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terça-feira, setembro 15, 2009

Ong Bak 2: The Beginning/Ong Bak 2 - องค์บาก 2

Origem: Tailândia

Duração: 94 minutos

Realizadores: Tony Jaa e Panna Rittikrai

Com: Tony Jaa, Sorapong Chatree, Sarunyu Wongkrachang, Nirut Sirichanaya, Santisuk Promsiri, Primorata Dejudom, Natdanai Kongthong, Patthama Panthong, Petchtai Wongkamlao, Dan Chupong, Supakorn Kitsuwon


"Tien"

Sinopse

O ano é 1471 (1974 no calendário budista). “Tien” (Nadtanai Konthong) é o jovem filho de “Lord Sihadecho” (Santisuk Promsiri), um dos quatro líderes militares mais importantes do reino de Ayutthaya, na antiga Tailândia. Devido a confrontos políticos, “Sihadecho” e a esposa são assassinados por “Lord Rajasena” (Sarunyu Wongkrachang), e “Tien” é obrigado a fugir. Tendo caído nas mãos de bandidos, o jovem “Tien” impressiona “Chernang” (Sorapong Chatree), o líder dos piratas “Pha Beek Krut”, que o salva, acolhendo-o como um filho e seu sucessor no bando.

"O jovem Tien enfrenta a fúria de um crocodilo"

Apercebendo-se do potencial intrínseco de “Tien” para o combate, “Chernang” e os seus homens treinam-o em vários estilos de artes marciais, conseguindo com que o rapaz se torne numa máquina de matar perfeita, que consegue combinar diversas formas de luta. Quando chega a adulto, “Tien” (Tony Jaa) continua a guardar as memórias do assassinato dos seus pais. Em virtude deste facto, parte numa cruzada de vingança contra os foras-da-lei que o aprisionaram, mas acima de tudo contra “Lord Rajasena”, que actualmente é o monarca de Ayutthaya.

"A manada de elefantes ajoelha-se perante Tien"

"Review"

Depois do grande sucesso de “Ong Bak”, onde nos foi revelado a mais fabulosa máquina de pancadaria jamais vista, e a continuação do massacre em “Warrior King/The Protector”, Tony Jaa está de volta em mais uma odisseia onde nos é demonstrado o inexcedível potencial do actor em tomar satisfações dos seus oponentes. À semelhança de outras obras cinematográficas, a feitura de “Ong Bak 2” não foi isenta de precalços, essencialmente do ponto de vista financeiro e até do ponto de vista pessoal, no que concerne ao próprio Tony Jaa. A película começou a ser rodada em 2006, mas algures por volta de Julho de 2008, o actor, e aqui também realizador, desapareceu do local de filmagem, deixando toda a gente pendurada. Vários rumores circularam à altura, que chegaram ao ponto de afirmações que colocavam Tony Jaa num estado desolado e em isolamento total, algures numa caverna a praticar magia negra. A fronteira entre a realidade e a ficção é bastante ténue, e nestas coisas nunca sabemos o que é verdade ou mentira. O que é certo foi que o atraso fez com que a produção do filme começasse a causar prejuízos financeiros, havendo uma troca de acusações entre a companhia “Weinstein”, a “Sahamongkol Film” e o próprio Tony Jaa. Após o ultrapassar do dilema, as filmagens continuaram, com uma importante adição. O mentor de Tony Jaa e coreógrafo de artes marciais Panna Rittikrai foi chamado ao projecto, pois entendeu-se que seria uma pessoa com capacidades para completar esta longa-metragem. Daí que se pode afirmar que “Ong Bak 2” possuiu dois realizadores, um na fase inicial e outro na parte final.

Toda a gente conhece, em maior ou menor medida, o grande impacto do primeiro “Ong Bak”, que na altura foi um enorme soco no estômago no que aos filmes de artes marciais diz respeito. Um desconhecido chamado Panom Yeerum, que adoptou o nome artístico de Tony Jaa, explodiu nas telas, demonstrando todo o potencial e força que o Muay Thai pode revelar nas telas. E verdade se diga, o manancial de golpes, acrobacias e atrever-me-ia a dizer brutalidade, foi algo até então nunca visto! Falo por mim, é claro! Em nome do claro desprezo pelo argumento, o que interessava verdadeiramente era observar os entusiasmantes pontapés e socos, mas ainda mais as joelhadas e cotoveladas que um aparentemente inocente/inofensivo Jaa desferia nos seus infelizes opositores. Posteriormente, Jaa viria a protagonizar “Warrior King/The Protector”, uma película que no global era inferior a “Ong Bak”, superiorizando-se eventualmente na parte mais sentimental, devido à relação entre Jaa e o elefante “Por Yai”, para além da cria “Korn”. Chegamos então a este “Ong Bak 2”, e desde já se adianta que é um filme superior aos anteriormente mencionados, embora convenhamos que esteja bastante longe de ser isento de falhas.

