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quinta-feira, outubro 09, 2008

Green Snake/Ching Se - 青蛇 (1993)

Origem: Hong Kong

Duração: 98 minutos

Realizador: Tsui Hark

Com: Joey Wong, Maggie Cheung, Vincent Chiu, Wu Hsing Kuo, Lau Kong, Ma Jing Wu, Tien Feng

"Green Snake Xiao Qing"

Sinopse

As irmãs “Green Snake” (Maggie Cheung) e “White Snake” (Joey Wong) são dois demónios ancestrais em forma de cobra, que após um longo treino em feitiçaria, conseguem adquirir um aspecto humano. A razão que as norteia passa pelo facto de os humanos experienciarem o amor e a liberdade, sentimentos que à partida lhes estão negados. À medida que as duas belas mulheres vão-se habituando e apreciando a sua nova condição, “White Snake”, a mais velha e madura, apaixona-se e subsequentemente casa com o estudioso “Xu Xian” (Wu Hsing Kuo). O seu objectivo é gerar um filho, e desta forma consolidar a sua passagem para o reino dos mortais. Por seu lado, “Green Snake”, apesar de aos poucos se sentir atraída pela sua nova vida, ainda demonstra saudades da sua antiga forma de serpente, ao ponto de se transmutar ocasionalmente.

"As duas irmãs viperinas"

No entanto, esta situação cria um desequilíbrio na ordem natural das coisas, que chama a atenção dos budistas e taoístas mais esclarecidos e poderosos. Em decorrência deste facto, começa uma caça às duas irmãs, liderada pelo poderoso monge budista “Fa Hoi” (Vincent Chiu). No início, o sacerdote adopta uma postura de contenção perante as duas mulheres, atendendo a que as mesmas vivem calmamente e não molestam ninguém. Contudo, posteriormente “Fa Hoi” altera a sua forma de agir e passa ao ataque. No decurso da sua cruzada aparentemente justa, o monge descobre a real hipocrisia que se esconde por detrás do seu imaculado modo de vida.

"Green Snake e o monge Fa Hoi"

"Review"

Como qualquer região do mundo, a China possui uma mitologia própria, consubstanciada em milhares de lendas e contos, transmitidos muitas vezes por via oral. Sendo uma nação com uma riqueza cultural e teológica enorme, o manancial de histórias que poderão dar origens a filmes é quase infinito. A lenda da serpente branca é baseada numa dessas narrativas fantásticas do império do meio, que começou a ser transmitida por várias gerações e que originaria óperas chinesas, séries para a televisão e, como não podia deixar de ser, películas de cinema. A conhecida escritora de Hong Kong Lilian Lee, autora entre várias obras de “Adeus Minha Concubina”, daria corpo a um romance intitulado “Green Snake” que visa expôr a perspectiva dos eventos do ponto de vista de “Xiao Qing”, a irmã de “Bai Suzhen White Snake”, sendo esta normalmente a figura central do mito. Foi este o escrito que viria a servir de inspiração para a obra de Tsui Hark e que agora se tentará analisar um pouco.

Tsui Hark é sobejamente conhecido por ser um dos realizadores mais emblemáticos e importantes de sempre do cinema de Hong Kong. Uma das suas marcas indeléveis são os “wuxia”, as denominadas “fantasias de artes marciais”, ou simplesmente os filmes de artes marciais mais puros. Frequentemente as características essenciais destes três tipos de filmes aparecem misturadas nas películas que realizou, acontecendo por vezes algumas das suas longas-metragens estarem perfeitamente individualizadas no género onde se inserem. “Green Snake” é indubitavelmente uma “fantasia de artes marciais”, com naturais elementos do “wuxia”, estando na linha de películas como “A Chinese Ghost Story”, “Zu: Warriors of the Magic Mountain” ou “Dragon Chronicles (...)”, filmes acerca dos quais já escrevi anteriormente no “My Asian Movies”. Quer se goste ou não, tudo nasce da relevante paixão que Tsui Hark sempre nutriu pelas tradições ancestrais chinesas, aspecto que pessoalmente entendo que é de elogiar no realizador e onde o mesmo foi beber imenso na sua carreira, nem sempre com bons resultados.

Estamos perante um filme que apesar de se notar que o orçamento não foi assim tão generoso, tem momentos de rara beleza e virtuosidade. É certo que no início observamos os cabos que ajudam Vincent Chiu a planar, assim como as cobras não conseguem disfarçar o facto de serem de borracha. Igualmente muitos dos efeitos especiais são arcaicos e a um nível inferior de qualquer filme norte-americano dos anos '70. Contudo, “Green Snake” tem momentos de rara beleza e que manifestamente deslumbram o espectador. Os templos budistas, as florestas de bambu e especialmente “Fa Hoi” a andar sobre a água impressionam vivamente o espectador e fazem com que esta obra de Tsui Hark esteja à frente no seu tempo, servindo de inspiração a películas que viriam a ser realizadas posteriormente, tanto do realizador como dos seus congéneres.


"A dança indiana da luxúria"

Apesar dos filmes de Tsui Hark serem muitas vezes vistos como puro entretenimento, os mais conhecedores da sua obra sabem que o realizador expõe sempre uma mensagem significativa nas suas películas, normalmente detractora do regime comunista chinês. Aqui temos a costumeira menção, corporizada simbolicamente no robe vermelho do monge “Fa Hoi”, que na luta final parece tudo ofuscar e afogar. Contudo desta vez temos talvez algo mais significativo e que estará relacionado com a hipocrisia da religião, assim como uma crítica aberta àqueles que cedem perante as primeiras impressões e que tudo gostam de catalogar ou extremar na dicotomia “certo ou errado”, “bem e mal”, etc.

