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segunda-feira, maio 11, 2009

Red Cliff II/Chi bi xia: Jue zhan tian xia (2009)

Origem: China/Hong Kong

Duração: 142 minutos

Realizador: John Woo

Com: Takeshi Kaneshiro, Tony Leung Chiu Wai, Zhang Fengyi, Chang Chen, Vicky Zhao, Hu Jun, Li Ching Ling, Shido Nakamura, You Yong, Song Jia, Tong Dawei, You Yong, Ba Sen Zha Bu, Zhang Jingsheng, Zhang Shan, Shi Xiaohong, He Yin

"Zhou Yu indica o caminho para a batalha"

Alerta!

“Red Cliff II” é a segunda parte da saga de John Woo, iniciada com “Red Cliff”. Pelo exposto, só deverá ler o presente texto, caso tenha visto o primeiro filme, sob pena de “spoilers”. Contudo, para quem já visionou a película predecessora, o texto anteriormente escrito acerca da mesma poderá ser um importante complemento ao presente neste "post".

Sinopse

O primeiro-ministro do império Han “Cao Cao” (Zhang Fengyi) prepara-se para atacar as forças combinadas do sul, lideradas pelo vice-rei “Zhou Yu” (Tony Leung Chiu Wai) e “Zhuge Liang” (Takeshi Kaneshiro). A refrega acontecerá na fortaleza do “Precipício Vermelho”, no rio Yangtzé. “Cao Cao” tem razões para se sentir confiante, pois as suas forças são infinitamente superiores a nível de homens e logística. Para piorar a situação, e tendo em vista minar a moral do exército aliado, “Cao Cao” envia aos seus inimigos embarcações cheias de soldados mortos infectados com febre tifóide. Este movimento provoca uma epidemia na fortaleza sitiada, e “Liu Bei” (You Yong) decide partir com o seu exército, temendo a morte dos seu povo. A aliança finda, e o vice-rei “Zhou Yu” fica apenas com as forças de Wu estimadas em cerca de 30.000 homens, que terão de lutar contra os mais de 800.000 que “Cao Cao” tem sobre o seu comando.

"Xiao Qiao entrega-se ao inimigo"

Contudo, “Zhuge Liang” (Takeshi Kaneshiro) recusa partir, e decide lutar ao lado do exército de Wu, numa batalha à partida supostamente perdida. As movimentações de ambas as partes começam, e chega o dia do desequilibrado mas inevitável confronto, onde o futuro dos reinos do sul será decidido.

"O intrépido Gan Xing"

"Review"

Após uma primeira parte que muito prometeu, e onde John Woo parece ter voltado aos bons velhos tempos, agora no registo do épico, chega a altura de “Red Cliff II”, onde ficaremos a saber o destino dos heróis da fortaleza do “Precipício Vermelho” e o desfecho da monumental batalha que se avizinha. Supostamente, e em virtude desta premissa, será de pensar que o mais espectacular teria sido deixado para o fim. Na minha opinião, não foi isso que aconteceu, mas tal constatação não é necessariamente má. Digamos, em abono da verdade, que tudo foi bem repartido, tornando “Red Cliff II” um excelente complemento do primeiro filme, e as duas partes da saga, um épico que com certeza perdurará na memória. “Red Cliff II” começa com uma ligeira súmula dos principais acontecimentos ocorridos em “Red Cliff”, de forma a que nos situemos no enredo, e já agora é-nos oferecido um interessante jogo de “Cuju”, uma forma primitiva de futebol, que muito me fez lembrar os jogos que costumava praticar na escola quando me aventurava no ensino primário e básico.

Embora como já foi aludido, Woo se aventure por um género distinto daquele que o celebrizou, o épico proporciona ao realizador exteriorizar características bastante marcantes do seu estilo próprio. Temas como honra, a amizade e objectivos/desafios aparentemente impossíveis de cumprir são profusamente tratados nesta película, fazendo com que a emoção e o heroísmo marquem bastantes pontos. Como seria de esperar, e apesar de possuir quase duas horas e meia de duração, a acção de “Red Cliff II” é regra geral, mais intensa que no seu predecessor. É natural que assim seja, pois em “Red Cliff” era necessário dar um enquadramento geral da trama, de forma a que o espectador percebesse efectivamente o que estava em causa. Quando refiro que a acção é mais intensa em “Red Cliff II”, não me refiro tanto aos momentos individualmente considerados, mas numa perspectiva de maior continuidade.

