"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!

domingo, janeiro 07, 2007

[Shinobi] - Hamasaki Ayumi: Heaven

sábado, janeiro 06, 2007

Street Fighter II - Animação/Street Fighter II - The Animated Movie (1994)

Origem: Japão

Duração: 101 minutos

Realizador: Gisaburo Sugii

Vozes das personagens (versão japonesa/americana): Kôjiro Shimizu/Skip Steelrecht (Ryu), Kenji Haga/Eddie Frierson (Ken Masters), Miki Fujitani/Mary Briscoe (Chun Li), Masane Tsukayama/Kirk Thornton (Guile), Daisuke Gôri/Richard Epcar (Edmond Honda), Shigezô Sasaoka/Peter Spellos (Sagat), Jôji Nakata/Phil Mathews (Lord M. Bison)

"Ken Masters"

Estória

A organização "Shadowlaw" é um mega grupo criminoso, que se dedica ao tráfico de armas e de droga, cuja influência se propaga a nível mundial, chegando a provocar a queda e ascensão de governos. O seu líder é o poderoso e infame "Lord Bison", sendo auxiliado pelos lugares-tenentes "Sagat", "Vega" e "Balrog".

O FBI e a Interpol, nas pessoas da agente chinesa "Chun Li" e do capitão do exército norte-americano "Guile", tudo fazem para exterminar esta organização criminosa, e descobrem a última conspiração levada a cabo por "Bison".

"Ryu"

Pelos vistos, o líder da "Shadowlaw" anda à procura do mais poderoso guerreiro existente nos últimos anos, de seu nome "Ryu". O problema é que "Ryu" deambula pelo mundo inteiro, procurando estar sempre em contacto com novas culturas e povos, dificultando imenso o objectivo de "Bison" em encontrá-lo e recrutá-lo.

Eventualmente, "Bison" encontra um substituto à altura em "Ken Masters", um campeão de artes marciais norte-americano, que estudou em jovem com "Ryu", sob a orientação do mesmo mestre.

"Bison" captura "Ken", e faz-lhe uma lavagem cerebral, lançando-o contra os seus inimigos, incluíndo "Ryu". Quem vencerá a batalha?

"O vaidoso Vega furioso por ver a sua beleza afectada"

Review

Antes de pronunciar-me propriamente acerca do filme, permitam-me que partilhe convosco algumas singelas recordações da minha adolescência, e que estão intimamente ligadas a "Street Fighter II", mais propriamente ao jogo.

A primeira consola de jeito que eu tive foi uma "Sega Megadrive" que os meus pais ofereceram-me por altura do Natal, já nem sei dizer há quantos anos. Muitos mesmo! Nesse glorioso dia, em que descerrava o embrulho, reparei que além da consola e do jogo que vinha de oferta ("Sonic, the Hedgehog"), vinha um pequeno embrulho acoplado. Era nada mais, nada menos que o jogo "Street Fighter II", e uma relação de grande amizade iniciou-se.

Posteriormente, já na média adolescência, aí pelos 14-15 anos, comecei a frequentar um salão de jogos que ficava no Centro Comercial Bom Jesus, aqui no Funchal, e o "Street Fighter II" era o jogo obrigatório para todos os que se divertiam por aqueles lados, chegando a realizarem-se torneios bem empolgantes, eh, eh, eh!

Perdoem-me este pequeno devaneio pessoal, mas quis apenas ilustrar que "Street Fighter II" foi um jogo de computador muito marcante para mim, e porventura para muitos dos que estarão a ler este "post" Passemos então ao filme.

Não concordo muito com aqueles que insistem em afirmar que quando estamos perante um "anime" de artes marciais, o enredo e o desenvolvimento das personagens assumem um carácter secundário, interessando apenas a acção e nada mais. São opiniões válidas, e que respeito imenso, mas sou claramente obrigado a discordar. Para mim um enredo muito bem desenvolvido, com personagens muito bem caracterizadas, são condição essencial para que se obtenha uma película com um mérito de se apreciar. Atendendo a esta consideração, "Ninja Scroll" por exemplo é um bom filme, infelizmente já não posso dizer o mesmo de "Street Fighter II", para mal dos meus pecados...

