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quinta-feira, dezembro 20, 2007

Musa, the Warrior/Musa - 무사 (2001)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 127 minutos

Realizador: Kim Seong-su

Com: Jung Woo-sung, Zhang Ziyi, Joo Jin-mo, Ahn Sung-kee, Yu Rong Guang, Park Yong-woo, Song Jae-ho, Lee Do-il, Park Jung-hak, Yoo Hae-jin, Jung Seok-yong

"Yeo-sol"

Estória

China, 1375. Uma delegação coreana, liderada pelo general “Choi Jung” (Joo Jin-mo) vai ao encontro do imperador Ming, tendo em vista reatar conversações acerca de paz e sanar um mal-entendido que levou à morte de um enviado chinês ao reino da Coreia. Os chineses prendem a embaixada coreana e enviam-nos para o exílio num deserto hostil. Os coreanos acabam por se libertar, devido a um ataque de soldados mongóis da dinastia Yuan que mata todos os soldados Ming que serviam de escolta. Decidem então encetar um penoso retorno a casa, atravessando para o efeito as infindáveis areias escaldantes.

Na jornada para casa, os coreanos deparam-se novamente com os mongóis, liderados desta vez por “Rambulhua” (Yu Rong Guang), e apercebem-se que o mesmo leva como prisioneira, uma princesa Ming, de seu nome “Buyong” (Zhang Ziyi). Os guerreiros entendem que a situação constitui uma oportunidade para ficarem bem vistos perante a dinastia chinesa e obviar o seu falhanço diplomático. Atendendo ao exposto, salvam a nobre dos seus captores.

"O general Choi Jung e a princesa Buyong"

Uma nova viagem é encetada pelo deserto, mas numa diferente direcção, pois os coreanos pretendem entregar a princesa sã e salva ao seu povo. Ao mesmo tempo, começa-se a desenvolver um triângulo amoroso entre o general “Choi Jung”, a princesa “Buyong” e “Yeo-sol” (Jung Woo-sung), um escravo que é um guerreiro formidável no manejo da lança.

Contudo, os mongóis não se deixam ficar, e perante um juramento de sangue, “Rambulhua” inicia uma perseguição pelo deserto, tendo por objectivo recuperar a princesa e matar os homens que o desonraram.

"Jin-lib (a olhar para o lado) e os restantes guerreiros coreanos"

"Review"

Quando “Musa, the Warrior” estreou na Coreia do Sul em 2001, vinha com o rótulo de filme mais dispendioso de sempre da história do cinema coreano, prometendo a todos ser uma epopeia quase sem par. Supostamente baseado em factos históricos verídicos (embora aqui romanceados), “Musa” é uma interpretação da viagem do embaixador Chung Yong-son, que se dirigiu com o seu séquito à China, em ordem a oferecer cavalos ao imperador Ming Hongwu. O embaixador foi exilado e nunca mais retornou à terra-natal. É uma obra que merece um grande respeito, pelo facto de no que respeita aos aspectos mais cinematográficos, transpirar qualidade e pujança por todos os poros!

Ao ver “Musa” pela primeira vez e focando-me agora no factor argumentativo, vêm-me ao pensamento filmes como “Os Sete Samurais” ou “Guerreiros do Céu e da Terra”. Esta ideia explica-se pelo facto de termos um grupo de heróicos guerreiros, que defendem os mais oprimidos, em nome de algo maior do que eles próprios. Claro está, com uma diferença de efectivos abismal em relação aos seus opositores. No caso do filme de He Ping, a verosimilhança será um tanto ou quanto mais evidente, pois assim como em “Musa”, existe uma grande perseguição pelo deserto que acaba num cerco a uma fortaleza. No entanto, será uma perfeita heresia colocar “Guerreiros do Céu e da Terra” ao nível de “Musa”, atendendo a que a longa-metragem que ora se analisa é por demais superior em praticamente todos os aspectos.

Um dos componentes mais fascinantes em “Musa”, passará pela relação entre as várias personagens que compõem o grupo de fugitivos, e inclusive entre os inimigos. É deveras interessante seguir o confronto de personalidades e estatuto entre o general “Choi” e o escravo “Yeo-sol”. O militar olha com sobranceria para um ser humano que é visto como um animal em razão da estratificação social da época, e o conflito adensa-se mais quando o general se apercebe que está atrás de “Yeo-sol” no que concerne à atenção e admiração da princesa. No entanto, e sem os predicados do costume, “Choi” aprende a respeitar a coragem de “Yeo-sol” e a maneira como o mesmo transmite esse ardor nas horas difíceis aos restantes coreanos.

