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quinta-feira, outubro 09, 2008

Green Snake/Ching Se - 青蛇 (1993)

Origem: Hong Kong

Duração: 98 minutos

Realizador: Tsui Hark

Com: Joey Wong, Maggie Cheung, Vincent Chiu, Wu Hsing Kuo, Lau Kong, Ma Jing Wu, Tien Feng

"Green Snake Xiao Qing"

Sinopse

As irmãs “Green Snake” (Maggie Cheung) e “White Snake” (Joey Wong) são dois demónios ancestrais em forma de cobra, que após um longo treino em feitiçaria, conseguem adquirir um aspecto humano. A razão que as norteia passa pelo facto de os humanos experienciarem o amor e a liberdade, sentimentos que à partida lhes estão negados. À medida que as duas belas mulheres vão-se habituando e apreciando a sua nova condição, “White Snake”, a mais velha e madura, apaixona-se e subsequentemente casa com o estudioso “Xu Xian” (Wu Hsing Kuo). O seu objectivo é gerar um filho, e desta forma consolidar a sua passagem para o reino dos mortais. Por seu lado, “Green Snake”, apesar de aos poucos se sentir atraída pela sua nova vida, ainda demonstra saudades da sua antiga forma de serpente, ao ponto de se transmutar ocasionalmente.

"As duas irmãs viperinas"

No entanto, esta situação cria um desequilíbrio na ordem natural das coisas, que chama a atenção dos budistas e taoístas mais esclarecidos e poderosos. Em decorrência deste facto, começa uma caça às duas irmãs, liderada pelo poderoso monge budista “Fa Hoi” (Vincent Chiu). No início, o sacerdote adopta uma postura de contenção perante as duas mulheres, atendendo a que as mesmas vivem calmamente e não molestam ninguém. Contudo, posteriormente “Fa Hoi” altera a sua forma de agir e passa ao ataque. No decurso da sua cruzada aparentemente justa, o monge descobre a real hipocrisia que se esconde por detrás do seu imaculado modo de vida.

"Green Snake e o monge Fa Hoi"

"Review"

Como qualquer região do mundo, a China possui uma mitologia própria, consubstanciada em milhares de lendas e contos, transmitidos muitas vezes por via oral. Sendo uma nação com uma riqueza cultural e teológica enorme, o manancial de histórias que poderão dar origens a filmes é quase infinito. A lenda da serpente branca é baseada numa dessas narrativas fantásticas do império do meio, que começou a ser transmitida por várias gerações e que originaria óperas chinesas, séries para a televisão e, como não podia deixar de ser, películas de cinema. A conhecida escritora de Hong Kong Lilian Lee, autora entre várias obras de “Adeus Minha Concubina”, daria corpo a um romance intitulado “Green Snake” que visa expôr a perspectiva dos eventos do ponto de vista de “Xiao Qing”, a irmã de “Bai Suzhen White Snake”, sendo esta normalmente a figura central do mito. Foi este o escrito que viria a servir de inspiração para a obra de Tsui Hark e que agora se tentará analisar um pouco.

Tsui Hark é sobejamente conhecido por ser um dos realizadores mais emblemáticos e importantes de sempre do cinema de Hong Kong. Uma das suas marcas indeléveis são os “wuxia”, as denominadas “fantasias de artes marciais”, ou simplesmente os filmes de artes marciais mais puros. Frequentemente as características essenciais destes três tipos de filmes aparecem misturadas nas películas que realizou, acontecendo por vezes algumas das suas longas-metragens estarem perfeitamente individualizadas no género onde se inserem. “Green Snake” é indubitavelmente uma “fantasia de artes marciais”, com naturais elementos do “wuxia”, estando na linha de películas como “A Chinese Ghost Story”, “Zu: Warriors of the Magic Mountain” ou “Dragon Chronicles (...)”, filmes acerca dos quais já escrevi anteriormente no “My Asian Movies”. Quer se goste ou não, tudo nasce da relevante paixão que Tsui Hark sempre nutriu pelas tradições ancestrais chinesas, aspecto que pessoalmente entendo que é de elogiar no realizador e onde o mesmo foi beber imenso na sua carreira, nem sempre com bons resultados.

Estamos perante um filme que apesar de se notar que o orçamento não foi assim tão generoso, tem momentos de rara beleza e virtuosidade. É certo que no início observamos os cabos que ajudam Vincent Chiu a planar, assim como as cobras não conseguem disfarçar o facto de serem de borracha. Igualmente muitos dos efeitos especiais são arcaicos e a um nível inferior de qualquer filme norte-americano dos anos '70. Contudo, “Green Snake” tem momentos de rara beleza e que manifestamente deslumbram o espectador. Os templos budistas, as florestas de bambu e especialmente “Fa Hoi” a andar sobre a água impressionam vivamente o espectador e fazem com que esta obra de Tsui Hark esteja à frente no seu tempo, servindo de inspiração a películas que viriam a ser realizadas posteriormente, tanto do realizador como dos seus congéneres.


"A dança indiana da luxúria"

Apesar dos filmes de Tsui Hark serem muitas vezes vistos como puro entretenimento, os mais conhecedores da sua obra sabem que o realizador expõe sempre uma mensagem significativa nas suas películas, normalmente detractora do regime comunista chinês. Aqui temos a costumeira menção, corporizada simbolicamente no robe vermelho do monge “Fa Hoi”, que na luta final parece tudo ofuscar e afogar. Contudo desta vez temos talvez algo mais significativo e que estará relacionado com a hipocrisia da religião, assim como uma crítica aberta àqueles que cedem perante as primeiras impressões e que tudo gostam de catalogar ou extremar na dicotomia “certo ou errado”, “bem e mal”, etc.

