"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!

terça-feira, dezembro 04, 2007

Millennium Mambo/Qianxi manbo (2001)

Origem: Taiwan

Duração: 100 minutos

Realizador: Hou Hsiao Hsien

Com: Shu Qi, Jack Gao (Kao), Tuan Chun Hao, Jun Takeuchi, Chen Yi Hsuan, Doze Niu

"Vicky"

Estória

Vicky (Shu Qi) é uma jovem e bonita rapariga de Taiwan, que sai da sua terra-natal Keelung, indo viver para a capital Taipei, tendo em vista experenciar novos ambientes. Conhece “Hao” (Tuan Chun Hao), um rapaz toxicodependente obcecado por música de dança, e ambos encetam um relacionamento que tem tudo menos de harmonioso.

“Hao” revela ser bastante possessivo e ciumento, controlando todos os movimentos de “Vicky”, afectando de sobremaneira a estabilidade emocional da jovem. Ela passa os seus dias desempregada, discutindo com o namorado, embebedando-se e tomando drogas. As noites invariavelmente desembocam nas discotecas até altas horas da madrugada.

"Hao Hao"

“Vicky” acaba por separar-se de “Hao” e arranja emprego num clube de “strip”. Aí conhece um homem de meia-idade chamado “Jack” (Jack Gao), membro de uma tríade. Um novo relacionamento nasce para “Vicky”, mas bastante distinto do que mantinha com “Hao”. “Jack” revela ser uma figura paternalista, que ajuda “Vicky” a superar as suas frustações e medos, enveredando a relação por um certo platonismo.

Certo dia, “Jack” é obrigado a dirigir-se para o Japão, devido a um problema bastante sério relacionado com o submundo. “Vicky” resolve dirigir-se para aquele país, em busca do homem que lhe deu uma nova esperança na vida.

"Jack"

"Review"

Quando li a sinopse de “Millennium Mambo”, um grande desejo em visionar o filme nasceu em mim, pois das coisas que eu adoro são estórias que versem sobre a vida de adolescentes e jovens adultos, que se deparam com problemas que os arrastam para os lados mais obscuros da vida, roçando por vezes a degradação humana. Não é à toa que, por exemplo, uma das minhas películas de eleição é “Trainspotting”, a obra-prima de Danny Boyle. Este meu gosto, aliado a um trailer chamativo e ao facto de Hou Hsiao Hsien ser um dos mais emblemáticos e inteligentes realizadores asiáticos da actualidade, fizeram o resto. Pelo exposto, não descansei enquanto não pus as minhas mãos em cima de “Millennium Mambo”. Valeu a pena tanto porfiar? Já veremos.

Se atendêssemos apenas ao currículo do filme, poderíamos afirmar que esta película já era uma aposta ganha, não fosse a mesma um nomeado para a “Palma de Ouro” de Cannes – edição de 2001, tendo mesmo vencido um prémio no certame (“Technical Grand Prize”). Outras vitórias e nomeações poder-se-ão associar a “Millennium Mambo”, o que apenas darão força à ideia da elevada qualidade do filme. Confesso que depois de ter saboreado o prato, fiquei satisfeito, mas longe de considerar que estava perante uma obra-prima que me fizesse sonhar.

O início promete e entusiasma de sobremaneira. Observar Shu Qi a desfilar em câmara lenta, num túnel embrenhado de tons azuis e ao som de uma batida a puxar para o “techno” é um dos mais belos inícios de filme que tive a oportunidade de visionar (como não há nada melhor do que ver com os próprios olhos, é favor ir AQUI). O discreto e maroto olhar da bela actriz asiática para uma câmara que acompanha fielmente os seus movimentos, o fumar descontraído, a sensação de caminhar sem destino, a narrativa de fundo encorpada numa voz nostálgica, a fotografia de sonho…estavam já prometidos mundos e fundos para este fã.

