"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Caminho Solitário/Riding Alone For Thousands of Miles/Qian li zou dan qi - 千里走单骑 (2005)

Origem: China

Duração: 104 minutos

Realizador: Zhang Yimou

Com: Ken Takakura, Shinobu Terajima, Kiichi Nakai, Jiamin Li, Lin Qiu, Jiang Wen, Zhezhou He, Zhenbo Yang, Ken Nakamoto, Li Bin Li, Ziliang Chen

"O Sr. Takata"

Estória

O pescador japonês “Gouichi Takata” (Ken Takakura) está de relações cortadas com o filho “Kenichi” (Kiichi Nakai) desde a morte da mãe deste. Certo dia, “Rie”, a esposa de “Kenichi”, contacta “Takata”, informando-o que o filho possui um cancro no fígado, que o levará inevitavelmente à morte.

"Takata entre Jasmine e Lingo, os guias chineses"

“Takata” viaja até Tóquio tendo em vista a reconciliação com o seu filho, mas este recusa ver o pai, devido ao conflito que existe entre ambos. “Rie” empresta uma cassete vídeo a “Takata”, que contém um documentário que “Kenichi” realizou acerca da ópera chinesa. No filme podemos ver “Kenichi” a pedir ao cantor “Li Jiamin” (Li Jiamin) para representar a ópera “Riding Alone For Thousands of Miles”. “Li” recusa devido a estar alcoolizado, mas fica a promessa de no próximo ano, quando “Kenichi” retornar à aldeia de “Li”, perto da cidade de Lijiang (China), a actuação ser realizada. Após ver a cassete, “Takata” decide viajar pelo sul da China e gravar a actuação de “Li”, tendo em vista cumprir uma das últimas vontades de “Kenichi”.

A viagem servirá para compreender melhor a perspectiva do filho sobre a vida, resultando numa aventura impregnada de humanidade.

"O pequeno Yang Yang"

"Review"

“Riding Alone For Thousands of Miles”, é uma popular estória chinesa que narra a épica aventura do general Guan Yu, que percorreu um longo caminho para se reunir com o amigo a quem tratava como irmão, o senhor da guerra Liu Bei. O conto está retratado na obra literária do século XIV, “Romance of the Three Kingdons”, de Luo Guanzhong. O título tenta traçar um certo paralelo entre a lenda e a tentativa de “Takata” em completar os desígnios do seu filho, aumentando desta forma as suas hipóteses de reconciliação com aquele.

Pessoalmente entendo que as longas-metragens que lidam com conflitos familiares, têm uma potencialidade intrínseca para tocar os nossos corações. Quando se trata de um pai e de um filho, a comoção torna-se maior, não sei porquê. Talvez por achar que tenho uma excelente relação com os meus pais, com os naturais altos e baixos, e não conseguir imaginar viver uma situação como a de “Takata” e do seu filho “Kenichi”. Sou capaz de superar, como já o fiz, um desaguisado amoroso. Mas quando entro em conflito com quem me deu vida, mesmo tendo razão, não presto para mais nada e passo o tempo todo a pensar nisso. Foi por essa mesma razão que quando li pela primeira vez a sinopse de “O Caminho Solitário”, fiquei com a nítida sensação que a película não me iria ser indiferente. Tendo então Zhang Yimou como realizador, este pensamento era quase uma certeza. Não me enganei.

A “performance” dos actores é de um elevadíssimo nível, ainda para mais quando temos várias personagens que não são representadas por profissionais, mas por aldeões da zona de Lijiang. Como é natural, quem brilha mais é Ken Takakura, o protagonista da estória. Em vez de proferir a minha opinião, porque não expor o pensamento de alguém com verdadeira autoridade no assunto:

“Ken Takakura é o meu ídolo. Ele é o ídolo de uma geração inteira de chineses. Mesmo hoje ele permanece como o meu ídolo, tanto no ecrã, como na vida real. Eu adoro a sua personalidade. Uma vez eu disse que uma boa performance com lágrimas era um requisito básico para os actores. Contudo, Ken Takakura nunca chora nos filmes que protagoniza. Mais tarde apercebi-me que as suas actuações demonstravam um diferente tipo de choro, o do coração. O sofrimento é uma espécie de choro, mas o choro invisível do coração é mais apelativo e tocante. Eu gosto da sua performance discreta e reservada. É necessário emoções e sentimentos fortes para representar desta forma, mas ao mesmo tempo é preciso controlar essas mesmas emoções e sentimentos. Até agora, nunca encontrei ninguém na China que fosse capaz de fazer isto.”