"Tien é auxiliado por um elefante em combate"

O facto de “Ong Bak 2” constituir a longa-metragem de maior craveira protagonizada por Jaa, passa essencialmente por demonstrar ser um filme mais elaborado no seu todo. Existe, por exemplo, um cuidado ligeiramente acrescido na trama, embora a mesma continue muito básica. E a maior crítica que advém neste particular, já profusamente repetida por muitos, é que não se consegue discernir uma relação directa entre este “Ong Bak” e o anterior. Ou seja, não existem elementos de ligação entre os dois filmes, no sentido de nos apercebermos qual é a verdadeira relação entre ambos. Através de repetidos reparos neste particular, Jaa responderia meio irritado que a relação seria estabelecida em “Ong Bak 3”. Ficam pois a saber desde já que a saga “Ong Bak” não ficará por aqui, o que já seria bastante previsível face ao epílogo de “Ong Bak 2”. Quanto a mim, julgo que será mais ou menos óbvio atendendo ao título do filme, que a personagem principal de “Ong Bak 2”, será um antepassado de “Ting”, o jovem inocente de “Ong Bak”. Mas como já referi, e sou obrigado a reiterar este aspecto, os “Ong Bak's” não primam muito pelo argumento, pelo que nos resta aguardar de alguma forma o que irão “inventar” para estabelecer um paralelo que até parece óbvio.

Outro aspecto que eleva “Ong Bak 2” a um patamar superior, quando comparado com o seu predecessor, passa por uma produção em muito maior escala, a que não será alheio, como é óbvio, a existência de fundos monetários mais desafogados. Isto reflecte-se essencialmente nos aspectos visuais, por vezes fenomenais, que o filme denota. “Ong Bak 2” vive diversas vezes sob o signo da sumptuosidade, que em muito contribuirá o facto de a película ocorrer na Tailândia do século XV. A beleza das paisagens, mormente das montanhas, dos rios e dos templos entusiasmam e conferem um pano de fundo aprazível a esta longa-metragem e que em nada defraudará aqueles que se consideram cultores de uma boa fotografia e de cenários paradisíacos. Trata-se de um dos pontos fortes de inúmeras películas asiáticas, e aqui “Ong Bak 2” faz jus à sua orientalidade, ficando a dever a poucas longas-metragens.

Chegamos agora à verdadeira razão de existência de “Ong Bak 2”, ou seja, a acção. Como já aflorei, aqui temos um Tony Jaa diferente dos seus anteriores registos, pelo facto de o Muay Thai não ser a lei. O actor demonstra que o seu registo de golpes não se limita à arte marcial rainha da sua terra natal e navega por outras formas de combate que irão desde o wushu até ao kendo, passando por muitas outras. O manancial de golpes desferido é de tirar a respiração, acontecendo momentos que por vezes podemos catalogar “de outro mundo”. E a vantagem é que as cenas são filmadas de uma forma que nos apercebemos de praticamente todos o impacto e a técnica envolvida. E esta premissa aplica-se, imagine-se, aos casos em que estão envolvidos animais. A cena do jovem “Tien” no poço do crocodilo é bastante feliz, e quase acreditamos que efectivamente encontra-se um jovem a lutar pela sua vida, contra o réptil perigosíssimo. Mas o que verdadeiramente nos conquista, e tal deriva da própria paixão de Jaa por estes animais, são as cenas em que intervêm os elefantes. Deparamo-nos com “Tien”, durante uma debandada destes animais, a saltar progressivamente de elefante em elefante, até chegar ao líder e dominá-lo. Posteriormente, todos os elefantes vergam-se à coragem do guerreiro, e reconhecem-no como seu superior. Embora seja evidente a inverosimilidade da situação, não poderá ser negado que o efeito é espectacular, inspirador e com algo de majestoso. Obviamente que não poderia deixar de aludir aos combates físicos que se passam no dorso de um dos elefantes. É simplesmente de ficar embevecido, tanto pela agilidade dos intervenientes (existem partes que se nota que o uso do guindaste foi afastado!), como pela calma e até intervenção do animal quando confrontado com todos os actores à sua volta num grande rebuliço.

