"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!

Mostrar mensagens com a etiqueta Comédia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Comédia. Mostrar todas as mensagens

sábado, dezembro 25, 2010

Sumo Do, Sumo Don't/Shiko funjatta - シコふんじゃった。(1992)

Capa

Origem: Japão

Duração aproximada: 105 minutos

Realizador: Masayuki Suo

Com: Masahiro Motoki, Misa Shimizu, Naoto Takenaka, Akira Emoto, Kaori Mizushima, Hiromasa Taguchi, Robert Hoffman, Kentarô Sakai, Masaaki Takarai, Ritsuko Umemoto, Masaru Matsuda, Hiroshi Miyasaka, Goro Takaoka, Naomasa Musaka, Fuyuki Murakami

A equipa do liceu

“A equipa do liceu, acompanhada de Natsuko”

Sinopse

No Japão, a juventude actual está mais interessada nos desportos ocidentais tais como o basebol, o futebol ou o basquetebol. O professor Anayama (Akira Emoto), um antigo campeão universitário de Sumo chantageia o seu aluno “Shuhei” (Masahiro Motoki), fazendo depender a sua licenciatura da condição de se juntar ao clube da modalidade, existente na universidade. O rapaz não consegue ver como se irá sair bem da história, considerando que não percebe nada de Sumo, além de ser magro.

Natsuko e o Prof. Tokichi

“Natsuko e o Prof. Tokichi”

Juntamente com outras personagens pouco convencionais, entre as quais “Smiley” (Robert Hoffman), um ocidental que só aceita lutar com calças, a equipa universitária começa a ganhar forma, embora os resultados sejam desastrosos pois nenhum dos elementos percebe alguma coisa do desporto em causa. Contudo, e gradualmente, as coisas começam a mudar de figura.

Shuhei e Natsuko

“Shuhei e Natsuko”

“Review”

O Sumo é o desporto tradicional do Japão, com uma comprovada existência superior a 2000 anos e cujas raízes são associadas à religião xintoísta. Trata-se de uma modalidade que representa muito da identidade nacional do país do sol nascente, e que faz parte do dia-a-dia do seu povo. Contudo, e à semelhança do que acontece por todo o mundo, as tradições por vezes são difíceis de manter. Muito disto acontece pelo facto de os jovens não serem tão atreitos a preservar o que transitou dos seus antepassados para o presente, estando os seus interesses mais orientados para a modernidade e a inovação. Parece ser um facto praticamente consumado que a juventude japonesa parece estar mais orientada para prosseguir um estilo de vida ocidental, abandonando aos pouco o que de mais tradicional tem o seu país. “Sumo Do, Sumo Don't” é uma comédia do realizador Masayuki Suo que visa satirizar precisamente este aspecto, ou seja, a relação dos jovens do Japão com um desporto que acontece ser um poderoso símbolo da nação. À altura, esta película teve uma aceitação francamente favorável, tendo sido a grande vencedora da 16ª edição do certame dos “Japan Academy Prize”, ocorrido no ano de 1993.

Com uma linha argumentativa simples, “Sumo Do, Sumo Don't” é um exercício bem sucedido, onde não se envereda pela comédia fácil, mas sim por uma reflexão bem humorada não apenas acerca da relação dos jovens com o Sumo, mas igualmente por outros dois importantes temas.

O primeiro prende-se com a mensagem de as diferenças culturais entre o Ocidente e o Oriente serem perfeitamente (re)conciliáveis. Neste particular, a personagem de “Smiley”, interpretada por Robert Hoffman, é o catalisador da acção. O “gaijin” (expressão que designa “forasteiro” para os japoneses), não tem uma atitude favorável para com o Sumo. Isto é exemplificado pelo facto de se recusar a envergar a indumentária tradicional do Sumo, querendo combater com calças. No final, e como seria de prever, “Smiley” muda a sua atitude e acaba por agradecer aos seus colegas o facto de finalmente ter entendido o espírito japonês.

