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domingo, setembro 30, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Outros quatro ilustres actores e actrizes asiáticos que estão a votação no "My Asian Movies":

Brigitte Lin
Sammo Hung

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Os Guerreiros da Montanha, Os Guerreiros da Montanha - versão 1983

Takako Matsu

Informação

Filmes em que participou, criticados no My Asian Movies": April Story, A Espada do Samurai

Hiroyuki Sanada

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": The Promise, Ring - A Maldição



domingo, fevereiro 25, 2007

A Espada do Samurai/The Hidden Blade/Kakushi ken oni no tsume (2004)

Origem: Japão

Duração: 132 minutos

Realizador: Yôji Yamada

Com: Masatoshi Nagase, Takako Matsu, Yukiyoshi Ozawa, Hidetaka Yoshioka, Min Tanaka, Tomoko Tabata, Ken Ogata, Nenji Kobayashi, Reiko Takashima, Chieko Baisho, Sachiko Mitsumoto

"O samurai Munezo Katagiri"

Estória

No Japão do Séc. XIX, dois samurais chamados "Munezo Katagiri" (Masatoshi Nagase) "Samon Shibada" (Hidetaka Yoshioka) despedem-se do seu grande amigo "Yaichiro Hazama", que está de partida para Edo, onde irá assumir uma posição importante no seu clã. Posteriormente, os dois companheiros dirigem-se para a casa de "Katagiri", tendo em vista acertar o casamento da irmã deste "Shino" (Tomoko Tabata) com "Shibada". Num almoço alegre, o enlace é acordado sobre os mais esperançosos auspícios.

Na casa de "Katagiri", vivem igualmente a mãe do samurai e a sua serva, uma rapariga chamada "Kie" (Takako Matsu), pertencente a uma casta inferior. "Kie" cresceu numa quinta, e vive com a família "Katagiri", tendo em vista aprender os afazeres domésticos, por forma a que possa arranjar um bom casamento e elevar um pouco a sua parca condição social.

"Kie"

Três anos depois muita coisa mudou. "Shibada"casou com "Shino", a mãe de "Katagiri" faleceu, e "Kie" casou com o herdeiro de uma abastada família de comerciantes. Um dia, "Katagiri" encontra "Kie", com um aspecto bastante diferente. Ela encontra-se muito mais magra e abatida, o que leva "Katagiri" a pensar, e com razão, que a rapariga anda a ser maltratada pela família do marido. Posteriormente chega ao conhecimento do samurai que "Kie" adoeceu gravemente, o que o faz enfurecer. Ele resgata-a do seu degredo social, leva-a de novo para a sua casa e trata do divórcio de "Kie". Esta recupera da sua maleita, e volta a ser a serva fiel de "Katagiri", providenciando por todo o bem estar da sua residência.

Não tarda muito que a felicidade do casal seja ameaçada por dois cruéis eventos.

O primeiro prende-se com os rumores emergentes que espalham o boato de "Kie" ser amante de "Katagiri", provocando um certo escândalo, atendendo a que a rapariga é de uma casta inferior à do samurai, facto imperdoável no clima social do Japão de então. Isto faz com que "Katagiri" seja obrigado a enviar "Kie" para a quinta dos pais, provocando um desgosto enorme a ambos.

O segundo acontecimento está relacionado com o amigo de "Katagiri" que partiu anos antes para Edo. Pelos vistos, "Hazama" envolveu-se numa conspiração ao mais alto nível, sendo preso e posteriormente evadindo-se, tomando como reféns um agricultor e a sua filha. O clã ordena a "Katagiri" que mate "Hazama", pois ambos foram alunos do lendário samurai "Kansai Toda" (Min Tanaka), sendo "Katagiri" considerado o único capaz de levar a missão a "bom porto".

Dividido pela amizade e pela honra, devastado pela possível perda do seu amor, "Katagiri" vê-se envolvido num enorme dilema interior que o leva a tomar as decisões mais importantes da sua vida.

"Nos bons tempos"

"Review"

"A Espada do Samurai" constitui o segundo episódio da aclamada trilogia do respeitado realizador japonês Yôji Yamada, sob a chancela da produtora Shochiku. O primeiro filme da "trilogia samurai" de Yamada, chamado "A Sombra do Samurai", resultou num grande sucesso, tendo ganho 12 "Japan Academy Film Awards" e inclusive obtido uma merecida nomeação para o óscar de melhor filme estrangeiro, na edição dos prédios da academia de Hollywood referente ao ano de 2004.

