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sábado, outubro 13, 2007

Ichi, o Assassino/Ichi, the Killer/Koroshiya Ichi - 殺し屋 1 (2001)

Origem: Japão

Duração: 123 minutos

Realizador: Takashi Miike

Com: Tadanobu Asano, Nao Omori, Shinya Tsukamoto, Pauline Suen, Sabu, Susumu Terajima, Shun Sugata, Toru Tezuka, Mai Goto, Yoshiki Arizono, Kiyohiko Shibukawa, Satoshi Niizuma, Suzuki Matsuo, Jun Kunimura, Hiroyuki Tanaka

"O yakuza Kakihara"

Estória

Quando “Anjo”, um chefe yakuza, desaparece, e roubados 300 milhões de ienes, “Kakihara” (Tadanobu Asano), um delinquente desfigurado, passa a chefiar o clã de criminosos e desta forma dá largas ao seu espírito verdadeiramente sado-masoquista. “Kakihara” pretende encontrar o seu líder, não apenas pela importância que este detém para com a organização, mas igualmente por sentir a falta das torturas físicas infligidas por aquele.

"Ichi e Kakihara"

“Kakihara” inicia uma busca sangrenta por Shinjuku, que o leva a guerrear outros clãs yakuzas, até que descobre que o responsável pelo desaparecimento de “Anjo” é um jovem rapaz chamado “Ichi” (Nao Omori). Uma infância e adolescência infeliz e de certa forma misteriosa, fazem com que “Ichi” seja uma pessoa com perturbações mentais, mas ao mesmo tempo um formidável e sangrento assassino.

“Kakihara” reconhece em “Ichi” um oponente à altura, e inicia uma caça ao homem, que desemboca numa orgia de violência e atrocidades sem limites.

"Kakihara é um cultor da tortura"

"Review"

“Ichi, o Assassino” constitui um verdadeiro produto de culto, oriundo do país do sol nascente, e realizado por um dos seus mais famosos, mas ao mesmo tempo polémicos realizadores, Takashi Miike. Para muitos o melhor filme do realizador, não revela ser de fácil visionamento, pelo que aqueles mais sensíveis, não deverão, em caso algum, aventurar-se por esta longa-metragem. O aviso está feito, e devidamente ilustrado por algumas das fotos que acompanham este texto.

Na senda do anteriormente afirmado, tenho a dizer que “Ichi…” é brutal e chocante em todos os sentidos possíveis e imaginários. A violência é extrema e parece não conhecer limites. Aqui tenta-se explorar todas as formas e mais algumas de tortura humana, com uma pujança desmesurada. Violência gratuita? Sim, julgo que por vezes esta película poderá ser acusada deste factor. No entanto, a imaginação sórdida de Miike faz com que mesmo no meio de tanto sangue e exposição demasiado realista dos sofrimentos infligidos às personagens do filme, exista um certo refinamento. A propalada violência física é bem secundada e acompanhada pelos aspectos psicológicos aterradores e relacionados com o passado de “Ichi”, que em muito explicam que a violência exerça igualmente um certo fascínio por esta personagem, chegando a ir ao ponto da excitação sexual. O rapaz é um sádico, ponto final!

Continuando na análise dos aspectos mais polémicos, incontornável quando está em causa Takashi Miike, cumpre expor uma estória que supostamente sucedeu durante as filmagens de “Ichi, o Assassino”, e que não ponho as “mãos no fogo”, pois a fonte costuma ter as suas falhas, algumas bem gritantes. Pelos vistos, o esperma usado na sequência inicial do filme é real e foi fornecido pelo realizador e actor japonês Shinya Tsukamoto, que interpreta a personagem de “Jijii”, o polícia reformado que controla “Ichi”. Miike, no entanto achou que o esperma fornecido por Tsukamoto era em quantidade insuficiente, e ordenou a outros três membros da equipa de filmagens que fizessem o que pudessem para encher o recipiente com mais esperma. Sem comentários…Outra estória que se conta acerca das filmagens de “Ichi”, passa pelo facto de a cena em que a personagem “Sailor”, interpretada pela actriz Mai Goto, é espancada, supostamente só deveriam de existir três socos desferidos. Como pelos vistos, Miike detestava Mai Goto, alterou a cena e elevou o número de socos para quinze! Qual a fronteira entre o que é mito e realidade? Vá-se lá saber!

"Um banho de terror e sangue"

O estilo de realização de Miike, com os costumeiros truques de câmara, faz com que “Ichi, o Assassino” transpire energia, mesmo nos momentos mais contemplativos, que não são muitos e apenas preparam mais uma matança sem regras ou puridos. Os actores oferecem-nos boas interpretações, destacando-se aqui o excelente actor japonês Tadanobu Asano, no papel do infame “Kakihara”.

“Ichi, o Assassino” é um filme obrigatório para qualquer fã de cinema asiático, embora nunca seja mais de alertar, como já foi acima efectuado, que os mais impressionáveis deverão “fugir a sete pés”. Será sem dúvida um “violence exploitation”, mas muito haverá com certeza mais alguma coisa para lá deste aspecto.


Sendo uma película dotada de um mérito inquestionável, no entanto só leva um 7 no item classificativo “Gosto pessoal do M.A.M.”, porque sinceramente não é muito do meu agrado filmes que expressem uma violência exagerada, e nadem em mares de sangue. Salvo uma ou outra excepção, da qual “Ichi…” não faz parte, para minha vergonha pessoal. Isto faz-me lembrar uma conversa que mantive com um amigo meu há dias num café, acerca de uma rapariga muito bonita que estava numa mesa perto de nós. Depois de elogiar bastante os atributos da moça, conclui que ela tinha qualquer coisa que não me agradava, mas eu não sabia explicar bem o quê…

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

A presente crítica encontra-se igualmente publicada "on line" em ClubOtaku.

