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domingo, junho 15, 2008

The Killer/Dip huet seung hung - 喋血双雄 (1989)

Origem: Hong Kong

Duração: 111 minutos

Realizador: John Woo

Com: Chow Yun Fat, Danny Lee, Sally Yeh, Kenneth Tsang, Shing Fui On, Paul Chu, Tommy Wong, Parkman Wong, Dion Lam, Barry Wong

"Eagle, Ah Jong e Jenny"

Sinopse

“Ah Jong” (Chow Yun Fat) é um renomado assassino a soldo, que segue um código de honra e ética bastante estrito, acreditando que todas as pessoas a que põe termo à vida, merecem efectivamente morrer. Um dia, a meio de um trabalho, fere acidentalmente uma cantora de um bar chamada “Jenny” (Sally Yeh), deixando-a quase invisual.

Assomado pelo sentimento de culpa, “Ah Jong” aproxima-se de “Jenny” e tenta ajudar a curar a sua enfermidade. A única forma de a rapariga voltar a ver como antes é fazer um transplante das córneas, uma operação extremamente cara, e que eventualmente terá de ser feita no estrangeiro. Em decorrência desta situação, “Ah Jong” decide aceitar um último trabalho, de forma a poder pagar a cirurgia.

"Eagle e Ah Jong preparam-se para a batalha final, sob o desespero de Jenny"

“Eagle” (Danny Lee), um polícia que não segue as regras do jogo, começa a investigar os homicídios cometidos por “Ah Jong”, concluindo que está perante um assassino pouco convencional, que ajuda os desprotegidos e possui um grande coração. “Ah Jong” consegue ser bem sucedido no seu último contrato, eliminando o alvo. Contudo, “Weng Hoi” (Shing Fui Hon), o líder da tríade que encomendou o trabalho, decide não pagar ao assassino e pelo contrário, tenta eliminá-lo.

Como é previsível, não existirá diálogo e a violência sem tréguas é que irá ditar a lei! Num combate de vida ou de morte, “Ah Jong” poderá apenas socorrer-se do amor que sente por “Jenny” e da ajuda inesperada de “Eagle”.

"Debaixo de um fogo cerrado"

"Review"

“Ele parece determinado...sem ser impiedoso ou cruel; existe algo de heróico na sua forma de agir; definitivamente em nenhum momento parece ser um assassino; aproxima-se das pessoas de uma forma calma; age como se tivesse um sonho; os seus olhos estão cheios de paixão.” Numa tradução livre, da qual assumo toda a responsabilidade pelas prováveis imprecisões, este excerto retirado de “The Killer” refere-se a uma descrição que o polícia “Eagle” faz em relação ao assassino “Ah Jong”. Acho que ninguém o diria melhor, pois o grande actor de Hong Kong, o sublime Chow Yun Fat, consegue representar como quase ninguém, as personagens emblemáticas dos filmes estilo “heroic bloodshed” (sugestivamente também conhecido com “Gun Fu”) de John Woo. Este “The Killer” assume no género um papel relevantíssimo, ao lado de “A Better Tommorow” e “Hard Boiled”, emparelhando com estas películas no que podemos indiscutivelmente considerar dos melhores produtos de sempre da cinematografia da actual região administrativa chinesa. Mas vamos por partes.

Num registo para muitos inspirado em “Magnificent Obsession”, de Douglas Sirk e “Le Samourai”, de Jean-Pierre Melville, a importância de “The Killer” no panorama cinematográfico mundial e na subsequente “ascensão” de John Woo rumo aos EUA é inquestionável. O conceito do assassino de bom coração e com uma ética um tanto ou quanto inesperada, foi seguida com sucesso por filmes posteriores, dos quais eu elegeria como expoente máximo, o excelente “León, o Profissional” de Luc Besson.

