Origem: Coreia do Sul
Duração: 96 minutos
Realizador: Lee Hyung-seung
Com: Jun Ji-hyun, Lee Jung-jae, Kim Mu-saeng, Jo Seung-yeon, Min Yun-jae
"O casal e a misteriosa caixa de correio"
Estória
O início do filme ocorre no fim do ano de 1999, quando a jovem "Eun-joo" (Jun Ji-hyun) abandona a casa onde vivia que detém o nome italiano "Il Mare" (o mar). "Eun" deixa um cartão de Natal na caixa de correio a solicitar ao próximo habitante da moradia que lhe envie a correspondência para a sua nova morada no centro da cidade.
Entretanto, exactamente dois anos antes, em 1997, "Sung-hyun" (Lee Jung-jae), um arquitecto e o primeiro proprietário de "Il Mare", recebe o cartão de Natal de "Eun". Pensando que se trata de uma piada de mau gosto, "Sung" escreve de volta a pedir para não brincarem com a sua caixa de correio, deixando bem claro que o ano que decorre é 1997 e não 1999.
Após mais uma troca de cartas, o casal chega à conclusão que está separado no tempo por dois anos e que a caixa de correio tem propriedades mágicas que permite a correspondência neste hiato temporal.
"A casa conhecida como Il Mare"
A troca de correspondência continua e "Eun" e "Sung" vão aos poucos criando uma certa confiança e intimidade um com o outro, desabafando sobre os seus problemas e tristezas, que se reconduzem em última instância ao seu sentimento da solidão.
"Eun" sente-se devastada pelo abandono do namorado que partiu para os Estados Unidos da América, encetando um relacionamento com outra mulher.
"Sung", por seu lado, vive em angústia pela relação inexistente com o seu pai que o abandonou quando tinha apenas sete anos.
Aos poucos ambos vão resolvendo pequenos problemas do passado e do futuro, consoante a perspectiva um do outro. "Sung" consegue recuperar um "walkman" que "Eun" tinha perdido numa estação de comboios. "Eon" envia uma biografia publicada sobre o pai de "Sung".
A relação adquire uma tal intensidade que ambos concordam em encontrar-se numa determinada data. Tal significará uma espera de uma semana para a rapariga, e de dois anos e uma semana para o rapaz.
Porém no dia marcado "Sung" não aparece, e "Eun" começa a questionar-se acerca do porquê de tal ter sucedido...
"Review"
"Il Mare" constitui uma película muito introspectiva e que nos põe a pensar imenso, tudo devido ao hiato temporal que separa o casal de correspondentes. Esta premissa ainda assume mais acuidade, quando no filme nunca é explicada a razão de a caixa de correio permitir a troca de correspondência num espaço temporal de dois anos. Quanto a mim já decidi não me por a conjecturar mais sobre este aspecto, atendendo a que acaba por revelar-se num pormenor de certa forma secundário, embora importante, quando confrontado com o desenvolvimento emocional da relação entre "Eun" e "Sung" e as peripécias com que a mesma se depara, ainda por cima tendo um adversário praticamente invencível: o tempo!!!
O que faz de "Il Mare" um filme quase único é a fabulosa estória de amor suportada por um maravilhoso argumento (já disse que não quero saber da caixa de correio!). Sem exagerar no melodrama, o realizador Lee Hyung-seung transmite-nos todos os sentimentos e anseios das personagens e especialmente a extrema solidão que se encontra imbuída em quase todos os aspectos da película. Solidão essa que se pretende ver quebrada com a reunião de "Eun" e "Sung", e que faz com que o espectador enverede por uma tal ansiedade nas situações em que tal está prestes a acontecer, e depois lamentavelmente já não se sucede. Solidão essa, insisto, que "Sung" sente mais particularmente, pois por vezes depara-se com "Eon" e ela não o reconhece, devido ao nefasto tempo que medeia e cruelmente separa as suas vidas.
Outro dos fortes da realização do filme e com uma importância quase tão grande como o casal protagonista é sem dúvida o mar. As diferentes perspectivas com que o realizador nos presenteia sobre aquele, aliada à conjugação dos elementos atmosféricos, dão azo a uma das melhores fotografias que jamais visionei. O mar é sempre o fiel companheiro dos actores e adensa ainda mais a tragédia que assola as suas vidas.
"Il Mare" é uma linda e sentida estória de amor que joga com elementos próximos da ficção científica, tornando-o ao mesmo tempo um filme com uma extensa originalidade.
O cinema norte-americano com a sua crise de ideias, fez um "remake" que presentemente se encontra em exibição nas salas de cinema portuguesas, intitulado "The Lake House" (em Portugal assumiu o nome de "A Casa da Lagoa"). Embora não tenha significado nenhum do ponto de vista prático, gostaria de deixar aqui o mais veemente protesto contra esta já irritante mania de "Hollywood" andar a realizar versões de cinema asiático, sendo o cinema coreano um alvo particularmente apetecível. Quando descobri que querem "remakerizar" "My Sassy Girl", quase que dava-me uma síncope! Recuso-me a visionar estas "cópias", pois tenho 99% de certeza que a magia, a boa representação, o inebriante jogo das paisagens e demais aspectos distintivos/belos dos dramas sul-coreanos irão simplesmente pela "sanita abaixo". Perdoem-me a dureza da expressão, mas é o que sinto! Em suma:
"STOP AMERICAN REMAKES OF ASIAN MOVIES!!!"
Passado este aparte e descargo de consciência, só me resta dizer-vos que "Il Mare" é uma película que quando visionada, dificilmente será esquecida!
Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link
Outras críticas em português/espanhol:
Avaliação:
Entretenimento - 7
Interpretação - 8
Argumento - 10
Banda-sonora - 8
Guarda-roupa e adereços - 8
Emotividade - 9
Mérito artístico - 9
Gosto pessoal do "M.A.M." - 8
Classificação final: 8,38