"Tentativa de sedução"

Posteriormente deparo-me com o tal típico filme de jovens que cedo começam a arruinar a vida. Através dos olhos de “Vicky”, vemos a rapariga meter-se numa cruzada urbana por Taipei, onde usa e abusa do tabaco, droga e bebidas, voando de discoteca para discoteca, ou definhando num minúsculo apartamento, acompanhada do namorado delinquente “Hao Hao”. Como já acima foi referido, uma leve redenção começa a operar-se na jovem rapariga, através da sua vivência com o homem mais maduro “Jack”. Tudo bem, agradável, a estória até convence. Simplesmente não entusiasma.

Hou Hsiao Hsien, na minha humilde opinião, preocupou-se em demasia com os aspectos mais visuais do filme, em detrimento dos ditos mais substanciais. Tanto que por vezes sentimos que estamos perante um “videoclip” musical muito bem produzido e de regalar a vista, mas algo oco por dentro. Nunca sabemos muito da estória da rapariga, e inclusive acabamos por descobrir muito mais acerca das outras personagens, principalmente acerca de “Hao”, sem dúvida a personagem mais explorada e bem retratada nesta longa-metragem. Este aspecto revelou ser um pouco frustrante para mim. Eu queria conhece-la muito melhor!

A propósito de “Millennium Mambo”, o realizador viria a proferir uma dissertação num tom poético, a meu ver, simplesmente fantástica e porventura esclarecedora das reais motivações deste filme. Sinto-me na obrigação de a transcrever:

“Looking at the youthful friends around me, i find that their cycle and rhythm of birth, age, illness and death are moving several times faster than those of my generation. This is particularly true of young girls: like flowers, they are fading almost immediately upon blooming. The process occurs in an instant. I do not remember who say this: “of so many leaves drifting everywhere in the sky above us, there is about one leaf which comes to and eternal halt at the very moment of being watches persistently by us with understanding and sympathy.” With this image in mind I hope shot a movie of the story of this youthful girl”.

Talvez isto explique de alguma forma que Hsou Hsien pretendia demonstrar mais através de imagens, do que propriamente através de palavras, deixando-nos a liberdade de preencher as lacunas dentro das nossas cabeças. O realizador lança com a afirmação supra referenciada, e aliado ao nosso visionamento da película, um diapasão e porventura o aviso para as crises da adolescência que indubitavelmente irão marcar para o resto da vida. Em casos extremos, fica o alerta para o poço sem fundo que poderemos mergulhar e eventualmente nunca sair. Porventura, seria o seu máximo intento, expor as percepções visuais acerca da juventude “young and dangerous” que pontifica na sua terra-natal, em especial das raparigas que despontam muito precocemente. E ninguém nega que neste particular, o realizador acabou, de certa forma, por ser bem sucedido. Simplesmente, entendo que existiu a grande oportunidade (e porque não dizê-lo a intenção) de explorar melhor um tema que me é bastante caro, a redenção, e tal se afigurou um tanto ou quanto letárgico. Não estou a referir-me obviamente a um qualquer anseio por um final feliz, ou coisa do género. O que pretendo acima de tudo afirmar é quem vê “Millennium Mambo”, fica com a sensação que todos caminham para algum lado, e ao mesmo tempo para lado algum, e que algo mais devia de ser explicado. “Hao Hao” luta pela namorada que sempre quis, e de repente desaparece de uma forma abrupta da estória. “Jack” revela prenúncios do seu ocaso, mas tudo acontece depressa demais. Ao mesmo tempo, ouvimos a voz de uma “Vicky” narradora, de 2010 ou 2011, a destilar nostalgia e mais nostalgia, de uma forma por vezes exasperante. Por vezes, neste manancial, não se consegue evitar um certo desnorte.

“Millennium Mambo” constitui uma agradável experiência para nós, e no global, passível de ser considerado um bom filme. Simplesmente, e aqui assumo todas as culpas devido às expectativas desmesuradas que criei, fica aquém do esperado. No entanto, sou obrigado a reconhecer um aspecto determinante. Shu Qi dá corpo a um dos melhores papéis da sua carreira, e eu era capaz de me apaixonar por aquela bela e rebelde “Vicky” todos os dias e mais alguns! Sei do que falo…

Aconselhável!

