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domingo, dezembro 14, 2008

Death Note: The Last Name/Desu nôto: The Last Name - デスノート (2006)

Origem: Japão

Duração: 135 minutos

Realizador: Shusuke Kaneko

Com: Tatsuya Fujiwara, Ken'ichi Matsuyama, Erika Toda, Nana Katase, Takeshi Kaga, Shido Nakamura, Peter, Shigeki Hosokawa, Shunji Fujimura, Shin Shimizu, Sota Aoyama, Magy, Michiko Godai

"Ryuk e Light Yagami"

Alerta! "Spoilers"!

“Death Note: The Last Name” é a continuação do filme “Death Note”, anteriormente criticado neste espaço (para ler o escrito ir AQUI). Pelo exposto, o texto abaixo contém pormenores essenciais da trama da primeira película, pelo que só deverá prosseguir caso tenha visionado aquela obra.

Sinopse

“Misa Amane” (Erika Toda), uma famosa estrela da TV Sakura e ídolo dos jovens japoneses, encontra-se a ser perseguida por um fã alucinado que a pretende assassinar. Quando já não parece haver fuga possível, o homem morre inexplicavelmente de ataque cardíaco e um estranho caderno de notas aparece vindo do nada. Mal “Misa” toca no objecto, depara-se perante o Shinigami “Rem” (Peter), o deus da morte que é o dono do caderno de notas.

Entretanto, “Light Yagami” (Tatsuya Fujiwara) consegue os seus propósitos ao entrar para a equipa especial que investiga o misterioso assassino “Kira”, liderada por “L.” (Ken'ichi Matsuyama). Uma nova sucessão de mortes de criminosos sucede, que apanha de surpresa “Light” e os restantes, e cedo se descobre que existe uma personagem denominada “Kira 2".

“Misa” acaba por se revelar a “Light” como sendo “Kira 2”, e apaixona-se por ele. “Light”, o "Kira" original, embora relutante, acaba por juntar esforços com a rapariga. Auxiliados pelos seus Shinigami, ambos diligenciam na morte de “L.”. No entanto, é imperioso descobrir o verdadeiro nome do genial investigador.

"Misa Amane usa os olhos do deus da morte"

"Review"

Na conclusão do texto acerca de “Death Note”, alertei para o facto de ser fulcral visionar igualmente este “Death Note: The Last Name”, pois só assim o espectador ficará com uma noção completa da história. Caso assim não se proceda, quem espreitar apenas “Death Note” ficará com um sentimento de incompletude, não havendo um epílogo propriamente dito. Por outra via, quem perder “Death Note” e entrar directamente em “Death Note: The Last Name”, sentir-se-á confuso pois não conseguirá entender muitas das premissas do filme. A explicação passará por um ser a continuação do outro, não podendo desta forma serem observados de uma forma isolada. Não é inocente o facto de ambas as longas-metragens serem do mesmo ano, assim como a segunda parte ter sido realizada três meses depois. Atendendo a este factor, a história de “Death Note: The Last Name” começa exactamente onde “Death Note” acaba.

"Light rodeado dos Shinigamis Ryuk e Rem"

Comparativamente ao primeiro filme, “Death Note: The Last Name” foca-se mais na contenda entre “Light” e “L.”. Este aspecto torna-se perfeitamente natural face ao evoluir da história, porquanto na primeira parte, o que estava mais em causa era a adaptação de “Light” à sua nova condição de “deus do novo mundo” (expressão que o rapaz usa para se auto-designar) e a permanente descoberta dos poderes do seu caderno de notas. É certo que “L.” já detém um papel preponderante, pois a caçada ao homem que mantém conhece alguma evolução. Contudo, é no filme que ora se analisa que verdadeiramente começa a sério o confronto de titãs, ilustrado numa guerra intelectual e psicológica quase incessante, onde cada um dos oponentes está quase sempre a preparar armadilhas e a lançar rasteiras um ao outro. Torna-se interessante, embora com algumas falhas argumentativas mais evidentes, observar o duelo cerebral entre “L.” e “Light” e toda a envolvência que daí resulta. O jogo do gato e do rato assume aqui o seu apogeu, com muitos avanços e recuos que têm a potencialidade de prender a atenção do espectador.