Protagonizado por duas das mais belas e bem sucedidas actrizes de Hong Kong, Maggie Cheung e Joey Wong, a parte erótica (dentro de limites “mais respeitáveis”) e sensual está bem presente na película, rivalizando neste particular com longas-metragens como “The Bride With White Hair”. Não querendo parecer despropositado nem menos sério (como se diz na minha terra “ca nada!”), imagine-se que até durante uns segundos temos a inesquecível oportunidade de contemplar uma Maggie Cheung, na altura com 29 anos, como veio ao mundo! Só por isto, o filme já valerá com certeza a pena! O papel de Cheung é eminentemente provocador, em contraposição com uma mais serena e madura Joey Wong que tenta na sua aventura humana, descobrir o amor e ser o protótipo da esposa dedicada. Por seu lado, Vincent Chiu representa competentemente o monge “Fa Hoi”, um ser dotado de uma rectidão e rigidez ética supostamente a toda a prova, mas que acaba por questionar o seu modo de vida, tendo por motivo o contacto com as duas irmãs demoníacas. Esta característica das mulheres não as faz propriamente seres maus e desprovidos de sentimentos, como “Fa Hoi” acaba por descobrir. O actor Wu Hsing Kuo, originário de Taiwan, é o equivalente à personagem que Leslie Cheung tão bem representou em “A Chinese Ghost Story”. Trata-se do ingénuo da história que é apanhado no meio da confusão, e que recolhe por este motivo toda a nossa complacência. É o elo mais fraco da actuação e nem de longe, nem de perto, chega aos calcanhares do saudoso Leslie Cheung no filme atrás referenciado.

Dotado de uma banda-sonora agradável, mesclada com ritmos tradicionais chineses, este “cocktail” de fantasia, artes marciais e sensualidade/sexualidade (a maior parte sugerida, do que propriamente evidenciada), está longe de ser um trabalho menor de Tsui Hark, como por vezes é considerado.

Vale a pena dar uma espreitadela!

"O sacerdote taoísta cego que anda à caça das irmãs"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,50





7 comentários:

Takeo Maruyama disse...

Preciso conferir esse filme! Nem que seja só pra ver a tal cena da Maggie Cheung nua, he, he, he!

Jorge, trocas cópias em DVD-R com outros colecionadores? Pois notei que tem vários filmes em seu acervo que ainda não possuo, principalmente por serem de gêneros que não estão entre as minhas prioridades, como wuxia, então gostaria de adquirir contigo através de troca.

Caso tenhas o seu acervo catalogado e tiver interesse em fazer negócio, mande-me a sua lista de filmes no e-mail takeomaruyama@hotmail.com , OK?

Um grande abraço

tf10 disse...

Fiquei positivamente surpreendido com este filme do Tsui, agradou-me bem mais do que estava à espera na altura! Acho que se deveu ao facto de ser um filme tão bizarro, com um lado "fantástico" que nos surpreende a cada momento e com algumas imagens desconcertantes como por exemplo a Maggie a rastejar em busca de alimento! 8) Já para não falar do erotismo que o filme transpira!
Não me lembro de ver cabos, mas lembro-me dos fatos e daquele duelo final com o templo e a água onde o Tsui teve de ter engenho (e muita dor de cabeça) para levar a cabo os seus devaneios, sendo este um bom exemplo de como os efeitos podem até ser negligenciáveis quando a história é interessante!
Acho que é dos filmes que mais gostei dele e pode ser uma boa companhia para coisas como o "A Chinese Ghost Story" e outras boas dentro do género!

abraço!

Shinobi disse...

Não costumo trocar, Takeo, mas se você quiser que eu grave algum dos filmes que eu critico aqui no blogue, esteja à vontade.

Quando puder envio a minha lista de filmes asiáticos, pois preciso de actualizá-la com mais alguns filmes.

Quanto a "Green Snake", se gostaste de filmes como "A Chinese Ghost Story", de certeza que vais gostar deste. E a cena da Maggie Cheung vale a pena, embora dure poucos segundos, eh,eh, eh!

Grande abraço!

Shinobi disse...

Olá tf10,

Como penso que deves saber, eu não sou particularmente fã de Tsui Hark, embora reconheça a sua enorme importância no panorama da cinematografia asiática.
No entanto, existem alguns filmes do realizador que gosto bastante, e este "Green Snake" é um deles (embora o meu preferido do realizador continue a ser "Dao- The Blade"). A cena final é espectacular, e a da Maggie Cheung a rastejar...sem palavras :)!
Os cabos vêem-se no início, quando o monge "Fa Hoi" interpretado por Vincent Chiu, anda a perseguir um demónio corporizado num velhote de barbas brancas iterpretado pelo veterano actor Tien Feng.

Grande abraço!

Takeo Maruyama disse...

Maravilha, Jorge! Fico aqui no aguardo então.

Abraços

Shinobi disse...

Ok, Takeo! Vou tratar da lisa, então. Entretanto se quiseres enviar a tua,pois de certeza que terá coisas que me interessarão, o meu e-mail é:

soares.jorge@gmail.com

Abraço!

Kiva Holy Fang disse...

Boa noite, gostaria de saber se você possui esse filme para download legendado. Eu gostaria muito de assistir, procurei na net mas não encontro de jeito nenhum. Se tiver algum modo de me enviar o filme ficarei feliz.

Abraços!