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quinta-feira, julho 03, 2008

Fighter in the Wind/Baramui Fighter -
바람의 파이터 (2004)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 121 minutos

Realizador: Yang Yun-ho

Com: Yang Dong-kun, Aya Hirayama, Masaya Kato, Jeong Tae-woo, Jung Doo-hong, Park Seong-min, Lee Han-garl, David Joseph Anselmo, Michael Frederick Arnold

"Choi Bae-dal, que mais tarde seria conhecido no Japão por Masutatsu Oyama"

Sinopse

Durante o ano de 1939, “Choi Bae-dal” (Yang Dong-kun) é um pugilista sul-coreano que viaja até ao Japão, com o sonho de ir para a escola de aviação imperial, tendo em vista se tornar num piloto de um caça. Contudo, as suas expectativas saem frustradas, pois “Bae-dal” é metido num programa de kamikaze. Recusando-se a voar num avião para a morte, é condenado a ser fuzilado por desobediência. É aqui que “Bae-dal” conhece “Kato” (Masaya Kato), um oficial do exército japonês, que o desafia para um combate, vencendo-o por larga margem.

"Yoko e Bae-dal"

“Bae-dal” é libertado e vive de biscates nas ruas de um país agora ocupado pelos vencedores da guerra no Pacífico, os norte-americanos. No desenvolver da sua actividade, arranja problemas com a yakuza, e em vias de perder mais uma luta, é salvo por “Beom-su” (Jung Doo-hung), um mestre de artes marciais sul-coreano. Este toma “Bae-dal” como seu discípulo, e ensina-lhe a sua técnica, tentando-o tornar num lutador justo e honrado. Posteriormente, “Beom-su” é morto num reencontro com a yakuza e “Bae-dal”, despeitado, vinga o seu mestre.

Triste com o sucedido, e apesar de amar “Yoko” (Aya Hirayama), “Bae-dal” retira-se para as montanhas e treina arduamente, com o propósito pessoal de se tornar o melhor lutador do mundo de artes marciais. Tempos depois, “Bae-dal” começa a dar nas vistas, ao vencer os melhores combatentes japoneses de Karate. No entanto, “Kato”, agora presidente da associação de artes marciais do Japão, tudo fará para não permitir que um sul-coreano humilhe as tradições ancestrais do seu país.

"Kato, o defensor da tradição nas artes marciais japonesas"

"Review"

“Fighter in the Wind” é baseado numa personagem verídica, visando contar a história do sul-coreano Choi Bae-dal, um famoso lutador que emigrou para o Japão por alturas da II Guerra Mundial. Aqui somos convidados a acompanhar o homem na sua juventude, quando desenvolve o estilo de karate conhecido como Kyokushin, que o possibilita derrotar por todo o Japão os melhores mestres de artes marciais. Bae-dal viria a mudar o seu nome para Masutatsu Oyama, e subsequentemente tornar-se-ia numa verdadeira lenda.

Não pensem que estamos perante uma película que visa ser um registo biográfico fiel da vida de “Bae-dal”. Sendo baseado numa manga de Ikki Kajiwara intitulada “Karate Baka Ichidai”, “Fighter in the Wind” pretende ser uma homenagem ao lutador, que vive sob o signo da espectacularidade visual e dos combates. Mesmo assim, a “manga” foi adulterada pelos laivos nacionalistas, que explicarei mais abaixo no que consistem na minha opinião. De certa forma, somos confrontados com um filme que possui uma aura semelhante a “Fearless”, de Ronny Yu (será mais correcto dizer o contrário, pois “Fearless” foi realizado dois anos após “Fighter in the Wind). Tal comparação fará sentido, tendo em conta que ambas as obras visam expôr uma história verídica, embora altamente romanceada, acerca de uma personagem que partindo de uma situação pessoal trágica, torna-se numa lenda das artes marciais. Em ambos os casos, fazendo com que o seu estilo e ensinamentos fossem difundidos pelo mundo inteiro, transformando o homem em lenda. O espectro trágico de “Bae-dal” ainda é mais acentuado pela sua aparência. Com roupas de combate esfarrapadas e o cabelo comprido mas completamente desarranjado, o herói parece um verdadeiro maltrapilho das artes marciais, cuja aparência infunde tudo menos respeito.

