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terça-feira, janeiro 12, 2010

Aragami, the Raging God of Battle/Aragami - 荒神 (2003)

Capa

Origem: Japão

Duração aproximada: 78 minutos

Realizador: Ryhuei Kitamura

Com: Takao Osawa, Masaya Kato, Kanae Uotani, Tak Sakaguchi, Hideo Sakaki

Samurai

O samurai”

Sinopse

No Japão feudal, numa noite tempestuosa, dois samurais bastante feridos procuram refúgio num templo, e são acolhidos pelo casal residente. Um dos guerreiros (Hideo Sakaki) morre em consequência das maleitas que lhe foram infligidas. O outro (Takao Osawa) recupera miraculosamente e em breve conhece o seu salvador, um homem chamado “Aragami” (Masaya Kato), e a sua companheira (Kanae Uotani).

Aragami

Aragami”

Após uma noite de bastante ingestão de álcool, “Aragami” faz um pedido pouco convencional ao samurai: que o mate em combate. Cedo se conclui que “Aragami” não é um ser humano, mas o deus das batalhas e do combate, sendo por este motivo supostamente imortal. Acontece que o deus está cansado da vida e anseia ardentemente pela morte. Contudo, o estatuto que detém e a sua própria natureza, impedem-no de cometer suicídio, pelo que a única de maneira de findar a sua existência é ser morto em combate. O samurai fica aturdido com a exigência de “Aragami”, mas não tem outra saída senão desafiar o oponente mais formidável que já enfrentou.

Rapariga

A mulher misteriosa”

Review”

“Aragami” foi um dos dois resultados do denominado “Duel Project”, tendo o outro sido a película “2DLK” do realizador Yukihiko Tsutumi. Tudo começou após uma noite de....deixemo-nos de rodeios...bebedeira! No festival de cinema de Berlim, Kitamura e Tsutumi encontraram-se e à noite entregaram-se aos prazeres do álcool. Num discurso inicialmente cordial, feito de elogios mútuos, uma discussão gerou-se entre os dois, acerca de quem seria capaz de fazer o melhor filme que versasse sobre um duelo até à morte. O produtor Shinya Kawai lançou então o desafio aos dois realizadores, e ambos os contendentes deram a vida às suas obras. As premissas: duas ou três personagens; estas têm que lutar umas com as outras e uma tem de morrer; um cenário praticamente permanente; uma semana para rodar as respectivas obras.

Não é usual ver um filme de Kitamura em que 80% do tempo da obra assenta em diálogos. É do conhecimento geral que o realizador japonês aposta muito mais no estilo e na espectacularidade dos seus produtos, do que propriamente num argumento cuidadosamente urdido. Apesar de as conversas mantidas entre “Aragami” e o samurai dominarem a quase totalidade da película, sempre se dirá que esta não tão longa-metragem não se torna cansativa pelo excesso de conversa, e chegam a existir momentos bem interessantes que versam sobre a vida do demónio e os seus anseios. Um dos aspectos de saudar, passa pelo aumento de tensão que progressivamente vamos sentindo à medida que o filme vai seguindo o seu rumo, assim como existe o apelo a algum humor intermitente que desanuvia de certa forma o aspecto referenciado. Como já anteriormente referi, o cenário é basicamente sempre o mesmo, ou seja, o templo onde reside “Aragami”. Contudo, sendo um factor que também poderia potencialmente cansar o espectador, o mesmo não se faz sentir muito, a que não será alheio o facto de a película ser de duração relativamente curta e a trama ter uma dinâmica muito própria, mas apreciável.

