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domingo, agosto 22, 2010

Fist of Legend/Jing wu ying xiong – 精武英雄 (1994)

Capa 2

Origem: Hong Kong

Duração aproximada: 103 minutos

Realizador: Gordon Chan

Com: Jet Li, Shinobu Nakayama, Chin Siu Hou, Billy Chow, Yasuaki Kurata, Paul Chun, Jackson Liu, Ada Choi, Yuen Cheung Yan, Toshimichi Takahashi, Kenji Tanigaki, Wong Sun, Lee Man Biu

Chen Zhen 4

“Chen Zhen”

Sinopse

“Chen Zhen” (Jet Li), é um estudante de engenharia chinês, que se encontra a tirar a sua licenciatura no Japão, onde mantém um relacionamento com “Mitsuko Yamada” (Shinobu Nakayama) e luta contra as discriminações xenófobas que o clã do dragão negro leva a cabo contra os imigrantes e estrangeiros. No ano de 1937, “Chen” retorna a Xangai, um protectorado britânico, mas que na realidade se encontra ocupado pelos japoneses, tendo em vista vingar a morte do seu mestre “Huo Yuanjia” às mãos de “Ryuchi Akutagawa” (Jackson Liu), o campeão dos opressores.

Mitsuko Yamada

“Mitsuko Yamada”

Após lutar e derrotar “Akutagawa”, “Chen” desconfia do sucedido, atendendo a que o seu oponente nunca teria capacidades para derrotar “Huo Yuanjia”. Após algumas investigações, “Chen” conclui que o seu mestre foi alvo de envenenamento o que lhe retirou faculdades durante o combate. Ferido na sua honra, e pugnando pela defesa do nome da escola “Chin woo”, “Chen” parte numa cruzada de retaliação, que culmina no desafio ao general “Fujita” (Billy Chow), o líder da conspiração e um temível combatente e assassino.

Luta 5

“Chen Zhen dá uma lição aos japoneses do clã do dragão negro”

“Review”

Qualquer fã do cinema de artes marciais, sabe perfeitamente que “Fist of Legend” é uma obra incontornável, sendo para muitos considerado o melhor filme de sempre do género. Tendo por inspiração “Fist of Fury”, protagonizado pelo malogrado e lendário Bruce Lee, e apesar de não ser um grande cultor das películas deste estilo, penso que no que toca às longas-metragens dos anos '90, “Fist of Legend” provavelmente estará no mais elevado grau do pedestal, a par de “Drunken Master II”. Aqui Jet Li interpreta “Chen Zhen”, o mais conhecido discípulo da lenda “Huo Yuanjia”, um herói popular e co-fundador da “Associação Internacional de Chin woo”, uma escola de artes marciais que presentemente possui mais de 50 delegações espalhadas por todo o mundo. O curioso é que Jet Li viria a interpretar 12 anos depois, a personagem de “Huo Yuanjia”, no aclamado “Fearless”, de Ronny Yu.

Apesar das premissas presentes em “Fist of Legend”, esta película não seria considerada um “remake” oficial de “Fist of Fury”, atendendo a que os direitos pertencentes à conhecida “Golden Harvest”, não foram adquiridos pela “Eastern Productions”, a produtora do filme mais recente. Contudo, o argumento de “Fist of Legend” é marcadamente inspirado pelo de “Fist of Fury”, com ressalva de algumas excepções que servem para dar uma identidade mais própria. Um dos aspectos mencionados, e que merecem aqui algum destaque, é a personagem de Yasuaki Kurata, um dos maiores nomes dos filmes de artes marciais, que serve para dar um brilho mais incandescente a esta obra. “Fuimo Funakoshi”, o mestre de artes marciais interpretado por Kurata, é uma personagem que não existia em “Fist of Fury”. Em “Fist of Legend”, o realizador Gordon Chan tem o mérito de usar, de forma eficiente, a moral envolta em “Funakoshi”, de forma a que possamos entender que existe uma diferença muito grande entre o militarismo do Império do Japão que grassou nas décadas de '30 e '40, em oposição aos honrados mestres de artes marciais que mais do que nacionalismos exacerbados, defendiam a pureza de espírito e o respeito pelo próximo no combate. Acresce o facto de ser sempre um prazer termos a oportunidade de vermos grandes nomes das artes marciais exibirem os seus dotes um contra o outro, como é o caso de um combate efectuado entre Jet Li e Yasuaki Kurata. Independentemente da valia técnica e física dos protagonistas, a luta em causa prima igualmente pelo diálogo construtivo entre dois lutadores de gerações diferentes, em que Kurata dá uma lição moral a Li, tentando apontar-lhe o caminho e verdadeiro significado do espectro que deve nortear o facto de se ser um praticante de artes marciais.