"A agente da Interpol Chun Li"

As falhas argumentativas abundam. Com a excepção de "Ken" e "Ryu", as restantes personagens são bastante mal-tratadas a nível do seu desenvolvimento pessoal. Resumindo: Praticamente a única preocupação que se teve foi a tentativa em expor as impressionantes capacidades de combate dos intervenientes.

As lutas que deveriam ter supostamente servido de pilar para que este "anime" pudesse ser algo acima da média, acabam por ser eivadas de uma certa banalidade. Para ser sincero, os únicos dois combates que mexeram um pouco comigo foram os travados entre "Ryu" e "Sagat" no início do filme, e principalmente o de "Chun Li" com "Vega" no quarto de hotel. Este último tenho que reconhecer que foi deveras impressionante. Fossem todos assim!

A animação é competente, embora não seja nada do outro mundo, comparado com o que já nos habituamos a ver dos produtos nipónicos. E ela só não é mais elogiada por esta mesma razão, pois estamos a falar de um produto oriundo do país do sol nascente. Provavelmente se o filme fosse originário de uma outra qualquer nação, estaria a tecer grandes considerações acerca da beleza, dos ãngulos de câmara, etc.

Uma última palavra para a banda-sonora, que é muito fraca na versão japonesa. Pelo contrário, na versão ocidental é quase fabulosa! A nota abaixo foi dada, tendo em conta que vi a versão original, com uma música de qualidade muito inferior.

"Street Fighter II" é uma película banal, que não faz jus ao jogo em que é baseada. Acaba no entanto por fugir da completa mediocridade do filme protagonizado por Jean Claude Van Damme, esse sim um atentado a uma das maiores lendas dos "arcades".

Mais ou menos, sendo mais para menos!

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: AnimeHaus

Esta crítica encontra-se igualmente disponível "on line" em ClubOtaku

Avaliação:

Entretenimento - 8

Animação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 6

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 6,86

"Lord Bison desfere um violento ataque em Ken Masters"





sexta-feira, janeiro 05, 2007


Votações do My Asian Movies


Embora a aderência esteja a ser muito pouca, cumpre de qualquer forma fazer um balanço dos resultados das votações lançadas pelo "My Asian Movies". Tal esforço será efectuado periodicamente, em princípio de 3 em 3 meses, com excepção da votação para o filme asiático que irá ser nomeado para o óscar de 2007, na categoria "Best Foreign Movie" (por razões óbvias!!!).
Sendo assim neste momento:
1. Zhang Ziyi 2. Cecilia Cheung 3. Dez actrizes
1. Bruce Lee 2. Jet Li e Choi Min-sik 3. Cinco actores
1. Curse of the Golden Flower 2. The Banquet e King and the Clown
Que dizem? Qual a vossa opinião?

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Maggie Cheung (biografia)
Maggie Cheung nasceu em Hong Kong, em 20 de Setembro de 1964.
Com oito anos de idade, mudou-se com a família para Inglaterra, onde permaneceu até completar o ensino secundário. Na sua escola, sentia-se discriminada pelo facto de ser a única estudante asiática. Este sentimento continuou quando aos 18 anos retornou a Hong Kong, pois já não sabia falar o dialecto local correctamente.
Cheung iniciou uma carreira como modelo, que a levou a entrar em anúncios televisivos, chegar à final do concurso "Miss Hong Kong" e finalmente começar a sua experiência no mundo do cinema, embora em filmes de baixo calibre tais como "Prince Charming", "Happy Ghost 3" e "The Frog Prince".
A sua grande oportunidade surgiu em 1985, quando desempenhou o papel de "Mai" a namorada de Jackie Chan em "Police Story". O filme viria a revelar-se um grande sucesso comercial, com direito a duas sequelas "Police Story 2" e "Supercop".
No entanto, a verdadeira explosão do talento de Maggie Cheung deu-se em 1989, no filme intitulado "Full Moon in New York" do conhecido realizador Stanley Kwan, que fez com que ganhasse o prémio para melhor actriz no Golden Horse Festival, em Taiwan. Neste mesmo ano, ao entrar em "As Tears Go By" deu início à primeira de inúmeras colaborações com Wong Kar Wai. Seguiram-se mais dois dramas, "Song of the Exile" (1990) de Ann Hui e "Days of Being Wild" (1991), novamente de Kar Wai.

