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quarta-feira, janeiro 06, 2010

Comrades, Almost a Love Story/Tian mi mi - 甜蜜蜜 (1996)

Capa

Origem: Hong Kong

Duração aproximada: 118 minutos

Realizador: Peter Chan

Com: Maggie Cheung, Leon Lai, Eric Tsang, Kristy Yeung, Irene Tsu, Christopher Doyle, Michelle Gabriel, Joe Cheung Tung Cho, Ding Yue

Li Xiao Jun 2

Li Xiao Jun”

Sinopse

“Li Xiao Jun” (Leon Lai) é um recém imigrante em Hong Kong, proveniente de Wuxi, uma cidade chinesa da província de Jiangsu. A sua principal aspiração é ganhar algum dinheiro para enviar à família e conseguir trazer a sua noiva “Li Xiao Ting” (Kristy Yeung) para Hong Kong, a fim de se casarem. Chegado à actual região administrativa chinesa, “Xiao Jun” torna-se amigo de “Qiao Li” (Maggie Cheung), uma mulher que só pensa em tornar-se rica e ascender socialmente. A amizade transforma-se progressivamente noutro tipo de sentimento, e ambos tornam-se amantes ocasionais.

Qiao Li

Qiao Li”

Conscientes que a sua relação não pode dar certo, devido à noiva que “Xiao Jun” possui em Wuxi, o casal decide manter-se apenas como amigos. As coisas parecem correr bem, pois os dois estão a progredir bem financeiramente, dando forma aos seus sonhos. Inesperadamente, uma crise financeira assola Hong Kong, e a situação económica de “Qiao Li” complica-se drasticamente. Por esta via, vê-se obrigada a arranjar um emprego como massagista e acaba por encetar um relacionamento com um membro de uma tríade chamado “Pao” (Eric Tsang). Por sua vez, “Xiao Jun” consegue finalmente trazer a noiva para Hong Kong e o enlace sucede-se. Contudo, apesar dos seus maiores esforços, os caminhos de “Xiao Jun” e “Qiao Li” cruzam-se outra vez, e ambos começam a questionar-se acerca das suas opções do passado.

Li Xiao Jun e Quiao Li

“Li Xiao Jun e Qiao Li”

“Review”

“Comrades, Almost a Love Story” faz parte daquele grupo de filmes de Hong Kong, cada vez mais raros hoje em dia, que mereceram amplos elogios da crítica um pouco por toda a parte. Premiadíssimo em variados certames de cinema, sobretudo asiáticos, a película que ora se analisa foi, com propriedade, considerada o 11º melhor filme chinês de sempre pela “Chinese Movie Database”, e o 28º nos Hong Kong Film Awards. O seu título original evoca uma música da popularíssima cantora de Taiwan Teresa Teng, e o seu sentido real é um verdadeiro hino ao amor. Esta longa-metragem em si, consubstancia-se mesmo numa bonita homenagem à intérprete musical e os motivos alusivos a Teng, consubstanciam-se num verdadeiro enredo secundário.

A aclamação de “Comrades, Almost a Love Story” é merecida. Não tenhamos dúvidas quanto a este aspecto. Apesar do seu pendor algo comercial, estamos perante um romance cheio de detalhes significativos e dotado de uma sensibilidade maravilhosa e pulsante. O destilar dos sentimentos é extremamente efectivo, com cenas de antologia, olhares e muitos gestos significativos. A trama tem algo de épico, pois acompanha a relação de “Xiao Jun” e Qiao Li” durante um período de 10 anos, mais propriamente entre 1986 e 1996. O argumento é extremamente interessante, quanto a mim bem expresso na “tagline” do Dvd da Mei Ah, que reza mais ou menos o seguinte: “Esta não é uma história acerca de duas pessoas que se apaixonam, mas antes acerca de dois corações que fazem tudo para não se apaixonarem”.