Luta 8

“Chen Zhen luta contra o seu amigo Hou Ting Han”

As cenas de luta são, à falta de melhor adjectivo, impressionantes! E mantêm a sua actualidade, mesmo hoje em dia, ou seja não envelheceram nem foram ultrapassadas. O conhecidíssimo Yuen Woo Ping efectua um trabalho maravilhoso na direcção das cenas de acção, onde muito contribuirá o facto de ter à sua disposição excelentes executantes do género. Os momentos memoráveis de luta são imensos e farão as delícias dos espectadores, pois golpes de antologia não faltarão, evidenciando um Jet Li na melhor forma da sua carreira. Pense-se nos inesquecíveis momentos em que “Chen Zhen” entra autoritário pelo “dojo” do clã do dragão negro, e dá uma valente tareia nos japoneses, ou no combate a dois entre “Chen Zhen” e o seu amigo/rival “Hou Ting An”, exponenciado ainda mais espectacularmente na luta já acima mencionada com Kurata. Se alguma crítica existe a fazer, ainda que muito leve, será o facto de o digladiar final entre “Chen Zhen” e o temível general “Fujita” ter ficado um pouco aquém das expectativas, quando já vínhamos detrás com uma rodagem impressionante de pontapés, socos e acrobacias miraculosas.

Embora a película viva essencialmente do desfilar das impressionantes demonstrações de artes marciais, existe um cuidado mínimo em expor o espectro histórico e cultural da China em geral, e de Xangai em particular, onde os japoneses obtêm a predominância no domínio de um país estrangeiro, com todos os antagonismos daí advenientes. E este aspecto é bastante de elogiar, atendendo a que existem outras películas do género que desprezam completamente o pano de fundo que lhes serve de base, ficando a perder claramente por descurarem o manancial sócio-cultural subjacente. Por outra via, haverá à partida um sentimento nacionalista presente em “Fist of Legend”, que visa reagir contra a ocupação japonesa e sublimar as artes marciais chinesas perante as provenientes do país do sol nascente. Mas teremos de ser sinceros e reconhecer que os nipónicos não são todos reportados como maus. Desta vez, podemos nos aperceber que é salvaguardada a noção de terem honra, mesmo nas situações de maior “frisson”. Pense-se que “Chen Zhen”, o herói da trama, está apaixonado por uma bondosa mulher japonesa, o embaixador deste país é visto como uma pessoa equilibrada, a personagem interpretada pela lenda Yasuaki Kurata é um modelo de mestre de artes marciais e até “Akutagawa”, o combatente que mata o mestre de “Chen Zhen”, tem demonstrações óbvias de ser um homem justo e honrado. A excepção vai para o general “Fujita”, mas que é compreensível, pois é o vilão da história e o alvo a abater.

“Fist of Legend” ficará para sempre conhecido como uma das obras mais marcantes do cinema de Hong Kong em geral, e dos filmes de artes marciais em particular. Possui um Jet Li memorável e um Kurata que deslumbra apenas com a sua presença, uma história propícia para o que se pretende do género “aluno vinga mestre”, uma banda-sonora adequada, e mais alguns aspectos laterais que preenchem aquelas pequenas frestas que muitas vezes ficam esquecidas. O que é que se pode pedir mais: que apareçam novas obras que mereçam honrar a herança desta longa-metragem.

Um “must” do cinema de artes marciais! Obrigatório!