Protagonizado por duas das mais belas e bem sucedidas actrizes de Hong Kong, Maggie Cheung e Joey Wong, a parte erótica (dentro de limites “mais respeitáveis”) e sensual está bem presente na película, rivalizando neste particular com longas-metragens como “The Bride With White Hair”. Não querendo parecer despropositado nem menos sério (como se diz na minha terra “ca nada!”), imagine-se que até durante uns segundos temos a inesquecível oportunidade de contemplar uma Maggie Cheung, na altura com 29 anos, como veio ao mundo! Só por isto, o filme já valerá com certeza a pena! O papel de Cheung é eminentemente provocador, em contraposição com uma mais serena e madura Joey Wong que tenta na sua aventura humana, descobrir o amor e ser o protótipo da esposa dedicada. Por seu lado, Vincent Chiu representa competentemente o monge “Fa Hoi”, um ser dotado de uma rectidão e rigidez ética supostamente a toda a prova, mas que acaba por questionar o seu modo de vida, tendo por motivo o contacto com as duas irmãs demoníacas. Esta característica das mulheres não as faz propriamente seres maus e desprovidos de sentimentos, como “Fa Hoi” acaba por descobrir. O actor Wu Hsing Kuo, originário de Taiwan, é o equivalente à personagem que Leslie Cheung tão bem representou em “A Chinese Ghost Story”. Trata-se do ingénuo da história que é apanhado no meio da confusão, e que recolhe por este motivo toda a nossa complacência. É o elo mais fraco da actuação e nem de longe, nem de perto, chega aos calcanhares do saudoso Leslie Cheung no filme atrás referenciado.

Dotado de uma banda-sonora agradável, mesclada com ritmos tradicionais chineses, este “cocktail” de fantasia, artes marciais e sensualidade/sexualidade (a maior parte sugerida, do que propriamente evidenciada), está longe de ser um trabalho menor de Tsui Hark, como por vezes é considerado.

Vale a pena dar uma espreitadela!

"O sacerdote taoísta cego que anda à caça das irmãs"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,50





terça-feira, fevereiro 26, 2008

My Heart Is That Eternal Rose/Sa shou hu die meng (1989)

Origem: Hong Kong

Duração: 91 minutos

Realizador: Patrick Tam

Com: Kenny Bee, Joey Wong, Tony Leung Chiu Wai, Michael Chan, Ng Man Tat, Gordon Liu, Kwan Hoi San, Cheung Tat Ming

"Ricky Ma"

Estória

“Ricky Ma” é um jovem boémio que se encontra apaixonado por “Lap” (Joey Wong). No entanto, quando assassina um polícia, devido a um negócio mal sucedido, vê-se obrigado a fugir para as Filipinas, levando a promessa que “Lap” posteriormente iria ter com ele. No entanto, a rapariga nunca chega a se reunir a “Ricky”, pois torna-se amante de “Sheng” (Michael Chan), um poderoso chefe de uma tríade, em ordem a salvar o seu pai.

"Ricky tenta proteger Lap"

Seis anos depois, “Ricky” é um assassino profissional que retorna a Hong Kong, tendo em vista executar um trabalho. Acidentalmente, acaba por encontrar “Lap”, e o amor reacende-se. O problema é que “Sheng” não permitirá de ânimo leve que “Ricky” roube a sua amante. O casal, ajudado por “Cheung” (Tony Leung Chiu Wai), tenta fugir. No entanto, os seus intentos não são bem sucedidos e tudo degenera numa orgia de sangue e violência.

"Cheung mal tratado"

"Review"

Os filmes de “tríades” de Hong Kong, sempre foram um dos pratos fortes do cinema daquelas paragens, tendo atingido o seu auge com os grandes filmes de John Woo, mormente “A Better Tomorrow”, “Hard Boiled” e “The Killer”. Na sequência destes grandes sucessos do mítico Woo, o género tornou-se extremamente popular, e vários realizadores enveredaram por tentativas no segmento, umas bem sucedidas, outras nem por isso.

“My Love Is That Eternal Rose” é uma dessas várias longas-metragens que nasceu da grande popularidade do género, e embora por vezes sejam conseguidos resultados quase espectaculares, o filme ficou muito aquém das minhas expectativas. Essa é que é a verdade!

A película possui todas as características que definem de certa forma o estilo onde se insere. Estamos a falar de uma cruzada romântica e heróica, entre dois amantes desencontrados, que redunda num banho de sangue e violência (como referi textualmente na sinopse). Afinal as tríades não deixam de ser das organizações do submundo mais temidas no planeta, e quando alguém tenta “meter a mão” na amante do chefe, a coisa vai dar para o torto de certeza!

O argumento é extremamente forçado, com situações pouco credíveis e que apenas servem de motivo para uma saraivada de balas, ou para Joey Wong destilar sensualidade por todo o ecrã (não é que me importe com isto, muito pelo contrário!). Verdadeiramente inacreditável é como “Ricky” e “Lap” se reencontram em Hong Kong. Quais as probabilidades de numa região com 7 milhões de habitantes, e com uma das maiores densidades populacionais do mundo (cerca de 6350 pessoas/km2), “Ricky” ir a fugir de uns homens que o querem matar e quase ser atropelado por “Lap”? Passemos por cima disto, o reencontro sucedeu-se, o problema está resolvido, e ala que o caminho é para a frente!

