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quinta-feira, outubro 15, 2009

Vampire Hunter D: Bloodlust/Banpaia hantâ D - バンパイアハンターD (2000)
Origem: Japão/EUA
Duração: 103 minutos
Realizador: Yoshiaki Kawajiri
Vozes das personagens principais (versão falada em inglês): Andrew Philpot (D), John Rafter Lee (Meier Link), Pamela Adlon (Leila), Wendee Lee (Charlotte), Michael McShane (Left Hand), Julia Fletcher (Carmila), Matt McKenzie (Borgoff)
"Vampire Hunter D"

Sinopse

Num mundo futurístico, os vampiros estão em decadência, quando outrora já foram reis e senhores. “Charlotte”, uma linda rapariga, filha de um homem abastado, é raptada por um poderoso vampiro chamado “Meier Link”. Desesperada, a família de “Charlotte” contrata “D”, um caçador de vampiros, de forma a que a rapariga seja resgatada. “D” é um “dampiro”, designação que serve para ilustrar aqueles que são metade homem, metade vampiro, atendendo a que possuem progenitores de ambas as raças.

"A paixão de Charlotte e Meier Link"

No encalço de “Meier Link”, segue também um grupo de caçadores de recompensas, liderados por “Markus Borgoff”, sendo um dos elementos uma jovem rebelde com grandes capacidades de luta, chamada “Leila”. O séquito compete com “D” pelo resgate de “Charlotte”, de forma a receberem os vinte milhões de dólares de prémio. Acontece que um grande obstáculo surge perante aqueles que foram contratados para salvar “Charlotte”. A jovem afirma que está com “Meier Link” de livre vontade, declarando-se completamente apaixonada por ele.

"Meier Link Vs. D"

"Review"

Em 1985, surgiu um anime com pendor extremamente gótico denominado “Vampire Hunter D”, na altura a cargo de Toyoo Ashida, e que causou alguma sensação no meio. Quinze anos depois, tinha chegado a hora de “Vampire Hunter D: Bloodlust”, desta vez com Yoshiaki Kawajiri ao leme, o responsável por um dos meus “anime” preferidos, “Ninja Scroll”. “Vampire Hunter D” é baseado numa série de escritos da autoria do aclamado Hideyuki Kikuchi, uma personalidade famosa no Japão pelos seus contos de terror, tendo sido já comparado a Stephen King. Muito sumariamente, e como já se depreende um pouco da sinopse, o que está em causa são as aventuras de “D”, um cavaleiro solitário e misterioso. Na realidade, “D” é um dampiro, que nos mitos da região europeia dos Balcãs, representa um ser que possui um pai vampiro e uma mãe humana. Igualmente no folclore daquela zona, acreditava-se piamente que os dampiros davam excelentes caçadores de vampiros. Foi com base nestas lendas, que a personagem de “D” foi construída e a sua história pensada. Existem outros dampiros conhecidos no mundo da sétima arte, constituindo o exemplo mais flagrante o de “Blade”, interpretado pelo actor Wesley Snipes.

Tendo por fonte os escritos de Kikuchi, já que no filme não existe uma explicação directa, “D” exerce a sua actividade num mundo pós-apocalíptico, mais propriamente no ano de 12090 depois de Cristo. Em 1999, os vampiros orquestraram uma guerra nuclear que quase destruiu a civilização. Os vampiros, usando o seu poder tecnológico e também mágico, reconstruíram o mundo à sua maneira. Alimentando-se de humanos, foram reinando até a altura em que começam a entrar em declínio, apesar de ainda serem temidos e respeitados. “D” é o seu pior pesadelo, atendendo às suas magníficas capacidades como caçador de vampiros, possuindo as características físicas desta raça e não tantas fraquezas. Contudo, “D” não é bem aceite pelos humanos, atendendo à sua origem, fazendo com que seja rejeitado por ambas as partes contendoras. A sua solidão explica-se muito por esta razão. Kikuchi cria um mundo fascinante e tenebroso, que expressa um ambiente constituído por um manancial de características que se podem reconduzir ao velho oeste norte-americano, temperado com uma aura gótica, épica, de ficção científica e pura magia. “Vampire Hunter: Bloodlust” encarna muito bem este espírito, e é sem margem para qualquer dúvida, uma excelente obra de animação.