A segunda premissa adicional importante, reconduz-se ao papel da mulher no Sumo. É ponto assente, que este desporto é um domínio dos homens. “Sumo Do, Sumo Don't” é considerado o primeiro filme, onde podemos ver não apenas uma mulher entrar no ringue, mas igualmente combater (disfarçada e através de um estratagema, é certo). Isto acontece quando “Masako” (personagem a cargo da actriz Masako Mamiya) combate em substituição de “Haruo” (Masaaki Takarai), um membro da equipa que se tinha lesionado.

Aoki

“Aoki”

O elenco, liderado por Masahiro Motoki que tivemos oportunidade de ver na obra-prima do cinema japonês “Okuribito – Departures”, comporta-se à altura. Não existem momentos de antologia a nível de interpretação, mas sim uma fluidez saudável que se aplaude. No que concerne aos momentos mais cómicos, e existem bastantes, estaremos perante um filme inteligente e despretensioso, que nos sensibilizará em alguns momentos. Pense-se apenas na constituição física de alguns dos membros da equipa, autênticos “trinca-espinhas”, que nunca na vida deteriam corpo para praticar um desporto como o Sumo, que exige, entre outras coisas, peso e robustez.

“Sumo Do, Sumo Don't”, é um filme com uma grande dose de entretenimento, que aborda de forma interessante a juventude japonesa, as relações entre diferentes culturas e o papel importante da mulher na evolução da sociedade japonesa. Diverte sem ofender, e transmite uma série de mensagens significativas que perduram na nossa memória. Face ao exposto, e parabenizando Masayuki Suo pela competente realização, resta-me apenas aconselhar esta obra que já detém 18 anos de existência, mas com uma actualidade vibrante.

Luta

“Shuhei em combate”

imdb7.1 em 10 (290 votos) em 25 de Dezembro de 2010

Avaliação:

Entretenimento – 8

Interpretação – 7

Argumento – 7

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 8

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 7,88

quinta-feira, março 04, 2010

Kamikaze Girls/Shimotsuma Monogatari - 下妻物語 (2004)

Capa

Origem: Japão

Duração aproximada: 102 minutos

Realizador: Tetsuya Nakashima

Com: Kyoko Fukada, Anna Tsuchiya, Hiroyuki Miyasako, Sadao Abe, Eiko Koike, Shin Yazawa, Hirotaro Honda, Kirin Kiki, Ryoko Shinohara, Yoshinori Okada

Momoko

“Momoko”

Sinopse

“Momoko” (Kyôko Fukada) é uma rapariga de 17 anos, que se encontra farta da monotonia de Shimotsuma, a cidade onde vive, e abraça a cultura “lolita” que passa por ter uma adoração total pelo período francês do Rococó e por se vestir em consonância. Esta postura de “Momoko” faz com que ela esteja completamente desenquadrada do meio em redor. A coisa mais entusiasmante que acontece na sua vida, é quando a jovem se dirige à loja “Baby, the Stars Shine Bright”, uma boutique em Tóquio que cultiva o estilo que “Momoko” tanto aprecia.

Ichigo

“Ichigo”

Precisando de dinheiro para alimentar o seu dispendioso gosto, “Momoko” põe à venda as imitações de roupa da Versace e da Universal Studios pertencentes ao seu pai, um “gangster” frustrado. Em virtude disto acaba por se deparar com uma cliente fora do comum, “Ichigo” (Anna Tsuchiya), uma motoqueira histérica e com devaneios de loucura. Devido a este evento, a vida de “Momoko” dá uma volta de 180 graus. Uma amizade peculiar nasce entre as duas raparigas, e ambas se metem em situações alucinadas, mas que mudará, de certa forma, a maneira como ambas encaram a vida.

