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segunda-feira, setembro 06, 2010

Kaminey: The Scoundrels/Kaminey – कमीने (2009)

Capa

Origem: Índia

Duração aproximada: 130 minutos

Realizador: Vishal Bhardwaj

Com: Shahid Kapoor, Priyanka Chopra, Deb Mukherjee, Shivkumar Subramaniam, Chandan Roy Sanial, Tenzing Nima, Hrishikesh Joshi, Amole Gupte, Rajatva Datta, Harish Khanna, Carlos Paca, Eric Santos, Sagar, Samrat, Vijay Raj

Charlie 6

Charlie Sharma”

Sinopse

“Guddu” e “Charlie Sharma” (ambos interpretados por Shahid Kapoor) são dois irmãos gémeos, que detestam-se e não falam um com o outro há 3 anos. “Guddu” prefere levar uma vida honesta, dedicando-se a causas sociais, tais como trabalhar na prevenção da SIDA em Mumbai. Por sua vez, “Charlie” é um delinquente de pouca monta, que ambiciona a progredir rápido na vida, viciando corridas de cavalos.

Guddu 2

Guddu Sharma”

Um dia, a vida de ambos sofre um volte-face inesperado. “Guddu” casa com “Sweety” (Priyanka Chopra), uma mulher que espera um filho seu. Esta atitude, faz com que “Guddu” incorra na ira de “Sunil Bhope” (Amole Gupte), o irmão de “Sweety”, um político e “gangster” perigoso, que almejava casar aquela com o filho de um rico construtor civil. Entretanto, “Charlie” encontra um carregamento valioso de cocaína pertencente a polícias corruptos, e vê aqui uma oportunidade para enriquecer rapidamente, vendendo a droga. No meio da confusão, as vidas dos irmãos cruzam-se novamente e ambos terão de lutar para sair do perigoso jogo em que se meteram.

Sweety 2

Sweety”

Review”

Depois de ter ganho alguma proeminência na cena de “bollywood”, com “Maqbool” e “Omkara”, duas adaptações shakespearianas, o realizador Vishal Bhardwaj deu vida a “Kaminey”, um “thriller”, com uma aura urbana muito forte, onde o submundo de Mumbai e o jogo de sentimentos ditam a lei. Trata-se de uma obra pouco convencional, atendendo ao espectro de onde provém, tendo granjeado mesmo alguns problemas com a certificação da película por parte do comité de censura do cinema indiano, um organismo que não faz sentido nenhum existir num país que se auto intitula como a maior democracia do mundo. Efectivamente, há que reconhecer que “Kaminey” é um desafio ao público indiano, e ao de Mumbai em particular, para pôr de parte certos convencionalismos instalados, e ter uma mente mais aberta no que toca ao visionamento de cinema.

“Kaminey” possui um argumento bastante interessante, que reza a história, foi adquirido a um escritor queniano, por 4 mil dólares. A trama não se atém apenas ao crime e às acções mais movimentadas decorrentes desta premissa. Existe uma exposição de humor bastante subtil, mas perceptível, assim como momentos de pura ironia. Pense-se, a título meramente exemplificativo, no facto de “Guddu” pertencer a uma ONG (Organização Não Governamental), que luta contra a propagação da Sida. Entre as medidas e acções que propõem passa, obviamente, pelo uso do preservativo. Numa noite, “Guddu” deixa-se convencer por “Sweety”, a não usar o contraceptivo e o resultado é a gravidez daquela. Outro exemplo reconduzir-se-á aos defeitos na fala que ambos os irmãos padecem, e que geram alguns momentos de boa disposição.

