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sábado, abril 24, 2010

Crows Zero II/Kurôzu Zero II - クローズZERO 2 (2009)

Capa

Origem: Japão

Duração aproximada: 133 minutos

Realizador: Takashi Miike

Com: Shun Oguri, Takayuki Yamada, Meisa Kuroki, Kyôsuke Abe, Nobuaki Kaneko, Haruma Miura, Sosuke Takaoka, Ryohei Abe, Shinnosuke Abe, Gou Ayano, Shunsuke Daitô, Kaname Endô, Ken'ichi Endo, Goro Kishitani, Yutaka Matsushige, Kenta Kiritani, Yusuke Kamiji, Tsutomu Takahishi, Motoki Fukami, Suzunosuke

Genji 2

Genji”

Sinopse

Após os eventos de “Crows Zero”, “Genji Takaya” (Shun Oguri) tornou-se o líder quase incontestado do liceu Suzuran, embora não tenha ainda conseguido derrotar o solitário e poderoso “Rindaman” (Motoki Fukami). As coisas pioram quando “Sho Kawanishi” (Shinnosuke Abe), o antigo líder de Suzuran, é libertado do centro de detenção juvenil. A razão pela qual “Kawanishi” se encontrava detido foi o homicídio do líder do liceu Hosen, no meio de uma zaragata entre as duas escolas.

Serizawa com o restante do liceu Suzuram

Serizawa e os membros do liceu de Suzuran”

A liberdade de “Kawanishi” desfere um golpe mortal nas tréguas que se encontram estabelecidas entre Suzuran e Hosen, e estes últimos, aproveitando o facto de “Genji” não conseguir uma unidade completa entre os seus colegas, começam a desferir ataques concertados aos rivais. Hosen parece estar a levar de vencida a guerra, e “Genji” terá de empregar toda a sua capacidade para unir os alunos de Suzuran, incluindo a facção do seu rival “Serizawa” (Takayuki Yamada), de forma a poder retaliar em força.

Os alunos de Hosen

Os alunos de Hosen”

Review”

Dois anos após a realização de “Crows Zero”, e atendendo à grande popularidade que este filme granjeou principalmente entre a juventude nipónica, o polémico Takashi Miike retorna com a sequela, usando basicamente a mesma fórmula de sucesso da película predecessora. Aquando da realização do primeiro “Crows”, foi usada um sistema que à altura reputei de equilibrado para o que se pretendia. Eivado de uma dinâmica apelativa, “Crows Zero” longe de ser uma obra maior de cinema, é uma longa-metragem com uma aura muito apelativa para o espectador, principalmente para os que atravessam a fase mais rebelde da vida. A sua química contagiante e muito “cool”, fazia com que passássemos um bom bocado, sem recurso a qualquer tipo de intelectualidade forçada, ou dando margem para algum tipo de mensagem mais erudita, ou algo semelhante. É curto, é grosso, vai directo ao assunto, e ponto final! Também tem o seu lugar merecido, no maravilhoso e muito diversificado espectro da sétima arte. Como já foi dado a entender, aqui “Crows Zero II” não terá muito a seu favor a novidade. E como mantém praticamente o mesmo ritmo e assenta nas mesmas premissas, será mais do mesmo, o que não é propriamente um factor negativo.

Genji e o líder dos Hosen

Genji depara-se com Narumi, líder dos Hosen”

As centenas de socos e pontapés continuam a desfilar a sua saga brutal através do ecrã, e captam para si as maiores despesas a nível da emotividade e do ritmo de “Crows II”. Desta vez, já não temos a rivalidade a despontar furiosamente no liceu de Suzuran, como no primeiro filme. Agora os outrora adversários, “Genji” e “Serizawa”, têm de conjugar esforços para derrotar um inimigo comum e externo, que consegue igualmente ser ameaçador. E é aqui que algo de bastante positivo sobrevém, pois os principais elementos de “Hosen”, o liceu rival, conferem alguma espectacularidade e dimensão a esta longa-metragem. “Narumi”, o líder de “Hosen”, interpretado pelo cantor Nobuaki Kaneko, em muitas alturas de “Crows Zero II” revela ser um oponente à altura de “Genji”, tanto no carisma como na força de lutar e viver perigosamente. O psicopata efeminado “Urushibara”, a quem Gou Ayano dá vida, desponta muito bem no ecrã, revelando à primeira vista uma fragilidade enganadora, que na realidade é uma máquina de pancadaria sádica e brutal.

Muito mais não haverá a referir acerca de “Crows Zero II”, que já não tenhamos aludido a propósito do primeiro filme da saga. Mantém basicamente o mesmo registo do predecessor, ficando uns furos abaixo noutros aspectos. E sempre se poderá dizer que embora a banda-sonora muito dinâmica e emblemática se mantenha, os “Street Beats” brilhavam muito mais em “Crows Zero”. Superficial, mas sempre bem-vindo nos momentos de descontracção. Valerá a pena visuar num formato dois em um, “Crows Zero” seguido de “Crows Zero II”, numa tarde de domingo, ou em dias para descarregar raivas e frustrações!

Confronto

O confronto final”

imdb Nota 7.1 (482 votos) em 24/04/2010

Avaliação:

Entretenimento – 9

Interpretação – 7

Argumento – 6

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 9

Mérito artístico – 7

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 7,63

domingo, março 21, 2010

Last Life in the Universe/Ruang rak noi nid mahasan - เรื่องรัก น้อยนิด มหาศาล (2003)

Capa

Origem: Tailândia

Duração aproximada: 112 minutos

Realizador: Pen-Ek Ratanaruang

Com: Tadanobu Asano, Sinitta Boonyasak, Laila Boonyasak, Yutaka Matsushige, Riki Takeuchi, Takashi Miike, Yoji Tanaka, Sakichi Sato, Thiti Rhumorn, Junko Nakazawa

Kenji

Kenji”

Sinopse

“Kenji” (Tadanobu Asano) é um bibliotecário japonês, com tendências suicidas e uma mania obsessiva por limpezas, que vive em Banguecoque. O seu quotidiano sofre um abalo quando o seu irmão “Yukio” (Yutaka Matsushige), um “yakuza”, foge para a capital da Tailândia, de forma a escapar à ira do seu patrão, por ter dormido com a filha deste. “Yukio” esconde-se no apartamento de “Kenji”, e cai no erro de confiar em “Takashi” (Riki Takeuchi), uma decisão que lhe sai caro.