O que desde logo fascina nos filmes de Yamada é que, ao contrário do que os títulos das películas possam indicar, não estamos perante as normais longas-metragens de "chambara" ou "jidai geki", mas antes deparamo-nos com películas que têm uma componente dramática muito maior, em detrimento da acção violenta e realista dos combates. Yamada preocupou-se sobretudo em expôr as fragilidades emocionais dos míticos guerreiros, tentando humanizá-los ao máximo e situá-los na sociedade tremendamente feudal do Japão. Do ponto de vista estritamente histórico, as obras de Yamada são bem capazes de ser as que nos elucidam melhor acerca da vivência dos samurais.

A estória de "A Espada do Samurai" situa-se numa época de grande confrontação e celeuma entre o antigo modo de vida dos samurais, e a modernização do império nipónico, que no filme é abordada essencialmente nos seus aspectos militares. Porventura, o caro leitor estará a pensar neste momento que já viu este tema abordado em algum sítio. Tem toda a razão, pois o "blockbuster O Último Samurai" de Edward Zwick, com Tom Cruise e Ken Watanabe como principais protagonistas, assentava sobretudo nesta ideia de choque da cultura japonesa com a ocidental. Em "A Espada do Samurai", o mesmo tema é dissecado de uma maneira mais refinada, embora muito menos espectacular.

Não pensem igualmente que, tal como a tradução portuguesa indicia, o filme tem por pano de fundo alguma espada sagrada, perdida, invencível ou qualquer coisa deste género. Ele refere-se a uma técnica de esgrima denominada "lâmina escondida" (aqui a tradução inglesa foi manifestamente mais feliz), muito efectiva em combate e ensinada pelo mestre "Kansai Toda" a "Katagiri".

"Katagiri é obrigado a lutar até à morte com o seu amigo renegado Yaichiro Hazama"

Fiel ao escopo dos seus filmes de samurais, como já foi anteriormente aludido, Yamada dá o enfoque sobretudo à vida social de "Katagiri", às escolhas que forçosamente tem de fazer face à sua situação de samurai de baixa condição, sem contudo ser um "ronin", e por esse mesmo motivo ligado a um senhor a quem deve a mais estrita obediência. No entanto, os famosos guerreiros já não são o que eram, e muita corrupção e falta de sentido de honra grassa e mancha o outrora quase imaculado código dos samurais. Quando "Katagiri" se apercebe deste aspecto, coloca em dúvida as suas próprias convicções, e sem pôr em causa o seu sentido de dever e lealdade perante o clã, acaba por tomar a atitude mais certa perante a sua consciência pessoal: liberta-se da casta a que a sua família pertenceu durante gerações.

As comparações com o primeiro filme da série de Yamada são inevitáveis. Quem viu "A Sombra do Samurai", terá de concluir inevitavelmente que existe aqui uma repetição de vários aspectos do argumento. A relação entre "Katagiri" e "Kie" é bastante similar ao amor de "Seibei" e "Tomoe"; ambos os protagonistas dos filmes são samurais de baixa condição, com problemas financeiros; ambos recebem ordens para matar um rebelde e renomado espadachim, ocorrendo ambas as lutas num ambiente de certa forma claustrofóbico; e claro está, ambos põem em causa tudo o que acreditaram até então, sendo forçados a tomar decisões que cortam completamente com o seu passado.

Atendendo à grande similaridade entre ambos os filmes, "A Sombra do Samurai" terá de levar inevitavelmente alguma vantagem, nem que seja pelo facto de ter sido o primeiro a aparecer. Isto não quer dizer que "A Espada do Samurai" não tenha os seus méritos e alguma individualidade própria. Mas o problema é mesmo esse. É "alguma"!

Constitui um filme merecedor de atenção, mas para quem se queira iniciar na melancólica trilogia de Yamada, mais vale respeitar a cronologia, ou seja, "A Sombra do Samurai" deverá ser a primeira obra a visionar.