"Yeo-sol cavalga para a batalha"

Igualmente é de destacar o envolvimento romântico entre a princesa “Buyong” e “Yeo-sol”. Quem está mais atento ao cinema asiático, terá forçosamente de concordar que o mesmo é relativamente pudico em expor num filme os aspectos mais físicos desse sentimento que nos dá a volta a cabeça e chamamos amor (as mentes perniciosas que já estão a pensar nos “sexploitations”, por favor “aguentem os cavalos”). Como em tudo na vida, a tendência está a mudar, mas o traço característico mantém-se. Contudo, e isto é uma opinião meramente pessoal, entendo que o chamado “platonismo” cinematográfico (vou subtrair agora os aspectos vivenciais) tem a sua beleza e o condão de nos fazer sonhar. Coligindo estes pressupostos, tenho a dizer que o belo sentimento que brota entre “Yeo-sol” e a princesa “Buyong” é simplesmente enternecedor. O ar altivo da nobre, que funciona sobretudo como defesa pessoal, aliado ao circunspectivismo natural e à capacidade de sacrifício do verdadeiro herói da estória, resulta numa soma óbvia (este termo não é depreciativo) de qualidade apaixonante que estamos longe de encontrar no dia-a-dia da sétima arte.

Outro dos factores que é de relevar são os combates. Caros visitantes deste espaço, ao contrário da exposição de sentimentos entre “Buyong” e “Yeo-sol” (e porque não dize-lo, do general “Choi”), aqui já não estamos no campo da delicadeza e do “vai, não vai”. A violência crua prima à semelhança de um sanguinolento “chambara”, em que as peles são rasgadas, o sangue jorrado, e as lutas não se prolongam atendendo a factores de estética (que diga-se de passagem, também têm o seu lugar). Não me quero alongar em demasia no que concerne a este aspecto em particular. Só vos digo que “Musa” tem, sem margem para qualquer dúvida, uma das decapitações mais chocantes da história do cinema. E o que entusiasma (mórbido, brrr…) é que nem pressentimos a sua chegada. Ficamos siderados e a pensar “mas que raio é que aconteceu?”

O trabalho dos actores é bastante competente. Existe um unanimismo à volta das capacidades de Zhang Ziyi, que é partilhado pela minha pessoa. A actriz cumpre e bem. Jung Woo-sung e Jo Jin-mo, são dois valores seguros do cinema coreano, que expõem mais uma vez as suas inegáveis capacidades na representação. O destaque que aqui faço não irá para as três personagens principais da película, representadas pelos actores atrás mencionados, mas para Ahn Sung-kee. Um portento a sua actuação como o sábio arqueiro coreano “Jin-lib”. Doce nos momentos de aconselhamento, frio e tenaz nas cenas mais movimentadas. Sempre calmo em qualquer uma das situações. Mas alguém duvida que Ahn Sung-kee é um dos maiores valores do cinema sul-coreano, quiçá do asiático e até do global? Só um louco duvidaria!

Julgo que a haver defeito em “Musa”, passará pelo facto de a banda-sonora não estar ao nível dos restantes aspectos do filme. Nos “trailers” que visionei, antes de adquirir o filme, a música épica grassava e trazia ainda mais “água na boca”. Contudo, na película, as coisas não se passam bem assim. Apesar de o aspecto sonoro ser aceitável, falta em certa medida, aquelas melodias épicas de encher o coração e fazer-nos apetecer agarrar numa espada e saltar para dentro do ecrã, mesmo correndo o risco de levar um enxerto de pancada (como seria o mais provável), sem nos importarmos minimamente com isso.

“Musa, the Warrior” é uma película imperdível para qualquer fã que goste de um bom épico asiático, pela simples razão de, sem margem para grandes teorias, ser um dos grandes expoentes do género. Aliás, “Musa” foi apelidado por diversas vezes como o “Braveheart” da Coreia do Sul, embora eu discorde desta analogia. Um aliciante extra passará por podermos ver Zhang Ziyi num dos seus filmes menos conhecidos no ocidente.