"Vicky (ao centro) e o seu séquito de jovens amigas boémias"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Rascunho, Um Cine, Marcelo Ikeda

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75







domingo, dezembro 02, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Como é costume, apresento-vos 4 nomes do cinema asiático que estão sujeitos à vossa apreciação, no quadro de votações mesmo aqui ao lado:
Rosamund Kwan

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Swordsman II, Era Uma Vez na China, Era Uma Vez na China II

Shin Ha-kyun

Informação

Não participou em nenhum filme, criticado no "My Asian Movies"

Fan Bing Bing

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": A Dinastia da Espada, Battle of Wits


Jaycee Chan

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": A Dinastia da Espada


quinta-feira, novembro 29, 2007

O Grande Mestre dos Lutadores/Drunken Master/Zui quan - 醉拳 (1978)
Origem: Hong Kong
Duração: 107 minutos
Realizador: Yuen Woo Ping
Com: Jackie Chan, Simon Yuen, Hwang Jang Lee, Hsu Hsia, Dean Shek, Chiang Ching, Fung Jing Man, Lin Chiao, Linda Lin, Li Ying, Loong Chen Tien, Shih Fu Tsan, Shih Kien, Casanova Wong, Yeung Pan Pan, Brandy Yuen, Yuen Shun Yee
"Wong Fei Hung cumpre um castigo devido às suas trapalhadas"

“Wong Fei Hung” (Jackie Chan) é um jovem irresponsável que só se mete em sarilhos, provocando desta forma bastantes cabelos brancos ao pai, e ao mesmo tempo afectando a honra da escola de artes marciais da família. Um dia “Fei Hung” pisa o risco, fazendo umas tropelias com as pessoas erradas, a saber, a tia e a prima. O pai farto das acções do filho, decide discipliná-lo de uma forma veemente, e deixa-o ao cuidado de um tio chamado “So Hai” (Simon Yuen).

“So Hai” é um velho e mítico mestre de artes marciais, especializado na técnica dos “8 deuses bêbados”. O nome do estilo que pratica encaixa bem em “So Hai”, pois o mesmo é um alcoólico inveterado, que só pensa em ingerir vinho, sendo esta bebida o suporte fundamental para o sucesso do seu kung-fu. O mestre tem uma fama tenebrosa e que passa por deixar os seus alunos permanentemente aleijados, devido à exigência dos seus treinos, aspecto que “Fei Hung” cedo sente na pele.

"O delirante So Hai"

O herói farta-se do regime a que se encontra sujeito, e foge da tutela de “So Hai”. Contudo, cruza o caminho com “Yan” (Hwang Jang Lee), um poderoso assassino, e leva uma autêntica tareia daquele. Humilhado, “Fei Hung” decide voltar para “So Hai” e finda o seu treino, tornando-se num especialista na técnica inventada pelo seu mestre.

Entretanto, “Yan” é contratado para matar o pai de “Fei Hung”, o que provocará inevitavelmente um novo conflito. Só que desta vez, o herói encontra-se muito mais bem preparado!

"A tia de Fei Hung defende a honra da filha"

"Review"

Tecer considerações acerca de “Drunken Master”, é falar de um dos míticos filmes de Hong Kong, sendo considerado para muitos uma das mais brilhantes comédias de artes marciais provenientes da região administrativa chinesa, assim como um dos filmes de eleição da lenda daquelas paragens, Jackie Chan (à altura um jovem com 24 anos).