"Liu Bei e Zhuge Liang"

Do meu ponto de vista, a primeira parte possui um tratamento superior no que toca ao combate individual dos intervenientes. Mesmo com um ou outro auxílio de cabos e guindastes, assistimos a momentos verdadeiramente espectaculares, que fazem lembrar do melhor que já se fez a nível do “wuxia”. Em “Red Cliff II”, embora possamos vislumbrar algum atributo técnico dos litigantes, a lógica belicista funciona mais em conjunto. É-nos apresentado momentos grandiosos, no que toca a batalhas em grande escala. Assistimos a um confronto naval onde o sangue, e os elementos fogo, terra e água misturam-se num “cocktail” explosivo e imponente. Na razão de ser principal desta película, ou seja, a batalha do “Precipício Vermelho”, Woo introduz a estratégia militar perceptível mas efectiva, o sempre bem-vindo tema do sacrifício por algo maior do que nós, e a costumeira irmandade que unem os protagonistas perante situações críticas. E sim, é verdade! Woo não prescinde do seu habitual “standoff” final. Em jeito de conclusão deste ponto, sempre direi que a acção está mais presente do que no primeiro filme, que por força da sua conjuntura a difundia de uma forma mais esparsa.

Os actores repetem o bom registo da primeira parte, e parecem quase todos terem amadurecido nos seus papéis. Tony Leung Chiu Wai e Takeshi Kaneshiro cumprem o que lhes é pedido numa saudável concorrência interna, sem desligar dos aspectos mais conducentes à irmandade na guerra. Vicki Zhao, encantadora como sempre, brilha no ecrã. Shido Nakamura, um actor que pessoalmente aprecio imenso, é o verdadeiro reflexo do combatente feroz que não vacila nas horas difíceis e que se prontifica a tudo para que a empresa seja bem sucedida. Saúda-se o maior protagonismo da actriz Ling Chi Ling em “Red Cliff II”, que adiciona mais "glamour" à película. “Xiao Qiao” afigura-se uma aparente Helena de Tróia orientalizada, quando é espalhado o rumor que afinal a razão para “Cao Cao” provocar o conflito, passa por desejar ardentemente a mulher do vice-rei “Zhou Yu”. De uma forma heróica e aparentemente votada à tragédia, “Xiao” contribui para o esforço de guerra ao se entregar voluntariamente ao primeiro-ministro, de forma a fazer com que o mesmo cometa erros que muito poderão ditar o resultado final da batalha.

Com a saga “Red Cliff”, Woo afirmou ter cumprido o sonho de uma vida, que era fazer um épico de grande dimensão acerca de um evento importante da história chinesa. O resultado final redundou numa fita de eleição, que deverá figurar nas obras importantes do cinema asiático do século XXI. Imune às críticas de alguns puristas, que afirmaram que a segunda parte da película desviou-se um tanto ou quanto de um maior rigor histórico, é-nos oferecida acção, intriga, sacrifício, amor, heroísmo, honra, tudo ingredientes que o realizador ama e que apaixonam os fãs dos seus filmes. Acima de tudo, o grande mérito de “Red Cliff” e principalmente “Red Cliff II” é serem o reflexo do que o seu criador tem de melhor. Aguardamos ansiosamente a próxima obra!

Seja pois muito bem vindo de novo ao oriente, Mr. Woo!

"Sun Shangxiang"

The Internet Movie Database (IMDb) link

Trailer

Outras críticas em português/espanhol:

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 10

Emotividade - 8

Mérito artístico - 9

Gosto Pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,50





quinta-feira, outubro 30, 2008

Red Cliff/Chi bi - 赤壁 (2008)
Origem: China/Hong Kong
Duração: 140 minutos
Realizador: John Woo
Com: Takeshi Kaneshiro, Tony Leung Chiu Wai, Zhang Fengyi, Chang Chen, Vicky Zhao, Hu Jun, Li Ching Ling, Shido Nakamura, You Yong, Song Jia, Tong Dawei, You Yong, Ba Sen Zha Bu, Zhang Jingsheng, Zhang Shan, Shi Xiaohong, He Yin
"O genial estratega Zhuge Liang"
Sinopse

No ano de 208, “Cao Cao” (Zhang Fengyi) o primeiro-ministro do imperador Han, convence este a declarar guerra aos senhores feudais do Sul da China “Liu Bei” (You Yong) e o duque de Wu “Sun Quan” (Chang Chen), afirmando falsamente que estes são traidores. Temendo “Cao Cao”, o monarca acede aos desejos deste e nomeia-o comandante de todos os exércitos, permitindo assim que este desencadeie o conflito.

“Liu Bei” e o seu povo conseguem escapar à justa após a batalha de Chang Ban, e refugiam-se numa fortaleza remota do reino. A sede de poder de “Cao Cao” está longe de ser saciada e este continua a progredir com o seu vasto exército. “Zhuge Liang” (Takeshi Kaneshiro), o genial estratega de “Liu Bei”, dirige-se aos domínios de “Sun Quan”, em ordem a solicitar a ajuda daquele no sentido de fazerem uma aliança militar contra os desígnios de “Cao Cao”. Com o auxílio do valente militar e principal conselheiro de “Sun Quan”, o vice-rei “Zhou Yu” (Tony Leung Chiu Wai), “Zhuge Liang” consegue a tão pretendida união de esforços.

