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quarta-feira, novembro 26, 2008

Heróis de Shaolin/Hand of Death Aka Countdown to Kung Fu/Shao Lin Men - 少林 (1976)

Origem: Hong Kong

Duração: 93 minutos

Realizador: John Woo

Com: Dorian Tan, James Tien, Jackie Chan, Sammo Hung, Yeung Wai, Gam Kei Chu, John Woo, Ko Keung, Polly Shang, Chu Ching, Wilson Tong, Yuen Wah

"Yun Fei"

Sinopse

O templo de Shaolin é destruído por forças lideradas por um antigo pupilo dos monges chamado “Shih Xiao Feng” (James Tien), que agora se encontra ao serviço dos invasores manchus. Anos depois de este trágico evento, os sobreviventes, sedentos de recuperar a honra ferida, enviam “Yun Fei” (Dorian Tan) em ordem a que este se vingue do infame “Shih”.

"Tan Feng"

Na sua demanda, “Yun Fei” apercebe-se do terror que “Shih” provoca na população, assim como a dificuldade em eliminá-lo devido ao seu grande domínio das artes marciais. No caminho, trava conhecimento com “Tan Feng” (Jackie Chan), um camponês que se mostra reticente em se juntar à aventura, embora simpatize com a causa de Shaolin. A passividade de “Tan Feng” altera-se quando salva “Yun Fei” depois de este ser capturado e torturado por “Shih”.

Os dois amigos, conjuntamente com um misterioso espadachim conhecido apenas por “Viajante” (Yeung Wai) e o intelectual rebelde “Zhang Yi” (John Woo, que também é o realizador), preparam-se para uma luta mortal com “Shih”, o seu oficial de confiança “Tu Ching” (Sammo Hung) e os restantes apaniguados.

"O vilão Shih Xiao Feng"

"Review"

No início da sua carreira e antes de John Woo ter ficado celebrizado com os seus “heroic bloodshed”, como “A Better Tomorrow”, The Killer”, “Bullet in the Head”, “Hard Boiled” e afins, o realizador dedicou-se ao cinema de artes marciais. O expoente máximo desta sua fase, pelo menos a nível de consagração, terá sido provavelmente a película “Last Hurrah for Chivalry”. “Hand of Death” é um dos filmes que Woo realizou nesta período, e cuja edição portuguesa recebeu o título de “Heróis de Shaolin”, ostentando Jackie Chan na capa em pose de luta, e pondo em destaque não apenas o nome deste actor, mas também os míticos Sammo Hung e Yuen Biao. Desde já convém fazer um alerta que reputo de importante. A maneira como a edição de dvd é apresentada, provavelmente fará pensar que os actores mencionados detêm o protagonismo principal no filme. Ora isto constitui um logro, pois os papéis principais estão atribuídos a Dorian Tan e James Tien, estrelas dos filmes de artes marciais de Hong Kong à altura. Jackie Chan e Sammo Hung têm partes importantes desta longa-metragem, mas secundárias. Ambos agem como “sidekicks” respectivamente de Dorian Tan e James Tien. Quanto a Yuen Biao, ele é apenas um mero figurante, sendo necessário estar com alguma atenção para detectá-lo no ecrã. Foi por essa razão que a capa do filme que escolhi para ilustrar este texto é uma das originais que saiu à altura, tentando repor desta forma a verdade das coisas. Fica o esclarecimento.

