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sábado, maio 12, 2007

Memórias de Uma Gueixa/Memoirs of a Geisha/Sayuri (2005)

Origem: E.U.A.

Duração: 139 minutos

Realizador: Rob Marshall

Com: Zhang Ziyi, Gong Li, Michelle Yeoh, Ken Watanabe, Suzuka Ohgo, Kôji Yakusho, Youki Kudoh, Kaori Momoi, Tsai Chin, Zoe Weizenbaum, Cary Hiroyuki Tagawa, Kenneth Tsang, Randall Duk Kim, Ted Levine

"A jovem Chiyo"

Estória

Em 1929, “Chiyo Sakamoto” (Suzuka Ohgo), com apenas nove anos, e a sua irmã “Satsu”, são vendidas pela sua pobre família rural, sendo posteriormente separadas e colocadas em “Okyia” (casa de alojamento de uma Gueixa) diferentes.

A nova casa de “Chiyo” é pertença da “Sra. Nitta” (Kaori Momoi), mais conhecida por “Mãe”, e nela vivem a famosa e vil gueixa “Hatsumomo” (Gong Li), a idosa irmã da “Sra. Nitta”, conhecida por “Tia” (Tsai Chin) e outra jovem rapariga chamada “Pumpkin” (Zoe Weizenbaum).

“Chiyo”, ainda muito jovem, começa a chamar a atenção devido à sua beleza e raros olhos de cor azul - acinzentada, iniciando o seu treino de gueixa. No entanto, sofre pesadas provações durante este estágio, provocadas sobretudo pela cruel “Hatsumomo”, chegando o treino a ser interrompido, devido a uma tentativa de fuga de “Chiyo”.

"Sayuri"

Um dia, a criança encontra-se a chorar amargurada numa ponte, e é abordada por um homem, conhecido como “Administrador” (Ken Watanabe) que revela uma extrema bondade, comprando-lhe um gelado, para além de lhe oferecer dinheiro e a aconselhar. “Chiyo”, apesar de ser muito nova, instantaneamente apaixona-se e toma a firme resolução de fazer tudo para se tornar numa gueixa, de forma a atrair o seu amor.

Os anos passam, “Chiyo” tem 15 anos (Zhang Ziyi), o seu treino de gueixa nunca mais foi retomado, e “Hatsumomo” continua a infernizar-lhe a vida. Um dia porém, “Mameha” (Michelle Yeoh), a mais conhecida gueixa do burgo, propõe à “Sra. Nitta” tomar “Chiyo” a seu cargo e ensiná-la nas artes da profissão. A rapariga muda então o seu nome para “Sayuri” (em português “Lírio”), e com o decorrer do tempo torna-se extremamente bem sucedida, tornando-se a gueixa mais conhecida do Japão.

Apesar de uma gueixa estar proibida de amar, “Sayuri” nunca esqueceu o “Administrador”, e nem toda a notoriedade que consegue, fazem-na tirar da cabeça a sua verdadeira paixão.

"Sayuri, Mameha e Hatsumomo"

"Review"

Baseado no romance homónimo de Arthur Golden, e dirigido pelo realizador Rob Marshall (“Chicago”), “Memórias de Uma Gueixa” foi um filme envolto em certa polémica, sobretudo devido à escolha dos actores, ou melhor dizendo, das actrizes que despontam nos papéis principais.