"Lap rodeada dos membros da tríade de Chan"

As cenas de acção, embora não sejam em tão grande número quanto se possa imaginar, são marcadas por uma loucura desenfreada. Para aqueles que conhecem as obras da época de John Woo e afins, reconhecerão logo as armas cujas balas parecem nunca acabar, as acrobacias e as cenas bastante rápidas no meio de um tiroteio infernal, o sangue a jorros, os planos pausados ou em câmara lenta. Tudo isto acompanhado de um pendor épico, por vezes bem sucedido, outras nem por isso. No entanto, “My Heart Is That Eternal Rose”, à semelhança de outros filmes, só vem dar razão aqueles que, à minha semelhança, defendem que quando toca a libertar o inferno na terra, os filmes de tríades de Hong Kong são inimitáveis.

Outro aspecto extremamente marcante na película é a “piroseira”, ou melhor dizendo, a aura de “novela mexicana” (para o cidadão “comum” entender melhor) que imbui a película. Músicas excessivamente dramáticas, por vezes com um som algo duvidoso (a edição da Mei Hah, embora remasterizada, não deverá ser alheia ao facto), aliadas a uma interpretação com alguns altos e baixos, levam a esta conclusão. Mesmo assim, é sempre um prazer ver Joey Wong a derramar lágrimas por tudo e por nada, ou o grande Tony Leung Chiu Wai a sujeitar-se a umas interpretações menos conseguidas (embora aceitáveis). Uma nota de curiosidade para os fãs do denominado “kung-fu old school”. Gordon Liu faz o papel de um dos vilões do filme. Poderá ser uma oportunidade para verem uma das maiores lendas das artes marciais, representar uma personagem distinta das que o fizeram brilhar na constelação de actores de Hong Kong.

Uma derradeira palavra para o trabalho positivo de fotografia efectuado pelo grande e sobejamente conhecido, Mr. Christopher Doyle. Planos de sonho, que adquirem mais valor numa altura do cinema de Hong Kong, onde não abundavam os recursos materiais e eram realizados filmes a rodo e a metro, muitas vezes com ausência de critérios qualitativos.

Com um título que invoca o mais puro romantismo (a expressão sempre servirá para fazermos figuras tristes perante alguma rapariga...), “My Heart Is That Eternal Rose”, é uma película algo infantil no geral, mas com momentos que salvam a honra do convento e que puxam o sentimento. Para aqueles que apreciam os filmes de “gangsters” de Hong Kong, aliados a um espírito apaixonado forçado, será uma boa proposta. Para os restantes, um mero satisfazer de curiosidade. Nada mais.

Nota final: É curioso como este filme, no preciso momento, tem no IMDb uma nota média elevadíssima de 7.9 (embora apenas num universo de 71 votos). Enigmático...

"Uma despedida sentida"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 6

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,13





quarta-feira, dezembro 26, 2007

A Chinese Ghost Story II/Sien nui yau wan II yan gaan do - 倩女幽魂 II:人間道 (1990)

Origem: Hong Kong

Duração: 100 minutos

Realizador: Tony Ching Siu Tung

Com: Leslie Cheung, Joey Wong, Michelle Reis, Jacky Cheung, Wu Ma, Waise Lee, Lau Shun, Lau Siu Ming, Tin Kai Man, Ku Feng, To Siu Chun

"Ning outra vez em apuros com demónios"

Atenção!!!

Parte do enredo de “A Chinese Ghost Story” poderá ser revelado mais abaixo, pelo que só deverão prosseguir na leitura do presente texto, caso tenham visionado aquele filme.

"Ning entre as duas irmãs, Ching Fung (com o punhal) e Yut Chi"

Estória

Em “A Chinese Ghost Story”, “Ning Tsai Chen” (Leslie Cheung), ajudado pelo estranho monge taoista “Yen” (Wu Ma), salvou o seu amor “Nieh Hsiao Tsing” (Joey Wong), do espírito aterrador chamado “Old Dame”. Desta forma foram criadas as condições para que “Nieh” pudesse reencarnar, tendo em vista reunir-se a “Ning”, bastantes anos mais tarde.

Após estes eventos, “Ning” e o seu amigo “Yen” seguem por caminhos separados, prosseguindo “Ning” no seu ofício de cobrador de impostos, enquanto que o monge volta para o templo de “Lan Yeuk”. Devido a um infeliz caso de identidades trocadas, “Ning” é preso e passa meses numa cela com um ancião chamado “Chu” (Ku Feng). O velho apercebe-se que “Ning”, embora ingénuo, é uma boa pessoa com um coração e uma ética acima de qualquer reparo. Por esse motivo, resolve ajudá-lo a fugir na véspera da sua execução.

Foragido, “Ning” conhece “Jichan” (Jacky Cheung), um espadachim taoista que igualmente possui poderes mágicos. Os companheiros são atacados por um bando de guerreiros, comandados por “Ching Fung” (Joey Wong), que possui uma semelhança notável com “Nieh”, o fantasma que é o amor de “Ning”. O nosso herói é confundido com o ancião com quem partilhou a cela, um filósofo bastante respeitado. Devido a este facto, os guerreiros solicitam a “Ning” que os comande na tentativa de resgate do pai de “Fung”. Uma aventura fabulosa inicia-se, fazendo com que “Ning” mais uma vez enfrente alguns dos piores demónios existentes neste mundo e no outro!