Não sendo eu propriamente um fã das longas-metragens do chamado “kung-fu old school”, ao contrário de por exemplo o Takeo ou a Aline, sou no entanto forçado a reconhecer que este meu pequeno espaço estava deveras incompleto sem uma resenha acerca de um filme que iniciou uma das mais populares sagas do cinema asiático, conquistando uma legião de fãs um pouco por todo o mundo. Já agora se me permitem o pequeno devaneio, este espaço nunca será um 100% completo, pois faltará sempre um filme emblemático para discorrer e trocar ideias com todos vocês. Ainda bem que assim o é, pois só prova que a realidade cinematográfica em geral, e a asiática em particular, se afigura dinâmica e anti-estanque. Tal constituirá sempre um desafio pessoal para a minha pessoa e que motivará a existência do “My Asian Movies” para o que der e vier. Amén!

O que significa então “Drunken Master” para um consumidor de cinema como eu, que possui as características de não nutrir uma particular admiração tanto pela cinematografia de kung-fu, assim como pela lenda Jackie Chan?

"O vilão Yan demonstra o seu potencial no kung fu"

Antes de tudo bastante entretenimento e boa disposição. “Drunken Master” (esqueçam agora o título que lhe foi dado em português), constitui uma película em que a acção e a comédia nunca nos abandonam até aos créditos finais e que revela ser uma excelente opção no final de um dia de trabalho extenuante, em que apenas queremos nos distrair com algo. As cenas de luta estão muito bem coreografadas, e entretêm ao máximo, sendo de uma grande elevação cómica o denominado “drunken boxing”. A habilidade natural de Jackie Chan a isso ajuda, e aqueles pontapés de Hwang Jang Lee são inesquecíveis (a versão dobrada foi neste caso feliz, ao denominar a personagem de Lee como "Pernas de Trovão - Thunderlegs"). Confesso, um pouco contra a minha vontade (será que ouvi alguém gritar faccioso?!), que a representação de Jackie Chan do estilo do 8º deus bêbado (neste caso uma deusa bêbada) “Miss So”, (para saber mais sobre a lenda dos oito deuses bêbados ir AQUI) me arrancou algumas gargalhadas sinceras. As mesmas foram potenciadas, quando a edição que comprei a um preço irrisório na “Worten” (cerca de 4 euros, para os visitantes brasileiros rondará 10,91 reais), tinha uma “certa particularidade”, que passo a explicar. Como a esmagadora maioria de nós, eu não aprecio nada os filmes “dobrados” em inglês. Então toca lá a pôr nas opções a língua originária dos intervenientes, com as legendas em português. Tudo corria bem, até de repente as personagens começarem a expressarem-se em inglês por um minuto ou dois, até voltarem novamente à língua autóctone (pelo que investiguei, o problema não parece ser apenas da edição portuguesa do filme). Não sei porquê, mas em vez de me chatear de sobremaneira, houve situações em que ri até ao delírio, como por exemplo numa cena Jackie Chan ser o herói Wong Fei Hung, e na outra logo a seguir já se transformar num ser denominado “Fred Wong”. Bem, sem comentários…quanto ao remanescente da comédia, o cabelo de “So Hai” (dahh, ninguém percebe que é uma peruca primária) e o ambiente geral de “nonsense” infantil fazem o resto!

Outro aspecto interessante desta longa-metragem é a abordagem à própria personagem de Wong Fei Hung. Como já foi referido noutras críticas deste espaço, Wong Fei Hung é um herói popular, que realmente existiu. E sendo uma figura tão importante para os chineses, é perfeitamente normal que a abordagem nos filmes revele um pendor heróico porventura exacerbado, e com um tratamento um pouco mais sério. Pense-se na saga “Era Uma Vez na China”, de Tsui Hark (para críticas neste blogue, ir AQUI e AQUI). No entanto, em “Drunken Master”, Fei Hung é tratado de uma forma completamente diferente. Os defeitos abundam, e aquele homem é um filho que todos os pais não sonham ter. É irresponsável, zaragateiro, oportunista, embora com um coração do tamanho do mundo. É claro que o heroísmo acaba por vir ao de cima, e degenere num excitante combate final.