“Hand of Death” é um típico filme de artes marciais dos anos '70, em que o kung fu dita as suas leis, mas que não possui a arte nem o brilho de outras obras do género. Com um argumento previsível, mediano, e por vezes inconsequente, as partes mais apelativas ao espectador resumem-se inevitavelmente aos treinos e lutas que pontificam na película, ou não fosse esta uma longa-metragem de artes marciais. Para os fãs do género, e talvez para alguns não assim tão apreciadores, sempre será minimamente interessante observar como “Yun Fei” tenta descobrir o antídoto para a mortífera técnica de “Shih” que ostenta um nome pomposo e típico como o “punho mortal do grou branco”. Observamos o herói fazer evoluir o seu golpe essencial denominado a “garra do tigre”, de forma a poder lutar em igualdade de circunstâncias com o seu arqui-inimigo, embora eu pense, na minha ignorância, que a sua técnica bastante efectiva dos pontapés poderia ter arrumado o assunto com mais facilidade. E pelos vistos não me enganaria muito, pois descobri nas minhas costumeiras deambulações que o actor natural de Taiwan chamado Dorian Tan, tinha como alcunha “Flash Legs”, devido a um desempenho seu numa película com o mesmo nome e em outras que relevavam os seus pontapés. O espectáculo é garantido, não fosse a coreografia da autoria de Sammo Hung, então um jovem com 24 anos, ambicioso por ter provas dadas. Pessoalmente a nível de interpretação, e por uma questão estritamente de gosto pessoal, o actor que mais me impressionou foi Yeung Wai que dá corpo à personagem de “Viajante” (“Zorro”(???) na versão norte-americana). A razão muito simples passa pelo facto de desempenhar com alguma competência a personagem séria e trágica da história, sempre acompanhado do seu fiel sabre que por sua vez está associado a um evento infeliz e marcante.

"Os defensores da causa de Shaolin"

Não sei se o Takeo e Aline, que são bem mais versados no género do que eu, concordam comigo, mas “Hand of Death” está longe de ser um ilustre representante do denominado “kung fu old school”. A película valerá sobretudo pelo facto de observarmos dois dos maiores expoentes do cinema de artes marciais (Jackie Chan e Sammo Hung, porque aqui Yuen Biao nem conta) a trilharem aos poucos o caminho para a glória. Para além deste factor, salva-se um ou outro momento interessante, principalmente nas lutas, e pouco mais. Com certeza que se forem aficionados no cinema de artes marciais, poderão ter algum proveito. Os restantes não ficarão com a sua cultura cinematográfica mais pobre se passarem ao lado deste filme.

"Yun Fei Vs. Shih"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 6

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 7





quinta-feira, outubro 18, 2007

Swordsman/Xiao ao jiang hu - 笑傲江湖 (1990)

Origem: Hong Kong

Duração: 115 minutos

Realizadores: King Hu, Ching Siu Tung, Ann Hui, Andrew Kam, Tsui Hark, Raymond Lee

Com: Sam Hui, Cecilia Yip, Jacky Cheung, Fennie Yuen, Sharla Cheung, Yuen Wah, Lam Ching Ying, Lau Siu Ming, Lau Shun, Wu Ma

"Ling Wu Chung"

Estória

No tempo da dinastia Ming, vive o espadachim “Ling Wu Chung” (Sam Hui), um homem um tanto ou quanto irresponsável, que só pensa em mulheres, diversão e música. “Ling “ é encarregue pelo seu mestre “Ngok” (Lau Siu Ming), numa missão que consiste em entregar uma mensagem a outro mestre de artes marciais aliado. Na demanda é acompanhado por “Kiddo” (Cecília Yip), uma rapariga que se veste como um homem e que tem fantasias com “Ling”.

Uma missão que tinha tudo para ser fácil, transforma-se numa verdadeira aventura, quando o duo se vê envolvido num fogo cruzado pela posse de um pergaminho, que quando apreendido o seu conteúdo, dará ao seu detentor poderes sobrenaturais, que o permitirão dominar o mundo das artes marciais.

"Kiddo e Ling, o duo inseparável"

No entanto, “Ling” e “Kiddo” não estão sozinhos face às adversidades encontradas, porquanto são ajudados pela organização “Sun Moon Sector”, chefiada por “Ying” (Sharla Cheung) e que tem em “Blue Phoenix” (Fennie Yuen) um dos seus melhores combatentes.

Numa série de volte faces, “Ling” aprende uma nova técnica do manejo da espada, e prepara-se para o confronto final com uma pessoa que ele pensava poder confiar, o seu próprio mestre!

