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quinta-feira, dezembro 20, 2007

Musa, the Warrior/Musa - 무사 (2001)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 127 minutos

Realizador: Kim Seong-su

Com: Jung Woo-sung, Zhang Ziyi, Joo Jin-mo, Ahn Sung-kee, Yu Rong Guang, Park Yong-woo, Song Jae-ho, Lee Do-il, Park Jung-hak, Yoo Hae-jin, Jung Seok-yong

"Yeo-sol"

Estória

China, 1375. Uma delegação coreana, liderada pelo general “Choi Jung” (Joo Jin-mo) vai ao encontro do imperador Ming, tendo em vista reatar conversações acerca de paz e sanar um mal-entendido que levou à morte de um enviado chinês ao reino da Coreia. Os chineses prendem a embaixada coreana e enviam-nos para o exílio num deserto hostil. Os coreanos acabam por se libertar, devido a um ataque de soldados mongóis da dinastia Yuan que mata todos os soldados Ming que serviam de escolta. Decidem então encetar um penoso retorno a casa, atravessando para o efeito as infindáveis areias escaldantes.

Na jornada para casa, os coreanos deparam-se novamente com os mongóis, liderados desta vez por “Rambulhua” (Yu Rong Guang), e apercebem-se que o mesmo leva como prisioneira, uma princesa Ming, de seu nome “Buyong” (Zhang Ziyi). Os guerreiros entendem que a situação constitui uma oportunidade para ficarem bem vistos perante a dinastia chinesa e obviar o seu falhanço diplomático. Atendendo ao exposto, salvam a nobre dos seus captores.

"O general Choi Jung e a princesa Buyong"

Uma nova viagem é encetada pelo deserto, mas numa diferente direcção, pois os coreanos pretendem entregar a princesa sã e salva ao seu povo. Ao mesmo tempo, começa-se a desenvolver um triângulo amoroso entre o general “Choi Jung”, a princesa “Buyong” e “Yeo-sol” (Jung Woo-sung), um escravo que é um guerreiro formidável no manejo da lança.

Contudo, os mongóis não se deixam ficar, e perante um juramento de sangue, “Rambulhua” inicia uma perseguição pelo deserto, tendo por objectivo recuperar a princesa e matar os homens que o desonraram.

"Jin-lib (a olhar para o lado) e os restantes guerreiros coreanos"

"Review"

Quando “Musa, the Warrior” estreou na Coreia do Sul em 2001, vinha com o rótulo de filme mais dispendioso de sempre da história do cinema coreano, prometendo a todos ser uma epopeia quase sem par. Supostamente baseado em factos históricos verídicos (embora aqui romanceados), “Musa” é uma interpretação da viagem do embaixador Chung Yong-son, que se dirigiu com o seu séquito à China, em ordem a oferecer cavalos ao imperador Ming Hongwu. O embaixador foi exilado e nunca mais retornou à terra-natal. É uma obra que merece um grande respeito, pelo facto de no que respeita aos aspectos mais cinematográficos, transpirar qualidade e pujança por todos os poros!

Ao ver “Musa” pela primeira vez e focando-me agora no factor argumentativo, vêm-me ao pensamento filmes como “Os Sete Samurais” ou “Guerreiros do Céu e da Terra”. Esta ideia explica-se pelo facto de termos um grupo de heróicos guerreiros, que defendem os mais oprimidos, em nome de algo maior do que eles próprios. Claro está, com uma diferença de efectivos abismal em relação aos seus opositores. No caso do filme de He Ping, a verosimilhança será um tanto ou quanto mais evidente, pois assim como em “Musa”, existe uma grande perseguição pelo deserto que acaba num cerco a uma fortaleza. No entanto, será uma perfeita heresia colocar “Guerreiros do Céu e da Terra” ao nível de “Musa”, atendendo a que a longa-metragem que ora se analisa é por demais superior em praticamente todos os aspectos.

Um dos componentes mais fascinantes em “Musa”, passará pela relação entre as várias personagens que compõem o grupo de fugitivos, e inclusive entre os inimigos. É deveras interessante seguir o confronto de personalidades e estatuto entre o general “Choi” e o escravo “Yeo-sol”. O militar olha com sobranceria para um ser humano que é visto como um animal em razão da estratificação social da época, e o conflito adensa-se mais quando o general se apercebe que está atrás de “Yeo-sol” no que concerne à atenção e admiração da princesa. No entanto, e sem os predicados do costume, “Choi” aprende a respeitar a coragem de “Yeo-sol” e a maneira como o mesmo transmite esse ardor nas horas difíceis aos restantes coreanos.

