória. Neste caso em concreto, ficar-me-á mais gravado a explicação dada por “Fei” à princesa “Yuet”, acerca da razão pela qual os campos por onde passam serem bastante floridos. As flores têm tendência a nascer profusamente nos sítios onde descansam os restos mortais de muitos seres.

Um dos elementos distintivos desta película em relação às congéneres, passará pelo carácter marcadamente romântico pela qual a mesma envereda, e que apenas detém um rival à altura nas cenas de luta. É certo que os “wuxias”, em regra, têm um pendor que se reconduz bastante a este aspecto mais sentimental, e que se pensarmos bem, constituirá uma marca distintiva do género, em conjunto com o habitual “glamour” heróico e o extremo uso dos guindastes nas cenas de luta. No entanto, sou obrigado a admitir que “Moon Warriors” acentua mais do que o normal esta veia trágica, e que porventura não me admiraria que os seus comparsas do século XXI fossem buscar inspiração em parte a esta longa-metragem. Há que dar o mérito a algo, e “Moon Warriors” indubitavelmente merecerá algum.


"O perigo vem das alturas"

Quanto às lutas, garanto que os fãs do género, nos quais me incluo, não sairão defraudados. E tendo por responsáveis pelas cenas de acção os aclamados Ching Siu Tung e Corey Yuen, para além da inevitável contribuição de Sammo Hung, nada menos que bom seria de esperar. Os combates são de tirar a respiração, tal o envolvimento e a fúria que é posta no ecrã pelos intervenientes. Claro que poderá ser afirmado que os verdadeiros intervenientes nos combates não serão os actores principais, até pelo facto de Andy Lau, Anita Mui ou Kenny Bee, por exemplo, não serem reconhecidos praticantes de artes marciais. Contudo, posso declarar que as lutas em nada ficam a dever a outras películas do género, superando bastante a maior parte das mesmas. Uma “nuance” fora do comum passará pela intervenção de “Wei”, a orca que é a mascote de “Fei”.É que ela também intervém num combate, ao sair da água e acertar com a cauda na cara do infame “14º príncipe” (ninguém percebeu que era feita de borracha, eh, eh, eh!), fazendo com que estejamos perante uma espécie de “Free Willy” das artes marciais!?. Embora seja de saudar a intenção da cena, pois a amizade da personagem de Andy Lau com o animal é uma vaga de ar fresco nesta categoria de filmes, sempre se poderá dizer que soou um tanto ou quanto ridículo! Os cenários e as paisagens ajudam imenso ao meu gosto pela película. “Moon Warriors” é, sem margem para dúvida, um dos “wuxia” mais agradáveis à vista. A vila piscatória está muito bem concebida, o túmulo da família “Yen” fenomenal, e tudo muito bem complementado pelas costumeiras florestas de bambu e pelos campos povoados de belas flores.

Como epílogo deste texto, deixo apenas mais duas curiosidades que de certa forma me espantaram, mas depois de reflectir até fizeram algum sentido. A primeira passará pelo facto de George Lucas ter supostamente afirmado que de entre os vários filmes que se inspirou para fazer a mais recente trilogia de “A Guerra das Estrelas”, uma delas foi “Moon Warriors”. A segunda passará por alegadamente existir um epílogo em que a personagem interpretada por Andy Lau falece. Pelos vistos, o filme com este fim foi passado para uma plateia que se desmanchou em lágrimas, e protestou de tal forma, que o mesmo foi retirado.

“Moon Warriors” merece um lugar destacado na vaga de “Wuxia” de Hong Kong, que muito foi acentuado nos anos ’90, embora normalmente se tenha a tendência a elevar filmes como “Swordsman II” ou “New Dragon Gate Inn”. Constitui um esforço digno de Sammo Hung como realizador, e já agora, é uma oportunidade para vermos uma senhora chamada Anita Mui, um ícone de Hong Kong, e que infelizmente já não nos faz companhia neste mundo, tendo vindo a falecer no dia 30 de Dezembro de 2003, devido a um cancro.

"Fei com a sua mascote e amigo, a orca Wei"

Trailer, The Internet Movie Database(IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 6

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,38