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segunda-feira, setembro 20, 2010

Cyborg She Aka Cyborg Girl/Boku no kanojo wa saibôgu – 僕の彼女はサイボーグ (2008)

Capa

Origem: Japão

Duração aproximada: 120 minutos

Realizador: Kwak Jae-young

Com: Haruka Ayase, Keisuke Koide, Risa Ai, Kazuko Yoshiyuki, Naoto Takenaka, Fumiyo Kohinata, Masato Ibu, Kenta Kiritani, Kenichi Endo, Rokurô Naya, Hiromasa Taguchi

Cyborg 2

“Ciborgue Modelo Cyberdine 103”

Sinopse

No ano de 2070, um idoso de seu nome “Jiro” (Rokurô Naya), constrói uma ciborgue de modelo “Cyberdyne 103” (Haruka Ayase), de maneira a poder ajudá-lo a enfrentar as suas dificuldades do quotidiano. Tendo obtido um aparelho de viagens no tempo, “Jiro” envia a ciborgue até ao ano de 2007, de maneira a que esta possa evitar o incidente que o deixou debilitado para o resto da vida, e que se reconduziu a um tiroteio num restaurante. Cumprindo com o plano, o organismo cibernético consegue salvar o jovem “Jiro” (Keisuke Koide).

Jiro 2

“Jiro”

“Jiro” enceta um relacionamento pouco convencional com a ciborgue, pois apesar da sua natureza, o rapaz acha-a a mulher mais atraente que conheceu na sua inexperiente vida. A felicidade de ambos sofre um duro revés, quando um terramoto massivo atinge Tóquio, e a ciborgue tenta salvar a vida de “Jiro”.

Fuga do terramoto

“Em fuga do terramoto”

“Review”

Kwak Jae-young, o mestre sul-coreano da comédia romântica, desta vez viaja ao Japão, para impor o seu estilo algo próprio no país do sol nascente, testando a sensibilidade e a capacidade de actores nipónicos para navegarem nos domínios do realizador. Na sequência desta ideia, convém relembrar que os grandes êxitos de Jae-young nos últimos anos, a saber, o magnífico “My Sassy Girl” e o muito aceitável “Windstruck” partiram sempre de premissas semelhantes a nível da construção da trama. As histórias alicerçavam-se em relacionamentos pouco convencionais, para não dizer estranhos, em que as mulheres são dotadas de uma personalidade forte e algo lunática, tendo por contraponto homens dotados de ingenuidade, fragilidade e simples. “Cyborg She” não foge à tradição e até em alguns aspectos exponencia-a mais. De um lado, temos um organismo cibernético feminino, dotado de características sobre-humanas como uma força fora do normal ou uma grande velocidade, que por desconhecimento da época onde vive, age de maneira pouco convencional. Do outro, temos um rapaz de bom coração, solitário, inexperiente, que se vê enredado em situações com as quais tem tremendas dificuldades em lidar.

Apesar de, para quem conhece o trabalho de Jae-young, estar no reino do extremamente previsível, há que reconhecer que o realizador tem uma grande facilidade (para não dizer talento) em mesclar a comédia, o romance e o drama. “Cyborg She” constitui mais um exemplo desta faceta. Apesar de atingirmos algum melodrama forçado, manipulador e desleal para os corações mais sensíveis, a película tem momentos de genuíno drama e boa disposição, a que ninguém conseguirá ficar alheio. Pense-se no retorno de “Jiro” à sua terra-natal, onde cresceu juntamente com a sua suposta avó, e facilmente se apreenderá esta ideia. Perto do seu epílogo, o filme entra mesmo noutros campos que se reconduzem às longas-metragens acerca de desastres naturais, e aqui tanto a acção, como os efeitos, atingem níveis de muito boa qualidade.

Lágrimas 

“Lágrimas”

A bela Haruka Ayase deslumbra, embora esta expressão se refira mais à sua grande beleza e “sex appeal” do que propriamente à actuação que mesmo assim se reputa de bastante aceitável. Por sua vez, o actor Keisuke Koide encarna bem o papel do “geek” “Jiro”, conseguindo transmitir ao espectador a imagem requisitada, ou seja, a do perdedor com bom fundo, que ao menos um dia terá direito a algo que muitos parecem obter com relativa facilidade, mas que para ele parece quase impossível: uma rapariga linda, que o aprecie verdadeiramente pelas qualidades que ele detém.

Quem pretende visionar “Cyborg She”, nunca poderá estar à espera de uma obra de antologia, até por que o filme em si não o pretende ser. É certo que já todos vimos algo bastante semelhante antes , e que a única coisa à partida algo inovadora serão os elementos de ficção científica que douram a trama (e daí, se calhar, nem isso). Igualmente, possui um final algo cor-de-rosa e mesmo forçado, mas que tem o seu quê de algo surpreendente, e poderá mesmo fugir ao diapasão mais trágico, comum nos dramas daquelas paragens. Agora, o que é indubitável é que estamos perante um “feel good movie” que, como a designação indica, nos provocará sentimentos positivos e que devemos preservar com persistência. É um filme de Kwak Jae-young, será preciso dizer mais?!

Aconselhável para os incuravelmente românticos! Os outros, também podem dar uma espreitadela!

Lágrimas 2

“A dor”

imdb 6.9 em 10 (990 votos) em 20 de Setembro de 2010

Outras críticas em português:

  1. Cinema ao Sol Nascente

Avaliação:

Entretenimento – 9

Interpretação – 7

Argumento – 7

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 9

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 7,88

segunda-feira, abril 12, 2010

The Big Hearted Will Take the Bride/Dilwale Dulhania Le Jayenge Aka DDLJ - दिलवाले दुल्हनिया ले जाएँगे (1995)

Capa

Origem: Índia

Duração aproximada: 189 minutos

Realizador: Aditya Chopra

Com: Shahrukh Khan, Kajol, Amrish Puri, Farida Jalal, Anupam Kher, Satish Shah, Achala Sachdev, Himani Shivpuri, Pooja Ruparel, Hemlata Deepak, Anaita, Arjun Sablok, Karan Johar, Parmeet Sethi, Mandira Bedi

Raj

“Raj”

Sinopse

“Raj Malhotra” (Shah Rukh Khan) e “Simram Singh” (Kajol) são dois descendentes de indianos que residem em Londres. “Raj” é o único filho de “Dharanvir Malhotra” (Anupan Kher), um empresário de sucesso, e vive uma vida boémia e sem sentido imediato. Após ter concluído os seus estudos superiores, o rapaz decide ir viajar durante um mês pela Europa, antes de assumir um cargo nas empresas do pai. Acontece que “Simram”, a filha de um comerciante do Punjab chamado “Baldev Singh” (Amrish Puri), decide igualmente conhecer a Europa com as amigas, antes de embarcar para um casamento arranjado na Índia.

