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domingo, fevereiro 03, 2008

Jade Goddess of Mercy/Yu Guan Yin (2003)

Origem: China


Duração: 110 minutos


Realizador: Ann Hui


Com: Vicki Zhao, Nicholas Tse, Liu Yunlong, Sun Haiying, Chen Jianbin, Chen Habao, Fu Qiang, Gao Zhilan, Hong Jiantao, Liu Guanghou, Lun Zhu, Niu Li, Su Jiatong, Tang Jinglin


"An Xin"

Estória

“An Xin” (Vicki Zhao) é uma empregada de limpeza de uma escola de “Taekwondo” em Pequim. “Jang Rui” (Liu Yunlong), um dos alunos, apaixona-se por “An Xin”, aumentando o sentimento à medida que a rapariga vai repelindo os seus avanços. A persistência dá os seus frutos e o casal enceta um relacionamento. As coisas correm bastante bem e “Jang Rui” torna-se como um segundo pai para o pequeno “Xiong”, o filho de "An Xin". Posteriormente “Jang” é preso por corrupção, devido a uma armadilha montada pela ex-namorada. “An Xin” contrata um advogado para defender “Jang”, e desaparece em seguida, deixando uma carta ao seu companheiro.


"An Xin e Mao Jie"


Ao ler a missiva, “Jang” descobre o passado tenebroso de “An Xin”. A rapariga era uma polícia dos narcóticos a prestar serviço na província de Yunnan. Era casada com um jornalista promissor chamado “Tiejun” (Chen Jiabin), que faleceu vítima de um tiroteio, tentando proteger o bebé “Xiong”. A razão para que tal tivesse acontecido passa pelo facto de “An Xin”, quando estava noiva de “Tiejun”, ter mantido uma curta, mas intensa relação paralela com “Mao Jie” (Nicholas Tse), um traficante de droga da zona. “Mao Jie” acaba por ser preso, devido à intervenção de “An Xin”, e os familiares do criminoso são mortos ou detidos.

Voltando ao presente, “Jang” consegue ser ilibado e parte em busca de “An Xin”, para que tudo volte a ser como dantes. O problema é que “Mao Jie” já não se encontra na prisão e embarca numa cruzada de vingança.


"Em luta com os traficantes de droga"


"Review"

Kwanyin (ou Guan Yin) é uma divindade budista, representada por uma mulher, que frequentemente está associada à misericórdia e compaixão. Vicki Zhao bem poderia ser a sua encarnação na terra, atendendo à sua beleza divina e porte celestial. Nenhum homem, no seu perfeito juízo, se importaria de ser alvo da misericórdia e da compaixão dela (Nota: já tinha saudades de atirar uma piada sexista nos meus textos!). Bem, não posso me perder nos devaneios, e vamos lá então escrever um pouco acerca deste filme, até porque as expectativas eram grandes.


Adaptada de um livro do escritor chinês Hai Yan, a realizadora Ann Hui dá forma a um “thriller” que pretende ter tanto de comercial, como de artístico, tentando agradar a todos os fãs de cinema e mais alguns. Em virtude deste facto, a película perde um pouco a sua personalidade própria e acabará por ser apenas mais um filme que detém alguma qualidade, mas que está longe de alcançar o pretendido ou ser algo marcante.

"Tiejun e An Xin"

Abarcando dois dos mais emblemáticos actores de Hong Kong e verdadeiros ídolos da adolescência asiática, a saber, Vicki Zhao e Nicholas Tse, o filme vive sobretudo da boa interpretação evidenciada pela actriz. Pessoalmente entendo que em “Jade…”, Zhao dá corpo a uma das melhores performances que tive a oportunidade de assistir no que toca a esta mulher lindíssima (confesso…já estou a ser repetitivo no que toca aos atributos físicos de Zhao). Em “Jade…”, Zhao tem a oportunidade de representar várias facetas, incorporando o papel de uma polícia dedicada, uma mãe extremosa e uma amante que irradia sensualidade, saindo-se airosamente e com um bom nível em todos os momentos. Chega agora a hora de falar de Nicholas Tse. Por mais que eu tente, não gosto do actor, e essa é que é a verdade. Mesmo assim sempre se admitirá que nesta película, Nicholas Tse cumpre minimamente o que lhe é pedido sem atrapalhar o bom desempenho dos colegas. Contudo, nunca ninguém me convencerá que Tse é um actor que mereça figurar no panteão dos melhores intérpretes de Hong Kong. O seu mérito cinematográfico resume-se apenas a arrancar uns quantos suspiros às adolescentes que não estão com a sua personalidade bem definida. Merecem uma palavra de apreço os actores Chen Jiabin e Liu Yunlong. O primeiro dá uma aura de saudável integridade à personagem de “Tiejun”. O segundo tem um papel extremamente exigente, no sentido de ser muitas vezes o narrador da estória e o veículo de transmissão dos sentimentos da “deusa da misericórdia” “An Xin”.