Luta 7

“Chen Zhen Vs. General Fujita”

imdb 7.5 em 10 (7.467 votos) em 22 de Agosto de 2010

Outras críticas em português:

  1. Cinedie Asia

Avaliação:

Entretenimento – 9

Interpretação – 7

Argumento – 7

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 9

Mérito artístico – 9

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 8

Classificação final: 8,13

segunda-feira, setembro 24, 2007

Kung-Fu-Zão/Kung Fu Hustle/Kung Fu - 功夫 (2004)

Origem: Hong Kong

Duração: 95 minutos

Realizador: Stephen Chow

Com: Stephen Chow, Lam Chi Chung, Yuen Qiu, Yuen Wah, Eva Huang, Chan Kwok Kwan, Tin Kai Man, Feng Xiaogang, Lam Suet, Yuen Woo Ping, Yuen Cheung Yan, Lam Chi Sin, Wellson Chin, Dong Zhi Hua, Hsiao Liang, Chiu Chi Ling, Leung Siu Lung, Xing Yu, Zhang Yi Bai, Fung Min Hun

"Sing"

Estória

A Xangai da década de 1930 é completamente controlada pelas tríades, sendo o grupo mais forte o “Gang do Machado”. A polícia não intervém pois teme o crime organizado, além de ser altamente subornada pelos criminosos. Os únicos locais ainda seguros são os bairros pobres, que não despertam interesse nenhum nas máfias. Num desses bairros, conhecido como “pocilga”, vive um casal que arrenda todas as casas do sítio. O senhorio (Yuen Wah) é completamente dominado pela mulher (Yuen Qiu) que possui um feitio irascível, que todos temem.

“Sing” (Stephen Chow) e “Bone” (Lam Chi Sin) são dois pequenos escroques, cujo sonho é serem admitidos no “Gang do Machado”. Certo dia, ao tentarem enganar os habitantes do bairro da “pocilga”, acabam por atrair a tríade e provocar um confronto, do qual os moradores saem vencedores. A razão para tal é que por detrás de pessoas aparentemente inofensivas, existem verdadeiros mestres de artes marciais tais como o padeiro (Dong Zhi Hua), o alfaiate (Chiu Chi Ling) e o carregador (Xing Yu).

"Fong"

Humilhado pela derrota, o “Irmão Sum” (Chan Kwok Kwan), contrata um duo de assassinos experimentados, que vencem os 3 mestres de artes marciais, mas que surpreendentemente acabam por perder para com o senhorio e a sua intratável esposa. “Sum” decide então recorrer a “Sing”, e contrata-o para libertar “Monstro” (Leung Siu Lung), que se encontra preso num manicómio e é considerado o maior assassino da história.

“Monstro” luta com o senhorio e a esposa, mas estes são ajudados inesperadamente por “Sing” e conseguem escapar. “Sing”, bastante ferido, é curado pelo casal e o seu “qi” (“chi” – força vital) é finalmente libertado, revelando-se o rapaz como um exímio mestre de artes marciais, que domina a técnica sagrada da “palma de Buda”.

As condições estão criadas para o grande confronto entre o “Gang do Machado”, agora liderado por “Monstro”, e um solitário “Sing”. Uma batalha épica irá ocorrer!!!

"O estranho casal de senhorios do bairro da pocilga"

"Review"

Hoje em dia, uma comédia de artes marciais protagonizada e realizada por Stephen Chow é sinónimo de um sucesso antecipado, não só a nível do continente asiático, mas igualmente no mundo inteiro. Chow significa dinheiro vivo e boas receitas de bilheteira. Embora eu esteja muito longe de ser um fã de comédias, e por isso mesmo Stephen Chow e Jackie Chan não recolham muito a minha preferência, sou forçado a reconhecer que Stephen Chow significa igualmente entretenimento e os seus filmes um bocado bem passado e descontraído. Para nos libertarmos um pouco do “stress” do dia-a-dia, não há nada como um filme de Stephen Chow. E desde os tempos em que o actor descobriu as maravilhas do CGI, esta premissa assume mais relevância, e ao contrário do que alguns pensavam, Chow atingiu outros patamares. Se uns gostam e outros não, isso já é outra conversa…

Quando “Kung Fu Hustle” viu a luz do dia, a expectativa em torno da película fez com que a mesma fosse praticamente um sucesso antecipado, muito por culpa do furor que “Shaolin Soccer” tinha feito três anos antes. E de facto o êxito de “Kung Fu Hustle” foi algo digno de se ver. Grandes receitas de bilheteira, e não apenas em Hong Kong. Dezassete prémios ganhos em vários certames de cinema, para além de 26 nomeações entre as quais uma para o “Globo de Ouro” para o melhor filme estrangeiro, e outro para o prémio BAFTA referente ao melhor filme não falado em inglês. Um inquestionável e excelente cartão de visita!

