"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!
quarta-feira, setembro 09, 2009
quarta-feira, junho 24, 2009
Origem: Hong Kong
Duração: 93 minutos
Realizador: Wong Kar Wai
Com: Brigitte Lin, Leslie Cheung, Maggie Cheung, Tony Leung Chiu Wai, Jacky Cheung, Tony Leung Ka Fai, Li Bai, Carina Lau, Charlie Yeung
Introdução
Como deve ser do conhecimento de muitos que visitam este espaço, “Ashes of Time Redux” não difere muito do original “Ashes of Time”, tratando-se de uma versão melhorada em termos de imagem e outros aspectos relacionados com a produção. É certo que existem alguma subtracções e adições feitas por “Redux”, que darei conta abaixo. Mesmo assim, embora algumas sejam importantes, decidi não elaborar um texto feito à imagem do normal no “My Asian Movies”. Sendo assim, a sinopse infra é a mesma que consta no artigo que elaborei acerca de “Ashes of Time” há três anos atrás. Na “review”, abordarei sobretudo e de uma forma sumária, as diferenças entre ambas as versões, tentando emitir a minha opinião pessoal. Optei igualmente desta vez, por não atribuir a costumeira pontuação, pois entendo que, também neste particular, não deveria fazer uma autonomização das duas obras, sob pena de desvirtuar o pensamento de Wong Kar Wai. A crítica original encontra-se AQUI.
"Huang Yaoshi Aka Evil East"Sinopse
"Ouyang Feng" (Leslie Cheung), também conhecido sob a alcunha de "Malicious West", é um proprietário de uma taberna situada no meio do deserto. Trata-se de um homem morto emocionalmente, devido ao casamento do seu irmão mais velho com a mulher que ama (Maggie Cheung). Vive do seu negócio e da contratação de espadachins necessitados de dinheiro, tendo em vista a perpetração de assassinatos por encomenda. Estranhas pessoas chegam à taberna, cada qual com a sua história que normalmente converge para a tragédia pessoal. Podemos acompanhar "Huang Yaoshi" (Tony Leung Ka Fai), cujo nome de batalha é "Evil East", um dotado homem da espada, cuja atitude cavalheiresca perante o mundo, a vida e o amor, deixaram-lhe um rasto de remorso e recriminação.
“Murong Yang” (Brigitte Lin), por seu lado, é um jovem em busca de vingança sobre “Evil East”, por este ter abandonado a sua irmã “Murong Yin”. Esta, por sua vez, deseja a morte do irmão, por este andar a tentar matar a sua paixão “Evil East”. “Yin” e “Yang” acabam por revelar serem a mesma pessoa, completamente destroçada pela rejeição de “Evil East” e incapaz de encontrar um caminho para a paz interior. Problemas trágicos são demonstrados por outros elementos da história, desde o espadachim cego (Tony Leung Chiu Wai) que é contratado para liquidar um bando de salteadores e cujo último desejo antes de falecer e ver o desabrochar das flores de cerejeira (em sentido figurado, pois tal serve para designar a esposa) na sua terra-natal, passando pelo assassino de bom coração “Hung Chi” (Jacky Cheung) que não gosta de usar sandálias, acabando na jovem e pobre rapariga camponesa (Charlie Yeung) que tenta comprar vingança com um cesto de ovos e uma mula.
"Review"
Precisamente 14 anos depois, o mestre Wong Kar Wai decidia dar um novo corpo ao seu único registo do “Wuxia”, e pessoalmente o meu filme predilecto do valioso espólio cinematográfico do realizador. Desde já se aplaude esta revisita, pelo restauro com a qualidade que esta magnífica obra merece. Como já tinha aludido no meu texto de 2006, e passo a citar “é francamente uma enorme injustiça não existir no mercado uma edição em DVD decente à disposição do público. As existentes são de má qualidade, e tornam-se um verdadeiro crime quando estamos perante uma obra desta envergadura.” Com “Ashes of Time Redux”, o problema fica resolvido, pois com a ajuda do insuspeito Christopher Doyle temos agora à disposição uma edição em condições de ser visionada e admirada. Contudo, existem outros aspectos igualmente importantes, que julgo não terem tomado a direcção correcta.