Os aspectos mais visuais, interpretativos e musicais mantêm-se essencialmente semelhantes aos primeiro filme, com algumas bem-vindas adições. O “cast” é praticamente o mesmo, havendo apenas a entrada relevante da actriz e ídolo pop japonês, a bela Nana Katase. Erika Toda tem bastante mais minutos, atendendo ao desenrolar da trama, onde aqui assume um papel determinante. A nível de interpretação, talvez seja de relevar Ken'ichi Matsuyama que tem a oportunidade de desfilar com mais sentimento as pouco peculiares características de “L.”, conseguindo momentos de verdadeira alucinação. É uma personagem que enfatiza bastante o provérbio “de génio e louco, todos nós temos um pouco”. “L.” tem muito de génio, e possivelmente bastante mais de louco. Surge um novo Shinigami chamado “Rem”, visualmente bem elaborado à semelhança de “Ryuk” e que coexiste com este, embora com características psicológicas bastante distintas. “Ryuk”, o deus da morte de “Light” não parece interessar-se bastante pelo seu protegido, demonstrando ser uma personagem mais cínica e sarcástica. “Rem”, pelo contrário, revela ser bastante protector em relação a “Misa”, devido a factores que aqui não posso revelar, sob pena de cometer um grave “spoiler”. A nível do som, se em “Death Note” os Red Hot Chili Peppers tinham cedido a sua música “Dani California” para o genérico, aqui participam na banda-sonora com “Snow”, contribuindo ainda mais para a aura juvenil desta longa-metragem.

"Rem e Misa"

“Death Note: The Last Name” revela ser um filme quase à altura do seu predecessor, pois mantém praticamente todas as características que definiram “Death Note” como uma das mais bem sucedidas obras japonesas dos últimos anos. Contudo, e principalmente a nível da trama, está uns furos abaixo do que se pedia, fazendo com que não seja um filme tão bem conseguido como o primeiro. O seu epílogo, embora satisfatório, fique um tanto ou quanto além das expectativas. Mesmo assim, e atendendo à época que presentemente está a decorrer, não deixa de ser uma boa prenda de Natal. Especialmente se conseguirmos obter as maravilhosas edições especiais em dvd, visualmente bonitas e com bastantes extras, num “dois em um” que enriquece bastante a nossa colecção privada.

A conferir, mas não antes de visualizar o primeiro filme! Fica mais uma vez o insistente alerta!

"Duelo de génios"

The Internet Movie Database (IMDb) link

Trailer

Outras críticas em português:

Esta crítica encontra-se igualmente disponível "on line" em Clubotaku

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75





quarta-feira, dezembro 10, 2008

Death Note/Desu nôto - デスノート (2006)

Origem: Japão

Duração: 121 minutos

Realizador: Shusuke Kaneko

Com: Tatsuya Fujiwara, Ken'ichi Matsuyama, Asaka Seto, Shigeki Hosokawa, Erika Toda, Shunji Fujimura, Takeshi Kaga, Yu Kashii, Shido Nakamura, Sota Aoyama, Michiko Godai

"Ryuk e Light Yagami"

“Light Yagami” (Tatsuya Fujiwara), filho de um inspector da polícia, é um jovem e brilhante estudante de direito, com um forte sentido de justiça. Contudo, encontra-se desiludido com o sistema judicial, pois vários delinquentes permanecem impunes após a prática de crimes horrendos. Certo dia, “Light” encontra um misterioso livro negro, pertencente a um Shinigami (literalmente "deus da morte") chamado “Ryuk” (Shido Nakamura). Na realidade, o estranho achado é um objecto com um imenso poder mortal. Escrevendo o nome de uma pessoa nas páginas do livro, de acordo com certas regras, a mesma morre de ataque de coração passados 40 segundos.

"L."

Vendo uma oportunidade de debelar as lacunas da polícia e dos juízes, “Light” começa a fazer justiça pelas próprias mãos, escrevendo o nome dos criminosos que escapam às mãos do sistema. Com o tempo, começa a dar utilizações mais elaboradas à sua arma, descobrindo que consegue provocar mortes da maneira que lhe apetece e no tempo que lhe convier mais.

Trabalhando sob o pseudónimo de “Kira”, e tendo “Ryuk” a seu lado, “Light” provoca um verdadeiro massacre entre os criminosos de todo o mundo. A sua popularidade cresce imenso, principalmente entre os jovens, mas também chama a atenção da polícia que não pode permitir que alguém faça justiça de forma tão atroz. No entanto, as autoridades são impotentes perante a forma de actuação de “Light”, até que “L” ( Ken'ichi Matsuyama), um jovem e brilhante detective, oferece a sua ajuda. O duelo entre as duas poderosas mentes começa, num típico jogo do gato e do rato.

