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sábado, dezembro 15, 2007

O Imperador e o Assassino/L'Empereur et L'Assassin/The Emperor and the Assassin/Jing Ke ci qin wang - 荊柯刺秦王(1998)

Origem: China

Duração: 155 minutos

Realizador: Kaige Chen

Com: Gong Li, Li Xuejian, Zhang Fengyi, Gu Yongfei, Zhou Xun, Chen Kaige, Zhou Sun, Lu Xiaohe, Wang Zhiwen, Zhao Benshan, Ding Haifeng, Pan Chiangjiang

"A dama Zhao"

Estória

No ano 221 A.C., “Ying Zheng” (Li Xuejian), o ambicioso rei de Qin, anseia conquistar os remanescentes reinos da China, tendo em vista unificá-los e formar um grande estado sob o seu comando. De modo a arranjar uma justificação para invadir o reino vizinho de Yan, “Zhang” envia para aquela terra o amor da sua vida, a concubina “Zhao” (Gong Li). A função de Zhao é servir de espia, e convencer o monarca daquele reino, o príncipe “Dan” (Zhou Sun) a enviar um assassino para matar o rei de Qin, e desta forma por fim aos seus propósitos imperialistas. Claro que o rei de Qin está ciente da situação, pois está tudo combinado com “Zhao”, em ordem a arranjar o motivo para a tão desejada guerra.

"Jing Ke"

“Zhao” encontra o assassino ideal na pessoa de “Jing Ke” (Zhang Fengyi), um homem com uma grande perícia na arte de matar, mas bastante introspectivo e desanimado. Tal facto explica-se devido a um incidente do passado, que passou pelo suicídio de uma jovem rapariga após “Jing Ke” ter assassinado a sua família inteira. “Zhao” começa a apaixonar-se pelo assassino, à medida que por sua vez os sentimentos pelo rei de Qin se vão retraindo, degenerando os mesmos num ódio pessoal.

Tal situação leva a que a tentativa fingida de assassinato torne-se real, obviamente sem o implacável rei de Qin saber, dando origem a um manancial de intrigas tanto políticas como amorosas, que decidirão o futuro dos denominados “sete estados guerreiros”.

"Ying Zheng, o rei de Qin e o futuro primeiro imperador de uma China unificada"

"Review"

Belas memórias afluem-me à mente quando recordo este “O Imperador e o Assassino”. Foi numa tarde no King, quando era um jovem estudante madeirense em Lisboa, que respirava idealismo. Na altura fiquei fascinado com a força tremenda deste filme, e falei do mesmo a toda a gente que conhecia. Lembras-te que tu nem eras uma fã por aí além de cinema asiático, e não conseguiste conter a tua emoção? - esta mensagem é privada, não liguem, adiante!. Anos depois, mais concretamente há um par de dias atrás, tive a oportunidade de rever esta obra de Kaige Chen, vencedora do “Technical Grand Prize” em Cannes na categoria de produção. Foi interessante confrontar a minha perspectiva da altura com a actual. Lá chegaremos.

“Ying Zheng, esqueceste o comando dos teus antepassados, que te ordenaram unir tudo debaixo dos céus?”. É esta premissa, bradada por um funcionário do reino de Qin, que inicia “O Imperador e o Assassino”, e duas horas e trinta e cinco minutos depois, é o mesmo repto que finda a película. Neste espaço de tempo, somos confrontados com um misto de melodrama, intrigas palacianas ao melhor estilo de Shakespeare, guerra, traição e afins. À semelhança da obra-prima de Zhang Yimou, “Herói”, o argumento de “O Imperador e o Assassino” gira em volta da ascensão do reino de Qin, e da tentativa de assassinato do seu monarca, que mais tarde se viria a tornar no primeiro imperador da China, Qin Shi Huang, uma figura essencial na história chinesa. No entanto, ao contrário do filme de Yimou que enveredou por alguns aspectos mais fantasiosos, Kaige Chen pretendeu ser mais realista no seu trabalho. Não diria que estamos propriamente perante uma exaustiva lição de história, até porque embora este aspecto seja bastante premente na película, ela acaba por focar-se mais nas relações entre o rei “Ying Zheng”, a dama “Zhao” e o assassino “Jing Ke”. No entanto, sou obrigado a concordar que este filme nos ensina bastante sobre um dos períodos mais importantes da grande nação asiática. Portanto aqueles que se interessam mais por um bom conto histórico, onde podemos observar os costumes e as motivações dos governantes e das populações, já sabem! Este é sem dúvida um bom filme para vós!

"O marquês Changxin lidera um bando de conspiradores"

As interpretações dos actores são verdadeiramente acima de qualquer repreensão, e muita ajuda o facto de as despesas não ficarem apenas por conta da magnífica actriz Gong Li. Tanto Li Xuejian, no papel do rei de Qin, como Zhang Fengyi que dá vida a “Jing Ke”, estão soberbos.
Li Xuejian tem momentos de puro génio, encorpando muito bem as dúvidas, os anseios e até a paranóia de um homem sedento por poder, que diariamente tem de fazer escolhas de uma dificuldade titânica. Quanto a Zhang Fengyi, o seu desempenho não é propriamente uma surpresa, pois estamos sem dúvida perante um intérprete de elevado quilate artístico. Veja-se “Adeus, Minha Concubina”. No que concerne a Gong Li, “what else is new?” Linda, fabulosa, um portento de representação. Todos os adjectivos parecem ser insuficientes para classificar esta actriz de nível mundial, esta lenda viva! Todos os intérpretes fazem um excelente trabalho, eivado de muita dedicação, embora ainda mereçam uma palavra de especial apreço Wang Zhiven, o “Marquês” e amante da rainha-mãe, uma personagem cínica, mas sentimentalista ao mesmo tempo. O próprio Kaige Chen, “arregaça as mangas”, e além de chamar a si a responsabilidade pela realização, interpreta um papel secundário, mas bastante importante, na pessoa do primeiro-ministro de Qin “Lu Buwei”.