A principal crítica dirige-se aos cortes que o filme levou, dos quais eu nunca vou perdoar a remoção do grito de sofrimento dado por Brigitte Lin na famosa cena do lago, acompanhado pela música emblemática que associávamos sempre a “Ashes of Time”. Aliás, esta melodia, tal como a conhecíamos, foi removida de vez em “Redux”, notando-se contudo alguma da sua influência nos novos arranjos musicais. Existem outras retiradas e adições, tais como as duas primeiras cenas de luta, pelo que a primeira vez que nos deparamos com os salteadores é o único combate em que está envolvido “Ouyang Feng”, a personagem interpretada por Leslie Cheung. Aproveitando para me referir às cenas mais movimentadas, em “Redux” as lutas são mais perceptíveis, embora neste particular continue a imperar alguma confusão desenfreada. É definitivamente o grande calcanhar de aquiles desta película, como também já tinha aludido no meu anterior texto.
Uma adição que se saúda é o “flashback” relativo à noite do casamento da apaixonada de “Feng”, corporizada em Maggie Cheung, que é mais completa e envolvente do que na versão original. Outra inovação de assinalar, passa pelo derradeiro combate do espadachim cego, interpretado por Tony Leung Chiu Wai, em que Kar Wai opta ora por cortar o som, ou distorcê-lo, assim como tornar a cena mais escura de forma a simbolizar a perda de visão do protagonista. O efeito, sem margem para qualquer dúvida, embrenha mais o espectador na tragédia pessoal da personagem. O sangue carmim, bastante vívido, a jorrar da garganta do espadachim faz o resto. A propositada saturação de cores que predomina em “Redux”, faz com que o filme seja mais estilizado e bonito à vista, aspecto que era extremamente prejudicado pela pobreza de tratamento da versão original. Outro aspecto que é de relevar, passa pelo facto de a grande senhora do cinema asiático, Brigitte Lin, poder debitar agora o seu próprio diálogo em mandarim. Na primeira versão, as falas da actriz eram dobradas para cantonês, havendo alguma detestável dessincronização entre os movimentos da boca e o som. Aqui, felizmente, isto já não se passa.
Sem desprezar os bons predicados que o novo tratamento a “Ashes of Time” mereceu, julgo que o melhor teria sido fazer uma simples, mas efectiva recuperação a esta pérola da sétima arte. “Redux” parece ter sido uma película feita mais para os fãs de Kar Wai, pós - “In The Mood for Love/2046”, desligando-se por vezes do espírito original da obra. Por mim, tudo se mantinha, apenas a imagem e o registo do som eram melhorados. As adições seriam bem-vindas, mas apenas para complementar o que já de bom existia. Quanto à banda-sonora, deixava-a precisamente como estava na versão original, principalmente devido à “tal” música inesquecível, e se possível tentava introduzir de uma forma lógica, o fabuloso violoncelo de Yo Yo Ma que perdura maravilhosamente em “Redux”. Façam pois o favor de confrontar as duas versões, e depois cada um diga de sua justiça! Acima de tudo o que interessa, é que o cerne da questão continua presente: o efeito das tristes memórias passadas na nossa vida presente, e a agonia que as alimenta e as cicatriza no íntimo do nosso ser...
Confiram, nem que seja para observarem o grande e malogrado Leslie Cheung, num dos papéis mais brilhantes da sua carreira!
The Internet Movie Database (IMDb) link - Refere-se à versão originária de "Ashes of Time"
Outras críticas em português:
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
à(s)
10:15 a.m.
1 comentários
Etiquetas: Brigitte Lin, Carina Lau, Charlie Yeung, Hong Kong, Jacky Cheung, Leslie Cheung, Li Bai, Maggie Cheung, Tony Leung Chiu Wai, Tony Leung Ka Fai, Wong Kar Way, Wuxia
domingo, janeiro 06, 2008
Origem: Hong Kong
Duração: 120 minutos
Realizador: Patrick Tam
Com: Aaron Kwok, Charlie Yeung, Goum Ian Iskandar, Kelly Lin, Valen Hsu, Qin Hailu, Tsui Tin Yau, Faith Yeung, Qin Hao, Lester Chan, Lan Hsin Mei, Allen Lin, Wang Yi Xuan, Xu Liwen
"Shing e alguns dos seus vícios"
Estória
“Shing” (Aaron Kwok) é um homem irresponsável, não se apercebendo que a sua família se está a desmoronar. A companheira “Lin” (Charlie Yeung) pensa seriamente em deixá-lo e só não o fez anteriormente devido ao filho de ambos, o jovem “Lok Yuen” (Goum Ian Iskandar).