Momoko, o dono da Baby

“Momoko adulada pelo estilista e dono da Baby, the Stars Shine Bright”

“Review”

Baseado numa “light novel” de Novala Takemoto, “Kamikaze Girls” teve uma passagem pela “manga”, antes de chegar ao grande ecrã, no formato que ora se tentará analisar um pouco. A película teve um sucesso bastante razoável no seu país de origem, o Japão, e venceu vários galardões em festivais de cinema entre-portas. Pessoalmente, nunca imaginei que viesse apreciar tanto esta obra como efectivamente aconteceu. E isso explica-se por uma série de factores conjugados que, em suma, passarão pelo aura muito irreverente que norteia esta longa-metragem, assim como a miríade de cores psicadélicas, a surpresa que certas cenas nos causam, a animação que surge inesperadamente, a loucura que domina certas personagens e a trama que flui com um ritmo impressionante.

Muita da força de “Kamikaze Girls” reside no excelente duo protagonizado pelas actrizes Kyoko Fukada e Anna Tsuchiya. Não só pela interpretação, mas igualmente pela química que nasce entre as duas e inunda o ecrã. Fukada e Tsuchiya são um par de belas actrizes que nos cativam com uma facilidade tremenda. Tsuchiya encarna muito bem o papel da rebelde “Ichigo”, que no fundo é uma pessoa que irradia sentimentalismo por todo o lado, embora bem faça por escondê-lo. Os momentos mais cómicos ficam muito a seu cargo, e a actriz demonstra uma versatilidade saudável. Pense-se no “flashback” que ocorre acerca da meninice de “Ichigo”, em que Tsuchiya tem de representar de uma forma completamente diversa, e que entretém imenso. Se me permitem um à parte, a actriz tem uma voz dotada de uma sensualidade brutal, principalmente quando tem os seus ataques de fúria. Por sua vez, Fukada complementa muito bem a personagem de Tsuchiya, desempenhando o papel da rapariga mais frágil com um gosto fora do vulgar. A “complementaridade” aqui invocada poderá gerar algum desacordo, até porque a maior parte daqueles que analisaram “Kamikaze Girls”, tende a situar “Momoko”, interpretada por Fukada, como a personagem central do filme. E efectivamente assim o parece ser à primeira vista. Mas nem que seja pelo facto de as cenas protagonizadas por Tsuchiya terem mais brilho e intensidade, eu serei obrigado a ir pelo diapasão da contra-corrente.

Momoko atropelada

“Um atropelamento aparentemente fatídico”

“Kamikaze Girls” é daqueles filmes que apetece muito adjectivar. É louco e por vezes doentio, mas com imensa piada, sendo igualmente profusamente imaginativo e dominado por um surrealismo e excentricidade adorável. Possui um ritmo contagiante e animador, que consegue embrenhar o espectador na história pouco ortodoxa das raparigas, sem nunca cansar. Um quase perfeito “feel good movie”, dotado de grande virtuosidade. Mistura comédia, drama, irreverência juvenil, o absurdo, mas igualmente muito pulmão e coração. Pessoalmente, posso afirmar que me senti muito animado, após a conclusão do visionamento desta obra refrescante e muito divertida. E a chave para apreciar esta película como deve ser, é não levá-la muito a sério. Também tem o seu lugar!

Muito aconselhável para as mentes mais abertas e despreocupadas, ou simplesmente, para aqueles que necessitam de descontrair!

As duas amigas 3

“As duas amigas”

imdb 7,3/10 (2.419 votos) em 4 de Fevereiro de 2010

Outras críticas em português:

  1. Cineasia

Avaliação:

Entretenimento – 9

Interpretação – 8

Argumento – 7

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 9

Emotividade – 8

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 8

Classificação final: 8,13

 