Os aspectos muito ligados ao sonho que tanto dominam as histórias românticas, aqui são algo deixados à parte e a simplicidade na exposição das situações marca presença. Mesmo sendo uma longa-metragem com laivos de paixão retumbantes, trata-se de uma película com pessoas “reais”, onde não subsiste nada que se possa reputar de exagerado ou incredível. A tensão é progressiva e enleia o espectador nas teias do relacionamento dos intervenientes. Dois amigos vêm aumentar de forma sustentada a sua amizade, e tornam-se cada vez mais próximos, embora não de uma forma demasiado evidente. O realizador Peter Chan começa então a criar as condições para que a paixão se desenvolva e atira-nos à cara o seu manancial de cenas memoráveis, como o dar de mãos no novo ano lunar chinês. A partir daqui embarcamos numa viagem através do âmago da paixão humana, sem qualquer tipo de pretensiosismo exacerbado.

Qiao Li e Pau Au Yeung

Qiao Li e Pao Au Yeung”

Embora o cerne da trama seja as dificuldades de “Xiao Jun” e “Qiao Li” em se amarem, “Comrades, Almost a Love Story” possui outros predicados a nível do argumento dos quais emana muito interesse. Um já foi referido, e trata-se do alusivo à cantora Teresa Teng. Outro, será indubitavelmente a relação estabelecida entre os naturais de Hong Kong, e aqueles que provêm da China propriamente dita. Apercebemo-nos que existem diferenças de grande relevância, que começam a se acentuar logo pela dicotomia da língua, ou seja, o cantonês “versus” o mandarim que é o idioma da maior parte dos imigrantes naturais da China. Aqueles que tentam a sua sorte em Hong Kong são olhados com algum desdém pelos habitantes da actual região administrativa e isso reflecte-se no pulsar do dia-a-dia dos participantes da história e anima-os a lutar por melhores condições de vida.

A diva Maggie Cheung faz uma das grandes interpretações da sua carreira, reconhecida em variados prémios que venceu, de que constitui exemplo o galardão para melhor actriz conseguido em praticamente todos os certames a que o filme concorreu. A sua presença é luminosa, e conseguida em todos os momentos, quer naqueles mais virados para o drama, assim como nos mais descontraídos. Em “Comrades, Almost a Love Story”, Maggie Cheung prova porque que é considerada justamente uma das melhores actrizes de sempre, no panorama do cinema oriental. É bastante gratificante observar como a actriz personifica uma mulher confiante, ambiciosa e apegada ao dinheiro, que acaba por se sacrificar por algo que sente que é maior do que ela. Por sua vez, o conhecido Leon Lai, o par romântico da história, exibe-se igualmente num bom plano, e aqui provavelmente obtém um dos melhores papéis da sua profícua carreira. O “pequeno grande” Eric Tsang, para não variar, tem uma presença marcante e cabe ainda salientar o facto de o grande mestre da fotografia e da imagem Christopher Doyle, aqui fazer uma “perna” na representação.

“Comrades. Almost a Love Story” é uma poderosa história de amor, e sem margem para dúvidas, um dos grandes filmes de Hong Kong da década de '90,  para além dos melhores dramas asiáticos de sempre. O destino sempre foi um tema grato para o cinema asiático e o de Hong Kong em particular, com temas que reflectem o facto de as personagens não conseguirem controlar o fado a que estão submetidas. A mensagem de “Comrades, Almost a Love Story” é um colosso de emoções, transmitindo a possibilidade de as histórias de amor poderem não acabar sempre bem, assim como que para o conquistar temos sempre de dar algo muito profundo de nós. No fundo, sempre se concluirá que o sentimento sobre o qual já tantos escreveram ou dissertaram, é o mais pujante motor da vida e nasce, muitas vezes, em locais ou momentos inesperados.