"O vice-rei Zhou Yu"

Após uma grande vitória contra os exércitos terrestres de “Cao Cao”, as forças combinadas de “Liu Bei” e “Sun Quan”, concentram-se na fortaleza de “Zhou Yu” conhecida como “Precipício Vermelho” (“Red Cliff”) e aguardam o confronto decisivo com as imensas forças de “Cao Cao”, compostas por 800.000 homens e 3.000 embarcações de guerra.

"Review"

Após uma longa passagem por Hollywood, o mítico realizador John Woo decide voltar à terra-natal não para realizar mais um dos seus sensacionais “heroic bloodshed”, mas para se aventurar no género épico. Para o efeito, foi-se inspirar na batalha dos precipícios vermelhos, um conflito armado que ocorreu no fim da dinastia Han, mais precisamente no ano de 208, e que antecedeu o período conhecido como o dos “Três Reinos”. A sua localização exacta é alvo de intensa discussão académica, sendo certo apenas que a mesma se desencadeou algures no rio Yangtzé. John Woo, no sentido de conferir uma verdade histórica mais palpável à sua obra basear-se-ia na “Crónica dos Três Reinos”, um documento oficial escrito por um militar da época de seu nome Chen Shou. No entanto, é certo que Woo não seguiu escrupulosamente a sua fonte primária, e enveredou por uma compreensível romantização no sentido de tornar esta longa-metragem mais apelativa ao grande público. Mas isso é o que praticamente toda a gente faz, e não é nada a que não estejamos já habituados. Cumpre ainda referir que “Red Cliff” é o filme asiático mais dispendioso da história, com um orçamento que ronda os 80 milhões de dólares. Enquanto na Ásia o filme terá duas partes que em conjunto totalizarão mais de 4 horas, para o Ocidente será feito um único filme com duas horas e meia de duração. Como sou avesso a cortes na sala de edição, seguirei a linha escolhida para a Ásia, e dissertarei um pouco acerca da primeira parte, ansiando para que em 2009 tenha a oportunidade de partilhar o meu ponto de vista convosco acerca do epílogo desta película, consubstanciada na segunda parte.

"O primeiro-ministro do imperador Han, o ambicioso Cao Cao"

Os épicos asiáticos tendem a ser verdadeiramente grandiosos, não apenas em meios, mas igualmente em emoção, mensagem, sentimento e tudo aquilo que nós fãs do género prezamos com tanto coração. São estas características que normalmente os distinguem dos seus congéneres ocidentais, que muitas vezes são capazes de os superar na questão logística, mas que normalmente perdem aos pontos no que toca à envolvência transmitida ao espectador. Quem costuma visitar este espaço sabe que gosto de todos os géneros de cinema sem distinção, mas quando toca a puxar pelo pendor heróico “da coisa”, têm aqui um homem para o que der e vier. É por este mesmo motivo que os anos de 2007 e 2008, consubstanciaram-se numa possível época de ouro para mim, com a realização de um elevado número de longas-metragens que em potência poderiam preencher-me as medidas. Falo de “Warlords”, “The Forbidden Kingdom”, “Three Kingdoms: Ressurrection of the Dragon”, este “Red Cliff” e “An Empress and the Warriors”. É certo que muitas vezes a expectativa dá lugar à desilusão, e o último filme mencionado ficou bastante longe de ser algo memorável. Felizmente, o mesmo não se pode afirmar em relação a este que agora se analisa.

Os meios usados são, à falta de expressão melhor, verdadeiramente impressionantes e preenchem as medidas aos espectadores. Estamos a falar de centenas de figurantes, referindo só a título de curiosidade que o exército vermelho chinês cedeu 1000 soldados para intervirem no filme. A apresentação dos exércitos, assim como da frota de navios de guerra deslumbra ao máximo, mesmo que nos apercebamos que houve algum inevitável recurso a imagens geradas por computador. Junte-se a estas características um guarda-roupa, decoração, arquitectura e manancial bélico marcado pelo detalhe, acompanhado de paisagens e fotografia esplendorosa e...já está! Temos uma receita de sucesso, e meio caminho andado para que o filme seja um êxito garantido, com o necessário sucesso de bilheteira. Não esquecer ainda a competente banda-sonora do excelente compositor japonês Taro Iwashiro, cujo trabalho em “Shinobi: Heart Unde Blade” simplesmente adorei! Embora aqui não atinja um nível semelhante, consegue nos hipnotizar o suficiente para nos embrenharmos ainda mais na película.