Dito pelo próprio Zhang Yimou. A opinião emitida acerca do lendário actor japonês foi brilhantemente declamada numa entrevista ao “China Daily”, na estreia mundial de “O Caminho Solitário” em Lijiang, cidade que fica próxima da aldeia onde decorre grande parte do filme.

"Ópera chinesa"

“O Caminho Solitário” prima pelo realismo incutido nas premissas por onde navega. Podemos sentir perfeitamente o silencioso sofrimento de um pai que só se apercebe realmente do quanto o filho significa para ele, quando se apercebe que vai perde-lo para sempre. Ken Takakura é o actor ideal para transmitir o tal “choro invisível, apelativo e tocante”, tão elevado por Yimou. A sua aparência dura e fria dá mais significado às fragilidades evidenciadas quando as coisas não lhe correm tão bem na busca pela actuação do cantor “Li Jiamin”. Percebe-se perfeitamente o porquê de muitos afirmarem que o papel de “Takata” foi escrito com o pensamento em Ken Takakura. O toque final é dado pelas interpretações dos já mencionados nativos chineses, fazendo com que sintamos que não estão a representar. Verdadeiramente estão a ser eles próprios, ou seja, autênticos.

A ideia de redenção está presente, quando no meio dos altos e baixos da demanda de “Takata”, surge o relacionamento com o pequeno “Yang Yang”, o filho do cantor “Li Jiamin”, que este nunca conheceu. “Takata” contribui, na sua singela maneira, para uma aproximação de ambos. No fundo funciona como um elo, não completamente desinteressado, que tenta evitar um afastamento semelhante ao que assombra a sua vida. A apresentação das fotografias de “Yang Yang” ao pai, é um momento de superior comoção e de grande cinema.

Um dos aspectos mais fascinantes do filme passa pelo confronto cultural, no bom sentido. “Takata” é um japonês que se encontra imerso numa China rural, onde não entende a língua dos habitantes, possuindo um pseudo-tradutor que não ajuda muito neste particular. Provém de um país democrático, com uma vertente bastante ocidental, que se confronta com os aspectos particulares de uma república “musculada”, entre os quais a burocracia e o controle. Apesar das naturais dificuldades, a interpenetração cultural funciona muito bem, e a amizade e respeito nasce entre os representantes de ambos os povos, unidos por problemas que superiorizam qualquer língua ou postura social.

“O Caminho Solitário” é ideal para quem prefere a faceta de Yimou relacionada com os dramas existencialistas, na linha de outros filmes do realizador tais como “Nenhum a Menos” ou “O Caminho Para Casa” (para falar dos mais recentes). Para aqueles que preferem a fase de Yimou relacionada com a sua trilogia de “Wuxia” (“Herói”, O Segredo dos Punhais Voadores” e “A Maldição da Flor Dourada”), o filme que presentemente se analisa não dirá assim tanto. Para mim e para outros leitores deste blogue, que apreciamos ambas as vertentes do realizador, “O Caminho Solitário” constituirá mais um argumento para elegermos Yimou como um dos melhores realizadores de sempre.

Sob o signo da ternura e amor parental, Zhang Yimou presenteia-nos com mais um tratado verdadeiramente humanista em toda a acepção da palavra. Pelo exposto, apenas só tenho de recomendar vivamente “O Caminho Solitário”. Principalmente a pais e filhos que têm uma tendência para a incompreensão mútua…

"Takata digere a mágoa, observando um céu inesquecível"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinematoca, Blog Downz

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 9

Argumento - 9

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 9

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,25







terça-feira, janeiro 29, 2008

Cavaleiros do Zodíaco (intro japonesa)

Meus amigos, eu cresci a ver isto!!! Parece que me estou a ver a faltar às aulas, só para ir ver "Saint Seya" (Cavaleiro do Pégaso) e amigos a largar um enxerto de porrada nos vilões todos. Muito provavelmente foram os meus desenhos animados preferidos de sempre. Hoje em dia, ainda existem momentos que gostaria de ser como o "Cavaleiro da Fénix" (o meu preferido). Desaparecer por completo, e posteriormente renascer das cinzas...ai nostalgia!!!