Obrigatório, principalmente para aqueles que apreciam um romance inteligente, mas nem por menos, carregado de uma miríade colorida de bonitos sentimentos!

imdb Nota 8.0/10 (1.482 votos) em 07/01/2010

Avaliação:

Entretenimento – 7

Interpretação – 9

Argumento – 8

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 7

Emotividade – 9

Mérito artístico – 9

Gosto pessoal do “M.A.M.”: 8

Classificação final: 8,13

domingo, agosto 19, 2007

The Storm Riders/Fung Wan:Hung ba tin ha - 風雲之雄霸天下 (1998)

Origem: Hong Kong

Duração: 130 minutos

Realizador: Andrew Lau

Com: Aaron Kwok, Ekin Cheng, Sonny Chiba, Kristy Yeung, Shu Qi, Michael Tse, Jason Chu, Roy Cheung, Lawrence Cheng, Anthony Wong, Alex Fong, Yu Rong Guang, Dion Lam, Xu Jinglei, Lai Yiu Cheung, Wan Yeung Ming, Tsui Kam Kong, Lee Siu Kei, Ng Chi Hung, Christine Ng

"Cloud"

Estória

O infame “Lord Conqueror” (Sonny Chiba) é o mais poderoso praticante de artes marciais à face da terra, tendo apenas como rival “Sword Saint” (Anthony Wong). Um dia, “Conqueror” expectante quanto ao seu futuro, requisita os serviços de um vidente chamado “Mud Buddha” (Lai Yiu Cheung). Este profetiza que se “Conqueror” tomar como seus discípulos duas crianças chamadas “Wind” e “Cloud” terá dez anos de felicidade e sorte. “Mud Buddha” reserva-se ao direito de decorrido este tempo, falar do resto do destino de “Conqueror”.

“Conqueror” assassina os pais de “Wind” e “Cloud” sem estes saberem o autor dos crimes, e toma-os como os dois discípulos mais próximos.

Passados dez anos, “Wind” (Ekin Cheng) e “Cloud” (Aaron Kwok) transformaram-se nos dois guerreiros mais poderosos do clã, sendo apenas suplantados pelo próprio “Conqueror”. Este encontra-se furioso pelo desaparecimento de “Mud Buddha” e após algumas peripécias, acaba por encontrá-lo. O resto da profecia é então revelado. Pelos vistos, a boa fortuna de “Conqueror” irá acabar, pois “Wind” e “Cloud” unir-se-ão numa rebelião contra o seu mestre, destruindo-o.

"Wind"

Apercebendo-se da ameaça que impende sobre si, “Conqueror” usa a sua filha “Charity” (Kristy Yeung) para causar a desunião entre os dois guerreiros. Ambos amam a filha do mestre, mas “Conqueror” dá a sua filha em casamento a “Wind”. No dia da boda, “Cloud” não se deixa ficar, e combate com “Wind”. “Conqueror” vê uma oportunidade para acabar com os dois, mas mata a sua própria filha por engano.

“Wind” e “Cloud” põem de parte as suas diferenças e juntos empreendem uma jornada de luta e vingança contra “Conqueror”.

"Lord Conqueror"

"Review"

Já antes tinha aqui falado da trilogia não oficial de filmes de fantasia da autoria de Andrew Lau, e a propósito desse aspecto elaborei textos acerca de “The Duel” e “A Man Called Hero”. Chegou pois a altura (com algum atraso admita-se) de dissertar um pouco acerca de “The Storm Riders”, indubitavelmente a melhor película da série.

Antes de tudo é preciso referir que esta longa-metragem é baseada numa “manhua” muito popular em Hong Kong, chamada “Fung Wan” (literalmente “Wind and Cloud”), da autoria de Ma Wing Shing. Tratando-se literalmente de uma fantasia de artes marciais, em que os intervenientes não se limitam apenas a possuir habilidades fora do normal no manejo da espada ou nos saltos que desafiam a gravidade, estamos perante uma estória com contornos ainda mais mitológicos em que as personagens voam e conseguem controlar alguns elementos da natureza e usa-los a seu favor. Falamos pois de uma película na linha de “Guerreiros da Montanha”, de Tsui Hark.