"Ching Fung possuída perante o olhar de Ning e do guerreiro taoísta Jichan"

"Review"

A saga “A Chinese Ghost Story” constitui um dos ícones emblemáticos da cinematografia de Hong Kong, e é encarada como um dos grandes feitos de Tsui Hark, aqui envergando as vestes de produtor. Mas como quase sempre acontece aquando do surgimento de uma boa ideia, o seu uso excessivo sem grandes inovações, eventualmente faz com que a fórmula acabe por se gastar. Existem 3 filmes, todos com a realização de Tony Ching Siu Tung e produção de Tsui Hark, e o que desde logo se deve ter em conta é que a qualidade vai decrescendo de película para película. Em 1997, ainda viria a ser feito um filme de animação.

Partindo da ideia acima veiculada, a segunda longa-metragem que ora se analisa constitui uma obra inferior à sua predecessora, mas melhor do que aquela que viria a seguir. A razão para tal? Essencialmente duas. A primeira deve-se ao facto do impacto já não ser o mesmo do primeiro filme. A segunda reconduzir-se-á ao pouco uso do “comic relief” “Yen”, que só aparece basicamente na última meia-hora de filme.

"O oficial Tso em combate"

Os efeitos especiais são, à semelhança do que já acontecia na primeira película, um pouco atabalhoados. Mas também no texto referente àquela obra, já tinha sido explicado que estamos perante filmes que já foram feitos há cerca de 18-20 anos, para além do facto de sermos obrigados a reconhecer que a indústria cinematográfica de Hong Kong à altura, embora profícua, estava muito longe de poder competir a nível de recursos com o que então se fazia em Hollywood. Hoje em dia, as diferenças já se encontram muito mais esbatidas. Contudo, a menor destreza dos efeitos é compensada com a aura negra e fantasmagórica que carrega toda a película aos ombros e que constitui sem dúvida uma imagem de marca desta saga, que a meu ver, só viria a ser igualada em “The Bride With White Hair”. Cumpre ainda chamar a atenção para o facto de nas lutas, por vezes, ser visível os guindastes que suportam os actores. Este aspecto é claramente perceptível na primeira vez em que “Ning” se depara com o grupo de guerreiros comandado por “Ching Fung”. Ora tal aspecto não abona nada a favor do filme, e faz cair no ridículo cenas que até têm algo de belo. Um certo cuidado é necessário, meus senhores!

Quanto ao “cast”, as grandes novidades em relação ao primeiro filme passam pelo recrutamento de Jacky Cheung como o monge “sidekick” de “Ning”, de Michelle Reis como mais uma cara bonita para deliciar os olhos do público masculino, e de Waise Lee como o valente oficial do exército. Embora o elenco tenha ficado teoricamente mais forte em relação ao primeiro filme, na prática isso não se nota. Jacky Cheung bem tenta, mas não consegue proporcionar os bons momentos que o monge interpretado por Wu Ma nos oferece na longa-metragem anterior. Aliás, como já acima foi dito, o mesmo só decide aparecer mais para o epílogo da película e, aí sim, ficamos um tanto ou quanto satisfeitos. Michelle Reis nada faz de relevo, pelo que tirando os óbvios atributos físicos, nada de marcante há a relevar. Waise Lee será porventura a excepção, porquanto o seu desempenho como o oficial “Tso”, representa uma boa adição no que toca às cenas mais movimentadas. Quanto a Leslie Cheung e a Joey Wong, as super-estrelas do filme, não brilham tanto como anteriormente, embora desempenhem os seus papéis com o nível habitual, ou seja, bom. Esta asserção mesmo assim valerá mais para Leslie Cheung.

“A Chinese Ghost Story II” viria essencialmente a manter o que de bom já tinha sido feito anteriormente, embora como já se disse, esteja uns furos abaixo da película que inaugurou a saga. Um filme razoável, que valerá mais pelo interesse histórico, do que propriamente pelos aspectos mais cinematográficos. Terá ainda o “quid”, em especial para o público português, de ter vencido o prémio para melhores efeitos especiais no Fantasporto – edição de 1992, para além de ter sido nomeado para melhor filme no mesmo certame (o vencedor foi “Totó, o Herói”, do belga Jaco Van Dormael).


"O monge Yen faz mais uma vez uso dos seus vastos poderes mágicos"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,38





segunda-feira, agosto 20, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Cumprindo a promessa semanal, aqui vão outros 4 ínsignes contendores nas votações levadas a cabo presentemente no "My Asian Movies:
Shu Qi
Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": A Man Called Hero, Beijing Rocks , The Storm Riders, Millennium Mambo
Jackie Chan

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": O Mito, A Dinastia da Espada, O Grande Mestre dos Lutadores

Joey Wong

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": A Chinese Ghost Story, The East is Red Aka Swordsman III, O Rei dos Jogadores, Butterfly & Sword

Joe (Jô) Odagiri

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Shinobi: Heart Under Blade, Azumi, a Assassina



sábado, agosto 18, 2007

Butterfly and Sword/Xin liu xing hu die jian (1993)

Origem: Hong Kong

Duração: 93 minutos

Realizador: Johnny Mak

Com: Michelle Yeoh, Tony Leung Chiu Wai, Donnie Yen, Joey Wong, Jimmy Lin, Elvis Tsui, Chung Wah Tou, Chuen Chun Yip

"Butterfly e Meng Sing Wan"

Estória

“Butterfly” (Joey Wong) é uma bonita rapariga, que se encontra tremendamente enamorada por “Meng Sing Wan” (Tony Leung Chiu Wai), vivendo ambos numa casa à beira-rio, perante um cenário idílico. “Butterfly” odeia tudo o que tenha a ver com o mundo das artes marciais, devido ao assassínio do seu pai, um grande mestre. A jovem está convencida que “Meng” é um mercador honesto, que nada percebe de luta.