O filme apresenta uma acção muito bem desenvolvida e enquadrada, que nos prende a atenção ao ecrã até ao epílogo. Os cenários são apaixonantes e o desenho das personagens muito bonito e atraente. A parte mais cénica ficou a cargo dos conhecidos estúdios “Madhouse” e o resultado é um verdadeiro regalo para a vista! As paisagens variam desde cemitérios, ruínas clássicas, povoações retiradas do século XVIII ou de um típico “western”, castelos assombrosos, florestas e campos. Tudo feito com uma arte apreciável e quase sempre com uma ambiência gótica bastante distinta. Ao contrário do que é normal, a versão original é falada em inglês, tendo sido posteriormente efectuada uma dobragem em japonês. Este factor não belisca minimamente a qualidade da obra, asseguro-vos.

A trama está bem urdida, com pormenores extremamente significativos, muitas vezes relacionados com o ar aparentemente jovem de “D”, quando o mesmo na realidade já possui imensos anos de vida. Pense-se a título exemplificativo, no homem de idade que defende o caçador, por este o ter salvo quando era criança, ou na cena final que não revelo por constituir um “spoiler”. Igualmente, a paixão entre o vampiro “Meier Link” e “Charlotte”, está bem transposta para a tela, o que nos faz granjear simpatia pelos enamorados. Repare-se que os mesmos são perseguidos pelo herói da história, mas sob falsos pressupostos, pois ambos nutrem um sentimento enorme um pelo outro. Tal situação, por vezes provoca algum abalo na segurança do aparentemente inexpugnável “D”, não fosse ele o produto de uma relação entre um vampiro e um humano. “Meier Link” cativa-nos imenso e verdadeiramente não pode ser considerado um vilão da história. A força da sua paixão é bem evidenciada quando luta contra a sua parte animal ao não querer morder “Charlotte”, quando ela insiste em nome de viverem juntos para sempre. Quem esquecerá a brilhante cena em que “Meier Link” enfrenta a exposição do sol, de forma a impedir que afastem “Charlotte” da sua vida (ou será morte?) para sempre e ela, desesperada, corre para os braços do seu amante a arder. Igualmente interessante é a relação entre “D” e “Leila”, com ambos a parecerem evidenciar algum tipo de sentimentos. Em suma, o jogo de emoções mergulhado na ambiguidade moral está um mimo!


"D faz-se anunciar"

As personagens, à semelhança do resto do filme, são bem conseguidas e como já acima aflorei, com um desenho muito belo. Reportando-me apenas às principais, “D” é enigmático tanto no aspecto como na sua vida. Aparentemente parece ter vinte e poucos anos, mas na realidade já possui centenas de vivência. O seu cabelo longo, a sua capa imensa e o seu chapéu de abas largas, servem para protegê-lo da luz do sol, que eventualmente poderá debilitá-lo, embora não tanto como os vampiros. A sua longa espada e o pendente azul, imbuído de poderes místicos, completam um dos aspectos mais “cool” alguma vez vistos na tela. As próprias origens de “D” estão envoltas num propositado nevoeiro. O seu nome composto por uma única sugestiva letra e a referência ao facto de ser descendente do “rei dos nobres”, induzem que o seu pai vampiro seria, nada mais nada menos, que o Conde Drácula! Aquando do seu embate com a poderosa vampira “Carmila”, esta exclama horrorizada uma frase que suporta esta ideia. “Carmilla”, a verdadeira vilã da história, é baseada num misto de personagens emblemáticas dos mitos vampirescos, a saber, “Carmilla” do romance com o mesmo nome, da autoria de Joseph Sheridan Le Fanu e a eterna Condessa Bathory, considerada o equivalente feminino do Conde Drácula. “Charlotte” é adorável, e constitui o protótipo da rapariga debutante do século XVIII, muito prendada e com laivos de ingenuidade, buscando a força e segurança no seu amor. O vampiro “Meier Link” constitui a única personagem que consegue disputar o protagonismo a “D”. Trata-se de um ser que não é mau por natureza e apenas mata quando a tal é obrigado ou por necessidade. Os sentimentos que nutre por “Charlotte”, parecem contribuir muito para esta faceta. É um dos vampiros mais poderosos, e com atributos que em muito excedem os do espécime normal desta raça. É capaz de se regenerar das feridas e, apesar de ser passível de ser considerado um ser que não é maligno, a sua aura poderosa faz com que os crucifixos fiquem deformados, as plantas sequem e os vidros partam. Constitui um oponente à altura de “D” e a sua caracterização é praticamente irrepreensível. “Leila”, por sua vez, é uma humana, que se dedica à caça de vampiros devido ao ódio que nutre por estes seres, assim como pelos “dampiros”. Tudo se deve a um acontecimento trágico que sucedeu no passado. No entanto, a sua opinião sofre alterações quando trava conhecimento com “D” e aprende que nem todos os “dampiros” são maus, muito pelo contrário.