Constituindo uma longa-metragem a deter na colecção de qualquer cinéfilo, “Musa” daria uma excelente prenda para o Natal! Felizmente que consta do meu acervo pessoal há algum tempo :) !

"Luta num riacho que atravessa o penoso deserto"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português/espanhol:

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 9

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M" - 8

Classificação final: 8,38





domingo, outubro 21, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Outros quatro nomes emblemáticos do cinema asiático que se encontram a votação no "My Asian Movies":
Charlie Yeung

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Sete Espadas, Ashes of Time

Anthony Wong

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": A Man Called Hero, Infiltrados, Isabella, The Storm Riders

Bai Ling

Informação

Não existem filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies"

Ahn Sung-kee (Ahn Sung-gi)

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": The Duelist, Arahan, Battle of Wits, Silmido




quarta-feira, junho 06, 2007

Silmido - Código de Honra/Silmido - 실미도 (2003)
Origem: Coreia do Sul
Duração: 135 minutos
Realizador: Kang Woo-suk
Com: Ahn Sung-kee, Sol Kyung-gu, Heo Jun-ho, Jeong Jin-young, Kang Seong-jin, Lim Won-hui, Kang Shin-il, Lee Jeong-heon
"O capitão Jae-hyun"

Estória

Em 1968, a unidade especial nº 124 do exército norte-coreano penetra no território do seu vizinho do sul, com o intuito de assassinar o presidente Park Chung-hee. A missão falha por pouco.
A Coreia do Sul, ofendida no seu orgulho, resolve retaliar e decide-se pela criação de uma unidade especial, a que é atribuída o número 684, toda ela completamente formada por criminosos condenados à morte ou a prisão perpétua. O objectivo é tremendo, mas exequível: assassinar o emblemático líder comunista da Coreia do Norte Kim Ill-sung.
Os elementos da unidade 684 não têm nada a perder e acedem a levar a missão a bom porto, sendo para o efeito treinados sob a supervisão do capitão “Jae-hyun” (Ahn Sung-kee) em Silmido, uma ilha com apenas 25 Km2, perto da cidade de Incheon.
"A unidade 684"

O treino revela-se árduo, sendo por vezes mesmo desumano, chegando ao ponto de haver tortura física e psicológica. Alguns instruendos morrem durante esta fase, mas os que sobrevivem tornam-se em soldados altamente especializados na arte do combate e do homicídio. Igualmente os homens começam a acreditar na justeza da sua missão, desenvolvendo um arreigado sentimento nacionalista.
A ordem para executar a missão é dada, e os soldados partem. No entanto, chega um segundo comando que aborta a demanda. A razão para tal é o melhoramento das relações entre as duas Coreias, e o começo do inerente processo de paz.
Posteriormente, o governo sul-coreano pretende apagar todos os vestígios da missão e ordena ao capitão “Jae-hyun” que assassine todos os elementos da unidade 684…
"O combate corpo-a-corpo constituiu uma parte importante do treino"
"Review"
É por demais conhecida a tensão existente entre as duas nações que ocupam a península coreana, resultante sobretudo de uma vasta guerra, que mereceu inclusive uma intervenção internacional a favor de ambas as facções em confronto, o que de certa forma é compreensível, pois a Coreia do Norte era uma república comunista apoiada directamente pela extinta União Soviética e a China, enquanto que o vizinho do sul era suportado pelos Estados Unidos da América e os aliados da O.T.A.N. (N.A.T.O.).
Essa mesma antipatia, degenerou em vários incidentes, que ameaçaram por diversas vezes o recomeço de uma nova guerra, mas que nunca veio a acontecer, devido à situação de “paz armada” ocorrida no período da guerra fria, e que neste caso em concreto, tinha o afamado paralelo 38 como ténue limite.
“Silmido” visa retratar um desses incidentes, que degenerou tanto num novo conflito diplomático com a Coreia do Norte, como tornou-se num facto que teve algumas repercussões internas na Coreia do Sul, no início dos anos 70.
Falemos então um pouco do filme.
O primeiro aspecto que deve aqui ser focado é que “Silmido” embora seja baseado em eventos reais, introduz várias “nuances” no enredo, de forma a torná-lo mais cinematográfico e em consequência mais atractivo para o público em geral. A título meramente exemplificativo, sempre podemos dizer que na realidade a unidade 684 era composta por tropas especiais e soldados de carreira, e não por criminosos condenados à pena capital ou perpétua, como nos é mostrado na película.
"Fase de um treino árduo"