Sendo um filme manifestamente incompleto, e claramente a solicitar uma sequela, “Ong Bak 2” acaba por se revelar como uma agradável surpresa. É uma clássica história de vingança, sem nada que se possa apontar como inovador neste segmento. No entanto, é imperioso que continue a haver espaço para aquele tipo de películas que vivam quase exclusivamente da acção, do empirismo e do entretenimento à moda antiga. “Ong Bak 2” marca definitivamente a sua presença nesta classe, e dentro do seu género, é uma obra que marca uma presença indelével. Aguardemos, pois, pelo que Tony Jaa e Panna Rittikrai nos reservaram para “Ong Bak 3”, de forma a que percebamos o que efectivamente significa a expressão “Ong Bak”, no meio desta fúria imensa de sangue, misticismo e artes marciais do melhor que pode ser oferecido hoje em dia!

Vale a pena conferir!


"Tien vinga-se sobre um dos seus captores"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 6

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75




quarta-feira, setembro 09, 2009

Beldades do Cinema Asiático - Charlie Yeung








Mais informações sobre esta bela e grande actriz do cinema asiático AQUI.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Os Amantes do Rio/Suzhou River/Suzhou he - 苏州河 (2000)


Origem: China

Duração: 82 minutos

Realizador: Lou Ye

Com: Zhou Xun, Jia Hongshen, Hua Zhongkai, Yao Anlian, Nai An


"Meimei"

Em Xangai, um anónimo e frustrado realizador (Hua Zhongkai) é contratado pelo dono da “Taberna Feliz”, para fazer um vídeo acerca do seu espectáculo de sereias, protagonizado por “Meimei” (Zhou Xun). Rapidamente, o casal enceta uma relação amorosa forte, mas baseada em algum desprendimento. Através da rapariga, o realizador cedo toma contacto com a triste história de “Mardar” (Jia Hongshen).

“Mardar” era um homem de 26 anos que fazia de “correio” e a quem eram incumbidas várias missões, algumas delas ilícitas. No decurso do seu trabalho, conhece uma jovem chamada “Moudan” (igualmente interpretada por Zhou Xun) e ambos apaixonam-se. No entanto, a vida de crime de “Mardar” vem ao de cima e os seus patrões “Lao B.” (também Hua Zhongkai) e “Xiao Ho” (Nai An) ordenam o rapto de “Moudan”, de forma a que possam pedir um resgate avultado ao pai daquela. “Mardar” entra no esquema, traumatizando “Moudan” com a sua atitude. A rapariga consegue, a certa altura, fugir de “Mardar” e supostamente afoga-se no rio Suzhou.

"Mardar e Moudan"

De volta ao tempo presente, “Mardar”, após cumprir uma pena de prisão, retorna a Xangai, tendo em vista procurar o seu amor de sempre. Na sua busca, depara-se com “Meimei” e convence-se que esta é “Moudan” devido à grande semelhança física entre as duas.



"Uma sereia dos tempos modernos"

"Review"

“Suzhou River” (esqueçamos agora o título que mereceu em Portugal) foi um filme chinês que marcou alguns pontos nos certames de cinema internacional, tendo inclusive merecido uma distinção no nosso bem conhecido “Fantasporto”, edição de 2002. A crítica especializada, quando se refere a “Suzhou River”, costuma apontar esta película como tributária e influenciada pelo romantismo típico das obras de Wong Kar Wai, apontando-se igualmente algumas características dos filmes de Hitchcock. O amor obsessivo por uma mulher que não poderá ser bem quem se pensa, é relacionado com “Vertigo”, assim como a personagem do realizador tende a ser reconduzida a “Rear Window”. Não sendo eu um particular fã do mestre do suspense, tenderei por defeito a situar “Suzhou River” numa onda que detém algumas semelhanças com o denominado “amor urbano”, muito presente nas longas-metragens de Kar Wai e que, à semelhança de muitos, aprecio imenso. Certo é que Lou Ye enfrentou alguns dissabores com a difusão da obra que constitui objecto do presente texto, tendo a mesma sido banida das salas de cinema chinesas, sanção que perdura até aos presentes dias, segundo o que me foi dado a conhecer. O próprio realizador, à altura, seria proibido de realizar filmes durante dois anos. Mais recentemente, a feitura de “Summer Palace”, em 2006, valeu-lhe nova proibição em dirigir películas por mais 5 anos. Contudo, numa atitude corajosa que se saúda face a regimes “musculados”, Lou Ye desafiou a proibição ao dar vida a “Spring Fever”, uma longa-metragem já deste ano.