"Uma bela actriz, um talento sem par"

O seu desempenho em "The Actress" (1991) valeu-lhe imensos prémios como melhor actriz em vários festivais tais como o Taiwan Golden Horse, Hong Kong Film Awards e Berlim. A sua actuação neste filme como Ruang Ling Yu, uma actriz chinesa da década de 30 do século XX que costumava dobrar a voz de Greta Garbo, valeu-lhe elogios francamente positivos da crítica mais exigente. Seguiram-se mais dois filmes de artes marciais, "Twin Dragons" (este igualmente com Jackie Chan) e "The Heroic Trio", ambos de 1992.

À medida que a sua carreira ia progredindo, Cheung começou a ser mais selectiva na escolha dos seus papéis. Em 1994, ocorre a sua terceira colaboração com Wong Kar Wai, no incompreendido mas fabuloso épico "Ashes of Time", onde Maggie Cheung desempenha o amor impossível do malogrado Leslie Cheung. Posteriormente, viaja para Paris tendo em vista protagonizar "Irma Yep", realizado por Oliver Assayas, com quem viria a casar-se, união que foi votada posteriormente ao malogro.

Em 1997, actua em "A Caixa Chinesa", conjuntamente com dosi grandes nomes do cinema mundial, Gong Li e Jeremy Irons. O filme de Wayne Wang teve uma aceitável distribuição mundial, e inclusive estreou nos E.U.A., o que foi bom para dar visibilidade à actriz. Em 2001, volta à quarta colaboração com Wong Kar Wai, no maravilhoso drama romântico "Disponível para Amar", papel que lhe valeu mais um conceituado prémio no Taiwan Golden Horse Festival.

2002 foi o ano em que Maggie Cheung viria a desempenhar um dos seus papéis mais marcantes e porventura o que lhe iria dar maior visibilidade internacional. Falamos da bela e orgulhosa "Neve Esvoaçante", no grandioso épico de Zhang Yimou "Herói". 2004 igualmente a ser um ano muito bom para Maggie Cheung, pois "Herói" estreia nos E.U.A., com uma "mãozinha" de Quentin Tarantino, e atendendo a que Cheung desempenha um dos papéis principais, chama a atenção do público norte-americano para as suas inegáveis qualidades a todos os níveis. Igualmente neste ano, entraria pela quinta vez num filme de Wong Kar Wai designado "2046", onde teve a oportunidade de contracenar com várias musas do cinema asiático tais como Faye Wong, Zhang Ziyi, Gong Li e Carina Lau.

Maggie Cheung é uma das actrizes asiáticas mais respeitadas no panorama internacional, e mesmo que porventura não tenha a visibilidade de Zhang Ziyi e Gong Li, não lhes fica a dever nada em termos de beleza e talento. Veremos o que o futuro reserva a esta maravilhosa intérprete!

Curiosidades (Fonte: Internet Movie Database - IMDb)

  • Em 1997, foi membro do Juri no Festival Internacional de Berlim;
  • Foi finalista no concurso Miss Hong Kong, edição de 1983;
  • Modelo da Hermes e do Shampoo Lux;
  • Foi a primeira chinesa a vencer o prémio para melhor actriz em Berlim (1992) e Cannes (1994);
  • Os seus pais são de Xangai. Embora ela não fale o dialecto desta cidade, consegue entende-lo;
  • Queria ser cabeleireira quando era criança;
  • Recusou um papel no filme X-Men 2, por achar que seria desonesta em aceitá-lo;
  • Actuou em 7 filmes com Tony Leung Chiu Wai e em 6 películas com Brigitte Lin, actriz que Cheung considerava o seu ídolo;
  • Recusou o papel em "Memórias de Uma Gueixa", devido à tensão racial existente entre os chineses e japoneses, consequência da II Guerra Mundial.