Simon Yuen, o pai do realizador deste filme e o coreógrafo mundialmente conhecido Yuen Woo Ping, é “So Hai”, o genuíno “mestre bêbado” (passe a tradução livre). Jackie Chan, que dispensa qualquer tipo de apresentação (para o bem ou para o mal) é o discípulo ideal. Hwang Jang Lee é um vilão extremamente competente. As limitações representativas são por demais evidentes (não nos referimos às artes marciais, claro!), e o ar de série B da película não ajuda nada.
No entanto, sempre se aconselhará com alguma segurança o visionamento deste filme por algumas razões. É uma película com grande interesse histórico para a cinematografia asiática, para além de entreter e mostrar um Jackie Chan nos seus melhores momentos. Para os fãs do “kung fu old school”, é por demais obrigatório! Já agora, os mais eruditos poderão querer fazer uma pausa e descontrair de vez em quando…

"Yan vs. Fei Hung"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português/espanhol:

Avaliação:

Entretenimento - 10

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,88







segunda-feira, novembro 26, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Já com algum atraso nesta semana, aqui vão mais quatro estrelas de cinema asiático que estão sob o vosso julgamento no quadro de votações aqui ao lado:

Jeon Ji-hyun (Jun Ji-hyun Aka Gianna Jun)

Informação


Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": My Sassy Girl, Il Mare, Windstruck


Tadanobu Asano


Informação


Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Ondas Invisíveis, Ichi, o Assassino


Angela Zhang


Informação


Não existem filmes que participou, criticados no "My Asian Movies"


Gordon Liu


Informação


Não existem filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies"






terça-feira, novembro 20, 2007

Fim Feliz/Happy End/Haepi endeu - 해피 엔드 (1999)
Origem: Coreia do Sul
Duração: 100 minutos
Realizador: Jeong Ji-woo
Com: Choi Min-sik, Jeon Do-yeon, Joo Jin-moo, Kim Byeong-choon, Yoo Yeon-soo, Park Ji-il, Joo Hyeon
"Bora"

Estória

“Bora” (Jeon Do-yeon) é uma bem sucedida empresária, que mantém um relacionamento extra-conjugal com “Kim Ill-beom” (Joo Jin-moo), com quem tinha namorado anos atrás nos tempos da faculdade. “Bora” é casada com “Min-ki” (Choi Min-sik), um homem que perdeu o emprego e o orgulho, e que passa a vida tomar conta da lida de casa e a cuidar da bebé de ambos, para além de não perder as novelas dramáticas que são tanto do gosto dos coreanos e a ler estórias de amor numa livraria pertencente a um amigo.

"Min-ki"

“Min-ki” aos poucos vai descobrindo a vida paralela da mulher com o amante, e tal facto devasta-o de sobremaneira. Inesperadamente, resolve tomar o assunto em mãos, e prepara uma vingança terrível contra os amantes, substituindo a sua costumeira leitura “soft”, pelos livros de “suspense” e “thrillers” policiais. No entanto, após ter sido bem sucedido nos seus objectivos, a tão almejada felicidade acaba por não chegar e “Min-ki” consegue apenas obter uma vida de remorso e de culpa.


"Min-ki segura na filha tendo por fundo a traição"

"Review"

Corpos nus desfilam numa orgia de amor, degenerando em sexo explícito, embora interpretado de uma forma que o afasta da mera lascívia. É assim que começa “Fim Feliz”, com “Bora” e o seu amante “Kim Ill-beom”, numa cena tórrida que envergonharia filmes como “Instinto Fatal”, mas que nos consegue transmitir algo mais que o deleite visual e carnal. O filme de estreia do realizador Jeong Ji-woo primou pela polémica, em especial no seu país natal, onde não existe uma tradição de se fazerem muitos filmes que recorram aos atributos mais físicos (no sentido anteriormente descrito) de forma a expor os seus pontos de vista. No entanto, o choque não vive apenas da parte erótica da película, até porque não existem tantas cenas quanto isso. A meticulosidade no engendrar da vingança do marido traído, que culmina num género de violência que de certa forma nos apanha de surpresa, também tem a sua quota-parte.