Sweety defende Guddu

Sweety defende Guddu dos apaniguados do irmão”

Apesar de eu não ser propriamente um fã de Shahid Kapoor, tenho forçosamente de reconhecer que o actor em causa, demonstra aqui certos predicados representativos de aplaudir. Tendo que dar corpo a duas personagens diferentes, com personalidades naturalmente distintas, Kapoor sai-se muito bem e consegue transmitir ao espectador as angústias, problemas e sonhos de ambos os irmãos. O próprio papel, de um ponto de vista físico, viria a ser exigente pois Kapoor teve de trabalhar bastante para ganhar um corpo mais musculado do que tinha. A belíssima Priyanka Chopra, uma antiga miss mundo, consegue ser uma companheira de Kapoor convincente, alternando entre a rapariga imberbe e a mulher forte, que chega a defender o seu amor dos espancamentos dos apaniguados do seu irmão, o gangster “Sunil Bhope”. E por falar do chefe criminoso e xenófobo, proveniente de Mumbai, gostei particularmente da interpretação do actor Amole Gupte, evidenciadora de um sarcasmo e perigosidade bastante premente.

Com uma banda-sonora mediana, e cenas mais fortes do que estamos habituados a ver numa obra de “Bollywood”, “Kaminey” é uma proposta deveras interessante da meca do cinema indiano. Revela algo que o realizador Vishal Bhardwaj já tinha demonstrado em anteriores películas suas, que é uma rebeldia contra o “status quo” institucionalizado na cena de Mumbai. “Kaminey” é polémico quanto baste, e potenciador de agradar até aqueles que não elegem “bollywood” no seu visionamento, ou que desconfiam das suas produções.

A conferir!

Charlie 5

Charlie em perigo”

imdb 7.6 em 10 (3.252 votos) em 6 de Setembro de 2010


Outras críticas em português/espanhol:

  1. Cinema Indiano
  2. El Pozo de Sadako

Avaliação:

Entretenimento – 8

Interpretação – 8

Banda-sonora – 7

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 8

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 7,63

sábado, junho 21, 2008

Omkara - ओमकारा (2006)
Origem: Índia
Duração: 152 minutos
Realizador: Vishal Bharadwaj
Com: Ajay Devgan, Saif Ali Khan, Kareena Kapoor, Konkona Sen Sharma, Naseeruddin Shah, Vivek Oberoi, Bipasha Basu, Deepak Dobriyal, Manav Kaushik, Kamal Tiwari, Pankaj Tripathy
"Omkara e Dolly"

Sinopse

“Dooly” (Karena Kapoor) é raptada a caminho do seu casamento, e o seu pai, o conhecido advogado “Mishra” (Kamal Tiwari), decide apresentar queixa à mais poderosa personalidade da zona, o político “Bhaisaab” (Naaseruddin Shah). Este convoca o raptor e ao mesmo tempo o seu braço armado, o destemido “Omkara” (Ajay Devgan). A reunião serve apenas para descobrir que afinal “Dooly” foi ter com “Omkara” de livre vontade, pois existe um grande amor entre os dois. Repudiada pelo pai, a rapariga vai viver para a casa da sua paixão, e ambos encetam os preparativos para o aguardado enlace.

Com a eleição de “Bhaisaab” para o parlamento nacional, “Omkara” é escolhido para ser o comandante regional do político, e torna-se assim a personagem mais influente do burgo. Contudo, “Omkara” vê-se face a uma difícil situação, que passa por escolher para seu sucessor, um dos seus dois lugares-tenentes. De um lado, temos “Langda” (Saif Ali Khan), um ser tortuoso que acompanha “Omkara” há 15 anos; do outro, está o educado e mulherengo “Keshu”, que acaba por ser o nomeado.

"Keshu e Billo"

“Langda” sente-se profundamente despeitado, pois estava convencidíssimo que o eleito seria ele. Cedo começa a conspirar contra “Keshu”, de forma a retirar-lhe o lugar que tanto ambicionava. O plano passa por envenenar progressivamente o espírito de “Omkara”, no sentido de o convencer que “Keshu” mantém um romance proibido com “Dolly”. “Omkara” começa a ser persuadido pelas maquinações de “Langda” e a tragédia cada vez mais é anunciada...