Em pose para a luta

O prelúdio de um duelo”

Finda a conversa, inicia-se o embate final e é aqui que Kitamura está no seu campo de acção, e evidencia onde se sente mais à vontade. É-nos apresentada um duelo revestido de grande espectacularidade, com “katanas” a flamejar, acrobacias sobre-humanas e muita ferocidade à mistura. Não é um clássico duelo “chambara”, pois tal se torna incompatível com o estilo de Kitamura. E “estilo” é a palavra chave, como é apanágio do autor japonês. Os fãs mais puristas de Kitamura rejubilarão com o o duelo travado entre “Aragami” e o samurai, e sentir-se-ão finalmente recompensados por uma espera que reputarão de longa. Se não são masoquistas, neste caso em concreto, mais vale carregar o botão “forward” do vosso leitor de dvd, e avançar logo para o electrizante duelo final. Os restantes, poderão apreciar a “agradável” argumentação travada entre os dois oponentes da história, e no fim, também não ficarão defraudados com as estonteantes cenas de acção.

Com interpretações aceitáveis, de Osawa, Kato e até de uma silenciosa/tenebrosa Uotani, “Aragami” está longe de ser uma película de antologia. Contudo, a sua abordagem interessante nos diálogos dos intervenientes, a atmosfera negra e sufocante, para além do “stand off” final, valerá uma espreitadela descomprometida. Se não ficarem satisfeitos, também não perderão muito tempo. Este “chambara” de Kitamura não chega a oitenta minutos, portanto...

Luta 2

Combate”

imdb Nota: 6.7/10 (1.218 votos) em 12/01/2010

  1. Cinedie Asia
  2. Royale With Cheese

Avaliação:

Entretenimento – 8

Interpretação – 7

Argumento – 7

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 8

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 7,50

domingo, outubro 28, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Como já é habitual semanalmente, seguem mais 4 insignes contendores nas votações que estão a decorrer neste espaço:
Lucy Liu

Informação

Não existem filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies"

Kwon Sang-woo

Informação

Não existem filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies"

Maggie Q

Informação

Não existem filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies"

Tak Sakaguchi

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Shinobi: Heart Under Blade, Azumi, a Assassina, Azumi 2: Amor ou Morte, Versus - A Ressurreição



terça-feira, junho 05, 2007

Versus - A Ressurreição/Versus - ヴァーサス (2000)

Origem: Japão

Duração: 116 minutos

Realizador: Ryuhei Kitamura

Com: Tak Sakaguchi, Hideo Sakaki, Chieko Misaka, Kenji Matsuda, Yuichiro Arai, Minoru Matsumoto, Kazuhito Ohba, Takehiro Katayama, Ayumi Yoshihara, Shoichiro Matsumoto, Toshiro Kamiaka, Yukihito Tanikado, Hoshimi Asai, Ryosuke Watabe, Motonari Komiya

Considerações introdutórias

As personagens do filme “Versus – A Ressurreição” não possuem nomes que as identifiquem, e apenas o herói da estória, interpretado por Tak Sakaguchi, tem uma breve referência como o “prisioneiro KSC2-303”. Tal poderá levantar dificuldades na leitura da sinopse, mas tentaremos dar o nosso melhor, como de costume.

"O prisioneiro KSC2-303"

Estória

Há 500 anos atrás, na “Floresta da Ressureição”, um jovem samurai luta contra um bando de zombies, conseguindo leva-los de vencida com a sua “katana”. A vitória não dura muito, pois o guerreiro depara-se com uma estranha personagem (Hideo Sakaki) que o assassina impiedosamente. Tudo isto é assistido com atenção por outro samurai (Tak Sakaguchi).

De volta ao presente, dois condenados fogem da prisão, e embrenham-se numa estranha floresta, tendo em vista alcançarem um grupo de yakuzas que os ajudem a completar a fuga. Os gangsters esperam pelos foragidos, mas recusam-se a arredar pé, enquanto o chefe não chega. Um dos prisioneiros, “KSC2-303” (de novo Tak Sakaguchi), envolve-se numa altercação com os yakuzas, devido a uma rapariga (Chieko Misaka) que estes raptaram e decide, sem mais, fugir com ela pela misteriosa floresta. Os yakuzas não se deixam ficar e resolvem ir no encalço dos jovens.

