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sábado, agosto 26, 2006

Il Mare/Siworae (2000)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 96 minutos

Realizador: Lee Hyung-seung

Com: Jun Ji-hyun, Lee Jung-jae, Kim Mu-saeng, Jo Seung-yeon, Min Yun-jae

"O casal e a misteriosa caixa de correio"

Estória

O início do filme ocorre no fim do ano de 1999, quando a jovem "Eun-joo" (Jun Ji-hyun) abandona a casa onde vivia que detém o nome italiano "Il Mare" (o mar). "Eun" deixa um cartão de Natal na caixa de correio a solicitar ao próximo habitante da moradia que lhe envie a correspondência para a sua nova morada no centro da cidade.

Entretanto, exactamente dois anos antes, em 1997, "Sung-hyun" (Lee Jung-jae), um arquitecto e o primeiro proprietário de "Il Mare", recebe o cartão de Natal de "Eun". Pensando que se trata de uma piada de mau gosto, "Sung" escreve de volta a pedir para não brincarem com a sua caixa de correio, deixando bem claro que o ano que decorre é 1997 e não 1999.

Após mais uma troca de cartas, o casal chega à conclusão que está separado no tempo por dois anos e que a caixa de correio tem propriedades mágicas que permite a correspondência neste hiato temporal.

"A casa conhecida como Il Mare"

A troca de correspondência continua e "Eun" e "Sung" vão aos poucos criando uma certa confiança e intimidade um com o outro, desabafando sobre os seus problemas e tristezas, que se reconduzem em última instância ao seu sentimento da solidão.

"Eun" sente-se devastada pelo abandono do namorado que partiu para os Estados Unidos da América, encetando um relacionamento com outra mulher.

"Sung", por seu lado, vive em angústia pela relação inexistente com o seu pai que o abandonou quando tinha apenas sete anos.

Aos poucos ambos vão resolvendo pequenos problemas do passado e do futuro, consoante a perspectiva um do outro. "Sung" consegue recuperar um "walkman" que "Eun" tinha perdido numa estação de comboios. "Eon" envia uma biografia publicada sobre o pai de "Sung".

A relação adquire uma tal intensidade que ambos concordam em encontrar-se numa determinada data. Tal significará uma espera de uma semana para a rapariga, e de dois anos e uma semana para o rapaz.

Porém no dia marcado "Sung" não aparece, e "Eun" começa a questionar-se acerca do porquê de tal ter sucedido...

"Sung-hyun"

"Review"

"Il Mare" constitui uma película muito introspectiva e que nos põe a pensar imenso, tudo devido ao hiato temporal que separa o casal de correspondentes. Esta premissa ainda assume mais acuidade, quando no filme nunca é explicada a razão de a caixa de correio permitir a troca de correspondência num espaço temporal de dois anos. Quanto a mim já decidi não me por a conjecturar mais sobre este aspecto, atendendo a que acaba por revelar-se num pormenor de certa forma secundário, embora importante, quando confrontado com o desenvolvimento emocional da relação entre "Eun" e "Sung" e as peripécias com que a mesma se depara, ainda por cima tendo um adversário praticamente invencível: o tempo!!!

O que faz de "Il Mare" um filme quase único é a fabulosa estória de amor suportada por um maravilhoso argumento (já disse que não quero saber da caixa de correio!). Sem exagerar no melodrama, o realizador Lee Hyung-seung transmite-nos todos os sentimentos e anseios das personagens e especialmente a extrema solidão que se encontra imbuída em quase todos os aspectos da película. Solidão essa que se pretende ver quebrada com a reunião de "Eun" e "Sung", e que faz com que o espectador enverede por uma tal ansiedade nas situações em que tal está prestes a acontecer, e depois lamentavelmente já não se sucede. Solidão essa, insisto, que "Sung" sente mais particularmente, pois por vezes depara-se com "Eon" e ela não o reconhece, devido ao nefasto tempo que medeia e cruelmente separa as suas vidas.

"Eun-joo"

Outro dos fortes da realização do filme e com uma importância quase tão grande como o casal protagonista é sem dúvida o mar. As diferentes perspectivas com que o realizador nos presenteia sobre aquele, aliada à conjugação dos elementos atmosféricos, dão azo a uma das melhores fotografias que jamais visionei. O mar é sempre o fiel companheiro dos actores e adensa ainda mais a tragédia que assola as suas vidas.