Em “Fim Feliz”, estamos perante uma crise conjugal, que incide sobre uma típica família de classe média sul-coreana. Melhor dizendo, a base estrutural da dita família não é tão comum quanto isso, pois ao contrário do que é recorrente (hoje cada vez menos, diga-se em abono da verdade) o ganha-pão é a mulher bem sucedida na sua vida profissional, enquanto que o homem faz a vez do que comummente apelidamos de “dona de casa”. Como já foi acima aventado, é ele que se encarrega dos trabalhos domésticos, cuida da filha ainda bebé, faz as compras de supermercado, etc, etc. O seu estatuto de desempregado, obriga-o a isso. A esposa por vezes não tem pejo em atirar-lhe à cara factos relacionados com a sua suposta subalternização, ferindo o seu orgulho e masculinidade. O respeito é perdido, e a traição consumada pela mulher por diversas vezes.

Como podemos imaginar, o clima para o fim do núcleo familiar está reunido, mas de certa forma, não estamos propriamente preparados para a maneira como “Min-ki” decide tomar as rédeas da situação. Isto não quer dizer que muitas vezes não aconteçam tragédias, algumas mediáticas, que envolvam desaguisados conjugais. A teoria do “não és para mim, não és para ninguém”, infelizmente vinga e lá somos confrontados na comunicação social, com homicídios, suicídios, ácidos atirados à cara e afins. No entanto, o que pretendo dizer é que “Min-ki” adopta uma postura passiva, porventura dócil e somos aos poucos hipnotizados por este factor. Ao fim de hora e um quarto de filme, a película dá um volte face e deparamo-nos com um “Min-ki” que nos surpreende pela sua frieza e agir violento, perpetrando um crime brutal e ao mesmo tempo criando as condições necessárias para que um terceiro assaque as culpas.

"O drástico triângulo amoroso"


A apresentação que nos é feita das personagens não obriga a tomar partidos equidistantes. Todos são inocentes, como ao mesmo tempo, são culpados. Afinal estamos a falar de seres humanos. No entanto, é normal que sintamos alguma simpatia por “Min-ki” no papel do marido traído, porquanto a referida personagem cumpre à primeira vista com todos os objectivos a que está adstrito em razão das circunstâncias. Contudo, temos de certa forma compreender as motivações (mesmo que não concordemos, como é o meu caso) de “Bora”, uma mulher que sente merecer algo mais, e que “Min-ki” não consegue dar. Eventualmente paixão…”Ill-beom”, é o parceiro na traição, mas podemos discernir à distância que está sinceramente apaixonado por “Bora”, e que é capaz de fazer tudo por ela. Pelo exposto, o filme obriga a que não façamos julgamentos de valor precipitados.

Para quem está mais atento às lides do cinema asiático, sabe que Choi Min-sik é um intérprete de nível mundial, e pessoalmente o que colhe a minha preferência conjuntamente com Tony Leung Chiu Wai. Aqui oferece-nos mais uma actuação de um gabarito elevadíssimo. Já tive a oportunidade de visualizar grande parte da filmografia do actor, e começo a pensar seriamente que se existem coisas quase impossíveis de acontecer neste mundo, é Min-sik oferecer representações de nível abaixo do bom. O actor sul-coreano é, sem margem para qualquer dúvida, um senhor do cinema. Em “Fim Feliz”, encontra um parceiro à altura em Jeon Do-yeon, uma actriz que é como o algodão, definitivamente não engana. Sublime a forma como exterioriza os sentimentos e se envolve nas cenas mais quentes com a maior naturalidade possível. O seu talento foi recentemente reconhecido em Cannes, onde ganhou o prémio para melhor actriz no papel que representou em “Secret Sunshine – Milyang”. Jo Jin-moo, no papel do amante de “Bora”, constitui um vértice seguro e consistente do malfadado triângulo amoroso.