“Silmido” tem o condão de ser um filme crítico da postura sul-coreana nos tempos difíceis de relacionamento com o vizinho do norte, criticando o elevar dos objectivos políticos em detrimento da vida dos seus nacionais. Contudo, ao mesmo tempo não deixa de revelar um certo sentido de nacionalismo presente, sobretudo, no facto de os elementos da unidade 684 nunca perderem de vista o seu objectivo principal (a morte de Kim Ill-sung), além de revelarem um ódio de morte ao comunismo e exacerbarem o hino nacional até ao máximo. Provavelmente a longa-metragem nem exagera este aspecto. Se calhar na realidade era assim mesmo.

Os aspectos bélicos e históricos estão bem focados, mas ainda mais os pessoais. O filme pretende acima de tudo demonstrar as ânsias e expectativas dos elementos do corpo de elite, desde o evoluir da amizade entre os seus membros, até ao sentido de dever no cumprimento da missão que lhes é incumbida. O futuro também constitui uma preocupação essencial para os soldados. De presidiários do pior que existe, até à possibilidade de se tornarem heróis de um povo está um passo, e as regalias inerentes a tal estatuto também.

O dramatismo, ou não estivéssemos a falar de um filme sul-coreano, está todo lá. Deliciosa, embora um pouco “lamechas”, a cena em que os soldados da unidade 684 encontram-se feridos dentro de um autocarro, e cercados pelo exército sul-coreano, começam a escrever os seus nomes a sangue nas paredes do autocarro. Caramba, eu já disse isto umas poucas de vezes, mas nunca é demais relembrar que, no tocante a melodrama, o cinema sul-coreano é praticamente imbatível!!!

Os aspectos técnicos do filme são de qualidade média-elevada, desde a costumeira excelente fotografia, até os ângulos de filmagem, em especial das cenas de treino dos soldados. A banda-sonora, de vertente orquestral, acompanha bem o resto. Os actores encontram-se todos num plano bom. A distinção neste campo, e como não poderia deixar de ser, irá para Ahn Sung-kee, muito provavelmente um dos melhores actores sul-coreanos da actualidade.

Atendendo ao seu pendor altamente polémico, “Silmido” levantou algum “frisson” que foi altamente correspondido nas bilheteiras sul-coreanas, tendo um recorde de mais de 10 milhões de espectadores nos cinemas da Coreia do Sul. Este registo viria a ser batido posteriormente por “Brotherhood” (Taegukgi) em 2004, e por “The King and the Clown” (Wang-ui namja) em 2006.

Aconselha-se o visionamento!

"Preparados para uma punição"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia, Cine-Ásia, Fanaticine

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,63





domingo, fevereiro 18, 2007

Battle of Wits/Muk gong (2006)

Origem: China/Hong Kong

Duração: 133 minutos

Realizador: Jacob Cheung

Com: Andy Lau, Ahn Sung-kee, Fan Bing Bing, Nicky Wu, Wang Zhiwen, Choi Si-won, Wu Ma, Chin Siu Ho, Hung Tin Chu

"Ge Li, o herói pacifista"

Estória

Em 370 A. C., durante o período da história da China conhecido como o dos "Estados Guerreiros" (Warring States Period - Zhanguo Shidai 战国时代) , a pequena cidade de Liang sofre a ameaça iminente de uma invasão por parte do muito mais poderoso reino de Zhao. Liang possui apenas umas centenas de soldados, enquanto Zhao detém um exército com milhares de efectivos, comandado pelo lendário general "Xiang Yanzhang" (Ahn Sung Kee).

Liang pede ajuda à tribo dos Mozis, os seguidores de uma filosofia denominada moísmo, que prega o amor universal e a rectidão moral, e despreza actos agressivos e a luxúria. Embora os mozis sejam por natureza pacifistas, são igualmente conhecidos por serem excelentes estrategas militares no que concerne à defesa de fortalezas cercadas.