Na realidade “Meng” é um assassino extremamente dotado no domínio das artes marciais, e que faz parte de uma organização conhecida como “Floresta Feliz”, liderada por “Sister Ko” (Michelle Yeoh). “Ko” está apaixonada por “Meng”, mas não é retribuída, pois este encara-a como uma irmã mais velha, além de gostar bastante de “Butterfly”. Como se não bastasse, “Yip Cheung” (Donnie Yen), outro membro da organização e o melhor amigo de “Meng” ama “Ko”, mas não tem coragem para lhe confessar os seus sentimentos, pois sabe que esta só tem olhos para “Meng”.

"Sister Ko"

Entretanto, o eunuco “Tsao” (Chung Hua Tou) incumbe “Ko” de uma missão muito delicada, que consiste em furtar um pergaminho que foi dado pelo eunuco “Li”, o grande rival de “Tsao”, ao mestre “Suen” (Elvis Tsui). “Ko” consegue introduzir “Meng” como espião na organização de “Suen”.

A partir daqui, inicia-se uma luta feroz pelo domínio do mundo das artes marciais, assim como pela conquista da pessoa amada.

"Meng e Ko prontos para a luta"

"Review"

Quando acabei de visionar “Butterfly and Sword” só pensei o seguinte:

“Ainda bem que este filme foi de borla!!!”

Já há muito tempo que tinha intenções em conferir esta película, pois além de ser um “Wuxia” (vocês sabem que tenho um fraco por este género), encontrava-se dotada de um elenco de luxo, com quatro nomes grandiosos da cena de Hong Kong, a saber, Tony Leung Chiu Wai, Michelle Yeoh, Donnie Yen e Joey Wong. Um belo dia, estava eu com um dinheirinho extra, a fazer as costumeiras deambulações pelo “Yesasia”, e como tinha adquirido três filmes, estive logo habilitado a escolher um quarto de graça, de uma lista pré-selecionada. Eu por acaso até tenho tido sorte nestas escolhas, pois todas as longas-metragens que tenho adquirido através desta promoção, têm revelado ser de boa ou até mesmo excelente qualidade. Mas como a sorte não dura sempre, lá teria de chegar o dia em que escolheria um filme “rasca”.

Como já disse em cima, “Butterfly and Sword” possui um elenco composto de nomes inultrapassáveis da cena de Hong Kong. Pergunta-se agora:

“Como é que estes grandes actores podem oferecer interpretações tão pobres, roçando por vezes o amadorismo?”

"Ko em acção"

Joey Wong parece uma menina tonta sem substância nenhuma; Donnie Yen não tem mesmo jeito para desempenhar papéis em que tenha de revelar alguma fragilidade emocional; Tony Leung Chiu wai, o meu actor preferido daquelas paragens, quase que me matava de ataque cardíaco; salva-se minimamente Michelle Yeoh, que ainda conseguiu introduzir algum “glamour” e réstia de boa representação na personagem “Sister Ko”.

O argumento é péssimo, e contribui decisivamente para a má prestação dos consagrados acima referidos. Uma estória fútil, sem ponta por onde se lhe pegue, contada à pressa e com uma abordagem inconsequente. Existem situações em que não conseguimos perceber a razão para tal – bem que me fartei de usar o botão “pause” e o “rewind” do meu leitor de dvd – outras em que até estamos interessados em saber mais, mas irritantemente vedam-nos esse prazer a 100 à hora! As legendas a uma velocidade extrema também não ajudam nada!

No entanto, no meio de tanto desnorte, sempre se salva alguma coisa por pouco que seja. As cenas de luta, embora eivadas por vezes de alguma confusão, denotam espectacularidade, não fossem as mesmas dirigidas pelo consagrado realizador e director de acção Ching Siu Tung, autor das coreografias de vários filmes emblemáticos tais como “Duel to the Death”, “A Chinese Ghost Story”, “A Better Tomorrow II”, “New Dragon Gate Inn”, Swordsman II”, The Duel”, “Shaolin Soccer”, “Herói”, O Segredo dos Punhais Voadores”, “The Curse of the Golden Flower” ou “Dororo”. O homem está praticamente em todas. Não consigo imaginar melhor cartão de visita!

“Butterfly and Sword” é um filme mediocre, que não deixará saudades a ninguém!

"Yip Cheung e Ko"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 6

Argumento - 5

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 5

Classificação final: 6,50





domingo, julho 15, 2007

O Rei dos Jogadores/God of Gamblers/Du shen - 赌神 (1989)

Origem: Hong Kong

Duração: 126 minutos

Realizador: Wong Jing

Com: Chow Yun Fat, Andy Lau, Joey Wong, Charles Heung, Sharla Cheung, Ronald Wong, Shing Fui On, Lung Fong, Ng Man Tat, Michiko Nishiwaka, Dennis Chan, Wong Jing, Michael Chow, Baau Hon Lam

"Ko Chun"

Estória

“Ko Chun” (Chow Yun Fat) é um jogador praticamente invencível em tudo o que implique dados, cartas, “mahjong” e afins. O seu talento granjeou-lhe uma fama tal, que é conhecido pelo “Rei dos Jogadores” (“Deus dos Jogadores” na versão inglesa).