Simram 2

“Simram”

O casal acaba por travar conhecimento na viagem, e entra muitas vezes em conflito, devido aos feitios opostos. Após se meterem em mais uma confusão, “Raj” e “Simram” acabam por desenvolver sentimentos um pelo outro, mas que se encontram votados ao fracasso, devido ao enlace de “Simram”. Retornados a Inglaterra, “Raj” não consegue lutar contra o seu sentimento e decide declarar-se a “Simram”. Contudo, a rapariga já embarcou para a Índia, de forma a cumprir com os seus votos. “Raj” não desanima e voa para o Punjab, de forma a lutar e conquistar o seu amor.

Corrida para o comboio

“Simram corre para o seu amor”

“Review”

Tendo sido muito provavelmente o maior êxito de “Bollywood” no já longínquo ano de 1995, “Dilwale Dulhania Le Jayenge” (“DDLJ”) possui à partida dois grandes motivos de interesse: o facto de ser o filme da meca do cinema indiano com mais tempo em exibição nas salas de cinema de Mumbai (presentemente há 750 semanas ininterruptas!!!) e ser uma das duas películas de “Bollywood” que constam na lista da conhecida publicação cinematográfica denominada “1001 Movies You Must See Before You Die”.

À primeira vista, e tendo em conta a percepção actual, podemos pensar que estamos perante um típico produto de “Bollywood”. “DDLJ” é uma clássica história de amor, onde após um confronto inicial, a paixão nasce pulsantemente entre o casal protagonista da história. Depois sucedem-se os naturais obstáculos e dificuldades a que tudo dê certo, mas todos sabemos a meio da trama que algo irá acontecer de forma a que o epílogo seja “cor-de-rosa”. Contudo, e tendo em conta a orientação argumentativa que grassava no meio da altura, “DDLJ” acabou por ser de certa forma inovador. Normalmente, os indianos que viviam no estrangeiro eram caracterizados como pessoas ricas e de má índole, que tinham sido corrompidas pelos costumes pouco aceitáveis do ocidente. Ora em “DDLJ”, “Raj” e “Simram”, assim como as suas famílias, são apresentadas como pessoas de bom coração, que respeitam as tradições indianas, apesar de terem nascido ou emigrado, consoante os casos, para o Reino Unido. Outro aspecto por muitos considerado igualmente original, aquando da feitura de “DDLJ”, passa pelo facto de “Raj” tentar ganhar o coração dos progenitores de “Simram” (em especial do pai), de forma a poder encetar um relacionamento sério com a sua amada. Em circunstâncias ditas mais normais, o casal desafiaria os pais possuidores de um antagonismo inexplicável face ao relacionamento em causa, e lá no fim sempre se fariam as pazes de uma forma pouco convincente. No entanto, e como acima foi aflorado, em “DDLJ”, “Raj” apesar da sua inerente rebeldia, tudo faz para ser aceite no seio familiar de “Simram”, deixando bem claro que é a única forma de tudo dar certo, mesmo pondo em risco o seu amor.

Raj e Baldev Singh

“Raj e Baldev Singh, o pai de Simram”

Embora eu não seja um grande apreciador de Shah Rukh Khan (não deixando de reconhecer a sua inquestionável importância no meio e o carisma especial que detém), reconheço que em “DDLJ” o actor apresenta-se muito bem. O seu entusiasmo convincente, tanto nas cenas mais cómicas, como nos momentos mais dramáticos, cativa imenso a atenção dos espectadores e dá brilho ao filme. A bela intérprete Kajol faz um par muito bom com Khan, denotando talento na expressividade e no sentimento que exsuda nas cenas em que intervém. Merece uma referência especial o actor Amrish Puri (para os menos familiarizados com “Bollywood”, trata-se de “Mola Ram”, o feiticeiro maléfico e adorador de Kali em “Indiana Jones - O Templo Perdido”), que é extremamente convincente e dotado de uma aura paternal e nostálgica no papel de “Baldev Singh”, o pai de “Simram”.

Com uma temática interessante acerca dos casamentos arranjados, uma banda-sonora bastante aceitável, e uma variedade de cenários desde a Europa até inevitavelmente à Índia, “DDLJ” é uma película obrigatória para quem quer se embrenhar no universo de “Bollywood”, e atrever-me-ia a dizer, até compreende-lo. Possui uma alegria contagiante, uma história de amor curial mas com bons momentos, e entretenimento quanto baste para nos mantermos alerta durante as mais de três horas de filme. Da minha perspectiva, está longe de ser considerada uma das melhores obras do mundo de sonho de Mumbai, mas haverá muito a aproveitar, a admirar e muito provavelmente a sentir.

Merece uma espreitadela!

Raj e Simram

“Raj abraça Simram num campo de flores”

imdb Nota 7.9 (5.689 votos) em 12/04/2010


Outras críticas em português/espanhol:

  1. Batto presenta…
  2. Cinema Indiano em Portugal – Bollywood
  3. Grand Masala

Avaliação:

Entretenimento – 8

Interpretação – 8

Argumento – 7

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 8

Mérito artístico – 7

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 7,63

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Jab We Met - जब वी मेट (2007)

Capa

Origem: Índia

Duração aproximada: 144 minutos

Realizador: Imtiaz Ali

Com: Shahid Kapoor, Kareena Kapoor, Tarun Arora, Dara Singh, Pavan Malhotra, Kamal Tiwari, Kiran Juneja, Divya Shah, Saumya Tandon, Nihar Thakkar, Manushka Khisty

Geet 3

“Geet”

Sinopse

“Aditya” (Shahid Kapoor) é um jovem empresário de sucesso, que vê o seu mundo arruinar-se quando descobre que o seu amor vai casar com outra pessoa. De coração destroçado, o rapaz anda sem rumo pelas ruas de Mumbai até embarcar num comboio, sem saber o destino deste. Lá conhece uma rapariga tagarela, chamada “Geet” (Kareena Kapoor), com uma personalidade completamente oposta à dele. Enquanto que “Aditya” se encontra depressivo, e com uma postura negativa, “Geet” pelo contrário não para de falar, e tem uma alegria de viver contagiante. No meio de uma confusão, o casal perde o comboio, e “Aditya” vê-se obrigado a acompanhar “Geet” até à casa da sua família em Bathinda.