"Shiori, a namorada de Light"

"Review"

  1. O humano cujo nome seja escrito neste livro de notas morrerá;
  2. A nota não terá efeito a não ser que a pessoa visualize a face do destinatário da morte quando estiver a escrever o seu nome. Assim, as restantes pessoas que partilhem o mesmo nome não serão afectadas;
  3. Após a aposição do nome do destinatário, se a causa da morte for escrita num espaço de 40 segundos, a mesma efectivar-se-á;
  4. Se a causa da morte não for especificada, o destinatário morrerá de ataque de coração;
  5. Quando a causa da morte seja especificada, os detalhes da mesma deverão ser escritos nos 6 minutos e 40 segundos seguintes;
  6. O humano que tocar neste livro consegue ver e ouvir o deus da morte que é o dono original. Não é necessário ser o possuidor actual do livro;
  7. Este livro será propriedade do mundo humano, a partir do momento que toque no seu solo;
  8. O humano que usar este livro não poderá ir nem para o céu, nem para o inferno;
  9. Se a ocasião da morte for escrita 40 segundos após a sua causa, o tempo em que ocorre o decesso pode ser manipulado;
  10. Mesmo que não seja o actual possuidor deste livro, poderá escrever na mesma o nome da pessoa a morrer, desde que o reconheça;
  11. Este livro só é efectivo durante 28 dias, contados de acordo com o calendário humano. Este princípio é conhecido como “a regra dos 28 dias”;
  12. Os indivíduos que percam a posse deste livro, igualmente perderão a memória de o terem usado;
  13. Caso algum dia voltem a tocar no livro, todas as memórias de o terem usado retornarão.

Numa tradução livre, e por esse motivo, provavelmente dotada de algumas imprecisões, o conjunto de regras acima exposto, são as relativas ao uso do livro de notas da morte, o objecto que constitui o cerne da trama do filme objecto do presente texto. É sempre importante saber por que linhas nos cosemos, e por essa razão, entendi como fulcral que os leitores desta crítica percebessem verdadeiramente o que significa o uso daquele instrumento mortal.

"Light em conversa amena com Ryuk"

Desta vez, o aclamado realizador japonês Shusuke Kaneko traz para a tela a adaptação “de carne e osso” de uma das mangas mais aclamadas de sempre do Japão, intitulada “Death Note”, da autoria de Takeshi Obata e Tsugumi Ohba. A banda desenhada venderia, imagine-se, 20 milhões de cópias só no país do sol nascente. Assim como seria previsível que a história teria honras de anime, igualmente aguardar-se-ia que a transposição para a sétima arte fosse também efectuada. Na realidade, quando nos referimos a “Death Note” é mais correcto falar em películas, porquanto “Death Note” para ser completamente apreendido, terá de ser conjugado com “Death Note: The Last Name”, que constitui a segunda parte da história. À semelhança de outras sagas que mereceram a atenção deste blogue, optou-se por respeitar as opções das companhias cinematográficas, dos produtores e realizadores, e por agora focar-me-ei apenas na primeira parte. Fica desde já a promessa que o próxima texto a colocar aqui no “My Asian Movies”, versará acerca de “Death Note: The Last Name”.

Apesar da sua premissa original e naturalmente apelativa para os fãs do lado mais sombrio da sétima arte, “Death Note” acaba por ter um argumento simples, facilmente perceptível e quase sempre bem conduzido. Trata-se de um clássico caso em que alguém tem o poder para fazer algo de grandioso no mundo, mas cujos caminhos que envereda acabam por corromper um objectivo magnânimo e justo. Já alguém dizia que “o poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente.” No caso de “Light”, a premissa ajusta-se que nem uma luva, pois partindo de um propósito inocente, embora algo justiceiro e errado, acaba por embarcar em atitudes que a “emenda sai pior do que o soneto”. No início trata-se de matar criminosos, que cometeram ilícitos hediondos. A certa altura, quando se vê confrontado com a perseguição que as forças policiais lhe movem, acaba por utilizar os mesmos métodos contra qualquer um que lhe possa fazer frente ou que esteja perto de descobrir a sua identidade. Isto causa uma transformação no outrora bem intencionado “Light”, tornado-o num ser mau, cuja perniciosidade acaba mesmo por surpreender o seu fiel companheiro, o deus da morte Ryuk.

