"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!

domingo, dezembro 24, 2006

Feliz Natal!!!

O "My Asian Movies" deseja a todos os seus visitantes um feliz e santo Natal, cheio de paz, amor e muitas coisas boas, tais como um belo de um bacalhau com batatas, carne vinho e alhos ou "vinha d'alhos" (prato tradicional do arquipélago da Madeira, muito consumido nesta época), ou então um belo de um "sushi" se preferirem! Já agora tudo bem regado com um excelente vinho tinto, de preferência alentejano (Tapada do Chaves é uma excelente escolha), e um belo de um "Jameson" depois da refeição, eh, eh, eh!

Permitam-me particularizar e enviar um abraço especial para o blog do Bruno Côrte, todos os colegas da Câmara Municipal do Funchal, o blog do Ingénuo, o "Pitas da Universidade", Ralis.net, Rod Costa e Cineasia.

Bem hajam!!!


domingo, dezembro 17, 2006

Casshern (2004)

Origem: Japão

Duração: 142 minutos

Realizador: Kazuaki Kiriya

Com: Yusuke Iseya, Kumiko Aso, Akira Terao, Kanako Higuchi, Fumiyo Kohinata, Hiroyuki Miyasako, Jun Kaname, Hidetoshi Nishijima, Mitsuhiro Oikawa, Susumu Terajima, Hideji Otaki, Tatsuya Mihashi, Toshiaki Karasawa, Mayumi Sada

"Tetsuya e Luna nos bons tempos"

Estória

Num futuro distante, o grande império asiático domina a Europa após uma prolongada guerra, de onde resultaram consequências nefastas tais como a fome, a poluição e o terrorismo.

O Dr. "Azuma" está prestes a desenvolver uma das maiores descobertas da história da humanidade, o que ele chama de neo-células. O especial neste tipo de células é que podem reconstruir qualquer parte do corpo, por mais seriamente danificada que esteja. A principal motivação na pesquisa de "Azuma" não é tanto o bem geral da humanidade, mas sim descobrir uma cura para a estranha doença que afecta a sua esposa. O projecto é liminarmente rejeitado pelo ministério da saúde, mas secretamente acaba por ser apoiado pelo ministério da defesa, que vê aqui grandes potencialidades a nível militar.

Entretanto "Tetsuya", o filho de "Azuma", decide ir combater na guerra que presentemente se desenvolve contra os rebeldes que lutam contra o império asiático, mas depressa se arrepende devido ao grande sofrimento e dor que lhe é dado a assistir. Acaba por morrer numa batalha, e o seu corpo é enviado de volta para a família.

"Casshern"

Aquando do funeral de "Tetsuya", um relâmpago atinge as instalações onde se situa o laboratório do Dr. "Azuma", e vários mutantes começam a emergir do líquido onde estão concentradas as neo-células. A maior parte é morta pelo exército, mas um pequeno grupo consegue evadir-se. No meio da confusão e da luta reinante, "Azuma" retira do caixão o corpo do seu filho, e banha-o no líquido das neo-células, conseguindo desta forma dar-lhe vida outra vez.

"Tetsuya", apesar de ressuscitado, possui um corpo altamente instável. Por essa razão, o pai de "Luna", a namorada do rapaz, constroi uma armadura que é capaz de controlar os incríveis poderes de "Tetsuya", para além de lhe conferir outros. Nascia "Casshern".

Os mutantes que conseguiram escapar à morte, juram vingança sobre toda a raça humana e formam um grupo conhecido como os "Neo-Sapiens". Uma violenta guerra começa entre as duas raças, e apenas "Casshern" terá o poder para por termo ao conflito e salvar a sua mãe "Midori", que se encontra no poder dos mutantes.

"O exército dos Neo-Sapiens ao ataque"

"Review"

Baseado num "anime" intitulado "Shinzo Ningen Casshân", "Casshern" é acima de tudo um filme único no que toca à produção. Foi quase inteiramente filmado tendo por pano de fundo um ecrán de cor verde, e todos os incríveis e extremamente futuristas cenários foram adicionados já na fase da pós-produção.