Para quem não sabe, Zhang Ziyi e Gong Li são oriundas da China, e Michelle Yeoh da Malásia. Como o enredo decorre inteiramente no Japão, e é centrado numa profissão típica deste país, seria porventura de esperar que fossem recrutadas actrizes do reino nipónico para o desempenho de “Sayuri”, “Hatsumomo” e “Mameha”. Ora isto não aconteceu, e considerando que o pretendido foi dar vida a uma película de âmbito verdadeiramente internacional, para além de termos em consideração que os capitais para a feitura do filme foram oriundos de empresas como a Columbia Pictures, a Dreamworks e a Spyglass Entertainment, a produção esteve a cargo da Amblin de Steven Spielberg, e o realizador é estado-unidense (prefiro esta designação em detrimento da de norte-americano, por considerar mais adequada e não ofensiva para os canadianos), lógico seria que se procurassem as actrizes asiáticas com maior projecção mundial. Julgo ser relativamente consensual a ideia que coloca no topo, a nível de fama, Zhang Ziyi, Gong Li e Michelle Yeoh. Não existe nenhuma actriz japonesa cujo nome sequer se aproxime da notoriedade destas três divas do cinema asiático. E a verdade é essa, e nada mais!

Ao contrário do que se estaria à espera, o celeuma ocorreu primeiro na República Popular da China, que praticamente não aceitou que porventura os seus dois maiores nomes cinematográficos, na esfera feminina, desempenhassem o papel de prostitutas de um país invasor (lembro que o Japão ocupou a China antes e durante a II Guerra Mundial). Neste aspecto a república comunista não foi de meias medidas, e chegou mesmo a proibir a exibição do filme no seu território. Por outra via, o sentimento nacionalista despontou em grande medida no Japão, o que apenas foi mitigado pelo facto desta longa-metragem ter muitos actores japoneses, incluindo o principal protagonista masculino (Ken Watanabe, de “O Último Samurai” e “Cartas de Iwo Jima”).

"A bela dança de Sayuri"

Se me é permitida uma opinião pessoal (afinal vivemos numa democracia e o blogue é meu!!!), julgo esta questão de uma menoridade gritante. Claro que se fizessem um filme que versasse sobre um aspecto particular da cultura portuguesa, eu teria uma preferência natural por um actor nosso conterrâneo. Já agora que falamos disso, eu não fiquei lá muito contente que a personagem de Salgueiro Maia, no filme “Capitães de Abril”, tivesse sido interpretada pelo actor italiano Stefano Accorsi. Mas obviamente que isto não é motivo para fazer “cair o Carmo e a Trindade”, e serem adoptadas atitudes vestidas de radicalismos que caíram (ou deveriam ter caído) em desuso. Mas daí…passemos à frente!

Á partida, a qualquer cultor do cinema asiático, causa uma certa estranheza ver actores e actrizes que estamos habituados a ver expressarem-se no seu idioma, falarem inglês praticamente o filme todo. O resultado é muito fácil de prever. Os diálogos são todos muito pausados e cuidados, fazendo-nos aperceber que Zhang Ziyi e Gong Li não dominam na perfeição a língua. Isto faz com que a naturalidade das falas se disperse um pouco, e o drama perca de certa forma com este aspecto.

No entanto, a representação no que concerne aos demais itens, não chega a ser mortalmente afectada com os aspectos linguísticos, pois estamos a falar de actores com bastantes provas dadas, constituindo alguns o que de melhor o cinema asiático possui. Zhang Ziyi e Michelle Yeoh, embora já tivessem registos melhores, oferecem-nos um trabalho competente que, no que toca a Ziyi, tem o seu expoente máximo na fabulosa dança e representação que faz no teatro perante uma grande plateia. O facto da actriz ter um passado ligado à dança, abona imenso a seu favor nas partes mais físicas das actuações. Pense-se nas grandes heroínas de artes marciais que Ziyi interpretou, ou na fabulosa dança dos tambores de “O Segredo dos Punhais Voadores”. Sendo um filme de certa forma mais virado para o público feminino, é normal que as actrizes tenham uma evidente primazia a nível da intervenção na trama. Mesmo assim, o protagonista masculino Ken Watanabe, encontra-se num nível bastante aceitável, consagrando-se como um dos actores asiáticos com mais cartaz internacional (desde “O Último Samurai, de Edward Zwick isto é evidente). Pensavam que eu não ia falar de Gong Li?! Longe de mim cometer tal pecado mortal! Deixei-a propositadamente para o fim, pois é sem margem para dúvidas, quem consegue o melhor desempenho. Representar o vilão do filme costuma ser um papel não amiúde tão ou mais difícil do que os restantes. Aqui Li encarna na quase perfeição a vilã trágica “Hatsumomo”, personagem venenosa, intriguista e invejosa, mas no entanto longe de ser fria, tendo as emoções “à flor da pele”. A actriz tem uma característica única que muitas vezes lhe confere vantagem em relação às demais. Li, quando representa, usa o corpo todo. Mexe-se tanto com graciosidade, como é capaz de fazer os gestos mais abruptos e ríspidos possíveis. Debita as suas falas como um verdadeiro camaleão, mas acima de tudo, e aqui é que está o grande trunfo da actriz, acompanha-as com umas expressões faciais e olhares de “de outro mundo”. Sei que poderei estar a ser um pouco temerário na afirmação que irei fazer, mas não me lembro de nenhum intérprete com a capacidade de Li neste aspecto.