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Realizador Asiático Preferido - Votação

Apresento-vos mais um realizador asiático que está sujeito ao vosso escrutínio, no quadro de votações mais abaixo à direita. Não custa relembrar que podem escolher mais do que uma opção, antes de clicarem e submeterem o(s) vosso(s) voto(s). Igualmente podem sugerir outros nomes para serem postos a votação.
Chang Cheh
Filmografia (caso exista alguma crítica, o título estará assinalado a cor vermelha. Para aceder ao texto basta clicar):
1. Storm Cloud Over Alishan (1949)
2. Wild Fire (1957)
3. The Butterfly Chalice (1965)
4. Tiger Boy (1966)
5. The Magnificent Trio (1966)
6. Trail of the Broken Sword (1967)
7. The One-Armed Swordsman (1967)
8. The Assassin (1967)
9. The Golden Swallow (1968)
10. The Singing Thief (1969)
11. Return of the One-Armed Swordsman (1969)
12. Flying Dagger (1969)
13. The Invincible Fist (1969)
14. Dead End (1969)
15. Have Sword Will Travel (1969)
16. The Wandering Swordsman (1970)
17. Vengeance (1970)
18. The Heroic Ones (1970)
19. King Eagle (1971)
20. The New One-Armed Swordsman (1971)
21. The Duel (1971)
22. The Anonymous Heroes (1971)
23. Duel of Fists (1971)
24. The Deadly Duo (1971)
25. The Boxer from Shantung (1972)
26. The Angry Guest (1972)
27. The Water Margin (1972)
28. Trilogy of Swordsmanship (1972)
29. Young People (1972)
30. Delightful Forest (1972)
31. Man of Iron (1972)
32. Four Riders (1972)
33. The Delinquent (1973)
34. Blood Brothers (1973)
35. The Generation Gap (1973)
36. The Pirate (1973)
37. Heroes Two (1974)
38. The Savage Five (1974)
39. Men from the Monastery (1974)
40. Friends (1974)
41. Shaolin Martial Arts (1974)
42. Na Cha, the Great (1974)
43. Five Shaolin Masters (1974)
44. All Men Are Brothers (1975)
45. Disciples of Shaolin (1975)
46. The Fantastic Magic Baby (1975)
47. Marco Polo (1975)
48. The Boxer Rebellion (1976)
49. New Shaolin Boxers (1976)
50. The Shaolin Temple (1976)
51. The Naval Commandos (1977)
52. The Brave Archer (1977)
53. The Chinatown Kid (1977)
54. The Brave Archer, Part Two (1978)
55. The Five Venoms (1978)
56. The Daredevils (1979)
57. The Magnificent Ruffians (1979)
58. The Kid With the Golden Arm (1979)
59. Heaven and Hell (1980)
60. Two Champions of Shaolin (1980)
61. The Sword Stained With Royal Blood (1981)
62. Masked Avengers (1981)
63. House of Traps (1982)
64. The Brave Archer and His Mate (1982)
65. Five Element Ninjas (1982)
66. The Brave Archer, Part III (1982)
67. The Weird Man (1983)
68. The Ghost (1983)
69. Shanghai 13 (1984)
70. Great Shanghai 1937 (1986)
71. Cross the River (1988)
72. Slaughter in Xi'an (1990)
73. The Magic Kid (1993)

terça-feira, janeiro 22, 2008

Gojoe/Gojo reisenki: Gojoe (2000)

Origem: Japão

Duração: 101 minutos

Realizador: Sogo Ishii

Com: Tadanobu Asano, Daisuke Ryu, Masatoshi Nagase, Masakatsu Funaki, Jun Kunimura, Urara Awata, Wui Sin Chong, Takato Hosoyamada, Ryo Kase, Naruki Matsukawa

"O monge Musashimo Benkei"

Estória

Japão, século XII, era Heian. Após uma longa guerra pelo poder, o clã Heike consegue derrotar os rivais Genji, mas os seus problemas não findaram. Numa ponte perto de Quioto, conhecida como Gojoe, vários soldados dos Heike são mortos continuamente por uma força que é tida como sobrenatural.

“Mushashimo Benkei” (Daisuke Ryu), anteriormente um temível guerreiro e agora um monge budista, tem uma visão que o incumbe de pôr termo a um demónio que representa um grande perigo para a paz no Japão. Ouvindo falar dos acontecimentos que se passam em Gojoe, decide que o mal a combater se encontra naquele local.