Não é segredo para ninguém que no início do nosso século, os épicos de artes marciais, ou meramente históricos, é que foram os pontas-de-lança da cinematografia asiática, no que ao ocidente diz respeito. Após a explosão de “Crouching Tiger, Hidden Dragon”, começaram a surgir outros trabalhos emblemáticos do género, a maior parte a cargo de realizadores da denominada quinta geração do cinema chinês, dos quais Zhang Yimou e Kaige Chen talvez sejam os nomes que dirão mais ao comum dos espectadores. Enquanto Yimou brindava-nos com a sua inesquecível trilogia de “wuxia” (sendo “Hero”, o expoente maior), Chen enveredava pela orientação mais terra-a-terra de “The Emperor and the Assassin”, antes de naufragar em “The Promisse”. Em total dissonância com esta orientação, a denominada “sexta geração” de realizadores chineses, numa perspectiva anti-sistema, apostou em filmes de baixo orçamento, com um grande pendor urbano, neo-realista e mesmo existencialista. Os temas que tratam são bastante actuais, e focam-se sobretudo na entrada lenta da China no mercado capitalista, e nos aspectos, tanto nocivos como positivos que grassam pela população, não amiúde entre os jovens. O realizador Lou Ye é um filho dessa geração, ao lado de outros nomes como Jia Zhangke ou Wang Xiaoshuai, por exemplo. Confesso que não se trata de uma perspectiva que colha muito a minha predilecção, do ponto de vista cinematográfico. Mas é indubitável que granjeou seguidores, e que denota méritos inquestionáveis. “Suzhou River” é um honrado produto desta corrente.



"Vista do balcão"

“- Se algum dia eu te deixar, irás à minha procura?”, pergunta “Meimei”, ao narrador da história. Está dado o mote para uma estranha e inebriante história de amor e de diversas vidas interligadas, onde pano de fundo é uma contemporânea Xangai, a maior cidade da China e uma das mais vastas metrópoles do mundo. No entanto, não nos é demonstrado a urbe pejada de arranha-céus e luzes de néon. Somos, isso sim, confrontados com uma povoação monstruosa e decadente, onde a paixão obsessiva e um sentimento inexorável de perda ditam a lei. A estrutura narrativa passa essencialmente pelos sentidos do realizador anónimo, dos quais ouvimos apenas a sua voz, quer a contar a sua história e a de terceiros, assim como a dialogar com os restantes intervenientes da história, principalmente “Meimei” e “Mardar”. Num estilo que por vezes se aproxima do registo documentário, o referido protagonista marca igualmente a sua intervenção com gestos, e através da sua própria vivência dos acontecimentos. Esta maneira de apresentar a trama, tem uma grande vantagem no sentido de criar uma intimidade próxima com o espectador, fazendo com que o mesmo se imbua mais nas experiência do narrador. Atrever-me-ia a dizer que é quase um estilo de “role playing game”, em que a única diferença passará por não estar na nossa disponibilidade manietar as opções das figuras do filme. Talvez, o termo “voyeurismo” assuma aqui alguma acuidade, e não seja tão despiciendo quanto isso. A partir do momento que começamos a visionar “Suzhou River”, somos remetidos a maior parte das vezes à condição de “voyeur”.

A actriz Zhou Xun dá corpo a uma interpretação de excelente nível, tanto no papel de “Meimei”, como no de “Moudan”. Ela consegue apanhar brilhantemente as características de cada uma das mulheres, extravasando as características de ambas, que se afiguram bastante diversas. Pelo menos, numa primeira aproximação. Zhou Xun efectivamente aqui demonstra ser uma “sereia” (expressão com um sentido muito próprio no filme) dos tempos modernos, demonstrando que possui valor para ambicionar um dia a ser uma verdadeira diva do cinema oriental. Alguns trabalhos posteriores da actriz viriam a confirmar esta premissa. Outros, nem por isso. Jia Hongshen igualmente marca pontos na película, representando o papel de um homem amargurado e de certa forma fadado a um destino trágico. O seu recorte melancólico ajusta-se às mil maravilhas no desafio que aqui lhe foi proposto. O próprio tom do realizador na narrativa é muito bem encaixado, quase poético e que adensa imenso a profundidade emocional que é requerida.

“Suzhou River” não é um filme de fácil apreensão, não estando esta premissa relacionada com um enredo de difícil degustar para o espectador. A sua maior dificuldade advirá do facto de, embora ser uma película que apela aos sentimentos de quem a visiona, necessitar de ser interiorizada de uma forma bastante particular. À semelhança de vários pontos do nosso planeta, em redor do poluído rio “Suzhou” subsistem edifícios degradados, miséria e várias histórias anónimas de crime, amor, traição ou simples sobrevivência. Esta é, pelos vistos, apenas mais uma. Mas indubitavelmente de grande significado e narrada com uma agonizante pendor documental.