Não é de admirar a aura negra e gótica do filme, atendendo à trama por onde navega. Apesar de este aspecto ser omnipresente na película, “Death Note” está longe de ser uma obra sangrenta, e aqui, consoante a perspectiva de cada um, poderá residir uma das falhas mais evidentes desta longa-metragem. Considerando que a esmagadora maioria dos alvos de “Light” falece de ataque de coração, e tendo o mesmo o poder de escolher as causas da morte, pergunta-se o porquê da falta de imaginação. Existem pessoas que clamavam por imolações, por enforcamentos, etc, etc,etc. Quanto a mim, julgo que a opção resultou bem, porquanto o epílogo do filme resulta claramente mais evidenciado. Correndo o risco de enveredar por um “meio spoiler”, entendo que tal capta muito mais a atenção do espectador, quando o rapaz decide finalmente fazer uso de todas as potencialidades do livro que tem nas mãos. E acentua claramente o seu intelecto e personalidade, acentuando o o caminho maligno e calculista pelo qual enveredou.

Quanto às actuações, é normal que “Light”, interpretado por Tatsuya Fujiwara (que viria a ser sobretudo por “Battle Royale”) e “L”, corporizado por Ken'ichi Matsuyama tenham o protagonismo quase total. Tatsuya Fujiwara desempenha de uma forma competente o seu papel, cumprindo a missão de parecer tanto sombrio, como tremendamente inocente. Matsuyama não fica atrás do seu oponente, e consegue explanar um “L” que por vezes parece um ser diminuído e alienado, mas que acaba por ser um “mastermind” da mais elevada craveira, demonstrando estar bem à altura de Fujiwara. Mesmo assim, e embora isto soe contraditório, quem acaba por impressionar mais é o totalmente computorizado “Ryuk”. Tirando o facto de a sua face lembrar imenso “Joker”, o arqui-inimigo de “Batman”, as suas movimentações roçam a perfeição e o seu carisma é bastante considerável.

Apesar de ter sido realizado há relativamente poucos anos, “Death Note” já se tornou um filme de culto para muitos, tendo-se tornado numa das películas japonesas mais bem sucedidas de sempre, quer dentro de portas, assim como um pouco pelo mundo inteiro. A tal facto não será alheio a bem sucedida mescla composta pelo pendor juvenil, pela faceta de thriller e os aspectos mais obscuros e sobrenaturais, corporizados sobretudo no bem conseguido demónio “Ryuk”. É dotado de momentos de tensão bem urdidos, em especial na derradeira parte, conseguindo desta forma abrir o apetite para “Death Note: The Last Name”. A sua visualização impressionaria tudo e todos, incluindo a conhecida banda rock “Red Hot Chili Peppers”, que forneceria o tema “Dani California” para o genérico do filme.

Sem dúvida uma obra a conferir! No entanto, é preciso não esquecer que a mesma terá de ser acompanhada por "Death Note: The Last Name".

"Death Note"

The Internet Movie Database (IMDb) link

Trailer

Outras críticas em português:

  1. Cinedie Asia
  2. Axasteoquê?!?

Esta crítica encontra-se igualmente disponível "on line" em Clubotaku

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8





sábado, outubro 14, 2006

Battle Royale/Batoru Rowaiaru ( 2000)
Origem: Japão
Duração: 113 minutos
Realizador: Kinji Fukasaku
Com: Tatsuya Fujiwara, Aki Maeda, Taro Yamamoto, Asanobu Ando, Kou Shibasaki, Chiaki Kuriyama, Takeshi Kitano, Yûko Miyamura
"Os ilustres concorrentes, ou melhor dizendo, a carne para a matança!"

Estória

Algures no Séc. XXI, o Japão encontra-se imergido numa crise económica gravíssima, que faz dispara o desemprego para uma taxa de 15%, o que equivale precisamente a quinze milhões de desempregados.

Sem esperança de um futuro risonho, muitos estudantes perdem o respeito aos professores e à escola, entram em motins e abandonam os estudos, tornando-se em verdadeiros delinquentes juvenis.

Com a caótica situação provocada pelos alunos das milhares de escolas existentes no Japão e que agrava ainda mais a instabilidade que se vive no país, o governo resolve tomar medidas drásticas. É emanada a "Lei Battle Royale", que cria um jogo muito peculiar envolvendo os adolescentes.