"O líder Yakuza recruta uma das suas apaniguadas"

Cedo o casal descobre que a floresta tem os seus tenebrosos segredos, encontrando-se infestada de zombies sedentos de sangue. O número de mortos-vivos aumenta exponencialmente, à medida que a matança grassa, e os falecidos acordam completamente alterados.

Quando o chefe Yakuza (outra vez Hideo Sakaki) finalmente chega ao local, segredos imemoriais começam a ser desvendados, e a verdade começa a vir à tona, estando intimamente ligada a um portal para um mundo paralelo que se encontra na floresta, e a um verdadeiro duelo imortal em que são intervenientes principais “KSC2-303” e o líder dos gangsters, constituindo a rapariga a chave essencial para a resolução da trama.

"Um dos adversários que o casal perseguido tem de enfrentar"

"Review"

Com um misto de litros de sangue a jorrar, toneladas de violência gratuita, comédia q.b., zombies, uma floresta sinistra e misticismo a rodos, chega-nos um dos verdadeiros itens cinematográficos de culto do reino do sol nascente, “Versus – A Ressurreição”. Sob a chancela do competente realizador Ryuhei Kitamura, responsável, entre outros, por “Aragami”, “Azumi, a Assassina” e “Godzilla: Final Wars”, obtemos um filme que nos deixa sem fôlego quase do princípio ao fim.

“Versus” tem o condão de congregar os amantes de vários estilos cinematográficos distintos, que vão desde o puro “gore”, a acção, as artes marciais, ao “chambara”, o oculto, etc. No entanto, devido à sua grande versatilidade e porventura a uma perigosa e pouco ortodoxa fusão de géneros, poderá afastar os mais tradicionalistas do seu visionamento. Quanto a mim, tenho a dizer que agradou de sobremaneira!

As cenas de luta são de ver e chorar por mais, quer se consubstanciem em trocas de golpes de espada ou de “pancada” à moda antiga (com auxílio de alguns guindastes admita-se), ou duelos infernais de tiroteio “à John Woo” em que as balas parecem nunca acabar. Não amiúde acontece tudo ao mesmo tempo, ou seja, katana, punhos, pés e balas! Estamos pois, de certa forma, perante um verdadeiro “Gun-fu”, se me é permitida a designação.

"Matança"

A caracterização das personagens encontra-se bastante boa, e só não vai mais além, pois em certos momentos podemos nos aperceber que estamos perante um filme que não teve um orçamento desafogado. Mesmo assim, os zombies estão aterradores quanto baste, e o dinheiro que havia deve ter ido metade para comprar litros e litros de sangue falso!

O guarda-roupa está muito “cool”, com o negro e o cabedal a marcarem a presença dominante, num registo que se assemelha a uma trilogia dos irmãos Wachowski que todos nós bem conhecemos. O cenário resume-se praticamente a uma floresta que parece ter sido retirada de “Blair Witch”, e que se assume como um fundo verdadeiramente claustrofóbico, apesar de ser um espaço aberto e ao ar livre. A certa altura ficamos com a sensação que só existe a vegetação, as personagens e absolutamente nada mais!

A banda-sonora consiste sobretudo em música electrónica, muito estilo “techno”, rápido o suficiente para acentuar as partes de acção. As melodias tradicionais marcam igualmente a sua presença, nos recuos da estória até ao Japão feudal. Contudo, o realce aqui vai para os sons de fundo que acompanham o deambular das personagens pela “Floresta da Ressurreição”, que fazem aumentar o sentimento de reclusão e de suspense.

O fim revela uma grande surpresa, e mais não digo!

Este misto de “Evil Dead”, Highlander”, Matrix” e sei lá mais o quê, convém não perder!

