"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!
sábado, outubro 10, 2009
sábado, outubro 03, 2009

"Kim Su-jin"
Sinopse
“Kim Su-jin” (Son Ye-jin) é uma designer de moda masculina, cuja vida dá um volte-face quando é abandonada por “Yong-min” (Baek Jong-hak), um homem casado com quem a jovem mantinha um relacionamento. Deprimida pelo evento, “Su-jin” dá de caras com um jovem mal encarado numa loja de conveniência, e entra num conflito mudo com o mesmo, pensando que ele lhe tinha furtado uma lata de coca-cola. Certo dia, quando visitava um empreendimento que está a ser construído pelo pai, “Su-jin” encontra novamente o rapaz da loja de conveniência. Intrigada, a rapariga descobre que o mesmo se chama “Chul-so” (Jung Woo-sung) e é um carpinteiro que trabalha na obra. “Su-jin” começa a sentir-se atraída por “Chul-so”, e aproxima-se dele. Uma paixão nasce entre os dois, que leva a que os mesmos se casem.
Um romance à partida idílico, sofre um golpe mortal quando “Su-jin” descobre que sofre de uma estirpe rara de “Alzheimer”, que ataca independentemente de a pessoa ser jovem ou idosa. Devido à doença, “Su-jin” tenta se separar de “Chul-so”, mas este apegado ao grande sentimento que nutre pela esposa, recusa-se a ceder. À medida que a maleita evolui, “Su-jin” esquece-se progressivamente de tudo e de todos, inclusive do próprio marido. Cederá um grande amor perante as partidas cruéis da vida?
Sinopse
Quem está um bocado mais atento aos caminhos percorridos pelo cinema oriental terá, no mínimo, uma vaga noção da predilecção de algumas cinematografias pelo drama que envolve uma doença grave ou terminal e todas as incidências associadas. Seria exaustivo estar a enumerar os vários exemplos ilustrativos daquele verdadeiro subgénero. Apenas cabe-me dizer que, sendo este espaço dedicado ao cinema asiático, era-me praticamente impossível fugir aos filmes que se dedicam ao tema. Já elaborei alguns textos, sobre o assunto e até agora o melhor exemplo que consta no “My Asian Movies” talvez seja “C'est La Vie Mon Cheri”. Na última década do século passado, foi Hong Kong que dominou no que toca às películas que focavam os dissabores provocados por todo o tipo de enfermidades. Com o “boom” do cinema sul-coreano, e a sua natural propensão natural para o melodrama, estava encontrado um campo onde o subgénero poderia deflagrar e vencer. “A Moment to Remember” é talvez o seu expoente máximo, e o sonho de qualquer vendedor de lenços de papel, tal a quantidade de lágrimas que com certeza terá feito derramar um pouco por esse planeta fora.
O cenário para a tragédia é previsível, mas cuidadosamente planeado de forma a partir corações. Um homem e uma mulher com características sociais e pessoais opostas enamoram-se perdidamente. Num cenário muito romântico e incrivelmente lamechas, somos confrontados com o início da relação onde acontecem coisas que só podem mesmo acontecer num filme ou num mundo à parte. É a vertente sul-coreana explorada ao máximo, com situações “fofinhas” que de vez em quando provocam um “oohhhhh” (versão “tão querido”) bem sonoro e que, por mais que apreciemos, devem muito à credibilidade. Tudo corre bem, o amor vence tudo e pouco mais há a dizer. Na segunda parte da película, é que a construção idílica atrás referida, desmorona-se como um castelo de cartas e o filme começa verdadeiramente a demonstrar a sua pujança e, por vezes, sinais de alguma grandiosidade.