"A inesquecível Neve Esvoaçante no épico Wuxia Herói"

Filmes:

  1. Behind the Yellow Line (1984)
  2. Prince Charming (1984)
  3. Rainbow Around My Shoulder (1984)
  4. Christmas Romance (1985)
  5. Girl With the Diamond Slipper (1985)
  6. Lost Romance (1985)
  7. Police Story (1985)
  8. Dr. Yuen and Wisely (1986)
  9. Happy Ghost 3 (1986)
  10. Heartbeat 100 (1987)
  11. The Game They Call Sex (1987)
  12. The Romancing Star (1987)
  13. Heavenly Fate (1987)
  14. Project A2 (1987)
  15. Moon, Stars & Sun (1988)
  16. Call Girl 88 (1988)
  17. As Tears Go By (1988)
  18. Double Fattiness (1988)
  19. How to Pick (1988)
  20. Mother Vs. Mother (1988)
  21. Beloved Son of God (1988)
  22. Love Soldier of Fortune (1988)
  23. Paper Marriage (1988)
  24. Police Story 2 (1988)
  25. Golden Years (1988)
  26. Little Cop (1989)
  27. My Dear Son (1989)
  28. Bachelor´s Swan Song (1989)
  29. Double Causes Trouble (1989)
  30. The Iceman Cometh (1989)
  31. A Fishy Story (1989)
  32. In Between Love (1989)
  33. Heart Into Hearts (1990)
  34. Red Dust (1990)
  35. Farewell China (1990)
  36. Full Moon in New York (1990)
  37. Crying Freeman: Dragon From Russia (1990)
  38. Song of Exile (1990)
  39. Today's Hero (1991)
  40. Party of a Wealthy Family (1991)
  41. The Perfect Match (1991)
  42. Days of Being Wild (1991)
  43. Alan and Eric Between Hello and Goodbye (1991)
  44. Will of Iron (1991)
  45. New Dragon Gate Inn (1992)
  46. The Twin Dragons (1992)
  47. King of a Thousand Faces (1992)
  48. Too Happy For Words (1992)
  49. All's Well, Ends Well (1992)
  50. What a Hero (1992)
  51. Supercop (1992)
  52. The Actress (1992)
  53. Blue Valentine (1992)
  54. True Love (1992)
  55. Boys Are Easy (1993)
  56. Moon Warriors (1993)
  57. Flying Dagger (1993)
  58. The Eagle Shooting Heroes (1993)
  59. First Shot (1993)
  60. Bare Foot Kid (1993)
  61. The Heroic Trio (1993)
  62. Cinema Jack (1993)
  63. Seven Maidens (1993)
  64. Enigma of Love (1993)
  65. Mad Monk (1993)
  66. Heroic Trio 2 (1993)
  67. Green Snake (1993)
  68. Conjugal Affair (1994)
  69. Ashes of Time (1994)
  70. Comrades: Almost a Love Story (1996)
  71. The Soong Sisters (1997)
  72. A Caixa Chinesa (1997)
  73. Augustin, King of Kung Fu (1999)
  74. Le Bel Hiver (2000)
  75. Love at First Sight (2000)
  76. Disponível Para Amar (2000)
  77. Herói (2002)
  78. Clean (2004)
  79. 2046 (2004)

"Com o malogrado Leslie Cheung em Ashes of Time"

The Internet Movie Database (IMDb) link, Fan Clube Francês de Maggie Cheung

"Em Disponível para Amar (In the Mood for Love) formou com Tony Leung Chiu Wai um dos pares mais emblemáticos da história do cinema"




domingo, dezembro 31, 2006

Feliz Ano Novo!!!

À semelhança do que foi feito na semana de Natal, desejo a todos aqueles que visitam este humilde "blog" de cinema asiático, um ano de 2007 repleto de sucessos profissionais e pessoais!!!

Aproveito para puxar a "brasa à minha sardinha" e se tiverem oportunidade de ver o fogo de artifício aqui da Madeira, não o percam porque definitivamente vale a pena!!!

Felicidades para todos!!!


O Mito/The Myth/San wa (2005)

Origem: China/Hong Kong

Duração: 117 minutos

Realizador: Stanley Tong

Com: Jackie Chan, Kim Hee-sun, Tony Leung Ka Fai, Mallika Sherawat, Yu Rong-guang, Choi Min-su, Patrick Tam, Ken Wong, Sun Zhou, Shao Bing, Jin Song, Ken Lo, Hayama Hiro

"O intrépido arqueólogo Jack"

Estória

O general "Meng Yi" (Jackie Chan) é incumbido pelo imperador Qin de receber nas fronteiras do reino a princesa coreana "Ok-soo" (Kim Hee-sun), futura concubina do monarca. O casamento não é bem visto por certas facções dos coreanos, e em virtude deste facto, o general "Choi", antigo noivo de "Ok-soo", ataca a caravana da princesa e o exército comandado pelo general "Meng Yi".