"Ying e Blue Phoenix, as principais figuras do Sun Moon Sector"

"Review"

Quem escolhe o “wuxia” como um dos seus géneros de eleição, sabe perfeitamente que “Swordsman” é um filme muito importante para o segmento, nem que seja pelo facto de servir de prequela para “Swordsman II”, e integrar a famosa trilogia que definitivamente havia de marcar, quer se goste quer não, uma época. O epílogo haveria de ser com “The East Is Red”, uma película que nasceu essencialmente devido à grande popularidade que a personagem “Asia, the Invincible”, interpretada por Brigitte Lin, granjeou. Tanto “Swordsman II”, como “The East Is Red” já foram aqui abordados, pelos que escuso-me a tecer mais considerações. A opinião já foi dada, e até hoje mantém-se. Sendo assim, adiante que o caminho é para a frente, embora estando a falar de um “wuxia”, será inevitavelmente para todos os lados e mais alguns, com o auxílio de guindastes e trampolins!

Um dos aspectos que chamará desde logo ao leitor mais atento é o número de realizadores que consta na ficha do filme acima descrita. Nada menos do que seis! Outras opiniões são divergentes quanto ao número de realizadores. Contudo, é praticamente unânime que pelo menos quatro tiveram intervenção directa no filme. A celeuma essencialmente gira à volta da relevância do trabalho de Ann Hui e Andrew Kam. A razão para a prolífica quantidade de intervenientes na realização da película que ora se analisa deu azo a algumas especulações que se centraram essencialmente no tema tão querido dos críticos em geral e que se chama “divergências artísticas”. A explicação oficial traduziu-se no facto do lendário realizador da Shaw Brothers, King Hu, ter adoecido, e por essa mesma razão, ter sido necessário proceder à sua substituição. O certo é que o produtor Tsui Hark, o verdadeiro timoneiro do filme, “dividiu o mal pelas aldeias”, e para além da sua própria pessoa, ter chamado à batalha outros realizadores emblemáticos do género.

O mérito principal de “Swordsman” passará sobretudo por nos elucidar acerca de certos aspectos presentes em “Swordsman II” e que passam essencialmente pelo seguinte: i) o estilo peculiar e eficiente do manejo da espada praticado por “Ling”; ii) como este se tornou aliado do “Sun Moon Sector”; iii) a razão pela qual “Ling” e os seus companheiros decidem retirar-se do mundo das artes marciais; iv) as incidências relacionadas com o pergaminho sagrado, que mais tarde viria a ser a fonte de poder de “Ásia, the Invincible”.
E por último, e quanto a mim o mais importante, a origem do inesquecível hino da saga “Swordsman”, a melodia intitulada “Hero of the Heroes”.
O que no fundo quero dizer é que “Swordsman” constitui uma película que merecerá o visionamento pelos seus aspectos informativos e explicativos. Claro que é essencial ver os outros dois episódios da saga, em especial o segundo.

"Ling em sarilhos com saias"

Comparando o elenco deste filme, com o seu sucessor, a primeira ideia a reter é que apenas Fennie Yuen e Lau Shun transitaram para “Swordsman II”. O “cast” do segundo filme é, do meu singelo ponto de vista, incomparavelmente mais forte, ou não estivéssemos a falar da introdução das verdadeiras lendas Brigitte Lin e Jet Li. Esta diferença de executantes reflecte-se visivelmente na interpretação e na aura que rodeia ambos os filmes, ou seja, “Swordsman II” é uma película superior.
Em “Swordsman”, o protagonista é Sam Hui, uma estrela do “Cantopop”, cujos únicos aspectos verdadeiramente positivos que traz ao filme é uma exemplar interpretação da música “Hero of Heroes” e a simpatia inegável que consegue transmitir ao espectador. O resto, com todo o respeito, fica algo a desejar. Aliás, a escolha de Sam Hui para o papel de um herói num filme de “Wuxia”, foi bastante criticada à altura, porquanto o actor-cantor não possui conhecimentos no domínio das artes marciais. Embora até concorde com a crítica, será também justo dizer o seguinte: até parece que hoje em dia isso ainda não acontece ?