Existe desde logo à partida um tema que é bastante recorrente em vários filmes sul-coreanos, e que aqui já foi por algumas vezes abordado. Trata-se da vertente nacionalista exacerbada. “Fighter in the Wind” foi das películas sul-coreanas mais criticadas no que concerne a este aspecto. E de facto é preciso reconhecer que os japoneses são retratados mais uma vez como seres orgulhosos, cruéis e inflexíveis, cujo único propósito parece ser atormentar os coreanos o mais que puderem. Só existem praticamente dois elementos nipónicos que se salvam do “bota abaixo”. Um (ou melhor uma) é “Yoko”, o amor de “Bae-dal”, interpretada pela bela actriz Aya Hirayama. Mas mesmo aqui, vemos uma rapariga que é obrigada a lutar imenso contra as convicções e “status quo” dominante, de forma a poder encetar algo semelhante a um relacionamento com o herói da trama. O outro personagem japonês que não é difamado apenas aparece em espírito, nunca em corpo. Trata-se do célebre e lendário samurai Musashi Miyamoto, um renomado espadachim japonês que viveu nos séculos XV e XVI e cujos ensinamentos servem de inspiração para o modo de vida de “Bae-dal”. Outro povo que não escapa à crítica veemente são os norte-americanos. No período de ocupação são vistos como seres estúpidos e delinquentes, que humilham o povo ocupado. Mesmo aqui parece existir uma crítica velada aos japoneses, porquanto os mesmos não parecem ser capazes de defenderem o seu povo, sendo necessário que “Bae-dal” se transforme numa espécie de justiceiro nocturno com a cabeça a prémio, que salva jovens raparigas de serem violadas pelos norte-americanos. Mais uma tentativa de sublimação dos sul-coreanos perante os seus vizinhos e rivais japoneses, de duvidosa verdade histórica.

"Treino sob condições agrestes"

Os combates são do melhor que o filme tem, desenvolvendo-se todos, sem excepção, ao mais alto nível. As lutas são violentas e dotadas de espectacularidade, mas ao mesmo tempo convincentes para quem as visiona. Bem, talvez haja que fazer uma excepção em relação a uma das cenas finais em que “Bae-dal” se confronta com um boi, tentando partir-lhe os cornos. Mas mesmo aí, e fazendo um pouco de pesquisa, parece que uma das habilidades do lutador era precisamente aquela que à partida não acreditamos como muito verosímil. O verdadeiro “Bae-dal” era bastante conhecido por lutar contra os bovinos, e em várias exibições públicas mediu forças com os animais, quase sempre saindo vencedor. No remanescente, e voltando a falar de combates entre humanos, os mesmos são extremamente rápidos, fazendo jus a um dos princípios basilares de “Bae-dal”, a saber, “um golpe, uma vitória”. Mesmo assim, sempre temos direito a um ou outro “slow motion” que nos possibilita tirar partido de movimentos visualmente mais deslumbrantes. Para os fãs de artes marciais será um delírio ver “Bae-dal” pôr o seu Kyokushin a funcionar contra outras variantes de karate, judo e até kendo. Igualmente teremos direito a ver um duelo final emblemático que, não sei porquê, fez-me lembrar o epílogo de “Judo Saga – Sugata Sanshiro”, o primeiro filme que Kurosawa realizou.

O “background” histórico é interessante, tirando um ou outro laivo nacionalista mais impulsivo e de que já falei acima. Embora não constitua um dos elementos fulcrais da história, mas sim o seu pano de fundo, sempre se poderá afirmar que conseguimos compreender alguma coisa das dificuldades do pós-guerra no Japão. As ruas são complicadas, com a criminalidade da yakuza a ditar leis. Os víveres são escassos, e a população vive tudo menos bem. As interpretações situam-se num nível acima da média, sendo Yang Dong-kun um guerreiro contemporâneo (e ao mesmo tempo tradicional) de eleição. Merece igualmente uma palavra especial, o actor e praticante de artes marciais Masaya Kato que, embora limitado a nível de minutos, interpreta um vilão moralista extremamente aceitável. Melhor dizendo, até acabamos por compreender Kato na sua perspectiva de defesa dos bons costumes e da tradição do seu país. Sendo assim, dificilmente poderemos encará-lo como um “mau” convencional. Aya Hirayama cumpre bem, embora reconheça que posso estar a ser influenciado pela sua beleza inocente, singela e acima de tudo cativante.