No meio da refrega, o general "Meng Yi" e "Ok-soo" são separados do exército de Qin e encetam uma viagem sozinhos até à cidade imperial. Um sentimento bastante grande começa a desenvolver-se entre os dois o que leva à inevitável paixão.

"A bela princesa Ok-soo"

Nisto somos levados ao presente, onde conhecemos "Jack Lee" (interpretado igualmente por Jackie Chan), um corajoso e bondoso arqueólogo que vive atormentado com uns estranhos sonhos, onde é um general do reino de Qin que se encontra apaixonado por uma das princesas do reino, estando constantemente dividido entre os seus sentimentos e a lealdade para com o imperador.

"Jack", a pedido de "William" (Toni Leung Ka Fai) parte com este para Dasar na Índia, tendo em vista investigar certas partículas de meteorito que desafiam as leis da gravidade, fazendo levitar tanto objectos, como pessoas. O arqueólogo acidentalmente desemboca no início de uma jornada fantástica, que explicará a razão de ser dos seus estranhos sonhos e levará à maior descoberta da história da China!

"O valente e honrado general Meng Yi"

"Review"

Foi com extrema desconfiança que parti para o desafio em visionar "O Mito", atendendo a que não sou nada fã de Jackie Chan, desgostando inevitavelmente de todos os trabalhos do actor. Esclareço desde já que esta asserção não se trata de nenhum ataque pessoal a Chan, nem ao seu trabalho, que é manifestamente incontornável no panorama do cinema asiático. Simplesmente parte do meu próprio gosto cinematográfico, normalmente avesso a comédias, ou a cenas de luta que redondam em extremas palhaçadas, embora com aspectos imaginativos. No entanto, o "trailer" despontou-me a atenção, e o facto de o filme ter Tony Leung Ka Fai e Kim Hee-sun (actores por quem nutro simpatia) como os protagonistas remanescentes, fizeram-me correr o risco de eventualmente dar a nota mais baixa de sempre e fazer a crítica mais malévola do "My Asian Movies".

A verdade é que apanhei uma desilusão pela positiva, se é que tal é possível, e já não pude destronar "Dragon Chronicles..." como a película menos cotada do "blog". "O Mito" é uma agradável surpresa, e constitui ao mesmo tempo o melhor filme que tive a oportunidade de ver com Jackie Chan, superando inclusive a "mítica" saga de "The Legend of the Drunken Master" (fãs dos filmes de "Kung-fu" não me enforquem na praça pública!!!).

Comecemos pelo início.

"O mito" são duas estórias que correm em paralelo. Uma no tempo da dinastia "Qin", que era a parte que eu tinha quase a certeza ser do meu agrado; outra em 2005, aquela que em princípio iria irritar-me e começar a revelar o mau feitio e a intolerância na escrita. Os "flashbacks" são inevitáveis, como é óbvio, mas bem enquadrados, fazendo com que o espectador mantenha-se sempre a par do enredo e não degenere em confusões medíocres. O resultado é uma película que resulta num misto de épico de índole oriental e uma espécie de "Indiana Jones".

"Os apaixonados Meng Yi e Ok-soo"

Uma das coisas que agradou-me de sobremaneira em "O Mito" foi a faceta aventureira que o mesmo comporta, e que nos leva a conhecer diferentes culturas asiáticas, redundando num saudável ecletismo. O desenrolar da acção beneficia imenso com este aspecto, e saúda-se a visão de Jackie Chan e Stanley Tong em dar vida a uma película que nos possibilita apreciar uma falange de actores chineses a trabalhar com os seus pares coreanos e indianos. E o que torna este aspecto ainda mais interessante é o facto de a ciência histórica de cada um dos países de onde proveêm os actores, estar lá, e não serem meros adereços secundários.