"O expressar dos sentimentos de Katagiri e Kie"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Esta crítica encontra-se igualmente disponível "on line" em ClubOtaku

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 7,75




terça-feira, agosto 29, 2006

April Story/Shigatsu Monogatari (1998)

Origem: Japão

Duração: 67 minutos

Realizador: Shunji Iwai

Com: Takako Matsu, Seiichi Tanabe, Kazuhiko Kato, Kahori Fujii, Kae Minami, Kanji Tsuda


"Uzuki Nareno"

Estória

"Uzuki Nareno" é uma jovem que deixa a rural "Hokkaido" no extremo norte do Japão, para estudar na universidade situada na capital Tóquio.

Embora à primeira vista se pudesse pensar que a motivação principal da adolescente fosse a licenciatura, posteriormente nos apercebemos que a escolha da universidade e da cidade não foi inocente, pois "Uzuki" está apaixonada por um rapaz da sua terra natal, que se encontra precisamente a estudar na faculdade escolhida.

"O desespero da jovem Uzuki"

A adaptação à grande cidade não é fácil, atendendo a que "Uzuki" é extremamente tímida, embora possuidora de uma amabilidade a toda a prova. Chega a ser alvo da chacota dos colegas e assediada por um pervertido numa sala de cinema.

Aos poucos a vida começa a melhorar, com "Uzuki" a fazer os primeiros amigos e inclusive a aderir ao clube de pesca da universidade.

E encontra o tal rapaz a trabalhar numa livraria...

"Um calmo passeio de bicicleta"

"Review"

O ponto forte de "April Story" é sem dúvida a extrema simplicade e honestidade da estória e da representação dos actores.

Não podemos deixar de nos sentir cativados pela inocente "Uzuki" e o seu esforço em adaptar-se a uma realidade completamente nova, com pessoas que pouco lhe ligam, tudo em nome de um rapaz que mal sabia da sua existência na escola secundária.

O dia-a-dia da jovem é preenchido pelas coisas banais que todos os estudantes universitários fazem, com a grande excepção que "Uzuki" não tem muitos amigos e passa o dia a rondar a livraria onde o rapaz trabalha.

A ida ao cinema em que é assediada por um maníaco qualquer e a ignorância a que é votada pela vizinha da porta da frente, igualmente não contribuem para um início feliz da vida da rapariga em Tóquio. Os seus passeios de bicicleta acabam por ser um escape para esta difícil fase inicial.

No meu caso pessoal não pude deixar de sentir uma especial empatia com a situação de "Uzuki", pois eu também por motivos académicos tive que deixar o conforto da minha terra natal, a cidade do Funchal na ilha da Madeira, e deslocar-me para um meio diferente e maior, a capital do país Lisboa. E deparei-me com as dificuldades inerentes à situação, embora rapidamente tivesse conseguido ambientar-me e achar sinceramente que foram os melhores seis anos da minha vida, mesmo com os normais "altos e baixos"!

"A descoberta da livraria"

Voltando de novo à análise do filme, a rapariga aos poucos começa a integrar-se, muito devido a uma colega que de início gozava-a e posteriormente começa a criar uma certa empatia com "Uzuki". A entrada para o clube de pesca e a crescente confiança que começa a adquirir com a vizinha, contribuem decisivamente para que "Uzuki" se sinta melhor com a sua nova vida.

Como aqui já foi veiculado, a honestidade com que a estória de"Uzuki" nos é apresentada constitui o "must" do filme, e embora isto possa soar a contraditório, a simplicidade do enredo faz com que "April Story" acave por ser uma película pouco comum. Não esteja o caro leitor à espera dos costumeiros e intrincados enredos, com bandas-sonoras de puxar lágrima ao olho. Nada disso! Iwai quis contar uma estória simples e com pessoas que todos nós podemos fazer analogias com outras que fazem parte do nosso quotidiano.

E assim como a sempre presente simplicidade é o ponto forte desta película, acaba por outro lado por consubstanciar-se na sua principal fragilidade. O filme é curto demais, com apenas 67 minutos, foca-se única e exclusivamente em "Uzuki", não desenvolvendo em concreto nenhuma das outras personagens. Talvez seja o meu próprio gosto por filmes mais elaborados que faça com que eu não aprecie tanto "April Story" como gostaria.

De qualquer forma é um filme que se aconselha o visionamento.

"Um riso brilhante à chuva"

Trailer (Não encontrado - caso alguém tenha um link para o trailer deste filme agradecia que mo disponibilizassem), The Internet Movie Database (IMDb) link

Esta crítica encontra-se igualmente disponível "on line" em ClubOtaku

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,38