“Vampire Hunter D” é uma obra imperdível para qualquer amante de anime que se preze como tal! Tem quase tudo o que é requerido para criar uma legião de fãs, desde uma banda-sonora com motivos orquestrais que se adequam à película, até um manancial de personagens emblemáticas que ficam na memória. O argumento é bom, a animação cativante e o factor “estilo” desponta até ao máximo! A pujança desta longa-metragem é um factor indesmentível! O que é que se pode pedir mais? Um filme de vampiros não pode ser melhor do que isto!

Excelente película de animação!


"A atmosfera gótica marca a sua presença"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 9

Animação - 9

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 9

Classificação final: 8,71




15 comentários:

Ricardo disse...

Carissimo Amigo,
Prometido é devido e nesse sentido cá estou eu a escrever-te.
O teu "espaço" está fantastico!
Com base nesse "fantastico" reforço a ideia de que deverias equacionar a hipotese de ganhar uns "tostões" (sim porque em euros a história é outra).
Sendo este blog único no seu gênero e tendo esta imensa visibilidade, certamente será muito apetecivel a imensos sponsors.
Vai por mim e liberta essa tua "veia financeira".
Abraço do teu amigo
RA

Shinobi disse...

Amigo Ricardo,

Antes de tudo só tenho a agradecer os elogios, que são sempre uma forte motivação para continuar esta "brincadeira".

Quanto aos "tostões", só valerá a pena se efectivamente for um projecto aliciante. Caso contrário, e como já tive a oportunidade de te dizer, continuarei no "quem corre por gosto não cansa" :)))!

Grande abraço!

Dri Viaro disse...

Olá, vim conhecer seu blog, e desejar bom fim de semana.
bjs

aguardo sua visita :)

Shinobi disse...

Olá, Dri!

Espero que tenhas gostado do blogue!

Aparece mais vezes!

Beijinho!

Nuno disse...

Amigo Jorge,

Como já deves ter reparado tenho andado um pouco fora das lides bloggistas, com a excepção do My Aian Movies que visito diariamente. O que acontece, é que nem sempre tenho tido tempo para deixar-te um comentário, seja em relação ás,tuas sempre fantásticas análises, quer em relação às beldades orientais do qual sou fan...como sabes. Neste dois assuntos os meus gostos pessoais não mudaram...que fique esclarecido. Venho agora penitenciar-me por este hiato, e dizer-te que, ainda que não seja um grande seguidor do cinema Anime, esta tua sensacional análise me deixou com água na boca para ver este filme.

Um grande Abraço
Nuno

Shinobi disse...

Amigo Nuno,

Eu sei que és um frequentador do blogue sempre presente :)! Aliás, és o apoiante mais dedicado deste espaço que conheço, facto que me honra imenso, ainda para mais sendo uma pessoa pela qual nutro bastante amizade.

Em relação a este anime, se gosta daquele género mais gótico e com temática vampiresca, é adquirir de olhos fechados! Neste particular, não conheço filme melhor do que este!

Grande abraço e tudo de bom!

O Trapaceiro disse...

Shinobi, estou esperando ansiosamente pela resenha do fantástico filme Goemon, espero que essa resenha apareça aqui em breve!

Grande abraço!

Shinobi disse...

Olá Trapaceiro!

Não prometo que o texto apareça em breve, pois tenho uma quantidade de filmes inimaginável para colocar no blogue. Agora garanto que "Goemon", mais cedo ou mais tarde, vai marcar aqui a sua presença!

Abraço!

Dri Viaro disse...

Bom dia e boa semana!!
beijos

Dri Viaro disse...

Bom dia e boa semana!!
beijos

Shinobi disse...

Obrigado, Dri!

Beijinho!

O Trapaceiro disse...

Oba!

Então irei aguardar ansiosamente!

Grande abraço e sucesso para o Blog!

Shinobi disse...

Um abraço, Trapaceiro!

Dewonny disse...

Adorei Ninja Scroll, e adoro animes, vou baixar esse pra ver, já achei o torrent!
Fiquei ainda mais interessado do q já estava, belo texto Jorge, como sempre!
Você é mestre em analisar as obras nos mínimos detalhes, parabéns!
Abraço! Diego!

Jorge Soares Aka Shinobi disse...

Agradeço os elogios Diego, que sabem sempre bem e dão uma força para continuar :) !

Este é imperdível! Tens de o ver obrigatoriamente!

Abraço!