O mundo de "Casshern" é feito de ódio e luta pelo poder. O "background" da estória extasia-nos e faz-nos entrar completamente numa outra dimensão, a que não é alheia a muito bem feita banda-sonora, composta mais de sons que combinam extremamente bem com as cenas, do que propriamente temas inteiros que nos ficam na cabeça. Não existem aqui "hit songs", outrossim permanecem sempre aqueles sons fantasmagóricos e futuristas, por vezes violentos, outras vezes incrivelmente tristes e melancólicos.

Os cenários e as máquinas de guerra são simplesmente fabulosos, e contribuem para a tão propalada entrada do espectador num planeta à parte. As máquinas voadoras e o seu "design" trouxeram-me logo à memória as usadas em tantos filmes de Miyazaki, atendendo à incrível semelhança que detêm com as que são profusamente vistas nos filmes deste génio do cinema. A diferença principal e determinante para nos fazer apreciar ainda mais este aspecto, passa por "Casshern" não ser um "anime", embora tenha forçosamente de ser reconhecido que existe uma grande atmosfera de animação presente.

"A pós-modernista cidade de Casshern"

Mas na realidade o que faz de "Casshern" um filme tão único e tão belo?

É que é raríssimo uma película com efeitos especiais tão bons e visualmente tão bela, secundarizar estes aspectos em detrimento do argumento, e sobretudo da forte mensagem político-ideológica e sentimental que tenta passar. E estamos a falar de um campo que é extremamente difícil de ser bem sucedido, mas o realizador Kazuaki Kiriya assumiu o desafio, e venceu-o esmagadoramente. O espectador atento e mais sensível, começa por ficar abismado com toda a beleza visual de "Casshern", mas quando se apercebe da envolvência humana que rodeia a longa-metragem, depressa põe a estética em segundo plano e concentra-se no que realmente interessa.

Existe uma combinação de filosofia e dilemas humanos, que desembocam em questões tão prementes como o ódio gerar o ódio, o racismo e a xenofobia, a poluição e muito mais, sendo estes problemas bastante actuais. "Casshern" dá-nos uma perspectiva do que pode ser o futuro, se não mudarmos estes comportamentos selváticos e sem sentido nenhum numa sociedade civilizada. Mas aqui não se limita a pensar no problema em termos globais. Aprofunda-se estes paradigmas de tal forma, combinando-os com as tragédias pessoais das personagens que compõem o filme. E já agora, os actores estão francamente de parabéns, pois todos, mesmo todos, sem distinção nenhuma, oferecem-nos interpretações de elevada qualidade.

Kazuiya Kiriya, com um orçamento de apenas seis milhões de dólares, oferece-nos um filme inesquecível, que se consubstancia numa verdadeira fábula messiânica, sendo raro vermos hoje em dia uma película deste género que apresente tão bons resultados. Quando tive o enorme prazer de visionar "Casshern", só me lembrava de quão tolo fui em até apreciar "Sky Captain and the World of Tomorrow". É como estar a comparar um Ferrari com um qualquer utilitário.

Um filme que apesar de enveredar pelo futurismo, manteve uma identidade una e indivisível. Vejam ou arrependam-se!

"O ressuscitado líder dos Neo-Sapiens"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras Críticas em português: Cineasia, C7nema, Nem todos são arte, Bitlogger, Cinema ao Sol Nascente, Axasteoquê?!?

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 9

Argumento - 9

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,38





sábado, dezembro 16, 2006

Arahan: Acção Urbana de Artes Marciais/Arahan: Urban Martial Arts Action/Arahan jangpung daejakjeon (2004)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 113 minutos

Realizador: Ryu Seung-wan

Com: Ryu Seung-beom, Yoon So-yi, Ahn Sung-kee, Jung Doo-hong, Yun Ju-sang

"Sang-wan"

Estória

Numa cidade moderna da Coreia do Sul dos nossos dias, um ladrão furta uma carteira a uma transeunte, fugindo em seguida numa mota. Mal sabe ele que está a ser observado do alto dos arranha-ceús, por uma bela jovem chamada "Eui-jin". Impressionantemente a rapariga começa a saltar de edifício para edifício, com uma franca naturalidade. O delinquentemente igualmente começa a ser perseguido por um polícia idiota chamado "Sang-wan". Quando o agente da autoridade finalmente alcança o ladrão, depara-se igualmente com "Eui" que bloqueia o caminho ao fugitivo. A rapariga fazendo uso das suas incríveis habilidades em artes marciais, recorre à técnica conhecida como "rajada de vento", mas em vez de acertar no criminoso, atinge em cheio "Sang" que cai inconsciente.