Simplesmente, e em comparação com o filme mencionado no fim do parágrafo anterior, estamos perante uma película muito melhor em praticamente todos os aspectos relevantes. Quanto a mim, “The Storm Riders” é o mais portentoso filme de fantasia de artes marciais jamais feito. É uma opinião, e vale o que vale!

"Frost em combate"

Quando “The Storm Riders” viu a luz do dia, o sucesso foi imediato, tendo arrebatado nada mais, nada menos que 11 prémios na 18ª edição dos “Hong Kong Film Awards”, incluindo o de melhor actor (Sonny Chiba) e de melhor filme. Os efeitos especiais são francamente bons, nada tendo a ver com os efeitos medíocres que eram usados anteriormente nas fantasias que envolviam artes marciais. O uso extremo de CGI (Computer Generated Images – Imagens Geradas por Computador) é extremo, mas muito bem cuidado, fazendo em certas alturas com que os nossos olhos quase que saltem das órbitas. Podemos certamente dizer que no que toca a este género específico de filmes, existe a era anterior a “The Storm Riders” e a era “Pós-The Storm Riders”, tal a importância histórica que este filme reveste.

A trama está muito bem articulada. No entanto urge fazer uma chamada de atenção. Esta crítica tem por base a versão original, que erradamente foi apelidada de “Director’s Cut”, com a duração de 130 minutos. A versão internacional, foi extremamente cortada na sala de edição, com cerca de 90 e poucos minutos. Como resultado desta situação, a película ficou adulterada, com bastantes falhas argumentativas, fazendo com que o espectador não entendesse certas situações ou passagens do filme. Pelo exposto, fica desde já o aviso. Visionem a versão original, nunca a versão internacional.

A escolha do elenco foi verdadeiramente feliz. Estamos perante uma autêntica parada de estrelas de Hong Kong, tais como Ekin Cheng, Aaron Kwok, Kristy Yeung, Shu Qi, Anthony Wong, entre muitos outros. Para dar o correcto tempero e funcionando como um importante “quid”, Sonny Chiba, um dos mais consagrados actores japoneses, foi recrutado para o desempenho do vil “Lord Conqueror”, tendo desempenhado competentemente o seu papel (aquela voz é única).

Existe bastante acção, fazendo com que o filme não tenha praticamente momentos parados. É claro que as lutas não serão imbuídas das artes marciais tradicionais, afigurando-se mais como autênticas batalhas mágicas. Isto fará com que os amantes do Kung Fu mais tradicionalista ou “Kung Fu Old School” odeiem o filme com toda a intensidade.

Portanto se você pertence a este segmento, evite “The Storm Riders” a todo o custo. Caso contrário, não poderá absolutamente perder esta jóia do cinema de Hong Kong!

" Wind e Cloud, os dois heróis"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 8

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,25







segunda-feira, agosto 06, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Aqui vão mais 4 ilustres concorrentes nas votações que estão a ser levadas a cabo aqui no blogue.
Cecilia Cheung

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Guerreiros da Montanha , The Promise, Dragão Branco, Failan, One Nite in Mongkok,

Tony Leung Chiu Wai

Informação

Filmes em que entrou, criticados no "My Asian Movies": Herói, Ashes of Time, Infiltrados , 2046, Butterfly & Sword, Chinese Odyssey 2002

Kristy Yeung

Informação

Filmes em que entrou, criticados no "My Asian Movies": The Duel , A Man Called Hero, The Storm Riders

Shah Rukh Khan (Shahrukh Khan)

Informação

Filmes em que entrou, criticados no "My Asian Movies": Asoka



domingo, setembro 17, 2006

A Man Called Hero/Zhong Hua ying xiong (1999)

Origem: Hong Kong

Duração: 109 minutos

Realizador: Andrew Lau

Com: Ekin Cheng, Kristy Yeung, Shu Qi, Yuen Biao, Deon Lam, Jerry Lamb, Nicholas Tse, Francis Ng, Anthony Wong, Ken Lo, Elvis Tsui, Mark Cheng, Sam Lee, Grace Yip, Jude Poyer, Cheng Pei Pei, Thomas Hudak

"Hero Hua"

Estória

No início do século XX, na China, "Hero Hua" é um jovem aprendiz do mestre de artes marciais "Pride", a quem é confiado uma técnica invencível conhecida como "o segredo da China".