"O duelo final"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Esta crítica encontra-se igualmente disponível "on line" em ClubOtaku

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,13





segunda-feira, agosto 28, 2006

Azumi 2: Amor ou Morte/Azumi 2: Death or Love (2005)

Origem: Japão

Duração: 112 minutos

Realizador: Shusuke Kaneko

Com: Aya Ueto, Yuma Ishigaki, Chiaki Kuriyama, Shun Oguri, Tak Sakaguchi, Kenichi Endo, Mikijiro Hira

"Azumi"

Alerta

Antes de começar a ler o texto, aviso que alguns aspectos de "Azumi, a Assassina", a primeira parte da saga de "Azumi", serão aqui revelados, pelo que só deve prosseguir caso tenha visto este filme.

"Nagara, Azumi e Kozue"

Estória

Depois de em "Azumi, a Assassina", a nossa heroína ter morto dois dos três nobres do clã Toyotomi que pretendiam opôr-se ao Xógun dos Tokugawa, em "Azumi 2..." podemos observar a missão que visa assassinar o terceiro senhor da guerra chamado "Masayuki Sanada".

A estória começa propriamente dita com "Azumi" e o seu único amigo sobrevivente "Nagara" a escaparem por pouco a uma emboscada levada a cabo pelo furioso "Kanbei", um dos inimigos fidagais dos jovens, e um grupo de ninjas.

Posteriormente os dois assassinos são convocados por "Lord Tenkai", que os tenta demover da missão de assassinar "Sanada", atendendo a que este está muito bem guardado por um grupo de ninjas com poderes fora do normal, os Koga, ancestrais inimigos dos Iga que por sua vez estão do lado de "Tenkai" e dos "Tokugawa".

Acontece que "Azumi" e "Nagara" em honra da missão que lhes foi confiada pelo falecido mestre, e relembrando os enormes sacrifícios que fizeram, recusam-se terminantemente a desistir dos seus intentos. Tendo em vista o auxílio à demanda, os Iga enviam "Kozue", uma jovem ninja que acompanha "Azumi e "Nagara".

No caminho para o monte "Kudo" (onde está localizado o alvo "Sanada"), "Azumi" encontra um grupo de bandidos com bom coração, cujo irmão do líder é exactamente igual a "Nachi", o amor de "Azumi", que esta foi obrigada a assassinar no primeiro filme.

Conseguirá "Azumi" lidar com os seus sentimentos, e ao mesmo tempo cumprir a missão que lhe foi confiada?

"Azumi prepara-se para enfrentar um inimigo"

"Review"

Antes de tudo e correndo o risco de antecipar em muito a conclusão, tenho a dizer que "Azumi 2..." é um filme interessante, inclusive passivel de ser catalogado de bom, mas está uns furos abaixo do seu antecessor.

A atmosfera é em tudo semelhante a "Azumi, a Assassina", embora desde logo falte um vilão com carisma suficiente que de brilho à rapariga. Mais concretamente sente-se a ausência de um "Bijomaru Mogami". Não quero com isto afirmar que os ninjas de Kouga não sejam bons adversários, indo a minha preferência neste particular para "Roppa", um gigante que parece ser decalcado do anime de culto "Ninja Scroll, o Mercenário". A tal facto não será alheio a presença de Yoshiaki Kawajiri como autor da estória de "Azumi 2...". Caso não saibam, Kawajiri é o realizador de "Ninja Scroll". Voltando aos vilões, falta a crueldade alucinada de "Bijomaru"! Se calhar já sou eu que estou mal habituado!

Um "furo abaixo" que o filme possui passa pela própria figura de "Azumi". Já na crítica que fiz ao primeiro filme, tinha afirmado que Aya Ueto possuia o condão de a nível da representação dar um ar muito ingénuo, mas ao mesmo tempo mortal à figura da assassina, o que era francamente positivo. Mas igualmente tinha chamado à atenção para o facto de ficarmos com a sensação que "Azumi" não era tão grande espadachim quanto isso e que não amiúde se tinha recorrido a várias técnicas para disfarçar o "handy-cap" da rapariga. Neste filme, ainda mais do que no primeiro, atrevo-me a dizer que "Azumi" parece uma verdadeira desastrada, sem um verdadeiro domínio da "katana", e que se um dos maus se esforçasse verdadeiramente despachava a rapariga em três tempos!