Uma boa proposta de um malfadado elemento da sexta geração dos realizadores chineses.



"O realizador afaga Meimei"


Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:





Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 9

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,88






terça-feira, setembro 01, 2009

Beldades do Cinema Asiático - Nana Katase








Mais uma beldade "made in Japan". Informações extra AQUI.

quinta-feira, agosto 27, 2009

Ghajini - घजनी (2008)
Origem: Índia
Duração: 186 minutos
Realizador: A.R. Murugadoss
Com: Aamir Khan, Asin Thottumkal, Jiah Khan, Pradeep Singh Rawat, Tinnu Anand, Riyaz Khan, Vibha Chhibber, Sunil Grover, Anjum Rajabali, Sonal Sehgal, Khalid Siddiqui, Kunal Vijaykar
"Sanjay Singhania"

Sinopse

“Sanjay Singhania” (Aamir Khan) é um milionário, presidente da companhia “Air Voice”, a maior empresa de comercialização de telemóveis em toda a Índia. O executivo de 31 anos sofre de uma doença rara, pois perde a memória de eventos e pessoas, após um período de 15 minutos. A razão para a sua maleita, deve-se a uma pancada forte que levou na cabeça, com uma barra de ferro, quando tentou salvar a sua namorada “Kalpana Shetty” (Asin Thottumkal) de ser assassinada. “Sanjay” não foi bem sucedido, e a rapariga é morta de uma forma impiedosa.

"Kalpana Shetty"

Em virtude deste facto, “Sanjay” embarca numa cruzada vingativa contra o gangster “Ghajini Dharmatma” (Pradeep Singh Rawat), o responsável pela morte de “Kalpala”. No entanto, devido aos seus problemas de memória, tem de se socorrer de um bloco de notas onde aponta factos cruciais e de uma máquina “polaroid” onde tira fotografias de pessoas e locais que lhe são importantes. Menos convencional, é o facto de “Sanjay” tatuar notas importantes no seu corpo, de forma a que a vingança e as razões para tal nunca sejam esquecidas.


"Sunita, a jovem estudante de medicina"

"Review"

Em 2005, A.R. Murugadoss realizaria um filme de seu nome “Ghajini”, que viria a ter algum sucesso no meio cinematográfico indiano, embora fosse uma obra do cinema Tamil, também conhecido por "Kollywood". Não custa relembrar que existe um erro recorrente, passando o mesmo por associar o cinema indiano exclusivamente a “Bollywood”. Como já referi anteriormente em outros textos, “Bollywood” é um termo para designar a indústria de cinema sedeada em Mumbai (antiga Bombaim), e é apenas uma das várias cinematografias existentes na Índia. Mesmo assim, continua a ser a maior indústria de cinema do mundo, a nível de número de películas produzidas anualmente. Se contabilizássemos todos as obras das diferentes indústrias regionais de cinema na Índia, o número ainda seria naturalmente maior. Retornando à longa-metragem que me proponho a analisar neste texto, o “Ghajini” de 2005 viria a criar algum “frisson”, e por esse motivo, em 2008 A.R. Murugadoss viria a dirigir um “remake”, desta vez sob os auspícios de “Bollywood”, e com um dos maiores nomes de sempre daquela cinematografia como actor principal. Refiro-me ao “grande” Aamir Khan.

Uma das grandes questões que giram em torno dos dois “Ghajini”, é que ambos são olhados como uma versão indiana do filme “Memento”, de Christopher Nolan, tendo existido inclusive algumas insinuações de plágio. Aamir Khan viria a sair em defesa de A.R. Murugadoss, afirmando que o realizador tinha ouvido falar de um filme chamado “Memento”, e a ideia do mesmo tinha-o fascinado. Sem ver a película, Murugadoss decidiu escrever a sua própria versão do argumento. Após concluir o texto, visionou o filme americano, achou-o bastante diferente do que tinha escrito e decidiu avançar na realização de “Ghajini”. Como pessoa que viu ambos os filmes, e sem querer tirar partidos, tenho a dizer que existe uma inspiração grande e por vezes óbvia de “Ghajini” na película americana. Contudo, existem elementos suficientes para autonomizar ambos os filmes, de forma a torná-los distintos.

