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domingo, outubro 19, 2008

Realizador Asiático Preferido - Votação

Apresento-vos desta vez um par de realizadores, que ao mesmo tempo são irmãos gémeos, sujeitos ao vosso escrutínio, no quadro de votações mais abaixo à direita. Não custa relembrar que podem escolher mais do que uma opção, antes de clicarem e submeterem o(s) vosso(s) voto(s). Igualmente podem sugerir outros nomes para serem postos a votação.
Irmãos Pang (Danny e Oxide)

Informação

Filmografia enquanto realizadores (caso exista alguma crítica, o título estará assinalado a cor vermelha. Para aceder ao texto , basta clicar):

  1. Who Is Running ? - Oxide Pang (1997)
  2. Bangkok Haunted - Oxide Pang (2001)
  3. Nothing to Lose - Danny Pang (2002)
  4. Omen (2003)
  5. One Take Only - Oxide Pang (2003)
  6. The Tesseract - Oxide Pang (2003)
  7. The Eye 2 (2004)
  8. Leave Me Alone - Danny Pang (2004)
  9. Ab-normal Beauty - Oxide Pang (2004)
  10. The Eye 10 (2005)
  11. Re-cycle (2006)
  12. Diary - Oxide Pang (2006)
  13. Forest of Death - Danny Pang (2006)
  14. The Messengers (2007)
  15. The Detective - Oxide Pang (2007)
  16. In Love With the Dead - Danny Pang (2007)
  17. Bangkok Dangerous - remake (2008)


quinta-feira, julho 10, 2008

The Eye - Visão de Morte/The Eye/ Gin gwai -见鬼 (2002)

Origem: Hong Kong

Duração: 98 minutos

Realizadores: Irmãos Pang (Danny e Oxide Pang)

Com: Angelica Lee, Lawrence Chou, Chutcha Rujinanon, Yut Sai Lo, Candy Lo, Yin Ping Ko, Pierre Png, Edmund Chen, Yung Wai Ho, Wilson Yip, Florence Wu, Wang Sue Yuen

"Wong Kar Mun, antes da operação"

Sinopse

“Wong Kar Mun” (Angelica Lee) é uma jovem violinista, que se encontra cega desde os 2 anos de idade e está prestes a fazer uma operação que lhe possibilitará recuperar a visão. A intervenção cirúrgica corre bem, e aos poucos a rapariga, agora com 20 anos, vai-se ajustando a todo um mundo novo que conhecia apenas pelo tacto. Para tanto, é ajudada pelo Dr. “Wah” (Lawrence Chou), um psicólogo especializado em casos como o de “Mun”.

As coisas começam a complicar-se quando “Mun” começa a ver não apenas o mundo normal, mas também pessoas que já faleceram, assim como uma espécie de sombras que predizem sempre a morte de alguém. O Dr. “Wah” de início não acredita nas faculdades de “Mun”, pensando que esta está a viver uma espécie de choque emocional. Contudo, e após uma série de eventos, “Wah” muda de ideias e toma consciência que a rapariga está dizer a verdade.

"Mun e o Dr. Wah"

“Wah” vai consultar o seu tio “Lo” (Edmund Chen), o médico que operou “Mun” e explica-lhe a situação. “Lo” como seria de esperar, fica incrédulo perante a situação e desaconselha o sobrinho a embrenhar-se mais no caso. No entanto perante a insistência de “Wah”, acaba por revelar quem foi o dador dos olhos.

“Wah” viaja com “Mun” até a Tailândia em busca da família de “Ling” (Chutcha Rujinanon), a dadora que se suicidou devido a um evento trágico. Aí conseguirão efectivamente obter as explicações para os eventos estranhos e macabros que se sucedem com “Mun”.