"Luta com um dos super ninjas dos Koga"

"Azumi 2..." tem bastantes cenas de luta, com a costumeira profusão de sangue e golpes rápidos e certeiros. Destaco em especial as sequências em que intervem o ninja "Roppa", com a sua fantástica lança-bomerangue. No entanto, há uma nítida preocupação em mostrar uma "Azumi" interessada nos seus aspectos mais íntimos e pessoais. Tal é ainda mais instigado pela sua relação com "Ginkaku", o rapaz bastante semelhante ao falecido "Nachi". E é com base nisto que por vezes a película envereda por devaneios inúteis e que só nos fazem perder tempo. O drama aqui mais profuso, não é tão bem conseguido como no primeiro filme, que possuia menos, mas mais bem feito.

"Azumi 2: Amor ou Morte", é uma longa-metragem bem intencionada, com pormenores deliciosos, mas como já foi várias vezes referido, não atinge o nível do seu antecessor. No entanto será um filme a ver para os fãs e não só desta figura de "manga".

Igualmente é preciso aproveitar o facto de haver uma edição nacional, e inclusive um "pack" que nos dá a oportunidade de adquirir os dois filmes de uma só vez.

Com interesse!

"Violenta golpe lançado sobre Lord Sanada"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Esta crítica encontra-se igualmente disponível "on line" em ClubOtaku

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,38



sábado, abril 29, 2006

Azumi, a Assassina/Azumi (2003)

Origem: Japão

Duração: 123 minutos

Realizador: Ryhuei Kitamura

Com: Aya Ueto, Shun Oguri, Hiroki Narimiya, Kenji Kohashi, Takatoshi Kaneko, Yuma Ishigaki, Yasuomi Sano, Shinji Suzuki, Eita Nagayama, Shogo Yamaguchi, Kazuki Kitamura, Kenichi Endo, Kazuya Shimizu, Ryô, Jô Odagiri, Tak Sakaguchi

"Azumi"

Estória

No alto de uma montanha situada numa das zonas mais recônditas do Japão, dez jovens são treinados desde crianças por um mestre samurai, tendo em vista tornarem-se em perfeitos assassinos. De entre estes adolescentes encontra-se uma rapariga chamada "Azumi", a mais dotada de todos os aprendizes graças à sua velocidade de movimentos e à apurada técnica no manejo da espada.

O objectivo desta preparação passa pelos jovens matarem 3 senhores da guerra que ameaçam o poder do Xógun Tokugawa, por forma a evitar uma sangrenta guerra civil no Japão.

Após matarem o primeiro nobre sem grande dificuldade, "Azumi" e os seus companheiros começam a se questionar acerca da razão de ser da sua missão e da justeza da mesma. Entretanto, o segundo alvo descobre as intenções dos Tokugawa e a missão dos adolescentes, e decide enviar os seus homens para por termo à vida dos guerreiros.

Cabe agora a "Azumi" e aos seus companheiros decidirem se fogem, ou se pelo contrário, enfrentam os inimigos e levam a missão de que foram incumbidos até ao fim.

"O cruel e alucinado Bijomaru"

"Review"

"Azumi, a Assassina" é acima de tudo um filme de samurais, num estilo popularizado sobretudo pelo grande mestre Akira Kurosawa, embora com uma vertente muito mais contemporânea, circunstância a que não é alheia o facto de ser baseado numa popular "manga" (palavra usada para designar as estórias em quadradinhos japonesas e o seu próprio estilo de desenho).