Noi 2

Noi”

“Kenji”, devido à insensatez do irmão, vê-se obrigado a fugir. O homem conhece “Noi” (Sinitta Boonyasak), uma típica rapariga vivida de Banguecoque, e pede-lhe para ficar na casa dela. Uma relação fora do normal começa a desenvolver-se entre o casal, algo que não podemos definir como amor ou amizade, mas quase como uma terceira via.

Casal

Apaixonados?”

Review”

Quando se junta um realizador com uma extrema sensibilidade como o tailandês Pen-Ek Ratanaruang, um enorme mestre da imagem como Christopher Doyle e um actor de notáveis predicados como Tadanobu Asano, estão reunidas as condições para obtermos um produto cinematográfico de elevada qualidade. Certo é que, infelizmente nem sempre é assim, como tive a oportunidade de partilhar no texto que elaborei a propósito de “Invisible Waves”. Contudo, no que concerne a “Last Life in the Universe”, o filme que me proponho agora a analisar um pouco, o resultado é francamente melhor. Esta obra fez furor em alguns certames de cinema ocorridos na Ásia e até na Europa, onde Tadanobu Asano viria a vencer um prémio na qualidade de actor, atribuído no Festival Internacional de Veneza – edição de 2003.

“Um dia o lagarto acordou, e apercebeu-se que estava sozinho nesta terra”. Assim começa o livro infantil japonês denominado “The Last Lizard”, e esta frase praticamente que dá o mote a “Last Life in the Universe”. Somos confrontados, através dos caminhos tortuosos da vida, com um casal, “Kenji” e “Noi”, que possuem personalidades bastante distintas. Ele é obsessivo com a correcta ordem das coisas, ela é espontânea e desliga-se de comportamentos que induzam a qualquer tipo de planeamento; ele é um maníaco da limpeza, ela vive num ambiente onde tudo se encontra por arranjar ou arrumar; ele é introvertido, ela adora falar, não tendo pejo em partilhar as suas experiências. No entanto, e desculpe-se o costumeiro “cliché”, os opostos atraem-se e isso que aqui acontece. Não se pense que estamos perante um argumento redutor e simplista, como o acima parece indicar e onde já tivemos oportunidade de observar em tantas obras de duvidosa qualidade. “Last Life in the Universe” é uma malha de pormenores e detém uma abordagem muito significativa e marcante da natureza humana.

Nid atropelada

Nid, a irmã de Noi, é atropelada”

Tadanobu Asano demonstra mais uma vez que é, sem margem para qualquer dúvida, que joga na divisão maior dos intérpretes asiáticos. Em “Last Life in the Universe”, o actor japonês irradia, como lhe é habitual, um carisma puro e dá azo a mais uma excelente actuação, entre as várias que constam no seu currículo. No papel do obsessivo “Kenji”, Asano consegue dar corpo a uma personagem fascinante que nos capta a atenção e desperta a curiosidade desde o início. E mais. Muito nos faz reflectir acerca de nós próprios, da pureza dos nossos sentimentos e das várias sensações que inundam a nossa mente, perante as mais diversas situações da vida. E de uma forma que, arriscaria a afirmar camaleónica, confunde-nos nas conclusões e faz-nos questionar acerca das motivações, tanto de “Kenji”, como até de nós próprios. O grande mérito da tailandesa Sinitta Boonyasak é conseguir uma química apreciável com Asano. Contudo, existe espaço para a actriz destilar uma saudável energia, em contraponto a um Asano mais filosófico e propositadamente tímido. E concluímos que nada de artificial é transmitido pela dupla, mas tudo do mais natural possível, como respirar, comer, dormir, olhar e, talvez, amar.

O realizador Pen-Ek Ratanaruang tem um instinto muito elevado para o detalhe, e isso é transposto completamente para a tela. O resultado do grande sentido de estética e sensibilidade de Ratanaruang, é a criação de um mundo à parte, semelhante a um sonhar acordado e de uma beleza brutal. Muito ajuda ser auxiliado por Christopher Doyle, um dos grandes responsáveis pelo opinião globalmente positiva que tenho acerca desta obra. A fotografia explanada, a cargo desta verdadeira lenda viva, é de uma beleza admirável e por vezes de tirar verdadeiramente a respiração, o que contribui para adensar ainda mais o ambiente que norteia “Las Life in the Universe”.

Não estamos perante uma clássica história de amor, ou melhor, nem sabemos se estamos perante uma história de amor, tal é o manancial de sensações incomuns que nos é dado a observar. É preciso reconhecer, de certa forma, que não estamos perante uma película de fácil apreensão, sendo dada a interpretações diversas. No entanto, não restam dúvidas que estamos perante um filme eivado de uma beleza muito singular. E embora entremos no domínio do contemplativo e da reflexão, “Last Life in the Universe” não é uma obra que reputemos de chata, ou que nos provoque uma súbita vontade em adormecer. Pelo exposto, só me resta aconselhar vivamente que vós, sem qualquer tipo de pruridos ou rodeios, embrenhem-se no mundo dos sentimentos e da beleza exteriorizada por esta longa-metragem competente de um dos melhores realizadores tailandeses da actualidade. Significativo e poético!