Após mais uma brilhante vitória contra um opositor japonês de seu nome “Kau” (Shing Fui On), este solicita-lhe ajuda para uma missão muito pessoal e delicada, que passa pela vingança contra outro jogador profissional chamado “Chan Kan Sing” (Baau Hon Lam), um criminoso procurado internacionalmente por diversos delitos. Pelos vistos há uns anos atrás, o pai de “Kau” enfrentou num jogo de “poker” o mafioso “Chan”, e devido a uns certos ardis, acabou por ser derrotado. Não podendo suportar a desonra da perda, acabou por se suicidar. “Ko” acaba por aceitar a proposta e decide enfrentar “Chan” num memorável jogo de “poker” a ocorrer num navio velejando em águas internacionais.

Entretanto, “Knife” (Andy Lau), um pequeno escroque de Mongkok, decide dar uma lição ao seu vizinho indiano, que gosta de o atemorizar com os seus dois pastores alemães. Arma um embuste, cujo objectivo é fazer com que o irritante vizinho caia e role pela encosta abaixo, sem no entanto o matar.

"Knife"

Acontece que quem cai na armadilha é “Ko”, que no meio do acidente, bate com a cabeça numa pedra ficando amnésico e mentalmente diminuído. “Knife” com medo de ser acusado pela polícia, leva “Ko” para casa e cuida dele, juntamente com a sua namorada Jane (Joey Wong) e o amigo “Crawl” (Ronald Wong).

Aos poucos “Knife” e o seu séquito descobrem que “Ko”, a quem agora chamam “Chocolate”, tem um talento fenomenal para o jogo, fazendo com que ganhem bastante dinheiro. Claro está que não fazem a mínima ideia que estão perante o lendário “Rei dos Jogadores”.

Enquanto “Knife” vai retirando os seus dividendos dos atributos de “Ko”, tanto os inimigos deste como os seus aliados, encetam uma busca desesperada para encontrá-lo.

"O retardado Chocolate"

"Review"

“O Rei dos Jogadores – God of Gamblers” é um filme que assume uma importância vital para a cinematografia de Hong Kong, com direito a sequelas e prequelas, tendo igualmente inspirado filmes como “All for the Winner”, de Jeff Lau.

Wong Jing dotou-se de um elenco que dispensa qualquer tipo de apresentação, onde pontifica um “super cool” Chow Yun Fat, um jovem Andy Lau (na altura com 27, 28 anos), as belas Joey Wong e Sharla Cheung (Aka Man Cheung), entre outros.

O filme acima de tudo entretém, e bastante. Comédia a rodos, com momentos verdadeiramente bem conseguidos. Veja-se a cena do motel, em que um diminuído Chow Yun Fat, questiona-se acerca dos gemidos que provêm dos quartos circundantes. Acção e tiroteios na linha dos aclamados filmes de John Woo, com momentos verdadeiramente de tirar a respiração. Em suma, um ritmo bem conseguido e que nos mantém presos ao ecrã.

A interpretação dos actores varia bastante de intérprete para intérprete. Chow Yun Fat, especialmente nas partes em que aparece como o lerdo “Chocolate”, oferece-nos um bom desempenho. Andy Lau, embora não se safe mal, revela alguns “altos e baixos”, que posteriormente a sua profícua carreira cinematográfica encarregar-se-ia de limar. Os restantes ficam, regra geral, pela mediania, embora Charles Heung, no papel de “Lung Wu – Dragão”, o guarda-costas de “Ko”, imponha uma certa presença. Curiosamente a actuação de Chow Yun Fat neste filme já foi comparada por alguns críticos à de Dustin Hoffman, em “Rain Man – Encontro de Irmãos". Com todo o respeito que merecem tais afrmações, julga-se sem dúvida que pecam por um grande exagero, pois o papel do actor norte-americano e respectiva execução está verdadeiramente “a milhas” ou a “anos-luz”, no bom sentido.

"Chocolate em acção"

A banda-sonora merece algum destaque, que se centra sobretudo na música principal do filme, dotada de um pendor heróico que nos anima imenso, e que faz com que a nossa simpatia pelo filme aumente uns bons pontos.

Aconselho o visionamento desta obra, ainda para mais quando existe a possibilidade em Portugal de adquiri-la conjuntamente com “O Rei dos Jogadores – O Regresso” e “O Rei dos Jogadores – O Início”, num pack razoável, cujo preço não excede 20 euros, pelo menos na FNAC.

Bom filme!

"Ko Chun dirige-se para o embate da sua vida"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 7,75





sábado, abril 07, 2007

The East Is Red Aka Swordsman III/Dung fong bat baai 2: fung wan joi hei (1993)
Origem: Hong Kong
Duração: 97 minutos
Realizadores: Raymond Lee e Ching Siu Tung
Com: Brigitte Lin, Yu Rong Guang, Eddy Ko, Joey Wong, Shun Lau, Waise Lee, Jean Wang, Fennie Yuen, King Tan Yuen
Atenção!!!
Só deverá prosseguir a leitura do presente texto, caso tenha visionado "Swordsman II", sob pena de o enredo deste filme ser parcialmente revelado mais abaixo!
"Asia, The Invincible, com uma armadura típica de um Lorde Samurai"

"Estória"

Após os acontecimentos sucedidos em "Swordsman II", e no seguimento de uma épica batalha, a notória vilã "Asia, the Invincible" (Brigitte Lin) é dada como presumivelmente morta, embora a sua lenda perdure por toda a China.