Que dizer do filme?

À semelhança do já aludido “Shaolin Soccer”, o estilo “cartoon” é incontornável. Aliás, em “Kung Fu Hustle”, esta característica ainda acaba por ser mais premente. Corridas à “Roadrunner” (Papa-léguas em Portugal), personagens que chocam com violência na parede e escorregam pela mesma suavemente, lutas em que os intervenientes são literalmente arremessados pelo ar num estilo muito semelhante a “The Matrix”, etc, etc, etc. O mesmo será dizer, uma loucura total (e porque não uma "Kung-Fu-Zão", um trocadilho com "confusão", sem ser depreciativo)!!!

"O Gang do Machado"

Pelas razões expostas no parágrafo anterior, “Kung Fu Hustle” vive quase completamente sob o signo do entretenimento. Tudo o resto assume um papel secundário. É certo que existe uma estória que é relativamente bem construída, embora simples e longe de ser original. Não se duvida que os adereços e a banda-sonora constituem bons acessórios. Mas neste filme de Stephen Chow, os espectaculares efeitos especiais e a comédia são verdadeiramente a lei!

Julgo que ninguém pode duvidar do amor de Stephen Chow pelos filmes de artes marciais e pelos seus intervenientes. O próprio actor e realizador é um admirador confesso do ícone Bruce Lee. Tenho forçosamente que admitir, embora não seja muito do meu agrado, que existem várias formas de homenagear o género. Stephen Chow escolheu a comédia temperada de infantilidade e de elementos que muitas vezes roçam a “palhaçada” de circo. Mas nem por isso tem menos mérito que aqueles que enveredam pela perspectiva mais séria da “coisa”, e os resultados estão à frente de todos. Chow é sem dúvida nenhuma, um dos grandes nomes do cinema asiático!

O próprio Chow na escolha do elenco desta longa-metragem, fez questão de perpetuar essa mesma homenagem e admiração que nutre pelos filmes de artes marciais. Pense-se em Yuen Wah, um dos membros dos conhecidos “Seven Little Fortunes” (na realidade eram mais de sete), um grupo de estudantes da ópera de Pequim, famoso pelas suas actuações acrobáticas, dos quais fizeram parte, para além de Wah, Yuen Biao, Jackie Chan, Sammo Hung e Corey Yuen. Outro exemplo será Leung Siu Lung (aka Bruce Leung) que era conhecido nos anos ’70 e ‘80 por o “Terceiro Dragão” (os outros dois eram Bruce Lee e Jackie Chan). Este último actor, por exemplo, já não participava num filme há quinze anos!

A estória de amor também marca a sua presença e à semelhança de “Shaolin Soccer”, envereda pelo caminho da paixão entre alienados da sociedade. Existe uma relação entre “Fong” (representada por Eva Huang, uma actriz que não sei porquê, lembra-me Isabella Leong – isto é um grande elogio, acreditem!), uma rapariga muda que vende gelados e “Sing”, um criminoso de 10ª categoria. Pensem outra vez em “Shaolin Soccer”, e nas personagens aí representadas por Stephen Chow e Vicki Zhao (ai, ai, 1000 vezes suspiros…), e com certeza encontrarão alguma analogia.

Lembro-me perfeitamente que quando vi pela primeira vez “Kung Fu Hustle”, foi num dia em que quase nada me estava a correr bem, e que a minha pessoa estava um pouco triste e melancólica. A nostalgia era dona e senhora de mim, ao olhar para ruas da capital deste país, com as memórias a aflorarem cada poro da minha pele! Se calhar era um boa altura para visionar um melodrama qualquer de fazer chorar as pedras da calçada! Chegado ao “Alvaláxia”, terreno que não me é grato do ponto de vista futebolístico (não sou lá muito fã do “Lion Soccer”, por estas bandas é mais o “Dragon Soccer”), a veia do cinema asiático clamou mais alto, e “Kung Fu Hustle” foi eleito o companheiro da tarde. Posso dizer que o resto da jornada foi muito mais alegre…

É esse o mérito dos filmes de Stephen Chow no geral, e de “Kung Fu Hustle” em particular. De uma maneira disparatada, traz mais um pouco de felicidade à nossa vida!