A rodagem de “The Killer”, à semelhança do que acontece com a maior parte das películas, não foi isenta de atribulações. Não resisto a contar algumas. A primeira passa pelo facto de o actor Chow Yun Fat odiar qualquer tipo de violência, ao contrário do que muitos dos filmes que protagoniza possam fazer transparecer. A cena em que “Ah Jong” impede um bando de delinquentes de assaltar “Jenny” foi especialmente penosa para Yun Fat. John Woo pacientemente mentalizou o actor, e fez um trabalho tão bom, que Yun Fat exagerou nos murros e pontapés o que causou algumas danos e queixas dos duplos. O realismo é que ficou a ganhar. Outra curiosidade passa pelo facto de uma cena de tiroteios e perseguição ter causado a sensação nos meliantes que não estavam avisados, de que efectivamente estava a decorrer um assalto. Podemos imaginar o pânico que se sucedeu na rua onde a filmagem estava a ser efectuada. Por fim, um apontamento relativo à atribulada relação entre John Woo e o produtor (e também realizador) Tsui Hark. Este último ficou bastante infeliz com o resultado final do filme, e queria reeditá-lo completamente, centrando a trama no polícia “Eagle”, retirando bastante protagonismo ao assassino “Ah Jong”. Woo não permitiu que tal sucedesse, e a estreia mundial aprazada para Taiwan, constituiu um sucesso sem precedentes. Segundo rezam as más-línguas, o facto de se ter provado que Hark não tinha nenhuma razão quanto ao rumo que a longa-metragem haveria de levar, fez com que o produtor-realizador atirasse uma série de objectos pela janela do seu escritório.

"Tiroteio na igreja"

“The Killer” não foge praticamente a nenhuma das premissas que caracterizam o subgénero “heroic bloodshed”, identificando muito bem os caminhos de onde veio e os rumos que posteriormente pretende seguir. Explora os trilhos da amizade, da honra, o dever e a redenção, tendo por suporte a violência extrema aliada a cenas emblemáticas com toneladas de estilo. O assassino, apesar de enfrentar situações de desvantagem numérica, consegue sempre vencer os diabólicos duelos de armas em que está envolvido, sendo-lhe permitido apenas descansar quando corrige o que está errado. Estamos pois a falar de uma longa-metragem cuja acção é uma constante, sendo apenas interrompida ou conjugada, com cenas que frequentemente recorrem a um melodrama exagerado, mas sem dúvida, bastante apreciado! É uma marca a que “The Killer” inevitavelmente não pode nem quer fugir!

Escrever acerca de “The Killer”, é forçosamente dissertar um pouco acerca dos tiroteios que parecem ser...bem...um VERDADEIRO INFERNO NA TERRA! A energia com que os oponentes se digladiam, numa orgia de fogo e sangue que resulta em dezenas de mortes, prende-nos constantemente a atenção, fazendo com que a película possua um grande entretenimento. Se o filme fosse actualmente a realidade, as morgues de Hong Kong seriam atestadas com cerca de 120 corpos (o número de gente abatida em “The Killer”)!!! Uma afirmação um pouco mórbida e já agora uma verdadeira tragédia! Os litigantes combatem verdadeiramente como guerreiros de outros tempos, substituindo as espadas pelas mais sofisticas armas actuais. Não há preocupação pela estratégia, não existem cuidados nenhuns com a integridade física própria ou de terceiros, o que interessa é matar, matar, matar!!! E em decorrência disto amigos, aqui não há essas “mariquices” de atirar e fugir. O inimigo enfrenta-se olhos nos olhos, com um sorriso ou um esgar de raiva, e apenas o que interessa é oferecer um bilhete só de ida para um sítio chamado “sete palmos abaixo da terra”! Talvez por isto se explique como por vezes este segmento cinematográfico é apelidado de “Gun Fu”. É extremamente complicado, para não dizer impossível, igualar Woo quando está em causa o debitar de milhares de balas, a acção frenética e toda aquela aura de fatalismo e bravura que rodeia estas cenas. De todas as películas que visionei até hoje, julgo que apenas “Desperado”, de Robert Rodriguez, poderá almejar a alguma comparação.

