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domingo, fevereiro 01, 2009

Chuva Sangrenta/Blood Rain/Hyeol-ui nu - 혈의 누 (2005)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 114 minutos

Realizador: Kim Dae-seung

Com: Cha Seung-won, Park Yong-woo, Ji Seong, Yoon Se-ah, Choi Ji-na, Cheon Ho-jin, Oh Hyeon-Kyeong, Choi Jong-won, Yoo Hae-jin, Jeong Gyoo-soo, Park Cheol-min, Choi Dong-joon, Park Choong-seon

"O detective imperial Won-kyu"

Sinopse

Em 1808, em plena dinastia Joseon, Dong-hwa é uma ilha remota, mas que vive numa certa prosperidade devido à sua importante fábrica de produção de papel. A relativa tranquilidade da localidade é seriamente perturbada, quando o navio que iria transportar o tributo anual ao imperador é incendiado. A corte envia o investigador “Won-kyu” (Cha Seung-won), tendo em vista que este averigue o sucedido.

"O jovem artesão Du-ho"

Uma missão que no início parecia um cumprimento de burocracias e formalidades, cedo sofre um volte-face arrepiante. “Won-kyu” depara-se com um corpo empalado de um habitante da ilha, conhecido por ser um bêbado e jogador inveterado. Os assassinatos começam a grassar, e o detective imperial apercebe-se que os crimes parecem estar relacionados com a execução do Comissário “Kang” (Cheon Ho-jin) e da sua família, ocorrida sete anos antes. O motivo da condenação foi pelo facto de “Kang” ser supostamente um católico, religião que foi proibida pela monarquia coreana. “Won-kyu” acaba por contactar com o responsável pelos homicídios, que enverga uma misteriosa máscara branca que oculta a sua face.

"A xamã"

"Review"

“Chuva Sangrenta” é um filme de mistério e detectives, que tem a particularidade de ocorrer numa época histórica, com todos os pormenores daí advenientes ou associados. Com base nesta mistura de elementos, obtemos uma película bastante interessante, com intriga e pormenores culturais suficientes para manter uma atenção constante de um espectador mais ou menos esclarecido.

Crânios esmagados, sangue a jorros, autópsias, corpos humanos desmembrados, empalados ou a serem cozidos em água a ferver. Tudo isto serve para referir que “Chuva Sangrenta” não se furta aos pormenores mais “gore” ou violentos, imprimindo desta forma um certo realismo às execuções ou os assassinatos, o que certamente não será para o estômago de qualquer um. Estas cenas em particular são extremamente bem elaboradas, e servem para acentuar os caminhos mais negros que por vezes a película percorre. Cumpre alertar que os defensores dos direitos dos animais não ficarão muito satisfeitos, com a decapitação gratuita de cinco galinhas, em que se nota que não houve recurso a efeitos especiais.

"Uma das vítimas é cozida viva"

O argumento, por seu turno, detém altos e baixos. Explora bem o factor cultural , mas por vezes existe um certo entusiasmo que confunde o espectador tanto na resolução do mistério, assim como na fronteira entre o mundano e o sobrenatural. É por este motivo que, apesar de ser uma película com quase duas horas de duração, certas aspectos ficam por explicar e outros simplesmente não têm sentido. Pelo menos à primeira vista. O que funciona bem, e como já acima dei a entender, são os pormenores históricos dos quais destacaria a perseguição aos católicos e a tudo o que representasse contactos profundos com a cultura ocidental. Todos nós temos a consciência do que representou a inquisição na Idade Média, e as atrocidades que se cometeram em nome de Deus, quando na realidade era a mente dos homens que era fanática ou deturpada. Ora séculos mais tarde, com a expansão europeia para o extremo oriente, em especial para a China, Coreia e Japão, os católicos igualmente foram vítimas de ataques desmesurados. Especialmente os autóctones que se convertiam. Embora não haja um tratamento exaustivo desta questão, sempre temos elementos suficientes para entender um pouco este confronto religioso, e que à primeira vista lateral, constitui um factor importante e decisivo para uma melhor percepção de “Chuva Sangrenta”.

Os cenários e guarda-roupa são exibidos de uma forma quase perfeita, o que constitui sem dúvida alguma um dos pontos fortes desta longa-metragem. Os elementos orquestrais presentes na banda-sonora conferem uma certa dimensão à película, mas nada de extasiante. Os actores esforçam-se por apresentarem-se em bom nível, mas o que de bom sucede nas personagens secundárias, falha um pouco nos intérpretes principais. “Wong-kyu”, interpretado pelo actor Cha Seung-won, consegue ser credível, mas por vezes sensaborão e sem alma. Poderíamos eventualmente traduzir por ausência de algum carisma.

“Chuva Sangrenta” foi por alguns comparado a “O Nome da Rosa”, a maravilhosa obra do realizador Jean-Jacques Annaud, baseada num ainda mais fenomenal livro de Umberto Eco. Contudo, o filme coreano está a milhas de sequer poder ser mencionado ao lado daquela película, porquanto está longe de evidenciar uma mestria argumentativa e uma representação à altura. No entanto, sempre se dirá que esta película tem alguns aspectos interessantes e que na sua quase globalidade se reconduzem ao aproximar histórico-cultural de uma época importante e de transição para os coreanos. Igualmente será de apreciar alguns factores prementes da trama, no que concerne à investigação dos homicídios, que por vezes entusiasma. Por fim, torna-se importante relevar a inusitada violência e realismo, que poderão causar algum suplício às mentes mais sensíveis e impressionáveis. Com uma carreira ainda breve, o realizador Kim Dae-seung oferece-nos um “thriller” histórico que abre o apetite para que futuras realizações sejam elevadas a um nível superior.

Não custa conferir!

"Won-kyu persegue o assassino"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,50





4 comentários:

Ayeka disse...

Boa tarde passando por aqui para lhe dizer que você foi indicado pelo "Japão Aishiteru" para receber um selo.
Por favor, veja no meu blog como se deve proceder para recebê-lo.

Abraços!

Shinobi disse...

Olá Ayeka!

Obrigado pelo selo!

Abraço!

Nuno disse...

Amigo Jorge,

A verdade é que "conferi" e não me entusiasmou por aí além, mas tampouco estou arrependido do tempo gasto a ver o filme. Tem momentos interessantes e retrata bem a época, mas há momentos em que perdemos "o fio à meada" tal a confusão, e há coisas que ficam por explicar. Concordo com o 7 que dás em mais uma magnífica análise.

Um abraço

Shinobi disse...

Olá Nuno!

Efectivamente o ponto mais fraco deste filme é a confusão que existe na trama, o que faz com que fiquem algumas coisas por explicar...principalmente no epílogo da película.

Grande abraço!