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quinta-feira, setembro 03, 2009

Os Amantes do Rio/Suzhou River/Suzhou he - 苏州河 (2000)


Origem: China

Duração: 82 minutos

Realizador: Lou Ye

Com: Zhou Xun, Jia Hongshen, Hua Zhongkai, Yao Anlian, Nai An


"Meimei"

Em Xangai, um anónimo e frustrado realizador (Hua Zhongkai) é contratado pelo dono da “Taberna Feliz”, para fazer um vídeo acerca do seu espectáculo de sereias, protagonizado por “Meimei” (Zhou Xun). Rapidamente, o casal enceta uma relação amorosa forte, mas baseada em algum desprendimento. Através da rapariga, o realizador cedo toma contacto com a triste história de “Mardar” (Jia Hongshen).

“Mardar” era um homem de 26 anos que fazia de “correio” e a quem eram incumbidas várias missões, algumas delas ilícitas. No decurso do seu trabalho, conhece uma jovem chamada “Moudan” (igualmente interpretada por Zhou Xun) e ambos apaixonam-se. No entanto, a vida de crime de “Mardar” vem ao de cima e os seus patrões “Lao B.” (também Hua Zhongkai) e “Xiao Ho” (Nai An) ordenam o rapto de “Moudan”, de forma a que possam pedir um resgate avultado ao pai daquela. “Mardar” entra no esquema, traumatizando “Moudan” com a sua atitude. A rapariga consegue, a certa altura, fugir de “Mardar” e supostamente afoga-se no rio Suzhou.

"Mardar e Moudan"

De volta ao tempo presente, “Mardar”, após cumprir uma pena de prisão, retorna a Xangai, tendo em vista procurar o seu amor de sempre. Na sua busca, depara-se com “Meimei” e convence-se que esta é “Moudan” devido à grande semelhança física entre as duas.



"Uma sereia dos tempos modernos"

"Review"

“Suzhou River” (esqueçamos agora o título que mereceu em Portugal) foi um filme chinês que marcou alguns pontos nos certames de cinema internacional, tendo inclusive merecido uma distinção no nosso bem conhecido “Fantasporto”, edição de 2002. A crítica especializada, quando se refere a “Suzhou River”, costuma apontar esta película como tributária e influenciada pelo romantismo típico das obras de Wong Kar Wai, apontando-se igualmente algumas características dos filmes de Hitchcock. O amor obsessivo por uma mulher que não poderá ser bem quem se pensa, é relacionado com “Vertigo”, assim como a personagem do realizador tende a ser reconduzida a “Rear Window”. Não sendo eu um particular fã do mestre do suspense, tenderei por defeito a situar “Suzhou River” numa onda que detém algumas semelhanças com o denominado “amor urbano”, muito presente nas longas-metragens de Kar Wai e que, à semelhança de muitos, aprecio imenso. Certo é que Lou Ye enfrentou alguns dissabores com a difusão da obra que constitui objecto do presente texto, tendo a mesma sido banida das salas de cinema chinesas, sanção que perdura até aos presentes dias, segundo o que me foi dado a conhecer. O próprio realizador, à altura, seria proibido de realizar filmes durante dois anos. Mais recentemente, a feitura de “Summer Palace”, em 2006, valeu-lhe nova proibição em dirigir películas por mais 5 anos. Contudo, numa atitude corajosa que se saúda face a regimes “musculados”, Lou Ye desafiou a proibição ao dar vida a “Spring Fever”, uma longa-metragem já deste ano.