A fotografia é um verdadeiro sonho, embora não adquira uma permanente constância ao longo do filme. A banda-sonora é baseada essencialmente em músicas oriundas do país do sol nascente, com uma ou outra excepção, tendo bons momentos que acentuam o pendor dramático desta longa-metragem. O guarda-roupa foi escolhido minuciosamente, e as roupas que as gueixas usam (o furisode e o okobo) de regalar os olhos.

“Memórias de Uma Gueixa” é um filme dotado de interesse, que vale sobretudo pelo seu pendor educativo. Nele aprendemos que, ao contrário do que é pensado por esse mundo fora, as gueixas não eram prostitutas, mas sim acompanhantes que são educadas na arte da música, do servir e conversar. Aliás era-lhes completamente vedado ter sexo com os seus clientes.

No entanto, o filme não consegue fugir ao estigma de ser realizado e produzido por entidades ligadas a “Hollywood”, o que lhe retira alguma autenticidade. Isto reflecte-se em algumas cenas do filme, que possuem um cunho marcadamente “hollywoodesco”. Pergunto agora se o mestre Kurosawa, ou outro competente realizador japonês, tivesse ao seu alcance os meios de Rob Marshall em “Memórias de Uma Gueixa”, que película não teria sido obtida?

"O Administrador e Sayuri"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cine-Ásia, Cinerama, Cinema Cafri

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75





8 comentários:

Rui Luís Lima disse...

obrigado pelas palavras shinobi:)
aquele abraço
paula e rui lima

Rui Luís Lima disse...

o primeiro post de uma nova série!
gostámos do filme e do post,(como não podia deixar de ser).
um abraço cinéfilo
paula e rui lima

Shinobi disse...

Não têm nada que agradecer. Foram completamente sinceras!

Cumprimentos a ambos,

Shinobi disse...

Paula e Rui, obrigado pelo incentivo! A vossa autorizada opinião é sempre muito bem vinda!!!

Grande abraço!!!

Ursdens disse...

Achei que o filme tinha uma fotografia soberba e um modo muito peculiar de contar o modo de vida de uma gueixa. De resto não o achei nada de especial...

Cumprimentos cinéfilos!

Shinobi disse...

Pelos vistos concordamos no essencial, ursdens!

Um grande abraço!

Battosai disse...

Aunque ya la había visto hace unos años, he vuelto a verla ahora y me ha gustado bastante más. Tienes toda la razón en lo que dices de las actrices. Por mucha polémica que sea, a ver dónde encuentras actrices orientales más conocidas en occidente. E incluso viéndolo desde el punto de vista del resultado final, tampoco es fácil encontrarlas mejores. Las tres hacen unas actuaciones memorables, aunque yo personalmente hubiera puesto a Maggie Cheung en vez de a Michelle Yeoh.

Pásalo bien.

Jorge Soares Aka Shinobi disse...

Tens toda a razão, Battosai! Se a Maggie Cheung estivesse lá, teriamos o quarteto completo :) !

Abraço!