A trama poderia ser sido alvo de um melhor tratamento. Existem partes do filme que careciam de um desenvolvimento mais aprofundado, em nome da empatia do espectador com as personagens. Outros segmentos pecam precisamente pelo contrário. Enveredam por devaneios inúteis, descartáveis e desinteressantes, que não fazem nada pela qualidade que este filme poderia almejar. A certa altura, a confusão chega mesmo a instalar-se, falhando o equilíbrio entre as cenas de acção e as mais dramáticas, degenerando-se num género qualquer de esquizofrenia.

A banda-sonora tem momentos agradáveis, embora bastante espaçados para o meu gosto. As cenas de acção são bastante típicas do espectro de Hong Kong, com bastante sangue e rajadas de metralhadora para dar e vender. Vicki Zhao tem oportunidade para demonstrar que sabe dar uns pontapés e uns socos, embora esta imagem não assente muito bem à figura doce da actriz, que tantos gostam (eu incluído!).

“Pang” o superior de “An Xin” afirma que não consegue entender o amor, mas que com certeza percebe a esperança. Quanto a mim, julgo que já entendi que Ann Hui terá o seu ponto forte na realização de melodramas, mas actualmente deixa um pouco a desejar no que toca às películas mais viradas para a acção. Isto abrange a mistura de ambos os estilos, presente nesta longa-metragem. “Jade...” merece uma nova interpretação de outro realizador asiático (não um remake americano, por favor!), que se encontre na senda de um John Woo ou de um Johnny To.


"Jang Rui parte em busca do seu destino"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação Final - 7,38












6 comentários:

Nuno disse...

Caro Jorge,

A verdade é que, com um misto de vergonha e tristeza, confesso que nunca vi nada desta realizadora premiadíssima Ann Hui.
Penitencio-me por isso.

Parabéns por mais uma fantástica análise.
Um Abraço
Nuno

Shinobi disse...

Num mundo dominado sobretudo pelos homens, Ann Hui é um esteio na cena de Hong Kong. Por isso é que fiquei um tanto ou quanto desiludido com este "Jade Goddess of Mercy".

Se puderes ver "July Rhapsody" ou "The Postmodern Life of My Aunt", não exites. São filmes bastante aceitáveis.

Grande abraço!!!

Andador disse...

Estava eu andando e descobri que há sempre alguém mais fanático do que eu e ora que tropeço e encontro este blog.

Parece que o fanatismo português pelo oriente é tão grande quanto a distância que nos separa, falo por nós, claro.

Pois bem, fico agora com a possibilidade de conhecer mais a cultura oriental sem ser obrigatoriamente a japonesa, mais especificamente, o anime.

Tenho de facto negligenciado o meu blog referente ao anime, mais precisamente ao canal luso-ibreo-americano, vivendo ambos uma história semelhante, acabaram por morrer.

Fica já aqui o agradecimento e os parabéns por este blog ser o "batedor" da cultura do arroz

tf10 disse...

Não vi este thriller da Ann Hui mas tive a oportunidade de ver o "The Postmodern Life of My Aunt" que longe de ser memorável não deixa de ter os seus momentos! (Inclusive com a Zhao!) :)

Talvez este tenha que esperar ainda um tempo considerável até o decidir ver.

Abraço!

Shinobi disse...

Olá andador!

Só tenho a agradecer os elogios feitos aqui ao estaminé, e fazer votos para que passes a ser um assíduo frequentador do "My Asian Movies"!

Já agora, aproveito para incentivar-te a dinamizares o "Anime Locomotion", pois era um blog que costumava consultar bastante e que reputava de boa qualidade!

Grande abraço!

Shinobi disse...

Olá tf10!

"Jade..." não é um filme mau, mas atendendo às expectativas que gerei, deixou muito a desejar. Não perdes grande coisa seadiares o seu visionamento. Com certeza que terás obras de cinema asiático na lista, que mereçam um visionamento mais célere. Gostei mais de "The Postmodern Life of My Aunt".

Um abração!

PS: Mesmo assim, qualquer coisa que tenha a Zhao, é sempre um regalo para os olhos! Digo eu :)!