Não é segredo para ninguém que no início do nosso século, os épicos de artes marciais, ou meramente históricos, é que foram os pontas-de-lança da cinematografia asiática, no que ao ocidente diz respeito. Após a explosão de “Crouching Tiger, Hidden Dragon”, começaram a surgir outros trabalhos emblemáticos do género, a maior parte a cargo de realizadores da denominada quinta geração do cinema chinês, dos quais Zhang Yimou e Kaige Chen talvez sejam os nomes que dirão mais ao comum dos espectadores. Enquanto Yimou brindava-nos com a sua inesquecível trilogia de “wuxia” (sendo “Hero”, o expoente maior), Chen enveredava pela orientação mais terra-a-terra de “The Emperor and the Assassin”, antes de naufragar em “The Promisse”. Em total dissonância com esta orientação, a denominada “sexta geração” de realizadores chineses, numa perspectiva anti-sistema, apostou em filmes de baixo orçamento, com um grande pendor urbano, neo-realista e mesmo existencialista. Os temas que tratam são bastante actuais, e focam-se sobretudo na entrada lenta da China no mercado capitalista, e nos aspectos, tanto nocivos como positivos que grassam pela população, não amiúde entre os jovens. O realizador Lou Ye é um filho dessa geração, ao lado de outros nomes como Jia Zhangke ou Wang Xiaoshuai, por exemplo. Confesso que não se trata de uma perspectiva que colha muito a minha predilecção, do ponto de vista cinematográfico. Mas é indubitável que granjeou seguidores, e que denota méritos inquestionáveis. “Suzhou River” é um honrado produto desta corrente.



"Vista do balcão"

“- Se algum dia eu te deixar, irás à minha procura?”, pergunta “Meimei”, ao narrador da história. Está dado o mote para uma estranha e inebriante história de amor e de diversas vidas interligadas, onde pano de fundo é uma contemporânea Xangai, a maior cidade da China e uma das mais vastas metrópoles do mundo. No entanto, não nos é demonstrado a urbe pejada de arranha-céus e luzes de néon. Somos, isso sim, confrontados com uma povoação monstruosa e decadente, onde a paixão obsessiva e um sentimento inexorável de perda ditam a lei. A estrutura narrativa passa essencialmente pelos sentidos do realizador anónimo, dos quais ouvimos apenas a sua voz, quer a contar a sua história e a de terceiros, assim como a dialogar com os restantes intervenientes da história, principalmente “Meimei” e “Mardar”. Num estilo que por vezes se aproxima do registo documentário, o referido protagonista marca igualmente a sua intervenção com gestos, e através da sua própria vivência dos acontecimentos. Esta maneira de apresentar a trama, tem uma grande vantagem no sentido de criar uma intimidade próxima com o espectador, fazendo com que o mesmo se imbua mais nas experiência do narrador. Atrever-me-ia a dizer que é quase um estilo de “role playing game”, em que a única diferença passará por não estar na nossa disponibilidade manietar as opções das figuras do filme. Talvez, o termo “voyeurismo” assuma aqui alguma acuidade, e não seja tão despiciendo quanto isso. A partir do momento que começamos a visionar “Suzhou River”, somos remetidos a maior parte das vezes à condição de “voyeur”.

A actriz Zhou Xun dá corpo a uma interpretação de excelente nível, tanto no papel de “Meimei”, como no de “Moudan”. Ela consegue apanhar brilhantemente as características de cada uma das mulheres, extravasando as características de ambas, que se afiguram bastante diversas. Pelo menos, numa primeira aproximação. Zhou Xun efectivamente aqui demonstra ser uma “sereia” (expressão com um sentido muito próprio no filme) dos tempos modernos, demonstrando que possui valor para ambicionar um dia a ser uma verdadeira diva do cinema oriental. Alguns trabalhos posteriores da actriz viriam a confirmar esta premissa. Outros, nem por isso. Jia Hongshen igualmente marca pontos na película, representando o papel de um homem amargurado e de certa forma fadado a um destino trágico. O seu recorte melancólico ajusta-se às mil maravilhas no desafio que aqui lhe foi proposto. O próprio tom do realizador na narrativa é muito bem encaixado, quase poético e que adensa imenso a profundidade emocional que é requerida.

“Suzhou River” não é um filme de fácil apreensão, não estando esta premissa relacionada com um enredo de difícil degustar para o espectador. A sua maior dificuldade advirá do facto de, embora ser uma película que apela aos sentimentos de quem a visiona, necessitar de ser interiorizada de uma forma bastante particular. À semelhança de vários pontos do nosso planeta, em redor do poluído rio “Suzhou” subsistem edifícios degradados, miséria e várias histórias anónimas de crime, amor, traição ou simples sobrevivência. Esta é, pelos vistos, apenas mais uma. Mas indubitavelmente de grande significado e narrada com uma agonizante pendor documental.