"Sing em luta com o Gang do Machado"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia, FanatiCine, Not Alone, Lord of the Movies, Cine-Asia, Nem Todos São Arte, Rollcamera...action!

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75





domingo, julho 29, 2007

Era Uma Vez na China/Once Upon a Time in China/Wong Fei Hung - 黃飛鴻 (1991)
Origem: Hong Kong
Duração: 126 minutos
Realizador: Tsui Hark
Com: Jet Li, Rosamund Kwan, Yuen Biao, Kent Cheng, Jacky Cheung, Yen Shi Kwan, Lau Shun, Jimmy Wang, Yuen Cheung Yan, Wu Ma, Wong Chi Yeung, Yuen Gam Fai, Yau Gin Gwok, Yuen Sun Yi, Jonathan Isgar, Mark King, Steve Tartalia
"Wong Fei Hung"

Estória

A China vive numa fase em que a influência ocidental é cada vez maior, principalmente a adveniente dos E.U.A., da Inglaterra e da França. Neste aspecto a cidade de Foshan não é diferente do resto do país.

O general do exército do “Estandarte Negro” (Lau Shun) pede a “Wong Fei Hung” (Jet Li) que forme um corpo de milicianos, tendo em vista a protecção dos cidadãos da povoação. Auxiliado pelos seus discípulos “Porky Lang – Toucinho na versão portuguesa” (Kent Cheng) e “Bucktooth So – Favolas na versão portuguesa” (Jacky Cheung), “Wong” leva a cabo a tarefa, sendo bem sucedido no seu desiderato. Entretanto, o herói acaba por conhecer a prima “Yee” (Rosamund Kwan), uma chinesa ocidentalizada que vivia em Londres, ficando incumbido de protege-la. Um interesse romântico começa a resvalar, a que “Wong” não retribui em nome da sua honra.

"Wong Fei Hung e a prima Yee"

Um dia, uma companhia de teatro chega à cidade, fazendo parte da mesma “Leung Foon” (Yuen Biao). “Foon” mete-se em problemas com uma tríade local, conhecida como “Sha Bo Hang”, sendo expulso da companhia teatral. Eventualmente, o jovem acaba por se associar a “Yin” (Yuen Cheung Yan) que ambiciona tirar o título a “Wong” de principal mestre de artes marciais.

“Yin” acaba por reunir forças com a tríade “Sha Bo Hang” e com os americanos “Jackson” (Jonathan Isgar) e “Tiger” (Steve Tartalia), tendo em vista destronar “Wong” de vez. No meio, um sórdido negócio de exportação de chineses para escravidão laboral floresce.

Escusado será dizer que o herói “Wong Fei Hung” não permitirá que tais atropelos à justiça continuem a subsistir!

"Wong Fei Hung mostra o poder do Kung Fu"

"Review"

Um leitor atento deste blogue e conhecedor das minhas opiniões, perceberá facilmente que não morro de amores por Tsui Hark (heresia, queimem o Jorge Soares Aka Shinobi na fogueira!!!). Contudo, a grande excepção à minha opinião sobre as obras do realizador e produtor vietnamita naturalizado chinês é a sua epopeia “Era Uma Vez Na China” e quase todos os episódios subsequentes. Aqui dou o braço a torcer, e admito que este conjunto de filmes marcou verdadeiramente uma era no cinema de artes marciais em particular, e no de Hong Kong em geral. Claro está, independentemente desta premissa, revelo que tais películas são do meu agrado.

Hark resolveu fazer mais uma das dezenas de encarnações para o cinema do herói popular Wong Fei Hung, e saiu-se francamente bem. A popularidade que a película granjeou, fez com que se entrasse num verdadeiro “franchising”, com as sequelas a surgirem a rodos, medeando pouco tempo entre as mesmas. E aqui, somos logo obrigados a fazer um aparte para esclarecer algo acerca de uma edição em Dvd do filme que existe em Portugal, e que poderá induzir as pessoas num certo erro. A edição em causa, de boa qualidade diga-se de passagem, é sugestivamente intitulada “Era Uma Vez na China – Trilogia”. Ora cumpre esclarecer que a saga não é composta por apenas três filmes, mas sim pelo dobro dos mesmos, ou seja, seis. Desses seis filmes, Jet Li representa o papel de “Wong Fei Hung” em quatro, ficando os restantes dois a cargo de Vincent Chiu.