Aditya

“Aditya”

Quando ambos chegam ao seu destino, a família de “Geet” convence-se que esta e “Aditya” estão enamorados, depois de uma cena que acontece entre ambos e que arruína o noivado arranjado da rapariga. No entanto, as coisas não são bem assim, pois “Geet” está apaixonada por “Anshuman” (Tarun Arora), Depois de finalmente se reunir com “Anshuman”, “Geet” e “Aditya” despedem-se e o empresário volta a Mumbai rejuvenescido e pronto a encarreirar outra vez no caminho do sucesso profissional. Contudo, e após “Geet” desaparecer, “Aditya” parte em busca da mulher que se apercebe que ama.

Aditya e Geet 3

“O casal apaixonado”

“Review”

“Jab We Met” (numa tradução livre “Quando nos conhecemos”) é uma típica comédia romântica de “Bollywood”, que tinha como um dos predicados principais o facto de os principais protagonistas, Shahid Kapoor e Kareena Kapoor, à altura possuírem um badalado romance na vida real. Contudo, a suposta paixão emanada pelo filme, não contagiaria o casal, pois o mesmo viria a findar o relacionamento durante as filmagens. A película granjeou bastante sucesso no “box office” indiano, e igualmente “fora de portas”, principalmente no Reino Unido. Trata-se de uma obra marcadamente virada para a paixão sem tréguas, evidenciando uma clássica história de amor entre dois seres completamente opostos, mas que acabam por se influenciarem pelas características um do outro. O conceito não é novo, já todos nós vimos isto algumas vezes.

O argumento de “Jab We Met” padece de alguma falta de substância, agradando aqueles que se contentam com pouco, ou que em determinado momento não estejam com disposição para pensar muito. Existem situações marcadamente incredíveis, que exageram em demasia, mesmo tendo em conta que estamos no propalado mundo de sonho de “Bollywood”. Apesar da grande extensão do filme, aspecto vulgar quando se fala das obras da meca do cinema indiano, a aproximação do casal dá-se de uma forma pouco natural, com grave prejuízo para a empatia do espectador com as personagens. Embora seja um pouco céptico em relação ao que se costuma chamar de “magnetismo”, a maneira como o casal se aproxima com uma resistência pouco convincente, para o que se pedia, do destroçado “Aditya”, não convence mesmo nada. E os imbróglios em que ambos se metem, embora tenham momentos que divertem, simplesmente não colhem muito a minha simpatia. As partes cómicas resultam geralmente bem, e neste particular destaca-se o avô sikh de “Geet, outras são completamente infantis e sem piada absolutamente nenhuma. Comparado a, por exemplo, uma película como a obra-prima sul-coreana “My Sassy Girl” que se mexe um pouco no mesmo segmento e sob as mesmas premissas, “Jab We Met” é um parente paupérrimo e sem brilho nenhum, embora provenha de uma cinematografia diversa e com características distintas.

Geet 2

“Geet corre na direcção do seu amor”

A química entre o casal Shahid Kapoor e Kareena Kapoor resulta no essencial bem, a que não será alheio, como acima aflorei, o facto de ambos manterem um relacionamento à altura, embora o mesmo tenha findado durante as filmagens de “Jab We Met”. Claro que não nos estamos a reportar aos momentos que apelidei de “incredíveis” ou com pouca substância. Pessoalmente, e reportando-me à actriz, não sou um grande fã da mesma. Contudo, sou obrigado a reconhecer que Karena Kapoor tem um forte carisma, muito difícil de igualar pelas suas pares. Outro dado relevante mais relacionado com o romance em si, é algo que para os ocidentais não assume especial relevância, mas para o espectro de “Bollywood” sim. Existe uma cena em que existem beijos na boca, imagine-se! Por sua vez, as danças e coreografias são bastante aceitáveis, em especial “Nagada Nagada”, que foi acolhida igualmente na novela brasileira “O Caminho das Índias”. Não será pelo espectro melódico ou mais dançável que esta obra cairá.

Se tiverem paciência, uma breve pesquisa pela internet fará com que concluam que “Jab We Met” é um filme bastante consensual, de uma forma positiva, no que concerne à crítica especializada. Nem que seja por este motivo, poderão sentir-se impelidos a desfrutarem das aventuras e desventuras amorosas do casal “Aditya” e “Geet”. Por estes lados, sinto que estamos perante um filme mediano, chegando a ser banal em diversos momentos e diria mesmo sem sal. Tremendamente previsível, socorre-se de alguns bons momentos que não são em número suficiente para qualificarmos “Jab We Met” como um produto de primeira ordem de “Bollywood”. Será apenas mais um filme, que mergulhará e não se distinguirá na turba das centenas que a principal indústria cinematográfica indiana produz todos os anos.

Nagara nagara

“Nagada Nagada”

imdb Nota: 7,9/10 (2.582 votos) em 21/01/2010

Música “Nagada Nagada”

Outras críticas em português:

  1. Grand Masala

Avaliação:

Entretenimento – 8

Interpretação – 7

Argumento – 6

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 7

Emotividade – 8

Mérito artístico – 7

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 6

Classificação final: 7,13

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Comrades, Almost a Love Story/Tian mi mi - 甜蜜蜜 (1996)

Capa

Origem: Hong Kong

Duração aproximada: 118 minutos

Realizador: Peter Chan

Com: Maggie Cheung, Leon Lai, Eric Tsang, Kristy Yeung, Irene Tsu, Christopher Doyle, Michelle Gabriel, Joe Cheung Tung Cho, Ding Yue

Li Xiao Jun 2

“Li Xiao Jun”

Sinopse

“Li Xiao Jun” (Leon Lai) é um recém imigrante em Hong Kong, proveniente de Wuxi, uma cidade chinesa da província de Jiangsu. A sua principal aspiração é ganhar algum dinheiro para enviar à família e conseguir trazer a sua noiva “Li Xiao Ting” (Kristy Yeung) para Hong Kong, a fim de se casarem. Chegado à actual região administrativa chinesa, “Xiao Jun” torna-se amigo de “Qiao Li” (Maggie Cheung), uma mulher que só pensa em tornar-se rica e ascender socialmente. A amizade transforma-se progressivamente noutro tipo de sentimento, e ambos tornam-se amantes ocasionais.