Uma boa proposta de um malfadado elemento da sexta geração dos realizadores chineses.



"O realizador afaga Meimei"


Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:





Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 9

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,88






sábado, dezembro 27, 2008

Painted Skin/Wa pei - 画皮 (2008)
Origem: Hong Kong
Duração: 103 minutos
Realizador: Gordon Chan
Com: Donnie Yen, Zhou Xun, Vicki Zhao, Chen Kun Aka Aloys Chen, Betty Sun, David Leong, Qi Yuwu
"Wang Shen"

Sinopse

“Xiao Wei” (Zhou Xun) é uma mulher atraente que na realidade revela ser um demónio devorador dos corações dos seus amantes, sendo este o alimento para que se possa manter sempre bela. Apesar de a sua natureza não se compadecer com as emoções humanas, “Xiao Wei” apaixona-se por “Wang Sheng” (Chen Kun Aka Aloys Chen), um honrado comandante do exército local, que está convencido que a salvou de um grupo de salteadores do deserto.

“Wang Sheng” acolhe “Xiao Wei” nos seus domínios, e cedo vários soldados e oficiais apaixonam-se pelo demónio, constituindo as vítimas ideais para as suas predações. Contudo, uma série anormal de assassinatos começam a grassar pelo burgo, e cedo se descobre que um assassino-demónio extremamente versado nas artes marciais (Qi Yuwu) é o responsável. O antigo general “Yong” (Donnie Yen), auxiliado pela caçadora de demónios “Xia Bing” (Betty Sun), tenta pôr fim à matança, dando caça ao misterioso homicida.

"Yong"

Entretanto, a esposa de “Wang Sheng”, a linda “Peirong” (Vicki Zhao) tem praticamente a certeza que “Xiao Wei” é um demónio, assim como está directamente relacionada com o infortúnio que se abateu sobre a povoação. As duas mulheres acabam por entrar num conflito directo, cujo prémio ambicionado é o coração de “Wang Sheng”.

"O demónio Xiao Wei"

"Review"

Baseado no conto do século XVIII de Pu Songling, denominado “Strange Tales of Liaozhai”, “Painted Skin” é supostamente o “remake” de um filme realizado por King Hu, em 1993, e onde despontavam nomes como Joey Wong, Adam Cheng e Sammo Hung. Como já li um texto de um amigo que neste aspecto está mais informado do que eu, a afirmar que tratavam-se de abordagens diferentes, deixo para já esta questão em aberto. Cabe ainda dizer que já no longínquo ano de 1966, esta história havia sido trazido para a tela, por intermédio do realizador Pao Fong, num registo que passaria um tanto ou quanto despercebido. O motivo de interesse mais imediato para conferir a obra que ora se analisa é o facto de a mesma ser a candidata de Hong Kong a tentar figurar nos cinco finalistas do óscar para melhor filme estrangeiro – edição de 2009, e quem sabe, até levar o troféu para casa (aspecto que desde já desconfio que suceda).

“Painted Skin” conseguiu fugir à onda de filmes como “O Tigre e o Dragão”, Herói” ou “O Segredo dos Punhais Voadores”, e revela ser tributária da vaga de “wuxia” com temáticas sobrenaturais que fizeram escola em Hong Kong nos anos '80 e '90. E efectivamente quando estava a visionar este filme, confesso que películas como “The Bride With White Hair” ou “A Chinese Ghost Story” acorreram ao meu pensamento. Após alguma pesquisa, sempre descobri que “A Chinese Ghost Story” e “Painted Skin” partilham a mesma inspiração, ou seja, as histórias fantasmagóricas do escritor Pu Songling. O facto de Gordon Chan ter enveredado por uma abordagem mais tradicional e em conformidade com as características mais identificativas do cinema de Hong Kong, não quer dizer necessariamente que seja positivo, mas sempre é de saudar. Principalmente numa altura em que os mais puristas acusam, e com alguma razão, que o cinema daquelas paragens está descaracterizado em nome da internacionalização. Isto consubstancia-se essencialmente na elaboração de longas-metragens que sejam mais apelativas aos olhos dos ocidentais, em detrimento dos aspectos mais identificativos do cinema de Hong Kong.

