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quinta-feira, outubro 18, 2007

Opinião - A sobrevalorização dos Wuxias de Zhang Yimou


Ao folhear hoje o Diário de Notícias da Madeira, deparei-me com um interessante artigo do caríssimo João Filipe Pestana, pessoa que conheço há muitos anos e por quem nutro consideração. O referido escrito versa sobre a edição nacional de Dvd, do último filme de Zhang Yimou, denominado “A Maldição da Flor Dourada”. A certa altura, podemos ler, e passo a citar:
“O épico asiático 'Ran - Os Senhores da Guerra', da autoria do génio de Akira Kurosawa, marcou a Sétima Arte com as colossais e sangrentas batalhas, aliadas a uma estética visual e a uma espessa narrativa.Procurando seguir uma mesma linha, o cineasta Zhang Yimou apresentou, em 2002 e 2004, os filmes 'Herói' e 'A Casa dos Punhais Voadores', dois dos filmes asiáticos mais sobrevalorizados dos últimos anos mas que, ainda assim, funcionaram bem junto do grande público e na bilheteira.”
Apesar de respeitar a opinião de uma pessoa a quem reconheço conhecimentos a nível da sétima arte, não poderia deixar de expressar a minha discordância quanto à expressão “dois dos filmes asiáticos mais sobrevalorizados dos últimos anos”, pois na minha humilde opinião tratam-se de películas de enorme mérito e que revitalizaram em muito um género que começava a ser esquecido. Para esclarecimentos adicionais, basta ir AQUI e AQUI. Quanto ao género, falo obviamente do “Wuxia Pien".
E quanto a mim, o principal erro em que o subscritor da notícia em referência cai, passa desde logo pela comparação com outro grande épico do cinema asiático, e pessoalmente o meu filme favorito do “mestre” Akira Kurosawa, “Ran – Os Senhores da Guerra”. Desde logo estamos a falar de longas-metragens que pertencem a sub – géneros distintos. Os do realizador Zhang Yimou ao já cima aludido, o do realizador japonês ao “Chambara”. Explicar as diferenças seria exaustivo e estar a "bater na tecla", que outros já deram a música centenas de vezes (não em Portugal, infelizmente). Deixo o exaustivo trabalho, por manifesta economia de esforço, para as hiperligações presentes neste texto.
É certo que os três filmes em discussão apostam muito na “estética visual e a uma espessa narrativa”. Mas hoje em dia é verdade que a maior parte das grandes obras do cinema asiático enveredam pelo mesmo diapasão (e ainda bem, pois tais aspectos constituem coeficientes de valorização). E não têm necessariamente que versar sobre um género mais abrangente e reconduzido aos épicos de artes marciais. Um quase sem número de exemplos poderiam ser contabilizados. Pense-se por exemplo nos elucidativos dramas existenciais do aclamado realizador sul-coreano Kim Ki-Duk.
Também gostaria de fazer outra pequena chamada de atenção. Ninguém com um mínimo de bom senso duvida que “Ran” marcou a sétima arte, do modo que João Filipe Pestana expressa, e muito bem. No entanto, Kurosawa já muitos anos antes de “Ran” tinha marcado a sétima arte da mesma forma, com películas como “Os Sete Samurais” ou “O Trono de Sangue”, entre outras. E se o problema é o preto e branco, nunca podemos esquecer que Kurosawa 5 anos antes de “Ran”, realizou “Kagemusha”, onde temos a felicidade de assistir a um verdadeiro festim de batalhas, fotografia, guarda-roupa, argumento, e tudo o mais que distingue o mestre japonês da maior parte dos realizadores por esse mundo fora.
De qualquer forma é de elogiar os novos passos que o Diário de Notícias da Madeira trilha a nível da difusão do cinema (a que com certeza não será alheio o "dedo" de João Filipe Pestana), lutando, à sua maneira e tendo em conta os inevitáveis condicionalismos e imperativos comerciais, por não focalizar única e exclusivamente a sua atenção no cinema “Hollywoodesco”.
Já agora, os meus parabéns pela mini-biografia exposta acerca de Zhang Yimou. Claro que “Herói” e “O Segredo dos Punhais Voadores” foram deixados de fora. Propositadamente ou não, isso já não sei.

2 comentários:

Nuno disse...

Caro Jorge,

Concordo em absoluto contigo: não acho que os filmes do Yimou Zhang tenham sido sobrevalorizados. E mesmo que o tenham sido pelo público em geral, convém lembrar ao teu amigo João Filipe Pestana que o "Herói" foi nomeado para Óscar e recebeu 21 prémios + 19 nomeações; "A casa dos punhais voadores" foi nomeado para um Óscar e recebeu 16 prémios + 33 nomeações; "a Maldição da flor dourada" foi nomeado para um Óscar e recebeu 7 prémios + 15 nomeações. Parto do princípio que quem nomeia e premeia filmes por esse mundo fora é gente que leva em linha de conta critérios de qualidade acima de qualquer suspeita.
Isto não implica que tenhamos todos que concordar com as decisões de todos os jurís, mas um filme nomeado para um prémio e, principalmente, um filme ganhador de um prémio tem que ter alguma qualidade...e se falarmos em 7 pémios, ou 16, ou 21...como é o caso, os filmes têm que ter muita qualidade.
Bem sei que também há "prémios" para os "piores de cada ano"...mas não é o caso dos filmes de Yimou Zhang.

Um abraço,
Nuno

Shinobi disse...

Muito bem, Nuno!

Concordo 200% contigo! Não o teria dito melhor!

Grande abraço!