Qiao Li

“Qiao Li”

Conscientes que a sua relação não pode dar certo, devido à noiva que “Xiao Jun” possui em Wuxi, o casal decide manter-se apenas como amigos. As coisas parecem correr bem, pois os dois estão a progredir bem financeiramente, dando forma aos seus sonhos. Inesperadamente, uma crise financeira assola Hong Kong, e a situação económica de “Qiao Li” complica-se drasticamente. Por esta via, vê-se obrigada a arranjar um emprego como massagista e acaba por encetar um relacionamento com um membro de uma tríade chamado “Pao” (Eric Tsang). Por sua vez, “Xiao Jun” consegue finalmente trazer a noiva para Hong Kong e o enlace sucede-se. Contudo, apesar dos seus maiores esforços, os caminhos de “Xiao Jun” e “Qiao Li” cruzam-se outra vez, e ambos começam a questionar-se acerca das suas opções do passado.

Li Xiao Jun e Quiao Li

“Li Xiao Jun e Qiao Li”

“Review”

“Comrades, Almost a Love Story” faz parte daquele grupo de filmes de Hong Kong, cada vez mais raros hoje em dia, que mereceram amplos elogios da crítica um pouco por toda a parte. Premiadíssimo em variados certames de cinema, sobretudo asiáticos, a película que ora se analisa foi, com propriedade, considerada o 11º melhor filme chinês de sempre pela “Chinese Movie Database”, e o 28º nos Hong Kong Film Awards. O seu título original evoca uma música da popularíssima cantora de Taiwan Teresa Teng, e o seu sentido real é um verdadeiro hino ao amor. Esta longa-metragem em si, consubstancia-se mesmo numa bonita homenagem à intérprete musical e os motivos alusivos a Teng, consubstanciam-se num verdadeiro enredo secundário.

A aclamação de “Comrades, Almost a Love Story” é merecida. Não tenhamos dúvidas quanto a este aspecto. Apesar do seu pendor algo comercial, estamos perante um romance cheio de detalhes significativos e dotado de uma sensibilidade maravilhosa e pulsante. O destilar dos sentimentos é extremamente efectivo, com cenas de antologia, olhares e muitos gestos significativos. A trama tem algo de épico, pois acompanha a relação de “Xiao Jun” e Qiao Li” durante um período de 10 anos, mais propriamente entre 1986 e 1996. O argumento é extremamente interessante, quanto a mim bem expresso na “tagline” do Dvd da Mei Ah, que reza mais ou menos o seguinte: “Esta não é uma história acerca de duas pessoas que se apaixonam, mas antes acerca de dois corações que fazem tudo para não se apaixonarem”.

Os aspectos muito ligados ao sonho que tanto dominam as histórias românticas, aqui são algo deixados à parte e a simplicidade na exposição das situações marca presença. Mesmo sendo uma longa-metragem com laivos de paixão retumbantes, trata-se de uma película com pessoas “reais”, onde não subsiste nada que se possa reputar de exagerado ou incredível. A tensão é progressiva e enleia o espectador nas teias do relacionamento dos intervenientes. Dois amigos vêm aumentar de forma sustentada a sua amizade, e tornam-se cada vez mais próximos, embora não de uma forma demasiado evidente. O realizador Peter Chan começa então a criar as condições para que a paixão se desenvolva e atira-nos à cara o seu manancial de cenas memoráveis, como o dar de mãos no novo ano lunar chinês. A partir daqui embarcamos numa viagem através do âmago da paixão humana, sem qualquer tipo de pretensiosismo exacerbado.

Qiao Li e Pau Au Yeung

“Qiao Li e Pao Au Yeung”

Embora o cerne da trama seja as dificuldades de “Xiao Jun” e “Qiao Li” em se amarem, “Comrades, Almost a Love Story” possui outros predicados a nível do argumento dos quais emana muito interesse. Um já foi referido, e trata-se do alusivo à cantora Teresa Teng. Outro, será indubitavelmente a relação estabelecida entre os naturais de Hong Kong, e aqueles que provêm da China propriamente dita. Apercebemo-nos que existem diferenças de grande relevância, que começam a se acentuar logo pela dicotomia da língua, ou seja, o cantonês “versus” o mandarim que é o idioma da maior parte dos imigrantes naturais da China. Aqueles que tentam a sua sorte em Hong Kong são olhados com algum desdém pelos habitantes da actual região administrativa e isso reflecte-se no pulsar do dia-a-dia dos participantes da história e anima-os a lutar por melhores condições de vida.

A diva Maggie Cheung faz uma das grandes interpretações da sua carreira, reconhecida em variados prémios que venceu, de que constitui exemplo o galardão para melhor actriz conseguido em praticamente todos os certames a que o filme concorreu. A sua presença é luminosa, e conseguida em todos os momentos, quer naqueles mais virados para o drama, assim como nos mais descontraídos. Em “Comrades, Almost a Love Story”, Maggie Cheung prova porque que é considerada justamente uma das melhores actrizes de sempre, no panorama do cinema oriental. É bastante gratificante observar como a actriz personifica uma mulher confiante, ambiciosa e apegada ao dinheiro, que acaba por se sacrificar por algo que sente que é maior do que ela. Por sua vez, o conhecido Leon Lai, o par romântico da história, exibe-se igualmente num bom plano, e aqui provavelmente obtém um dos melhores papéis da sua profícua carreira. O “pequeno grande” Eric Tsang, para não variar, tem uma presença marcante e cabe ainda salientar o facto de o grande mestre da fotografia e da imagem Christopher Doyle, aqui fazer uma “perna” na representação.

“Comrades. Almost a Love Story” é uma poderosa história de amor, e sem margem para dúvidas, um dos grandes filmes de Hong Kong da década de '90,  para além dos melhores dramas asiáticos de sempre. O destino sempre foi um tema grato para o cinema asiático e o de Hong Kong em particular, com temas que reflectem o facto de as personagens não conseguirem controlar o fado a que estão submetidas. A mensagem de “Comrades, Almost a Love Story” é um colosso de emoções, transmitindo a possibilidade de as histórias de amor poderem não acabar sempre bem, assim como que para o conquistar temos sempre de dar algo muito profundo de nós. No fundo, sempre se concluirá que o sentimento sobre o qual já tantos escreveram ou dissertaram, é o mais pujante motor da vida e nasce, muitas vezes, em locais ou momentos inesperados.