"Peirong transformada"

“Painted Skin” pretende ser ao mesmo tempo uma história de terror, temperada com elementos românticos e de “wuxia”. No entanto, não existe nada que assuste verdadeiramente o espectador, e é sem dúvida nenhuma os aspectos mais sentimentais e das artes marciais que marcam a bitola desta longa-metragem e que a enformam. As premissas prometem muito, embora não sejam inovadoras. Um demónio feminino, cuja única razão de viver é manter a sua beleza, mata os seus amantes e alimenta-se dos seus corações. Chega o dia em que um homem estóico desperta-lhe a paixão. O seu pendor maquiavélico agora é posto ao serviço da conquista do amor, tendo para o efeito que afastar uma rival humana. Essa mulher iguala-lhe em beleza, mas possui uma bondade intrínseca, antagónica a tudo o que representa aquele ser sobrenatural. Existem sacrifícios e combates, sejam físicos ou sentimentais. No fim, existirá um confronto final, onde tudo se decidirá e mesmo os vencedores ficarão com sequelas inultrapassáveis. Estes aspectos, embora expostos de uma forma que não defrauda, poderiam ter sido desfilados de uma forma mais apelativa ao espectador. A trama é intermitente, onde por vezes se envereda por uma lentidão quase exasperante, sobretudo nas partes da intriga onde se discute se “Xiao Wei” é realmente um demónio, ou se “Wang Sheng” está realmente apaixonado por aquela ou mantém-se fiel ao amor por “Peirong”. Outro aspecto que feriu um pouco o filme, foi a revelação frontal e desde o início que “Xiao Wei” é o demónio, fazendo com que todas as tentativas desta em ocultar o seu estado se afigurem um tanto ou quanto despiciendas perante quem visiona a película. Num campo um tanto ou quanto diverso, Gordon Chan deveria ter buscado inspiração na personagem de “Jiao Long” em “O Tigre e o Dragão”, interpretada pela diva Zhang Ziyi. Neste filme, Ang Lee apresenta-nos “Jiao Long” de uma forma gradual, incutindo uma salutar aura de mistério que nos apraz imenso e que mistifica positivamente a anti-heroína.

Por outro lado, “Painted Skin” tem méritos visuais de aclamar. É um filme “bonito” em praticamente todos os seus aspectos. Os cenários e a cinematografia fazem-nos sonhar acordados, e o guarda-roupa e a caracterização são um “must”. Uma das cenas mais poderosas que vi nos últimos anos é a transformação de “Peirong”, interpretada pela estonteante Vicki Zhao. Como é óbvio, e atendendo essencialmente à caracterização, chamei imediatamente à colação Brigitte Lin no emblemático “The Bride With White Hair”. Zhao está verdadeiramente de outro mundo, e não apenas pela sublime aparência, mas igualmente pela brilhante cena em que se nota à distância que a actriz colocou todo o seu empenho e mais algum. Verdadeiramente conseguimos sentir toda a agonia e sofrimento do sacrifício denotado por “Peirong”, e isto constitui o momento alto do filme a nível da interpretação. O restante “cast” porta-se competentemente, sem denotar grandes laivos de brilhantismo. Zhou Xun, Chen Kun e Betty Sun são três caras bonitas do espectro asiático, que possuem algumas capacidades artísticas. Quando se fala do mítico Donnie Yen, o tema das lutas inevitavelmente terá de vir ao de cima. Em “Painted Skin”, o “wire fu” domina, assim como as tradicionais perseguições pelos telhados, que já vimos tantas vezes antes, mas que não deixo de apreciar. Embora não existam muitos momentos de acção, quando os mesmos decidem dar um ar da sua graça, os resultados são aceitáveis e por vezes mesmo entusiasmantes, pelo que não será por aqui que o filme cairá. Obviamente que neste factor em particular, será Donnie Yen que contribuirá quase na plenitude.