No entanto, para alguns subsiste a desconfiança acerca do falecimento do mito. "Koo" ( Yu Rong Guang), um oficial da Dinastia Ming, é uma destas pessoas. O guerreiro acompanha um galeão espanhol ao "Recife Negro", local onde os eventos nefastos do filme anterior aconteceram, tendo em vista encontrarem o navio holandês que jaz no fundo do mar, para além do "Pergaminho Sagrado", de onde "Asia, the Invincible" retirava a sua prodigiosa técnica e força.

Ali chegados, deparam-se com uma estranha personagem, que se auto-intitula o "Guardião do Túmulo", e que os leva até à campa da guerreira. Quando os espanhóis tentam profanar este lugar, o misterioso guardião elimina-os usando uma técnica marcial fora do normal, e muito mais poderosa do que qualquer outra alguma vez vista. O "Guardião do Túmulo" é nada mais, nada menos que "Asia, the Invincible", que forjou a sua morte, em ordem a que todos pensassem que tinha desaparecido para o mundo.

"O oficial Koo ao ataque"

No entanto, "Koo" explica a "Asia" que apesar de muitos pensarem que a lutadora está morta, existem numerosas pessoas a fazerem-se passar pelo mito, para benefício próprio. Enraivecida por esta situação, "Asia" jura eliminar os usurpadores da sua imagem e recuperar o lugar que é seu por direito.

No entanto, a guerreira sofre um grande desgosto quando descobre que a imitação mais perfeita de entre as impostoras é a sua ex-concubina "Snow". Contudo, esta situação não a faz recuar.

No meio de uma luta pelo poder supremo na China e no mundo, que envolve o "Sun Moon Sector" (a organização comandada por "Asia"), a dinastia Ming, os japoneses e os espanhóis, o sangue e a vingança serão os actores principais!

"Snow"

"Review"

Atendendo ao grande sucesso evidenciado por "Swordsman II", mas acima de tudo pela personagem mais emblemática daquela película, a infame "Asia, the Invincible" (aka "Invincible Asia ou "Evil Asia"), era incontornavél que se fizesse mais um episódio da saga, de modo a consagrar a figura interpretada pela lenda de Hong Kong, a Sra. Brigitte Lin (1000 vénias!!!). Os realizadores Raymond Lee e Ching Siu Tung, aliados ao produtor/realizador Tsui Hark aceitaram o desafio, e o resultado saiu num mediano "assim-assim", que utilizou uma propaganda comunista chinesa para dar o nome a esta película.

Acima de tudo, esta longa-metragem visa essencialmente duas coisas: entreter e dar um fim mais dignificante e sonhador a "Asia, the Invincible". As lutas são do mais tradicional que há nos "Wuxias", com os voos imp0ssíveis, a acção que nos tira a respiração, etc., etc. Já este aspecto foi aludido diversas vezes neste blogue, pelo que não vale a pena continuar. Mesmo assim, foi-se um pouco mais além, fazendo com que "Asia" consiga agarrar balas de canhão em pleno voo, e remete-las à origem com o dobro da potência!!! Neste particular, os fãs puros de filmes movimentados não ficarão desiludidos.

A fantasia impera um pouco em demasia e chega a ir longe demais, como é o caso do navio japonês, que se consegue transformar numa espécie de submarino, tendo em vista atacar os seus adversários numa posição submersa. Uma crítica implícita ao reino do sol nascente?!


"Asia, the Invincible e Snow, uma relação amor-ódio"

Não resisto contar uma certa passagem do filme, que achei deveras interessante, mais pelo seu conteúdo do que propriamente pela representação em si, e que ilustra um pouco a parca compreensão que por vezes os ocidentais têm em relação à cultura chinesa, incluindo os seus mitos. A certa altura, quando "Koo" dirige-se ao túmulo de "Asia", acompanhado dos soldados e sacerdotes espanhóis, começa a dar saltos fantásticos, tão típicos dos heróis lendários dos "Wuxia". Os europeus ficam abismados, e o general espanhol não resiste a perguntar a outro emissário chinês que tipo de bruxaria é aquela. O oriental, por sua vez espanta-se e diz que é uma coisa perfeitamente normal, atendendo a que "Koo" é um mestre em artes marciais, detendo uma técnica chamada "light Kung Fu". O espanhol não entende, e o chinês não lhe consegue explicar mais nada. Isto fez-me lembrar as constantes críticas fáceis e sem rigor nenhum, que sobreveem de pessoas que por não estarem habituadas a este género de películas, denegrem as capacidades sobre-humanas evidenciadas e que passam pelos saltos sobrenaturais e pela extrema rapidez no desferimento dos golpes. Meus amigos, nós estamos no campo das lendas e do conceito de herói popular para os orientais! Estamos no mundo do "Jianghu" 江湖. Manda a mais elementar prudência e bom senso que se deve tentar primeiro entender minimamente as coisas e só depois enveredar pela crítica, seja ela positiva ou negativa. É engraçado que eu nunca vi ninguém criticar o facto de o Super-Homem voar, ou o "Neo" de "The Matrix" fazer acrobacias em tudo copiadas dos Wuxias. Já agora, o que acham de um certo rei espartano dar saltos à Jet Li?