É cruel e demasiado doloroso acompanhar a degradação progressiva da memória de “Su-jin” e os efeitos que a doença tem nela própria e no seu marido. Provavelmente é uma das tragédias que mais me custou a acompanhar num filme,e aqui apercebi-me que esta obra acerta na “mouche” e obtém um dos seus objectivos mais pretendidos. Uma coisa é uma morte ocorrer num melodrama, em que somos atingidos de uma forma seca, embora contundente. Outra completamente diversa, é estarmos hora e meia (mais ou menos o tempo pós-casamento dos protagonistas) a navegar num sofrimento cada vez mais elevado e atroz. “Su-jin” mal se apercebe do que lhe está a acontecer, tenta afastar nobremente “Chul-so” da dor que sabe que lhe irá causar. Contudo, o sentimento que lhe habita o coração é demasiado forte, e ele pensa estar pronto para o que der e vier. O evoluir da doença passa por as memórias mais recentes começarem a desaparecer em primeiro lugar. E isto martiriza “Chul-so” de sobremaneira, pois “Su-jin” revela ter afeição pelo ex-namorado que a abandonou, chegando a chamar “Yong-min” a “Chul-so”, ou mesmo a atacá-lo quando ele se trava de razões com o pseudo-oponente.
Os actores, em especial o casal, fazem um trabalho meritório, embora com alguns exageros certamente requeridos em função das circunstâncias. A actriz Son Ye-jin possui uma beleza e expressões muito inocentes, que a ajudam imenso na representação da doce “Su-jin”. Consegue transparecer a degradação própria a que está sujeita, e aumentar imenso o nosso sentimento de comiseração. Por sua vez, Jung Woo-sung não é muito convincente no seu papel inicial de durão, mas na parte do sofrimento interior, está no seu campo natural. Consegue fazer dos espectadores, os seus aliados compreensivos e apoiantes do esforço e decisão estóicas em se manter ao lado de “Su-jin”.
Se alguém nos perguntar o seguinte: “O que é o mais importante na vida?” (família não é agora para aqui chamada), as respostas variarão de pessoa, mas não fugirão muito de saúde, sucesso, dinheiro, amor, amizade, entre outras. Todas estas coisas são importantes, e a medida apenas variará em função do que cada um de nós espera da sua existência. O que ninguém duvidará é que são as nossas experiências que moldam o nosso carácter e a própria essência do nosso ser. Quando tentamos alcançar os nossos objectivos, por vezes perdemos o rasto aquilo que verdadeiramente é importante para nós. E aqui, só podemos recorrer às nossas lembranças. “A Moment to Remember” dá uma perspectiva bastante forte do quão importante são as nossas recordações, e da injustiça e consequências que podem levar à sua perda, tanto para o próprio como para terceiros. No caso de “Su-jin”, ela não tem escolha, pois depara-se com uma doença insuperável, sendo o combate votado ao fracasso. E o dano colateral principal é um homem que a ama com todas as forças do seu corpo, mas que igualmente se vê impotente em lutar contra o curso da vida. Haverá crueldade maior do que a pessoa que amamos e que retribui o nosso sentimento, esquecer-se por completo da nossa existência e olhar para nós como um desconhecido?! “A Moment to Remember” é para muitos, e com toda a razão, o expoente máximo do melodrama sul-coreano e de todas as suas características próprias que o fazem distinguir das demais cinematografias orientais. Contém os predicados todos de romance e tragédia, que prendem a atenção do espectador e emocionam-no ao máximo. Pelo exposto, se tem um coração e pode compactuar com alguns exageros mais óbvios no tocante ao drama e lamechice, então este filme é imperdível! Quanto a mim, posso bem com estes predicados todos!
The Internet Movie Database (IMDb) link
Avaliação:
Entretenimento - 8
Interpretação - 8
Argumento - 7
Banda-sonora - 9
Guarda-roupa e adereços - 7
Emotividade - 10
Mérito artístico - 8
Gosto pessoal do "M.A.M." - 8
Classificação final: 8,13
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
à(s)
2:25 p.m.
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Etiquetas: Baek Jong-hak, Coreia do Sul, Drama, John H. Lee, Jung Woo-sung, Kim Hye-ryeong, Lee Sun-jin, Park Sang-gyu, Son Ye-jin
quinta-feira, outubro 01, 2009
Beldades do Cinema Asiático - Katrina Kaif
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
à(s)
7:19 p.m.