"Langda"

"Review"

Ao longo da história do cinema, foram feitas inúmeras adaptações das peças de William Shakespeare, algumas extremamente interessantes como “Henrique V”, realizado e protagonizado pelo norte-irlandês Kenneth Branagh. Existe sempre um grande risco em passar para o grande ecrã as narrativas do dramaturgo de Stratford-upon-Avon , pois quanto a mim subsistirão sempre textos que resultarão melhor nos palcos do teatro. Quando me deparei com “Omkara”, a minha curiosidade foi extremamente sobrelevada, essencialmente devido à frase que ilustrava a capa do filme, a saber, “A Vishal Bhardvaj Adaptation of Shakespeare's Othello”. Comecei a pensar cá para os meus botões que aqui poderia estar eventualmente uma experiência deveras interessante, sobretudo pelo aliar das características do cinema de Mumbai (antiga Bombaim) no que concerne ao drama, com a sensibilidade erudita e inteligente de Shakespeare.

É igualmente justo que vos diga, e isto agora representa um desabafo, que a certa altura tomei como ponto de honra diversificar ao máximo o conteúdo temático do “My Asian Movies”, tendo sempre por norte o cinema asiático (como nunca poderia deixar de ser!). O objectivo, acima de tudo, é tornar este espaço o mais completo possível, tendo consciência que o caminho ainda é longo, e que tal implica um constante descobrir e redescobrir. Consequências práticas desta premissa: não me cingir apenas ao cinema proveniente de Hong Kong, China, Coreia do Sul, Japão e Tailândia e diversificar ao máximo os géneros aqui expostos, o que implica ir desde o “swordplay” até ao terror. O cinema da indústria de “Bollywood” tem aparecido amiúde neste espaço, um pouco no surgimento das ideias anteriormente expostas. Eu, à semelhança de provavelmente a maior parte de vós, sempre tive uma desconfiança natural deste segmento da sétima arte. Mas tentando vencer preconceitos instalados, e à semelhança de uma criança que vai dando os primeiros passos, comecei a expandir os horizontes de forma a que pudesse acolher este ilustre representante do cinema oriental. Como confesso que não tenho muitas referências de “Bollywood”, antes de adquirir alguma película, procedo a uma investigação mais apurada do que o normal e em função da mesma, tomo uma opção que pretendo consciente. Tenho tido alguma sorte, e ao escolher as obras mais conhecidas dos últimos dez anos para cá, têm-me parado às mãos filmes que nunca são inferiores ao “Bom”. E isto tem contribuído para que a minha ideia acerca do cinema de Mumbai esteja a ser alterada num sentido positivo. Acrescentando ao facto de “Omkara” ser, como já foi aludido, uma adaptação de “Othello”, com todas as suas implicações, sempre se dirá que o trailer era apelativo e as críticas em geral elogiosas. A exibição do filme em Cannes fez o resto. Este era o próximo cavalo de “Bollywood” em que eu apostaria!

Valeu a pena? Desde já adianto que sim. No entanto, não constitui uma película que possa almejar o panteão dos deuses, que apenas está reservado a alguns. O realizador Vishal Bharadwaj a nível da trama manteve-se fiel ao argumento original, sem apresentar grandes inovações. O que de meritório se lhe poderá atribuir, foi ter efectuado um trabalho extremamente interessante na adaptação da peça à realidade indiana, criando uma harmonia que não será assim tão fácil de conseguir. A bem sucedida experiência anterior com “Maqbool”, uma adaptação de “Macbeth” (outra grande obra de Shakespeare) terá de alguma forma contribuído para que este aspecto em particular tenha sido bem sucedido. Assim como “Othello” era um general mouro do exército veneziano, “Omkara” é um meia casta, que lidera o braço armado do partido de “Bhaisaab”. Ambos são seres pouco convencionais, que detêm posições poderosas num mundo que lhes é de certa forma estranho. A felicidade parece finalmente chegar, envolta num grande amor. No entanto seres como “Othello” e “Omkara” nunca poderão ter descanso, estando fadados à tragédia. Podemos com facilidade descobrir paralelos.