As coreografias de luta estão bastante boas e emocionantes, conseguindo-se mesmo efeitos espectaculares com algum dramatismo e emoção, de que constitui exemplo a primeira luta de “Wong” contra o mestre “Yin”, debaixo de uma forte chuva (simplesmente brilhante o movimento dos pés na água!). Outro combate que terá igualmente de ser destacado é a luta final, com “escadas voadoras”.

" Jackson e Tiger, os americanos traficantes de mão de obra"

Uma vez a propósito da crítica efectuada aqui neste blogue a “Fong Sai Yuk”, um colega que igualmente possui um espaço dedicado ao cinema asiático afirmou que a personagem de “Wong Fei Hung” deveria ter sido interpretada por alguém mais maduro. De facto, temos de admitir que a opinião tem alguma razão de ser. Jet Li apesar de nos presentear mais uma vez com uma actuação de bom nível, não pode lutar contra o facto de à altura de “Era Uma Vez…” ser relativamente novo (tinha cerca de 28 anos), o que possivelmente não conferirá uma autenticidade tão grande à personagem. Não nos podemos esquecer que “Wong Fei Hung”, por altura dos eventos de “Era Uma Vez…”, era já um mestre conceituado, tanto no domínio das artes marciais como no da medicina tradicional chinesa, tendo vários discípulos e seguidores. Isto normalmente acontece com pessoas dotadas de uma vasta experiência de vida. Li, pelo contrário, parece um miúdo, o que não ajuda nada o facto de ter uma face eminentemente jovial, que nem as expressões sérias e ponderadas ajudam a disfarçar.

Os fãs de Yuen Biao poderão ficar de alguma forma desiludidos, atendendo a que este actor é permanentemente secundarizado devido à omnipresença de Jet Li. O seu potencial de combate não é nem de perto, nem de longe demonstrado no filme. A Kent Cheng e Jacky Cheung coube-lhes a honra em desempenhar as personagens cómicas do filme, o que o fazem com mestria, levando a que criemos uma certa empatia com “Toucinho” e “Favolas”. Rosamund Kwan, uma actriz asiática com grande fulgor, em especial na década de ’90, cumpre com razoabilidade a figura da prima “Yee”, uma jovem ponderada, mas de alguma forma ingénua que necessita sempre das atenções de “Wong”.

O que verdadeiramente falta a este filme são adversários emblemáticos. Com todo o respeito, não nos parece que o “Mestre Yin”, representado por Yuen Cheung Yan, tenha grande carisma. Os próprios americanos não se afiguram como vilões bastante credíveis. Neste aspecto em particular, a sequela viria a ser bastante melhor. Também com Donnie Yen no lado oposto, como é que tal não poderia suceder ?!

Outra marca do filme tem a ver com o forte pendor nacionalista do argumento. Como já foi referido na sinopse, viviam-se tempos em que a influência ocidental crescia a olhos vistos na China, que passava pela difusão do cristianismo, a introdução de novo armamento, o controlo do comércio e das principais riquezas do país. Inclusive são mencionadas as ocupações de Hong Kong por parte dos ingleses, e de Macau por parte de Portugal. Com base nestas premissas, “Era Uma Vez…” transmite a premente necessidade de defesa da cultura e do modo de vida chinês, recorrendo a um dos aspectos mais próprios do país, o uso do Kung Fu. Desemboca-se pois numa lição de história, porventura um pouco tendenciosa, mas aceitável. Este mesmo argumento faz com esta película seja mais elaborada do que a maior parte das suas congéneres.

Um bom filme, obrigatório para qualquer amante de longas-metragens de artes marciais. Fará as delícias dos fãs de Jet Li!

