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segunda-feira, dezembro 10, 2007

Ring - A Maldição/Ring/Ringu - リング (1998)

Origem: Japão

Duração: 97 minutos

Realizador: Hideo Nakata

Com: Nakako Matsushima, Hiroyuki Sanada, Orie Izuno, Rie Inou, Miki Nakatani, Yuko Takeuchi, Hitomi Sato, Yoichi Numata, Yutaka Matsushige, Katsumi Muramatsu, Rikiya Otaka, Masako, Daisuke Ban, Kiyoshi Risho, Masahiko Ono

"A repórter Reiko Asakawa"

Estória

“Reiko Asakawa” (Nakako Matsushima) é uma repórter que investiga a estranha morte da sua sobrinha “Tomoko” (Yuko Takeuchi) e dos seus colegas de liceu. A chave para a resolução do caso parece estar relacionada com uma cassete vídeo, que pelos vistos faz com que todos aqueles que a vejam, morram exactamente sete dias depois.

“Reiko” acaba por encontrar a cassete e visiona-a, deparando-se com um curto filme bastante estranho. Seguidamente recebe uma chamada a informá-la que irá falecer. Inadvertidamente, “Reiko” deixa o vídeo maldito ao alcance do seu jovem filho “Yoichi” (Rikiya Otaka), e este também fica amaldiçoado. Desesperada, “Reiko”, conjuntamente com o ex-marido “Ryuji Takayama” (Hiroyuki Sanada), que também viu a cassete e encontra-se sob o signo da morte, tentam a todo o custo fazer face à iminência da tragédia.

"O professor Ryuji Takayama"

As investigações de ambos conduzem-nos à ilha de Izu Oshima, onde descobrem que a mulher que vêm na cassete é “Shizuko Yamamura” (Masako), falecida há bastantes anos e que possuía poderes premonitórios. Igualmente chegam à conclusão que o responsável pelas mortes é o espírito vingativo de “Sadeko” (Rie Inou), a filha de “Shizuko”, uma rapariga que igualmente possuía poderes psíquicos, consistindo os mesmos em conseguir matar apenas com o olhar.

As horas passam e a morte aproxima-se cada vez mais à medida que “Reiko” tenta desesperadamente salvar a vida daqueles que ama.

"Reiko prepara-se para visionar a cassete amaldiçoada"

"Review"

Apesar de um dos géneros de cinema asiático mais bem sucedidos no mundo inteiro ser o horror, nunca fui um particular apreciador deste género de filmes, ao contrário de muitos. O terror provindo do oriente ganhou um culto próprio, com bastantes fãs, e inclusive serviu de inspiração para “remakes” de um cinema de Hollywood que ainda sofre uma crise latente de ideias.

Poder-se-á afirmar com alguma propriedade que o grande responsável, ou pelo menos detendo uma parte essencial no fenómeno, foi “Ringu”. Baseado na novela com o mesmo nome, do escritor Kôji Suzuki (que bebeu influência no conto popular japonês “Banchô Sarayashiki”), “Ringu” constitui um filme premiado, de onde se destaca o galardão atribuído para melhor filme no festival de Sitges – edição de 1999, o que constitui sem dúvida nenhuma um bom cartão de visita. A aura que rodeou o filme aquando da sua estreia no Japão, foi tremendamente avassaladora, tendo sido a película de horror que mais triunfou no “box Office” do país (15,9 mil milhões de ienes, à volta de 97,55 milhões de euros), sendo considerado para alguns, o filme mais assustador que já viram (quanto a este ponto em particular, eu irei pronunciar-me mais baixo). Inclusive surgiu o rumor que o apartamento de “Reiko”, a personagem interpretada por Nakako Matsushima, estava “realmente” assombrado pelo fantasma de uma rapariga que ali se teria suicidado. Brrr…