"A sombra da morte"

"Review"

Vencedor de oito prémios em certames de cinema, entre os quais o atribuído à melhor fotografia em “Sitges”, “The Eye” constitui porventura um dos mais bem sucedidos filmes de terror asiáticos de sempre, tendo direito a duas sequelas, e a dois “remakes”. Dois “remakes”? Então não era só aquele “made in Hollywood”, que teve na estonteante Jessica Alba a actriz principal ?! Pois fiquem a saber que três anos antes, em 2005, os indianos haveriam de fazer a sua versão do filme, intitulada “Naina”. Surpreendidos? Acreditem que é bastante recorrente na Índia, principalmente em “Bollywood”, aproveitar-se um pouco das ideias alheias e adaptá-las cinematograficamente aos seus gostos e costumes.

O argumento de “The Eye” teve parcialmente inspiração numa história verídica, conforme podemos nos aperceber no início do filme e por declarações proferidas pelos próprios irmãos Pang aquando da realização desta obra. Pelos vistos, 13 anos antes da realização do filme, Danny e Oxide leram num jornal uma notícia acerca de uma rapariga que tinha feito um transplante das córneas e que se tinha suicidado pouco tempo depois. Os manos, nas palavras de Oxide, pensaram sempre o que teria sucedido no hiato temporal que decorreu entre a reacção da jovem quando se apercebeu que poderia ver, até ao momento em que pôs termo à vida. Com uma imaginação profícua, estava dado o mote para a construção da trama, escrita igualmente pelos realizadores com o auxílio do produtor e argumentista Jo-Jo Yuet Chun Hui. No género de terror, a escolha do tema foi feliz (embora longe de ser original) e consegue o seu propósito perturbador. De facto, passarmos da tremenda angústia de não possuirmos o sentido da visão, até ao completo desnorteio mental provocado pela observação de decessos e quase-decessos, é um campo extremamente apelativo para o segmento onde a película se insere. A “habilidade” em ver pessoas mortas não é propriamente uma novidade para nós, atendendo à existência de um filme denominado “O Sexto Sentido”, de M. Night Shyamalan, em que uma criança interpretada por Haley Joel Osment vivia numa angústia permanente por deter esta capacidade incomum. “The Eye” não perde tempo em criar uma aura que rodeia o espectador, torturando-o até ao primeiro “show off” espírita. Enveredando pelo diapasão “a melhor defesa é o ataque”, e após uns dez, quinze minutos de filme, os irmãos Pang começam a desfilar um cortejo de espíritos cujo principal objectivo é debitar um concurso para ver qual das aparições assusta mais. Como já mencionei aqui antes, a propósito de outros textos relacionados com películas de terror asiático, eu não sou homem de me impressionar bastante com fantasmas e afins. Mas amigos, e aqui faço uma confissão, dei um semi-pulo do sofá e o meu corpo estremeceu um pouco na cena em que “Mun” está a aprender caligrafia (adeus masculinidade...)! Aquele confrontar em que o espírito grita veementemente “porquê que estás sentada na minha cadeira?!”, pôs-me um tanto ou quanto desconfortável... A foto consta neste “post”, e é um pouco elucidativa. Reconheço que constitui um “spoiler”, mas perdoem-me, não resisti. A minha consolação é que a maior parte das pessoas que visita este espaço, com certeza já deve ter posto os olhos nesta película.

"Ling depara-se perante a tragédia"

O elenco não faz uma interpretação digna de registo com a excepção da actriz Angelica Lee, (o mérito da nota do sub-item “Interpretação” é toda dela). A actriz, que não era assim tão experiente à altura, representa de uma forma quase brilhante a personagem de “Mun”. Verdadeiramente conseguimos sentir o seu medo e desespero. Ao mesmo tempo admiramos a honestidade com que as suas emoções são destiladas perante os nossos olhos (não sei porquê, mas acho que é melhor evitar a menção a “olhos” neste texto), fazendo com que o que nos é transmitido se afigure como algo genuíno. É pena que o restante “cast” não esteja à altura, e por essa razão um possível “9” teve, em nome de alguma justiça, baixar para “8”. Lawrence Chou (o actor que interpreta o Dr. “Wah”, companheiro de “Mun”) é quase um erro de “casting”, e esta premissa assume mais acuidade quando o mesmo surge acompanhado nas cenas com Angelica Lee.