"Sang" acorda na casa do pai de "Eui", um dos remanescentes 5 membros de um grupo conhecido como "Os Sete Mestres", que constituem os guardiões de "Arahan", o último estado de transcendência, onde nada mais há a aprender. "Os Sete Mestres" procuram incessantemente pelo "Maruchi", um mestre supremo a quem possam transmitir o segredo de "Arahan", mas enfrentam extremas dificuldades, pois hoje em dia ninguém quer saber do "Tao" ou do "Chi", as energias cósmicas que fazem mover o mundo e todos os seres vivos.

Acreditando que o jovem polícia tem um "Chi" extremamente poderoso, os mestres decidem treiná-lo nas artes marciais e ensinar toda a filosofia que as suporta."Sang" por seu lado acha toda esta estória ridícula e recusa a oferta que os mestres lhe fazem, voltando à sua vida normal.

Posteriormente o polícia é humilhado por uns "gangsters", ficando irritado pela sua fragilidade física e impotência em responder a este tipo de ataques que em muito atrapalham a sua profissão. Por via disto, decide ir ao encontro dos mestres para que estes lhe ensinem a técnica da "rajada de vento", começando assim um treino intensivo.

Entretanto uns operários da construção civil, aquando da escavação de um túnel, encontram uma câmara antiga que se encontra selada. Quando a abrem, apanham um grande choque pois está um homem vivo lá dentro. A pessoa é nada mais, nada menos que "Heng-hu", um dos "Sete Mestres" que foi banido há centenas de anos atrás. "Heng" inicia a sua busca pela chave de "Arahan" que lhe permitirá controlar o mundo, atacando para o efeito cada um dos seus cinco companheiros.

Apenas "Sang" e "Eui" lhe poderão fazer frente!

"Eui-jin"

"Review"

A nível de argumento, "Arahan" pouco nos traz de novo. Existe um jovem que tem uma vida infeliz, mas que igualmente possui habilidades extraordinárias que desconhece em absoluto; um mestre que procura alguém a quem possa transmitir o seu fardo pessoal; um vilão que tudo faz para conseguir o seu objectivo. E também como não podia deixar de ser, um relacionamento amoroso, que na maior parte dos filmes do género despreza quese em absoluto o contacto físico.

"Sang-wan" constitui uma personagem chata como tudo, e que só apete bater. Faz lembrar aqueles colegas chatos, que se queixam constantemente sobre tudo e nada fazem para mudar alguma coisa. Nem sequer nos esforçamos para ter pena dele. Um clássico "tótó"! Claro que quando o rapaz finalmente aprende as artes marciais, e começa a distribuir uma valente carga de "porrada", lá começamos a ficar mais próximos do rapaz.

"Eui-jin" é possuidora de um grande "sex appeal", e transparece aquele ar de má que nenhum "macho" que se preze consegue ficar indiferente! A interpretação é no geral bem conseguida, embora não muito interventiva. Existe uma cena em que "Sang" vislumbra um bocado da pele de "Eui", quando ela veste o seu "kimono" de treino, e a rapariga vira-se e sai-se com a frase "Wanna die?". Não vos faz lembrar nada? De certeza? Vejam então o que Jun Ji-hyun está constantemente a dizer em "My Sassy Girl"!

As lutas seguem a tradição de "The Matrix" e "Volcano High", com grandes voos e paragens em "slow motion" para que possamos apreender e ficar maravilhados com os golpes aplicados. Muito bonito de se ver sim senhores, mas nada de inovador é apresentado. O mesmo não se poderá dizer das frenéticas corridas e saltos entre os arranha-céus, em que confesso, fiquei deslumbrado, principalmente naquela parte em que "Eui" começa a correr pelas janelas de um prédio enorme, como se estivesse simplesmente a dar um passeio pela estrada.

"Os pupilos a receberem instrução do mestre Ja-woon"

"Arahan" é um filme igualmente possuidor de bastante comédia. Em geral as cenas deste género são muito engraçadas, conseguindo arrancar alguns risos ao espectador. "Parti-me" completamente com a ida de dois dos cinco mestres a um programa de televisão, tendo em vista a exibição das suas capacidades. Os meus olhos chegaram a lacrimejar!!! Como não sou por natureza um grande apreciador de comédia, imagino que estas cenas ainda tenham um efeito mais intenso naqueles que verdadeiramente o são.

