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sábado, junho 28, 2008

An Empress and the Warriors/Kwong saan mei yan -
江山美人 (2008)

Origem: China/Hong Kong

Duração: 96 minutos

Realizador: Ching Siu Tung

Com: Kelly Chen, Leon Lai, Donnie Yen, Guo Xiao Dong, Kau Jan Hoi, Liu Wei Hua, Zhang Shan, Zhou Bo, Yan Jie, Daichi Harashima, Yang Yi Yi

"A princesa Yan Feier equipada com a sua armadura"

Sinopse

Na era conhecida como a dos “Estados Guerreiros”, o reino de Yan anda há longos anos em constantes guerras com o vizinho Zhao, degenerando o conflito em batalhas com graves perdas para ambos os lados. Num destes encontros, o rei de Yan (Liu Wei Hua) é gravemente ferido, e pressentindo a morte, decide surpreendentemente passar o trono para um órfão bastardo, o fiel general “Muyong Xuehu” (Donnie Yen).

"O médico com o passado trágico Duan Lanquan"

Quem não fica nada satisfeito com a decisão do rei de Yan, é o seu sobrinho “Wu Ba” (Guo Xiao Dong), um homem consumido pela ambição, que anseia o poder a todo o custo. Tendo em vista assegurar a posição de “Xuehu”, o rei de Yan incumbe a sua filha “Feier” (Kelly Chen) de passar ao general a sua lendária espada de forma a que a escolha não mereça qualquer tipo de oposição. Acontece que na hora da verdade, “Xuehu” intimidado com a sua baixa posição social, apregoa que o rei de Yan elegeu como seu sucessor, a filha “Feier” e logo ali jura-lhe fidelidade, conjuntamente com os seus apoiantes.

“Wu Ba” não se sente ainda derrotado, e cedo começa a conspirar contra a prima de forma a afastá-la do comando do reino. Para o efeito, contrata um bando de assassinos, que por pouco não conseguem os seus intentos. “Feier” é salva por “Duan Lanquan” (Leon Lai), um eremita que vive isolado na floresta. Durante o restabelecimento da princesa, um grande amor nasce entre os dois. Contudo, o sentido de dever é forte demais, e “Feier” retorna a Yan, de forma a restaurar o legado do seu pai e a derrotar o usurpador.


"O intrépido general Muyong Xuehu"

"Review"

Sou obrigado a concordar com quem afirma que na sequência do filme “Warlords”, de 2007, onde milita um super trio de actores composto por Jet Li, Andy Lau e Takeshi Kaneshiro, o ano de 2008 é sem dúvida dominado pelos épicos de artes marciais. Para mim e com certeza para muitos, isto constitui uma boa notícia, pois estamos a falar de um dos meus géneros favoritos, e pessoalmente uma das principais razões para que este espaço tivesse surgido na blogosfera. O alarido criado à volta de películas como “The Forbidden Kingdom” (a tão ansiada colaboração de Jackie Chan com Jet Li), “Three Kingdoms: Ressurrection of the Dragon (onde pontificam Andy Lau e a estonteante Maggie Q), ou “Red Cliff” (do eterno John Woo) põem qualquer fã de “olhos em bico”, “água na boca”, ou o que quer que lhe queiram chamar. A todas estas obras há que acrescer o recente “An Empress and the Warriors”, o filme que ora se analisa, dirigido pelo realizador e coreógrafo Ching Siu Tung, uma figura sobejamente conhecida e intimamente ligada ao cinema de artes marciais, autor de películas como “Swordsman II”, Swordsman III: The East Is Red”, “New Dragon Gate Inn” (aqui não mencionado nos créditos finais) ou “A Chinese Ghost Story”. Com um grupo de actores donde ressaltam as estrelas do Cantopop Leon Lai e Kelly Chen, e o senhor das artes marciais Donnie Yen, sempre se poderia declarar, com alguma propriedade, que as expectativas eram elevadas.