5
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Etiquetas: Beldades do cinema asiático, Katrina Kaif
sábado, setembro 26, 2009
"Setsuko Arisugawa Aka Alice"Sinopse
“Hana Arai” (Anne Suzuki) e “Setsuko Arisugawa Aka Alice” (Yu Aoi) são colegas de escola e grandes amigas. Certo dia, num devaneio de adolescente próprio dos 15 anos que ambas possuem, “Alice” leva “Hana” numa viagem de comboio, com o objectivo de espiarem um estrangeiro com boa aparência, acompanhado de um jovem japonês que presumem ser o meio-irmão mais novo, ou alguém aparentado. Meses depois, “Hana” começa o ensino secundário e no liceu encontra o jovem japonês que se chama “Masashi Miyamoto” (Tomohiro Kaku). A rapariga apaixona-se e começa a seguir o seu amor, até ao dia que o vê bater com a cabeça contra uma porta de metal e desmaiar. Quando “Miyamoto” acorda, “Hana” aproveita a situação e afirma que é sua namorada. O rapaz fica surpreendido, e “Hana” fá-lo crer que ficou com amnésia devido à pancada.
Apesar do seu cepticismo, “Miyamoto” embarca na jogada até descobrir umas fotos no computador de “Hana”, que foram tiradas numa altura em que supostamente não eram ainda namorados. Apanhada no seu embuste, a rapariga mente e conta ao rapaz que as fotos foram tiradas por “Alice”, supostamente um ex-relacionamento do jovem. “Miyamoto” tenta travar conhecimento com “Alice”, e através da convivência entre ambos, aquela apercebe-se que nutre sentimentos pelo rapaz. Um triângulo amoroso toma forma.
"Review"
Quer se aprecie o estilo ou não, é forçoso reconhecer que Shunji Iwai é daqueles realizadores que possui uma facilidade tremenda em dotar simples histórias do quotidiano com grande profundidade. No caso específico do realizador japonês, esta premissa assume especial acuidade quando se trata da juventude nipónica, como é bem exemplificado com “All About Lily Chou-Chou”, e este filme que agora se irá tentar analisar. Começando por tomar forma em três curtas-metragens, dedicadas à publicidade do chocolate “Kit Kat” e onde era focado os dissabores amorosos de duas amigas que se apaixonavam pelo mesmo rapaz, Iwai viria a acrescentar hora e meia de película, de maneira a dar corpo a um filme com pouco mais de duas horas. Não enveredando por alguns dos caminhos outrora prosseguidos no já mencionado “All About Lily Chou Chou” (que futuramente com certeza merecerá um texto neste espaço), Iwai decide adoptar em “Hana and Alice” uma perspectiva mais inocente e leve dos jovens japoneses, deixando de parte aspectos como a reflexão cultural acerca da sociedade nipónica, ou um aspecto que sempre existiu e que actualmente parece estar na moda. Falo do propalado “bullying”.
À partida, “Hana and Alice” parece ser um simples conto de adolescentes em transição para o liceu, onde estão presentes as suas amizades, amores, relação com os pais e demais aspectos próprios da idade. No entanto, estamos a falar de um filme de Iwai, portanto haverá sempre de esperar algo que não seja aparentemente tão redutor ou comum. Iwai demonstra, à partida, ter dedicado especial atenção a esta obra, não apenas realizando o filme, mas também escrevendo o argumento, tomado conta da sala de edição e compondo uma excelente banda-sonora. É certo que “Hana and Alice” não é dotado de grandes filosofias, ou reflexões sobre os aspectos que incide. Contudo, é uma obra delicada como uma pétala de uma rosa, que pretende expôr o quão forte são as paixões dos jovens e o quanto necessitam de acreditar em algo, mesmo que seja uma mentira ou um sonho inatingível. É por esse motivo que, a título meramente exemplificativo, as maquinações de “Hana”, no sentido de conquistar “Miyamoto” não soam a nada de malévolo, mas sim à luta de uma jovem no sentido de procurar a felicidade e o bem-estar. As vidas das raparigas são abordadas, não apenas no campo da relação que mantêm uma com a outra e de ambas com “Miyamoto”, mas igualmente com o meio envolvente nos quais se destaca claramente a família e por vezes até uma perspectiva de carreira profissional futura. Tudo decorre com uma presença realista, que faz com que o espectador se identifique e entenda muitas das situações que “Hana” e “Alice” vivenciam. Alie-se esta forma de narração e filmagem a uma constante atmosfera quase mágica onde a trama decorre, e temos uma obra que verdadeiramente se pode apreciar com um espírito de serenidade. “Hana and Alice” possui efectivamente uma cinematografia belíssima e que nos embrenha no abraço terno da história.