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 8

"Ichi faz mais uma vítima"

Nota: Quando revi este filme, em ordem a escrever o presente texto, senti nauseas. Depois apercebi-me que estávamos no fim da manhã, eu praticamente não tinha comido nada de jeito, e a noite anterior tinha sido alcoolicamente movimentada. Pelo exposto, nenhumas culpas podem ser assacadas a "Ichi, o Assassino"...





6 comentários:

Nuno disse...

Jorge,

Ainda me lembro que, quando vi o filme, achei algumas cenas com "violência gratuita" ou seja... violência dispensável. Quando acabei de ver o filme estava cansado. De qualquer modo gostei muito do filme.

Mais uma excelente análise. Parabéns.

Nuno

Shinobi disse...

O filme tem uma boa qualidade no seu segmento, não haja dúvidas disso. O meu gosto pessoal é que faz com que eu não goste tanto assim das películas deste género. De qualquer forma, o mérito é inquestionável!

Abraço e mais uma vez obrigado!

Dewonny disse...

Nossa, esse filme é muito doido, curto filmes do gênero, mas não gostei tanto assim desse aí, apesar de achar um filme bem feito tecnicamente que valeu muito como curiosidade. Nota 6.0!

Gostei mais de outros 2 filmes que vi do Takashi Miike: "Audition" e "One Missed Call"

Abs!

Shinobi disse...

Essencialmente não sou grande apreciador de filmes que se insiram no género de "Ichi", embora como eu já disse no texto, é uma obra incontornável no cinema asiático.

Abraço!

RodCosta disse...

Saudações! Finalmente visionei "Ichi the Killer" (Koroshiya em nipónico).Estive para "sacar" o filme da net, mas qual não foi o meu espanto quando me deparei com o mesmo numa prateleira do meu videoclube, foi só pegar e levar para casa.
Quando as expectativas são grandes, depois de tanto se ouvir falar, a decepção não raras vezes acontece...E foi o que aconteceu.
A realização tem pormenores interessantes (aqueles "travellings ultra-rápidos" do início) e destaco ainda uns planos de grande riqueza visual "gore" (o sangue nas paredes e vísceras pelo chão) nomeadamente depois de uma das chacinas de Ichi num quarto.Mas praticamente fica por aí os méritos visuais.
A cinematografia não me impressionou...
Achei o filme um pouco longo (2 horas) para o que se pretendia contar.
Existem cenas implausíveis e adereços completamente ridículos, por exemplo recurso a imagens CGI e o fato do Ichi.Mas devo dizer que achei muita piada e adequada (à personalidade) a guarda-roupa do Kakahari... :)
A nível de interpretações talvez destacaria, mas sem nada de fantástico, o actor que faz de Kakahari.
O filme é realmente bastante violento e sádico (embora não tivesse sido o mais perturbante que vi), e a cena mais chocante na minha opinião é a do corte da lingua.Mike Takachi teve a nítida intenção de provocar os espectadores.Mas no entanto, no fim, fica a ideia de um filme que opta pela violência exagerada e pouco ou nada mais.
Por agora estou muito interessado em ver o "Oldboy" que passou recentemente e estupidamente na RTP às 2 da manhã!!! E que por essa mesma razão, não pude continuar a ver...

Shinobi disse...

Olá amigo!

É sempre bom ver-te aqui a comentar os posts do meu humilde espaço :) !


A mim não me espanta que tenhas encontrado o filme no teu videoclube, pois "Ichi, o Assassino" é uma das obras japonesas de mais fácil acesso no nosso país.
Pois, eu de facto como já referi antes, não sou grande apreciador de filmes na linha deste. Eu, o "gore" e a tortura não ligamos muito bem.
Em geral, não achei a cinematografia de desprezar, embora existam um rol de obras asiáticas bem superiores neste aspecto. As cenas implausíveis e os adereços "ridículos" são feitos um pouco de propósito. Quem está a par da obra de Takashi Miike, sabe que o autor gosta muito de enveredar por estes caminhos, embora pessoalmente ache que em "Ichi" se exagerou um pouco...mas no fundo, porventura os exageros e algum ridículo servirá para transmitir algo que nem seja a demência e a exploração de novas vertentes do sadismo. Mas daí, o texto que escrevi é elaborado do ponto de vista de uma pessoa que não aprecia muito este género, nem técnicas, mas que de alguma forma tenta ser um pouco imparcial e tenta situar as coisas no respectivo contexto ;) !
Quanto às interpretações, regra geral, julgo que se situam num bom nível. É de destacar naturalmente Tadanobu Asano, que dá vida ao infame "Kakihara". Actualmente não tenho dúvidas que é um dos melhores actores asiáticos, embora prefira Tony Leung Chiu Wai (podes vê-lo agora em "Lust, Caution), ou então Choi Min-sik (o tal actor de "Oldboy").
"Oldboy" é um filme imperdível, e na minha opinião, das melhores obras asiáticas de sempre! Tens de vê-lo absolutamente. Não me admirava nada que o encontrasses no clube de vídeo, pois se "Ichi..." estava disponível, faz todo o sentido que "Oldboy" também esteja.

Caro amigo, tudo de bom para ti!