As batalhas épicas, os cercos às cidades sitiadas, o excelente guarda-roupa e os cenários magnificentes e de deslumbrar, fazem com que nos apercebamos que estamos perante um filme que teve um orçamento de respeito. No entanto, no meio das centenas de figurantes e nos quilos de adereços, temos a sensação que nada foi deixado ao acaso e que o filme no seu global foi objecto de um tratamento bastante cuidado.

O melodrama está bastante presente, e aqui enfatizo com algum ardor o sacrifício das crianças do reino de Zhao. A cena está brutal, o envolvimento extasiante, e uma lição de vida e honradez, embora radical, é-nos transmitida com todo o fulgor que o cinema asiático nos habituou. Quando revejo momentos como este, em que Kaige Chen denota uma quase incomparável mestria, e depois penso que foi o mesmo realizador que timonou “The Promise”, sou forçado a concluir que podemos passar de besta a bestiais e vice-versa num instante!

Este filme, devidamente separado em cinco actos, todos com títulos sugestivos, é para apreciar como um bom vinho (no meu caso, será neste momento “Cortes de Cima - Reserva” - haja dinheiro - pensem lá no vosso!), ou seja saborear os detalhes com calma! Se existe algo de menos abonatório, passará apenas pela monotonia que envereda em certos espaços, que poderá transformar-se em algo “secante” para alguns.

Um épico na verdadeira acepção da palavra!

"O imperador e o assassino"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: As Imagens Primeiro

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 10

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,13





8 comentários:

blueminerva disse...

Tem uma prenda para ti no charco.
Um abraço

H. disse...

Curiosa coincidência... Vi-o ontem!
Não o vi no cinema mas lembrei-me sempre de algumas imagens do trailer que vi no monumental (provavelmente) e recentemente tive oportunidade de o adquirir em dvd - depois reparei que foi lançado cá relativamente barato,lol

Já tinha gostado do que o Chen Kaige tinha feito no Adeus, Minha Concubina mas este é também um filme extraordinário. As fraquezas e ambições de cada personagem são magnificamente exploradas. Essa dimensão de ""guerra emocional"" é até mais interessante que as cenas de batalhas propriamente ditas. E os actores, todos magníficos.

P.S. Ainda não vi The Promise mas achei particular graça ao termo "timonou" ;)

Shinobi disse...

Olá H.!

Provavelmente podes ter visto o trailer no Monumental, atendendo a que a empresa que gere ambos os cinemas é a mesma (mas daí, deves saber isso melhor do que eu).

O Kaige Chen, juntamente com o Zhang Yimou, são os dois maiores nomes da denominada "quinta geração" de realizadores chineses. Falando particularmente de Kaige Chen, estamos perante um profissional que prima pela excelência dos seus filmes. O exemplo que deste, "Adeus, Minha Concubina" é muito provavelmente o seu expoente máximo (tens razão, o filme é deveras extraordinário). As interpretações tanto nesse filme, como em "O Imperador e o Assassino", são de uma qualidade bastante acima da média!

O "The Promise" é um filme visualmente bonito, mas o resto deixa muito a desejar,acredita! Mesmo assim, se tiveres oportunidade de o ver...até podes ficar com uma opinião distinta da minha!

PS: Lá muito de vez em quando tenho os meus momentos. "Timonou" é um deles :D

Shinobi disse...

Cara blueminerva, aqui o shinobi está sem palavras para agradecer esta MAGNÍFICA PRENDA!

Estou à beira de uma histeria de contentamento, eh, eh, eh!!!

Tudo de bom para ti!

'jinho grande!!!

Onun disse...

Jorge,

Vi muito recentemente, e gostei bastante. Quando o comprei pensei: espero que a qualidade seja mais parecida com "Adeus minha Concubina" que com o "The Promise"... e felismente é. Durante o tempo que estive a ver o filme parecia estar a ver uma realização de Yimou Zhang ...e, para mim, é sempre um prazer ver Li Gong. Continua magnífica.

Abraço

Shinobi disse...

Tiveste sorte na compra Nuno, sem dúvida nenhuma!

É um épico verdadeiramente digno desse nome, e o trabalho dos actores é algo óptimo de se ver! O Kaige Chen, tirando o "The Promise", é sem dúvida um dos realizadores mais dignos de cinema asiático!

Abraço!

tf10 disse...

Um filme interessante mas que definitivamente fica uns furos abaixo do Farewell My Concubine (Grande Leslie!)

Já agora para quem é fâ do Kaige deixo o meu link para a sua curta do "Chacun son cinéma"! Os miudos são uns castiços! :)))
(estão as outras asiáticas tb)

http://www.guba.com/watch/3000056337


Abraço!
asian-virus.com

Shinobi disse...

Julgo que não deverá haver grandes dúvidas em qualificar "Adeus, Minha Concubina" como a grande obra de Kaige Chen. Eu tb. sou muito suspeito para falar, pois Leslie Cheung é um dos meus actores preferidos de Hong Kong. Pensando bem, acho que só mesmo o Tony Leung Chiu Wai o ultrapassará nas minhas preferências.

Obrigado pelo link! Eu e com certeza os outros visitantes do blogue agradecem ;)!

Abraço!