"O exército de Liu Bei prepara-se para a batalha, com o poderoso general Guan Yu na dianteira"

Por sua vez, os combates estão bem conseguidos, tanto de um ponto de vista colectivo como individual. “Red Cliff” aqui não deixa mesmo os seus créditos por mãos alheias e consegue elevar mais ainda os seus índices de pujança visual, ou não estivéssemos a falar de John Woo, auxiliado pela coreografia engendrada por Corey Yuen. É muito agradável à vista observar os planos da batalha em que as forças aliadas adoptam uma estranha mas bastante efectiva formação de anéis de tartaruga, que enreda as forças de Cao Cao numa bem urdida armadilha. Mas o que ainda mais me agradou foram as performances individuais que se destacam no meio da contenda geral. Para a alegria de muitos e também a desilusão de outros tantos, Woo decidiu fugir ao combate clássico, e colocar alguns elementos mais próprios do wuxia, com auxílio de guindastes se tal fosse necessário, fazendo com que uma aura mística e lendária rodeie os guerreiros. Contudo, não se ouse pensar que a crueza encontra-se ausente! Quando é necessário atacar forte e duro, com bastante sangue à mistura, temos igualmente uma mão cheia de cenas para satisfação pessoal. Sob o signo da espectacularidade, em que Woo sempre quase viveu, consegue-se concretizar uma saudável mescla de ambos os estilos de combate que só vem elevar o filme, na minha humilde opinião.

Não foi isenta de atribulações a reunião do elenco para “Red Cliff”, e atendendo à expectativa que tinha acerca da película, foi uma situação que acompanhei um pouco, recolhendo informação pelos sítios da especialidade, à medida que a coscuvilhice se ia desenrolando. Originariamente, o conhecedíssimo actor Chow Yun Fat (um velho conhecido de John Woo) tinha sido recrutado para o papel do vice-rei Zhou Yu, uma das personagens mais emblemáticas da trama. Posteriormente, Yun Fat viria a recusar a participação, alegando para o efeito que tinha recebido o guião uma semana antes da rodagem começar e por esse motivo não ter possibilidades de se preparar convenientemente. Terence Chang, o produtor da película desmentiu veementemente este facto afirmando que a seguradora do actor tinha se oposto a 73 (?!) cláusulas do contrato do actor. Por sua vez, outro monstro do cinema asiático Ken Watanabe teria sido seleccionado para o papel do vilão do filme Cao Cao. Supostamente, e aqui entram os costumeiros nacionalismos, não foi bem visto o facto de uma personagem importante da história chinesa ser interpretado por um estrangeiro. O consagrado Zhang Fengyi viria a ganhar o papel. Por fim, o meu actor favorito Tony Leung Chiu Wai. No início estava-lhe destinada a representação de Zhuge Liang, do meu ponto de vista a figura mais importante desta obra. O actor viria a declinar, invocando a razão de estar esgotado devido às filmagens de “Lust, Caution”. Numa reviravolta que poucos perceberam, Tony Leung viria a retornar ao “cast”, desta vez para assumir o papel que estava destinado a Chow Yun Fat, ou seja o do vice-rei Zhou Yu. Zhuge Liang viria a ser entregue a Takeshi Kaneshiro, um actor que dispensa qualquer tipo de apresentação. O certo é que o “casting” final redundou numa verdadeira constelação de estrelas de grandes cinematografias asiáticas, a saber, da China, Hong Kong e Japão. E embora o resultado da representação pudesse ter sido melhor, atendendo à qualidade intrínseca dos intervenientes, nota-se que o binómio entretenimento/espectacularidade levou a melhor sobre qualquer tipo de possível interpretação transcendental. A realidade é que todos, sem excepção, cumprem o que lhes é pedido, e o resultado é muito bom.

É curioso, e ao mesmo tempo de relevar, que as personagens são apresentadas num estilo que em muito homenageia os grandes clássicos de wuxia e até do denominado “kung fu old school”, cuja trama principal versava sobre a luta de um grupo heróico de guerreiros contra uma qualquer força opressora dominante. Temos o estratega nato e a personificação da inteligência erudita em “Zhuge Liang”, a valentia honrada em “Zhou Yu”, a coragem escondida em “Sun Quan”, a irreverência na princesa “Sun Shangxiang” (interpretada pela sempre bela Vicki Zhao), todos apoiados por um manancial de guerreiros, cada um com as suas qualidades pessoais e de combate muito próprias e distintas. A sim à primeira vista, lembrei-me de “The Water Margin” (a série, pois nunca tive o prazer de ver o filme de Chang Cheh), protagonizada pelo actor japonês Atsuo Nakamura, e que há uns anos passou na “SIC Radical” (para os leitores que não vivem em Portugal, ou que não têm acesso aos canais portugueses, informo que é um canal de televisão).