Certo dia, farta de ser humilhada em público e de pagar as dívidas de “Shing” provenientes do jogo, “Lin” abandona o seio familiar e deixa “Lok Yuen” à mercê do pai. Após uma fase embrenhada na frustração do abandono, em que “Shing” tenta localizar “Lin” de forma a trazê-la para casa, o homem terá de levar a vida em diante e a do seu filho.
As coisas não correm bem, “Shing” perde o emprego e tem perigosos usurários no seu encalço. Sem dinheiro nenhum, “Shing” começa a assaltar residências fazendo uso do seu jovem filho, numa jornada final para a decadência.
"Shing transmite ensinamentos sobre a arte de furtar ao seu filho Lok Yuen"
"Review"
Constituindo o aguardado regresso de Patrick Tam à realização, após um interregno de 17 anos desde “My Heart Is That Eternal Rose”, “After This Our Exile” foi o grande vencedor de dois dos mais importantes festivais de cinema asiático, os “Golden Horse Awards – 2006”, e os “Hong Kong Film Awards - 2007”, tendo levado para casa em ambos os certames variados prémios, entre os quais o galardão para melhor filme. Estamos pois a falar de uma película aclamada, e que fez um certo furor no panorama cinematográfico asiático, tendo inclusive deambulado um pouco pela Europa, fazendo parte da selecção oficial do “Festival Internacional de Cinema de Roma (2006) ”.
“Fu Zi”, o título dado na língua autóctone desta longa-metragem, significa literalmente “Pai e Filho” e como a tradução indica, visa expor a estória de um relacionamento conturbado entre um homem e o seu rebento que desemboca, por circunstâncias adversas, numa aproximação. Ao visionar este filme, não pude deixar de me lembrar de “Adeus, Pai”, uma obra nacional que em 1996 me impressionou bastante pela positiva. Ambas as películas têm em comum o já atrás mencionado, ou seja, a tal aproximação entre pai e filho devido a um evento trágico. No entanto, as semelhanças acabam aí, pois o desenvolvimento do tema é bastante diverso num e noutro filme, fazendo com que a obra de Luís Filipe Rocha seja tocante do ponto de vista suave, e esta de uma perspectiva mais nua e crua, em função dos caminhos que percorre.
O que de melhor “After This Our Exile” possui é sem dúvida as interpretações dos actores, mormente de Aaron Kwok e do pequeno Goum Ian Iskandar, que dão a vida a pai e filho, respectivamente. A idade e subsequente maturidade estão a fazer maravilhas a Kwok. O actor no início da sua carreira, praticamente só representava papéis de “menino bonito”, com pouca ou nenhuma substância. Aqui, é demonstrado que Kwok tem capacidades para muito mais, oferecendo-nos um registo impecável e praticamente sem defeitos de maior que se apontem. “Shing”, interpretado pela estrela de Hong Kong, é um indivíduo palpável. O que é que isto quer dizer? Significa que é real, e que podemos identificar o estado de degradação pessoal de “Shing”, com situações que presenciamos ocasionalmente. Pessoalmente, o conluio na pequena criminalidade interpretado por “Shing” e pelo seu filho, fez-me lembrar os chamados “meninos das caixinhas” daqui da Madeira, crianças pobres provenientes de famílias que vivem em extrema pobreza, e que se dedicam à mendicidade e delinquência. Com certeza que a esmagadora maioria de vós, terá exemplos parecidos nas vossas terras, de uma forma ou de outra. Por falar em crianças, fiquei igualmente bastante impressionado com o desempenho do jovem actor Goum Ian Iskandar, que lhe valeu dois prémios para melhor actor secundário, tanto nos “Golden Horse Awards”, como nos “Hong Kong Awards”. Ao observarmos a “performance” de Iskandar, sentimos a injustiça com que se deparam muitas crianças neste mundo, por culpa da loucura e má-formação dos adultos. Charlie Yeung, uma actriz pela qual nutro especial predilecção, não brilha tanto como os seus pares, essencialmente devido a uma questão de minutos. A sua sensualidade e capacidades interpretativas continuam de boa saúde, e sempre que aparece, o filme só ganha com isso.
"Shing e Lok Yuen num raro momento de ternura"
“After This Our Exile” é acima de tudo um filme impregnado de humanidade. Foca os dissabores de uma família pobre e pouco convencional, tendo por pano de fundo a vivência dos chineses na Malásia. Igualmente destaca-se por ter cenas mais “quentes” do que é normal num filme proveniente de Hong Kong, tanto a nível físico, como de linguagem. O realizador Patrick Tam consegue regressar em grande, obtendo igualmente o reconhecimento a título individual, vencendo o prémio para melhor realizador nos “Hong Kong Film Awards” (derrotando “monstros” como Johnny To ou Zhang Yimou), embora não tenha conseguido o feito nos “Golden Horse” (Peter Chan ganharia com “Perhaps Love”).