O filme não tem praticamente momentos mais lentos, sendo a acção uma constante, conjugada com um ou outro momento mais sentimental ou filosófico. Desde já se elogia a competente realização e envolvência criada por Kitamura, o autor de "Versus".

Embora "Azumi" seja a personagem central do filme, elogia-se o desenvolvimento das restantes personagens, notando-se um cuidado extremo neste aspecto. Atentemos agora às duas figuras mais interessantes, começando pela dita rapariga.

Esta mulher tem tanto de implacável assassina, como da ingenuidade e fragilidade que costumamos associar a uma criança, ou a uma pessoa que tem um realtivo desconhecimento do mundo. Ela mata os seus adversários com uma frieza implacável, ao mesmo tempo que enverga um olhar inocente e por vezes melancólico, que é emanado com uma naturalidade impressionante. É sem dúvida uma personagem com "un je ne se quois" belo e irresistível, porque consegue reunir e harmonizar características tão díspares.

Verdadeiramente fenomenal é a figura de "Bijomaru Mogami", interpretado por Jô Odagiri, o actor que deu vida posteriormente a "Gennosuke" em "Shinobi: Heart Under Blade". Até hoje nunca vi um vilão de um filme que sequer se aproximasse a esta personagem. Um samurai calculista, mas ao mesmo tempo completamente louco, com laivos de demência que roçam a comicidade. Exemplo disto é uma cena em que "Azumi" está em acesso combate com os homens que estão do lado de "Bijomaru", levando-os de vencida aos poucos, e aquele dá pulos de contente, gritando histericamente de contentamento por ter um adversário à sua altura. "Bijomaru" possui igualmente uma indumentária muito sugestiva, usando uma túnica de um branco singélico, fazendo questão de andar sempre com uma rosa de cor vermelho-sangue, que faz questão de atirar para os corpos defuntos dos oponentes. Os meus parabéns ao argumentista e aos responsáveis pelo guarda-roupa e pela caracterização. Simplesmente espectacular!

"O samurai Kanbei"

Os combates são à boa maneira dos samurais. Curtos e cheios de sangue, sem muito espaço para "golpes para a fotografia". As coisas resolvem-se "à bruta e sem contemplações".

O grande senão do filme passa pela própria figura de "Azumi". Assim como reafirmo os elogios que fiz acima, nomeadamente a incrível naturalidade com que Aya Ueto reúne características tão opostas e belas, forçosamente também tenho que dizer que a actriz não me convenceu quanto ao resto. Passo a explicar.

Supostamente "Azumi" é uma assassina quase perfeita, dotada de um manejo da espada praticamente sem par. Ora quando vemos a rapariga em combate, ficamos por vezes com a sensação que ela não é tão dotada assim, e que percebe tanto de luta com a "katana", como eu ou a maior parte das pessoas que estão a ler este texto. Nota-se que o realizador tentou disfarçar este aspecto, recorrendo a uns efeitos que aumentam a velocidade dos seus golpes, ou então fazendo com que os adversários da jovem façam movimentos idiotas, quase como se estivessem a pedir para serem mortos.

De qualquer forma, e tirando um ou outro senão, considero "Azumi, a Assassina" um bom filme, praticamente ao mesmo nível de qualidade que o seu conterrãneo "Shinobi: Heart Under Blade". Tem como grande mérito fazer uma muito razoável adaptação de uma manga, transformando Aya Ueto num verdadeiro ídolo juvenil no Japão.

Atendendo ao sucesso do filme e ao seu epílogo, teve direito a uma sequela intitulada "Azumi 2: Amor ou Morte".