Ao contrário do que o reino de Liang esperava, os Mozis enviam apenas um único homem chamado "Ge Li" (Andy Lau). Desesperados, ponderam render-se às forças invasoras, mas "Ge Li", através da persuasão, consegue convencer os habitantes de Liang a resistirem.


"O General Xiang Yanzhang, líder máximo do exército de Zhao"

"Ge Li" é nomeado o supremo comandante das forças de Liang, e começa de imediato a preparar a defesa da pequena cidade. De início "Ge Li" enfrenta a suspeição do príncipe "Liang Shi" (Choi Si-won) e do ministro "Si Tu" (Wu Ma), atendendo a que ambos são obrigados a obedecer a "Ge Li" no que concerne a todos os aspectos militares, mas eventualmente "Ge Li" acaba por conquistar a confiança do herdeiro da casa real.

Desde o início, "Ge Li" arranja dois preciosos aliados que acreditam nas suas intenções, e o ajudam de sobremaneira na sua tarefa hercúlea. São eles o comandante dos arqueiros "Zi Yuan" (Nicky Wu) e a chefe da unidade de cavalaria Yi Yue (Fan Bing Bing). Esta última começa mesmo a nutrir sentimentos por "Ge Li".

Começada a batalha, "Ge Li", devido à sua cuidada estratégia, consegue levar de vencida as tropas de Zhao e torna-se num herói para o povo de Liang.

O problema é que o sucesso do guerreiro começa a atrair a inveja e o ciúme do rei, que põe os seus próprios interesses à frente dos súbditos...

"Yi Yue, a chefe da cavalaria de Liang e apaixonada por Ge Li"

"Review"

O período dos "Estados Guerreiros" serviu de inspiração a vários filmes e séries chinesas, dando o enfoque sobretudo ao reino de Qin e ao primeiro imperador chamado Qin Shi Huang . Muitos exemplos poderiam ser aventados, mas à primeira vista lembro-me logo de "Herói" (é mais forte do que eu, desculpem!) e a importante, embora algo incompreendida, obra de Kaige Chen intitulada "O Imperador e o Assassino". O que estas películas tinham em comum a nível argumentativo, era o facto de os reinos vencidos por Qin, nomeadamente o de Zhao (porventura o mais poderoso a seguir ao de Qin), contratarem guerreiros para assassinar o primeiro imperador, tendo em vista salvaguardarem a sua soberania e independência.

Desde logo o que chama a atenção em "Battle of Wits", baseado surpreendentemente numa manga japonesa chamada "Bokko" de Hideki Mori, é que o papel do reino de Qin é secundário, e serve apenas para ilustrar e explicar o período da história em que se desenrola o filme. Servirá igualmente para explicar o abandono de parte das tropas de Zhao que fazem o cerco a Liang, em ordem a retornarem ao seu reino, para defende-lo da avalanche das tropas Qin. Em "Battle of Wits" compreendemos que o período dos "Estados Guerreiros" não se resumia a 6 reinos reinos a lutarem contra "Qin", pois eles próprios digladiavam-se frequentemente e tentavam obter a supremacia uns sobre os outros.

Já houve quem afirmasse que quando visionamos "Battle of Wits", ficamos com a sensação que estamos a ver dois filmes. Eu pessoalmente discordo desta ideia. Acho, isso sim, que estamos a mirar um filme com três (não duas!) partes muito próprias, e correctamente interligadas entre si.

A primeira poderá ser reconduzida ao período em que "Ge Li" chega a Liang como o "salvador da pátria", influencia os seus habitantes a resistirem a um inimigo muito mais poderoso, enfrenta o exército de Zhao, e acaba por conseguir que o mesmo se retire. Trata-se de um período da longa-metragem que entusiasma bastante pela sua acção, com grandiosas e realísticas (tirando um exagero de CGI ou outro) cenas de batalha feitas com muitos figurantes.

Na segunda parte, após a presumida retirada das tropas de Zhao, podemos assistir às intrigas palacianas para descredibilizar "Ge Li", motivadas como já foi aludido, pela inveja e ciúme do rei que se vê substituído no papel de herói e figura mais respeitada pelo povo. O resultado acaba por ser a fuga de "Ge Li", ajudado pelo outrora rival, o príncipe "Liang Shi". Este segmento do filme é fortemente impregnado pelo debate cultural e ideológico do Moísmo, professado por "Ge Li" e suporte de todo o seu comportamento ao longo da estória.

