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quarta-feira, agosto 11, 2010

Besouro (2009)

Capa

Origem: Brasil

Duração aproximada: 95 minutos

Realizador: João Daniel Tikhomiroff

Com: Aílton Carmo, Anderson Santos de Jesus, Jéssica Barbosa, Flávio Rocha, Irandhir Santos, Macalé, Leno Sacramento, Chris Vianna, Sérgio Laurentino, Adriana Alves

Cunho da Ásia

“Besouro” encontra-se incluído na rubrica deste blogue denominada “Cunho da Ásia”. Apesar de o coreógrafo ser Huan Chiu Ku, conhecido pelo seu trabalho em “Kill Bill” e em muitas películas de Hong Kong, ser o responsável pelas cenas de acção, na realidade o filme constante neste “post” não tem nenhuma relação com o continente asiático. Contudo, e atendendo a que as artes marciais não se resumem apenas aos países asiáticos, assim como existe uma analogia evidente na forma de realização/direcção, entendi que havia lugar para “Besouro” neste espaço. Deixo ao julgamento do leitor a opção tomada.

Besouro 2

Besouro”

Sinopse

Recôncavo baiano, 1924. Os fazendeiros brancos exploram cruelmente os trabalhadores negros, apesar de a escravatura já ter sido abolida há anos. O rosto da defesa dos oprimidos é “Mestre Alípio” (Macalé), um reputado mestre de capoeira, que ensinou a arte a várias pessoas, incluindo uma criança apelidada de “Besouro”. Anos depois, o jovem dono da plantação da zona, “Coronel Venâncio” (Flávio Rocha), manda assassinar “Mestre Alípio”, de modo a dar um golpe mortal na rebelião.

Coronel Venâncio

Coronel Venâncio”

Contudo, e através do misticismo e do sobrenatural, “Mestre Alípio” incentiva o seu melhor capoeirista “Besouro” (Aílton Carmo) a continuar a luta. Dos cantos mais recônditos da floresta, o novo líder da rebelião emerge, e dotado de poderes conferidos pelos orixás, guardiões da natureza, causa sérios problemas aos opressores do seu povo.

Exu

Exu, um dos orixás que auxiliam Besouro”

“Review”

Do país irmão Brasil, chega-nos uma obra com honras de exibição no festival de Berlim (e mais alguns a nível internacional), que tenta elevar ao máximo um dos símbolos do imenso país, a arte marcial afro-brasileira conhecida por capoeira e um dos seus principais representantes, o capoeirista Manuel Henrique Pereira, mais conhecido por Besouro Mangangá, Besouro Cordão de Ouro ou simplesmente Besouro (para saber mais ir AQUI). Conta-se que Besouro era capaz de feitos incríveis e que a sua alcunha tinha nascido do insecto que tanto admirava, por ser negro e capaz de desafiar as leis da física. Provavelmente foi este aspecto que influenciou o facto de no filme, “Besouro” desafiar as leis da gravidade, à semelhança de muitos “wuxia” orientais e ter sido uma das produções mais despendiosas de sempre do cinema brasileiro.

Confesso que quando chegou ao meu conhecimento que o cinema brasileiro tinha dado à luz uma obra que versava sobre a sua arte marcial por excelência, e após ter visto o trailer, o meu interesse ficou desperto o suficiente para conferir este filme. Finalmente pude faze-lo, e na primeira oportunidade resolvi colocar aqui um texto, pois é raríssimo podermos assistir a uma película de artes marciais falada em língua portuguesa. João Daniel Tikhomiroff, segundo me constou, é um veterano na realização de anúncios comerciais para a televisão, embora tenha produzido alguns filmes para a grande tela. Com “Besouro”, o realizador oferece-nos uma longa-metragem que não tem tanto de acção como se esperava, mas que aposta igualmente nas maravilhosas paisagens da Baía e na mensagem que tenta passar, conducente ao anti-esclavagismo, evidenciada na luta dos trabalhadores negros contra os opressores fazendeiros brancos.

Um dos orixás

A beleza da natureza”

Efectivamente, é preciso confessar que “Besouro” tem alguns pontos fortes e carismáticos, que irão atrair o interesse do espectador. Para além da já aludida mensagem e dos bonitos cenários, é interessante a introdução de alguns aspectos sobrenaturais e de misticismo, ilustrados nos orixás (divindades guardiãs dos elementos da natureza), que servem de certa forma para explicar algumas das capacidades sobre-humanas do herói da película. Mas igualmente é preciso reconhecer, e aqui não acompanharei a maior parte das críticas elogiosas feitas ao filme, que “Besouro” tem os seus pontos fracos, e de alguma forma são determinantes para que o mesmo acabe por ser uma obra mediana.