"Azumi numa luta desigual...para os oponentes!!!"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Esta crítica encontra-se igualmente disponível "on line" em ClubOtaku

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Banda-sonora - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M" - 8

Classificação final: 7,75






terça-feira, abril 25, 2006

Shinobi: Heart Under Blade (2005)
Origem: Japão
Duração: 100 minutos
Realizador: Ten Shimoyama
Com: Jô Odagiri, Yukie Nakama, Erika Sawajiri, Tomoka Kurotani, Kippei Shina, Takeshi Masu, Mitsuki Koga, Tak Sakaguchi, Houka Kinoshita, Shun Ito, Riri, Minoru Terada, Masaki Nishina, Toshiya Nagasawa, Yutaka Matsushige, Renji Ishibashi, Kazuo Kitamura.


"Gennosuke e Oboro"

Considerações pessoais
Ora aqui vou falar de um filme que considero especial por algumas razões, desde a edição que possuo ter o menú todo em japonês, o que me deu o cabo dos trabalhos, mas após várias tentativas, lá consegui dar com o abençoado "subtitles in english". Para além disso, esta película serviu parcialmente de inspiração para o nome deste "blog": Shinobi-My Asian Movies.
"O-Gen, líder dos Iga e avó de Oboro"

Estória

Em 1614 da nossa era, o Japão está pacificado pelo grande Xógun "Tokugawa". No entanto, subsistem ainda sinais da prática da arte da guerra, representados sobretudo por dois clãs de ninjas, os Iga e os Koga, que são inimigos fidagais. Estas facções estão proibidas de lutar directamente uma contra a outra, devido a um decreto com 400 anos, emanado pelo primeiro "Hattori Hanzou", o líder máximo de todos os ninjas.

Acontece que um dia "Oboro", a neta da chefe dos Iga, encontra "Gennosuke", neto do chefe dos Koga, a meditar à beira de um rio, e instantaneamente nasce um amor proibido. Apesar de se amarem secretamente, as coisas complicam-se imenso na sequência de um determinado evento que ocorre no castelo Sanju, casa do Xógun "Tokugawa".

Danjou, chefe dos Koga, e O-Gen, líder dos Iga, são chamados pelo Xógun, para serem informados que o tal decreto que proibia os clãs de lutarem entre si tinha sido revogado, e foi-lhes ordenado que escolhessem os 5 melhores guerreiros de cada lado, tendo em vista lutarem até à morte. O prémio era a escolha do sucessor de "Tokugawa".

A inusitada decisão do Xógun, surge na sequência da influência negativa do herdeiro de "Hattori Hanzo" e do ministro "Yagyu", que temem de sobremaneira as capacidades fantásticas e incríveis dos ninjas, e chegando à conclusão que o melhor a fazer é engendrar uma forma que leve os guerreiros a matarem-se uns aos outros.

É no meio deste cenário de guerra entre os Iga e os Kouga, que o amor de Gennosuke e Oboro terá de sobreviver ou morrer...

"Danjou, líder dos Koga e avô de Gennosuke"

"Review"

"Shinobi: Heart Under Blade é baseado numa série de anime muito popular no Japão chamada "Basilisk", e constitui nada mais, nada menos, que o "Romeu e Julieta" dos filmes de artes marciais. Há que reconhecer sem dúvida que o romantismo inerente a esta película é deveras cativante.

De um lado temos um homem ("Gennosuke") que, embora muito circunspecto, revela sempre uma grande esperança que tudo vai dar certo com a sua paixão, para além de condenar vivamente a própria natureza dos ninjas, que é matar e fazer guerra, revelando-se um pacifista e indo contra a corrente e a tradição. Isto não quer dizer que "Gennosuke" não lute fabulosamente e não retalie quando não seja preciso, conforme podemos constatar algumas vezes no filme.

"Oboro", uma bela rapariga, apesar de completamente enamorada, por outra via adopta uma postura mais pessimista e porventura realista, ilustrada por uma frase que diz mais do que uma vez: "We'll be together only in our dreams." Só não desmoraliza completamente, devido à atitude persistente de Gennosuke, indo retirar a este a sua força interior.