Feito este aparte, resta dizer que a interpretação dos actores é mediana, salvando-se apenas Brigitte Lin e Yu Rong Guang (Joey Wong desiludiu-me um pouco), a banda-sonora é razoável e muito típica do segmento onde se insere, o guarda-roupa e a fotografia é o costume, ou seja, bom.

Nada mais a reportar, a não ser que este filme fica abaixo de outros expoentes do género, confirmando apenas que "Swordsman II" é, sem margem para qualquer dúvida, o melhor filme da saga.

"Asia, The Invincible descarrega a sua fúria no oficial Koo"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 6

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,13





sábado, outubro 07, 2006

A Chinese Ghost Story/Sinnui yauwan (1987)

Origem: Hong Kong

Duração: 92 minutos

Realizador: Tony Chin Siu Tung

Com: Leslie Cheung, Joey Wong, Wu Ma, Lau Siu Ming, Sit Chi Lun, Lai Wan

"O pobre e ingénuo cobrador de impostos Ning Tsai Chen"

Estória

"Ning Tsai Chen" (Leslie Cheung) é um pobre e bondoso cobrador de impostos que se dirige para uma vila a fim de exercer o seu nada bem vindo ofício perante os habitantes. Os problemas começam logo quando a caminho da povoação desencadeia-se uma tempestade e "Ning" fica com o livro de registo dos devedores todo ensopado devido à água da chuva. Em virtude desta situação, igualmente "Ning" fica sem dinheiro para pagar uma estalagem onde passar a noite e é obrigado a procurar refúgio no templo "Lan Yeuk", desconhecendo que o mesmo encontra-se assombrado.

Após algumas peripécias nocturnas, "Ning" conhece "Nieh Hsiao Tsing" (Joey Wong), um espírito que vagueia pela floresta circundante ao templo e instantaneamente apaixona-se. Claro está que "Ning" não faz a mínima ideia que "Nieh" é um fantasma.

"A bela e adorável fantasma Nieh Hsiao Tsing"

"Nieh" igualmente enamorada por "Ning", faz tudo para protegê-lo do espírito mais poderoso da floresta chamado "Old Dame", quando pelo contrário estava obrigada a entregar o cobrador a "Old Dame" para esta devorá-lo.

"Old Dame" descobre o embuste de "Nieh" e leva-a para o submundo, tendo em vista obrigá-la a contrair matrimónio com o "Senhor da Montanha Negra".

Com a ajuda de um estranho monge taoísta chamado "Yen", "Ning" decide penetrar no submundo e tentar salvar o seu amor.

"O casal de apaixonados"

"Review"

Antes de tudo é preciso dizer que estamos perante um dos maiores clássicos que o cinema de Hong Kong produziu, dotado de um elenco de grande respeito e com a produção do mito Tsui Hark.

"A Chinese Ghost Story" não se enquadra no "wuxia" e/ou filme de artes marciais convencional. Trata-se antes de uma bonita estória de amor, abundantemente temperada com elementos de comédia, fantasia e artes marciais.

O resultado: muito bom!

A estória de amor resulta plenamente, pois existe uma grande química entre Leslie Cheung e Joey Wong, embora não atinja a quase perfeição evidenciada em "The Bride With White Hair", com o mesmo protagonista a fazer um inesquecível par com a igualmente consagrada Brigitte Lin.

Leslie Cheung tem uma interpretação inesquecível, conseguindo convencer-nos da sua deliciosa ingenuidade e do seu puro amor por Joey Wong. Esta por sua vez, desempenha bem o seu papel como o fantasma destinado à tragédia e ao mesmo tempo a protectora de Leslie Cheung, que está constantemente a meter-se em sarilhos. Já agora, uma palavra especial de apreço para Wu Ma, que dá vida ao espadachim e monge taoísta. É ele o verdadeiro herói de acção e que dá aquele saudável laivo de loucura (parece contraditório, não?!) ao filme, sempre que invoca o seu bem distinguível grito de guerra "Prajna Paramita"!

"Ning caminha para o reduto do seu amor"

A comédia é bastante aceitável, dando azo inclusive a algumas gargalhadas, especialmente quando aparecem aqueles guardas da vila que sempre que veêm alguma pessoa a fugir, pensam logo que é um criminoso e insistem em aprisioná-lo, tendo em vista a obtenção de recompensas.

Os efeitos especiais são muito arcaicos comparados aos de hoje, mas não nos podemos esquecer que estamos a falar de um filme de Hong Kong com vinte anos. Atendendo a este pressuposto, a opinião é positiva, principalmente no tocante aos "sutras" consubstanciados em raios que Wu Ma insiste em lançar aos espíritos maléficos.

A acção, subtraindo os já mencionados efeitos especiais, é a típica de Hong Kong, com muito "wire-fu" à mistura.

"A Chinese Ghost Story" é um belo filme, que agradará sobretudo aos românticos e não defraudará aqueles que são fãs do cinema de artes marciais e "swordplay" de Hong Kong dos anos 80 e 90.

Um ícone clássico obrigatório!

"O estranho monge taoísta Yen"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cineasia

Avaliação:
Entretenimento – 8
Interpretação – 7
Argumento – 8
Banda-sonora – 8
Guarda-roupa e adereços – 8
Emotividade – 8
Mérito artístico – 8
Gosto pessoal do “M.A.M” – 8

Classificação final: 7,88