“Painted Skin” consubstancia-se num esforço salutar do aclamado realizador Gordon Chan em fazer reviver o subgénero da fantasia sobrenatural de artes marciais, que parecia ter sido atirado para o baú das recordações. Possui méritos inquestionáveis, que passarão quase todos pelos aspectos visuais da película, desde os cenários, a caracterização das personagens até ao “cast” visualmente apelativo. Contudo, não me parece ter qualidade suficiente para que possa almejar um troféu com a magnitude de um óscar, mesmo que se reconheça que o prémio está muitas vezes sujeito ao crivo das modas e dos “lobbies”. Sinceramente, já vi a cinematografia de Hong Kong representada por filmes com qualidade superior, e mesmo assim nem chegar aos últimos cinco. O futuro o dirá e ele já está aí mesmo ao virar da esquina.

De qualquer forma, estamos perante uma obra interessante, que merecerá uma espreitadela descomprometida!

"Combate no deserto"

The Internet Movie Database (IMDb) link

Trailer

Site Oficial

Outras críticas em português:

  1. Asian Fury

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,50







sábado, dezembro 15, 2007

O Imperador e o Assassino/L'Empereur et L'Assassin/The Emperor and the Assassin/Jing Ke ci qin wang - 荊柯刺秦王(1998)

Origem: China

Duração: 155 minutos

Realizador: Kaige Chen

Com: Gong Li, Li Xuejian, Zhang Fengyi, Gu Yongfei, Zhou Xun, Chen Kaige, Zhou Sun, Lu Xiaohe, Wang Zhiwen, Zhao Benshan, Ding Haifeng, Pan Chiangjiang

"A dama Zhao"

Estória

No ano 221 A.C., “Ying Zheng” (Li Xuejian), o ambicioso rei de Qin, anseia conquistar os remanescentes reinos da China, tendo em vista unificá-los e formar um grande estado sob o seu comando. De modo a arranjar uma justificação para invadir o reino vizinho de Yan, “Zhang” envia para aquela terra o amor da sua vida, a concubina “Zhao” (Gong Li). A função de Zhao é servir de espia, e convencer o monarca daquele reino, o príncipe “Dan” (Zhou Sun) a enviar um assassino para matar o rei de Qin, e desta forma por fim aos seus propósitos imperialistas. Claro que o rei de Qin está ciente da situação, pois está tudo combinado com “Zhao”, em ordem a arranjar o motivo para a tão desejada guerra.

"Jing Ke"

“Zhao” encontra o assassino ideal na pessoa de “Jing Ke” (Zhang Fengyi), um homem com uma grande perícia na arte de matar, mas bastante introspectivo e desanimado. Tal facto explica-se devido a um incidente do passado, que passou pelo suicídio de uma jovem rapariga após “Jing Ke” ter assassinado a sua família inteira. “Zhao” começa a apaixonar-se pelo assassino, à medida que por sua vez os sentimentos pelo rei de Qin se vão retraindo, degenerando os mesmos num ódio pessoal.

Tal situação leva a que a tentativa fingida de assassinato torne-se real, obviamente sem o implacável rei de Qin saber, dando origem a um manancial de intrigas tanto políticas como amorosas, que decidirão o futuro dos denominados “sete estados guerreiros”.

"Ying Zheng, o rei de Qin e o futuro primeiro imperador de uma China unificada"

"Review"

Belas memórias afluem-me à mente quando recordo este “O Imperador e o Assassino”. Foi numa tarde no King, quando era um jovem estudante madeirense em Lisboa, que respirava idealismo. Na altura fiquei fascinado com a força tremenda deste filme, e falei do mesmo a toda a gente que conhecia. Lembras-te que tu nem eras uma fã por aí além de cinema asiático, e não conseguiste conter a tua emoção? - esta mensagem é privada, não liguem, adiante!. Anos depois, mais concretamente há um par de dias atrás, tive a oportunidade de rever esta obra de Kaige Chen, vencedora do “Technical Grand Prize” em Cannes na categoria de produção. Foi interessante confrontar a minha perspectiva da altura com a actual. Lá chegaremos.