Lagarto

The last lizard on earth”

imdb 7,7/10 (5.322 votos) em 21 de Março de 2010

Outras críticas em português:

  1. Art is Fucking Dead
  2. bitlogger!

Avaliação:

Entretenimento – 7

Interpretação – 9

Argumento – 9

Banda-sonora – 7

Guarda-roupa e adereços – 7

Emotividade – 8

Mérito artístico – 9

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 8

Classificação final: 8

 

domingo, novembro 29, 2009

Crows Zero/Kurôzu Zero – クローズ (2007)

Capa

Origem: Japão

Duração aproximada: 130 minutos

Realizador: Takashi Miike

Com: Shun Oguri, Kyôsuke Abe, Meisa Kuroki, Takayuki Yamada, Sansei Shiomi, Ken'ichi Endô, Gorô Kishitani, Kenta Kiritani, Sousuke Takaoka, Yusuke Kamiji, Tsutomu Takahashi, Suzunosuke, Kaname Endo, Sunsuke Taido

Genji rodeado dos seus lugares-tenente

Genji rodeado dos seus lugares-tenente”

Sinopse

“Genji Takaya” (Shun Oguri) é um estudante que foi transferido para o liceu “Suzuran”, considerado a escola mais violenta de todo o Japão, onde “gangs” de estudantes digladiam-se constantemente pelo controlo do estabelecimento. Embora não domine todo o território, o estudante mais temido é “Tamao Serizawa” (Takayuki Yamada), que é conhecido pela sua especial ferocidade que emprega nas lutas, apesar do seu ar inocente. “Genji” começa a dar nas vistas quando sozinho derrota quatro Yakuza, e coloca sob o seu domínio uma das classes, anteriormente chefiada por “Chuta” (Suzunosuke).

Serizawa e o seu gang 2

Serizawa e o seu gang”

“Genji” cai nos bons auspícios do Yakuza “Ken” (Kyosuke Abe), que o aconselha da melhor forma a subir na hierarquia de “Suzuran”. O rapaz, juntamente com “Chuta”, começa a juntar correligionários e a unir facções rivais, de forma a poder ombrear com “Serizawa”. No desígnio, consegue cativar líderes de outras classes, tais como o alucinado, mas leal “Makise” (Takahashi Tsutomu) e o calculista “Izaki” (Sousuke Takaoka). Pelo meio, “Genji” apaixona-se pela bela “Ruka Aizawa” (Meisa Kuroki). “Seizawa” apercebe-se da ascensão de “Genji” no meio, e prepara-se para defender a sua supremacia. Um embate demolidor aproxima-se.

Ken Katagiri e os yakuza

Ken Katagiri e os companheiros yakuza”

“Review”

Baseado na popular manga shonen “Crows”, de Hiroshi Takahashi, o profícuo Takashi Miike faz uma incursão no mundo da juventude delinquente e rebelde, com muita acção e violência à mistura. Dizem os entendidos que o filme é uma fiel adaptação do espectro geral da banda-desenhada, embora se passe numa altura anterior ao enredo ali presente. Confesso que nunca tive a oportunidade de passar os olhos pela manga, pelo que neste particular abster-me-ei, dando tal facto por assente até prova em contrário. À altura, “Crows Zero” constituiu o maior sucesso de bilheteira do realizador, e não é difícil perceber porquê. Trata-se de uma obra muito comercial, cheia de ídolos dos adolescentes japoneses, dos quais se destaca o actor principal Shun Oguri, muito apreciado sobretudo pelo público feminino. A “comercialidade” deste filme levantou várias reticências na crítica e fãs mais puristas de Miike, não fosse o realizador encarado como um “enfant terrible” do actual paradigma cinematográfico nipónico.

O crescendo da fama de Miike, inclusive nos meios internacionais, implica naturalmente a atracção dos grandes estúdios e a possibilidade de obtenção de orçamentos acima da média. Embora existam uma grande diversidade de opiniões, no tocante ao relacionamento destes aspectos com o resultado final em “Crows Zero”, sempre irei pelo meio termo, correndo o risco de ser acusado de “uma fuga para a frente”, ou da resposta fácil. Sendo perceptível que a faceta de um maior número de potenciais apreciadores aumenta em “Crows Zero”, numa relação com anteriores obras de Miike, sempre se reconhecerá que alguns traços típicos do cinema do realizador como a abordagem frontal (embora não visceral) e violenta marcam a sua presença.

Luca Aizawa e Genji

Luca Aizawa e Genji”

Como já acima aflorei, “Crows Zero” é uma longa-metragem que lida com um tema que normalmente tem bastante aceitação no público, principalmente no mais jovem, que passa pela adolescência conturbada que degenera em violência, à semelhança de uma qualquer luta animal ou animalesca que vise a conquista de um grupo determinado. Sendo uma película a explodir de testosterona, sempre tem os seus momentos mais profundos, que passam sobretudo pelas delicadas relações entre os intervenientes. Mesmo assim, esta última premissa assume natureza de excepção. Quem aqui dita a lei são os punhos, com um exagero claramente requisitado, mas com uma capacidade de entretenimento muito elevada. As cenas de acção estão geralmente bem coreografadas, com aspectos claramente hiperbólicos onde são quebradas algumas leis da física, mas aceitáveis face ao espectro geral desta obra. Socos demolidores, pontapés que seriam capazes de deitar abaixo uma parede de tijolos, uma resistência à pancada fora do normal e afins. O aspirante a visionar “Crows Zero” irá deparar-se com um misto de realidade por vezes grotesca, com um enxerto algo fantástico, mas devidamente ali enquadrado.