Apesar de não ser um filme sério por natureza, existe uma grande mensagem ideológica que pode ser extraída de "Arahan". Alguns bons e velhos costumes estão a ser perdidos pelas novas gerações, nas quais ainda me incluo, e que urge recuperar. Esta é uma ideia que eu concordo plenamente, principalmente quando se tratam de valores como o respeito, a honra e a dignidade!

"Arahan" é um filme "normalzito", sem brilho absolutamente nenhum, salvo um ou outro pormenor. Entretém bastante, sendo ideal para ver num Domingo à tarde, em que só nos apetece estar em casa e não pensar praticamente acerca de nada.

"Luta contra o vilão Heng-hu"

Trailer, Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia, C7nema

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 6

Guarda-roupa - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 7






segunda-feira, dezembro 04, 2006

Votação
Qual ou quais os filmes asiáticos que serão nomeados na categoria de "Óscar para melhor filme estrangeiro"

Provavelmente a questão não será muito difícil de responder, pois à partida o filme asiático que terá melhores hipóteses de chegar aos últimos 5 será "The Curse of the Golden Flower", por razões mais ou menos óbvias. Isto não quer dizer que este filme seja o melhor dos que estão na pré-selecção. Aliás ainda nem o vi, portanto não poderei opinar por enquanto. Mesmo assim nunca se sabe, e até poderão ser nomeados mais do que um, embora tal seja muito improvável atendendo à tradição da academia. Cliquem aqui e toca a exercer o vosso direito à livre expressão!!!


The Banquet/Ye Yan (2006)

Origem: Hong Kong

Duração: 131 minutos

Realizador: Feng Xiaogang

Com: Zhang Ziyi, Daniel Wu, Ge You, Zhou Xun, Ma Jingwu, Huang Xiaoming

"A imperatriz Wan, interpretada por Zhang Ziyi"

Estória

No período conhecido como o das "5 dinastias, 10 reinos", a imperatriz "Wan" esteve em tempos apaixonada pelo principe herdeiro e actualmente exilado "Wu Luan", mas um acaso do destino fez com que se casasse com o imperador, o pai da sua paixão. Pouco tempo depois, o imperador e pai de "Wu Luan" morre em circunstâncias misteriosas.

Corre o boato que a culpa da morte do imperador é do irmão chamado "Li", que o sucede, tornando-se soberano. "Li" propõe a "Wan" que seja a sua mulher, o que esta aceita por forma a continuar imperatriz do reino. O usurpador sente-se ameaçado pela existência do sobrinho "Wu Luan" e envia um grupo de assassinos para matá-lo, de maneira a que este não possa reclamar o trono. A imperatriz "Wan" descobre os planos do actual imperador e por sua vez contacta com o governador "Yin", tendo em vista que o nobre proteja "Wu Luan". Os intentos do imperador saem frustrados pois os guerreiros de "Yin" conseguem cumprir a sua missão.

"O principe Wu Luan (Daniel Wu) em dificuldades"

"Wu Luan" retorna ao palácio imperial em segurança, a tempo de aperceber-se que o tio usurpou o trono que devia ser seu por direito. Igualmente depara-se com "Qing", uma rapariga que jurou amá-lo para sempre, mas que tarda a ser correspondida devido aos sentimentos que "Wu Luan" porventura ainda nutre pela imperatriz "Wan".

Previsivelmente, o imperador "Li" fica bastante importunado pela presença de "Wu Luan" no palácio, e faz tudo para afastá-lo de cena, desde tentar novamente assassiná-lo até inclusive forçá-lo a mais um exílio. "Li" no entanto tem mais problemas com que se preocupar. Existem súbditos que pensam que ele é um traidor e que não tem direito absolutamente nenhum ao trono, e começam a maquinar estratagemas para depô-lo.

Entretanto, o papel de "Wu Luan" mantém-se uma verdadeira incógnita. Assumirá ele uma verdadeira postura no sentido de recuperar o trono e vingar o pai? Optará pela imperatriz "Wan" ou pela jovem nobre "Qing"? Terá a imperatriz "Wan" os seus próprios desígnios pessoais?