Sem muitas delongas, mais vale afirmar desde já que o filme é marcado pelo signo da previsibilidade, afigurando-se algo redutor. Essa é que é a verdade. Nota-se à distância que mais do que produzir um épico, acima de tudo tentou-se criar uma história de amor em que são protagonistas duas das caras mais emblemáticas de Hong Kong. Junta-se o útil ao agradável, e sempre se arranja mais um “hit” musical denominado “Flying With Dreams”, que poderão ver o vídeo no “post” de 22 de Junho, ou em alternativa AQUI. Donnie Yen está lá somente, e recorrendo ao seu grande carisma, para dar um ar de seriedade “marcial” à película, passe a expressão. O enredo é um amontoado de “clichés”, onde nada é inovador e apenas é repetido o que já proficuamente foi experimentado antes. O próprio romance, onde supostamente reside a trave-mestra desta longa-metragem, deixa muito a desejar. Comparando com filmes já deste século e que não distam assim tantos anos, nem de longe, nem de perto, sentimos aquela tensão maravilhosa e incompreendida entre “Espada Partida” e “Neve Esvoaçante” em “Herói”, brilhantemente interpretados por Tony Leung Chiu Wai e Maggie Cheung. Tão-pouco somos contagiados pela força de sentimentos desencadeada por Takeshi Kaneshiro e Zhang Ziyi, nos papéis de “Jin” e “Mei”, em “O Segredo dos Punhais Voadores". O relacionamento aqui é demasiado “cor-de-rosa”, que de credibilidade e pujança tem muito pouco. Outro aspecto que não abona muito a favor de “An Empress and the Warriors” é o pouco desenvolvimento de alguns aspectos que poderiam eventualmente salvar a trama, mesmo que para tanto se tivesse de fazer um filme com pelo menos 120 minutos. Passa simplesmente por algum desenvolvimento sustentado do perfil das personagens, assim como das suas motivações. O vilão “Hu Ba” é praticamente um desconhecido para nós ao longo de toda a película e os restantes protagonistas não têm direito a uma explicação pormenorizada acerca do que os impele a agir da forma que o fazem no filme. Salva-se o focar de um período extremamente importante para a história da China (e pessoalmente bastante do meu agrado), o dos “Estados Guerreiros”. Mas mesmo aqui, o aspecto histórico é um tanto ou quanto descurado, nem sendo nos facultado um “background” minimamente satisfatório e explicativo acerca do espectro geopolítico-militar que elucide acerca dos conflitos entre os reinos de Yan e Zhao.

"Duan combate com Muyong"

O que será passível de ser assacado como verdadeiramente bom a “An Empress and the Warriors”, será a espantosa fotografia e cenários que nos são dados a contemplar. Desde a floresta, com a morada de “Duan” a ser um misto de casa de árvore com longas passadeiras (género Robin Hood), até à planície onde os exércitos de Yan e Zhao se digladiam são um alimento bastante bom para os nossos olhos. No palácio, o salão real e o “hall” das espadas, para aém de toda a simbologia associada, estão extremamente bem conseguidas. Outro aspecto a merecer algum relevo são as batalhas travadas entre Yan e Zhao, com momentos verdadeiramente espectaculares, dos quais destaco sem dúvida a queda dos carros puxados a cavalos, provocada pelos escudos da infantaria de Yan. Os combates individuais não primam muito pelo expôr de uma boa técnica, mas mais pelos cenários que lhes servem de pano de fundo. Exemplo disso é a luta travada entre Leon Lai e Donnie Yen numa cascata. Aliás, este último actor parece estar muito preso na sua armadura, saindo algo prejudicado por este aspecto. Prefiro ver um Donnie Yen mais solto, pois a emotividade das refregas só ganha com isso. No que concerne ao conceito de guerreira dos épicos/wuxia, sempre direi que Kelly Chen está longe de possuir o carisma de uma Zhang Ziyi, uma Michelle Yeoh ou uma Maggie Cheung. E a milhas de distância de uma Brigitte Lin!

“An Empress and the Warriors” infelizmente não é um épico de antologia, à semelhança de “Herói” e afins. Valerá por algumas cenas de uma beleza elevadíssima, assim como um ou outro momento de combate com um nível acima da média. Rezemos para que os restantes exemplos que aventei no início da crítica tenham uma orientação que qualquer película que almeje a se intitular de épico possua. Falo de alma e grandiosidade a grande escala!

Obra longe de constituir uma referência, que mais parece um videoclip todo “bonitinho”! Daqui a um, dois anos, julgo que poucos se lembrarão de “An Empress and the Warriors”.

"O exército de Yan, liderado por Feier, prepara-se para a batalha"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 6

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,38





2 comentários:

Nuno disse...

Amigo Jorge,

Acabado de chegar de Itália, deparo-me com mais uma fantástica análise tua. Desta vez a um épico a que dás nota 8 ao entretenimento (ainda que 7 ao teu gosto pessoal) e por isso será um filme que verei. Vê-lo-ei num daqueles dias que me apetece distração, entretenimento. Quando assim é, nada melhor que um épico asiático... lol. Quem diz o que pensa não merece castigo.

Um Abração

Shinobi disse...

Amigo Nuno,

antes de tudo espero que as coisas tenham corrido muito bem por Itália, nem que seja o visionamento das belas italianas :)!

"An Empress and the Warriors" é sem dúvida um filme que entretém e ideal para ver num desses dias em que apetece distracção. No entanto, não estejas à espera de nada de especial. É um tanto ou quanto vazio, na minha opinião...

Grande abraço!