Um dia "Hua" ao chegar a casa depara-se com os pais assassinados. A sua mãe antes de expirar afirma que a família foi atacada devido a uma crítica que o pai de "Hua" fez num jornal, cujo conteúdo versava sobre os males sociais provocados pelo tráfico de ópio que os estrangeiros fazem no país. "Hua" vinga-se dos homicidas e em virtude disso é obrigado a fugir para os E.U.A., deixando para trás a sua esposa grávida "Jade" e o seu melhor amigo "Sheng".

"Hero Hua ladeado da esposa Jade e do melhor amigo Sheng"

Meses depois "Jade" e "Sheng" desembarcam nos E.U.A e vão à procura de "Hua", descobrindo que este tem a cabeça a prémio por ter morto um capataz numa mina. Posteriormente acabam por localizar "Hua", e as coisas começam a correr bem até ao dia em que "Jade" dá à luz um casal de gémeos na "Casa da China", um entreposto de apoio aos imigrantes chineses, e deflagra um incêndio. O fogo é provocado por "Jin", que viajou até aos E.U.A para tentar capturar "Hua", a mando de "Invincible", o eterno rival de "Pride". "Jin" age movido pelos ciúmes, pois não entende que uma das ninjas sob o seu comando, a bela "Mu", tenha-se apaixonado por "Hua".

"Jade" falece e um dos gémeos (a rapariga) é raptado. "Hua" consulta um adivinho e este informa que o protagonista nasceu sob o signo da "estrela da morte", que faz com que todas as pessoas importantes para ele tenham um mau fim. Em virtude disto, "Hua" decide desaparecer para o mundo.

Dezasseis anos depois, "Sword Hua", o filho de "Hero Hua", desembarca nos E.U.A. decidido a descobrir o paradeiro do pai.

"Invincible" igualmente viaja para Nova Iorque, decidido a confrontar-se com "Hero Hua".

"Invincible furioso"

"Review"

Após o sucesso de "The Storm Riders", Andrew Lau lançou-se novamente nas adaptações de "manga", auxiliado por um uso intensivo de imagens geradas por computador e daqui nasceu "A Man Called Hero". Lau ainda viria a realizar um terceiro filme recorrendo ao mesmo tipo de execução chamado "The Duel".

"A Man Called Hero" foi um filme ambicioso desde o início e pretende ser acima de tudo um épico na verdadeira acepção da palavra, aproveitando a embalagem catalisada pelo seu antecessor. Existe inclusive uma repetição de "casting", com Ekin Cheng e Kristy Yeung a protagonizarem a película. O mesmo viria a suceder com o já mencionado "The Duel".

O resultado final é um misto de bom e de mau.

Já na crítica a "The Duel", constante aqui no "M.A.M.", tinha afirmado que este filme, conjuntamente com "The Storm Riders" e "A Man Called Hero", constituia uma trilogia não oficial de Andrew Lau, não amiúde sendo estas películas comercializadas conjuntamente num "pack". Eu por exemplo adquiri os filmes nesse formato.

Igualmente tinha sido dito à altura que à medida que os filmes eram realizados, a qualidade decrescia, ou seja, "The Storm Riders" (1998) era melhor que "A Man Called Hero" (1999) e por sua vez "The Duel" revelava ser claramente o pior dos três.