As actrizes fazem um trabalho muito apreciável, conseguindo momentos de boa representação e genuína expressão sentimental. Anne Suzuki consegue enfatizar uma “Hana” insegura, que ora age racionalmente, ora se deixa libertar pelos seus desejos mais recônditos e que dirige para “Miyamoto”. No rapaz, consegue extravasar a sua real personalidade, de pessoa carente e que não tem pejo em embarcar na mentira (perdoável) só para obter a felicidade e algum reconhecimento. Por sua vez, Yu Aoi, na pele de “Alice” (um diminutivo de “Arisugawa” - “Arisu”=”Alice”), tem momentos de autêntico brilhantismo, cujo expoente muito provavelmente será a memorável actuação de cinco minutos de “ballet” no epílogo da película. No bom trabalho das actrizes, caberá talvez, de uma forma contraproducente, um dos calcanhares de aquiles de “Hana and Alice”. Aoi consegue se sublimar de certa forma perante Suzuki, pois esta obra é mais “Alice” do que “Hana”, gerando por vezes algum desequilíbrio narrativo.
“Hana and Alice" pecará eventualmente por ser um filme talvez demasiado longo, para o que se pretende transmitir. No entanto, possui predicados inolvidáveis, que quase todos apreciarão. É um filme honesto e sincero, que expõe de uma forma cativante os anseios da adolescência, fazendo com que o espectador se identifique facilmente com as situações vividas ou os sentimentos explanados. Tudo sem qualquer pretensiosismo, grandes dramas ou “truques de algibeira”. É na descoberta da pureza que muitas vezes temos a percepção e necessária compreensão das atitudes dos mais jovens, e chegamos aos seus corações. “Hana and Alice” é um filme que navega naquelas águas, e qualquer tentativa de procurar explicações transcendentais para problemas simples, será meio caminho para passar ao lado desta longa-metragem. Junte-se a este aspecto, uma fotografia de sonho e seremos obrigados a admitir que vale bem a pena dar uma oportunidade ao visionamento de mais uma obra de um realizador que já deixou uma marca profunda no espectro cinematográfico japonês. No fundo é uma película bastante madura que aborda de certa forma, precisamente, a imaturidade.
Confiram!
The Internet Movie Database (IMDb) link
Outras críticas em português/espanhol:
Avaliação:
Entretenimento - 7
Interpretação - 8
Argumento - 8
Banda-sonora - 9
Guarda-roupa e adereços - 8
Emotividade - 9
Mérito artístico - 8
Gosto pessoal do "M.A.M." - 7
Classificação final: 8
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
à(s)
1:20 p.m.
4
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Etiquetas: Anne Suzuki, Ayumi Ito, Drama, Eri Fuse, Hiroshi Abe, Japão, Kazusa Matsuda, Makoto Sakamoto, Ryoko Hirosue, Sei Hiraizumi, Shoko Aida, Shunji Iwai, Tae Kimura, Takao Osawa, Tomohiro Kaku, Yu Aoi
quinta-feira, setembro 24, 2009
Beldades do Cinema Asiático - Veronica Ngo
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
à(s)
7:43 p.m.
9
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Etiquetas: Beldades do cinema asiático, Veronica Ngo
sábado, setembro 19, 2009
Origem: E.U.A.
Duração: 107 minutos
Realizador: Rob Cohen
Com: Brendan Fraser, Jet Li, Maria Bello, Luke Ford, John Hannah, Isabella Leong, Michelle Yeoh, Anthony Wong, Russel Wong, Liam Cunningham, David Calder, Jessey Meng, Tian Liang, Albert Kwan, Jacky Wu Jing
Introdução
Esta película encontra-se incluída na secção deste blogue denominada “Cunho da Ásia”. Para mais informações ir AQUI.
Sinopse
Na antiguidade chinesa, após ter conquistado todos os reinos circundantes, o imperador Han (Jet Li) decide procurar o segredo para a imortalidade, pois no seu pensamento tudo o que tem para fazer não pode ser contido numa única só vida. Para o efeito, procura o auxílio de “Zi Juan” (Michelle Yeoh), uma bruxa que supostamente conhece o segredo para uma existência eterna. Devido a um triângulo amoroso que finda tragicamente e às más intenções do monarca, “Zi Juan” amaldiçoa o imperador e o seu exército, transformando-os em estátuas de pedra.