Escusado será dizer que pela notoriedade que a longa-metragem alcançou, "The Eye" é obrigatório para qualquer amante do terror asiático. Igualmente constitui a prova viva que os bons filmes do género não são exclusivos do Japão ou da Coreia do Sul. É certo que não atingirá o nível de “Ringu”, e muito menos de “A Tale of Two Sisters”. Contudo, constitui um marco do seu segmento que nos faz pensar duas vezes antes de entrar num elevador, passear à noite num corredor de um hospital e principalmente sentar-se na cadeira predilecta de uma aluna de caligrafia que se encontra morta e "incorporada" num espírito bastante susceptível...brrr!

Com interesse, mas de preferência a ver durante o dia e já agora que seja um com bastante sol e claridade! Afinal, nem todos têm um coração forte...Se pelo contrário, chamarem à colação a adrenalina, ideal para uma noite negra como o breu!

"Sai da minha cadeira!!!"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia, Cine-Asia, Cine Players, 7ª Arte, Boca do Inferno

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,63





segunda-feira, outubro 01, 2007

Bangkok Dangerous - Vingança Silenciosa/Bangkok Dangerous/Bangkok Dangerous - เพชฆาตเงียบ อันตราย (1999)

Origem: Tailândia

Duração: 101 minutos

Realizadores: Irmãos Pang (Danny e Oxide Pang)

Com: Pawalit Mongkolpisit, Premsinee Ratanasopha, Patharawarin Timkul, Pisek Intrakanchit, Korkiate Limpapat, Piya Boonnak

"Kong, o assassino surdo"

Estória

“Kong” (Pawalit Mongkolpisit) é um assassino surdo, que perdeu a sua audição em criança, tendo por esse motivo se tornado num homem bastante revoltado. “Aom” (Patharawarin Timkul), a gerente de um bar de “strip”, é que serve de intermediário entre “Kong” e um chefe mafioso, dando-lhe as instruções acerca dos alvos a abater.

“Kong” nutre uma grande amizade por “Aom” e o seu amante “Jo” (Pisek Intrakanchit), pois foram eles que se aperceberam da capacidade de “Kong” no manejo das armas, fazendo com que o mesmo se sentisse útil na vida. “Jo” treinou “Kong”, aperfeiçoando a sua técnica de tiro e de combate corpo a corpo, tornando-o num assassino extremamente competente.

"Fon, a tentativa de redenção de Kong"

Certo dia, após um “trabalho” em Hong Kong, “Kong” adoece e dirige-se a uma farmácia, onde conhece “Fon” (Premsinee Ratanasopha). A simpatia e a amabilidade da rapariga conquistam-no, e ambos começam a sair juntos, encetando um relacionamento. “Kong” apaixona-se de tal forma que começa inclusive a questionar-se acerca do seu modo de vida, pensando seriamente em mudar o mesmo.

Quando “Jo” mata um dos braços-direitos do chefe mafioso devido à violação de “Aom”, e aquele por sua vez assassina “Jo” e “Aom”, “Kong” interrompe a sua viagem para uma vida honesta, e embarca numa cruzada muda para a vingança. Uma “vingança silenciosa”.

"Aom"

"Review"

“Bangkok Dangerous” constituiu a estreia na realização dos irmãos gémeos verdadeiros Pang (como um conjunto, pois Oxide Pang já havia dirigido em 1997 a película “Who Is Running?”), uma colaboração familiar que se tornaria sobejamente conhecida devido sobretudo a filmes como “Re-cycle” ou “The Eye”, granjeando uma legião fiel de seguidores. O filme teve um certo reconhecimento internacional, comprovado pelo “International Critics Film Award” (FIPRESCI), atribuído no Festival Internacional de Cinema de Toronto, Canadá.