Quanto a "A Man Called Hero" que é o que nos ocupa agora, podemos dizer desde logo que o argumento é de elevada qualidade e muito bem imaginado. Só não leva uma nota melhor devido a uma grande falha que consiste em nunca sabermos o que se passou afinal com a filha de "Hua", raptada aquando do incêndio na "Casa da China". E isto ainda assume mais importância quando "Hua" e o filho na última meia-hora do filme, unem-se em torno de alguns objectivos cujo principal é encontrar a rapariga desaparecida. Eu já tentei perceber se isto é uma "pecha" do enredo ou se pelo contrário Andrew Lau pretendeu que nós puxássemos pela massa cerebral e entrássemos em conjecturas. A minha passará pela filha de "Shadow" ser na realidade a filha de "Hua", e apenas "Shadow" saber desse facto. Sugestões aceitam-se!

A interpretação dos actores é perfeitamente normal, sem rasgos de genialidade, com Ekin Cheng no seu costumeiro ar sério, a passear com as mãos atrás das costas durante metade do filme.

"Hero Hua medita num local fora do normal"

Fiquei com a nítida impressão que esta película tem um forte pendor nacionalista e até estigmas anti-caucasianos. O tema da imigração é fortemente abordado, com o pobre trabalhador chinês a ser escravizado pelo mau do homem branco, e de vez a vez, quando se lhe depara uma oportunidade, lá se vinga com muito "kung-fu" à mistura. A semi-destruição da estátua da liberdade, por altura do confronto final entre "Hua" e "Invincible", é muito sintomática deste aspecto e quanto a mim passível de várias interpretações.

As lutas em regra geral apresentam uma qualidade bastante aceitável, destacando-se aqui os magníficos efeitos especiais evidenciados no confronto entre "Pride" (o mestre de "Hua") e "Invincible", onde as lâminas não se tocam, e ambos canalizam a água proveniente da chuva um contra o outro. A referenciada luta na estátua da liberdade tem os seus altos e baixos, denotando-se por vezes efeitos de certa forma primários.

Uma palavra final para os cenários urbanos de Nova Iorque. Fiquei bastante impressionado pela positiva, notando-se um especial cuidado até ao ínfimo pormenor, desde as viaturas da época, passando pelo guarda-roupa e os edifícios. Isto ainda assume mais relevo quando estamos a falar de um filme que não é ocidental.

"A Man Called Hero" é uma película a ser vista e adquirida, conquanto o preço não seja elevado. Com interesse.

"Confronto entre Hero Hua e Invincible tendo como pano de fundo a estátua da liberdade"


Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:
Entretenimento – 8
Interpretação – 7
Argumento – 8
Banda-sonora – 7
Guarda-roupa e adereços – 7
Emotividade – 7
Mérito artístico – 7
Gosto pessoal do “M.A.M.” – 6

Classificação final: 7,13

domingo, julho 02, 2006

The Duel/Kuet chin chi gam ji din (2000)

Origem: Hong Kong

Duração: 106 minutos

Realizador: Andrew Lau

Com: Nick Cheung, Vicki Zhao, Ekin Cheng, Andy Lau, Kristy Yeung, Patrick Tam, Elvis Tsui, Tin Sum, Tsui Siu Keung, Jerry Lamb

"Os oponentes Snow (Ekin Cheng) e Yeh Cool Sun (Andy Lau)"

Estória

No mundo das artes marciais, dois espadachins ostentam o título de lutadores sem rival. De um lado temos "Snow" (Ekin Cheng), um poderoso e estóico mestre envolto em mistério, e do outro "Yeh Cool Sun" (Andy Lau), um fenomenal guerreiro, possuidor de um golpe considerado imbatível e cujas origens remontam à família do imperador.

Após vários anos granjeando as suas reputações, "Sun" desafia "Snow" para um duelo, tendo em vista encerrar de uma vez por todas a discussão sobre qual dos dois é o melhor. O desafio está marcado para um local verdadeiramente simbólico e à altura dos concorrentes, o palácio imperial, e toda a China aguarda expectante.