"Benkei depara-se com o principe Shanao na floresta"

Chegado a Gojoe, “Benkei” faz amizade com “Tetsukichi” (Masatoshi Nagase), um antigo armeiro que desistiu da profissão, preferindo agora recolher as armas dos guerreiros caídos em batalha. Posteriormente, o duo acaba por descobrir que o demónio de Gojoe é afinal humano, tratando-se do principe “Shanao” (Tadanobu Asano), o herdeiro do clã derrotado dos Genji e um fabuloso espadachim.

“Benkei” desafia “Shanao” para um confronto até à morte na ponte de Gojoe.


"Benkei luta com Shanao"

"Review"

Os mais atentos ao conteúdo deste espaço sabem muito bem que gosto bastante de um “chambara”. O mesmo poderia dizer por exemplo do “wuxia”. Isto não quer dizer que não existam outros tipos de filmes asiáticos que toquem o meu ser, e me façam sonhar. E o cinema oriental, graças a Deus é tão vasto e criativo, que nos possibilita um sem número de escolhas, muitas delas com sobeja qualidade. Contudo, no que toca à minha pessoa, não há nada que me anime mais (cinematograficamente falando) que um “swordplay” de elevado gabarito técnico e emocional.

“Gojoe” é baseado numa popular lenda japonesa, com algum fundamento histórico, no sentido de as personagens que a compõem terem realmente existido. A parte mitológica resume-se mais ou menos a isto: O brilhante general “Yoshitsune Minamoto” e o intrépido monge “Benkei” encontram-se para combater na ponte de “Gojoe”, à saída de Quioto. “Benkei” é derrotado, e impressionado com a superior técnica do seu jovem oponente, decide tornar-se seu discípulo e segui-lo fielmente. Impregnado de simbolismo, a estória visa elevar a coragem do jovem herói “Yoshitsune” que supera o seu mais forte adversário, ao mesmo tempo que ganha a sua estima e devoção.

“Gojoe” apesar de se ter baseado na lenda muito sumariamente supra exposta, reinventa completamente a estória, conforme podem se aperceber na sinopse. “Shanao” é uma eficaz máquina de matar (“Yoshitsune” foi o nome que posteriormente o principe “Shanao” adoptaria), que pensa apenas em obter vingança pela derrota do seu clã, sendo “Benkei” o único que o pode parar. Não avanço mais, sob pena de desvendar partes importantes do enredo, mas sempre se poderá afirmar que nenhum tipo de amizade os adversários irão nutrir um pelo outro, nem tão pouco “Benkei” irá se tornar discípulo de “Shanao”.

"O sangue jorra numa noite de lua cheia"

Embora se possa identificar a crueza, crueldade e algum “gore” nos combates desfilados no filme, aspectos tão característicos do género, sempre se poderá dizer que as lutas são um tanto ou quanto confusas e mesmo caóticas, o que muito ajuda os movimentos psicadélicos da câmara de Ishii. Não estamos perante o típico focar estático dos oponentes, em que através de momentos súbitos dos combatentes, tudo acaba em segundos. A banda-sonora pouco convencional, feita de ritmos “techno” e com alguns “riffs” de guitarra, em muito ajuda a aura hipnótica posta no digladiar. Embora seja de reconhecer algum mérito, e até anuir perante um ou outro momento excitante, tenho de confessar que este tipo de técnica não colheu muito o meu agrado.

A interpretação dos actores é demente, porque as personagens são dementes. Ishii quer fazer um “chambara” pouco convencional, logo os actores terão invariavelmente que se comportar como uma cambada de loucos. “Shanao” parece um demónio num corpo de um homem, que chega ao cúmulo de votar ódio ao budismo e acreditar em duas únicas divindades: o poder e a vingança; “Benkei”, pelo contrário, deixa para trás uma vida de crime e morte, para se tornar num homem santo. No entanto, vê-se forçado a conjurar o que de pior existe em si para pôr cobro à maldade de “Shanao”. O melhor que “Gojoe” possui são as boas interpretações do seu “cast”, composto por nomes sonantes do cinema japonês, tais como Tadanobu Asano, Daisuke Ryu ou Masatoshi Nagase.

“Gojoe” é sem dúvida um “chambara”, embora com características pouco convencionais e demasiado experimentalista. Isto faz com que a película não seja muito do meu agrado. Não sou obrigado a gostar de tudo o que represente inovação, essa é que é a verdade. Aviso, porém, que esta opinião menos favorável do filme é minoritária perante a crítica especializada, da qual eu não faço parte. Sou apenas um fã de cinema asiático, que gosta de partilhar um par de ideias com todos vós, sem excepção.