O ambiente de banda-desenhada encontra-se bastante presente, com as caretas e trejeitos do costume a pontificar e que confere alguma comicidade ao filme. A banda-sonora acompanha fielmente toda a aura rebelde e “carpe diem” da película, com faixas que vão desde o hip-hop interpretado ao vivo pela actriz Meisa Kuroki, até ao “Punk Rockabilly” dos “The Street Beats”, de que recentemente dei conta aqui, colocando um vídeo de uma música que gostei particularmente, intitulada “Eternal Rock n' Roll”, e que ilustra o genérico final do filme.

Com actuações agradáveis de Shun Oguri e Cia., onde desponta muito mais o estilo “fixe” e de impressão à primeira vista, do que algum laivo de genialidade técnica, “Crows Zero” acaba por se revelar uma agradável proposta no segmento do entretenimento. Estará longe de constituir uma das obra de referência de Takashi Miike, mas atrairá imenso a generalidade do público pela sua irreverência. Afinal quem é que resiste a uma história de adolescentes rebeldes, a transbordar de carisma e onde cada dia é vivido como se fosse o último? Acrescente-se uns pequenos condimentos de romance, música da “desbunda”, uma pequena história Yakuza paralela, e o truque está feito.

Ideal para um domingo à tarde!

O liceu Suzuran

O liceu Suzuram”

imdb Nota 6.9 (1.024 votos) em 29/11/2009

Outras críticas em português:

  1. Cine Dewonny

Avaliação:

Entretenimento – 9

Interpretação – 7

Argumento – 7

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 9

Mérito artístico – 7

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 7,75

segunda-feira, maio 18, 2009

Sukiyaki Western Django/Sukiyaki Uesutan Jango - スキヤキ・ウエスタンジャンゴ (2007)

Origem: Japão

Duração: 98 minutos

Realizador: Takashi Miike

Com: Hideaki Ito, Masanobu Ando, Koichi Sato, Kaori Momoi, Yusuke Iseya, Quentin Tarantino, Renji Ishibashi, Yoshino Kimura, Takaaki Ishibashi, Teruyuki Kagawa, Toshiyuki Nishida, Shun Oguri, Masato Sakai, Hideaki Sato, Yoji Tanaka, Christian Storms

"O pistoleiro sem nome"

Sinopse

Numa vila algures perdida no Japão, denominada “Nevada”, dois grupos digladiam-se pelo controlo da região, tendo em vista encontrar uma fabulosa quantia em ouro. Os bandos são os “Heike”, que usam uma indumentária de cor vermelho-sangue, chefiados pelo maníaco “Kiyomori” (Koichi Sato) e os “Genji”, que envergam uma roupa branco-neve, e são dominados pelo perigoso e calculista “Yoshitsune” (Yusuke Iseya). A maior parte dos habitantes, atemorizados pelos delinquentes, abandonaram a povoação e os poucos que restaram vivem um dia-a-dia dominado pelo medo.

"Os Genji, liderados por Yoshitsune"

Certo dia, chega a “Nevada” um misterioso pistoleiro (Hideaki Ito) que oferece os seus serviços ao grupo que pagar mais. Entrando em desacordo com ambas as facções, o homem sem nome aproxima-se de “Ruriko” (Kaori Momoi), a dona do “saloon” da zona. Aqui, aprende a trágica história de “Akira”, o filho de “Ruriko”, um ex-membro dos “Heike” que se apaixonou por “Shizuka” (Yoshino Kimura), uma mulher do clã rival. O casal esperava que a sua união acabasse com um conflito sem sentido, mas “Akira” acaba por ser assassinado por “Kiyomori”. Em virtude desta situação, “Shizuka” retorna aos “Genji”, onde se torna a sua meretriz.

Após várias incidências, e depois de descobrir que “Ruriko” na realidade é uma lendária pistoleira supostamente desaparecida, ambos unem esforços para de uma vez por todas acabar com a tirania dos “Genji” e dos “Heike”.

"Kiyomori, o lunático líder dos Heike"

"Review"

Como é do conhecimento geral, o “western” é um género cinematográfico norte-americano, que teve como inspiração as aventuras e vicissitudes dos pioneiros na descoberta do oeste daquele país. Pelo menos foi assim numa fase inicial, e posteriormente conheceu algumas derivações, colhendo a minha preferência pessoal o denominado “spaghetti western”, um subgénero que deu a conhecer grandes realizadores como Sergio Leone ou Sergio Corbucci. Por este motivo, é natural que um “western” provindo do oriente cause sempre alguma estranheza, à semelhança do que tinha acontecido, por exemplo, sete anos antes com “Tears of the Black Tiger”. No entanto, há que ter em conta que quando Takashi Miike toma conta de um projecto, o mesmo normalmente desconhece limites ou fronteiras em função da personalidade e orientações do realizador japonês. O título da película revela muito do conteúdo desta obra. “sukiyaki” é um prato tradicional do país do sol nascente, que poderemos fazer analogia com a expressão “spaghetti” no sentido de designar a estirpe italiana. Quanto a “western”, estamos conversados. “Django” evoca o filme de culto com o mesmo nome, do já mencionado realizador Sergio Corbucci, onde Franco Nero desempenharia um papel de uma carreira e que viria a reinventar em registos subsequentes.