Os actores oferecem-nos representações de relevar, o que assume ainda mais importância num género que não carece de interpretações de antologia, e numa altura em que o mais importante era produzir espectacularidade visual. Chow Yun Fat, como acima foi abordado, é um actor de eleição, que nos consegue transmitir todo o conflito interior e paixão de “Ah Jong”. O que impressiona mais, é que muitas vezes este objectivo é cumprido com um simples olhar, provando que Yun Fat foi uma escolha extremamente feliz e com uma grande quota de responsabilidade nos sucessos dos filmes de Woo. Danny Lee impõe-se no papel do polícia “Eagle”, fazendo uma dupla de respeito com Yun Fat. Sally Yeh, uma cantora e actriz que teve os seus tempos de glória nos anos '80, não destoa na composição do triângulo, mas está claramente uns furos abaixo dos outros vértices. Merece uma palavra especial o veterano Paul Chu, na representação do trágico “Fung”, um assassino reformado e amigo de “Ah Jong”.

John Woo impõe um cunho bastante pessoal nas suas obras e isso denota-se em certas marcas que já detêm, quanto a mim, direitos de autor. E são muitas mesmo! Em “The Killer”, temos a oportunidade de ver uma panóplia de aspectos que ligamos logo ao realizador. Os tiroteios, no sentido já anteriormente abordado; o facto de os seus heróis, no auge da luta, combaterem sempre com duas pistolas, uma em cada mão; o frente-a-frente dos inimigos com armas praticamente encostadas ao corpo um do outro; o reflexo numa superfície espelhada de alguém a se aproximar; o explorar do religioso, com muitos interiores de igrejas, e do profano com a destruição de ícones no calor da luta. Mas acima de tudo são as pombas! Se, e como cantava Marilyn Monroe em “Os Homens Preferem as Loiras”, os diamantes são os melhores amigos das mulheres, com certeza que as pombas serão o maior alvo de admiração de Woo. Não existe nenhum filme que eu tenha visto deste realizador, em que os simpáticos animais não deixem de marcar a sua presença. Em “The Killer”, embora não exista uma empatia entre o herói e os bichos, sempre se dirá que o papel destes se afigura mais místico. Eles são encarados, segundo as crenças pessoais de Woo, como mensageiros de Deus que guiam as almas dos mortos até aos céus. Uma ideia semelhante existe na mitologia Viking no que respeita às Valquírias, que estavam encarregues de carregar as almas dos guerreiros tombados em combate, até Valhalla.

“The Killer” é um filme feito com corpo e alma, cuja dimensão superior faz com que mereça justamente constar no panteão das grandes obras de sempre da história do cinema asiático. Um triunfo, entre alguns, do rei dos tiroteios infernais, o inimitável John Woo! Imperdível!!!

"Eagle enfrenta a tríade"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 10

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,50





sábado, abril 28, 2007

The Legend of Fong Sai Yuk/ Fong Sai Yuk - 方世玉 (1993)
Origem: Hong Kong
Duração: 106 minutos
Realizador: Corey Yuen
Com: Jet Li, Michelle Reis, Josephine Siao, Chan Chung Yung, Vincent Chiu, Sibelle Hu, Paul Chu, Adam Cheng
"O herói Fong Sai Yuk"
Estória
“Fong Sai Yuk” (Jet Li) é um jovem e espectacular praticante de Kung Fu, um pouco inconsciente e que adora arranjar sarilhos conjuntamente com os amigos. Certo dia, após algumas peripécias, conhece “Ting Ting” (Michelle Reis), a filha de um rico comerciante Manchu (Chan Chung Yung), e ambos se enamoram um pelo outro.
Certo dia, e para não variar, “Fong” arranja mais um problema. O pai de “Ting” decide fazer um concurso de artes marciais em que aquele que conseguir derrotar a sua mulher (Sibelle Hu), ganhará a mão da sua filha. “Fong” luta para defender a honra dos cantoneses, nem imaginando que se irá tornar o futuro marido do seu amor, pois acontecem mais algumas confusões, fazendo com que o herói pense que a sua esposa será a criada de “Ting”, rapariga que não deve muito à beleza.
"A adorável Ting Ting"

Para piorar ainda mais a situação, a irascível mãe de “Fong” (Josephine Siao), veste-se como um homem para lavar a honra da família no combate, fazendo com que a progenitora de “Ting” se apaixone por ela. Como se não bastasse, o pai da rapariga não faz a mínima ideia que o pai de “Fong” (Paul Chu) é um destacado membro do grupo “Flor Vermelha”, uma organização que luta contra a dinastia Ching, de origem manchu é que governa a China.