Tendo integrado a selecção do “Festival de Cannes” e do nosso “Fantasporto" – edição de 2001, “Fim Feliz” constitui uma boa proposta e que com certeza fará pensar uma ou duas vezes aqueles (as) que pretendam dar uma “facadinha” (passe a ironia; se visionarem o filme, irão entender) na relação. Além de provocarem uma mágoa difícil de esquecer, nunca se sabe como o outro lado pode reagir…e o fim normalmente não será tão feliz quanto isso.


"Os amantes beijam-se"

Trailer, The Internet Movies Database link

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 9

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,63




domingo, novembro 18, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Apresento-vos mais 4 excelentes intérpretes de cinema asiático, que como já sabem, estão a votos aqui no blogue:
Kelly Chen

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Infiltrados, Anna Magdalena

Eric Tsang

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Infiltrados, Anna Magdalena, Ondas Invisíveis

Xu Jinglei

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": The Storm Riders

Chang Chen

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": O Tigre e o Dragão, 2046, Chinese Odyssey 2002



terça-feira, novembro 13, 2007

Era Uma Vez na China II/Once Upon a Time in China II/Wong Fei Hung ji yi: Naam yi dong ji keung - 黃飛鴻之二男兒當自強 (1992)

Origem: Hong Kong

Duração: 107 minutos

Realizador: Tsui Hark

Com: Jet Li, Rosamund Kwan, Donnie Yen, Max Mok, David Chiang, Xiong Xin Xin, Zhang Tie Lin, Yen Shi Kwan, Paul Fonoroff, Ho Ka Kui

"Wong Fei Hung"

Estória

“Wong Fei Hung” (Jet Li), acompanhado da sua paixão platónica a “Prima Yee” (Rosamund Kwan), e do seu discípulo “Foon” (Max Mok), dirige-se para a grande cidade de Cantão, tendo em vista participar numa conferência sobre duas vertentes da medicina, a ocidental e a chinesa. Cantão encontra-se em polvorosa, devido à seita do “Lótus Branco”, uma organização que é contra a presença dos estrangeiros na China, e que recorre à violência extrema para impor as suas ideias. O seu chefe é um sacerdote chamado “Kung” (Xiong Xin Xin), que supostamente é invencível.

O congresso de medicina é atacado pelo culto, e “Fei Hung” consegue sair ileso, fazendo amizade com um médico chinês, que não é nada mais nada menos que “Sun Yat Tsen”, o futuro fundador da república chinesa (e seu primeiro presidente) e responsável pela queda do imperador.

"A prima Yee"

“Tsen” anda a ser perseguido pelo regime imperial manchu, aqui personificado pelo comandante “Lan” (Donnie Yen). “Fei Hung” decide mais uma vez pôr cobro à injustiça reinante, e decide ajudar “Tsen” a chegar a Hong Kong, tendo em vista continuar o seu trabalho revolucionário. Pelo caminho, irá confrontar-se tanto com a seita do “Lótus Branco”, assim como terá de por cobro às atrocidades de “Lan”.

"O comandante Lan"

"Review"

Após os eventos ocorridos no primeiro filme, o carismático realizador Tsui Hark e a super-estrela Jet Li continuam uma das mais famosas epopeias de artes marciais a ver a luz do dia. E ao contrário do que sucede muitas vezes, a sequela não se saiu mal, diga-se de passagem. É para muitos considerada a melhor película da série, e diga-se em abono da verdade, não andarão muito longe da realidade, embora se reconheça que exista um ou outro aspecto que o primeiro episódio levará a melhor. O contrário também acontecerá.