"Mestre Yin e Wong Fei Hung medem forças"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,63





sexta-feira, setembro 01, 2006

New Dragon Gate Inn Aka Dragon Inn/Xin long men ke zhan (1992)

Origem: Hong Kong

Duração: 106 minutos

Realizador: Raymond Lee

Com: Brigitte Lin, Maggie Cheung, Tony Leung Ka Fai, Donnie Yen, Xiong Xin Xin, Ngai Chung, Yen Shi, Lawrence Ng, Yuen Cheung, Elvis Tsui

"Cho Wai On (Tony Leung Ka Fai) e Yau Mo Yan (Brigitte Lin)

Estória

Dinastia Ming. Um terrível eunuco chamado "Tsao Siu Yan" detém mais poder que o próprio imperador e controla o governo da China. O ministro da defesa "Yang" tenta denunciar as vilanias de "Tsao" ao soberano, mas é apanhado nos seus propósitos e barbaramente executado.

"Tsao" desconfia e com razão que o general "Chow Wai On", um adepto e amigo incondicional de "Yang", poderá revoltar-se e querer vingança. É montada uma armadilha a "Chow", que este consegue iludir graças ao auxílio da sua companheira "Yau Mo Yan", conseguindo-se pelo meio, salvar-se os filhos de "Yang".

"O maléfico eunuco Tsao Siu Yan (Donnie Yen) rodeado do seu séquito"

"Chow" e "Mo Yan" procuram refúgio no célebre "Dragon Inn", uma taberna situada a meio do deserto, cuja proprietária é "Rainha de Jade", uma pelintra da pior espécie, que engana os clientes, servindo-lhes refeições à base de carne humana, sem que aqueles desconfiem.

"Tsao" descobre o paradeiro dos seus inimigos e acompanhado do seu exército pessoal dirige-se para o "Dragon Inn"!

"A Rainha de Jade (Maggie Cheung) tenta acalmar os ânimos de um seguidor do eunuco Tsao e do general Chow"

"Review"

Constituindo um "remake" do filme com um nome semelhante realizado nos anos 60, da autoria de King Hu, "New Dragon Gate Inn" ou simplesmente "Dragon Inn" é um ícone do género "Wuxia" que teve uma grande popularidade na primeira metade dos anos 90, ressurgindo actualmente em força e com contornos já mais internacionais.

Com um elenco de "sonho", "Dragon Inn" tem todos os elementos característicos e distintivos que conformam os tradicionais "swordplays" de Hong Kong.

Os "bons" do filme apresentam um pendor e faceita verdadeiramente heróica, destacando-se neste particular as personagens interpretadas por Tony Leung Ka Fai e Brigitte Lin, verdadeiros opositores de um regime tirano e malévolo, que oprime recorrendo ao terror e à matança injustificada, liderado pelo eunuco representado por Donnie Yen.

Igualmente apresenta uma estória de amor platónico cujos intervenientes são Leung e Lin, com uma tentativa de imiscuição por parte da "Rainha de Jade", interpretada por Maggie Cheung.

Os costumeiros vilões dos risos maníacos estão todos lá, embora a personagem de Donnie Yen se diferencie pelo seu ar circunspecto e frio, não detendo uma participação muito grande a nível de minutos, aparecendo com uma certa continuidade no início do filme e na luta final.

"O eunuco Tsao em dificuldades"

As cenas de luta estão muito bem feitas e emocionantes atendendo à época, usando-se abusando-se dos guindastes, tendo sido conseguido por vezes efeitos verdadeiramente espectaculares. Reporto-me especialmente a uma cena em que Brigitte Lin atira-se de um planalto e derruba cinco ou seis cavaleiros que tentavam capturar os filhos de "Yang". O confronto final apresenta-se bastante aceitável, no entanto absolutamente dispensava-se a cena em que Donnie Yen fica sem carne absolutamente nenhuma numa das pernas e num dos braços, vislumbrando-se apenas os ossos. É um pouco ridículo e até cómico!!!

E por falar em comicidade, a existente em "Dragon Inn" constitui sem duvida um dos pontos fortes do filme. As honras neste particular vão quase todas para a personagem da "Rainha de Jade", interpretada pela diva Maggie Cheung. A comédia é inocente e muito engraçada, conseguindo arrancar alguns risos e sorrisos ao espectador.

"Dragon Inn" é uma obra obrigatória para todos os apreciadores de "Wuxia". Não atinge no entanto o nível evidenciado em "The Bride With White Hair" e "Era Uma Vez na China, partes I e II". Situar-se-à mais ou menos no mesmo patamar que "Swordsman II".

"O exército de Tsao dirige-se com más intenções para o Dragon Inn"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,38