Muitos séculos depois, mais propriamente em 1946, o jovem “Alex O'Connel” (Luke Ford), filho de “Rick” (Brendan Fraser) e “Evie” (Maria Bello), encontra-se radiante por ter descoberto o túmulo do imperador Han. Acontece que o general “Yang” (Anthony Wong) ambiciona ressuscitar o monarca, o que ao fim de algumas peripécias, acaba por suceder. Cabe agora a “Alex”, auxiliado pelos seus pais retornados à acção, por “Lin” (Isabella Leong) e a imortal “Zi Juan” pôr cobro aos intentos do imperador em dominar o mundo.
"Review"
Não tenho pejo nenhum em afirmar que gostei dos filmes da saga “A Múmia”, sob a bitola de Stephen Sommers. Apesar de estarem bastante distantes de terem algum tipo de profundidade, ou de marcas de génio enformadoras de um cinema que reputamos de qualidade, o mundo criado por Sommers conseguia-nos transportar para uma vida de aventura e sonho, ligadas a uma das maiores civilizações da história da humanidade. É certo que o rigor histórico era um tanto ou quanto desprezado, mas o manancial de personagens emblemáticas em muito compensavam as debilidades do filme. Tenho de confessar que por vezes imaginava-me como um “Ardeth Bay”, com o seu ar heróico a cavalgar solitário pelo deserto, ou a chefiar um exército de guerreiros nómadas, prontos para tudo o que desse e viesse. Ao contrário da opinião mais generalizada, o segundo filme “The Mummy Returns”, colheu mais a minha preferência. Posteriormente, Sommers autonomizou uma personagem emblemática desta película e decidiu dar vida a “Scorpion King”, que me decepcionou de sobremaneira.
Sete anos após “The Mummy Returns”, nasce o terceiro episódio da Múmia, mas desta vez sem a direcção de Sommers, a excelente personagem de Ardeth Bay, interpretada pelo actor Oded Fehr nos filmes precedentes, e com Maria Bello a substituir Rachel Weisz no papel de “Evie”. A trama passa-se quase toda na China e gira em torno de aspectos históricos deste país, para além de possuir vários actores asiáticos de nomeada. Está justificada a razão pela qual esta longa-metragem é alvo de um texto no “My Asian Movies”. A primeira impressão a reter acerca desta película e que em muito adianta a sua conclusão passa por termos presente que um grande orçamento, efeitos especiais em catadupa, e um argumento simples não são suficientes para fazer um bom filme. No caso de “The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor” (doravante “Múmia 3”) há que acrescentar que, por vezes, é preciso saber onde parar. E efectivamente a saga deveria ter-se reduzido aos dois primeiros filmes.
Aqueles que vivem mais o cinema asiático, e cujo um dos motivos de interesse será poder observar o trabalho dos actores orientais numa película de “Hollywood”, não deverão alimentar expectativas desmesuradas. A Jet Li são conferidos poucos minutos na película, aparecendo no início do filme quando somos confrontados com a introdução da história na antiga China, e posteriormente na última meia hora da película, onde o imperador se confronta com os heróis da trama. No restante, a múmia é uma criação da tecnologia. É evidente que Li apenas foi recrutado devido ao efeito que o seu nome poderia provocar nas audiências e pouco mais. Chega a ser confrangedor ver o lendário actor não ter a oportunidade de demonstrar o que o celebrizou mais, ou seja, as artes marciais. Temos a oportunidade de ver algo no início de “Múmia 3”, onde Li defronta Jacky Wu Jing, outro peso pesado do género, mais um pouco quando se depara com Michelle Yeoh e posteriormente com a dupla pai/filho, constituída por Brendan Fraser e Luke Ford. O resto é uma amálgama de nulidades, sempre disfarçadas pelos propalados efeitos especiais.