Por isso pesquisem, leiam os textos que empolam “Gojoe” como um dos produtos mais excitantes do cinema japonês pós-ano 2000, vejam o filme e critiquem-me à força toda posteriormente por ter "vistas curtas". Quanto a mim, prefiro deparar-me a título meramente exemplificativo, com um suave Yôji Yamada ou um épico Kurosawa. Estas modernices é que não…


"Benkei e Shanao preparam-se para o combate final"

Trailer, The Internet Movie database (IMDb) link

Esta crítica encontra-se igualmente disponível "on line" em ClubOtaku

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 7

Banda-sonora - 6

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 7






segunda-feira, janeiro 21, 2008

Crouching Tiger Hidden Dragon - Farewell

Eu sei que é um danado de um spoiler...mas não resisti, perdoem-me! Sem dúvida, uma das cenas mais belas da história do cinema asiático, digam o que disserem!

domingo, janeiro 20, 2008

Realizador Asiático Preferido - Votação

Apresento-vos mais um realizador asiático que está sujeito ao vosso escrutínio, no quadro de votações mais abaixo à direita. Não custa relembrar que podem escolher mais do que uma opção, antes de clicarem e submeterem o(s) vosso(s) voto(s). Igualmente podem sugerir outros nomes para serem postos a votação.
Nota: Felizmente já recebemos muitas e boas indicações de realizadores asiáticos que não constavam na lista, e que após análise, foram inseridos no quadro de votações. No entanto, têm sido sugeridos nomes de actores, que nunca realizaram um filme que fosse.O único actor que foi sugerido e aceite foi Jô Odagiri, realizador e escritor de "Looking for Cherry Blossons". Relembra-se que esta votação é para eleger o vosso realizador asiático preferido. Quanto aos actores e actrizes, a eleição já decorreu, pelo que se solicita algum cuidado antes de proporem nomes a votação.
Andrew Lau

Informação

Filmografia (caso exista alguma crítica no "My Asian Movies", o título do filme estará a cor vermelha. Para aceder ao texto, basta clicar):

1. Against All (1990)
2. Ultimate Vampire (1991)
3. Rhythm of Destiny (1992)

4. Raped by an Angel (1993)
5. All New Human Skin Lanterns (1993)
6. Modern Romance (1994)
7. To Live and Die in Tsimshatsui (1994)
8. Lover of the Last Empress (1995)
9. The Mean Street Story (1995)
10. Young and Dangerous, Part I (1996)
11. Best of the Best (1996)
12. Young and Dangerous 2 (1996)
13. Young and Dangerous 3 (1996)
14. Young and Dangerous 4 (1997)
15. The Storm Riders (1998)
16. Young and Dangerous 5 (1998)
17. Young & Dangerous: The Prequel (1998)
18. The Legend of Speed (1999)
19. A Man Called Hero (1999)
20. Born to Be King (2000)
21. Sausalito (2000)
22. The Duel (2000)
23. Dance of a Dream (2001)
24. God of Fist Style aka. Legend of Tekken (2001)
25. Bullets of Love (2001)
26. Infernal Affairs (2002) - conjuntamente com Alan Mak
27. Women from Mars (2002)
28. The Wesley's Mysterious File (2002)
29. Infernal Affairs II (2003) - conjuntamente com Alan Mak
30. The Park (2003)
31. Suicide Note On Dot Social (2003)
32. Infernal Affairs III (2003) - conjuntamente com Alan Mak
33. Hak yau nyn long (2003)
34. Initial D (2005) - conjuntamente com Alan Mak
35. Confession of Pain (2006) - conjuntamente com Alan Mak
36. Daisy (2006)
37. The Flock (2007)


Love Au Zen/Ai qing guan zi zai (2000)

Origem: Hong Kong

Duração: 96 minutos

Realizador: Derek Chiu

Com: Poon Chan Leung, Flora Chan, Andrew Lin, Annie Wu, Ko Hon Man

"Ah Sau e Ah Cheng"

Estória

“Ah Cheng” (Andrew Lin) e “Mila” estão prestes a se casar, embora a sua relação seja vista como materialista e um tanto ou quanto ínsipida. Pouco antes do enlace, o padrinho “Ah Sau” termina a sua relação de cinco anos com a madrinha “Jing” (Flora Chan), e decide retirar-se para um mosteiro budista situado em Lantao.

