"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!

quarta-feira, novembro 11, 2009

"Testemunhos" de Luis Canau ("Cinedie Asia”)

Foto

É para mim uma grande honra apresentar o próximo entrevistado. Trata-se de Luis Canau, o mentor do site “Cinedie Asia” (para aceder, cliquem na foto supra), um espaço incontornável no panorama dos amantes do cinema asiático em Portugal. Durante alguns anos, ficou a cargo do Luis as despesas da difusão no meu país, do melhor que se fazia na sétima arte oriental. “On line” desde 1 de Dezembro de 2002, o “Cinedie Asia” é um espaço deveras completo, que não se limita às sempre importantes críticas, mas cujo objecto se expande por horizontes muito mais longínquos. Desde as sempre bem-vindas notícias do outro lado do mundo, até aos relatos na primeira pessoa de importantes festivais de cinema asiático (o Luis já esteve em alguns, na Coreia do Sul e não só) e de entrevistas feitas pelo próprio com protagonistas dos filmes, sejam eles actores, produtores ou realizadores. Todos os artigos, sem excepção, são cuidadosamente elaborados, com uma escrita escorreita, inteligente e apelativa. Alguns deles, inclusive, têm a honra de estarem expostos no campo “external reviews”, que normalmente aparecem na página individual que cada filme possui no “Internet Movie Database” (IMDb).

Se me é permitida uma confidência pessoal, posso dizer, apesar de não ser comparável, que o “Cinedie Asia” verdadeiramente foi a grande inspiração para o aparecimento do “My Asian Movies”. E, apesar de não conhecer o Luis pessoalmente, sempre lhe ficarei grato por isso. Vamos todos pois, torcer para que o nosso ilustre entrevistado de hoje, ponha o “Cinedie Asia” em velocidade de cruzeiro outra vez e o mais breve possível. Principalmente porque se trata de um contributo inestimável para o aprofundar do conhecimento, em língua portuguesa, das cinematografias orientais que todos nós apreciamos. Abaixo segue o resultado da pequena entrevista levada a cabo com o Luis Canau:

“My Asian Movies”: O que achas que distingue genericamente a cinematografia oriental das demais?

Luis Canau: A língua? Bom, a sério, penso que, de um modo geral, se pode falar do que distingue as demais cinematografias de Hollywood, e que é a ausência de uma mentalidade comercial que tende a considerar que se um filme não for desmiolado não pode funcionar nas bilheteiras. "Genericamente", poderíamos ir por aí. De forma algo simplificada, no plano metafórico e correndo o risco de ser um pouco grosseiro, também se poderia falar em prostituição versus afectividade. Mas isto, claro, como tendência.

“M.A.M.”: O que te fascina mais neste tipo de cinema?

L.C. : Além do que referi anteriormente, há um nível de afinidade, cultural, estética, etc. - algo que por vezes pode ser pouco racional. Algum cinema tem um dinamismo invulgar, outro uma sensibilidade e sinceridade raras de encontrar no cinema culturalmente mais próximo. Mas isto também tem que ver com os públicos, sobretudo quando se fala de (melo)drama. É fina a linha entre o que é "sensível" e o que é "xaroposo", e o público ocidental é mais irónico e auto-consciente. Mas é difícil de responder em termos de "tipo" de cinema, pois trata-se, na verdade, de inúmeros tipos.

“M.A.M.”: Tens ideia de qual o primeiro filme oriental que visionaste?

L.C. : Não. Provavelmente algum Kurosawa na RTP 2 há muitos anos. Mas tenho bem presente o terceiro filme de «A Chinese Ghost Story» de Tsui Hark, visto em 90 e pouco no Fantasporto, como a obra que me chamou a atenção para o cinema "popular" de Hong Kong.

“M.A.M.”: Qual o país que achas, regra geral, põe cá para fora as melhores obras? No fundo, a tua cinematografia oriental favorita?

Começou por ser Hong Kong/China, Japão, Coreia,... É difícil escolher uma, ainda que actualmente o cinema de Hong Kong esteja mais "apagado", ou, pelo menos, longe dos esquemas de produção dos anos 80 e 90. Em termos "afectivos" poderia escolher a Coreia, mas é provavelmente no Japão onde se produzem filmes que me fazem sentir mais confiante que vou entrar numa sala de cinema, de forma aleatória, sem qualquer referência - sinopse, género ou realizador -, e esperar ser surpreendido pela positiva. Aconteceu muitas vezes e espero que continue a acontecer.

