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segunda-feira, setembro 20, 2010

Cyborg She Aka Cyborg Girl/Boku no kanojo wa saibôgu – 僕の彼女はサイボーグ (2008)

Capa

Origem: Japão

Duração aproximada: 120 minutos

Realizador: Kwak Jae-young

Com: Haruka Ayase, Keisuke Koide, Risa Ai, Kazuko Yoshiyuki, Naoto Takenaka, Fumiyo Kohinata, Masato Ibu, Kenta Kiritani, Kenichi Endo, Rokurô Naya, Hiromasa Taguchi

Cyborg 2

“Ciborgue Modelo Cyberdine 103”

Sinopse

No ano de 2070, um idoso de seu nome “Jiro” (Rokurô Naya), constrói uma ciborgue de modelo “Cyberdyne 103” (Haruka Ayase), de maneira a poder ajudá-lo a enfrentar as suas dificuldades do quotidiano. Tendo obtido um aparelho de viagens no tempo, “Jiro” envia a ciborgue até ao ano de 2007, de maneira a que esta possa evitar o incidente que o deixou debilitado para o resto da vida, e que se reconduziu a um tiroteio num restaurante. Cumprindo com o plano, o organismo cibernético consegue salvar o jovem “Jiro” (Keisuke Koide).

Jiro 2

“Jiro”

“Jiro” enceta um relacionamento pouco convencional com a ciborgue, pois apesar da sua natureza, o rapaz acha-a a mulher mais atraente que conheceu na sua inexperiente vida. A felicidade de ambos sofre um duro revés, quando um terramoto massivo atinge Tóquio, e a ciborgue tenta salvar a vida de “Jiro”.

Fuga do terramoto

“Em fuga do terramoto”

“Review”

Kwak Jae-young, o mestre sul-coreano da comédia romântica, desta vez viaja ao Japão, para impor o seu estilo algo próprio no país do sol nascente, testando a sensibilidade e a capacidade de actores nipónicos para navegarem nos domínios do realizador. Na sequência desta ideia, convém relembrar que os grandes êxitos de Jae-young nos últimos anos, a saber, o magnífico “My Sassy Girl” e o muito aceitável “Windstruck” partiram sempre de premissas semelhantes a nível da construção da trama. As histórias alicerçavam-se em relacionamentos pouco convencionais, para não dizer estranhos, em que as mulheres são dotadas de uma personalidade forte e algo lunática, tendo por contraponto homens dotados de ingenuidade, fragilidade e simples. “Cyborg She” não foge à tradição e até em alguns aspectos exponencia-a mais. De um lado, temos um organismo cibernético feminino, dotado de características sobre-humanas como uma força fora do normal ou uma grande velocidade, que por desconhecimento da época onde vive, age de maneira pouco convencional. Do outro, temos um rapaz de bom coração, solitário, inexperiente, que se vê enredado em situações com as quais tem tremendas dificuldades em lidar.

Apesar de, para quem conhece o trabalho de Jae-young, estar no reino do extremamente previsível, há que reconhecer que o realizador tem uma grande facilidade (para não dizer talento) em mesclar a comédia, o romance e o drama. “Cyborg She” constitui mais um exemplo desta faceta. Apesar de atingirmos algum melodrama forçado, manipulador e desleal para os corações mais sensíveis, a película tem momentos de genuíno drama e boa disposição, a que ninguém conseguirá ficar alheio. Pense-se no retorno de “Jiro” à sua terra-natal, onde cresceu juntamente com a sua suposta avó, e facilmente se apreenderá esta ideia. Perto do seu epílogo, o filme entra mesmo noutros campos que se reconduzem às longas-metragens acerca de desastres naturais, e aqui tanto a acção, como os efeitos, atingem níveis de muito boa qualidade.

Lágrimas 

“Lágrimas”

A bela Haruka Ayase deslumbra, embora esta expressão se refira mais à sua grande beleza e “sex appeal” do que propriamente à actuação que mesmo assim se reputa de bastante aceitável. Por sua vez, o actor Keisuke Koide encarna bem o papel do “geek” “Jiro”, conseguindo transmitir ao espectador a imagem requisitada, ou seja, a do perdedor com bom fundo, que ao menos um dia terá direito a algo que muitos parecem obter com relativa facilidade, mas que para ele parece quase impossível: uma rapariga linda, que o aprecie verdadeiramente pelas qualidades que ele detém.

