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segunda-feira, abril 16, 2007

Ondas Invisíveis/Invisible Waves (2006)

Origem: Tailândia

Duração: 114 minutos

Realizador: Pen-Ek Ratanaruang

Com: Tadanobu Asano, Kang Hye-jeong, Eric Tsang, Maria Cordero, Toon Hiranyasap, Ken Mitsuishi, Hideki Jitsuyama, Tomono Kuga, Hiro Sano, Prompop Lee

"Kyoji"

Estória

“Kyoji Hamamura” (Tadanobu Asano) é um cozinheiro japonês, que trabalha em Macau, território asiático que esteve sob administração portuguesa até fins de 1999. Por trás do seu honrado ofício, “Kyoji” é igualmente um assassino a soldo de um poderoso chefe mafioso, chamado “Wiwat” (Toon Hiranyasap).

O mais recente trabalho que lhe é encomendado passa por assassinar a esposa do patrão, a Sra. “Seiko” (Tomono Kuga), que é ao mesmo tempo amante de “Kyoji”. O japonês é bem sucedido na sua missão, usando para o efeito o método do envenenamento, após um jantar a dois.

"Noi"

Posteriormente, o chefe de “Kyoji” comunica-lhe que ele terá de desaparecer por uns tempos até as coisas acalmarem, enviando-o para Phuket, uma ilha que constitui uma renomada estância turística da Tailândia.

“Kyoji” embarca num navio até ao seu destino de fuga, e durante o cruzeiro conhece uma jovem rapariga chamada “Noi” (Kang Hye-jeong) que viaja acompanhada da sua filha bebé de nome “Nid”. Uma amizade nasce, e porventura algo mais.

Quando “Kyoji” chega a Phuket, começam a acontecer sérios problemas com a sua vida, vendo-se rodeado de intriga e traição por todos os lados.

"Um beijo ardente, o prelúdio de um homicídio"

"Review"

Da Tailândia, e sob a chancela do realizador Pen-Ek Ratanaruang (realizador de “Last Life in the Universe” e “6ixtynin9 – Sixty Nine”), chega-nos “Ondas Invisíveis”, um filme que mereceu honras de abertura do Festival Internacional de Cinema de Banguecoque – 2006, para além de ter sido um competidor na 56ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim.

Por força do argumento escrito por Pradba Yoon, revelador de um enredo passado em locais distintos, e com personagens de origens diversas, Ratanaruang teve de se rodear de intérpretes de várias paragens.

Foi feliz na escolha do elenco, cerceando-se de actores com provas dadas. Tadanobu Asano é um afamado actor japonês, que detém no seu currículo participações em “Zatoichi”, “Ichi – O Assassino”, “Taboo”, “Gojoe”, entre muitos outros. Possuía igualmente a vantagem de já ter anteriormente entrado em outro filme do realizador tailandês (falamos de “Last Life in the Universe”). Da Coreia do Sul foi recrutada Kang Hye-jeong, a “Mi-do” do fenomenal “Oldboy”. Hong Kong, por sua vez, marca presença com o veterano Eric Tsang, conceituado actor que tem como cartão de visita películas como a trilogia de “Infiltrados”, “Fly Me To Polaris” e “Anna Magdalena”.

A trama de “Ondas Invisíveis” gira à volta de temas como a culpa ou a traição, sendo apresentado envolto numa extrema melancolia. E é a partir desta premissa, que se constrói um filme rodeado de uma aura soturna e porventura triste, bem ilustrada pelos interlúdios que focam o ondular das ondas.

"Kyoji, após ser assaltado, telefona ao patrão a solicitar auxílio"

A realização evoca bem este aspecto, optando por, não amiúde, enveredar por filmar indícios do que se está a passar em determinadas cenas, acompanhados apenas dos sons humanos, como o arfar, ou então do arrastar e do ranger de objectos. Veja-se por exemplo a cena em que “Kyoji” está a debater-se com o assaltante no seu quarto de hotel em Phuket. A porta do quarto e a parede circundante está a ser filmada. Ouvimos os sons da luta. Mas em momento algum vemos “Kyoji” a lutar com o delinquente. Outro exemplo será a cena do jantar homicida.

A fotografia, da autoria de um dos melhores mestres da arte, Christopher Doyle (“Herói”, “2046”), envereda muitas vezes pelos tons acinzentados, acompanhando fidedignamente os sentimentos ilustrados pelos intervenientes. Não é um dos melhores trabalhos de Doyle, diga-se de passagem.

A interpretação dos actores constituirá eventualmente o melhor que o filme tem. Tadanobu Asano presenteia-nos com uma actuação competente e convincente. Kang Hye-jeong, embora a milhas do que nos mostrou em “Oldboy” (convenhamos que é extremamente complicado igualar tal registo), demonstra que merece um lugar de nomeada no panorama do cinema asiático. Os restantes intérpretes estão, em geral, num nível aceitável. Destaco aqui Ken Mitsuishi no papel de “Lizard”.

O pior é sem dúvida a extrema monotonia pela qual o filme envereda, que por vezes nos faz bocejar, e se estivermos um pouco cansados, porque não dizer adormecer. Existem alturas desta longa-metragem, em que o encadeamento é claramente um excelente remédio para quem sofre de insónias.

Uma proposta mediana que não entusiasma, mas que possivelmente elevará a cultura cinematográfica de cada um...

"A morte iminente"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cine-asia, C7nema

Avaliação:

Entretenimento - 6

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 6

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7





3 comentários:

Takeo Maruyama disse...

Jorge, se não engano, além de Eric Tsang, Maria Cordero também é de Hong Kong (apesar do nome nos levar a deduzir que ela seja natural de Macau). O que eu sei é que ela é uma cantora bem conhecida em Hong Kong e eventualmente aparece em filmes, sempre em pequenos papéis.

Um abraço

Shinobi disse...

Olá Takeo!

A informação que eu tenho é que ela nasceu em Macau, em 1954.

De qualquer forma, a minha intenção era apenas falar dos mais conhecidos, por isso referi só Eric Tsang em relação a Hong Kong, assim como apenas falei de Tadanobu Asano no que toca ao Japão. No entanto, no filme entram mais actores japoneses, como Ken Mitsuishi, etc.

Muito obrigado pela chamada de atenção Takeo!

Um abraço

Martin disse...

Eu amo filmes da Ásia, é um tipo diferente de filme do que estamos acostumados a ver. Sábado foi meu aniversário e eu tinha jantar em hideki. Meu melhor amigo me deu um DVD com filmes na Ásia e adorei.