Se defeito de maior pode ser assacado a esta película estará provavelmente relacionado com a versão aqui analisada, que é a de 120 minutos. Algumas partes do filme, que reputo de importantes (essencialmente a relação que “Shing” mantém com a prostituta “Fong”, interpretada por Kelly Lin), porventura careciam de um maior desenvolvimento argumentativo. No entanto, tal poderá ser eventualmente remediado com o “director’s cut” (que não vi), cuja duração ronda os 160 minutos.
Não é um clássico, mas não deixa de ser um filme com qualidade, a que se aconselha o visionamento!
"As poucas brincadeiras de uma criança"
Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link
Outras críticas em português: Anotações de um cinéfilo
Avaliação:
Entretenimento - 7
Interpretação - 9
Argumento - 8
Banda-sonora - 8
Guarda-roupa e adereços - 7
Emotividade - 9
Mérito artístico - 8
Gosto pessoal do "M.A.M." - 8
Classificação final: 8
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
à(s)
11:37 a.m.
6
comentários
Etiquetas: Aaron Kwok, Allen Lin, Charlie Yeung, Drama, Faith Yeung, Goum Ian Iskandar, Hong Kong, Kelly Lin, Lan Hsin Mei, Lester Chan, Patrick Tam, Qin Hailu, Qin Hao, Tsui Tin Yau, Valen Hsu, Wang Yi Xuan, Xu Liwen
domingo, outubro 21, 2007
Votações do "My Asian Movies"
Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Sete Espadas, Ashes of Time
Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": A Man Called Hero, Infiltrados, Isabella, The Storm Riders
Não existem filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies"
Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": The Duelist, Arahan, Battle of Wits, Silmido
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
à(s)
8:56 p.m.
8
comentários
Etiquetas: Ahn Sung-kee, Anthony Wong, Bai Ling, Charlie Yeung, Votações
domingo, junho 25, 2006
Origem: Hong Kong
Duração: 99 minutos
Realizador: Wong Kar Wai
Com: Brigitte Lin, Leslie Cheung, Maggie Cheung, Tony Leung Chiu Wai, Jacky Cheung, Tony Leung Ka Fai, Li Bai, Carina Lau, Charlie Yeung
"Hung Chi (Jacky Cheung) luta com um enorme bando de salteadores"
Estória
"Ouyang Feng", também conhecido sob a alcunha de "Malicious West", é um proprietário de uma taberna situada no meio do deserto. Trata-se de um homem morto emocionalmente, devido ao casamento do seu irmão mais velho com a mulher que ama. Vive do seu negócio e da contratação de espadachins necessitados de dinheiro, tendo em vista a perpretação de assassinatos por encomenda.
Estranhas pessoas chegam à taberna, cada qual com a sua estória que normalmente converge para a tragédia pessoal. Podemos acompanhar "Huang Yaoshi", cujo nome de batalha é "Evil East", um dotado homem da espada, cuja atitude cavalheiresca perante o mundo, a vida e o amor, deixaram-lhe um rasto de remorso e recriminação.
"Murong Yang" por seu lado é um jovem em busca de vingança sobre "Evil East", por este ter abandonado a sua irmã "Murong Yin". Esta por sua vez, deseja a morte do irmão, por este andar a tentar matar a sua paixão "Evil East". "Yin" e "Yang" acabam por revelar serem a mesma pessoa, completamente destroçada pela rejeição de "Evil East" e incapaz de encontrar um caminho para a paz interior.
Problemas trágicos são demonstrados por outros elementos da estória, desde o espadachim cego que é contratado para liquidar um bando de salteadores e cujo último desejo antes de falecer é rever o desabrochar das flores de cerejeira (em sentido figurado pois tal serve para designar a esposa) na sua terra-natal, passando pelo assassino de bom coração "Hung Chi" que não gosta de usar sandálias, acabando na jovem e pobre rapariga camponesa que tenta comprar vingança com um cesto de ovos e uma mula.
"O conscencioso espadachim Evil East, interpretado por Tony Leung Ka Fai"
"Review"
Do intrincado conjunto de situações acima relatadas, nasce "Ashes of Time", um "wuxia" nada convencional, mas sem dúvida das maiores obras-primas do género. O aclamado realizador de "Chungking Express" Wong Kar Wai, oferece-nos um épico verdadeiramente filosófico e profundo, onde cada cena revela uma mensagem vivencial impregnada de uma profunda tristeza.