Quem está familiarizado com o cinema de acção de Hong Kong, a premissa que serve de base a “Bangkok Dangerous” não será propriamente uma novidade de estarrecer. Para quem viu o “The Killer” de John Woo, esta afirmação ainda fará mais sentido. Um assassino implacável, o típico “hitman”, depara-se com uma possibilidade de redenção, que no caso em concreto é uma rapariga singela, e questiona verdadeiramente o seu modo de vida. O conflito é tão grande, que o criminoso parece (digo “parece” porque no filme isso por vezes não é tão líquido assim) decidir abandonar o seu ilícito modo de vida, tendo em vista pugnar pelo que é certo face ao socialmente estabelecido como correcto. Quando se está a falar em tirar vidas humanas, acho que isto em princípio não oferece discussão!

Como qualquer filme do género, que absolutamente não se pode desligar da veia trágica habitual (isto é um elogio, acreditem!), acontece um evento que impossibilita o nosso anti-herói de entrar no bom caminho. A coisa em princípio não vai acabar bem, e na realidade finda ainda pior! “Bangkok Dangerous” resume-se pois a três ou quatro ideias capitais, a saber, um modo de vida ilícito e decadente, uma possibilidade de salvação face a esse mesmo modo de vida, a impossibilidade de tal acontecer, e por fim a vingança violenta que deita tudo a perder, e que não deixa sobreviventes, quer seja do ponto de vista físico, quer sentimental.

É um bom filme? Vale a pena perder uma hora e quarenta e um minutos da nossa vida?

"Jo"

A resposta é “Sim, é um bom filme, e sim, com certeza valerá perder esse tempo.”

Em “Bangkok Dangerous”, os irmãos Pang dão completamente a perceber que poderiam tornar-se num fenómeno sério do cinema asiático. O estilo de realização é delicioso, com particular incidência nos vários “flashbacks” que nos deparamos ao longo do filme. Cada um constitui uma surpresa agradável para os nossos olhos, com o uso das tonalidades acinzentadas e acastanhadas, transmitindo um ar rudimentar que nos desloca no tempo até às várias fases da vida de “Kong” e nos envolve numa certa tristeza. O efeito é bem conseguido, e acabámos por nutrir uma certa simpatia pelo assassino surdo “Kong” e até compreensão pelo seu “modus vivendi”. As cenas em câmara lenta, a duplicação de imagens, a extrema atenção aos pormenores, a banda - sonora de qualidade e imaginação acima da média, assim como a excelente fotografia dão o toque final. Não será interessante ver o ponto de vista de um assassino que não consegue ouvir, e que na hora da verdade só se apercebe dos gestos e das expressões horrorizadas das vítimas?

Não se pense que o drama toma por completo conta do filme, ou não estivéssemos a falar de um assassino que opera em Banguecoque. Os aspectos sociais negativos da capital tailandesa são, directa ou indirectamente, abordados com alguma premência, embora não exaustivamente. Digamos que servem como um “pano de fundo” bem elaborado, onde nos apercebemos dos meandros da máfia organizada e da prostituição, presente tanto nas ruas como nos designados “go-go bars”. Inevitavelmente, a violência marca a sua presença com bastantes tiroteios e sangue a jorros.

Os irmãos Pang, atingido o estrelato internacional, resolveram reinventar “Bangkok Dangerous”, num novo filme com o mesmo nome, cuja estreia mundial está prevista para o ano de 2008. A película em questão irá contar com, nada mais, nada menos, a super-estrela de Hollywood Nicolas Cage, para além de Charlie Yeung, uma intérprete bem conhecida do cinema de Hong Kong. Considerando que os realizadores são os mesmos que a obra original e o elenco estará dotado de alguns nomes asiáticos, poderemos em abstracto esperar um “remake” que não seja tão mau quanto isso. Pelo contrário, se a directiva principal for a perfeita idiotice em pensar que o público ocidental não consegue apreciar o estilo próprio do cinema asiático, já estou a ver que nada de bom virá daqui. A vingar este preconceito, aliado a uns bons “punhados de dólares”, um “flop” monumental nascerá. É praticamente uma certeza!

“Bangkok Dangerous” é um filme de visionamento bastante aconselhável!


"Redenção?"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 9

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8