Obrigatório, principalmente para aqueles que apreciam um romance inteligente, mas nem por menos, carregado de uma miríade colorida de bonitos sentimentos!

imdb Nota 8.0/10 (1.482 votos) em 07/01/2010

Avaliação:

Entretenimento – 7

Interpretação – 9

Argumento – 8

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 7

Emotividade – 9

Mérito artístico – 9

Gosto pessoal do “M.A.M.”: 8

Classificação final: 8,13

segunda-feira, março 23, 2009

Needing You.../Goo naam gwa neui - 孤男寡女 (2000)

Origem: Hong Kong

Duração: 103 minutos

Realizador: Johnnie To e Wai Ka Fai

Com: Andy Lau, Sammi Cheng, Fiona Leung, Raymond Wong, Hui Siu Hung, Lam Suet, Gabriel Harrison, Florence Kwok, Henry Yu, Sam Sam, Vanessa Chu

"Andy Cheung"

Sinopse

“Andy Cheung” (Andy Lau) é um “playboy” inveterado, cuja vida se resume a engatar bonitas raparigas e a ser um executivo de sucesso numa empresa de venda de componentes electrónicos em Hong Kong. Por sua vez, “Kinki” (Sammi Cheng), é uma jovem rapariga que não costuma ter sorte nos relacionamentos amorosos. O exemplo mais recente deste facto é “Kinki” descobrir que o seu namorado “Dan” (Gabriel Harrison) a trai com outra.

Quando “Kinki” vai trabalhar para a empresa de “Andy”, um conflito estala entre ambos, com o executivo a achar a rapariga uma péssima funcionária, que é incapaz de fazer algo de correcto. Posteriormente, “Andy” acaba por se aperceber de algumas qualidades pessoais e profissionais de “Kinki”, tais como a sua bondade e ética laboral. Com o aprofundamento da amizade, “Andy” acaba por se aperceber da má sorte de “Kinki” no campo sentimental, e tenta ajudá-la neste aspecto.

"Kinki"

“Kinki” parece finalmente ter encontrado o rapaz ideal na pessoa de “Roger” (Raymond Wong), um bem sucedido empresário da indústria informática. Acontece que “Andy” apercebe-se que na realidade a sua amizade e compaixão por “Kinki”, é amor. Será que é tarde demais?

"Kinki e Andy Cheung"

"Review"

“Needing You...” constitui mais um esforço da “MilkyWay Image”, consubstanciada na costumeira dupla Johnnie To e Wai Ka Fai, mas desta vez os realizadores põem de parte os filmes de acção genericamente ligados às tríades, e navegam pelas águas da comédia romântica. O filme foi um sucesso comercial de monta, muito por culpa dos actores que representam o par do filme, e que constituem duas das estrelas mais cintilantes de Hong Kong.

Com todo o respeito que tenho por Johnnie To e Wai Ka Fai, indubitavelmente dois dos autores com mais mérito no panorama da cinematografia asiática, “Needing You...” está longe de ser a película fabulosa como alguns parecem fazer crer. Trata-se de um típico filme romântico, a milhas de distância de qualquer resquício de inovação ou dotado de aspectos que possamos reputar de memoráveis. Inclusive possui uma faceta surrealista muito pindérica, que em nada abona ou ajuda os espectadores mais esclarecidos, que procuram visionar uma longa-metragem com substância. Sejamos sinceros e o mais directos possível: É meloso e cor-de-rosa ao máximo!!!

Contudo sempre se poderá afirmar que possui alguma comédia bem conseguida, e um ou outro momento enternecedor que é capaz de captar a nossa atenção. Ressalta-se a sátira ao local de trabalho dos intervenientes onde a “bilhardice” (termo madeirense para coscuvilhice) dita a lei, e um simples movimento ou frase mal interpretada, pode dar origem a um rastilho de deturpações e subsequentemente a uma verdadeira explosão. Quem trabalha numa estrutura organizada percebe bem o que estou a dizer, e quanto maior ela for, mais poderoso se torna o impacto de um boato! Outros aspecto interessante desta película, passa por podermos observar o quotidiano de uma Hong Kong extremamente contemporânea e moderna, o que no que toca a películas de cinema, constitui sempre um factor bastante apelativo para a minha pessoa. O casal Andy Lau/Sammi Cheng tem uma boa química, e os momentos românticos quando resultam, muito se deve ao trabalho dos actores. “Needing You...” acabaria por ser o grande catalisador para a fama que Sammi Cheng possui actualmente, pois apesar de a actriz ter entrado em filmes anteriores, o seu protagonismo até então devia-se praticamente à sua carreira como estrela do “cantopop”. Igualmente constituiria a primeira vez em que Lau e Cheng contracenariam, tendo até à presente data mais seis participações conjuntas, entre as quais “Infiltrados”.

"Em busca do amuleto do amor"

Quando observamos “Needing You...”, ficamos com a sensação que o mesmo foi uma proposta elaborada de forma propositadamente comercial, tendo em vista a angariação de verbas para aplicar em outras produções ditas mais “sérias” e inventivas. Fez-me buscar memórias ao baú das recordações, quando uma banda de “heavy metal” de uns amigos meus, tocava músicas “pimba” nos arraiais, de maneira a arranjar dinheiro para poderem continuar com o seu projecto principal. Esta longa-metragem encontra-se bastante longe de constituir uma obra assinalável, sendo mesmo um filme muito mediano em certos aspectos, que apenas satisfará plenamente aqueles indefectíveis da comédia romântica, que se contentam com pouco. Infelizmente, o administrador deste blogue ainda não aprendeu a dizer não às lamechices, pelo que no item “gosto pessoal” leva um sete muito “puxadinho”...

Razoável!

"No meio da papelada"

The Internet Movie Database (IMDb) link

Música "Love Line", interpretada por Sammi Cheng (contém cenas do filme)

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,25





domingo, maio 25, 2008

Feel It...Say It/Tam tam ching suet suet sing (2006)

Origem: Hong Kong

Duração: 91 minutos

Realizador: Benny Chan

Com: Eric Kot, Candy Lo, Anson Leung, Tiffany Lee, Tats Lau, Jerry Lamb, Sam Lee, Chin Kar Lok, Simon Lui, Emily Kwan, Asuka Higuchi

"Ma Yeung e Dick Luk"

Sinopse

“Zmon Heung” (Eric Kot), também conhecido por “Dick Luk” (repare-se no trocadilho com a expressão inglesa “dick look”), é um médico especialista em doenças venéreas, que possui uma clínica isolada, onde todos os seus pacientes se podem dirigir sem terem que dar muito nas vistas. A maior parte dos doentes de “Heung”, traíram os seus companheiro(a)s e tiveram o azar de apanhar infecções de cariz sexual, querendo curas rápidas de forma a que a cara-metade não se aperceba das “facadinhas na relação”. No seu ofício, “Heung” é auxiliado pela enfermeira “Ma Yeung” (Candy Lo), uma pessoa extremamente competente e dedicada ao trabalho.