Jackie Chan tem uma actuação mais séria do que o normal, e que embora não seja nada digna de prémios e aclamações, fez-me pensar que o actor deveria por vezes apostar em papéis mais sérios, de modo a que possamos apanhar de vez em quando uma "lufada de ar fresco". É claro que as cenas de luta com alguma "palhaçada" à mistura acabam por aparecer, mas são ténues e não desfilam tanta comicidade como o habitual em outros filmes de Chan. As lutas passadas no segmento épico do filme são de boa qualidade, destacando-se o papel e o treino dos cavalos como verdadeiras armas e amigos de batalha.

Kim Hee-sun não aparece assim tanto como eu gostaria, mas sempre que o faz irradia um brilho próprio das grandes estrelas, em que muito ajuda a sua ternura e quase inultrapassável beleza, que nem mesmo a igualmente linda Mallika Sherawat consegue ofuscar. O papel de Tony Leung Ka Fai fez-me ficar algo confuso, atendendo a que estou mais habituado a vê-lo no desempenho de personagens mais sérias e trágicas. Passado o choque, e tentando ser o mais objectivo possível, acaba por ser aceitável.

Os efeitos especiais estão verdadeiramente bons, embora com uma ou outra falha mais evidente. No entanto, o belíssimo trabalho que se faz aquando da aproximação do epílogo, faz com que as prévias imperfeições desapareçam da nossa mente. Caramba, aquele túmulo do imperador Qin e o ambiente em redor estão mesmo bons!!!

Não entendo sinceramente muitas das más críticas feitas a "O Mito". A mim afigura-se que se trata de um filme bastante razoável e agradável de se ver, o que ainda terá mais pertinência quando não é um fã de Jackie Chan que está a proferir esta afirmação.

Aconselho vivamente!

"Jack reencontra a princesa Ok-soo no fabuloso túmulo do imperador Qin"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cineasia, Rascunhos, Cinema ao Sol Nascente

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8







terça-feira, dezembro 26, 2006

One Nite in Mongkok/Wong gok hak yau (2004)

Origem: Hong Kong

Duração: 110 minutos

Realizador: Derek Yee

Com: Cecilia Cheung, Daniel Wu, Alex Fong, Chin Kar, Ken Wong, Anson Leung, Lam Chi, Ng Shui, Cyntia Ho, Sam Lee, Lau Shek, Lam Suet, Henry Fong, Elena Kong, Bau Hei, Peng Wai, Austin Wai, Monica Chan, Cha Yuen

"A prostituta Lan Dan Dan"

Estória

"Milo" (Alex Fong), um polícia de Hong Kong, vê-se envolvido num intrigante caso, que ocorre na noite de Natal. Tudo começa quando dois líderes de tríades locais, "Tim" e "Carl", se envolvem num conflito devido à morte do filho de "Tim", num acidente de carro provocado pelo filho de "Carl".

"Tim" fala com "Liu", encomendando-lhe o assassinato de "Carl". "Liu" por sua vez contacta "Lai Fu" (Daniel Wu), um assassino de um remoto lugar da China, que aceita o trabalho, vendo neste uma oportunidade para deslocar-se a Hong Kong e descobrir a sua noiva com quem perdeu contacto há algum tempo. "Milo", através de um informador, descobre o plano e começa a desenvolver esforços para impedir o homicídio.

"Dan Dan em fuga com o assassino Lai Fu"

Entretanto, o assassino "Lai Fu" chega a Hong Kong, e após algumas peripécias, trava conhecimento com a prostituta "Lam Dan Dan" (Cecilia Cheung), uma rapariga que provém da mesma terra do que ele. "Dan Dan" torna-se a guia de "Lai Fu", no estranho mundo de Mongkok, uma zona de Hong Kong. Ela age desta forma, como agradecimento a "Lai Fu" por tê-la salvo de um cliente que a estava a agredir.

O que se segue é uma cruzada pelos mais recônditos cantos de Mongkok, onde todos são predadores e presas, e o crime é um modo normal de vida.

"A brigada da polícia"

"Review"

Com um título muito semelhante a um sucesso musical dos anos 80, chamado "One Night in Bangkok", da autoria de Murray Head, este filme tem como pano de fundo o segmento citadino de Hong Kong chamado Mongkok. A fonética inglesa muito semelhante entre a capital tailândesa e o bairro da antiga colónia britânica, foi suficiente para a sugestiva designação da película. No contexto do filme, refere-se ao nome atribuído à operação policial, que visa impedir o assassino "Lai Fu" cumprir o trabalho que lhe foi encomendado.