O argumento padece bastante de algum aprofundamento e acaba por se tornar repetitivo. Tudo acontece depressa demais e por vezes sem uma explicação credível. Outro aspecto que me desiludiu de certa forma, passa pelo encadeamento da película, no que concerne às cenas de luta. No início, temos a promessa muito suculenta que estaremos perante uma longa-metragem onde a acção irá ditar a lei, sem esquecer os aspectos mais introspectivos, necessários para elaborar um filme de qualidade apreciável. No entanto, existem os altos e baixos e é necessário reconhecer que Tikhomiroff não soube conjugar muito bem os momentos mais movimentados com aqueles mais contemplativos. “Besouro” arranca a todo o gás, depois estagna de uma forma por vezes incongruente, e lá mais para o fim parece que “acorda” e aposta num epílogo que deixa margem talvez para uma sequela (e daí, talvez não). Os actores não possuem atributos representativos muito apreciáveis, embora se reconheça que do ponto de vista das cenas mais físicas, as coisas correm melhor, a que não será alheio o facto de alguns serem na realidade praticantes de capoeira.

É necessário esclarecer aos portugueses e outros europeus menos informados, que a cena brasileira não se limita às telenovelas. O seu espectro cinematográfico é bastante apreciável e tem-se internacionalizado cada vez mais, evidenciando obras de uma pujante grandeza, cujos exemplos mais conhecidos actualmente serão “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite”, apenas para falar de alguns. “Besouro”, por sua vez, é um filme bem intencionado, mas não poderá aspirar a figurar num panteão que está reservado apenas para aquelas obras que atingem uma já dita boa qualidade em todos os aspectos. Quanto ao Olimpo da sétima-arte, esse estará a milhas intermináveis...

Valerá a pena visionar, principalmente pela curiosidade despertada e pouco mais.

Luta

Besouro enfrenta Coronel Venâncio e os seus apaniguados”

imdb 6 em 10 (280 votos) em 11 de Agosto de 2010

Outras críticas em português:

  1. Fred Burle no Cinema
  2. Diversitá
  3. no15
  4. Factóide!
  5. CinePop

Avaliação:

Entretenimento – 8

Interpretação – 7

Argumento – 6

Banda-sonora – 7

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 7

Mérito artístico – 7

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 7,13

8 comentários:

pseudo-autor disse...

Achei totalmente equivocado. Nem as cenas de ação chamaram a minha atenção. Pior que esse só aquele filme policial brasileiro com o Tiago Lacerda querendo dar uma de Jack Bauer (Segurança Nacional).

Cultura na web:
http://culturaexmachina.blogspot.com

Takeo Maruyama disse...

Eu também me desapontei com Besouro, Jorge. A fotografia é linda, mas a obra como um todo é extremamente irregular. Pouquíssimas cenas de ação. Quando achei que ia começar a ficar movimentado... bem, o protagonista encontra seu destino. Vale apenas como curiosidade mesmo.

Jorge Soares Aka Shinobi disse...

Olá pseudo-autor,

Efectivamente embore ache que "Besouro" tem um ou outro ponto forte, no geral achei um filme bastante abaixo das expectativas...
O Segurança Nacional ainda não vi, mas segundo me constou também não é grande coisa.

Abraço!

Jorge Soares Aka Shinobi disse...

Olá, Takeo!

Exactamente a minha opinião ;) !

Grande abraço!

Patricia disse...

Oi, Jorge!
Há quanto tempo, hein?!

Que surpresa boa tive em ver que você assistiu Besouro e colocou também a crítica no seu blog. Eu gostei do filme e entendo bem as falhas apontadas por você, mas como um primeiro exemplar deste tipo de gênero cinematográfico no nosso país, acho que ficou até muito razoável. Quem sabe, o próprio diretor ou outros aperfeiçoem o gênero em outros possíveis filmes em nosso país. E o cinema brasileiro realmente tem tentado trilhar um bom caminho, mas claro, nem sempre com sucesso.

Ah, Jorge, queria me desculpar com você sobre a rubrica dos testemunhos, acabei não te mandando o meu e acho até que você já fechou a rubrica, mas de qualquer forma, agradeço de coração pelo convite e quem sabe, em outra oportunidade, se você reabrir a seção? Gostei muito dos testemunhos, e me identifiquei bastante com algumas opiniões apresentadas.

Um grande abraço
da amiga brasileira sumida mas que não que te esquece,
Patyka

Takeshi disse...

Acho que filme com capoeira deve se aproximar mais do estilo tailandês (como Ong Bak) se quiser agradar, pois há grande potencial para o gênero.

Jorge Soares Aka Shinobi disse...

Olá, Patricia!

É verdade, há quanto tempo!

Apesar de eu ter ficado um pouco desiludido com "Besouro", entendo como você, que isto poderá ser o início de uma era do cinema brasileiro no que respeita aos filmes de artes marciais e à capoeira em particular. Mas apenas o futuro o dirá!

No que respeita à rubrica "testemunhos", ela nunca se encontra encerrada, pelo que se quiseres mandar a tua entrevista, estás à vontade :) !

Beijinho grande!

Jorge Soares Aka Shinobi disse...

É uma ideia interessante, Takeshi!

Pessoalmente, penso dessa maneira também.

Abraço!