A terceira e última parte refere-se ao resultado nefasto das acções do rei de "Liang", que quase acaba por perder o seu reino, não fosse o voluntarismo e a honra de "Ge Li", que retorna e aparece mais uma vez para "salvar o dia". Acaba por se revelar uma competente união das duas anteriores partes do filme, demonstrando ser um misto de acção e filosofia muito bem engendrado.

"Ge Li conjuntamente com o povo de Liang prepara a defesa do reino"

Outro dos aspectos profundamente interessantes de "Battle of Wits" é o acérrimo debate ideológico que ronda à volta dos defensores de "Liang", em que igualmente acaba por intervir o general Xiang Yanzhang, o líder das forças de Zhao.

"Ge Li" tenta sempre incutir aos homens que tem sob o seu comando, a admissibilidade em matar apenas para defender, tentando pôr de parte a raiva e a violência gratuita. Não amiúde defronta-se com atitudes por parte dos defensores de Liang, que contrariam tudo aquilo em que acredita, tais como o massacre de um contingente de tropas de Zhao, que já tinha deposto as armas e rendido.

É isto que "Ge Li" pretende ser. Um guerreiro que odeia a guerra, e que apenas a trava para proteger os oprimidos e os mais fracos. Ele defende, nunca ataca!

Focando-me resumidamente nos aspectos mais palpáveis desta longa-metragem, sempre tenho a dizer que a banda-sonora do filme é de um nível bastante acima da média, com melodias de um pendor épico, que acompanham fielmente a natureza do filme.

As interpretações dos actores são apreciáveis, destacando-se, como não podia deixar de ser, Andy Lau, que está vivo e se aconselha vivamente. É incontestavelmente um dos grandes ícones de Hong Kong, sendo bem secundado pelo grande intérprete sul-coreano Ahn Sung-kee.

Sendo um épico, em todo o esplendor da natureza, transmite uma mensagem pacifista de assinalar e que é bem sintetizada no epílogo martirizante da película:

"Ge Li saiu de Liang acompanhado de um séquito de órfãos, e passou o resto da sua vida a espalhar uma mensagem de paz por todos os cantos da China..."

Merece ser visto e interiorizado!

"Confronto entre as forças de Liang e de Zhao"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 9

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,13







sábado, dezembro 16, 2006

Arahan: Acção Urbana de Artes Marciais/Arahan: Urban Martial Arts Action/Arahan jangpung daejakjeon (2004)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 113 minutos

Realizador: Ryu Seung-wan

Com: Ryu Seung-beom, Yoon So-yi, Ahn Sung-kee, Jung Doo-hong, Yun Ju-sang

"Sang-wan"

Estória

Numa cidade moderna da Coreia do Sul dos nossos dias, um ladrão furta uma carteira a uma transeunte, fugindo em seguida numa mota. Mal sabe ele que está a ser observado do alto dos arranha-ceús, por uma bela jovem chamada "Eui-jin". Impressionantemente a rapariga começa a saltar de edifício para edifício, com uma franca naturalidade. O delinquentemente igualmente começa a ser perseguido por um polícia idiota chamado "Sang-wan". Quando o agente da autoridade finalmente alcança o ladrão, depara-se igualmente com "Eui" que bloqueia o caminho ao fugitivo. A rapariga fazendo uso das suas incríveis habilidades em artes marciais, recorre à técnica conhecida como "rajada de vento", mas em vez de acertar no criminoso, atinge em cheio "Sang" que cai inconsciente.

"Sang" acorda na casa do pai de "Eui", um dos remanescentes 5 membros de um grupo conhecido como "Os Sete Mestres", que constituem os guardiões de "Arahan", o último estado de transcendência, onde nada mais há a aprender. "Os Sete Mestres" procuram incessantemente pelo "Maruchi", um mestre supremo a quem possam transmitir o segredo de "Arahan", mas enfrentam extremas dificuldades, pois hoje em dia ninguém quer saber do "Tao" ou do "Chi", as energias cósmicas que fazem mover o mundo e todos os seres vivos.

Acreditando que o jovem polícia tem um "Chi" extremamente poderoso, os mestres decidem treiná-lo nas artes marciais e ensinar toda a filosofia que as suporta."Sang" por seu lado acha toda esta estória ridícula e recusa a oferta que os mestres lhe fazem, voltando à sua vida normal.