"Os traidores Fei e Bing, após uma "sessão agitada" num automóvel"

As coisas começam a complicar-se quando a bela jornalista “Faye Wong” (Tiffany Lee), a namorada de “Heung”, enceta um relacionamento paralelo com “Bing” (Anson Leung), um massagista que também é o companheiro de “Ma”. Eventualmente “Heung” e “Ma”, habituados a saber das traições de terceiros, descobrem que desta vez são eles as vítimas. Desolados, terminam as respectivas relações e encetam uma viagem bastante pessoal, de forma a tentarem perceber o que leva alguém a trair o parceiro. Nesta demanda, e sem que ambos esperassem, aproximam-se mais do que o previsto...

"A espiar os amantes"

"Review"

Antes de tudo, convém esclarecer que Benny Chan, o realizador do filme que apresento agora, não é o famoso Benny Chan, que teve a seu cargo obras emblemáticas de Hong Kong como “New Police Story”, “Gen X Cops” ou “Rob-B-Hood”. Este é um Benny Chan diferente, em que “Feel It...Say It” constitui apenas o seu segundo filme. A primeira longa-metragem deste realizador remonta a 2001, sendo uma película desconhecida de terror, intitulada sugestivamente de “Human Pork Chop”. Este Chan é uma figura de terceira linha da cinematografia daquelas paragens, cujas únicas razões pelas quais adquiri “Feel It...Say It” foram o seu argumento original e a pontuação extremamente elevada que ostenta na “IMDb” (actualmente 8,2, embora convenha dizer que apenas 8 votos foram considerados. Se atenderem ao meu, serão 9). As esparsas críticas que eu li, foram regra geral abonatórias para a película, pelo que aliado a um dvd a preço acessível, decidi arriscar e descobrir este filme. Ansiava obviamente que daqui adviesse uma boa surpresa.

Não existem praticamente dúvidas nenhumas que o filme expõe uma história de amor pouco convencional e dotada de uma originalidade muito própria. Com uma visão que eventualmente podemos catalogar de pós-modernista, “Feel It...Say It” prima por uma abordagem fresca sobre as dificuldades e incertezas na procura daquela pessoa que nos enche as medidas. Aqui não existe espaço para grandes laivos dramáticos, com jorros de lágrimas aliadas a cenas de paixão explosivas e de antologia. Tudo é analisado com uma frieza algo metódica e desapaixonada, em que os únicos momentos de algum êxtase são as cenas de amor entre os “traidores” “Fei” e “Bing”, para além da comédia extremamente “nonsense” que se repete ao longo de todo o filme. Comédia essa que é muito focada nas trapalhadas sexuais dos pacientes, e que é expressa através de trocadilhos com uma manancial de doenças venéreas, aliados a comentários feitos directamente para a câmara, possuidores de um conteúdo algo despropositado e fora do fio da narrativa. Um número musical surrealista também vem ajudar à festa! Convém ainda informar que temos um par de referências cinematográficas, que não vos consigo elucidar se têm um segundo sentido ou não. A primeira refere-se ao nome da namorada de “Dick”, que é homónima da conhecida actriz asiática Faye Wong. A segunda passará pelo apelido do casal japonês desavindo, que se chamam precisamente Kurosawa e dão origem a uma alegoria samurai rocambolesca.

"Com os Kurosawa, um casal japonês com problemas conjugais"

O que de facto é de relevar será sem dúvida as prestações do casal formado por Eric Kot e Candy Lo, impregnadas de uma honestidade a quase toda a prova. Os melhores momentos desta película serão sem dúvida quando o realizador dá largas à liberdade de interpretação daqueles dois actores que, embora não sejam bastante entusiasmantes, primam por nos fazer acreditar em cada uma das palavras que saem das suas bocas. Os intérpretes em questão parecem a maior parte das vezes nem estar a representar, mas a ter uma normal conversa corriqueira do quotidiano. Para o à vontade e interagir expresso por Kot e Lo, poderá ter contribuído o facto de “Feel It...Say It” ser a terceira colaboração no ano de 2006 (?!) em que ambos representam um par romântico (as outras duas foram “Half Twin” e “Cocktail”).

“Feel It...Say It” é um filme honesto, mas que não aspira a grandes voos nem a nada que se aproxime. Valerá acima de tudo pelas interpretações convincentes de Eric Kot e de Candy Lo, assim como pelo sua trama interessante. Ideal para um público menos “mainstream”, que adora discutir e imaginar pormenores de atalaia, onde os mesmos não existem! Apesar dos temas que constituem o seu cerne argumental é uma película pouco entusiasmante e, atrever-me-ia a dizer, um tanto ou quanto frígida ! Mas também não deve ser fácil fazer uma comédia romântica, onde as doenças venéreas e a infidelidade constituem os pormenores principais...

"Ma e Dick aproximam-se na ressaca das suas relações"

Trailer (não disponibilizado), The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento: 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 7,13





terça-feira, agosto 21, 2007

Happy Birthday - Sun yat fai lok - 劉若英 生日快樂 (2007)

Origem: China/Hong Kong

Duração: 107 minutos

Realizador: Jingle Ma

Com: Rene Liu, Louis Koo, Richard Ng, Lawrence Chou, Bowie Tsang, Carl Ng, Sonja Kwok, Wei Wei, Li Qinqin, Yuya Kudo, Lam Suet, Macy Chan, Richie Ren

"Mi"

Estória

“Mi” (Rene Liu) é uma rapariga solteira de vinte e tal anos, que possui talento para tocar piano. A jovem dá-se bem com a solidão, apesar de ter o apoio de alguns amigos e do pai (Richard Ng). No entanto, quando se aproxima a data do seu aniversário (7 de Junho), “Mi” entra em polvorosa, pois o seu ex-namorado “Nam” (Louis Koo) envia-lhe sempre uma mensagem de aniversário pelo telemóvel.

Num longo “flashback”, acompanhamos o início do relacionamento de “Mi” e “Nam” ainda nos tempos da faculdade. “Mi” era uma rapariga tímida, que passava despercebida, enquanto “Nam” era um rapaz extremamente popular entre o sexo oposto. O improvável acontece, e ambos encetam um relacionamento. Chega a altura em que o rapaz, filho de boas famílias, vai para os E.U.A. uma temporada, esfriando bastante o relacionamento. No entanto, no aniversário de “Mi”, chega sempre o aguardado “SMS” de parabéns.