A primeira conclusão a retirar quando findamos o visionamento de “Sukiyaki Western Django”, doravante “SWD”, é que estamos perante um tributo memorável ao “western” no seu todo, mas em especial à sua faceta mais crua consubstanciada nas longa-metragens dos realizadores acima referidos, sem prejuízo de vir à mente também o nome de Sam Peckinpah. Junte-se uns aperitivos orientais, principalmente no que toca ao sentimento e aspecto visual, e estamos perante uma obra de grande mérito que, antecipadamente afirmo, irá apaixonar muitos dos que por aqui passam. O argumento é tributário de “O Bom, o Mau e o Vilão” e “Por Um Punhado de Dólares”, no que toca à personagem principal da trama, num paralelo traçado entre Clint Eastwood e Hideaki Ito. Igualmente existem claras afinidades com o papel de Toshiro Mifune em “Yojimbo”, e que inclusive dá azo a uma feliz passagem de “SWD”, em que um dos elementos dos “Genji” vira-se para o pistoleiro e diz-lhe frontalmente “Não te armes em Yojimbo!!!”. O resultado é uma clara história de vingança, que não prima muito pela originalidade, mas sim pela grande exibição visual e sentimental.

"Ruriko"

“SWD” não perde tempo em exibir os seus atributos de espectacularidade e arranca a todo o gás, com uma memorável sequência onde estão envolvidos “Ringo” (interpretado por Tarantino), uma cobra, um falcão e um bando de malfeitores. A premissa do causar deslumbramento é uma constante em todo a película, fazendo com que “SWD” seja uma soma de inúmeras cenas inesquecíveis que perpetuar-se-ão na nossa memória. E quanto a tomar partido quanto à mais conseguida, tal se revelará um desiderato titânico no que toca à escolha. Esta obra é extremamente marcada pelo surrealismo das situações, sejam as mesmas impregnadas de violência, “gore”, sensualidade, comédia ou heroísmo. Miike tem isto tudo para oferecer em “SWD” e nós claramente estamos dispostos a aceitar e a agradecer! É um clássico caso em que o estilo supera a substância, corporizado num filme com uma dinâmica e energia contagiante e que não deixará quem o visiona ter uma pausa para respirar! Preparem-se para pouco mais de hora e meia de divertimento, a não ser que tenham a sorte de visionar a versão “uncut” de duas horas, ganhando desta forma mais meia-hora de entretenimento puro e duro!

Ao contrário do que se poderia pensar, e tendo em vista acentuar ainda mais a “misturada” envolvente, as personagens japonesas de “SWD” expressam-se maior parte das vezes em inglês. Para que nada corresse mal neste particular, especialmente no que toca à necessidade de fazer algum tipo de dobragem (aspecto que repudio bastante) Miike recrutou actores nipónicos que tiveram um especial contacto com o ocidente, tendo aí vivido ou trabalhado. Cabe a Hideaki Ito representar o emblemático pistoleiro sem nome, não se saindo mal no desiderato. Atendendo ao perfil misterioso e distante do papel, a Ito não são atribuídos muitos diálogos. A sua performance é essencialmente mais física e feita de poses marcantes. É certo que Ito está bastante longe de ter um carisma como Clint Eastwood, mas dá para o requerido. Sato Koichi brilha como “Kiyomori”, o lunático líder dos “Heike”, e destila malvadez por todos os poros. Particularmente interessante é a analogia que o mesmo faz, comparando a situação de conflito existente entre os “Heike” e os “Genji”, com a “Guerra das Rosas” de Shakespeare. “Kiyomori” julga que será um novo Henrique VI e a partir daí exige que todos o chamem “Henry”, lançando o epíteto de “Kiyomori” para trás das costas. Verdadeiramente de apreciar é a actuação de Yusuke Iseya, na pele do viperino “Yoshitsune”, chefe dos “Genji”. Trata-se de um rapaz imbuído de muito poder, e que encarna o espírito de um novo samurai, atendendo a que o mesmo julga que os antigos guerreiros já não representam o verdadeiro espírito da guerra e do combate. Iseya é intenso na sua actuação e facilmente poderá ser apontado como o elo mais forte de “SWD”. As senhoras Yoshino Kimura e Kaori Momoi destilam sensualidade, beleza e paixão por toda a película, sendo ambas um importante complemento para os supra citados actores. Ainda temos a oportunidade de observar o mítico Quentin Tarantino, desta vez na pele de actor, a pedido especial do seu amigo Miike. A sua interpretação roça essencialmente o exagero das situações, resultando em momentos dotados de um cariz algo cómico.

Com um guarda-roupa, à falta de melhor expressão, fabuloso, uma banda-sonora claramente tributária dos “spaghetti western” e uma fotografia do melhor que já se viu a nível do cinema, “SWD” é um entretenimento imperdível que nos fará dar suspiros de pura nostalgia e revivalismo. Não se nega que existe um certo exagero, certamente requisitado, nas situações presentes. Mas tal acentua apenas mais a aura fantástica e seguidora da cultura do estilo e da diversão, que muito tem lugar no mundo da sétima arte. Miike oferece-nos acima de tudo uma proposta reciclada de um género que cativou milhares de fiéis seguidores por todo o mundo, e adicionou-lhe características próprias do seu país natal. “SWD” estava marcado à partida pelo signo da estranheza e do insólito, mas o resultado foi uma obra marcante, susceptível de atrair e unir desde cultores de diversos estilos cinematográficos, até ao mais simples apreciador de filmes. Cabe agora questionar se estamos perante o nascimento de um novo subgénero, o “Sukiyaki Western”, ou apenas um devaneio quase genial de um realizador que não nos cessa de surpreender!

Imperdível!

"O pistoleiro sem nome Vs. Yoshitsune, o standoff final"

The Internet Movie Database (IMDb) link

Trailer

Outras críticas em português:

Esta crítica encontra-se igualmente disponível "on line" em Clubotaku.