Outro dos aspectos pelo qual “Ghajini” é bastante conhecido, passa pelo facto de ser o campeão de bilheteira de toda a história de “Bollywood”, como alguns cartazes alusivos a esta obra fazem questão de apregoar. Se tomarmos em conta unicamente o montante total de receitas auferido nas bilheteiras, esta premissa afigurar-se-á como verdadeira. No entanto, urge densificar um pouco mais este aspecto. A fazer fé no “BoxOffice India”, e ajustando os valores pela inflação, concluiremos que o filme “Sholay”, de 1975, onde despontava a super-estrela de então Amitabh Bachchan, será o filme mais rentável de sempre de “Bollywood”. Tudo não passam de indicadores, que por vezes podem ser de alguma forma torneados. Pretendo aqui apenas chamar a atenção para não tomarem certas verdades como absolutas. Incontornável é o facto de “Ghajini” ser das películas mais bem sucedidas de sempre do espectro “bollywoodesco” ou “bollywidiano”, se preferirem, e a sua enorme aceitação já deu inclusive origem ao primeiro videojogo tridimensional indiano para PC.



"Sanjay defronta os homens do gangster Ghajini"

“Ghajini” é um clássico filme que aposta essencialmente no conceito de vingança, à semelhança de muitos outros que já foram aqui criticados no “My Asian Movies”, destacando-se pela sua importância inquestionável a trilogia da vingança de Park Chan-wook e os “gun fu” de John Woo. No entanto, “Ghajini”, em nome da necessária empatia e compreensão do espectador com os motivos que norteiam as atitudes violentas que grassam pela película, demonstra algo mais do que actos considerados primários. Sendo assim, esta obra poderá facilmente se dividir em duas partes, a saber, a cruel vingança de “Sanjay” e as peripécias do seu relacionamento com “Kalpala”, através de “flashbacks” que acontecem ao longo desta longa-metragem. No início do filme, somos confrontados com o “Sanjay” actual, que vive num apartamento lúgubre, e cujo único propósito na vida é exterminar o responsável por todas as suas desgraças. Mas “qual a razão para isto tudo ?”, questiona-se o espectador. Através da leitura dos diários de “Sanjay”, por parte de “Sunita” (uma estudante de medicina que se interessa pelo caso do homem) assim como por “Arjun Yadav”, um inspector que investiga as mortes provocadas pelo herói da trama, entramos nas costumeiras analepses. E é aqui que se encontra a parte dita normal numa película de “Bollywood”, que é o romance, o sonho e tudo o mais. Deparámo-nos com um “Sanjay” completamente diferente. Um jovem executivo, bem sucedido, que rocambolescamente conhece uma actriz de comerciais frustrada, mas terrivelmente encantadora. Embrenhamo-nos no amor que começa a despontar e, a certa altura, esquecemo-nos daquele “Sanjay” rancoroso e violento, que parece viver um pesadelo permanente. Contudo, a desgraça inevitavelmente acontece, e já hipnotizados, torcemos para que Aamir Khan comece a espalhar o inferno na terra, com o nosso total apoio. Trata-se de uma técnica narrativa sobejamente usada, mas que, não sei porquê, continua a resultar muito bem. Penso que a razão passará pela nossa própria essência humana, que em algum sítio recôndito acolhe uma “Lei de Talião”, onde a norma principal é “o olho por olho e dente por dente”. O que interessa é que “Sanjay” não defrauda as expectativas neste particular, e parte para a ignorância, transformando “Ghajini” no filme mais violento de “Bollywood” que até hoje tive a oportunidade de visionar.

Aamir Khan dá vida a mais uma interpretação de bom nível e muito forte, de um ponto de vista emocional. Quem conhece minimamente o cinema de “Bollywood”, sabe que estamos perante um dos expoentes máximos do género e um grande actor. Em “Ghajini”, Khan tem de ser mais multifacetado que o normal, ora desempenhando facetas que lhe são mais familiares, como o galã romântico, mas também dando corpo a um homem consumido pela raiva e frustração, que exterioriza através de uma violência sem tréguas. O intérprete preparou-se intensamente para este papel, com muitas horas de ginásio e uma alimentação regrada, de forma a poder ostentar um físico mais poderoso. Mas existe sempre algo que a natureza nos deu e à qual não podemos fugir. Aamir Khan é um actor que não possui uma grande estatura, rondando cerca de 1, 68m de altura. Para o estereótipo do herói violento de acção, designado grosseiramente como “alto e bruto”, Khan fica a perder um pouco neste aspecto. Ainda para mais, quando os combates são desfilados com brutalidade, mas também com exageros, desde empurrões, pontapés ou socos que projectam os seus adversários, francamente maiores, a metros de distância. A credibilidade fica um tanto ou quanto afectada, embora estejamos a falar de um aspecto menor da película. Quanto a Asin Thottumkhal, confesso que nunca tinha ouvido falar anteriormente desta actriz, mas pelos vistos ela também parecia debutar mais por outras cinematografias regionais indianas, que confesso serem totalmente desconhecidas para mim. Tenho a dizer que Asin é belíssima e encantadora, e a mesma não tem pejo ou dificuldade alguma em transmitir isso na película. A sua energia representativa é contagiante, e coloca-nos todos de bom humor. À actriz está reservado o papel de descompressão em “Ghajini”, nas partes em que não nos deparamos com aquela tensão negra da vingança. Uma boa surpresa, e sem dúvida alguma, um jovem valor a acompanhar. O resto do “cast” não consegue acompanhar o duo principal, e em várias partes desta longa-metragem é por demais evidente este aspecto. Apenas o actor Pradeep Singh Rawat, que interpreta o vilão “Ghajini”, consegue fugir um pouco a este diapasão geral.