Posteriormente o polícia é humilhado por uns "gangsters", ficando irritado pela sua fragilidade física e impotência em responder a este tipo de ataques que em muito atrapalham a sua profissão. Por via disto, decide ir ao encontro dos mestres para que estes lhe ensinem a técnica da "rajada de vento", começando assim um treino intensivo.

Entretanto uns operários da construção civil, aquando da escavação de um túnel, encontram uma câmara antiga que se encontra selada. Quando a abrem, apanham um grande choque pois está um homem vivo lá dentro. A pessoa é nada mais, nada menos que "Heng-hu", um dos "Sete Mestres" que foi banido há centenas de anos atrás. "Heng" inicia a sua busca pela chave de "Arahan" que lhe permitirá controlar o mundo, atacando para o efeito cada um dos seus cinco companheiros.

Apenas "Sang" e "Eui" lhe poderão fazer frente!

"Eui-jin"

"Review"

A nível de argumento, "Arahan" pouco nos traz de novo. Existe um jovem que tem uma vida infeliz, mas que igualmente possui habilidades extraordinárias que desconhece em absoluto; um mestre que procura alguém a quem possa transmitir o seu fardo pessoal; um vilão que tudo faz para conseguir o seu objectivo. E também como não podia deixar de ser, um relacionamento amoroso, que na maior parte dos filmes do género despreza quese em absoluto o contacto físico.

"Sang-wan" constitui uma personagem chata como tudo, e que só apete bater. Faz lembrar aqueles colegas chatos, que se queixam constantemente sobre tudo e nada fazem para mudar alguma coisa. Nem sequer nos esforçamos para ter pena dele. Um clássico "tótó"! Claro que quando o rapaz finalmente aprende as artes marciais, e começa a distribuir uma valente carga de "porrada", lá começamos a ficar mais próximos do rapaz.

"Eui-jin" é possuidora de um grande "sex appeal", e transparece aquele ar de má que nenhum "macho" que se preze consegue ficar indiferente! A interpretação é no geral bem conseguida, embora não muito interventiva. Existe uma cena em que "Sang" vislumbra um bocado da pele de "Eui", quando ela veste o seu "kimono" de treino, e a rapariga vira-se e sai-se com a frase "Wanna die?". Não vos faz lembrar nada? De certeza? Vejam então o que Jun Ji-hyun está constantemente a dizer em "My Sassy Girl"!

As lutas seguem a tradição de "The Matrix" e "Volcano High", com grandes voos e paragens em "slow motion" para que possamos apreender e ficar maravilhados com os golpes aplicados. Muito bonito de se ver sim senhores, mas nada de inovador é apresentado. O mesmo não se poderá dizer das frenéticas corridas e saltos entre os arranha-céus, em que confesso, fiquei deslumbrado, principalmente naquela parte em que "Eui" começa a correr pelas janelas de um prédio enorme, como se estivesse simplesmente a dar um passeio pela estrada.

"Os pupilos a receberem instrução do mestre Ja-woon"

"Arahan" é um filme igualmente possuidor de bastante comédia. Em geral as cenas deste género são muito engraçadas, conseguindo arrancar alguns risos ao espectador. "Parti-me" completamente com a ida de dois dos cinco mestres a um programa de televisão, tendo em vista a exibição das suas capacidades. Os meus olhos chegaram a lacrimejar!!! Como não sou por natureza um grande apreciador de comédia, imagino que estas cenas ainda tenham um efeito mais intenso naqueles que verdadeiramente o são.

Apesar de não ser um filme sério por natureza, existe uma grande mensagem ideológica que pode ser extraída de "Arahan". Alguns bons e velhos costumes estão a ser perdidos pelas novas gerações, nas quais ainda me incluo, e que urge recuperar. Esta é uma ideia que eu concordo plenamente, principalmente quando se tratam de valores como o respeito, a honra e a dignidade!

"Arahan" é um filme "normalzito", sem brilho absolutamente nenhum, salvo um ou outro pormenor. Entretém bastante, sendo ideal para ver num Domingo à tarde, em que só nos apetece estar em casa e não pensar praticamente acerca de nada.