Avaliação:

Entretenimento - 10

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 10

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,38





sexta-feira, abril 10, 2009

Anjo ou Demónio/Audition/Ôdishon - オーディション (1999)

Origem: Japão

Duração: 115 minutos

Realizador: Takashi Miike

Com: Ryo Ishibashi, Eihi Shiina, Tetsu Sawaki, Jun Kunimura, Renji Ishibashi, Miyuki Matsuda, Toshie Negishi, Ren Osugi, Shigeru Saiki, Ken Mitsuishi, Yuriko Hirooka, Fumiyo Kohinata, Misato Nakamura, Yuuto Arima, Ayaka Izumi

"A doce e singela Asami"

Sinopse

Após 7 anos da morte da sua esposa “Ryoko” (Miyuki Matsuda), “Shigeharu Aoyama” (Ryo Ishibashi) nunca mais se juntou com nenhuma mulher, vivendo só com o seu filho “Shigehiko” (Tetsu Sawaki). Este anseia que o pai seja feliz outra vez e incentiva-o a procurar uma nova companheira. Convencido pelo filho, “Aoyama” pede ajuda ao seu amigo “Yoshikawa” (Jun Kunimura), um conhecido produtor de cinema que tem uma ideia muito própria acerca do assunto em concreto.

“Yoshikawa” sugere a “Aoyama” que o acompanhe nas audições que irá fazer a um grupo de raparigas, tendo em vista escolher a próxima actriz para o seu novo filme. “Aoyama” não fica muito entusiasmado com a ideia, mas relutantemente concorda. Perante um manancial de jovens e bonitas mulheres, “Aoyama” fica instantaneamente atraído por “Asami Yamazaki” (Eihi Shiina), que se descreve a si própria como um ser humano tímido e boa pessoa. O viúvo aproxima-se de “Asami” e encetam um relacionamento que muito agrada a “Aoyama”, chegando o mesmo a pensar em casamento. Acontece que nem tudo é o que parece, e por detrás de aparentemente singela e atraente rapariga, esconde-se um ser perturbado e uma assassina implacável!

"Aoyama, ladeado pelo seu amigo Yoshikawa, na audição"

"Review"

Quando nos referimos ao profícuo e polémico realizador japonês Takashi Miike, “Audition” será das obras obrigatórias e uma das primeiras que surgem no nosso pensamento. Trata-se de uma película que teve alguma difusão pelo nosso país, atendendo ao “frisson” que causou no Fantasporto – edição de 2001, o que lhe valeu uma rápida edição em dvd. Não tenho dúvidas em afirmar que será dos filmes asiáticos mais fáceis de obter numa boa loja do género. Conta-se que no final da exibição de “Audition” no Festival Internacional de Cinema de Roterdão, Miike teria sido abordado por algumas pessoas que o acusaram de ser um homem doente, um louco com tendências malignas. Por sua vez, no Festival de Dublim, um membro da audiência desmaiou e teve de ser reencaminhado para o hospital, onde felizmente mais tarde recuperou. Insano ou não, o que se tornou uma realidade é que “Audition” gerou um certo culto um pouco por todo o mundo, sendo com toda a certeza, um filme incontornável para aqueles que pretendem entrar na cinematografia asiática. Pelo menos os mais corajosos e menos impressionáveis.

"Shigehiko e a namorada"

A ideia de que a película tem um conteúdo extremamente forte, poderá afigurar-se disparatada quando somos confrontados com a primeira hora de “Audition”. Nada é exteriorizado que indique que estamos perante um “thriller” psicológico, dotado de suspense e horror. Muito pelo contrário. É-nos dado a assistir a algo que mais parece um típico drama familiar, onde um viúvo de meia-idade vive com o filho e juntos tentam ultrapassar a tragédia que foi a perda da matriarca da família. Observamos a crescente cumplicidade entre os dois, e o dia-a-dia de dois homens no Japão actual, com todas as vivências comuns derivadas do trabalho, da escola e do anseio em arranjar uma esposa ou namorada que lhes preencha a vida e os corações. O único lampejo de algo sinistro tem a ver com uma saca que se mexe de uma forma inesperada, quando o telefone do apartamento de “Asami” toca. Passada esta fase, o filme dá uma verdadeira volta de 180 graus, e num extremo lancinante, somos completamente atirados para uma verdadeira epopeia de tortura física e psicológica, que simplesmente não reconhece quase nenhuma fronteira. E é aqui que urge tomar uma decisão rápida no ponto de viragem desta longa-metragem. Caros visitantes mais sensíveis, simplesmente carreguem no botão “stop” do vosso leitor de dvd e parem de ver o filme. Deixem o epílogo por conta da vossa imaginação. Se prosseguirem, façam-no por vossa conta e risco! O efeito em crescendo, no qual somos embalados com uma trama aparentemente normal e corriqueira, até chegarmos a um clímax arrebatador e grotesco resulta extremamente bem.

"Aoyama sente na pele a outra face de Asami"

Os actores mostram-se em bom nível, com natural destaque para Ryo Ishibashi e a modelo e actriz Eihi Shiina. Ishibashi é um excelente actor, e que denota uma performance credível no papel do homem decente e sério, que apenas quer uma esposa para curar a sua longa solidão de sete anos. Quanto a Shiina, a mesma reflecte de uma forma bastante objectiva o brocado “lobo na pele de cordeiro”, ou fazendo trocadilhos com o título português, "um demónio disfarçado de anjo”. Tendo em conta que a actriz começou a sua carreira precisamente com esta obra, os elogios à sua actuação terão de ser forçosamente maiores, devido à alegada falta de experiência. A sua transformação da dócil e desejável rapariga, para a assassina maníaca e sem pruridos de qualquer espécie é algo que nos atinge com veemência e que tão cedo não esqueceremos.