“Ying Zheng, esqueceste o comando dos teus antepassados, que te ordenaram unir tudo debaixo dos céus?”. É esta premissa, bradada por um funcionário do reino de Qin, que inicia “O Imperador e o Assassino”, e duas horas e trinta e cinco minutos depois, é o mesmo repto que finda a película. Neste espaço de tempo, somos confrontados com um misto de melodrama, intrigas palacianas ao melhor estilo de Shakespeare, guerra, traição e afins. À semelhança da obra-prima de Zhang Yimou, “Herói”, o argumento de “O Imperador e o Assassino” gira em volta da ascensão do reino de Qin, e da tentativa de assassinato do seu monarca, que mais tarde se viria a tornar no primeiro imperador da China, Qin Shi Huang, uma figura essencial na história chinesa. No entanto, ao contrário do filme de Yimou que enveredou por alguns aspectos mais fantasiosos, Kaige Chen pretendeu ser mais realista no seu trabalho. Não diria que estamos propriamente perante uma exaustiva lição de história, até porque embora este aspecto seja bastante premente na película, ela acaba por focar-se mais nas relações entre o rei “Ying Zheng”, a dama “Zhao” e o assassino “Jing Ke”. No entanto, sou obrigado a concordar que este filme nos ensina bastante sobre um dos períodos mais importantes da grande nação asiática. Portanto aqueles que se interessam mais por um bom conto histórico, onde podemos observar os costumes e as motivações dos governantes e das populações, já sabem! Este é sem dúvida um bom filme para vós!

"O marquês Changxin lidera um bando de conspiradores"

As interpretações dos actores são verdadeiramente acima de qualquer repreensão, e muita ajuda o facto de as despesas não ficarem apenas por conta da magnífica actriz Gong Li. Tanto Li Xuejian, no papel do rei de Qin, como Zhang Fengyi que dá vida a “Jing Ke”, estão soberbos.
Li Xuejian tem momentos de puro génio, encorpando muito bem as dúvidas, os anseios e até a paranóia de um homem sedento por poder, que diariamente tem de fazer escolhas de uma dificuldade titânica. Quanto a Zhang Fengyi, o seu desempenho não é propriamente uma surpresa, pois estamos sem dúvida perante um intérprete de elevado quilate artístico. Veja-se “Adeus, Minha Concubina”. No que concerne a Gong Li, “what else is new?” Linda, fabulosa, um portento de representação. Todos os adjectivos parecem ser insuficientes para classificar esta actriz de nível mundial, esta lenda viva! Todos os intérpretes fazem um excelente trabalho, eivado de muita dedicação, embora ainda mereçam uma palavra de especial apreço Wang Zhiven, o “Marquês” e amante da rainha-mãe, uma personagem cínica, mas sentimentalista ao mesmo tempo. O próprio Kaige Chen, “arregaça as mangas”, e além de chamar a si a responsabilidade pela realização, interpreta um papel secundário, mas bastante importante, na pessoa do primeiro-ministro de Qin “Lu Buwei”.

As batalhas épicas, os cercos às cidades sitiadas, o excelente guarda-roupa e os cenários magnificentes e de deslumbrar, fazem com que nos apercebamos que estamos perante um filme que teve um orçamento de respeito. No entanto, no meio das centenas de figurantes e nos quilos de adereços, temos a sensação que nada foi deixado ao acaso e que o filme no seu global foi objecto de um tratamento bastante cuidado.

O melodrama está bastante presente, e aqui enfatizo com algum ardor o sacrifício das crianças do reino de Zhao. A cena está brutal, o envolvimento extasiante, e uma lição de vida e honradez, embora radical, é-nos transmitida com todo o fulgor que o cinema asiático nos habituou. Quando revejo momentos como este, em que Kaige Chen denota uma quase incomparável mestria, e depois penso que foi o mesmo realizador que timonou “The Promise”, sou forçado a concluir que podemos passar de besta a bestiais e vice-versa num instante!

Este filme, devidamente separado em cinco actos, todos com títulos sugestivos, é para apreciar como um bom vinho (no meu caso, será neste momento “Cortes de Cima - Reserva” - haja dinheiro - pensem lá no vosso!), ou seja saborear os detalhes com calma! Se existe algo de menos abonatório, passará apenas pela monotonia que envereda em certos espaços, que poderá transformar-se em algo “secante” para alguns.

Um épico na verdadeira acepção da palavra!