Estas e outras respostas serão dadas num banquete que o imperador "Li" convoca para a meia-noite, em que toda a corte é obrigada a marcar presença, sob pena de execução...

"O imperador Li (Ge You), o usurpador"

"Review"

"The Banquet" constitui a proposta de Hong Kong para o óscar na categoria de "Melhor Filme Estrangeiro", estando neste momento na pré-selecção para se chegar aos cinco nomeados. No que toca ao cinema asiático e a título meramente exemplificativo, encontram-se igualmente na extensa lista "The Curse of the Golden Flower" (China) e "The King and the Clown" (Coreia do Sul).

Desde logo se avisa o estimado leitor para não estar à espera de um "Wuxia" na linha dos afamados "O Tigre e o Dragão", "Herói" ou o "Segredo dos Punhais Voadores". "The Banquet" é um filme bastante diferente, sendo acima de tudo um drama histórico, temperado com uma ou outra cena de luta, estas sim na linha das películas mencionadas. Tendo sido baseado num dos mais conhecidos dramas de William Shakespeare, "Hamlet", é natural que haja uma normal primazia das interpretações em claro detrimento dos combates.

Não vamos ser extemporâneos nas observações e vamos por partes.

Feng Xiaogang é mais um realizador asiático que tenta o estrelato internacional, tendo-se proposto a realizar este "The Banquet". Para tanto muniu-se de alguns dos melhores intervenientes nos diversos aspectos que havia a considerar. Como cabeça de cartaz, apresenta provavelmente a mais conhecida actriz asiática do momento, Zhang Ziyi. Para as cenas de artes marciais, contou com o mestre coreógrafo Yuen Woo Ping, que dispensa qualquer tipo de apresentação. Teremos ainda que mencionar Tim Yip e Tan Dun, importantes elementos da produção e composição musical de "O Tigre e o Dragão". Com esta equipa, acompanhada de um estrondoso orçamento, poderiamos com segurança esperar uma produção de elevada magnitude. Mas como já apanhei algumas desilusões bem grandes, em que também várias condições estavam reunidas para uma obra-prima, pus-me logo com um "pé atrás" e tentei não gerar expectativas desmesuradas. Pense-se no "flop" "The Promise".

Que dizer então?

Lento...lento...ainda mais lento..."The Banquet" é uma longa-metragem que tem como grande aspecto negativo a sua monotonia, que chega a ser exasperante. A acção é quase sempre a "10 à hora", ressalvando os raros casos em que existe uma exibição de "swordplay" em que quase nos apetece saltar de alegria e agradecer a todos os deuses e mais alguns! Obviamente que sendo uma adaptação de uma tragédia "Shakesperiana", temperada com os belos elementos da cultura asiática, não se poderia esperar um filme de acção extrema, mas não é propriamente isto que estamos a criticar. Pode-se muito bem expôr uma tragédia, sem cair nas dezenas de devaneios inúteis que "The Banquet" por vezes envereda. Aconselho pois a visionarem o filme quando estiverem bem acordados, desde já alertando igualmente para não estarem demasiado bem acomodados, pois isso levará inevitavelmente à sonolência!

"Um jogo de polo muito especial"

Felizmente, o único aspecto marcadamente negativo de "The Banquet" é a lentidão, porque tudo o resto é-nos apresentado num nível elevado.

A interpretação dos actores é bastante competente e digna dos intervenientes. Daniel Wu, Zhang Ziyi e Zhou Xun desempenham com alma os respectivos papéis, embora ache que o papel do principe "Wu Luan" atribuído a Wu pudesse ter beneficiado de um melhor tratamento e desenvolvimento a nível dos aspectos mais pessoais. As honras neste particular vão todas para Ge You, o intérprete do usurpador "Li", que nos presenteia com um "acting" digno de um óscar para melhor actor. Os meus parabéns!

Como já foi aludido as lutas são escassas, mas quando se dignam a marcar presença são verdadeiramente espectaculares. A cena em que os guerreiros do governador "Yin" saem do solo coberto de neve para atacar os assassinos do imperador, é particularmente brilhante!