“Audition”, apesar de ser parte drama familiar e parte horror e tortura psicológica do mais elevado quilate, tem uma interessante mensagem por detrás, acabando por ser uma espécie de sátira social. O Japão apesar de ser um dos países mais desenvolvidos do mundo, tanto a nível tecnológico como económico, encontra-se fortemente arreigado a certas tradições. Uma delas é uma forte primazia dos homens no domínio da sociedade e um certo pensamento que os mesmos no que concerne ao ideal de mulher. A visão estereotipada do sexo feminino e o que se pretende no que toca a uma esposa é um ser dócil, gentil e subserviente. Quando observamos “Asami”, conseguimos identificar todas estas características. É uma jovem rapariga muito boazinha, respeitável e indubitavelmente bela. Ela parece agradecer e estar extremamente feliz pelo facto de um homem culto e maturo ter demonstrado interesse nela. A parte anti-sistema dar-se-á quando “Asami” revela a sua verdadeira faceta, o que para alguns poderá significar a quebra com o Japão tradicional e a emancipação de uma mulher forte e poderosa, embora de uma forma nada ortodoxa.

Claramente desaconselhado a pessoas impressionáveis, “Audition” é um filme que revela todo o engenho de Takashi Miike. Começa de uma forma lenta e branda, onde ternuramente somos embalados pela solidão de “Aoyama” e dos seus esforços para encontrar uma mulher que o preencha. Sem nada que o faça prever directamente, mas sim de forma induzida, viajamos até a um extremo psicológico e visualmente forte, corporizado num manancial de tortura agonizante e doentia. O efeito é devastador, mas sobretudo espectacular! Numa orientação “ocidental”, julgo que os fãs de David Lynch e de “Silence of the Lambs”, de Jonathan Demme, não ficarão defraudados. Uma obra obrigatória para os cultores do cinema mais extremista! Os outros podem bem fugir e pensar duas vezes antes de afrontar uma mulher aparentemente frágil e desprotegida!


"O sadismo de Asami faz mais uma vítima"

The Internet Movie Database (IMDb) link

Trailer

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,13




sexta-feira, agosto 15, 2008

Realizador Asiático Preferido - Votação

Apresento-vos mais um realizador asiático que está sujeito ao vosso escrutínio, no quadro de votações mais abaixo à direita. Não custa relembrar que podem escolher mais do que uma opção, antes de clicarem e submeterem o(s) vosso(s) voto(s). Igualmente podem sugerir outros nomes para serem postos a votação.
Takashi Miike

Informação

Filmografia enquanto realizador (caso exista alguma crítica, o título estará assinalado a cor vermelha. Para aceder ao texto , basta clicar):

  1. Last Run: 100 Million Ten's Worth of Love and Betrayal (1991)
  2. Topuu! Minipato tai - Aikyacchi Jankushon (1991)
  3. Red Hunter: Prelude to Murder (1991)
  4. A Human Murder Weapon (1992)
  5. Bodyguard Kiba (1993)
  6. Oretachi wa tenshi ja nai (1993)
  7. Oretachi wa tenshi ja nai 2 (1993)
  8. Shinjuku Outlaw (1994)
  9. Bodyguard Kiba: Combat Apocalypse (1994)
  10. The Third Gangster (1995)
  11. Bodyguard Kiba: Combat Apocalypse 2 (1995)
  12. Osaka Tough Guys (1995)
  13. Shinjuku Triad Society (1995)
  14. New Third Gangster: Outbreak Kansai Yakuza Wars (1996)
  15. New Third Gangster 2
  16. Jingi naki yabô (1996)
  17. Rakkasei: Piinattsu (1996)
  18. The Way to Fight (1996)
  19. Fudoh: The New Generation (1996)
  20. Young Thugs: Innocent Blood (1997)
  21. Jingi naki yabô 2 (1997)
  22. Rainy Dog (1997)
  23. Full Metal Yakuza (1997)
  24. The Bird People in China (1998)
  25. Andromedia (1998)
  26. Blues Harp (1998)
  27. Young Thugs: Nostalgia (1998)
  28. Japan Underworld (1999)
  29. Silver - shirubaa (1999)
  30. Audition (1999)
  31. Dead or Alive (1999)
  32. Salaryman Kintaro (1999)
  33. N-Girls Vs. Vampire (1999)
  34. The City of Lost Souls (2000)
  35. The Guys From Paradise (2000)
  36. Dead or Alive 2: Birds (2000)
  37. Zuiketsu gensô - Tonkararin yume densetsu (2001)
  38. Kumamoto monogatari (2001)
  39. Agitator (2001)
  40. The Happiness of the Katakuris (2001)
  41. Dead or Alive: Final (2002)
  42. Onna Kunishuu ikki (2002)
  43. Sabu (2002)
  44. Graveyard of Honor (2002)
  45. Shangri-La (2002)
  46. Pandoora (2002)
  47. Deadly Outlaw: Rekka (2002)
  48. Part-time Detective (2002)
  49. The Man in White (2003)
  50. Gozu (2003)
  51. Yakuza Demon (2003)
  52. Negotiator (2003)
  53. One Missed Call (2003)
  54. Zebraman (2004)
  55. Part-time Detective 2 (2004)
  56. Three...Extremes - segmento Box (2004)
  57. Izo (2004)
  58. Demon Pond (2005)
  59. The Great Yokai War (2005)
  60. Big Bang Love, Juvenile A (2006)
  61. Waru (2006)
  62. Waru: kanketsu-hen (2006)
  63. Sun Scarred (2006)
  64. Like a Dragon (2007)
  65. Sukiyaki Western Django (2007)
  66. Tantei monogatari (2007)
  67. Crows: Episode 0 (2007)
  68. God's Puzzle (2008)


sábado, outubro 13, 2007

Ichi, o Assassino/Ichi, the Killer/Koroshiya Ichi - 殺し屋 1 (2001)

Origem: Japão

Duração: 123 minutos

Realizador: Takashi Miike

Com: Tadanobu Asano, Nao Omori, Shinya Tsukamoto, Pauline Suen, Sabu, Susumu Terajima, Shun Sugata, Toru Tezuka, Mai Goto, Yoshiki Arizono, Kiyohiko Shibukawa, Satoshi Niizuma, Suzuki Matsuo, Jun Kunimura, Hiroyuki Tanaka

"O yakuza Kakihara"

Estória

Quando “Anjo”, um chefe yakuza, desaparece, e roubados 300 milhões de ienes, “Kakihara” (Tadanobu Asano), um delinquente desfigurado, passa a chefiar o clã de criminosos e desta forma dá largas ao seu espírito verdadeiramente sado-masoquista. “Kakihara” pretende encontrar o seu líder, não apenas pela importância que este detém para com a organização, mas igualmente por sentir a falta das torturas físicas infligidas por aquele.