No resto, é o habitual. Muitos voos, a rapariga vestida de rapaz, os romances encapotados, o objecto que supostamente fará com que alguém se torne invencível, a comédia muitas vezes dispicienda e descartável, o costumeiro vilão que por acaso é um eunuco para não variar, blá, blá,blá, etc, etc, etc…

“Swordsman” é um filme com uma relevante importância histórica e alguns momentos bem conseguidos, constituindo um exemplo o hábil manejo de répteis venenosos em situações de luta. O resto é trivial, já foi visto bastantes vezes e muito mais não há a acrescentar.

"O combate final"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 6

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 7







segunda-feira, setembro 24, 2007

Kung-Fu-Zão/Kung Fu Hustle/Kung Fu - 功夫 (2004)

Origem: Hong Kong

Duração: 95 minutos

Realizador: Stephen Chow

Com: Stephen Chow, Lam Chi Chung, Yuen Qiu, Yuen Wah, Eva Huang, Chan Kwok Kwan, Tin Kai Man, Feng Xiaogang, Lam Suet, Yuen Woo Ping, Yuen Cheung Yan, Lam Chi Sin, Wellson Chin, Dong Zhi Hua, Hsiao Liang, Chiu Chi Ling, Leung Siu Lung, Xing Yu, Zhang Yi Bai, Fung Min Hun

"Sing"

Estória

A Xangai da década de 1930 é completamente controlada pelas tríades, sendo o grupo mais forte o “Gang do Machado”. A polícia não intervém pois teme o crime organizado, além de ser altamente subornada pelos criminosos. Os únicos locais ainda seguros são os bairros pobres, que não despertam interesse nenhum nas máfias. Num desses bairros, conhecido como “pocilga”, vive um casal que arrenda todas as casas do sítio. O senhorio (Yuen Wah) é completamente dominado pela mulher (Yuen Qiu) que possui um feitio irascível, que todos temem.

“Sing” (Stephen Chow) e “Bone” (Lam Chi Sin) são dois pequenos escroques, cujo sonho é serem admitidos no “Gang do Machado”. Certo dia, ao tentarem enganar os habitantes do bairro da “pocilga”, acabam por atrair a tríade e provocar um confronto, do qual os moradores saem vencedores. A razão para tal é que por detrás de pessoas aparentemente inofensivas, existem verdadeiros mestres de artes marciais tais como o padeiro (Dong Zhi Hua), o alfaiate (Chiu Chi Ling) e o carregador (Xing Yu).

"Fong"

Humilhado pela derrota, o “Irmão Sum” (Chan Kwok Kwan), contrata um duo de assassinos experimentados, que vencem os 3 mestres de artes marciais, mas que surpreendentemente acabam por perder para com o senhorio e a sua intratável esposa. “Sum” decide então recorrer a “Sing”, e contrata-o para libertar “Monstro” (Leung Siu Lung), que se encontra preso num manicómio e é considerado o maior assassino da história.

“Monstro” luta com o senhorio e a esposa, mas estes são ajudados inesperadamente por “Sing” e conseguem escapar. “Sing”, bastante ferido, é curado pelo casal e o seu “qi” (“chi” – força vital) é finalmente libertado, revelando-se o rapaz como um exímio mestre de artes marciais, que domina a técnica sagrada da “palma de Buda”.

As condições estão criadas para o grande confronto entre o “Gang do Machado”, agora liderado por “Monstro”, e um solitário “Sing”. Uma batalha épica irá ocorrer!!!