"O imperador e o assassino"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: As Imagens Primeiro

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 10

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,13





segunda-feira, dezembro 04, 2006

The Banquet/Ye Yan (2006)

Origem: Hong Kong

Duração: 131 minutos

Realizador: Feng Xiaogang

Com: Zhang Ziyi, Daniel Wu, Ge You, Zhou Xun, Ma Jingwu, Huang Xiaoming

"A imperatriz Wan, interpretada por Zhang Ziyi"

Estória

No período conhecido como o das "5 dinastias, 10 reinos", a imperatriz "Wan" esteve em tempos apaixonada pelo principe herdeiro e actualmente exilado "Wu Luan", mas um acaso do destino fez com que se casasse com o imperador, o pai da sua paixão. Pouco tempo depois, o imperador e pai de "Wu Luan" morre em circunstâncias misteriosas.

Corre o boato que a culpa da morte do imperador é do irmão chamado "Li", que o sucede, tornando-se soberano. "Li" propõe a "Wan" que seja a sua mulher, o que esta aceita por forma a continuar imperatriz do reino. O usurpador sente-se ameaçado pela existência do sobrinho "Wu Luan" e envia um grupo de assassinos para matá-lo, de maneira a que este não possa reclamar o trono. A imperatriz "Wan" descobre os planos do actual imperador e por sua vez contacta com o governador "Yin", tendo em vista que o nobre proteja "Wu Luan". Os intentos do imperador saem frustrados pois os guerreiros de "Yin" conseguem cumprir a sua missão.

"O principe Wu Luan (Daniel Wu) em dificuldades"

"Wu Luan" retorna ao palácio imperial em segurança, a tempo de aperceber-se que o tio usurpou o trono que devia ser seu por direito. Igualmente depara-se com "Qing", uma rapariga que jurou amá-lo para sempre, mas que tarda a ser correspondida devido aos sentimentos que "Wu Luan" porventura ainda nutre pela imperatriz "Wan".

Previsivelmente, o imperador "Li" fica bastante importunado pela presença de "Wu Luan" no palácio, e faz tudo para afastá-lo de cena, desde tentar novamente assassiná-lo até inclusive forçá-lo a mais um exílio. "Li" no entanto tem mais problemas com que se preocupar. Existem súbditos que pensam que ele é um traidor e que não tem direito absolutamente nenhum ao trono, e começam a maquinar estratagemas para depô-lo.

Entretanto, o papel de "Wu Luan" mantém-se uma verdadeira incógnita. Assumirá ele uma verdadeira postura no sentido de recuperar o trono e vingar o pai? Optará pela imperatriz "Wan" ou pela jovem nobre "Qing"? Terá a imperatriz "Wan" os seus próprios desígnios pessoais?

Estas e outras respostas serão dadas num banquete que o imperador "Li" convoca para a meia-noite, em que toda a corte é obrigada a marcar presença, sob pena de execução...

"O imperador Li (Ge You), o usurpador"

"Review"

"The Banquet" constitui a proposta de Hong Kong para o óscar na categoria de "Melhor Filme Estrangeiro", estando neste momento na pré-selecção para se chegar aos cinco nomeados. No que toca ao cinema asiático e a título meramente exemplificativo, encontram-se igualmente na extensa lista "The Curse of the Golden Flower" (China) e "The King and the Clown" (Coreia do Sul).

Desde logo se avisa o estimado leitor para não estar à espera de um "Wuxia" na linha dos afamados "O Tigre e o Dragão", "Herói" ou o "Segredo dos Punhais Voadores". "The Banquet" é um filme bastante diferente, sendo acima de tudo um drama histórico, temperado com uma ou outra cena de luta, estas sim na linha das películas mencionadas. Tendo sido baseado num dos mais conhecidos dramas de William Shakespeare, "Hamlet", é natural que haja uma normal primazia das interpretações em claro detrimento dos combates.

Não vamos ser extemporâneos nas observações e vamos por partes.