"Dolly sente a frieza de Omkara"

Outro factor a elogiar será a audácia. Passo a explicar. No campo da cinematografia de Mumbai, existem certas regras (consuetudinárias, ou seja que derivam do costume, embora não escritas) que forçosamente a esmagadora maioria dos filmes cumprem, sob pena de serem mal aceites pelo público autóctone. É acima de tudo uma questão cultural e sociológica. “Omkara” rompe barreiras ao expôr um tema negro, traduzido por diversas vezes numa linguagem agressiva que afastou bastantes pessoas no seu país natal, mais habituado a um tratamento leve que apenas carrega nos habituais epílogos trágicos do costume. Frases como “Se eu sou um mentiroso, então sou um filho de um cão. Se estou a falar a verdade, então sou o amante da tua mãe.”, constituem um arrojo que ultrapassa as fronteiras do admissível em Mumbai. Neste particular, aconselho-vos a ler este artigo do “Times” da Índia, sugestivamente intitulado “Families stay away from Omkara”. Pelo contrário, esta longa-metragem conseguiu um sucesso apreciável no exterior, onde além de ter tido o já aludido privilégio da exibição em Cannes, figurou no top 10 das bilheteiras do Reino Unido. Igualmente conseguiu ser notada na Austrália, África do Sul e E.U.A.

A banda-sonora é simplesmente espectacular. Está sem dúvida num nível superior. Eu de facto ando a sofrer algumas transformações nos meus gostos artísticos, e isto reflecte-se em vários aspectos. Há uns anos atrás, eu era perfeitamente incapaz de ouvir uma música de “Bollywwod”que fosse. Conclui que andava era a ver os filmes errados, ou seja, a vertente “xunga” de Mumbai. Como dizia o outro “não negue à partida uma ciência que desconhece". As películas de qualidade de “Bollywood”, costumam igualmente ter bandas-sonoras de gabarito. É forçosamente que assim seja, devido à sobejamente conhecida interpenetração existente entre os filmes e as melodias. No caso particular de “Omkara”, é de salientar a música “Beedi” cujo vídeo podem ver aqui (ou em alternativa ir ao recente “post” de 15 de Junho) e a que mereceu o nome do protagonista principal do filme “Omkara”. Relevo ainda o facto de a banda-sonora não ser exclusivamente composta por músicas “à la Bollywood”. Existem arranjos orquestrais muito poderosos, que com certeza tinham como propósito homenagear a fonte de onde o filme bebe.

As interpretações são meritórias. Mas ao contrário do que se poderia pensar, quem brilha verdadeiramente não é Ajay Devgan ou Karena Kapoor. Sem dúvida a estrela é Saif Ali Khan, que interpreta o infame “Langda” (o equivalente a “Iago” de “Othello”). O seu ar rancoroso, mas ao mesmo tempo bruto, crú e viperino inundam o ecrã, e apenas é ofuscado pela estonteante beleza de Bipasha Basu, que é sem margem para qualquer dúvida, uma das mulheres mais lindas que já vi em toda a minha vida!

O que verdadeiramente não está à altura dos restantes aspectos, é o epílogo do filme. Esperava-se algo mais grandioso e significativo. Ficamos apenas por algo extremamente dramático, mas de certa forma sensaborão e rotineiro. Se haverá aspectos que o cinema de Mumbai tem de melhorar, sem fugir obviamente a sua matriz natural, é reinventar os aspectos do “puxar a lágrima ao olho. É necessário um pouco mais de arte e menos de “piroseira”.

Imbuída de um tom emblemático muito próprio e dotada de uma fotografia sem dúvida acima da média, “Omkara” é mais uma obra proveniente de “Bollywood” bastante recomendável. Longe de roçar a perfeição, valerá pela feliz reunião das características dramáticas de eleição “shakesperianas”, com a tragédia muito própria do cinema de Mumbai. E dos diálogos, sempre se aproveitará alguma coisa de útil para a vida. Neste particular, o que eu retive foi que “as apostas devem ser feitas em cavalos. Nunca em leões!”

A ver!

"O poderoso Bhaisaab e Omkara, na passagem do testemunho"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 9

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,88