"O estranho casal de senhorios do bairro da pocilga"

"Review"

Hoje em dia, uma comédia de artes marciais protagonizada e realizada por Stephen Chow é sinónimo de um sucesso antecipado, não só a nível do continente asiático, mas igualmente no mundo inteiro. Chow significa dinheiro vivo e boas receitas de bilheteira. Embora eu esteja muito longe de ser um fã de comédias, e por isso mesmo Stephen Chow e Jackie Chan não recolham muito a minha preferência, sou forçado a reconhecer que Stephen Chow significa igualmente entretenimento e os seus filmes um bocado bem passado e descontraído. Para nos libertarmos um pouco do “stress” do dia-a-dia, não há nada como um filme de Stephen Chow. E desde os tempos em que o actor descobriu as maravilhas do CGI, esta premissa assume mais relevância, e ao contrário do que alguns pensavam, Chow atingiu outros patamares. Se uns gostam e outros não, isso já é outra conversa…

Quando “Kung Fu Hustle” viu a luz do dia, a expectativa em torno da película fez com que a mesma fosse praticamente um sucesso antecipado, muito por culpa do furor que “Shaolin Soccer” tinha feito três anos antes. E de facto o êxito de “Kung Fu Hustle” foi algo digno de se ver. Grandes receitas de bilheteira, e não apenas em Hong Kong. Dezassete prémios ganhos em vários certames de cinema, para além de 26 nomeações entre as quais uma para o “Globo de Ouro” para o melhor filme estrangeiro, e outro para o prémio BAFTA referente ao melhor filme não falado em inglês. Um inquestionável e excelente cartão de visita!

Que dizer do filme?

À semelhança do já aludido “Shaolin Soccer”, o estilo “cartoon” é incontornável. Aliás, em “Kung Fu Hustle”, esta característica ainda acaba por ser mais premente. Corridas à “Roadrunner” (Papa-léguas em Portugal), personagens que chocam com violência na parede e escorregam pela mesma suavemente, lutas em que os intervenientes são literalmente arremessados pelo ar num estilo muito semelhante a “The Matrix”, etc, etc, etc. O mesmo será dizer, uma loucura total (e porque não uma "Kung-Fu-Zão", um trocadilho com "confusão", sem ser depreciativo)!!!

"O Gang do Machado"

Pelas razões expostas no parágrafo anterior, “Kung Fu Hustle” vive quase completamente sob o signo do entretenimento. Tudo o resto assume um papel secundário. É certo que existe uma estória que é relativamente bem construída, embora simples e longe de ser original. Não se duvida que os adereços e a banda-sonora constituem bons acessórios. Mas neste filme de Stephen Chow, os espectaculares efeitos especiais e a comédia são verdadeiramente a lei!

Julgo que ninguém pode duvidar do amor de Stephen Chow pelos filmes de artes marciais e pelos seus intervenientes. O próprio actor e realizador é um admirador confesso do ícone Bruce Lee. Tenho forçosamente que admitir, embora não seja muito do meu agrado, que existem várias formas de homenagear o género. Stephen Chow escolheu a comédia temperada de infantilidade e de elementos que muitas vezes roçam a “palhaçada” de circo. Mas nem por isso tem menos mérito que aqueles que enveredam pela perspectiva mais séria da “coisa”, e os resultados estão à frente de todos. Chow é sem dúvida nenhuma, um dos grandes nomes do cinema asiático!

O próprio Chow na escolha do elenco desta longa-metragem, fez questão de perpetuar essa mesma homenagem e admiração que nutre pelos filmes de artes marciais. Pense-se em Yuen Wah, um dos membros dos conhecidos “Seven Little Fortunes” (na realidade eram mais de sete), um grupo de estudantes da ópera de Pequim, famoso pelas suas actuações acrobáticas, dos quais fizeram parte, para além de Wah, Yuen Biao, Jackie Chan, Sammo Hung e Corey Yuen. Outro exemplo será Leung Siu Lung (aka Bruce Leung) que era conhecido nos anos ’70 e ‘80 por o “Terceiro Dragão” (os outros dois eram Bruce Lee e Jackie Chan). Este último actor, por exemplo, já não participava num filme há quinze anos!