“M.A.M.”: E já agora, qual o género com o qual te identificas mais? És mais virado (a) para o drama, épico, wuxia, “Gun-fu”...

L.C. : Tenho tido "fases", se assim se pode dizer. Tenho uma atracção particular por cinema de terror, artes marciais/wuxia, animação (que não é exactamente um género), mas não escolheria um género com o qual me identificar.

“M.A.M.”: Uma tentativa de top 5 de filmes asiáticos?

L.C. : Seria sempre diferente de todas as vezes que fizesse um... Esquecendo os clássicos, posso escolher cinco filmes que se destacaram na altura em que os descobri, sem ordem de preferência, e tentando diversificar as origens: The Bride with White Hair (Hong Kong, 1993), Ashes of Time (Hong Kong, 1994), Failan (Coreia do Sul, 2001), Save the Green Planet (Coreia do Sul, 2003), Josée, the Tiger and the Fish (Japão, 2003). Devo dizer, no entanto, que foi uma desilusão "rever" o Ashes of Time na sua forma "redux" (mas não ajudou que o IndieLisboa tivesse apresentado uma betacam e não película).

“M.A.M.”: Realizador asiático preferido?

L.C. : É difícil escolher só um, mas posso destacar o coreano Bong Jun-ho. Menos por «The Host», do que por todos os outros.

“M.A.M.”: Já agora, actor e actriz?

L.C. : Igualmente difícil, não o posso pôr em termos de "preferência", mas vou novamente para a Coreia: Choi Min-sik e Jeon Do-yeon, actores muito completos, e que se entregam completamente aos papéis que desempenham.

“M.A.M.”: Um filme oriental sobrevalorizado e outro subvalorizado?

L.C. : Um qualquer do Tsai Ming-liang para o sobrevalorizado. Subvalorizado pode ser o «Dolls» do Kitano.

“M.A.M.”: A difusão do cinema oriental está bem no teu país, ou ainda há muito para fazer?

L.C. : A difusão do cinema fora de Hollywood não está nada bem, mas os distribuidores não andam nisto para perder dinheiro. O país é demasiado pequeno e os gostos demasiado generalistas. Há muito que "fazer", certamente, para reduzir a quota de Hollywood, e aumentar a estreia de cinema de outras proveniências. Sobretudo o "comercial", porque o "exótico" ou de "arte e ensaio", vai sendo visto. Lá está, é uma questão de públicos.

“M.A.M.”: Que conselho darias a quem tem curiosidade em conhecer o cinema oriental, mas sente-se algo reticente?

L.C. : Não sei bem porque é que uma pessoa que se sente reticente em experimentar algo terá, simultaneamente, curiosidade em conhecê-lo, mas se calhar falamos de pessoas como uns espectadores da recente Mostra de Cinema de Hong Kong de Lisboa que comentavam à entrada da sessão do «Once Upon a Time in China»: "espero que não tenha muitas artes marciais". Será um pouco como a pessoa que pede o único prato picante do menu e depois diz "olhe, mas pouco picante, se faz favor". Não sei se chega a ter "peso" de conselho, ou sequer se quero dar conselhos, mas acho importante não ter preconceitos de origem nem de género, nem seguir uma recomendação preparado para avaliar o filme com a exigência de que tem de ter alguma coisa de "especial" porque é Oriental.

Nota: Para a semana, publicarei mais uma entrevista com um ilustre amante do (s) cinema (s) que todos nós gostamos.

 

17 comentários:

Scherzan disse...

Será interessante depois a análise dos dois pontos de vista.
Parabéns pelo blog alternativo.

Jorge Soares Aka Shinobi disse...

Uma das inteções é precisamente essa, Scherzan.

É por essa razão que quando escrevo um texto acerca dos filmes, coloco no fim "links" para outras críticas em português e por vezes em espanhol.

Espero que estejas a gostar da iniciativa.

Abraço!

H. disse...

O Cinedie Asia é há muito uma referência no panorama da escrita de cinema online em Portugal!

Jorge Soares Aka Shinobi disse...

Sem margem para qualquer dúvida, H. !

Como disse no texto introdutório, para mim foi a grande inspiração para a existência do "My Asian Movies", hoje em dia!

Bjs.!

tf10 disse...

Apesar de ter acompanhado, como certamente muitos fizeram, o Cinedie Asia, devo dizer que fiquei surpreendido com algumas das suas revelações e preferências. Sendo o herético menosprezar do Tsai talvez o mais inesperado. :)

Afinal, um dos intuitos era mesmo esse!