Quem pretende visionar “Cyborg She”, nunca poderá estar à espera de uma obra de antologia, até por que o filme em si não o pretende ser. É certo que já todos vimos algo bastante semelhante antes , e que a única coisa à partida algo inovadora serão os elementos de ficção científica que douram a trama (e daí, se calhar, nem isso). Igualmente, possui um final algo cor-de-rosa e mesmo forçado, mas que tem o seu quê de algo surpreendente, e poderá mesmo fugir ao diapasão mais trágico, comum nos dramas daquelas paragens. Agora, o que é indubitável é que estamos perante um “feel good movie” que, como a designação indica, nos provocará sentimentos positivos e que devemos preservar com persistência. É um filme de Kwak Jae-young, será preciso dizer mais?!

Aconselhável para os incuravelmente românticos! Os outros, também podem dar uma espreitadela!

Lágrimas 2

“A dor”

imdb 6.9 em 10 (990 votos) em 20 de Setembro de 2010

Outras críticas em português:

  1. Cinema ao Sol Nascente

Avaliação:

Entretenimento – 9

Interpretação – 7

Argumento – 7

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 9

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 7,88

domingo, novembro 29, 2009

Crows Zero/Kurôzu Zero – クローズ (2007)

Capa

Origem: Japão

Duração aproximada: 130 minutos

Realizador: Takashi Miike

Com: Shun Oguri, Kyôsuke Abe, Meisa Kuroki, Takayuki Yamada, Sansei Shiomi, Ken'ichi Endô, Gorô Kishitani, Kenta Kiritani, Sousuke Takaoka, Yusuke Kamiji, Tsutomu Takahashi, Suzunosuke, Kaname Endo, Sunsuke Taido

Genji rodeado dos seus lugares-tenente

“Genji rodeado dos seus lugares-tenente”

Sinopse

“Genji Takaya” (Shun Oguri) é um estudante que foi transferido para o liceu “Suzuran”, considerado a escola mais violenta de todo o Japão, onde “gangs” de estudantes digladiam-se constantemente pelo controlo do estabelecimento. Embora não domine todo o território, o estudante mais temido é “Tamao Serizawa” (Takayuki Yamada), que é conhecido pela sua especial ferocidade que emprega nas lutas, apesar do seu ar inocente. “Genji” começa a dar nas vistas quando sozinho derrota quatro Yakuza, e coloca sob o seu domínio uma das classes, anteriormente chefiada por “Chuta” (Suzunosuke).

Serizawa e o seu gang 2

“Serizawa e o seu gang”

“Genji” cai nos bons auspícios do Yakuza “Ken” (Kyosuke Abe), que o aconselha da melhor forma a subir na hierarquia de “Suzuran”. O rapaz, juntamente com “Chuta”, começa a juntar correligionários e a unir facções rivais, de forma a poder ombrear com “Serizawa”. No desígnio, consegue cativar líderes de outras classes, tais como o alucinado, mas leal “Makise” (Takahashi Tsutomu) e o calculista “Izaki” (Sousuke Takaoka). Pelo meio, “Genji” apaixona-se pela bela “Ruka Aizawa” (Meisa Kuroki). “Seizawa” apercebe-se da ascensão de “Genji” no meio, e prepara-se para defender a sua supremacia. Um embate demolidor aproxima-se.

Ken Katagiri e os yakuza

“Ken Katagiri e os companheiros yakuza”

“Review”

Baseado na popular manga shonen “Crows”, de Hiroshi Takahashi, o profícuo Takashi Miike faz uma incursão no mundo da juventude delinquente e rebelde, com muita acção e violência à mistura. Dizem os entendidos que o filme é uma fiel adaptação do espectro geral da banda-desenhada, embora se passe numa altura anterior ao enredo ali presente. Confesso que nunca tive a oportunidade de passar os olhos pela manga, pelo que neste particular abster-me-ei, dando tal facto por assente até prova em contrário. À altura, “Crows Zero” constituiu o maior sucesso de bilheteira do realizador, e não é difícil perceber porquê. Trata-se de uma obra muito comercial, cheia de ídolos dos adolescentes japoneses, dos quais se destaca o actor principal Shun Oguri, muito apreciado sobretudo pelo público feminino. A “comercialidade” deste filme levantou várias reticências na crítica e fãs mais puristas de Miike, não fosse o realizador encarado como um “enfant terrible” do actual paradigma cinematográfico nipónico.