Falando agora de Mongkok, cumpre dizer em primeiro lugar que é considerado o local com maior densidade populacional do mundo, situando-se no distrito de Yau Tsim Mong, na península de Kowloon. Trata-se de um pequeno mundo, cheio de lojas, bares, discotecas, hotéis, restaurantes, e muitos outros locais de diversão. Igualmente é conhecido por ser um local por excelência de grande actuação da máfia chinesa, conhecida como tríade. Curiosamente, ou não, o seu nome significa qualquer coisa como "lugar movimentado".

Feitas estas pequenas observações, passemos ao filme propriamente dito.

"One Nite in Mongkok", ou se preferirem, "One Night in Mongkok", é um "thriller" que versa sobre o crime contemporâneo, que "trilha" os seus caminhos por uma área urbana propícia a que muita da alta criminalidade organizada aconteça, com todos os dramas pessoais inerentes.

Apesar de grande parte desta longa-metragem centrar-se na relação entre o assassino "Lai Fu" e a prostituta "Dan Dan", Derek Yee pretendeu sobretudo focar a vivência do crime em Mongkok e os seus muito perigosos trâmites operativos. Por outra via, a estória envereda pelo lado oposto da barricada, com uma generosa abordagem ao "modus operandi" da polícia, igualmente com os seus pontos altos e fragilidades evidenciadas.

"Lai Fu muito mal tratado perante o desespero de Dan Dan"

O tratamento pessoal dado aos intervenientes da estória merece mais alguma consideração.

Cecilia Cheung, numa actuação bem conseguida, dá corpo a "Dan Dan" (embora não saiba uma palavra do dialecto de Hong Kong, cheira-me que este nome tem uma conotação não aconselhável a menores de 14 anos) uma emigrante chinesa ocasional, que envereda pela prostituição devido à extrema pobreza da sua família. Revela tanto ser dotada de um coração de ouro, como uma verdadeira mulher objecto, extremamente apegada a bens materiais. No entanto, e com o progressivo conhecimento que tem de "Lai Fu", esta sua faceta é bastante posta de parte. A redenção, aliada à tragédia pessoal, acaba por chegar.

Daniel Wu, que pudemos observar recentemente em "The Banquet" de Feng Xiaogang, interpreta "Lai Fu", um violento assassino que ao mesmo tempo detém um elevado sentido de justiça e moralidade, quando se trata daqueles que lhe são próximos. Ficamos um pouco na expectativa se cederá aos encantos de "Dan Dan", principalmente quando ela oferece-lhe os seus serviços sem cobrar nada e como forma de agradecimento. Não cede, mas nem por isso deixamos de nos aperceber o quão querida "Dan Dan" se lhe torna, levando inclusive à sua ruína pessoal.

Uma palavra de apreço para Alex Fong, no papel de "Milo", o chefe da brigada policial. Trata-se de um homem consumido pelo abandono da esposa, devido ao seu muito ocupado ofício. No entanto, vive da e para a polícia, nunca descurando "o servir e proteger". Contudo, não olha a meios para proteger os seus colegas, mesmo que para isso tenha de cometer delitos. Tenta sempre dar o exemplo aos mais novos, como o seu camarada "Ben", o novato do sítio. Consome-se pela tragédia, pois nem olvidando todos os esforços, consegue evitar o excessivo voluntarismo do jovem.

A direcção de Derek Yee é de um nível bastante aceitável, fazendo não só esforços a nível da condução da estória e dos actores, mas igualmente no campo da fotografia e dos efeitos que acentuam os sentimentos das personagens. Repare-se, a título de exemplo, na expressão do filho de "Carl", aquando da perseguição de automóvel ao filho do "gangster" "Tim". Aquela face maquiavélica e adulterada não sairá da minha cabeça durante algum tempo...

Hong Kong significa "doce fragância". A personagem de Cecilia Cheung afirma algumas vezes, que o ar encontra-se demasiado poluído naquela região administrativa chinesa. A frase tem óbvios contornos ambíguos e idealistas, à semelhança do remanescente do filme.

Uma boa proposta!

"Em Mongkok, a violência por vezes é uma constante"

Trailer , The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia, A vida

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 7,75