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terça-feira, abril 25, 2006

Herói/Hero/Ying Xiong (2002)
Origem: China
Duração: 94 minutos
Realizador: Zhang Yimou
Com: Jet Li, Tony Leung Chiu Wai, Maggie Cheung, Zhang Ziyi, Daoming Chen, Liu Zhong Yuan, Zheng Tia Yong

"Espada Partida e Neve Esvoaçante, um amor verdadeiro, mas por vezes difícil"

Na China existem sete reinos independentes entre si, mas um deles, Qin, tornou-se mais forte e ameaça anexar os restantes pela força. A única coisa que parece interpor-se nos planos do imperador Qin, são 3 poderosos assassinos do reino rival de Zhao, chamados "Espada Partida" (Tony Leung Chiu Wai), "Neve Esvoaçante" (Maggie Cheung) e "Céu" (Donnie Yen). O imperador Qin encontra-se desesperado e oferece recompensas fabulosas, mas parece que ninguém consegue matar os guerreiros.

"Sem Nome e Céu, em pose espectacular!"

Até que um dia, no palácio Qin aparece "Sem Nome" (Jet Li), um desconhecido que é guarda de uma prefeitura menor, afirmando que lutou e matou os 3 assassinos, reclamando assim a recompensa pelo feito.

O imperador alegra-se, mas faz questão de saber os pormenores da aventura de "Sem Nome". Num diálogo ilustrado com "flashbacks", aos poucos chega-se à conclusão que nem tudo é o que parece, e são trazidas à luz dodia revelações surpreendentes...

"Lua..."

"Review"

O enredo de "Herói" é dividido em várias perspectivas sobre o mesmo acontecimento, em sentido progressivo, com o intuito de nos aproximar crescentemente da realidade, através de um diálogo cheio de substância e com influências da "arte da guerra" de Sun Tzu, mantido entre o imperador Qin e "Sem Nome".

É uma estória, constituída por várias estórias.

Descobrimos com suavidade e elegância a relação de "Espada Partida" e "Neve Esvoaçante", um amor incompreendido com uma certa "nuance", pois são eles próprios que não conseguem adaptar-se às ambições e ensejos um do outro. "Lua", fiel discípula de "Espada Partida", por sua vez está fadada ao amor não correspondido do seu mestre. "Céu", representado por Donnie Yen, é um homem solitário, que embora tenha uma pequena participação no filme em termos de minutos, oferece-nos cenas memoráveis, na reeedição do duelo com Jet Li, já anteriormente travado em "Era Uma Vez na China II".

Quem visiona "Herói" fica claramente com a nítida sensação que está perante um belo quadro, em que o autor vai pintando cada cena à medida das suas múltiplas sensações, com aguarelas vivas, mas que representam sobretudo uma alegria perene ou uma tristeza infindável. Consegue transmitir através de cores vivas sentimentos cinzentos e negros. É esta a grande beleza de "Herói", juntar o que de melhor têm filmes como "Rashomôn" ou "Ashes of Time".

Isto para dizer que "Herói tem simplesmente a mais bela fotografia que tive oportunidade de contemplar com estes olhos que um dia "a terra há de comer". Assistir a este filme é como observar um sonho cheio de imaginação e de cores, temperado com laivos de grande genialidade!

"O imperador Qin, que deseja unir tudo debaixo dos céus"

As cenas de luta são impressionantes, mas poéticas ao mesmo tempo. Muitas vezes ficamos coma sensação que mais do que uma batalha pela vida e destruição do oponente, estamos a vislumbrar uma bela dança, extremamente cuidada nos seus pormenores. Mas apesar de tudo transparece sempre aquela fúria de matar e sobreviver, sem falsos pretenciosismos, com extrema atenção no detalhe. É uma reunião de opostos, que desemboca numa união fabulosa e bem conseguida. A genialidade é assim...

O "cast" é deveras bom, e nem menos era exigível para uma obra com esta magnitude. Quem está familiarizado com o cinema oriental, sabe muito bem que estamos perante um elenco constituído por alguns dos actores mais consagrados daquelas paragens. Provavelmente todos identificarão à partida Jet Li, e em seguida Zhang Ziyi, mas asseguro-vos que em termos de carreira, Maggie Cheung e Tony Leung Chiu Wai, não ficam nada atrás daqueles actores. Para os mais desprevenidos, indico apenas um filme: "Disponível para amar (In the Mood for Love)".

Faço aqui questão de dar uma palavra de apreço a Jet Li. Não duvidava que a este actor faltasse capacidades de representação, mas convenhamos que quem estava habituado aos filmes anteriores protagonizados por Li, em especial os efectuados em "Hollywood", ficava com a sensação que a única coisa que se visava era demonstrar a grande habilidade do actor no domínio das artes marciais, sem representação qusase nenhuma digna de registo. Em "Herói", Jet Li extremamente bem orientado por Yimou, demonstra finalmente que sabe dar verdadeiramente vida a uma personagem fascinante. "Sem Nome" fala pouco é certo, mas está longe de ser fácil de interpretar.