Resta ainda referir que o costumeiro e inevitável fetiche das pombas de John Woo, encontra-se bem presente em “Red Cliff”. Os simpáticos bichos marcam a sua presença em algumas fases do filme, tais como na homenagem ao mensageiro de Wu que é morto por “Cao Cao”, numa clara manobra de intimidação contra os aliados ou na parte em que propõem o casamento da princesa “Sun Shangxiang” a “Liu Bei” de forma a cimentar mais a aliança. As pombas acabam por assumir uma papel mais interventivo na longa-metragem, não se assumindo apenas como um adorno decorativo ou simbólico, mas igualmente servindo como um meio de comunicação à distância entre os guerreiros.

Confesso que a primeira parte de “Red Cliff” deixou-me com água na boca, e correspondeu bastante às minhas expectativas. Estamos perante um filme que se se enquadra na melhor tradição dos épicos asiáticos, e que ainda consegue introduzir alguns elementos do wuxia que acentuaram mais a sua espectacularidade. Aguardemos então por 2009, na esperança que o melhor ainda foi deixado para a segunda parte, ou seja, a própria batalha decisiva do precipício vermelho, que promete ser um dos maiores confrontos épicos da história do cinema!

Muito bom!


"As forças aliadas atraem o exército Han para uma armadilha, usando a táctica dos anéis de tartaruga"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português/espanhol:

  1. Viscera Blog
  2. Batto presenta...
  3. Noite Americana

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 10

Emotividade - 8

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,50






segunda-feira, março 17, 2008

Adeus Minha Concubina/Farewell My Concubine/Ba wang bie ji - 霸王别姬 (1993)

Origem: China/Hong Kong

Duração: 164 minutos

Realizador: Kaige Chen

Com: Leslie Cheung, Zhang Fengyi, Gong Li, Lu Qi, Ying Da, Ge You, Li Chun, Lei Han, Tong Di, Ma Mingwei, Fei Yang, Yin Zhi, Zhao Hailong, Li Dan, Jiang Wenli

"Cheng Dieyi"

Estória

1924, ano do generalíssimo chinês. “Cheng Douzi” (Ma Mingwei) é abandonado pela mãe que é uma prostituta, e fica aos cuidados de uma trupe de ópera chinesa. “Douzi” é uma criança diferente, enfrentando por este facto a discriminação dos colegas. No entanto, é amparado por “Shitou” (Fei Yang), um dos jovens que exerce o seu mister na companhia, e ambos tornam-se grandes amigos.

A disciplina na escola é bastante diferente do mundo de sonho que é apresentado ao público na representação das peças. A brutalidade impera, o regime do professor é atroz e deveras marcial. As crianças e adolescentes são brutalmente espancados, à mínima falha que cometam. No meio deste mundo cruel, “Douzi” acaba por aprender a tornar-se num Dan, ou seja, o actor que representa papéis femininos na ópera chinesa.

"Juxian"

1937, véspera da guerra com o Japão. “Douzi” e “Shitou” são estrelas famosas da ópera de Pequim, e mudaram os seus nomes para “Cheng Dieyi” (Leslie Cheung) e “Duan Xiaolou” (Zhang Fengyi). A ópera mais badalada que representam, e que os tornam amados pelo público é “Adeus Minha Concubina”. “Dieyi” começa a expressar mais acentuadamente a sua homossexualidade e está apaixonado pelo amigo “Xiaolou”. No entanto, este enamora-se por uma prostituta chamada “Juxian” (Gong Li), e casa com ela. Esta situação afasta os dois amigos, e “Dieyi” recusa actuar com “Xiaolou”.

Posteriormente, os companheiros sanam as suas diferenças e voltam à representação. No entanto, em 1966, a revolução cultural de Mao Tse Tung iria deixar marcas indeléveis no percurso dos amigos em particular e da ópera de Pequim em geral.

"Xiaolou e Dieyi"

"Review"

Falar ou escrever acerca de “Adeus Minha Concubina”, é uma honra para quem possui a temeridade de expressar algo acerca de um dos maiores expoentes de sempre do cinema asiático. Torna-se igualmente uma empresa extremamente complicada, porquanto estamos perante uma película impregnada de um sem número de aspectos sentimentais, sociológicos e históricos de relevo incontornável. Isto faz com que seja praticamente impossível abarcar todo o esplendor daquele que para muitos é considerada a mais bela obra de cinema oriental jamais feita. Eu não partilho desta opinião, no que concerne à eleição propriamente dita, mas há que profusamente reconhecer que estamos perante uma longa-metragem verdadeiramente essencial para aqueles que amam o cinema em todas as suas vertentes.