Quando o governador de Kau Man (Vincent Chiu), um acérrimo opositor do grupo “Flor Vermelha”, tudo faz para exterminar a organização, chega a hora de “Fong Sai Yuk” lutar pela sua família e pelo povo oprimido da China.

"O pai de Ting Ting põe a mãe de Fong Sai Yuk em problemas"

"Review"

Todas as civilizações têm os seus heróis populares, e a China, com a sua riquíssima história, não constitui excepção. Possivelmente, a personagem mais conhecida será Wong Fei Hung, que deu origem a vários filmes e séries, tais como a saga “Era Uma Vez na China” ou “Drunken Master”. No entanto, Fong Sai Yuk é um mito com quase tanta importância como Fei Hung, e que hoje em dia ainda faz o imaginário de muitos.

Reza a lenda que “Fong Sai Yuk” era neto de Miu Hin, um dos cinco anciãos que conseguiu escapar à destruição do Templo de Shaolin, levada a cabo pela dinastia Ching (ou Qing). Foi treinado pela sua mãe que o banhava numa água temperada com uma solução herbal que supostamente fazia com que Fong Sai Yuk fosse quase invulnerável, um pouco à semelhança do herói mitológico grego Aquiles.

Feito este pequeno parênteses histórico, necessário muitas vezes para percebermos certos aspectos importantes, passemos então ao filme.

Diversão é a palavra de ordem! “Fong Sai Yuk” é uma película que nos mantém presos ao ecrã (ou à tela) do princípio ao fim, atendendo à acção frenética, feita de combates fenomenais, com uma tremenda imaginação e, claro está, algum “wire-fu”. Particularmente vibrante é a luta ocorrida entre “Fong Sai Yuk” e “Siu Wan”, a futura sogra do herói, cuja regra principal passava por quem tocasse primeiro com os pés no chão, perderia o combate. O resultado é devastador no bom sentido, e de tirar quase a respiração!

"Fong Sai Yuk domina com mestria o Kung Fu"

Outro aspecto que mantém em alta o entretenimento, é a comédia que o filme possui para dar e vender! Aqui as honras terão de ser forçosamente atribuídas a Chan Chung Yung, o actor que representa o pai de Michelle Reis. Tem um ar e expressões de partir “o coco a rir”, passe a expressão, para além de um diálogo verdadeiramente oportunista e charlatão que nos faz dar saudáveis gargalhadas. Como já referi por diversas vezes neste blogue, não sou um adepto de comédia, mas lá de vez em quando consigo ver uma ou outra obra que me consegue pôr um sorriso nos lábios. Esta é uma delas.

Jet Li é um perfeito “Fong Sai Yuk”, Michelle Reis uma adorável “princesinha”, Josephine Siao está muito bem no papel da possessiva mãe de “Fong”, Vincent Chiu é um vilão de nomeada. O resto do “cast” acompanha muito bem estes actores, todos representando personagens que colhem a nossa simpatia quase de imediato.

O argumento não é nada demais, mas atendendo ao objectivo do filme, cumpre plenamente o seu desiderato. A banda - sonora é muito agradável de se ouvir, e faz acentuar brilhantemente o pendor heróico e movimentado do filme.

Não se pode pedir muito mais a “Fong Sai Yuk”, mas tal também se afigura desnecessário! Deste Jet Li, em excelente forma, gosto eu bastante!

Uma boa proposta!

"Fong Sai Yuk enfrenta em combate o governador de Kau Man"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8