A estória de amor também marca a sua presença e à semelhança de “Shaolin Soccer”, envereda pelo caminho da paixão entre alienados da sociedade. Existe uma relação entre “Fong” (representada por Eva Huang, uma actriz que não sei porquê, lembra-me Isabella Leong – isto é um grande elogio, acreditem!), uma rapariga muda que vende gelados e “Sing”, um criminoso de 10ª categoria. Pensem outra vez em “Shaolin Soccer”, e nas personagens aí representadas por Stephen Chow e Vicki Zhao (ai, ai, 1000 vezes suspiros…), e com certeza encontrarão alguma analogia.

Lembro-me perfeitamente que quando vi pela primeira vez “Kung Fu Hustle”, foi num dia em que quase nada me estava a correr bem, e que a minha pessoa estava um pouco triste e melancólica. A nostalgia era dona e senhora de mim, ao olhar para ruas da capital deste país, com as memórias a aflorarem cada poro da minha pele! Se calhar era um boa altura para visionar um melodrama qualquer de fazer chorar as pedras da calçada! Chegado ao “Alvaláxia”, terreno que não me é grato do ponto de vista futebolístico (não sou lá muito fã do “Lion Soccer”, por estas bandas é mais o “Dragon Soccer”), a veia do cinema asiático clamou mais alto, e “Kung Fu Hustle” foi eleito o companheiro da tarde. Posso dizer que o resto da jornada foi muito mais alegre…

É esse o mérito dos filmes de Stephen Chow no geral, e de “Kung Fu Hustle” em particular. De uma maneira disparatada, traz mais um pouco de felicidade à nossa vida!

"Sing em luta com o Gang do Machado"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia, FanatiCine, Not Alone, Lord of the Movies, Cine-Asia, Nem Todos São Arte, Rollcamera...action!

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75





sábado, outubro 28, 2006

Dragon Tiger Gate/Lung Fu Moon (2006)
Origem: Hong Kong
Duração: 94 minutos
Realizador: Wilson Yip
Com: Donnie Yen, Nicholas Tse, Shawn Yue, Dong Jie, Li Xiao Ran, Yuen Wah, Chen Kuan Tai, Sherin Teng, Tommy Yuen, Sam Chan, Tony Wong.
"Dragon Wong"
Estória
"Dragon Wong" (Donnie Yen) é um perito em artes marciais, originário da "Dragon Tiger Gate", uma afamada escola de artes marciais fundada pelo seu pai e pelo seu tio.
Quando era criança, os pais separaram-se, "Dragon" foi forçado a partir com a mãe, e em consequência deixou para trás a escola e o seu irmão mais novo "Tiger Wong" (Nicholas Tse).
Os irmãos ficam sem se ver durante anos, até um dia em que "Tiger" está a jantar com uns colegas num restaurante e assiste aos maus tratos infligidos por um bando de pelintras a um casal e à sua filha pequenina. Com o seu sentido de justiça e de protecção dos mais fracos a funcionar, o jovem dá um enxerto de pancada nos malfeitores, mas inadvertidamente mete-se no caminho de um poderoso chefe mafioso chamado "Ma Kwun". Mesmo assim, "Tiger" leva vantagem no confronto, até aparecer "Dragon", actualmente guarda-costas de "Kwun". Uma troca de golpes espectaculares sucede-se, mas apesar da boa prestação de "Tiger", "Dragon consegue repelir os ataques do irmão. Ambos tratam-se como adversários, não fazendo a mínima ideia que são aparentados. A luta dá-se por finda e "Kwun" permite que "Tiger" saia em segurança do restaurante.
"Tiger Wong"

Não demora muito a que novo reencontro dos irmãos se efective, pois um dos amigos de "Tiger", aquando da luta no restaurante, aproveita a confusão e leva consigo a placa "Lousha", um artefacto dotado de um simbolismo muito significativo, e que tinha sido oferecida a "Kwun" pelo mais poderoso líder do crime, o chefe dos "Black Devils".

"Dragon" é encarregue de recuperar o símbolo, o que consegue, e posteriormente tanto aquele como "Tiger" descobrem que são irmãos, devido a ambos possuirem umas placas de jade que se complementam na perfeição.