Baseado num romance da escritora chinesa Lilian Lee, podemos afirmar que, ao contrário de outras obras magníficas de cinema asiático, “Adeus Minha Concubina” teve um merecido reconhecimento mundial, o que em muito contribuiu para um olhar de respeito do ocidente para o que de melhor se fazia na sétima arte oriental. Atestam esta afirmação os inúmeros prémios que venceu em certames internacionais. Do seu “currículo” destacam-se pela proeminência, a nomeação para dois óscares (Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Fotografia), os prémios BAFTA (Reino Unido) e Globo de Ouro (E.U.A.) para o melhor filme estrangeiro, e a Palma de Ouro de Cannes, distinção partilhada com “O Piano” de Jane Campion.

São 53 anos de retrospectiva que passam pelos nossos olhos aquando do visionamento desta película, e que abordam aspectos nucleares da história chinesa do século XX, e que o filme faz questão de os distinguir e titular muito bem, de forma a que não percamos o “fio à meada”. O enredo arranca em 1924 (“Era do generalíssimo chinês”), e passa por 1937 (“Véspera da guerra com o Japão”), 1945 (“Derrota japonesa”), 1948 (“Evacuação dos nacionalistas de Chiang Kai Chek para Taiwan), 1966 (“Revolução cultural”), terminando em 1977 (“O ano em que nasceu Jorge Soares Aka Shinobi” - eh, eh, eh, isto não consta do filme como é óbvio!!!). Relacionado intimamente com os aspectos históricos, algumas críticas têm sido aventadas no sentido de os mesmos carecerem de algum desenvolvimento argumentativo. Ora, quanto a este particular, julgo pontificarem duas razões de extrema relevância, uma directamente relacionada com a trama, outra de ordem mais prática. Quanto à primeira, sempre se dirá que a história serve apenas de pano de fundo para uma narrativa que assenta em dois aspectos fulcrais, a saber, a relação entre dois amigos e a sua ligação à ópera de Pequim. Trata-se, portanto de um aspecto secundário importante, mas que não pode deixar de ser encarado como um “sidekick” para algo mais central. Relativamente à segunda, é importante referir que “Adeus Minha Concubina”, à semelhança de outras obras chinesas (embora esta tenha tido também influência da região administrativa de Hong Kong), passou pelo crivo da censura duas vezes. E como é óbvio, o resultado foram alguns cortes de cenas consideradas “agitadoras” do espectro comunista chinês. Mesmo assim, até considerei neste caso em concreto que o “Index” lá do sítio foi benevolente e algo democrático, pois podemos nos aperceber perfeitamente da brutalidade primária da denominada “Revolução Cultural”, e dos efeitos perniciosos que a mesma teve em aspectos nucleares do modo vivencial e tradição do povo chinês.

"Dieyi preparado para a representação de Adeus Minha Concubina"

O trio fantástico de actores dá vida a uma performance memorável e que tão cedo não é esquecida. Que me perdoem Zhang Fengyi e Gong Li, mas é o malogrado Leslie Cheung que faz uma actuação de vida, que não apenas roça, mas atinge verdadeiramente o brilhantismo. E que ainda assume mais relevância, quando conhecemos um pouco da carreira desta figura incontornável. Cheung não era propriamente um actor virado para os dramas ditos mais intelectuais, apesar da sua carreira ser bastante ecléctica, com incursões por vários géneros desde o “wuxia”, o romance, a acção muito relacionada com tríades, etc. Aqui temos a oportunidade de ver um Cheung, mais maduro, seguro de si e demonstrando a todos aqueles que ainda teriam algumas dúvidas, que de facto estamos (infelizmente “estávamos”) perante um actor de dimensão superior. O papel de “Dieyi” assenta-lhe que nem uma luva, não pelas razões que algumas línguas viperinas declaram à altura, em alusões quase frontais à homossexualidade do actor, mas sim porque Cheung foi dos melhores intérpretes asiáticos de todos os tempos. Tão simples como isso. Não deve ser nada fácil representar um “dan” da ópera de Pequim, e Cheung falo com a maior sensibilidade do mundo e arredores, ilustrada pela seguinte frase proferida no filme pelo mestre de “Dieyi”: “Um sorriso desperta na Primavera, uma lágrima escurece o mundo inteiro. Como é que isto te beneficia, se apenas tu possuis tal qualidade?!”.

“Adeus Minha Concubina” respira estética por todos os poros, sustentado por um guarda-roupa lindíssimo e uma fotografia verdadeiramente de sonho, com pormenores ao alcance de poucos. O esplendor visual é de cortar simplesmente a respiração! Num manancial de cores, é-nos apresentado vários momentos da famosa Ópera de Pequim, que confesso, é necessário aprender a apreciar. Contudo, a actuação muito própria deste género de representação, é extremamente envolvente e leva-nos, nem que seja pela curiosidade, a tentar entender o que os actores pretendem transmitir.