O crescendo da fama de Miike, inclusive nos meios internacionais, implica naturalmente a atracção dos grandes estúdios e a possibilidade de obtenção de orçamentos acima da média. Embora existam uma grande diversidade de opiniões, no tocante ao relacionamento destes aspectos com o resultado final em “Crows Zero”, sempre irei pelo meio termo, correndo o risco de ser acusado de “uma fuga para a frente”, ou da resposta fácil. Sendo perceptível que a faceta de um maior número de potenciais apreciadores aumenta em “Crows Zero”, numa relação com anteriores obras de Miike, sempre se reconhecerá que alguns traços típicos do cinema do realizador como a abordagem frontal (embora não visceral) e violenta marcam a sua presença.

Luca Aizawa e Genji

“Luca Aizawa e Genji”

Como já acima aflorei, “Crows Zero” é uma longa-metragem que lida com um tema que normalmente tem bastante aceitação no público, principalmente no mais jovem, que passa pela adolescência conturbada que degenera em violência, à semelhança de uma qualquer luta animal ou animalesca que vise a conquista de um grupo determinado. Sendo uma película a explodir de testosterona, sempre tem os seus momentos mais profundos, que passam sobretudo pelas delicadas relações entre os intervenientes. Mesmo assim, esta última premissa assume natureza de excepção. Quem aqui dita a lei são os punhos, com um exagero claramente requisitado, mas com uma capacidade de entretenimento muito elevada. As cenas de acção estão geralmente bem coreografadas, com aspectos claramente hiperbólicos onde são quebradas algumas leis da física, mas aceitáveis face ao espectro geral desta obra. Socos demolidores, pontapés que seriam capazes de deitar abaixo uma parede de tijolos, uma resistência à pancada fora do normal e afins. O aspirante a visionar “Crows Zero” irá deparar-se com um misto de realidade por vezes grotesca, com um enxerto algo fantástico, mas devidamente ali enquadrado.

O ambiente de banda-desenhada encontra-se bastante presente, com as caretas e trejeitos do costume a pontificar e que confere alguma comicidade ao filme. A banda-sonora acompanha fielmente toda a aura rebelde e “carpe diem” da película, com faixas que vão desde o hip-hop interpretado ao vivo pela actriz Meisa Kuroki, até ao “Punk Rockabilly” dos “The Street Beats”, de que recentemente dei conta aqui, colocando um vídeo de uma música que gostei particularmente, intitulada “Eternal Rock n' Roll”, e que ilustra o genérico final do filme.

Com actuações agradáveis de Shun Oguri e Cia., onde desponta muito mais o estilo “fixe” e de impressão à primeira vista, do que algum laivo de genialidade técnica, “Crows Zero” acaba por se revelar uma agradável proposta no segmento do entretenimento. Estará longe de constituir uma das obra de referência de Takashi Miike, mas atrairá imenso a generalidade do público pela sua irreverência. Afinal quem é que resiste a uma história de adolescentes rebeldes, a transbordar de carisma e onde cada dia é vivido como se fosse o último? Acrescente-se uns pequenos condimentos de romance, música da “desbunda”, uma pequena história Yakuza paralela, e o truque está feito.

Ideal para um domingo à tarde!

O liceu Suzuran

“O liceu Suzuram”

imdb Nota 6.9 (1.024 votos) em 29/11/2009

Outras críticas em português:

  1. Cine Dewonny

Avaliação:

Entretenimento – 9

Interpretação – 7

Argumento – 7

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 9

Mérito artístico – 7

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 7,75

segunda-feira, agosto 28, 2006

Azumi 2: Amor ou Morte/Azumi 2: Death or Love (2005)

Origem: Japão

Duração: 112 minutos

Realizador: Shusuke Kaneko

Com: Aya Ueto, Yuma Ishigaki, Chiaki Kuriyama, Shun Oguri, Tak Sakaguchi, Kenichi Endo, Mikijiro Hira

"Azumi"

Alerta

Antes de começar a ler o texto, aviso que alguns aspectos de "Azumi, a Assassina", a primeira parte da saga de "Azumi", serão aqui revelados, pelo que só deve prosseguir caso tenha visto este filme.

"Nagara, Azumi e Kozue"

Estória

Depois de em "Azumi, a Assassina", a nossa heroína ter morto dois dos três nobres do clã Toyotomi que pretendiam opôr-se ao Xógun dos Tokugawa, em "Azumi 2..." podemos observar a missão que visa assassinar o terceiro senhor da guerra chamado "Masayuki Sanada".