O desafio consiste em selecionar uma turma muito problemática, levá-la para uma ilha isolada, e pôr os estudantes a se matarem mutuamente, até que reste apenas um: o vencedor do jogo!

Outras particularidades fazem parte deste mórbido embate, tais como o facto de se em 3 dias não houver um vencedor, os colares que os alunos usam ao pescoço explodem automaticamente; é facultada uma mochila a cada um dos participantes que possui um "kit" de sobrevivência e uma arma que pode ir desde uma sofisticada metralhadora, passando por uma "katana" japonesa, até a uma simples tampa de panela; existem zonas qualificadas de muito perigosas, em que se o estudante lá estiver a determinada hora do dia, tem uma probabilidade muito mais elevada de ser morto, etc.

Este ano calhou a "má sorte" aos 42 alunos que compõem a turma de "Shuya", um rapaz órfão devido ao suicídio do pai por enforcamento.

Quando o jogo começa, igualmente se inicia a violência, o caos e as mortes em larga escala!

"Shuya e Noriko"

"Review"

Muitos poucos filmes tiveram o condão de provocar tanta polémica como o famoso "Battle Royale". Aquando da sua estreia no Japão, muita gente afluiu aos cinemas, outros demonstraram-se verdadeiramente chocados, e o próprio governo nipónico pensou seriamente em bani-lo.

Não demorou muito que este efeito se propagasse por todo o mundo, e a curiosidade grassou, atendendo a que o filme supostamente contava a estória de um grupo de adolescentes que se matavam uns aos outros, numa orgia de violência gratuita.

Diga-se desde já que este aspecto foi bastante empolado, pois apesar de "Battle Royale" ser por vezes chocante e violento, igualmente constitui uma película com grande substância, expedita mensagem e eivada de grande qualidade.

"O professor Kitano acompanhado da tropa"

O filme não possui praticamente momentos mortos, sendo recheado de bastante acção e um agradável entretenimento, se é que se pode usar esta expressão.

O facto de o argumento versar em grande parte acerca de adolescentes que lutam até à morte, é o grande culpado da polémica levantada em torno do filme, atendendo a que infelizmente e com alguma frequência, temos conhecimento próprio ou através dos meios de comunicação social, de eventos relacionados com a delinquência juvenil, tendo o seu expoente máximo nos massacres em liceus perpetrados por alunos, situação que ocorre amiúde, em especial nos E.U.A.

Se o filme mantivesse o mesmo argumento, com a única diferença de substituir-se os adolescentes por adultos, com certeza que metade do "frisson" criado à volta da película esvairia-se.

A interpretação dos jovens actores é muito boa, conseguindo em grande medida nos transmitir o desespero angustiane da luta pela sobrevivência e a infindável tristeza (pelo menos para alguns) em tirar a vida ao amigo ou colega com o qual partilhamos o quotidiano. Sobressai naturalmente o "acting" do único actor verdadeiramente experiente no filme, o consagrado Takeshi Kitano, ou como é frequentemente conhecido, "Beat" Takeshi.

Como já foi anteriormente avançado, "Battle Royale" não pode ser resumido a um conceito tão básico como a violência gratuita. Várias mensagens são transmitidas pelo filme, e se eu quisesse apontar quais as películas que melhor reflectem a natureza humana, com as suas expectativas e frustações, esta com certeza faria parte do rol. Veja-se por exemplo a personagem de "Shuya", que muitas vezes quando se encontra metido em situações delicadas, reflecte acerca da mensagem que o pai suicida lhe deixou ("Força Shuya! Tu consegues Shuya!"), ou então a figura de "Kawada" , um vencedor de uma antiga edição de "Battle Royale", que se submete novamente ao desafio, apenas para tentar perceber o que a namorada "Keiko" tentou-lhe transmitir aquando da sua morte.

Isto só para dizer, e insistindo novamente no aspecto da natureza humana, que o filme está impregnado de reflexões acerca do medo, da timidez, do amor, decepção, inveja, ciúme e humilhação, todos estes factores potenciados ao máximo pela situação crítica em que estes estudantes vivem.

Muitos poderão não gostar de "Battle Royale", mas todos terão forçosamente de reconhecer que é um filme que mexe conosco, fazendo jus à máxima "Amado ou Odiado".

Atrevam-se a visioná-lo!!!

"O alucinado!!!"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 10

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,25


"Chiaki Kuriyama não está para brincadeiras"