Nuno disse...

Cá está mais um blogg, o Cinedie Asia, do qual sou um assíduo visitante e descobri-o através dos links do My Asian Movies.
A exemplo da H., gostei muito das respostas das respostas do Luis Canau. Quem sabe, sabe.

Um Abração

Jorge Soares Aka Shinobi disse...

Olá, tf10!

Sinceramente, as respostas do Luis Canau não me surpreenderam muito, tendo em conta a mensagem que apreendia dos seus textos.

Grande abraço!

Jorge Soares Aka Shinobi disse...

Olá, Nuno!

Só espero que o Luis, como já deixei aqui presente, reactive o site o mais brevemente possível. Faz falta!

Grande abraço!

Nuno disse...

Caro Jorge,

Sim é verdade, façamos votos para que o Luis o reactive...como desejaria que outros se reactivassem (como cine-asia, que a H. colaborou) mas nem por isso deixei de consultá-los, pois têm muitas análises de filmes que eu continuo a consultar, antes de comprar ( e que os consultei aquando do teu concurso).
A verdade é que isto de ter um blogg necessita tempo, e no meu caso, também necessito inspiração...coisas que cada dia me faltam mais. Tu continuas a ser, felizmente, uma das boas excepções. O My Asian Movies, para além da qualidade que sabes que admiro, manténs o blogg dinâmico, com várias iniciativas, da qual estes inquéritos é apenas mais um exemplo.

Abração

Jorge Soares Aka Shinobi disse...

O Cine-Asia também é um espaço que tive pena de ter findado a sua actividade. Mas parece-me que a decisão do administrador, o Sérgio Lopes, é irreversível. O Luis, pelo contrário, parece-me estar em estado de hibernação.

Efectivamente o tempo e inspiração são determinantes quando se possui um espaço do género. No meu caso, e a nível de tempo, faço das tripas coração para manter o "My Asian Movies", o que muitas vezes, após uma jornada de trabalho, implica que me deite a tarde e a más horas... Quanto à inspiração, tenho altos e baixos, mas como mantenho ainda o entusiasmo acerca do blogue, lá vou conseguindo fazer as coisas com maior ou menor dificuldade.

Acima de tudo, muita da motivação advém de pessoas, como tu, que aparecem por cá e incentivam a malta a trabalhar :) !

Grande abraço!

Dewonny disse...

Outra excelente entrevista!
Parabéns!
Em breve estarei lhe mandando a minha Jorge, aguarde mais um pouco!
Abraço! Diego!

Jorge Soares Aka Shinobi disse...

Cá espero, Diego!

Abraço!

Luis Canau disse...

Obrigado pelo comentários que me foram dirigidos directamente. Já agradeci ao Jorge pela simpática introdução.

O Cinedie Asia, em princípio, há-de voltar, quando arranjar uma plataforma web actualizada que me agrade. Mas também teria, talvez, de repensar o tipo de texto, pois perdia demasiado tempo e hoje em dia acho que o interesse por aquele tipo de análise é reduzido. As pessoas querem coisas mais imediatas - como estrelas, ou comentários curtos e óbvios (é fixe!/é uma banhada) - para saberem se vale a pena "baixar" o filme.

Aproveito para dar o meu apoio a todos os que continuam a escrever sobre cinema na web, como o Jorge, o Ibirá ou a H (Ailian?), para referir só os presentes no blogue por via desta iniciativa.

Quanto ao Tsai Ming-liang, gostei de alguns momentos do «Vive l'Amour». De resto, é mais o "estilo" de cinema frio e distanciado de forma calculada que me interessa pouco, e por ser uma personalidade que associo a um certo "estatuto" de "autor", onde o estatuto parece funcionar melhor do que a obra. Também não percebo o encanto do Jia Zhangke, mas provavelmente o problema é meu. Não se esqueçam que gosto de artes marciais e outras banalidades. ;)

Dewonny disse...

Ja mandei pro teu email..hehe..
Abração..Diego.

Jorge Soares Aka Shinobi disse...

Já foi recebida :)

Abraço!

Takeshi disse...

Eu particularmente gosto da riqueza de detalhes que o Cinedie Asia busca nos filmes.

Jorge Soares Aka Shinobi disse...

É um site globalmente muito rico, com uma informação consistente e muito exposta!

Um "must"!