No que concerne a Michelle Yeoh e Anthony Wong, dois dos expoentes mais significativos do cinema oriental, nada demais nos é dado a apreciar. Representação muito limitada, roçando por vezes o descrédito quase total. Efectivamente se de algo positivo os actores retiraram da participação nesta longa-metragem, foi com certeza o cheque chorudo que levaram para casa. No meio desta desorientação quase total, salva-se a bela Isabella Leong, na sua estreia no ocidente, que ainda consegue conferir alguma alma e bastante encanto ao filme. Relativamente ao elenco ocidental, as coisas parecem piorar ainda mais. Fraser não evidencia a força e o carisma que demonstrou nas obras anteriores, revelando-se sensaborão e apagado. Luke Ford não acrescenta nada de novo e, como recorrentemente já foi criticado, parece o irmão mais novo de Fraser, do que propriamente o seu filho. Não será alheio o facto de Fraser ser apenas 13 anos mais velho que Ford. Maria Bello constitui claramente o elo mais fraco de “Múmia 3”, pois encontra-se a milhas do que Rachel Weisz fez nos dois filmes precedentes. “Evie” era conhecida pela sua doçura, sensatez e alguma ingenuidade extremamente cativante. Bello faz com que a personagem pareça uma zaragateira, sem ponta por onde se lhe pegue, carecendo gritantemente de classe. Por sua vez, as palhaçadas de John Hannah, no papel do irmão de “Evie”, já não têm piada absolutamente nenhuma, chegando-se ao ponto de por vezes apetecer ao espectador estrangulá-lo. A família “O'Connel”, no seu conjunto, merece descrédito e até mesmo recriminação.
Não há muito a dizer quanto à forma simplista e com falta de imaginação como o argumento é abordado. A inspiração passa pela história do primeiro imperador chinês Qin Shi Huang, o seu exército de terracota (guerreiros de Xian) e as crueldades cometidas pelo monarca aquando do início da construção da Grande Muralha da China. A película é bastante fácil de seguir, e possui bastante entretenimento. Contudo, tudo é feito de forma bastante insípida e frugal, e os motivos de interesse são bastante diminutos. À semelhança das anteriores “Múmias”, existe uma clara aposta nos efeitos especiais. Reconheço que alguns denotam bastante qualidade e chegam mesmo a impressionar vivamente. Ao contrário da maior parte da crítica, eu até achei piada aos Yeti e à sequência em que os mesmos auxiliam os “O'Connel” e companhia, contra o imperador, o general “Yang” e os seus apaniguados. Outros existem que são algo disparatados, ainda que geralmente estejam imbuídos de grandiosidade.
“Mummy: Tomb of theDragon Emperor” merece uma apreciação global negativa. Com a excepção de Isabella Leong, o elenco exibe-se num nível muito abaixo do que já demonstrou ser capaz de fazer. Não se pode viver apenas dos efeitos especiais, para atribuir valor a uma película, mesmo que aquela vise ser um “blockbuster” de papelão. Existe alguma ostracização das capacidades dos intervenientes, e torna-se mesmo imperdoável ver Jet Li coartado nas nuas inegáveis capacidades no domínio das artes marciais. Rob Cohen, autor de "XXX" e "The Fast and the Furious", dá mais um passo atrás. No fim, o filme só serve para provar um aspecto. Já não há volta a dar à saga “A Múmia”. Pelo menos, com este realizador e alguns membros do elenco...Voltem Sommers, Weisz e Fehr! Depois disto, estão mais que perdoados!

"O general Yang conhece a fúria de um dos Yeti"
The Internet Movie Database (IMDb) link
Outras críticas em português:
Avaliação:
Entretenimento - 8
Interpretação - 6
Argumento - 5
Banda-sonora - 7
Guarda-roupa e adereços - 8
Emotividade - 7
Mérito artístico - 6
Gosto pessoal do "M.A.M." - 6
Classificação final: 6,63
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
à(s)
8:32 p.m.
4
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Etiquetas: Anthony Wong, Aventura, Brendan Fraser, David Calder, E.U.A., Isabella Leong, Jacky Wu Jing, Jet Li, John Hannah, Liam Cunningham, Luke Ford, Maria Bello, Michelle Yeoh, Rob Cohen, Russel Wong
Beldades do Cinema Asiático - Kyoko Fukada
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
à(s)
1:29 p.m.
15
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Etiquetas: Beldades do cinema asiático



