“Fighter in the Wind” é um filme que valerá bastante a pena espreitar, ressalvando neste raciocínio um ou outro exagero/defeito de pormenor. Ideal para os inúmeros fãs de artes marciais que não vivem apenas para a luta, mas que se interessam igualmente por um argumento bem construído, embora algo incompleto. A cinematografia é lindíssima e o drama bem explorado, ou este não fosse afinal um filme sul-coreano. Como vocês sabem que eu gosto de uma ou outra frase emblemática, e sendo assim, findo desta forma o presente texto citando “Bae-dal”: “Tenho medo de lutar, mas ainda receio mais sobreviver como um aleijado...”

Uma proposta bastante interessante!


"Bae-dal demonstra a sua técnica contra um dos mestres japoneses"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,88




11 comentários:

Takeo Maruyama disse...

Mais uma grande resenha do nosso amigo Jorge. Eu gosto bastante desse filme.

Embora eu seja descendente de japoneses, não acho que o retrato dos japoneses em Fighters In The Wind seja exagerado. É notório que os japoneses abusaram demais dos coreanos e também dos chineses no século passado, e isso é motivo de muita vergonha, mas não tento esconder esse fato.

Confesso que não me senti nada incomodado com o tal "nacionalismo" apresentado na película. Nada mais natural um filme sul-coreano expôr a estória de um de seus heróis a partir da ótica dos coreanos. Os japoneses já tinham contado a sua própria versão da estória de Oyama interpretado por Sonny Chiba em Karate Bullfighter. Nessa versão sua origem coreana sequer é mencionada.

Shinobi disse...

Olá Takeo!

Antes de tudo, tenho a agradecer o elogio à crítica, que aqui retribuo sinceramente aos teus textos.

A crítica ao nacionalismo sul-coreano já vem na sequência de vários filmes daquele país que tenho visto, e que "pintam" os japoneses de uma forma pouco simpática. É certo que os sul-coreanos têm razões de sobra para se queixarem dos nipónicos, atendendo aos conflitos que decorreram entre ambos ao longo dos séculos. E apesar de a II Guerra Mundial já ter findado há 63 anos, com certeza que as cicatrizes ainda perduram...

No entanto, existem certos filmes sul-coreanos que se focam demasiado na crítica aberta aos japoneses, e que muitas vezes acabam por perder o rumo a outros aspectos importantes do argumento.

Mas como tu vives no Japão Takeo, e sendo descendente de japoneses, com certeza que estarás muito mais bem informado do que eu neste aspecto, e sentirás o pulsar da população.

Nunca vi "Karate Bullfighter", com o Sonny Chiba. Quando puder vou conferir, pois será extremamente interessante comparar aquela visão de Oyama, com a exposta em "Fighter in the Wind".

Grande abraço!

Nuno disse...

Amigo Jorge,

Não sei onde vais desencantar estes filmes...nem este realizador. É a primeira vez que sei da sua existência, e por isso mesmo, o filme é-me completamente desconhecido mas atua análise (mais uma fantástica) deixou-me curioso, não em relação ao realizador, mas em relação ao filme.

Um Abração

Shinobi disse...

Amigo Nuno,

isto é tudo fruto de alguma pesquisa que desenvolvo quando tenho tempo para tal. Depois é pesquisar na net, e encomendar de um site que tenha o dvd a um preço razoável.Este em concreto, acho que mandei vir do amazon inglês

O filme é bastante recomendável. Tenho praticamente a certeza que irias gostar!

No restante, só tenho a agradecer a força e apoio constantes!

Grande abraço!

tf10 disse...

Já não tinha ficado muito bem impressionado com o realizador quando vi o seu "White Valentine" e nem mesmo a Jeon salvou a situação.....Mas com este filme ele conseguiu fazer ainda pior! Filme banal, construido, à risca, sob a cartilha de um entretenimento ligeiro (estão lá os elementos todos), querendo abranger várias assuntos ao mesmo tempo ficando-se, em todos eles, por uma superficialidade evidente! E nem mesmo as sequências de acção são dignas de grande registo. Pelo menos não tenho grande recordação das mesmas e se a memória não me atraiçoa o final do filme é particularmente risível.

Sobre o retrato da relação entre Coreanos e Japoneses, ele estará seguramente ao nivel do filme, ou seja muito ligeiro! Existem seguramente outros realizadores que lidam com a questão de forma muito mais hábil e até ousada como por exemplo mestre Oshima, já que o tema lhe era muito caro!

grande abraço!

Shinobi disse...

Olá tf10!