"Koshiro (Koga) Vs. Yashamaru (Iga)"

Não pensem que estamos perante um clássico filme de ninjas, em que as personagens andam com aqueles fatos negros, de cara tapada, a atirar "shurikens" (as estrelas de ferro) uns aos outros. Nada disso! As personagens principais vestem adereços normais da época, e nem por este motivo deixam de ser ninjas. Os tais "homens de negro" só marcam a sua presença uma única vez, sendo "despachados" por "Gennosuke" em poucos minutos.

Para não variar a fotografia e as paisagens não são menos do que óptimas. As personagens por sua vez são interessantíssimas, cada uma com as suas habilidades muito próprias, o que faz com que aconteçam combates espectaculares. Estou-me a lembrar particularmente do combate entre "Koshiro", um ninja de Koga, que tem como ponte forte a capacidade de atirar várias projectéis de ferro ao mesmo tempo, para além de ser dotado de uma agilidade fabulosa, e "Yashamaru", um ninja dos Iga, que é uma espécie de "Homem-Aranha" (é a melhor analogia que consigo arranjar de momento), dotado igualmente de incríveis capacidades acrobáticas, possuindo umas cordas que lhe saem das mangas do "Kimono", servindo para projectar os adversários contra o chão, paredes, árvores, etc.

Escusado será dizer que os mais fortes são o casal de apaixonados. "Oboro" domina a terrível técnica dos "Olhos da Destruição", que faz com que o infeliz que tenha o azar de fitar o olhar da rapariga, sinta o seu corpo ser verdadeiramente implodido. A arte de "Gennosuke" por seu lado foi mais complicada de discernir, mas passa por ter o poder de paralisar os adversários, assim como voltar contra eles os seus próprios ataques.

No entanto, desde já se alerta que "Shinobi: Heart Under Blade" não é um filme de acção exagerada. Trata-se sobretudo de uma estória de amor, e de alguém que questiona-se acerca da violência reinante e porquê a mesma tem que impedir coisas tão boas como a completa paz e a satisfação dos sentimentos belos da vida. Mas o conturbado Japão feudal de facto revela-se um inimigo difícil de bater.

Como "não há bela sem senão", a principal fragilidade desta película passa sem dúvida pela curta duração do filme, apenas 1 hora e 40 minutos aproximadamente. Com um manancial de personagens, que poderiam ser mais desenvolvidas, tanto nos seus aspectos pessoais, como até nas suas próprias habilidades de luta, o que nos é presenteado acaba por saber a pouco. Eu por exemplo, adoraria saber muito mais acerca de "Tenzen", o suposto ninja imortal dos Iga, e da sua relação com "Kagero", a ninja dos Koga que expele veneno. Embora estes personagens ajam como verdadeiros desconhecidos, a sua proximidade, mesmo na inimizade, fez-me sempre pensar que haveria algo mais. O mesmo pensei em relação aos líderes dos clãs, "Danjou" e "O-Gen". Bem, parece que terei mesmo é que arranjar maneira de obter a série de anime. Sabe a pouco, e o espectador que tem sede, não tem por onde beber... Duas horas e meia precisavam-se, para o que se pretendia fazer!!!

Uma palavra final para uma cena existente quase no final do filme, protagonizada por "Oboro" perante o Xógun "Tokugawa". Foram raras as vezesque o meu coração quase gelou perante a magnificiência de uma imagem, em conjugação com a música de fundo. Embora depois pense que era óbvio que ela ia tomar aquela atitude, não deixa de nos emocionar e de nos fazer sentir consideração por tão altruísta actuação (Não, não, não, ela não morre!).

Um bom filme sem dúvida, embora deixe aquela raiva do pouco desenvolvimento argumentativo!

"Gennosuke em acção"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Clubotaku, Daiblog, Bitlogger, Conexão Oriente, Cinema ao Sol Nascente

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 8

Guarda-roupa e adereços - 9

Banda-sonora - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação Final: 8

"Um amor destinado à tragédia"