Quando os "Double Devils" assassinam tanto "Kwun", como o tio de "Dragon" e "Tiger", estes auxiliados por "Turbo" (Shawn Yue) decidem partir para a vingança usando a sua principal arma: o fantástico domínio das artes marciais!

"Turbo"

"Review"

Confesso que houve desde logo três coisas que me fizeram ficar com "o pé atrás" em relação a "Dragon Tiger Gate".
A primeira passava pelas críticas pouco abonatórias que têm sido feitas um pouco por todo o universo da "net".
A segunda razão era a instabilidade demonstrada pelo realizador Wilson Yip, capaz de fazer filmes de boa qualidade como "Sha Po Lang", mas igualmente de dirigir "flops" como "Dragão Branco".
A terceira e última questão que me atormentava era o facto de raramente se fazerem boas adaptações de "manga" para filmes realísticos, constituindo excepções à primeira vista, "Azumi, a Assassina", "Shinobi: Heart Under Blade" e "The Storm Riders".
Por outro lado, e como excelente cartão de visita, a película apresentava Donnie Yen como o coreógrafo e director das cenas de luta, o que garantia à partida que o filme estaria polvilhado de acção, sendo uma antítese de tudo o que é maçudo e remédio para insónias.
Após o visionamento de "Dragon Tiger Gate", conclui que em regra geral não me enganei.
A maior parte das críticas que li estavam correctas.
Wilson Yip realiza mais um produto descartável.
"Azumi, a Assassina", "Shinobi: Heart Under Blade" e "The Stormriders" continuam a ser "à segunda vista" (!?), as melhores adaptações de "manga" para o cinema de "carne e osso".
Vamos por partes.
O argumento é muito fraco, com frequentes falhas, tais como Donnie Yen num determinado momento não querer falar com o irmão, mas depois e inexplicavelmente, querer ir a correr para os braços dele. E já agora como é que Donnie Yen já sabia que Nicholas Tse era seu irmão, antes mesmo de ir falar com ele? Estejam à vontade para explicar. A páginas tantas fui eu que não entendi...
A representação dos actores acompanha a inépcia argumental. As tentativas de dramatismo encaixadas à pressão no meio das cenas mais movimentadas, quase sempre não resultam. Não querendo particularizar, mesmo assim vejo-me forçado a dizer que cada vez mais fico com a impressão que Nicholas Tse não passa de "um menino bonito" de Hong Kong, com pouca habilidade para a arte da representação. Já em "The Promise" tinha começado a formar esta ideia, que só irá ficar definitivamente consolidada, ou pelo contrário refutada, quando assistir a mais um ou dois filmes deste actor. E já agora vou ver se dou um salto ao "Youtube" para ver se o rapaz tem mais jeito para a arte do canto. Será que esta crítica um pouco dura é por eu estar verde de inveja por Tse ter casado recentemente com Cecilia Cheung?! "Joking"!
Como pontos positivos do filme, destaco em primeiro lugar as lutas de artes marciais. Muito "wire-fu" é certo, mas extremamente bem feito e acompanhado por vezes de um ou outro efeito especial para enfatizar a fúria dos golpes. Não nos podemos esquecer que aqui estão em causa três super-heróis! Polegar para cima para o trabalho de Donnie Yen neste particular.
"Dragon Tiger Gate" igualmente impressiona pelas suas paisagens citadinas, fotografia e caracterização das personagens que transmitem exemplarmente a aura neo-urbana onde filme vive e respira.
Esta película foi muito aguardada e publicitada, e quando estreou obteve receitas muito boas no oriente, tendo rivalizado com filmes como "O Código de DaVinci".
No entanto não passa de um "blockbuster" mediano e sem substância, que apenas entusiasmará pelas fantásticas cenas de luta e pouco mais!
Não será relembrado.
"Tiger Wong em acção!"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cineasia, Horror and Kung Fu

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 6

Argumento - 6

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade -7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação Final: 6,88

"Os membros da Dragon Tiger Gate"