Kaige Chen foi um filho da revolução, dita cultural, chinesa. Em 1969, foi enviado para o meio rural, onde foi sujeito a trabalhos bastante árduos. Posteriormente viria a ser um guarda vermelho, e aquando da sua entrada para a escola de cinema, denunciou algumas actividades do seu próprio pai, susceptíveis de serem qualificadas como subversivas. O pai de Chen viria a ser detido e sentenciado a trabalhos forçados por alguns anos. Apesar do seu progenitor o ter perdoado, Chen confessaria a sua vergonha por tal facto, mais do que uma vez. Quem conhece esta história pessoal do realizador, e tendo o pai deste trabalhado igualmente neste filme, poderá sentir a comoção que não deverá ter sido as filmagens que abordaram este período, onde se vislumbraram tantas traições familiares.

Em “Adeus Minha Concubina” somos transportados para outra terra e tempo distintos do nosso, em que não somos apenas meros figurantes, mas conseguimos verdadeiramente sentir o pulsar das emoções transmitidas. E é deste Kaige Chen que todos nós precisamos! O revelar de uma das mentes mais esclarecidas e brilhantes da denominada quinta geração dos realizadores chineses, a quem é exigível a realização de mais obras de dimensão superior! “Flops” com intuitos comerciais como “The Promise” é que dispensamos e nada acrescenta às nossas vidas!

Um momento verdadeiramente magnífico e imperdível, que está para os amantes de cinema, como uma ida a Meca para os muçulmanos. Temos que lá estar, nem que seja uma única vez!

"Dieyi aprisionado pelos guardas vermelhos de Mao Tse Tung"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português/espanhol:

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 10

Argumento - 9

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 9

Mérito artístico - 10

Gosto pessoal do "M.A.M." - 9

Classificação final: 8,88





sábado, dezembro 15, 2007

O Imperador e o Assassino/L'Empereur et L'Assassin/The Emperor and the Assassin/Jing Ke ci qin wang - 荊柯刺秦王(1998)

Origem: China

Duração: 155 minutos

Realizador: Kaige Chen

Com: Gong Li, Li Xuejian, Zhang Fengyi, Gu Yongfei, Zhou Xun, Chen Kaige, Zhou Sun, Lu Xiaohe, Wang Zhiwen, Zhao Benshan, Ding Haifeng, Pan Chiangjiang

"A dama Zhao"

Estória

No ano 221 A.C., “Ying Zheng” (Li Xuejian), o ambicioso rei de Qin, anseia conquistar os remanescentes reinos da China, tendo em vista unificá-los e formar um grande estado sob o seu comando. De modo a arranjar uma justificação para invadir o reino vizinho de Yan, “Zhang” envia para aquela terra o amor da sua vida, a concubina “Zhao” (Gong Li). A função de Zhao é servir de espia, e convencer o monarca daquele reino, o príncipe “Dan” (Zhou Sun) a enviar um assassino para matar o rei de Qin, e desta forma por fim aos seus propósitos imperialistas. Claro que o rei de Qin está ciente da situação, pois está tudo combinado com “Zhao”, em ordem a arranjar o motivo para a tão desejada guerra.

"Jing Ke"

“Zhao” encontra o assassino ideal na pessoa de “Jing Ke” (Zhang Fengyi), um homem com uma grande perícia na arte de matar, mas bastante introspectivo e desanimado. Tal facto explica-se devido a um incidente do passado, que passou pelo suicídio de uma jovem rapariga após “Jing Ke” ter assassinado a sua família inteira. “Zhao” começa a apaixonar-se pelo assassino, à medida que por sua vez os sentimentos pelo rei de Qin se vão retraindo, degenerando os mesmos num ódio pessoal.

Tal situação leva a que a tentativa fingida de assassinato torne-se real, obviamente sem o implacável rei de Qin saber, dando origem a um manancial de intrigas tanto políticas como amorosas, que decidirão o futuro dos denominados “sete estados guerreiros”.

"Ying Zheng, o rei de Qin e o futuro primeiro imperador de uma China unificada"

"Review"

Belas memórias afluem-me à mente quando recordo este “O Imperador e o Assassino”. Foi numa tarde no King, quando era um jovem estudante madeirense em Lisboa, que respirava idealismo. Na altura fiquei fascinado com a força tremenda deste filme, e falei do mesmo a toda a gente que conhecia. Lembras-te que tu nem eras uma fã por aí além de cinema asiático, e não conseguiste conter a tua emoção? - esta mensagem é privada, não liguem, adiante!. Anos depois, mais concretamente há um par de dias atrás, tive a oportunidade de rever esta obra de Kaige Chen, vencedora do “Technical Grand Prize” em Cannes na categoria de produção. Foi interessante confrontar a minha perspectiva da altura com a actual. Lá chegaremos.