Antes de tudo, tenho a dizer que quando a Jeon (para os outros estamos a escrever acerca da Jeon (Jun) Ji-hyun) não consegue salvar a situação, não estou a ver qual a solução para o problema :)) !

Aqui eu vou ser obrigado a discordar contigo. Admito que algumas situações tenham sido abordadas de uma forma superficial, mas igualmente entendo que este filme tem alguma substância que se aproveita e bastante. Quanto às sequências de acção, então ainda vou ter que discordar mais. No meu entendimento, acho que se conseguiram resultados bastante positivos nas coreografias dos combates, inclusive até a roçar o espectacular. Quanto ao epílogo, o defeito de maior que lhe aponto é a sua curta duração. Acho que um pouco de exaustão nos combates, em especial entre "Bae-dal" e "Kato" não fazia mal nenhum e até abrilhantava mais as coisas. Se te estás a referir ao facto de "Bae-dal" estar de frente a um boi e estar a agarrar-lhe nos cornos, confesso que a cena não será a mais feliz. Mas porque não entender que é uma forma de sobrelevar o que o verdadeiro Oyama fazia na realidade, ou seja, exibições públicas de força contra os ditos animais?

Quanto à abordagem das relações entre os coreanos e os japoneses reconheço que a habilidade não primou, mas quanto à frontalidade não tenho dúvidas que o objectivo foi cumprido e de que maneira!

Grande abraço!

tf10 disse...

Oi Jorge,

Quando falei das sequências de acção não me referia apenas às coreografias, mas também às questões técnicas, nomeadamente a forma como foram filmadas, editadas e montadas. Só achei que não estavam tão extraordinárias ao ponto de me ficarem na memória como algumas outras de certos filmes onde se fazem por exemplo sequências de meia dúzia de minutos com apenas um "plano-sequência", portanto SEM cortes!! Foi nesse sentido que utilizei a expressão memorável!

Em relação ao final, não estava a referir-me só à parte "bovina" :)
Mas sim ao "combate final" que pelo que pude rever, aparece do nada, num descampado com tudo muito "organizadinho" cenicamente e pior do que isso foi ter sido absolutamente anticlímax......como tu dizes o confronto entre os dois pecou por muito curto. Não sei se foi falta de criatividade por parte do realizador ou se tentou fazer algo menos óbvio, o que a ser verdade, diga-se que se lembrou disso já muito tarde! :)

Ah e já nem me lembrava.....a banda sonora do filme é de fugir! :)

Grande abraço!

Su disse...

passei por aqui


acredita ...eu tb luto contra "resmas" de bovinos:)))))

jocas maradas

Shinobi disse...

Eu por acaso, às vezes também tenho de lutar com algumas bovinas que me tiram o juízo e principalmente a paciência, eh eh eh! Mas graças a Deus, é a excepção!

Beijinho grande Su, e já agora o comentário foi bem metido, lol!

Shinobi disse...

Olá tf10!

Percebo o que queres dizer no que toca às sequências de acção, e confesso que agora fiquei mais esclarecido :) ! Mesmo assim, tecnicamente achei que a filmagem ficou boa, embora confesse que prefiro mais, e como dizes e bem, a técnica do "plano-sequência" e "sem cortes".

De facto, uma das principais pechas do filme foi o combate final que poderia ter sido mais longo e melhor aproveitado. Mas pelos vistos, o real Oyama era uma pessoa que tinha como uma das máximas "um golpe, uma vitória". O que isto quer dizer é que normalmente o seu estilo de karate, o kyokushin era virado para combates rápidos e extremamente corpo-a-corpo. Aliás, em todo o filme, os combates nunca são de grande duração. Julgo que poderá ter sido enfatizado este aspecto. Mesmo assim, continuaria a preferir uma luta final mais emblemática, tanto que até o oponente Kato prometia bastante. O cenário de facto está arranjadinho o que retira algum realismo à cena. No entanto, visualmente está belo e agradável à vista.

Acredita que já não és o primeiro a criticar negativamente a banda-sonora, e de facto atendendo ao pendor algo heróico, mas tambem trágico do filme, havia espaço para fazer algo bastante melhor. Contudo também não achei que fosse o horror que muitos dizem. Digamos que para mim é mais para o "normalzito", tipo "pãozinho sem sal", eh, eh, eh!

Grande abraço!

Anónimo disse...

ALGUÉM PODE ME INFORMAR O NOME DA MÚSICA DA TRILHA SONORA DO FILME,OBG