"Il Mare" é uma linda e sentida estória de amor que joga com elementos próximos da ficção científica, tornando-o ao mesmo tempo um filme com uma extensa originalidade.

O cinema norte-americano com a sua crise de ideias, fez um "remake" que presentemente se encontra em exibição nas salas de cinema portuguesas, intitulado "The Lake House" (em Portugal assumiu o nome de "A Casa da Lagoa"). Embora não tenha significado nenhum do ponto de vista prático, gostaria de deixar aqui o mais veemente protesto contra esta já irritante mania de "Hollywood" andar a realizar versões de cinema asiático, sendo o cinema coreano um alvo particularmente apetecível. Quando descobri que querem "remakerizar" "My Sassy Girl", quase que dava-me uma síncope! Recuso-me a visionar estas "cópias", pois tenho 99% de certeza que a magia, a boa representação, o inebriante jogo das paisagens e demais aspectos distintivos/belos dos dramas sul-coreanos irão simplesmente pela "sanita abaixo". Perdoem-me a dureza da expressão, mas é o que sinto! Em suma:

"STOP AMERICAN REMAKES OF ASIAN MOVIES!!!"

Passado este aparte e descargo de consciência, só me resta dizer-vos que "Il Mare" é uma película que quando visionada, dificilmente será esquecida!

"Eun-joo contempla o mar"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português/espanhol:

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 10

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,38


























12 comentários:

Thatiando com as palavras ... disse...

Olá meu nome é Thatiane moro no Brasil. Para mim os filmes são baseados na vida e esse baseado no Il Mare -mas assiti infelizmente só A casa do Lago -me falou que devemos aprender a esperar.

Gostei muito de te encontrad seu blog, já que queria ter mais informações no filme que baseou a história que amei : A casa do lago.

Isso que vc falou é verdade sobre os filmes feitos nos Estados Unidos perderem a magia e o mercado de lá está muito sem cratividade para criar suas próprias histórias. Vou ver se encontro por aqui o Il Mare.
Mas gostei de assitir A casa do Lago.Fui ao cinema duas vezes vê-lo.

Abraços !!!!

thatiane.jornal@yahoo.com.br

Shinobi disse...

Olá Thatiane. Ainda bem que o meu blog pode-lhe ser útil para descobrir mais informações acerca de "Il Mare", o filme que serviu de base "A casa da lagoa" (Portugal)/"A casa do lago" (Brasil. "Il Mare" é sem dúvida um filme muito bonito, e que aconselho bastante o seu visionamento. Quanto a "A casa do lago", reconheço que posso ter sido duro na crítica a este filme, mas procurarei seguir o seu conselho, engolirei o orgulho e verei o filme.
Obrigado pelos elogios ao "blog" e apareça sempre!!!
Abraços

Pandora disse...

Oi, Shinobi (Por sinal assiti Shinobi e gostei muito!)
Meu comentário ia ser muito parecido com o da Thatiane... Então não vou repetir. No final, vc conseguiu assitir a Casa no Lago? Eu simplesmente adorei esse filme e sempre que vejo um filme e descubro que ele é um remake sempre assisto o original. Por que normalmente o original é melhor. Pelo menos na maioria das vezes. No caso de Il Mare, temos uma feliz exceção. Não que Il Mare não seja bom. Não, ele é ótimo. Um delicia de filme, sereno, belo e triste. Mas não sei... Acho, por incrivel que isso possa parecer, que o filme hollywoodiano foi direto no assunto solidão. E achei o final mais lógico (de acordo com a história original, refiro-me ao enredo!) do que Il Mare. Por que se ele foi encontra-la antes deles começarem a trocar cartas, ele não tem história nenhuma para contar a ela. Os paradoxos de se mexer com o Tempo, hehehehehe.... Gostaria de saber sua opinião sobre The Lake House...
Ah, adorei seu blog. É muito bom e descobri uns filmes bem legais.
Abraço
Pandora

Shinobi disse...