Segunda-feira, 13 de Setembro…a contagem fatídica para “Reiko” inicia-se, e o tempo não volta para trás…“Ringu” não aposta em litros de sangue, violência extrema ou “gore” para atingir o seu objectivo. O que está aqui em causa é algo bastante mais refinado, a saber, o uso de uma atmosfera psicologicamente sombria, que joga tudo na antecipação e na tensão mental, tendo em vista pôr-nos na fronteira com o susto, sem sabermos quando o mesmo se irá desencadear. Embora seja de elogiar a forma como tudo nos é apresentado, tenho de confessar que fiquei imune a bastante dos efeitos que “Ringu” supostamente haveria de provocar nos espectadores, mas daí não sou muito impressionável nesse aspecto, confesso. A única cena que ainda provocou algum “frisson” na minha pessoa, foi sem dúvida aquela em que o professor “Ryuji” se depara frente a frente com o espírito vingativo de “Sadeko”. Mesmo aí, e considerando que o encadeamento está extremamente bem conseguido (disso, não resta nenhuma dúvida), consegui-me aguentar com alguma tranquilidade. Bem…er…confesso que quando aquele espírito do inferno começou a levantar a cabeça lentamente, uma certa apreensãozita começou a girar aqui dentro…

"Uma das imagens do filme que se encontra na cassete, onde se pode ver Sadeko a fitar o poço"

O que apreciei verdadeiramente em “Ringu” foi a construção da trama, das personagens, e das interpretações do grande actor japonês Hiroyuki Sanada, e da bela ex-modelo Nakako Matsushima. Suspense à parte, apreciei de sobremaneira a componente de mistério presente na película, e os esforços desenvolvidos por aquela família destruída, mas unida num desígnio comum, para se salvar da maldição que impendia sobre as suas vidas. Apesar de estarmos a falar de uma longa-metragem que gira em torno de aspectos fantásticos, as personagens são bastante reais e reconduzíveis ao nosso quotidiano. Existe um “terra-a-terra” saudável.

Merece uma particular chamada de atenção a gravação presente na cassete vídeo e que constitui o mote para tudo o que se passa nesta longa-metragem. Aí reconheço que a atmosfera conseguiu afectar-me um pouco (as imagens distorcidas e o preto e branco ajudaram) e fazer com que durante umas horas eu olhasse para a minha televisão com outros olhos, e imaginasse se de repente o programa que eu estivesse a ver desaparecesse por completo, e fosse substituído por um espírito vingativo de longa cabeleira preta, com propósitos homicidas. É certo que a mencionada figura maléfica hoje em dia é um “cliché” monumental, no que toca às películas do género. Mas é bom não esquecer, que foi com “Ringu” que praticamente tudo começou.

“Brincadeiras no mar, demónios no ar” é uma expressão repetida na película e que se encontra associada ao passado tenebroso que constitui o cerne da trama. ”Ringu” é no entanto um filme bastante sério, que nenhum fã do cinema asiático deve perder. Para os amantes do horror, embora continue a dizer que não assuste assim tanto, é imperdível! O sucesso é incontornável, tendo dado origem a uma prequela e a uma sequela, a “remake”, imitações e sátiras da personagem de “Sadeko”. Simplesmente não faz muito o meu género, e essa é que é a verdade.

"Olhar mortal"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia (Hugo Gomes) , Cinedie Asia (Luis Canau), Cine Players, Boca do Inferno, O Crítico, Fanaticine, Cine-Asia, ClubOtaku

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75





segunda-feira, agosto 21, 2006

Saulabi Aka Time Travel to the Root of the Samurai (2001)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 99 minutos

Realizador: Moon Jong-geum

Com: Choi Jae-seong, Enoki Takaaki, Lee Sang-hun, Umemiya Masako

"Ko Woo-do, um dos heróis Paekje"

Estória

Por volta do ano 600 da nossa era, na Coreia do Sul, o reino "Paekje" cai, provocando vários suicídios, com os guerreiros a cometer "harakiri" à moda dos samurais japoneses e os ministros a ingerirem veneno.