No entanto apenas oito pessoas, excluindo os residentes do palácio imperial, terão o privilégio de assistir ao fabuloso combate. O agente do imperador "Dragon 9" (Nick Cheung), fica encarregue de escolher os eleitos, atribuindo-lhes para o efeito um medalhão feito de ouro.

À medida que o dia do embate aproxima-se, misteriosos homicídios começam a ocorrer, e o agente "Dragon 9" decide investigar por conta própria os crimes, chegando à conclusão que as provas apontam para um dos oponentes e seu amigo pessoal "Snow".

O tempo urge, o duelo está quase a ocorrer e a vida do imperador corre sérios riscos!

"Dragon 9 (Nick Cheung) e a princesa Phoenix (Vicki Zhao)"

"Review"

Apesar de "The Storm Riders", "A Man Called Hero" e este "The Duel" serem filmes completamente independentes a nível de enredo, são muitas vezes apontados como uma trilogia não oficial do realizador Andrew Lau (não confundir com um dis actores principais desta película Andy Lau). Todas estas longas-metragens demonstram um uso intensivo de "CGI", para além de terem em comum o facto de serem fantasias que envolvem artes marciais. Eu próprio adquiri os filmes acima mencionados num bonito "pack" que sugestivamente intitulava-se "The Storm Riders Trilogy".

Comparando muito resumidamente os 3 filmes, temos logo que fazer uma analogia com a data da realização dos mesmos, no sentido de que a qualidade vai decrescendo. "The Storm Riders" (1998) é um filme bastante interessante, apesar de um ou outro defeito mais evidente. "A Man Called Hero" (1999) tem um bom argumento e não só, mas já encontra-se uns furos abaixo de "Stormriders". "The Duel" é claramente o pior dos três.

Os efeitos especiais não são nada demais quando comparado com "Stormriders". Até parece que o que não prestava para os dois anteriores filmes sobrou para este!

O argumento embora não seja mau de todo, também não impressiona por aí além, sendo um misto de acção, romance, mistério e comédia. Só esta última componente resultou minimamente bem, fazendo com que Nick Cheung seja o actor que se salva da mediocridade geral, conseguindo efectivamente proporcionar-nos alguns momentos hilariantes.

"Dragon 9 tem muitas dores de cabeça com as exigências da mimada princesa Phoenix"

As cenas de romance são uma trapalhada geral, embora em certos momentos "Ye Ziqing", a personagem interpretada por Kristy Yeung, consiga me fazer crer acerca da bondade e sinceridade dos seus sentimentos em relação a "Snow". Ekin Cheng prima pela mudez, devendo dizer no máximo umas dez, quinze linhas em todo o filme. Pretendia-se porventura acentuar o mistério em torno da personagem de "Snow", mas o que se obteve efectivamente foi um grande vazio. o ar e personalidade do actor, que reconhecemos ser propício para este tipo de papéis, tem os seus limites e não consegue fazer milagres!

A belíssima Vicki Zhao e Andy Lau, sendo dois actores de nomeada, têm no entanto interpretações sofríveis e nada condizentes com o seu elevado estatuto.

A própria beleza das paisagens e dos cenários, que constituem "regra de ouro" em filmes do género, são invariavelmente preteridas a favor do "CGI", o que se torna verdadeiramente cansativo e irritante.

O duelo que todos ansiamos, e que temos a secreta esperança que salve a película, acaba por revelar-se uma desilusão!

Se mesmo assim pretenderem adquirir "The Duel", aconselho a adquirir no "pack" que aqui já mencionei. Comprar este DVD isolado, só mesmo se estiver a um preço não superior a € 5,00...

Pouco mais do que medíocre!

"Um momento do duelo final, verdadeiramente demonstrativo das incríveis capacidades dos litigantes"




Avaliação:
Entretenimento - 7
Interpretação - 6
Argumento - 6
Banda-sonora - 6
Guarda-roupa e adereços - 7
Emotividade - 6
Mérito artístico - 6
Gosto pessoal do "M.A.M." - 5
Classificação final: 6,38