"Nam"

Posteriormente, “Nam” regressa a Hong Kong, e chega a altura de “Mi” partir para Tóquio, tendo em vista o aperfeiçoamento da sua técnica de piano. A distância mantém-se, embora “Nam” chegue a visitar “Mi” ao Japão, mas por alturas do aniversário de “Mi”, a inevitável mensagem chega sempre.

“Mi” eventualmente acaba por retornar a Hong Kong, e tudo parece se proporcionar para que o casal reate o relacionamento. No entanto, um evento inesperado acontece. “Nam” telefona a “Mi” a dizer que conheceu uma rapariga que ama bastante, indo-se casar com ela e partir para Xangai. O rapaz aconselha-a a esquece-lo.

No entanto, todos os anos “Mi” continua a receber a sua mensagem de aniversário. Qual será a razão para que “Nam” se casasse com outra rapariga, quando era óbvio que amava desmesuradamente “Mi”? Se disse para esquece-lo, porque é que as mensagens continuam a chegar no dia 7 de Junho?

"O casal defronta-se com os seus medos e anseios"

"Review"

Jingle Ma é um realizador extremamente versátil, e que considero, no que toca aos dramas, um dos realizadores mais “coreanos” da cena de Hong Kong. A sua apetência e habilidade para os filmes de “puxar a lágrima ao olho”, definiram objectivamente a minha opinião. Vários exemplos poderiam ser aventados, mas pense-se apenas em “Fly Me To Polaris”, esse drama de fazer chorar as pedras da calçada.

Baseado na novela “I Want to Go With You”, da autoria de Rene Liu (exacto, é a actriz principal deste filme), o argumento é bem feito e a trama verdadeiramente enternecedora. Quem ler a sinopse acima exposta, poderá pensar que estamos perante um monte de “baboseiradas”, do género novela mexicana, mas asseguro-vos que isto não é bem assim. É certo que “Happy Birthday” pretende ser o que se chama de “tearjerker”, levando a que inevitavelmente algumas cenas sejam eminentemente forçadas, e que nos façam pensar que de facto estamos perante mais um bando de “clichés” que visam fazer com que gastemos o “stock” de lenços de papel que temos à mão. Asseguro-vos igualmente que isto constitui a excepção e não a regra. O drama em regra é bem conseguido, e deveras cativante. Posso-vos dizer que em geral, a película me emocionou de certa forma. Mas isto tem uma explicação adicional, e sem querer revelar em demasia a minha vida, debruçarei-me um pouco mais sobre o argumento.

A ideia do casal apaixonado que não tem um final feliz está longe de ser uma novidade. Qualquer um de nós já experenciou, assistiu ou pelo menos ouviu falar de relações entre um homem e uma mulher que não deram certo por razões extra-amor. As circunstâncias vivenciais, a insegurança, os rumos diferentes que cada um quiseram dar à sua vida, a incompatibilidade de feitios, etc., etc., etc., não raras vezes conseguiram com que uma união bonita acabasse. Estou-me a lembrar de dois casos relacionados com amigos meus, com namoros de anos, terem terminado pela razão de eles quererem fazer a sua vida pós-universidade na terra que os viu nascer, a ilha da Madeira, e as namoradas de Portugal continental igualmente pretenderem construir a sua vida nas cidades de que eram provenientes (legitimamente diga-se). Não houve consenso, a teimosia imperou, e o resultado está-se mesmo a ver. Planos de vida…incompatibilidade de feitios…chamem-lhe do que quiserem!

"Natação relaxante"

O tema não é novo e já foi explorado em centenas de filmes.

O que me atraiu com uma violência magnética, no sentido de querer adquirir esta longa-metragem, foi o modo como o rapaz expressava o seu desejo de proximidade: as mensagens de telemóvel enviadas no dia de aniversário da ex-namorada. Fiquei estarrecido pelo simples facto de a minha pessoa de há uns anos para cá viver uma situação extremamente parecida (pelo menos nesta parte). Eu tive uma ex-namorada que não tenho pejo nenhum em admitir que amei bastante, e de há cinco anos para cá, o único contacto que mantenho é precisamente aquela mensagem de aniversário que faço questão de enviar por SMS no dia correspondente. Em 5 anos (este incluído), asseguro-vos que não falhei uma única vez. Estava criado o ambiente para que ansiasse o visionamento de “Happy Birthday”.

Embora não me tivesse identificado completamente com os sentimentos e as peripécias vividas pelo casal “Mi” e “Nam”, e ainda bem (mais não digo, senão desvendaria muito o enredo), revi-me bastante noutras, especialmente na ânsia e na expectativa de receber o bendito “SMS” no dia do meu aniversário (é verdade, também tenho direito a essa gentileza por parte da mesma pessoa), consubstanciada num olhar sub-reptício de meia em meia-hora para o telemóvel.

A fotografia e a ambiência com tons preferencialmente brancos (indicará pureza?) estão belíssimas, ajudando imenso os momentos mais melancólicos da película. As melodias, quase exclusivamente atinentes às músicas de piano tocadas por “Mi”, são comoventes e desempenham bem o seu papel.

O desempenho dos actores é bastante competente, indo as maiores honras para Rene Liu que nos oferece momentos de excelente representação. Não será alheio o facto de ter escrito a estória e porventura tal facto ter ajudado a sentir e a expressar o melhor que podia o interior e exterior de “Mi”.

Aconselhável!

"Notícias preocupantes"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 7,88

Nota 1: Dedicado à pessoa a quem eu religiosamente envio um SMS de aniversário todos os anos.

Nota 2: Apesar de não ter nada a haver com o texto acima exposto, aproveito o ensejo para parabenizar a minha localidade, o Funchal, que comemora hoje 499 anos da sua elevação a cidade. Já só falta um para o meio milénio!





sábado, agosto 04, 2007

O Amante/L'Amant/The Lover (1992)

Origem: França/Vietname

Duração: 111 minutos

Realizador: Jean-Jacques Annaud

Com: Jane March, Tony Leung Ka Fai, Fréderique Menninger, Arnaud Giovaninetti, Melvil Poupaud, Lisa Faulkner, Xiem Mang, Philippe Le Dem, Ann Schaufuss, Quach Van Han, Jeanne Moreau (narradora)

Chamada de atenção!

Porventura alguns estranharão ou acharão que o filme que ora se critica, não se enquadra no conteúdo temático deste blogue. Para os devidos esclarecimentos ir aqui.