Verdadeiramente fenomenal é o guarda-roupa, a fotografia e certos pormenores que observamos no filme. O suicídio dos cavaleiros do imperador, com o sangue a escorrer pelos cavalos até pingar das patas destes animais é de uma simbologia atroz e chocante, que nos marca imenso. As roupas e as armas foram desenhadas com um cuidado fora do normal e o resultado final é simplesmente magnífico!

A banda-sonora tem os seus altos e baixos, com expoentes verdadeiramente tocantes como uma música cantada a solo que se pode ouvir, acompanhada de uma representação teatral que imagino ser tradicional da China, mas existem alturas que prima pela ausência, deixando-nos sem ter nada para apreciar.

O argumento não podia deixar de ser bom, atendendo à fonte de onde bebe. Mesmo assim, ainda estou a pensar no significado da cena final do filme, pois à primeira vista não parece fazer sentido nenhum. No entanto o meu "sexto sentido", se é que possuo algum, diz-me que existe uma mensagem a retirar e que acredito piamente que passará um pouco por "todos nós somos vítimas dos nossos próprios desígnios".

"The Banquet" é uma película que embora não sendo perfeita, possui uma elevada qualidade e mestria na sua realização. No entanto, não parece ser suficientemente boa para alcançar o resultado que visa obter: o óscar para melhor filme estrangeiro.

Apropriado para os mais contemplativos, nada recomendado para os que adoram acção!

"A imperatriz Wan banha-se na água coberta de pétalas de rosa"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português/espanhol:

Avaliação:

Entretenimento - 6

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa - 10

Emotividade - 7

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75







domingo, novembro 26, 2006

ESCLARECIMENTO
Os visitantes habituais do "My Asian Movies" deverão estar admirados por já há vinte e tal dias não haver aqui um novo "post". Desde já peço imensa desculpa por tal facto, mas tenho dedicado algum tempo a reformular as críticas dos filmes, nomeadamente a inserir fotos, por forma a que vocês quando as consultem, possam ter um quadro mais fiel do que são os filmes. O conteúdo escrito e a avaliação numérica mantêm-se intactos é claro.
Como também nos aproximamos do Natal, a época festiva por excelência, o tempo que se gasta nas preparações, nas compras, nas jantaradas, etc. fazem com que o "blog" sofra um pouco com isto.
No entanto, conto em breve por uma nova crítica "on line", que versará em princípio sobre "The Banquet", um pré-selecionado para a nomeação dos oscares, na categoria "Melhor Filme Estrangeiro".
Muito obrigado pela vossa compreensão e continuem a aparecer!
Um abraço a todo(a)s!

quarta-feira, novembro 01, 2006

Escaflowne, o filme/Escaflowne Aka A Girl in Gaea/Tsubasa No Kami (2000)
Origem: Japão
Duração: 93 minutos
Realizador: Kazuki Akane
Vozes das Personagens: Maaya Sakamoto (Hitomi), Tomokazu Seki (Van), Jôji Nakata (Lord Folken), Mayumi Iizuka (Yukaki/Sora), Minami Takayama (Dilandau), Kôji Tsujitani (Jajuka), Sinichirô Miki (Allen), Ikue Ootani (Merle)

"Escaflowne, a armadura do Dragão Branco"
Estória
Em Gaia, um grupo de soldados do exército do clã do Dragão transporta num dirigível a lendária "Escaflowne", a armadura do Dragão Branco, tendo em vista entregá-la ao seu maléfico líder "Lord Folken". Uma viagem que aparentava ser calma, torna-se num banho de sangue quando um jovem semi-nu, armado com uma "Katana", ataca a nave e extermina todos os militares. O rapaz não é nada mais nada menos que "Van", o irmão renegado de "Lord Folken" e o herdeiro destronado do reino do Dragão.
Entretanto no planeta Terra, a estudante solitária "Hitomi" tem mais um dia envolto em depressão. Encontra-se desiludida com a vida e inclusive escreve uma nota de suicídio que é descoberta pela sua melhor amiga. "Hitomi" só deseja desaparecer da Terra...desejo que lhe é concedido. Não se pense que "Hitomi" morre. Antes é transportada para Gaia, através de um encontro que mantém com um estranho ser encapuçado.
"Hitomi" chega a Gaia dentro de "Escaflowne", a armadura que "Van" tão ansiosamente deseja obter. Depois de conseguir-se libertar-se de "Escaflowne", "Hitomi" conhece "Van", que a proclama a "Deusa Alada", devido a uma profecia existente em Gaia acerca de uma desconhecida que chega da "Lua Mística" (que corresponde ao planeta Terra).
Devido ao seu recém adquirido estatuto, "Hitomi" depressa é envolvida na guerra existente entre o exército do Dragão Negro e os "Abaharaki", um grupo constituído por sobreviventes dos reinos destruídos por "Lord Folken".