Feng Xiaogang é mais um realizador asiático que tenta o estrelato internacional, tendo-se proposto a realizar este "The Banquet". Para tanto muniu-se de alguns dos melhores intervenientes nos diversos aspectos que havia a considerar. Como cabeça de cartaz, apresenta provavelmente a mais conhecida actriz asiática do momento, Zhang Ziyi. Para as cenas de artes marciais, contou com o mestre coreógrafo Yuen Woo Ping, que dispensa qualquer tipo de apresentação. Teremos ainda que mencionar Tim Yip e Tan Dun, importantes elementos da produção e composição musical de "O Tigre e o Dragão". Com esta equipa, acompanhada de um estrondoso orçamento, poderiamos com segurança esperar uma produção de elevada magnitude. Mas como já apanhei algumas desilusões bem grandes, em que também várias condições estavam reunidas para uma obra-prima, pus-me logo com um "pé atrás" e tentei não gerar expectativas desmesuradas. Pense-se no "flop" "The Promise".

Que dizer então?

Lento...lento...ainda mais lento..."The Banquet" é uma longa-metragem que tem como grande aspecto negativo a sua monotonia, que chega a ser exasperante. A acção é quase sempre a "10 à hora", ressalvando os raros casos em que existe uma exibição de "swordplay" em que quase nos apetece saltar de alegria e agradecer a todos os deuses e mais alguns! Obviamente que sendo uma adaptação de uma tragédia "Shakesperiana", temperada com os belos elementos da cultura asiática, não se poderia esperar um filme de acção extrema, mas não é propriamente isto que estamos a criticar. Pode-se muito bem expôr uma tragédia, sem cair nas dezenas de devaneios inúteis que "The Banquet" por vezes envereda. Aconselho pois a visionarem o filme quando estiverem bem acordados, desde já alertando igualmente para não estarem demasiado bem acomodados, pois isso levará inevitavelmente à sonolência!

"Um jogo de polo muito especial"

Felizmente, o único aspecto marcadamente negativo de "The Banquet" é a lentidão, porque tudo o resto é-nos apresentado num nível elevado.

A interpretação dos actores é bastante competente e digna dos intervenientes. Daniel Wu, Zhang Ziyi e Zhou Xun desempenham com alma os respectivos papéis, embora ache que o papel do principe "Wu Luan" atribuído a Wu pudesse ter beneficiado de um melhor tratamento e desenvolvimento a nível dos aspectos mais pessoais. As honras neste particular vão todas para Ge You, o intérprete do usurpador "Li", que nos presenteia com um "acting" digno de um óscar para melhor actor. Os meus parabéns!

Como já foi aludido as lutas são escassas, mas quando se dignam a marcar presença são verdadeiramente espectaculares. A cena em que os guerreiros do governador "Yin" saem do solo coberto de neve para atacar os assassinos do imperador, é particularmente brilhante!

Verdadeiramente fenomenal é o guarda-roupa, a fotografia e certos pormenores que observamos no filme. O suicídio dos cavaleiros do imperador, com o sangue a escorrer pelos cavalos até pingar das patas destes animais é de uma simbologia atroz e chocante, que nos marca imenso. As roupas e as armas foram desenhadas com um cuidado fora do normal e o resultado final é simplesmente magnífico!

A banda-sonora tem os seus altos e baixos, com expoentes verdadeiramente tocantes como uma música cantada a solo que se pode ouvir, acompanhada de uma representação teatral que imagino ser tradicional da China, mas existem alturas que prima pela ausência, deixando-nos sem ter nada para apreciar.

O argumento não podia deixar de ser bom, atendendo à fonte de onde bebe. Mesmo assim, ainda estou a pensar no significado da cena final do filme, pois à primeira vista não parece fazer sentido nenhum. No entanto o meu "sexto sentido", se é que possuo algum, diz-me que existe uma mensagem a retirar e que acredito piamente que passará um pouco por "todos nós somos vítimas dos nossos próprios desígnios".

"The Banquet" é uma película que embora não sendo perfeita, possui uma elevada qualidade e mestria na sua realização. No entanto, não parece ser suficientemente boa para alcançar o resultado que visa obter: o óscar para melhor filme estrangeiro.

Apropriado para os mais contemplativos, nada recomendado para os que adoram acção!

"A imperatriz Wan banha-se na água coberta de pétalas de rosa"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português/espanhol:

Avaliação:

Entretenimento - 6

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa - 10

Emotividade - 7

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75