Passados 450 anos, os descendentes dos "Paekje" vivem exilados no Japão e tentam a todo o custo forjar a "Espada do Céu" que supostamente será um símbolo que unirá o povo e restaurará o reino à muito perdido. Dezassete "Saulabis" (palavra que supostamente significa guerreiro em coreano, embora já tenha ouvido dizer que "Musa" também significa a mesma coisa - desafia-se alguém que conheça o idioma a elucidar-nos acerca deste aspecto) partem com o intuito de levar a cabo o referido desiderato, mas enfrentam um contingente de samurais numericamente superior, sendo os coreanos todos mortos, com a excepção de dois combatentes chamados "Ko Woo-do" e "Kim Jin-woo".

"Ko Woo-do" é posteriormente enviado ao encontro de um pescador alcoólico chamado "Kanemura" que possui uma arte de forjar espadas de um nível superior. Mas após um encontro na estrada com "Ando", o senhor feudal da região, "Ko" apaixona-se por uma cortesã japonesa chamada "Osame" e é aí que os problemas verdadeiramente começam.

O pai de "Osame" prometeu-a em casamento a "Ando", no entanto tal não obsta a que a rapariga retribua o amor de "Ko". O "affair" é descoberto, a vila onde estão sedeados os "Paekje" é atacada, "Ko" é ferido num duelo por "Ando", e os sobreviventes coreanos retiram-se por um período de 15 anos.

Decorrido este tempo, a "Espada do Céu" é completamente forjada e "Ko" desafia "Ando" com o objectivo de recuperar a sua honra.

"Ko Woo-do ensina a cortesã japonesa Osame a tocar o Guomungo"

"Review"

Da Coreia do Sul chega-nos este "Saulabi" que constitui um misto de drama e épico, com um ambiente em tudo igual aos "chambara" japoneses.

À partida e como garantia de qualidade, temos como cartão de visita deste filme o coreógrafo de cenas de luta Takakura Eizi, colaborador de longa data de Akira Kurosawa. E de facto as cenas de "swordplay" são do melhor que "Saulabi" tem para nos oferecer. Curtas, duras e da costumeira violência com que os filmes de samurais nos costumam brindar. Mas daqui não há nada a retirar de novo.

O que chama verdadeiramente à atenção é o forte pendor nacionalista presente na película. Os japoneses são praticamente sempre vistos como os "maus da fita", possuidores de um feitio execrável, exarando risos maníacos e atacando as pessoas sem motivo nenhum. A única excepção será porventura "Ando", que mesmo na intolerância revela alguma sensatez e sentido de honra.

A tensão Japão/Coreia até é reflectida nos instrumentos musicais, com uma tentativa de sublimação do Guomungo coreano face ao Kotto japonês.

Provavelmente isto traduz o reflexo e a tensão social resultantes da propalada intolerância dos japoneses para com os coreanos que residem no Japão e da contínua estória de conflitos militares existentes entre os dois países. Pense-se a título meramente exemplificativo na ocupação da península coreana por parte dos japoneses na II Guerra Mundial.

O romance existente entre "Ko" e "Osame" é bem explorado no início, mas posteriormente é completamente posto de lado na segunda metade do filme, o que no mínimo é estranho, pois é um dos grandes motivos da tensão reinante.

A banda-sonora está uns furos abaixo do normal para este género de filmes, sendo à semelhança da exploração de sentimentos que se tenta fazer vingar e redondamente falha.

A ideia que está por detrás de "Saulabi" até é boa, mas está longe de ser correctamente executada. Existem variadíssimas situações que careciam de uma abordagem mais profissional. Não está nem de longe nem de perto ao nível de filmes como "Musa, the Warrior" e a quilómetros de distância da mais fraca obra de Akira Kurosawa ou de "A Sombra do Samurai" de Yoji Yamada.

Promete muito, mas no fim não passa de mais um filme qualquer...

"Ko Woo-do e Osame fogem da perseguição dos japoneses"

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 6

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 6,88