"Hitomi e Van"
"Review"
A "Salvat" lançou recentemente uma colecção de "Animes" que tenho vindo a acompanhar e a adquirir os filmes que não possuo na minha colecção privada. Tem sido uma compra "às cegas" que por vezes tem valido a pena, e noutras nem por isso. Adquiri até agora "Blood, o Último Vampiro", "Ghost in the Shell" que já tinha visto, mas que incrivelmente não possuia o dvd (crítica para breve) e este "Escaflowne". A iniciativa da "Salvat" saúda-se, mas devia de ser acompanhada de outras idênticas, em relação a outros géneros de filmes. No entanto compreende-se, atendendo ao crescente número de admiradores que a animação japonesa possui no nosso país, existindo até sites e sobretudo "blogs" da especialidade. Afinal quando se fala numa empresa, o primeiro critério a ter em conta é o retorno financeiro das iniciativas comerciais.
Perdoem-me a pequena consideração pessoal e passemos então à análise sumária do filme.
"Escaflowne" é baseado numa série de animação muito popular no Japão, que confesso nunca vi e penso seriamente que nunca passou em nenhum canal português ou da tv cabo. No entanto posso estar enganado e se for o caso, agradeço as devidas correcções.
Falando da animação em primeiro lugar, "Escaflowne" não foge à generalidade dos seus congéneres, ou seja, nota bastante positiva. O realizador tem um especial cuidado nos detalhes, desde o movimentar dos cabelos causado pelo vento provocado pela lâmina que falhou o alvo, passando por coisas tão simples como a chuva a cair e a fazer levantar o vapor do chão. De facto, é mais uma prova que a animação japonesa encontra-se sem sombra de dúvida, na vanguarda mundial, mas daí "what´s new?".
A banda-sonora tem os seus altos e baixos, exaltando-se a música "Dance of Curse", que segundo "Van", era a melodia que a mãe lhe costumava cantar para o adormecer em criança. No entanto, desgostei de outras que achei sinceramente desenquadradas do pendor heróico e guerreiro que o filme tenta transmitir.
O argumento sinceramente não tem nada de especial, com a excepção, e sinto-me na obrigação de destacar este ponto, da caracterização e desenvolvimento dado às personagens principais. É raro vermos dois heróis de um filme, possuírem uma aura tão negativa e depressiva. Como já foi referido, "Hitomi" é uma rapariga desiludida com a vida, cujos pensamentos passam pelo suicídio. Devido a um acaso do destino, vê-se na contingência de fazer algo muito positivo, e o que poderá ser melhor do que salvar um mundo inteiro da destruição. Mas o papel de "Hitomi" não se fica por aqui. Sendo uma pessoa naturalmente depressiva e solitária, fica com o fardo de auxiliar o outro herói da estória, que possui uma personalidade muito semelhante à sua e que igualmente julga lutar só contra os seus inimigos, quando possui imensos aliados. "Hitomi" tem a grande missão de salvar "Van" de si próprio!
A acção não é uma constante em toda a película, havendo espaço para momentos mais pausados. No entanto, quando surge, respeita a tradição do sangue a jorros e da violência, embora não extremamente desmedida.
A principal falha argumentativa passa pelo pouco destaque que é dado aos restantes personagens do filme, o que para uma pessoa como eu que não acompanhou a série, torna-se ainda mais frustrante. A título exemplificativo, gostaria de ver a personagem de "Dryden" mais desenvolvida.
Em jeito de conclusão, afirmo que "Escaflowne" constitui uma proposta bastante interessante no seu segmento, mas está longe de deslumbrar.
"O líder dos Dragões Negros, Lord Folken"
Outras críticas em português: AnimeHaus
Avaliação:
Entretenimento - 7
Animação - 8
Argumento - 7
Banda-sonora - 7
Emotividade - 8
Mérito Artístico - 7
Gosto Pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação Final: 7,29


"A Despedida..."