"Ichi e Kakihara"

“Kakihara” inicia uma busca sangrenta por Shinjuku, que o leva a guerrear outros clãs yakuzas, até que descobre que o responsável pelo desaparecimento de “Anjo” é um jovem rapaz chamado “Ichi” (Nao Omori). Uma infância e adolescência infeliz e de certa forma misteriosa, fazem com que “Ichi” seja uma pessoa com perturbações mentais, mas ao mesmo tempo um formidável e sangrento assassino.

“Kakihara” reconhece em “Ichi” um oponente à altura, e inicia uma caça ao homem, que desemboca numa orgia de violência e atrocidades sem limites.

"Kakihara é um cultor da tortura"

"Review"

“Ichi, o Assassino” constitui um verdadeiro produto de culto, oriundo do país do sol nascente, e realizado por um dos seus mais famosos, mas ao mesmo tempo polémicos realizadores, Takashi Miike. Para muitos o melhor filme do realizador, não revela ser de fácil visionamento, pelo que aqueles mais sensíveis, não deverão, em caso algum, aventurar-se por esta longa-metragem. O aviso está feito, e devidamente ilustrado por algumas das fotos que acompanham este texto.

Na senda do anteriormente afirmado, tenho a dizer que “Ichi…” é brutal e chocante em todos os sentidos possíveis e imaginários. A violência é extrema e parece não conhecer limites. Aqui tenta-se explorar todas as formas e mais algumas de tortura humana, com uma pujança desmesurada. Violência gratuita? Sim, julgo que por vezes esta película poderá ser acusada deste factor. No entanto, a imaginação sórdida de Miike faz com que mesmo no meio de tanto sangue e exposição demasiado realista dos sofrimentos infligidos às personagens do filme, exista um certo refinamento. A propalada violência física é bem secundada e acompanhada pelos aspectos psicológicos aterradores e relacionados com o passado de “Ichi”, que em muito explicam que a violência exerça igualmente um certo fascínio por esta personagem, chegando a ir ao ponto da excitação sexual. O rapaz é um sádico, ponto final!

Continuando na análise dos aspectos mais polémicos, incontornável quando está em causa Takashi Miike, cumpre expor uma estória que supostamente sucedeu durante as filmagens de “Ichi, o Assassino”, e que não ponho as “mãos no fogo”, pois a fonte costuma ter as suas falhas, algumas bem gritantes. Pelos vistos, o esperma usado na sequência inicial do filme é real e foi fornecido pelo realizador e actor japonês Shinya Tsukamoto, que interpreta a personagem de “Jijii”, o polícia reformado que controla “Ichi”. Miike, no entanto achou que o esperma fornecido por Tsukamoto era em quantidade insuficiente, e ordenou a outros três membros da equipa de filmagens que fizessem o que pudessem para encher o recipiente com mais esperma. Sem comentários…Outra estória que se conta acerca das filmagens de “Ichi”, passa pelo facto de a cena em que a personagem “Sailor”, interpretada pela actriz Mai Goto, é espancada, supostamente só deveriam de existir três socos desferidos. Como pelos vistos, Miike detestava Mai Goto, alterou a cena e elevou o número de socos para quinze! Qual a fronteira entre o que é mito e realidade? Vá-se lá saber!

"Um banho de terror e sangue"

O estilo de realização de Miike, com os costumeiros truques de câmara, faz com que “Ichi, o Assassino” transpire energia, mesmo nos momentos mais contemplativos, que não são muitos e apenas preparam mais uma matança sem regras ou puridos. Os actores oferecem-nos boas interpretações, destacando-se aqui o excelente actor japonês Tadanobu Asano, no papel do infame “Kakihara”.

“Ichi, o Assassino” é um filme obrigatório para qualquer fã de cinema asiático, embora nunca seja mais de alertar, como já foi acima efectuado, que os mais impressionáveis deverão “fugir a sete pés”. Será sem dúvida um “violence exploitation”, mas muito haverá com certeza mais alguma coisa para lá deste aspecto.


Sendo uma película dotada de um mérito inquestionável, no entanto só leva um 7 no item classificativo “Gosto pessoal do M.A.M.”, porque sinceramente não é muito do meu agrado filmes que expressem uma violência exagerada, e nadem em mares de sangue. Salvo uma ou outra excepção, da qual “Ichi…” não faz parte, para minha vergonha pessoal. Isto faz-me lembrar uma conversa que mantive com um amigo meu há dias num café, acerca de uma rapariga muito bonita que estava numa mesa perto de nós. Depois de elogiar bastante os atributos da moça, conclui que ela tinha qualquer coisa que não me agradava, mas eu não sabia explicar bem o quê…

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

A presente crítica encontra-se igualmente publicada "on line" em ClubOtaku.

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 8

"Ichi faz mais uma vítima"

Nota: Quando revi este filme, em ordem a escrever o presente texto, senti nauseas. Depois apercebi-me que estávamos no fim da manhã, eu praticamente não tinha comido nada de jeito, e a noite anterior tinha sido alcoolicamente movimentada. Pelo exposto, nenhumas culpas podem ser assacadas a "Ichi, o Assassino"...