Um dos itens que terá de se relevar será certamente o facto de termos um vilão à altura de Jet Li, ou seja, outra grande estrela de Hong Kong, o mítico Donnie Yen. Neste aspecto em particular, Tsui Hark teve a sageza de “emendar a mão” em relação ao primeiro filme. Podemos aqui ver um emocionante duelo protagonizado pelas duas lendas do cinema asiático, e garanto-vos que as expectativas não saem defraudadas. A forma como Donnie Yen transforma uma simples toalha numa arma mortífera, que cria especiais problemas a Jet Li, é praticamente inesquecível. O duelo veria a ser reeditado dez anos mais tarde em “Herói”, a obra-prima de Zhang Yimou. No entanto, seria particularmente injusto do meu ponto de vista não fazer uma especial apologia ao actor Xiong Xin Xin, que representa o maléfico líder da seita do “Lótus Branco”. A luta protagonizada com Jet Li consegue grandes momentos de espectacularidade e de tirar a respiração. É certo que o papel de Xiong Xin Xin acaba por ser um tanto ou quanto reduzido a nível de minutos, mas o combate vale bem o papel do actor. Não chega ao nível evidenciado por Xin Xin em “The Blade”, mas é de aplaudir.

"Wong Fei Hung luta contra o líder da seita Lótus Branco"

Subtraindo os costumeiros embaraços e tensão sentimental entre “Fei Hung” e a “Prima Yee” (aqui mais explorada), o “comic relief” que no primeiro filme estava entregue às personagens “Toucinho” e “Favolas”, interpretados por Kent Cheng e Jacky Cheung, respectivamente, fica nesta longa-metragem a cargo de Max Mok, o actor que dá vida a “Foon”, o discípulo de “Fei Hung”. Max Mok não se sai mal, e consegue a certa altura provocar alguns momentos de boa disposição. No entanto, é minha opinião pessoal que não chega a evidenciar o nível demonstrado por Kent Cheng e Jacky Cheung no episódio anterior, devido ao carisma dos actores em questão. Outro aspecto menos positivo na actuação de Max Mok, passará pela inevitável comparação com Yuen Biao, o actor que interpretava “Foon” em “Era Uma Vez na China”. Tinha referido, aquando da crítica ao primeiro filme, que os fãs de Yuen Biao podiam ficar um pouco desiludidos, pois o actor não demonstrava todas as suas potencialidades que indiscutivelmente possui a nível das artes marciais. Mas quando olhamos para Max Mok, sentimos saudades de Yuen Biao, pois aquele não parece nem de longe, nem de perto um bom “side kick” de Jet Li. Valha-nos, como já acima foi relatado, a presença de Donnie Yen e Xiong Xin Xin, para que as cenas de acção tenham brilho. E de facto possuem bastante!

A vertente nacionalista chinesa continua a marcar a sua presença, pois afinal “Wong Fei Hung” representa acima de tudo a defesa do tradicional modo de vida da nação oriental. No entanto aqui temos uma abordagem distinta da efectuada na primeira película e que passa sobretudo pelos meios como obtemos os resultados que pretendemos. A seita do “Lótus Branco” luta pelo mesmo objectivo de “Fei Hung”, a saber, a emancipação e conservação da cultura chinesa. No entanto, o culto envereda pela violência desmesurada e injustificada, enquanto que o nosso herói tudo faz para impor as suas ideias de uma forma honrada. A tensão floresce, como era de esperar, e “Fei Hung” acaba por ter de partir para o combate com os seus próprios conterrâneos, em ordem a salvaguardar valores que para si são intocáveis. Não será demais relembrar que no primeiro filme havia um conflito com outro mestre de artes marciais, mas tal se justificava pela primazia dos executantes, ou seja, averiguar qual dos dois seria o melhor. Era reconhecido, pelo menos implicitamente, que o principal inimigo eram os ocidentais que pretendiam enriquecer à custa do tráfico de escravos. No entanto, nesta película é mantido o pendor nacionalista, com o abominar do regime manchu e a introdução de uma das personagens mais emblemáticas da história da China moderna. Nada mais, nada menos que Sun Yat Tsen!

Quanto ao remanescente, “Era Uma Vez na China II” mantém muito do que já tinha sido transmitido pelo filme anterior, que resumidamente poderá ser reconduzido à continuação de uma saga que marcaria para sempre o mundo das artes marciais, constituindo um dos melhores trabalhos da carreira de Tsui Hark.

"Luta de titãs:Wong Fei Hung (Jet Li) Vs. Lan (Donnie Yen)"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,63