À primeira vista esta película não é de fácil percepção, embora um espectador atento, sensível e interessado acabe por juntar as peças e concluir que está inequivocamente perante um grande feito do cinema. Aconselha-se vivamente um segundo e porventura um terceiro visionamento, atendendo à densidade e complexidade que rodeia o filme.
"Ashes of Time" sai claramente do clássico tipo de longa-metragem "swordplay" típica da época (de que são exemplos "Swordsman II" ou "New Dragon Gate Inn"), para se transformar num vívido drama em que os combates funcionam meramente como acessórios, e que servem quase exclusivamente para complementar a caracterização das personagens.
Aliás as cenas de combate presentes no filme constituem o seu "calcanhar de aquiles", sendo por vezes humanamente impossível para o espectador discernir "quem é quem" e o que está concretamente a fazer. Sammo Hung, o coreógrafo, viria por algumas vezes a expressar o seu desagrado pelo resultado final, assistindo-lhe uma certa razão. No entanto, este aspecto menos bom acaba por ser relegado para segundo plano, e acabamos por nos concentrar na maravilhosa e não forçada narrativa, sendo a mesma igualmente suave e deveras inebriante, à semelhança do movimento das ondas do mar a ondularem numa calma celestial, conforme é demonstrado objectivamente no início da película.
" Malicious West (Leslie Cheung) e a jovem rapariga (Charlie Yeung)"
Esta longa-metragem versa sobretudo sobre as escolhas que fazemos, deixamos de fazer ou simplesmente nos passam ao lado na viagem que é a nossa vida. Opções essas que por vezes nos levam à felicidade, outras à tristeza e num caso extremo à mais insana loucura. Uma simples escolha pode alterar todo o nosso futuro!
Outra mensagem que passa é o papel do tempo na nossa vida, relacionado com as acima aludidas opções vivenciais. O tempo que supostamente cura tudo, aqui é encarado como um aumentar do remorso que sentimos pelas más atitudes que tomámos ao longo do nosso percurso. No fim, o tempo avança sempre, as estações mudam, as pessoas nascem, crescem e morrem, mas as nossas opções permanecem não interessando os longos anos que entretanto passaram.
A banda-sonora faz-me lembrar imensamente a dos "westerns" de Sergio Leone, da autoria do mestre Ennio Morricone. Acompanha muito bem o agonizante martírio das personagens.
É francamente uma enorme pena e uma tremenda injustiça não existir no mercado uma edição em DVD decente à disposição do público. As existentes são de má qualidade, e tornam-se um verdadeiro crime quando estamos perante uma obra desta envergadura. Mesmo assim chegou ao meu conhecimento que a TF1 (abreviatura que serve para denominar a "Television Française") lançou recentemente uma edição sob o título "Les Cendres du Temps", que supostamente é boa. Não opinarei, porque não tenho conhecimento pessoal desta edição.
A ver e a rever com extrema atenção e sobretudo sentir a qualidade e beleza que transpiram em quase todas as cenas!
Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link
Outras críticas em português/espanhol:
Avaliação:
Entretenimento - 7
Interpretação - 10
Argumento - 9
Banda-sonora - 8
Guarda-roupa e adereços - 7
Emotividade - 9
Mérito artístico - 9
Gosto pessoal do "M.A.M." - 9
Classificação final: 8,50
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
à(s)
1:18 p.m.
3
comentários
Etiquetas: Brigitte Lin, Carina Lau, Charlie Yeung, Hong Kong, Jacky Cheung, Leslie Cheung, Maggie Cheung, Tony Leung Chiu Wai, Tony Leung Ka Fai, Wong Kar Wai, Wuxia
sábado, junho 17, 2006
Origem: China
Duração: 145 minutos
Realizador: Tsui Hark
Com: Donnie Yen, Charlie Yeung, Lau Kar Leung, Leon Lai, Duncan Chow, Lu Yi, Tai Li, Sun Hong, Yeon Kim-so, Zhang Jing, Cheng Jia Jia, Chi Kuan Chun, Jason Pai, Michael Wong
"Donnie Yen, no papel de Chu Zhao Nan, acompanhado da espada do dragão"
Estória
No tempo da dinastia Ching, o imperador proclama um édito a proibir terminantemente a prática de artes marciais. Aqueles que teimarem em desobedecer à ordem do soberano, serão punidos com a morte.