Cara Pandora,
Infelizmente ainda não tive a oportunidade para ver a "Casa do Lago", embora já me tenham emprestado o filme. Neste momento está ali na prateleira numa fila grande de dvds que ainda tenho para ver. Oportunamente dar-lhe-ei a conhecer a minha opinião, embora alertando que não será alvo de crítica aqui no "blog", atendendo a que o mesmo versa sobre cinema asiático.
Acredito que "Il Mare" seja um filme paradoxal, e o exemplo que você deu é muito ilustrativo. De facto é complicado fazer um filme, em que o tempo é um elemento tão determinante.No entanto não me preocupei exaustivamente acerca deste aspecto, pois acredito que se vamos ser tão preciosistas na análise dos filmes, acabamos por alhearmo-nos completamente da magia que eles tentam transmitir. De qualquer forma, acredito que "Il Mare" tem que ser visto numa perspectiva diferente do que a da maior parte dos filmes. Aliás, já conhece a minha opinião acerca do filme, assim como se reparar ele está no Top 10 do "blog".
Fiquei contente que este espaço tenha servido para descobrir alguns filmes que lhe agradassem. Se algum dia precisar de uma opinião acerca de um filme asiático que não esteja aqui, esteja à vontade para enviar um mail

Abraços

Pandora disse...

Olá, Shinobi!
Desculpe se não me fiz entender. Em momento algum pretendi criticar de maneira ruim Il Mare. Pelo contrário. Só acho que, até para uma alucinada por ficção científica como eu, que sempre passa por cima desses pequenos detalhes, esse do encontro no final, antes deles começarem a se corresponder foi bem forte. Sim, paradoxo! Como sempre há paradoxos em todas as histórias em que há uma "máquina do tempo" (ou caixa dos correios!). Portanto quando vc assistir o remake (se vier a assistir) vai entender o que eu estou falando. A sempre uma lógica que permeia tudo, até mesmo filmes ilógicos, hehehehehehehehehehehehehehehe. MAs note bem: em momento algun eu disse que esse pormenor prejudica o filme, só acho que ele poderia ter um final alternativo que não comprometeria a história como todo. Que por sinal... Não é para qualquer um apreciar. Só quem tem um inclinação por filmes de maneira geral vai se render a Il Mare ou a qualquer outro filme que não seja norte-americano. Digo isso por que já presenciei muitos de meus amigos abrirem mão de ver um filme só por que ele era diferente. Mal que eu definitivamente não corro, hehe. Essa xenofobia é um porre. Mas enfim. Fico aguardando sua opinião sobre The Lake House...
Abraço

Battosai disse...

La vi ayer y está muy bien, aunque no me gustó el final. Me parece increíble que Jun Ji-hyun tuviera sólo 18 años cuando hizo esta película O_O

Shinobi disse...

Olá Battosai!

Eu gostei bastante do filme, embora reconheça que o final podia ser um pouco mais trabalhado.
A Jun Ji-hyun está um perfeito encanto nesta película. 18 anos com muita saúde :))) !

Abraço!

Battosai disse...

Fíjate qué curioso. Anteayer, como dije aquí en el comentario, vi esta película y me gustó mucho. Pues bien, ayer vi Ditto, es también coreana y también del año 2000, bastante parecida... ¡y me gustó más aún! Si no la has visto, te la recomiendo. Y la casualidad es que no sabía de qué iba ninguna de las dos y cuando he visto que eran tan parecidas casi no me lo creía xD.

Takeshi disse...

Foi o testemunho de Luis Peres que me trouxe aqui. E após ler seu comentário sobre "Il Mare", não me resta dúvida que vou atrás desse filme já!

Aliás, nem sabia desse filme americano. hahaha.

Jorge Soares Aka Shinobi disse...

Olá, Takeshi!

Vale bem a pena ver "Il Mare" na minha opinião!

No caso do "remake", acho que nem vale a pena falar dele, eh, eh, eh!

Abraço!

Takeshi disse...

Achei que estivessem exagerando acerca de "Il Mare", mas nunca é tarde para conhecer uma obra que já tem perto de 10 anos! Seria um pecado se eu não corresse atrás dessa obra-prima. E conforme o Luis Peres disse, o trailer não condiz com o conteúdo bonito desse maravilhoso filme.

Alguns críticos continuam a dizer que Hollywood faz melhor e tal, defendem remakes. Nunca admitem o preconceito a produções asiáticas.

Jorge Soares Aka Shinobi disse...

Fico contente que tenhas gostado de "Il Mare".
Efectivamente é uma obra com um valor muito grande!

Abraço, Takeshi!