"A rapariga francesa - Marguerite Duras"

Estória

Em 1929, no Vietname colonial, uma jovem rapariga francesa de 15 anos (Jane March) viaja num velho “ferry” através do delta do rio Mekong, dirigindo-se para Saigão. Ela retorna de uma visita à sua família que reside em Sadec, e faz a viagem de volta para o colégio interno onde estuda no 11º ano.

Um abastado chinês de 32 anos (Tony Leung Ka Fai) aborda-a e após uma breve conversa, oferece-lhe boleia no seu luxuoso veículo, para o resto da viagem. A rapariga, filha de uma professora arruinada financeiramente (Fréderique Menninger), deixa-se impressionar pelo aspecto do chinês e aceita a sua oferta.

"O chinês aborda a rapariga no ferry"

A partir daqui, um tórrido relacionamento físico instala-se entre os dois, fazendo com que se encontrem frequentemente num quarto em Saigão. A rapariga que era virgem, vê o seu mundo dar uma volta de 180 graus, descobrindo o prazer sexual, a paixão e eventualmente o amor.

Aos poucos os sentimentos de ambos começam a evoluir, mas o futuro do relacionamento é uma batalha perdida devido às diferenças pessoais, étnicas e culturais que subsistem entre os orientais e os europeus colonizadores.

"O prelúdio de um entrelaçar de mãos"

"Review"

A escritora e realizadora Marguerite Duras constituiu um dos maiores vultos da cultura gaulesa, com um passado muito ligado ao oriente, tendo nascido em Saigão, na Indochina colonizada, actual Vietname. A sua vivência pessoal cicatrizada pela dureza e a adolescência de certa forma trágica, marcaram para sempre as suas obras e profícua actividade cultural. Em 1984 dava vida ao livro “L’Amant” que pretendeu ser um registo autobiográfico da sua adolescência no Vietname e que se centrava num romance proibido que manteve com um homem chinês mais velho. Este escrito viria a dar origem ao filme de Jean-Jacques Annaud, com o mesmo nome, e que aqui se tentará analisar um pouco.

Sempre nutri uma simpatia pelos filmes de Jean-Jacques Annaud, autor de películas como “O Nome da Rosa”, “Sete Anos no Tibete” ou “Inimigo às Portas”. A extrema sensibilidade e devoção com que se dedica aos seus registos, facilmente passam para os espectadores, fazendo com que os mesmos não consigam ficar indiferentes ao que se pretende transmitir. Outra coisa que se acentua em Annaud é o cuidado que põe nos detalhes das suas obras. Os diálogos são importantes, mas os gestos e as expressões das personagens nunca podem ser olvidados de alguma forma. Percebe-se bastante bem este aspecto, quando se visiona o “Making of” de “O Amante” e vemos o realizador francês dirigir uma inexperiente Jane March, indicando-lhe as poses que deverá utilizar na cena do “ferry” em que a actriz observa o rio Mekong. O resultado foi um transpirar exuberante de sensualidade e ao mesmo tempo meninice, que atrai a atenção de qualquer um. Eu se estivesse naquele barco, provavelmente teria que dar um mergulho para o rio, a ver se esfriava as ideias (já cá faltava a piada sexista)!


"O entrelaçar de mãos"

O argumento não é nada complexo, mas é extremamente tocante e bem feito. No fundo o que se depara perante nós é mais uma história de um amor proibido entre duas pessoas que só detêm diferenças entre si. Como já foi aludido na sinopse, Jean March tem 15 anos, é francesa, provém de uma família pobre e permanentemente destroçada por conflitos. Tony Leung Ka Fai interpreta uma personagem de um chinês rico, com 32 anos, “bon vivant” e que não consegue resistir aos atributos da jovem francesa. Todos nós sentimos à partida que este romance não poderá ter um desfecho feliz, mas mesmo assim a envolvência transmitida pelos dois amantes faz com que não desviemos os olhos do ecrã.

Os aspectos secundários do enredo, mas igualmente bastante importantes para que tenhamos uma percepção completa dos eventos, ajudam imenso à qualidade da trama. Focam-se essencialmente na família de Jane March. A mãe é uma mulher destroçada pela perda do marido e por um investimento ruinoso que fez, tendo como resultado o lançamento da família na miséria. O irmão mais velho é um verdadeiro cretino controlador, que esgota os parcos recursos da família na diversão e nos antros de ópio. O irmão mais novo é demasiado frágil para se deparar com os problemas da vida, sendo frequentemente tiranizado pelo mais velho, necessitando da protecção da irmã.

Quando se analisa “O Amante” é inevitável falar das cenas de sexo e de toda a celeuma que se originou à volta das mesmas. Jane March à altura tinha 18 anos e era uma estreante no mundo da sétima arte. O facto de ter usado cinco duplos nas cenas tórridas, não lhe livrou do facto de o meio alcunhá-la de “the sinner of Pinner” (“a pecadora de Pinner”). Pinner foi o subúrbio de Londres onde Jane March cresceu. Por sua vez, Tony Leung Ka Fai usou dois duplos.

As cenas propriamente ditas são escaldantes o suficiente para que possamos enquadrá-las no erótico. Inclusive gerou-se um debate entre os “users”da IMDb acerca de uma cena em que supostamente nos aperceberíamos que teria havido uma penetração. Julgo que quanto a isso não restarão muitas dúvidas. Existe sim senhor um momento em que é visível perceber tal sucedeu. Agora julgo que os intervenientes da cena muito possivelmente não terão sido Jean March e Tony Leung Ka Fai, mas sim os seus duplos. À altura da estreia do filme, Annaud foi questionado acerca do mesmo e deixou, provavelmente por questões de “marketing”, a dúvida no ar.

Só me resta dizer, um pouco em jeito de conclusão, que a fotografia é excelente, o que valeu inclusivamente uma nomeação para um Óscar, na edição dos prémios da Academia de 1993. As interpretações são muito boas, deixando-me uma mágoa pessoal que Jane March nunca tivesse até hoje uma carreira digna de se ver. Questiono-me o “porquê” acerca disto. Tony Leung Ka Fai é capaz do melhor e do pior. Aqui representou um dos mais bem conseguidos papéis da sua pródiga carreira. Não tenho dúvidas acerca disto.

“O Amante” constitui uma obra com mérito, e que ressalta o triunfo sentimental e sexual das mulheres e porque não dizê-lo dos homens também. Embora não seja propriamente o meu género de filme preferido, o seu visionamento é sem dúvida aconselhável!


"Cenas tórridas de amor num quarto em Saigão"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 9

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,63