“Ying Zheng, esqueceste o comando dos teus antepassados, que te ordenaram unir tudo debaixo dos céus?”. É esta premissa, bradada por um funcionário do reino de Qin, que inicia “O Imperador e o Assassino”, e duas horas e trinta e cinco minutos depois, é o mesmo repto que finda a película. Neste espaço de tempo, somos confrontados com um misto de melodrama, intrigas palacianas ao melhor estilo de Shakespeare, guerra, traição e afins. À semelhança da obra-prima de Zhang Yimou, “Herói”, o argumento de “O Imperador e o Assassino” gira em volta da ascensão do reino de Qin, e da tentativa de assassinato do seu monarca, que mais tarde se viria a tornar no primeiro imperador da China, Qin Shi Huang, uma figura essencial na história chinesa. No entanto, ao contrário do filme de Yimou que enveredou por alguns aspectos mais fantasiosos, Kaige Chen pretendeu ser mais realista no seu trabalho. Não diria que estamos propriamente perante uma exaustiva lição de história, até porque embora este aspecto seja bastante premente na película, ela acaba por focar-se mais nas relações entre o rei “Ying Zheng”, a dama “Zhao” e o assassino “Jing Ke”. No entanto, sou obrigado a concordar que este filme nos ensina bastante sobre um dos períodos mais importantes da grande nação asiática. Portanto aqueles que se interessam mais por um bom conto histórico, onde podemos observar os costumes e as motivações dos governantes e das populações, já sabem! Este é sem dúvida um bom filme para vós!

"O marquês Changxin lidera um bando de conspiradores"

As interpretações dos actores são verdadeiramente acima de qualquer repreensão, e muita ajuda o facto de as despesas não ficarem apenas por conta da magnífica actriz Gong Li. Tanto Li Xuejian, no papel do rei de Qin, como Zhang Fengyi que dá vida a “Jing Ke”, estão soberbos.
Li Xuejian tem momentos de puro génio, encorpando muito bem as dúvidas, os anseios e até a paranóia de um homem sedento por poder, que diariamente tem de fazer escolhas de uma dificuldade titânica. Quanto a Zhang Fengyi, o seu desempenho não é propriamente uma surpresa, pois estamos sem dúvida perante um intérprete de elevado quilate artístico. Veja-se “Adeus, Minha Concubina”. No que concerne a Gong Li, “what else is new?” Linda, fabulosa, um portento de representação. Todos os adjectivos parecem ser insuficientes para classificar esta actriz de nível mundial, esta lenda viva! Todos os intérpretes fazem um excelente trabalho, eivado de muita dedicação, embora ainda mereçam uma palavra de especial apreço Wang Zhiven, o “Marquês” e amante da rainha-mãe, uma personagem cínica, mas sentimentalista ao mesmo tempo. O próprio Kaige Chen, “arregaça as mangas”, e além de chamar a si a responsabilidade pela realização, interpreta um papel secundário, mas bastante importante, na pessoa do primeiro-ministro de Qin “Lu Buwei”.

As batalhas épicas, os cercos às cidades sitiadas, o excelente guarda-roupa e os cenários magnificentes e de deslumbrar, fazem com que nos apercebamos que estamos perante um filme que teve um orçamento de respeito. No entanto, no meio das centenas de figurantes e nos quilos de adereços, temos a sensação que nada foi deixado ao acaso e que o filme no seu global foi objecto de um tratamento bastante cuidado.

O melodrama está bastante presente, e aqui enfatizo com algum ardor o sacrifício das crianças do reino de Zhao. A cena está brutal, o envolvimento extasiante, e uma lição de vida e honradez, embora radical, é-nos transmitida com todo o fulgor que o cinema asiático nos habituou. Quando revejo momentos como este, em que Kaige Chen denota uma quase incomparável mestria, e depois penso que foi o mesmo realizador que timonou “The Promise”, sou forçado a concluir que podemos passar de besta a bestiais e vice-versa num instante!

Este filme, devidamente separado em cinco actos, todos com títulos sugestivos, é para apreciar como um bom vinho (no meu caso, será neste momento “Cortes de Cima - Reserva” - haja dinheiro - pensem lá no vosso!), ou seja saborear os detalhes com calma! Se existe algo de menos abonatório, passará apenas pela monotonia que envereda em certos espaços, que poderá transformar-se em algo “secante” para alguns.

Um épico na verdadeira acepção da palavra!

"O imperador e o assassino"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: As Imagens Primeiro

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 10

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,13