O ressurgimento em grande do género "Wuxia Pien", efectuado pelo "O Tigre e o Dragão", com merecido impacto internacional, torna incontornável as comparações de "Herói", com aquele filme. Mas verdadeiramente são películas muito diferentes e com objectivos distintos. Mesmo assim, far-se-à aqui um breve exercício, no que é susceptível de ser confrontado.

Primeira ideia a reter: venha o diabo e escolha!

No entanto, e fazendo uma análise o mais fria possível, direi que "O Tigre e o Dragão" assume logo vantagem pela maior notoriedade internacional, atestada pelos 4 óscares que ganhou, para além de outros 70 prémios, um pouco por todo o mundo. O facto de ter aparecido primeiro, também ajudou imenso, pois o impacto foi muito maior. Beneficiou igualmente de uma melhor difusão a nível internacional, ao contrário de "Herói", que apesar de datar de 2002, apenas chegou em 2004 aos E.U.A., pela mão do admirador de cinema oriental, Quentin Tarantino. Igualmente a estória de "O Tigre e o Dragão" parecerá à primeira vista mais atraente para o espectador, pela simples razão de ser mais fácil de seguir, atendendo a que é mais linear e menos complexa. O estigma neste particular em relação a "Herói" é facilmente ultrapassado com um segundo visionamento. Quanto ao dramatismo envolvente, penso que "O Tigre e o Dragão" é mais bem conseguido, sendo francamente difícil de superar. No entanto, reconheça-se que "Herói" não fica muito atrás.

Ambos os filmes têm níveis praticamente idênticos no que toca à banda-sonora, ao "cast", nas cenas de acção e no argumento.

O "Herói" é um vencedor claro no guarda-roupa e na fotografia, embora a equipa de "O Tigre e o Dragão", também tenha estado bem neste particular.

Mais do que um realizador, Zhang Yimou demonstra ser um verdadeiro poeta cinematográfico. A confirmação viria igualmente com o muito bom filme "O Segredo dos Punhais Voadores".

Uma pérola da sétima arte!!!

"Neve Esvoaçante a cavalgar para o início do seu destino final"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português/espanhol:


Avaliação:
Entretenimento - 8
Interpretação - 9
Argumento - 9
Guarda-roupa e adereços - 10
Banda-sonora - 10
Emotividade - 10
Mérito artístico - 10
Gosto pessoal do "M.A.M." - 10
Classificação final: 9,50

10 comentários:

Ernesto Pereira disse...

Esse filme particularmente acho o melhor trabalho de Jet Li. Fotografia perfeita e atuação do "herói" melhor ainda, de alguma forma me lembrou o Itto Ogami, frio e decidido. nota 10! Abraços!

Shinobi disse...

Para mim falar de "Herói" é tremendamente complicado, pois trata-se da minha obra asiática preferida de sempre!!!

Filmes como "Herói" aparecem muito poucas vezes na nossa vida!

Abraço!

Roberto F. A. Simões disse...

Delírio visual fascinante e poema visceral das mais humanas emoções, Herói é uma incontornável obra-prima.

Espectacular.

Cumps.

Roberto F. A. Simões
CINEROAD

Shinobi disse...

Olá Roberto!

Como tu dizes e bem, "Herói" é uma incontornável obra-prima. É dos filmes que costumo dizer que quem não viu possui um grande vazio cinematográfico na sua vida! Simplesmente fenomenal!!!

Abraço!

Nuno Rocha disse...

Gosto muito do Crouching Tiger, Hidden Dragon...foi sem dúvida um dos melhores filmes que já vi... Mas quando vi Hero, nem deu para comparar...Cada segundo dos combates é poesia em movimento, é como se casa segundo contasse uma história própria...Para mim o melhor filme alguma vez feito!

Shinobi disse...

Olá, Nuno Rocha!

Pessoalmente, tanto "O Tigre e o Dragão", como "Herói" são dois filmes que me preencham imenso as medidas! Não é à toa que são os dois melhores classifcados no top 20 do blog (embora "O Tigre e o Dragão" esteja empatado com dias fabulosas obras japonesas "Departures" e "Ran").
Mesmo assim, considero "Herói", a melhor obra asiática jamais feita e um dos melhores filmes de sempre da história do cinema!

Magnífico! É por filmes como este, que amamos o cinema!

Abraço!

Jackie Brown disse...

Não sou de ver filmes asiáticos, mas redi-me a este Herói.
Fenomenal, um poema visual.

Parabéns pelo blogue, convido-te a visitar o meu.

Cumprimentos

Jorge Soares Aka Shinobi disse...

Olá, Jackie!

Sem dúvida alguma que "Herói" é um filme fabuloso!

Visitarei o teu blogue com certeza ;)! Ainda bem que gostaste do "My Asian Movies".

Bjs.!

Z5 disse...

http://cineplectrum.blogspot.com/

FilmPuff disse...

Este filme é belíssimo a todos os níveis. É daqueles filmes que estão lá bem alto no meu top ten. Cenas de lutas muito boas sem ser um exagero de murro e pontapé à lá filme de acção holliwoodesco, uma das melhores histórias de amor que já vi, uma fotografia impressionante e uma música pungente. Lamento que não seja tão (re)conhecido quanto Tigre e o dragão.