No dia do casamento, “Ah Sau” aparece com uma indumentária de monge budista que a todos surpreende, inclusive “Jing”. O pior sucede quando na hora de dizer “sim”, “Ah Cheng”, o noivo, assume uma postura extremamente exitante o que irrita de sobremaneira “Mila”, ao ponto de a mesma cancelar o casamento.

"Mila e Jing"


“Ah Cheng” decide acompanhar “Ah Sau” para o mosteiro, de forma a encontrar um novo sentido para a sua vida. Tempos depois, chegam ao santuário “Mila” e “Jing”, que igualmente querem conhecer a maneira de viver budista, tendo em vista encontrar respostas para os seus infortúnios. Os casais, sob a orientação do mestre “Chi Yuan” (Ko Hon Man), tentam nortear a sua vivência, aplicando os princípios básicos do budismo.

"Ah Sau em meditação, observado pelo mestre Chi Yuan"

"Review"

Baseado no livro de Raymond To, autor que igualmente escreveu o argumento para o filme, “Love Au Zen” teve a dignidade de subir primeiro aos palcos teatrais de Hong Kong, antes de passar para o formato filme. A peça foi um relativo sucesso e os actores Poon Chan Leung e Kon Hon Man viriam a repetir os seus papéis no grande ecrã.

A base onde “Love Au Zen” se sustenta é precisamente os diálogos escritos por Raymond To, que exploram imenso os cânones budistas e a sua aplicação à vida de todos os homens e mulheres. Ora isto levantará uma certa dificuldade àqueles que não conhecem minimamente os caminhos pelos quais esta religião (ou modo de vida, segundo outros) pugna. O desafio será ainda maior, quando se tenta perceber qual a lógica dos ensinamentos e a sua interpenetração com os relacionamentos dos casais desavindos da película. Pelo que aqueles que tiverem oportunidade de visionar esta longa-metragem terão provavelmente que, à semelhança do que eu fiz, rever a película, de forma a ficar com uma percepção mais correcta das mensagens que se pretendem transmitir.

Passível de ser catalogado como um drama, não será daqueles filmes cuja representação seja orientada para puxar uma lágrima ao olho, e consequentemente gastar quilos de lenços de papel. A veia do erudito marca mais a sua presença, devido ao conteúdo dos diálogos de que se falou acima. Os actores, embora fazendo parte da 2ª e talvez 3ª linha de Hong Kong, põem alma nas interpretações. O destaque terá forçosamente de ser atribuído ao desconhecido Ko Hon Man, no papel do monge “Chi Yuan”, e à estrela do Cantopop, Flora Chan, cuja fama advém essencialmente das séries da TV em que participou (para além da música, claro). A comédia marca a sua presença de uma forma subtil, e com as despesas quase todas a correr por conta de Annie Wu, uma vintona histérica e mimada. Ao contrário do que muitas vezes costuma suceder no que a Hong Kong diz respeito, as partes que visam nos fazer pelo menos sorrir, estão perfeitamente enquadradas no desenho global do filme, nunca redundando em produtos descartáveis.


"No telhado do mosteiro a observar uma paisagem de sonho"

Derek Chiu, um realizador que conhecia só de nome, gosta de contar uma boa estória, enveredando por momentos bastante pausados, para que possamos apreender o máximo de informação. Ainda bem que assim o é, pois a subtileza dos já mencionados diálogos assim o exige. Merece uma palavra especial a espectacular fotografia de Tony Ching, tanto no que refere às paisagens idílicas que rodeiam o mosteiro, assim como da extremamente urbanizada Hong Kong.

“Love Au Zen” prima sobretudo pelo seu argumento inteligente, a riqueza dos seus diálogos e o “glamour” das suas personagens, constituindo de certa forma uma lufada de ar fresco no panorama do cinema de Hong Kong. Não é uma obra dirigida para um vasto público, o que explicará de certa forma os seus fracos resultados de bilheteira e o desconhecimento para os cinéfilos ocidentais. Contudo revela ser uma proposta interessante e inovadora, que merecerá uma espreitadela. Principalmente para aqueles que adoram diálogos significativos ou que muitas vezes pensaram entrar em reclusão, devido a um acontecimento amoroso infeliz!

"Jing descobre o significado dos cânones budistas escritos nas mãos"

Trailer (não encontrado), The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,50