A estória começa propriamente dita com "Azumi" e o seu único amigo sobrevivente "Nagara" a escaparem por pouco a uma emboscada levada a cabo pelo furioso "Kanbei", um dos inimigos fidagais dos jovens, e um grupo de ninjas.

Posteriormente os dois assassinos são convocados por "Lord Tenkai", que os tenta demover da missão de assassinar "Sanada", atendendo a que este está muito bem guardado por um grupo de ninjas com poderes fora do normal, os Koga, ancestrais inimigos dos Iga que por sua vez estão do lado de "Tenkai" e dos "Tokugawa".

Acontece que "Azumi" e "Nagara" em honra da missão que lhes foi confiada pelo falecido mestre, e relembrando os enormes sacrifícios que fizeram, recusam-se terminantemente a desistir dos seus intentos. Tendo em vista o auxílio à demanda, os Iga enviam "Kozue", uma jovem ninja que acompanha "Azumi e "Nagara".

No caminho para o monte "Kudo" (onde está localizado o alvo "Sanada"), "Azumi" encontra um grupo de bandidos com bom coração, cujo irmão do líder é exactamente igual a "Nachi", o amor de "Azumi", que esta foi obrigada a assassinar no primeiro filme.

Conseguirá "Azumi" lidar com os seus sentimentos, e ao mesmo tempo cumprir a missão que lhe foi confiada?

"Azumi prepara-se para enfrentar um inimigo"

"Review"

Antes de tudo e correndo o risco de antecipar em muito a conclusão, tenho a dizer que "Azumi 2..." é um filme interessante, inclusive passivel de ser catalogado de bom, mas está uns furos abaixo do seu antecessor.

A atmosfera é em tudo semelhante a "Azumi, a Assassina", embora desde logo falte um vilão com carisma suficiente que de brilho à rapariga. Mais concretamente sente-se a ausência de um "Bijomaru Mogami". Não quero com isto afirmar que os ninjas de Kouga não sejam bons adversários, indo a minha preferência neste particular para "Roppa", um gigante que parece ser decalcado do anime de culto "Ninja Scroll, o Mercenário". A tal facto não será alheio a presença de Yoshiaki Kawajiri como autor da estória de "Azumi 2...". Caso não saibam, Kawajiri é o realizador de "Ninja Scroll". Voltando aos vilões, falta a crueldade alucinada de "Bijomaru"! Se calhar já sou eu que estou mal habituado!

Um "furo abaixo" que o filme possui passa pela própria figura de "Azumi". Já na crítica que fiz ao primeiro filme, tinha afirmado que Aya Ueto possuia o condão de a nível da representação dar um ar muito ingénuo, mas ao mesmo tempo mortal à figura da assassina, o que era francamente positivo. Mas igualmente tinha chamado à atenção para o facto de ficarmos com a sensação que "Azumi" não era tão grande espadachim quanto isso e que não amiúde se tinha recorrido a várias técnicas para disfarçar o "handy-cap" da rapariga. Neste filme, ainda mais do que no primeiro, atrevo-me a dizer que "Azumi" parece uma verdadeira desastrada, sem um verdadeiro domínio da "katana", e que se um dos maus se esforçasse verdadeiramente despachava a rapariga em três tempos!

"Luta com um dos super ninjas dos Koga"

"Azumi 2..." tem bastantes cenas de luta, com a costumeira profusão de sangue e golpes rápidos e certeiros. Destaco em especial as sequências em que intervem o ninja "Roppa", com a sua fantástica lança-bomerangue. No entanto, há uma nítida preocupação em mostrar uma "Azumi" interessada nos seus aspectos mais íntimos e pessoais. Tal é ainda mais instigado pela sua relação com "Ginkaku", o rapaz bastante semelhante ao falecido "Nachi". E é com base nisto que por vezes a película envereda por devaneios inúteis e que só nos fazem perder tempo. O drama aqui mais profuso, não é tão bem conseguido como no primeiro filme, que possuia menos, mas mais bem feito.

"Azumi 2: Amor ou Morte", é uma longa-metragem bem intencionada, com pormenores deliciosos, mas como já foi várias vezes referido, não atinge o nível do seu antecessor. No entanto será um filme a ver para os fãs e não só desta figura de "manga".

Igualmente é preciso aproveitar o facto de haver uma edição nacional, e inclusive um "pack" que nos dá a oportunidade de adquirir os dois filmes de uma só vez.

Com interesse!

"Violenta golpe lançado sobre Lord Sanada"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Esta crítica encontra-se igualmente disponível "on line" em ClubOtaku

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,38