"Yeo-sol cavalga para a batalha"

Igualmente é de destacar o envolvimento romântico entre a princesa “Buyong” e “Yeo-sol”. Quem está mais atento ao cinema asiático, terá forçosamente de concordar que o mesmo é relativamente pudico em expor num filme os aspectos mais físicos desse sentimento que nos dá a volta a cabeça e chamamos amor (as mentes perniciosas que já estão a pensar nos “sexploitations”, por favor “aguentem os cavalos”). Como em tudo na vida, a tendência está a mudar, mas o traço característico mantém-se. Contudo, e isto é uma opinião meramente pessoal, entendo que o chamado “platonismo” cinematográfico (vou subtrair agora os aspectos vivenciais) tem a sua beleza e o condão de nos fazer sonhar. Coligindo estes pressupostos, tenho a dizer que o belo sentimento que brota entre “Yeo-sol” e a princesa “Buyong” é simplesmente enternecedor. O ar altivo da nobre, que funciona sobretudo como defesa pessoal, aliado ao circunspectivismo natural e à capacidade de sacrifício do verdadeiro herói da estória, resulta numa soma óbvia (este termo não é depreciativo) de qualidade apaixonante que estamos longe de encontrar no dia-a-dia da sétima arte.

Outro dos factores que é de relevar são os combates. Caros visitantes deste espaço, ao contrário da exposição de sentimentos entre “Buyong” e “Yeo-sol” (e porque não dize-lo, do general “Choi”), aqui já não estamos no campo da delicadeza e do “vai, não vai”. A violência crua prima à semelhança de um sanguinolento “chambara”, em que as peles são rasgadas, o sangue jorrado, e as lutas não se prolongam atendendo a factores de estética (que diga-se de passagem, também têm o seu lugar). Não me quero alongar em demasia no que concerne a este aspecto em particular. Só vos digo que “Musa” tem, sem margem para qualquer dúvida, uma das decapitações mais chocantes da história do cinema. E o que entusiasma (mórbido, brrr…) é que nem pressentimos a sua chegada. Ficamos siderados e a pensar “mas que raio é que aconteceu?”

O trabalho dos actores é bastante competente. Existe um unanimismo à volta das capacidades de Zhang Ziyi, que é partilhado pela minha pessoa. A actriz cumpre e bem. Jung Woo-sung e Jo Jin-mo, são dois valores seguros do cinema coreano, que expõem mais uma vez as suas inegáveis capacidades na representação. O destaque que aqui faço não irá para as três personagens principais da película, representadas pelos actores atrás mencionados, mas para Ahn Sung-kee. Um portento a sua actuação como o sábio arqueiro coreano “Jin-lib”. Doce nos momentos de aconselhamento, frio e tenaz nas cenas mais movimentadas. Sempre calmo em qualquer uma das situações. Mas alguém duvida que Ahn Sung-kee é um dos maiores valores do cinema sul-coreano, quiçá do asiático e até do global? Só um louco duvidaria!

Julgo que a haver defeito em “Musa”, passará pelo facto de a banda-sonora não estar ao nível dos restantes aspectos do filme. Nos “trailers” que visionei, antes de adquirir o filme, a música épica grassava e trazia ainda mais “água na boca”. Contudo, na película, as coisas não se passam bem assim. Apesar de o aspecto sonoro ser aceitável, falta em certa medida, aquelas melodias épicas de encher o coração e fazer-nos apetecer agarrar numa espada e saltar para dentro do ecrã, mesmo correndo o risco de levar um enxerto de pancada (como seria o mais provável), sem nos importarmos minimamente com isso.

“Musa, the Warrior” é uma película imperdível para qualquer fã que goste de um bom épico asiático, pela simples razão de, sem margem para grandes teorias, ser um dos grandes expoentes do género. Aliás, “Musa” foi apelidado por diversas vezes como o “Braveheart” da Coreia do Sul, embora eu discorde desta analogia. Um aliciante extra passará por podermos ver Zhang Ziyi num dos seus filmes menos conhecidos no ocidente.

Constituindo uma longa-metragem a deter na colecção de qualquer cinéfilo, “Musa” daria uma excelente prenda para o Natal! Felizmente que consta do meu acervo pessoal há algum tempo :) !

"Luta num riacho que atravessa o penoso deserto"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português/espanhol:

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 9

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M" - 8

Classificação final: 8,38





4 comentários:

Nuno disse...

Caro Jorge,

Quero desejar-te um Feliz Natal, cheio de excessos e de chinesices, e fazer votos que 2008 seja aquele ano, para ti, para mim e para quem o apanhar. Quero também agradecer e desejar um felis 2008 ao melhor blog de 2007: "My Asian Movies".

P.S. O filme que analisaste é-me completamente desconhecido, mas que me deixou com água na boca, lá isso deixou...

Um grande Abraço com amizade, ainda que virtual..

Nuno

Shinobi disse...

Amigo Nuno, que este Natal seja em grande para ti e para os teus, e que o ano de 2008 corresponda plenamente às tuas expectativas!

O blog está embevecido com o elogio, e promete tudo fazer para continuar a ser do teu agrado e de todos os que cá gostam de passar uns minutos.

Quanto ao filme, aconselho vivamente a conferires. É muito bom!

Grande abraço!

Battosai disse...

La vi ayer y, aunque le he encontrado unos cuantos defectos, está muy bien.

Pásalo bien ^^

Shinobi disse...

Apesar de não ser um dos épicos asiáticos mais conhecidos no ocidente, acho que o filme está muito bem conseguido!

Abraço!