Com uma banda-sonora claramente mediana, o que constitui uma surpresa quando o compositor é A.R. Rahman, confesso que não consigo entender muito bem o sucesso que rodeou “Ghajini”. É certo que se trata de um bom filme, mas sinceramente está a milhas de outras obras que “Bollywood” já teve o privilégio de oferecer ao mundo do cinema. Julgo que a explicação passará muito pela curiosidade em ver um Amir Khan completamente transfigurado fisicamente, uma excelente campanha de "marketing" e o facto de a película oferecer um tipo de violência e impacto psicológico distinto do que costuma ocorrer por aquelas paragens. Pelo exposto, aconselha-se o seu visionamento sem expectativas desmesuradas!


"O impiedoso Ghajini (de camisa branca) ordena aos seus apaniguados que façam mais uma vítima"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Site oficial

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,63



quarta-feira, agosto 26, 2009

Beldades do Cinema Asiático - Kim So-yeon









Uma beleza incomum (no bom sentido) sul-coreana. Mais informações AQUI.

sábado, agosto 22, 2009

Nausicaa of the Valley of the Wind/Kaze no tani no Naushika - 風の谷のナウシカ (1984)

Origem: Japão


Duração: 116 minutos


Realizador: Hayao Miyazaki


Vozes das personagens principais (versão original japonesa): Sumi Shimamoto (Nausicaa), Mahito Tsujimura (Jihl), Hisako Kyôda (Oh-Baba), Gorô Naya (Yupa), Ichirô Nagai (Mito), Kôhei Miyauchi (Goru), Jôji Yanami (Gikkuri), Minoru Yada (Niga), Rihoko Yushida (Teto), Yôji Matsuda (Asbel), Mîna Tominaga (Rastel), Yoshiko Sakakibara (Kushana), Iemasa Kayumi (Kurotawa)


"Nausicaa e o seu animal de estimação Teto"


Sinopse

1000 anos após a nossa era, na chamada “Idade da Cerâmica”, a raça humana corre um grande perigo e encontra-se na iminência de ser extinta. Tudo se deve ao facto de o homem, no auge do seu poder tecnológico, ter desencadeado um acontecimento apocalíptico denominado “os 7 dias do fogo” que quase destruiu o mundo. Entretanto, “o mar da corrupção”, uma floresta de insectos gigantes e de plantas tóxicas, avança lentamente pela Terra, fazendo com que o planeta se torne cada vez mais inabitável para os humanos.

"Lord Yupa interpõe-se entre Nausicaa e os soldados de Tourmekia"

Mesmo assim, a raça humana parece que não aprendeu a lição, e os reinos remanescentes encetam guerras e conflitos entre si. Uma das poucas nações neutrais é o “Vale do Vento”, que se situa num local idílico, devido ao vento impedir o avanço do “mar da corrupção” para aquela área. O “Vale do Vento” é governado pelo rei “Jihl”, um homem doente e acamado, no entanto a verdadeira líder e a alma do povo é a sua filha, a princesa “Nausicaa”.

A tranquilidade do reino é seriamente abalada quando um conflito eclode entre as nações de “Tourmekia” e “Pejite”, e uma nave tourmekiana despenha-se no “Vale do Vento”. Cedo, “Tourmekia”, sob a liderança da princesa Kushana, invade “Vale do Vento”, de maneira a recuperar um item precioso que se encontrava dentro da nave. “Nausicaa” terá de embarcar numa fantástica aventura, de forma a salvar o seu povo e o planeta Terra.