"Luta contra o vilão Heng-hu"

Trailer, Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia, C7nema

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 6

Guarda-roupa - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 7






sábado, maio 20, 2006

Duelo Sem Fim/The Duelist/Hyeongsa (2005)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 111 minutos

Realizador: Lee Myung-se

Com: Ha Ji-won, Ahn Sung-kee, Kang Dong-won, Song Young-chan

"A detective Namsoon"

Estória

Na Coreia do Sul, durante a dinastia Choseon, um jovem mascarado mestre da espada fascina a população, através da demonstração das suas habilidades numa feira. Tendo em vista furtar a estatueta de um buda toda feita em ouro, arma um ardil que consiste em provocar um despiste de uma carroça puxada por cavalos, fazendo com que uma grande quantidade de moedas se espalhe pelo chão. A distracção é um sucesso e o "Duelista" consegue trazer a estátua consigo. No entanto sente dificuldades na fuga, muito devido a "Namsoon", uma jovem detective que o persegue e quase o captura. A rapariga é muito dotada no manejo de uns punhais ligados por um pano de seda, para além de possuir um verdadeiro mau humor.

"O duelista Sad Eyes"

Após descobrirem que as moedas espalhadas pelo chão são contrafeitas, a polícia dá o seu melhor para prenderem o "Duelista" e o seu grupo, mas é constantemente mal sucedida e muitos agentes são mortos. A jovem detective e o seu chefe, um homem de meia-idade chamado "Ahn", são encarregues de localizar o criminoso e capturá-lo.

Mais do que uma vez, "Nansoom" luta com o mestre da espada, mas uma coisa não estava nos seus planos: apaixonar-se pelo inimigo...

"Review"

"The Duelist" é a modos de dizer, diferente, esquisito, muito volúvel, mas sobretudo prima pela originalidade!

A cinematografia é bela, fazendo lembrar em certos aspectos "Herói", com um uso intensivo de "slow motion" e com uma predominância dos fundos com cor vermelha, embora o negro, o branco e o azul marquem bastante a sua presença. A película é extremamente experimental, e não é só no tratamento da imagem que isso se nota.

Apesar do filme ser acerca dum especialista na arte do manejo da espada, as lutas não são nada violentas mas sim muito artísticas e coreografadas mais para parecerem uma dança do que propriamente um acérrimo duelo.

O enredo afigura-se interessante, embora seja o que de menos original o filme tem. Existe um fora-da-lei misterioso, uma agente da polícia que o persegue, aombos lutam e consequentemente apaixonam-se, mas estando em lados opostos, já se vê qual será o final. Mesmo assim, tenho que reconhecer que de certa forma o epílogo surpreendeu-me, indo com certeza dar azo a discussões e diferentes interpretações. No entanto julgo ser praticamente unânime que encontra-se imbuído de uma grande beleza e espiritualidade.

"O experiente detective Ahn"

A banda-sonora, à imagem da aura que cerceia esta longa-metragem, é de extremos musicais impressionantes. Num segundo estamos a ouvir "world music", no outro ópera, a seguir tango electrónico de "Gothan Project" e por fim uns "riffs" poderosos de guitarra. A própria ligação entre as músicas é muito pouco comum, mas a genialidade é demonstrada no facto de a melodia ser sempre adequada à cena que estamos a visionar. Mais um traço de originalidade!

O que irritou-me sem dúvida, foram as partes de comédia que constam no filme. A maioria não tem piada nenhuma e revela-se totalmente despicienda. Sendo um filme por natureza trágico, "os gags" serviam apenas para descermos à terra e questionarmo-nos "Mas que raio é isto?". Aqui a experimentalidade foi longe demais. Lee devia ter-se cingido ao dramatismo, até porque os actores, em especial o brilhante Ahn Sung-kee, não têm jeito nenhum para fazer rir.

"Apesar por várias vezes lutarem, Namsoon não consegue resistir aos encantos de Sad Eyes"

"The Duelist" não agradará muito ao fã convencional de filmes de artes marciais, pois no fundo esta película não pretende ser um filme de acção. Por outro lado, acredito que os admiradores do épico de Wong Kar-Wai "Ashes of Time" fiquem satisfeitos com o visionamento desta longa-metragem.

Constitui uma boa proposta, que eleva a nossa cultura cinematográfica!

"Luta real ou imaginária?"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Banda-sonora - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M" - 7

Classificação final : 7,50