Vendo uma oportunidade para prosperar, um oficial militar chamado "Fogo Vento" forma um exército privado de mercenários e deambula pela China a caçar e a matar praticantes de artes marciais, decapitando-os e recebendo uma determinada quantia em dinheiro por cada cabeça.
"A bela coreana que faz suspirar Donnie Yen"
"Fu Qingzhu", um antigo carrasco arrependido do seu anterior modo de vida, tenta travar o mórbido negocio de "Fogo Vento" e dos seus homens.
Para tanto e após algumas peripécias, "Fu" convence um casal de habitantes da "Aldeia Marcial" a acompanharem-no ao "Monte Celestial" por forma a solicitar ajuda a um mestre de armas que aí vive. São bem sucedidos e retornam acompanhados de mais quatro grandes guerreiros. Juntos formam um grupo conhecido como "Sete Espadas", em homenagem à lâmina fantástica que cada um possui.
A batalha pela salvação das artes marciais e do estilo de vida da população vai começar!
"Review"
"Sete Espadas" constitui a adaptação cinematográfica de um romance intitulado "Seven Swordsmen of Mountain Tian" de Liang Yu Sheng, e trata-se do mais recente projecto do aclamado Tsui Hark, que embora se trate de um renomado nome do cinema oriental, nunca caiu propriamente nas minhas boas graças enquanto cinéfilo. E ainda menos quando realizou certos filmes como os "Guerreiros da Montanha" ou o desastre "Duplo Impacto"! De qualquer forma, deixei-me levar pela expectativa e "marketing" em torno do filme, ficando de certa forma bem impressionado quando visualizei o "trailer".
Depois de ter assistido ao filme no "Monumental", numa altura em que tive de me deslocar a Lisboa, não fiquei nada impressionado. Depois de um segundo visionamento da película, já em formato DVD, reparei em certos pormenores que até gostei, mas a minha opinião em geral manteve-se. Não passa de um filme banal...
Tsui Hark sempre foi muito conhecido e adorado pelos amantes de acção e o que dizer quanto a este aspecto?
Atendendo a que estamos a falar de um filme com quase duas horas e meia, as cenas movimentadas são muito poucas. Resumem-se praticamente aos dez minutos iniciais, a luta no forte e a parte final do filme. Pelo meio ficamos com uma tentativa de emotividade e de representação que sinceramente não resultou, e que praticamente a única utilidade que tem é fazer com que o espectador boceje e acabe por "passar pelas brasas"... Tsui Hark não é Zhang Yimou, e não nos consegue prender a atenção como aquele realizador!
Apesar do título do filme ser "Sete Espadas", nunca ficamos com uma clara ideia do total potencial destas armas. É certo que quanto à "espada do dragão" de Donnie Yen ou à "transitória" de Leon Lai, temos uma oportunidade de apreciar a sua efectividade, apoiada claro está pela arte de quem a maneja. Em relação às restantes nada demais!
A própria luta final está a milhas da protagonizada por exemplo por Jet Li e Donnie Yen em "Era Uma Vez na China", a saga que verdadeiramente aprecio de Tsui Hark.
Quanto aos restantes aspectos do filme, não são nada de especial, razão pela qual nem me darei ao trabalho de emitir pronúncia. São dominados pela já aludida banalidade. Quando estamos habituados a "Ferraris" como "O Tigre e o Dragão" ou "Herói", este utilitário chamado "Sete Espadas" afigura-se muito ensosso!
Pelo final do filme, adivinha-se uma sequela. É meu sincero desejo que não seja tão enfadonha!
"Os sete heróis a contemplarem o crepúsculo"
Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link
Outras críticas em português: C7nema , Play it Again, Cineasia, Cine 7
Avaliação:
Entretenimento - 7
Interpretação - 7
Argumento - 7
Banda-sonora - 7
Guarda-roupa e adereços - 8
Emotividade - 7
Mérito artístico - 7
Gosto pessoal do "M.A.M" - 6
Classificação final: 7
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
à(s)
12:20 p.m.
0
comentários
Etiquetas: Charlie Yeung, Cheng Jia Jia, Chi Kuan Chun, China, Donnie Yen, Duncan Chow, Jason Pai, Lau Kar Leung, Leon Lai, Lu Yi, Michael Wong, Sun Hong, Tai Li, Tsui Hark, Wuxia, Yeon Kim-so, Zhang Jing






