"O povo do Vale do Vento aprisionado pelos soldados de Tourmekia"

"Review"


Baseado numa manga escrita e desenhada pelo próprio Hayao Miyazaki, é difícil de acreditar que “Nausicaa” foi realizado há 25 anos. A nível dos aspectos ditos mais técnicos, existem muitas animações actuais que estão a milhas da beleza e rigor evidenciados por este filme, assim como a sua mensagem assume uma actualidade impressionante, porventura ainda mais premente hoje em dia. As grandes premissas transmitidas por “Nausicaa”, poder-se-ão reduzir a dois grandes temas: a loucura belicista dos homens e a preocupação pelas questões ecológicas, que o realizador viria a demonstrar em outras obras, mormente “Princess Mononoke”.


Quanto ao primeiro item referido, “Nausicaa” consiste num clássico manifesto anti-guerra, onde Miyazaki critica de uma forma indirecta, mas assumida, o nacionalismo japonês que levou à ruína do país, no pós-II Guerra Mundial, um tema recorrente no cinema nipónico. O filme demonstra um conjunto de líderes que prefere ver o seu próprio povo definhar, do que ceder ao inimigo, e em virtude disso, a destruição propaga-se de uma forma preocupante. Por outra via, a mensagem ecológica é omnipresente. A razão do estado miserável que os humanos vivem, é a sua cegueira pela tecnologia, que destruiu grande parte da natureza. Esta, por sua vez, arranja forma de se defender, e nasce o “mar da corrupção”, cuja função é erradicar o vírus que lesa o planeta, ou seja, a raça humana. Nesta dialéctica dura e cruel, em que a “nossa” civilização é vista pelos restantes seres da terra, como um inimigo comum, aparece “Nausicaa” com uma missão messiânica, uma Gaia cuja função é encontrar o necessário equilíbrio entre todos os interesses em presença.


"Um gigantesco insecto da floresta da espécie Ohmu"

É do conhecimento dos fãs de Miyazaki, que o realizador gosta de ter personagens femininas emblemáticas e fortes nos seus filmes. Podemos afirmar que tudo começou praticamente com “Nausicaa”. Para muitos, considerada a melhor personagem das películas do realizador japonês, a princesa é sem dúvida alguma, uma das grandes heroínas da história da animação. Do meu ponto de vista, apenas “San”, a guerreira da floresta em “Princess Mononoke”, poderá almejar a alguma comparação. “Nausicaa” é apaixonante, irradia confiança por todos os poros, cativa os que a rodeiam, ama todos os seres vivos sem excepção. Para além disto, é dotada de uma coragem que não conhece fronteiras, sendo uma guerreira temível e uma líder inata. Com todas estas características, é impossível o espectador não gostar de “Nausicaa”, pois ela possui praticamente quase todos os predicados que apreciamos num ser humano e que distinguem as pessoas comuns dos eleitos para a grandiosidade.

Em 1984, Miyazaki criaria uma obra de animação com uma qualidade magnífica, onde já se nota distintivamente a excelência do seu desenho e os efeitos de uma beleza quase indescritível. É certo, devido às naturais limitações tecnológicas da altura, que perderá um pouco para os trabalhos mais recentes do realizador. Contudo, urge situar as coisas no seu tempo, e “Nausicaa” neste particular é um monstro sagrado na verdadeira acepção da palavra. O misturar das características de épocas diversas é delicioso, com guerreiros cuja indumentária é uma armadura, mas que tanto possuem espadas como armas de fogo pesadas e capazes de uma destruição sem par. O amor de Miyazaki pelas máquinas voadoras é extremamente demonstrado em “Nausicaa”, onde podemos observar naves futurísticas com um grande poder bélico, que se digladiam nos céus. A própria figura da princesa “Nausicaa”, em cima do seu planador, constitui um dos ícones da animação mundial mais reconhecidos.

Com a chancela do maior nome da animação japonesa, Hayao Miyazaki, com a produção de outro fantástico executante do género, Isao Takahata (“Grave of the Fireflies”), e banda-sonora de Joe Hisahishi (que recentemente foi o responsável pelas melodias de “Departures”), “Nausicaa” é das melhores realizações de sempre da animação mundial. Com um pendor épico e transcendental, Miyazaki escolheu a grandiosidade ao adoptar o nome de uma personagem da Odisseia de Homero, para baptizar a sua mais bela filha. Numa altura em que o realizador encontrava-se longe do reconhecimento que detém hoje, “Nausicaa” foi um sonho belo tornado realidade e o catalisador para o nascimento dos estúdios Ghibli. Por aqui se afere a importância desta magnífica longa-metragem de desenhos animados, que deslumbrará, mas igualmente educará tanto miúdos como graúdos.

Essencial e imperdível!


"A contagiante alegria de Nausicaa, num dos seus hobies favoritos, voar"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Animação - 9

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 10

Gosto pessoal do "M.A.M." - 9

Classificação final: 8,71