quinta-feira, agosto 13, 2009

Attack the Gas Station!/Juyuso seubgyuksageun -주유소 습격 사건 (1999)
Origem: Coreia do Sul
Duração: 113 minutos
Realizador: Kim Sang-jin
Com: Lee Sung-jae, Yu Oh-seong, Kang Seong-jin, Yu Ji-tae, Park Yeong-gyu, Jun Jeong, Lee Yu-won, Lee Jeong-ho, Kim Su-ro, Lee Won-jong, Jeong So-yeong
"Da esquerda para a direita: Bulldozer, Ddan Dda-ra, No Mark e Paint"
Sinopse
“No Mark” (Lee Sung-jae), “Bulldozer” (Yu Oh-seong), “Ddan Dda-ra” (Kang Seong-jin) e “Paint” (Yu Ji-tae) são quatro amigos delinquentes, que uma noite decidem assaltar uma bomba de gasolina. Depois de provocarem danos avultados e roubarem todo o dinheiro do estabelecimento, parecem partir bastante satisfeitos. Contudo, num dia em que se sentem entediados, decidem repetir a façanha. Acontece que desta vez, já não encontram um pecúlio dito interessante. Por esse motivo, decidem sequestrar o dono da bomba de gasolina, e todos os seus empregados. Igualmente, decidem tomar conta do negócio, servindo os clientes e guardando o dinheiro para si.

"O gerente e os trabalhadores da bomba feitos reféns"

À medida que a noite vai avançando, os amigos prendem mais reféns, vão-se metendo com o rapaz de entregas do restaurante de comida chinesa e entram em confrontos com “gangs” rivais que se metem no território que consideram deles. Resistindo a todos os desafios que se lhes vão deparando, os rapazes continuam a desenvolver de uma forma pouco ortodoxa, o seu negócio. Contudo, e através dos confrontos que vão arranjando com todos, chega a uma altura que todos os caminhos vão dar à bomba de gasolina. Por esse motivo, a polícia e os rivais dos jovens chegam para um inevitável ajuste de contas.

"No Mark"

"Review"

“Attack the Gas Station!” foi uma película que, atendendo ao seu conteúdo, teria de gerar alguma polémica na sua cinematografia de origem, a Coreia do Sul. Para além de evidenciar uma juventude rebelde, que desrespeita instituições e padrões sociais instituídos, foi realizada numa altura em que a Coreia do Sul enfrentava uma grave crise económica. Um dos sintomas deste período foi o despedimento de milhares de trabalhadores da indústria automóvel sul-coreana, actualmente a quinta maior do mundo. Várias alusões a este facto são feitas durante o filme, desde a polícia corrupta e amante de “borlas” a rebaixar a forma como os veículos nacionais são produzidos, evidenciando falhas de estrutura, passando pela personagem “Paint” destruir uns cartazes que encorajavam os trabalhadores do sector a serem produtivos. A inevitável crítica ao imperialismo norte-americano haveria igualmente de aparecer, com um dos elementos do quarteto, o músico “Ddan Dda-ra”, a ser ofendido por consumir uma “Pepsi”. O próprio realizador Kim Sang-jin haveria de confessar, durante a exibição da película no festival internacional de cinema de Vancouver, que as personagens principais desta obra teriam inspirado alguns sul-coreanos a cometer crimes contra bombas de gasolina.


“Attack the Gas Station!” é um filme bastante imbuído de aspectos prementes de uma sociedade contemporânea decadente, e que falha muitas vezes em suportar os seus membros nas ditas situações de crise. Neste caso em concreto, o filme gira em torno da rebeldia da juventude sul-coreana e da forma como a mesma supostamente gera em pura delinquência. Quando nos deparamos pela primeira vez com o grupo de quatro jovens, não sentimos qualquer simpatia pelos mesmos ou pelo seu modo de agir. Eles são violentos, brutos, e despreocupados com os outros, a não ser com eles próprios. No entanto, e à medida que o filme avança, começamos a nos aperceber que as coisas não são bem assim. Acaba por ser evidenciado que o “gang” tem um código moral bastante próprio, e que acaba por revelar uma destrinça aceitável entre o que é justo e o que se revela imoral. Simplesmente, os protagonistas têm uma maneira pouco “normal” em demonstrar as suas convicções perfeitamente aceitáveis. Numa mini-sociedade criada no espaço a que corresponde a bomba de gasolina, “No Mark” e os seus seguidores conseguem revelar capacidades em punir aqueles que são desonestos ou aproveitam-se dos mais indefesos, assim como são capazes de proteger ou recompensar os reféns que são honestos ou carentes. A certa altura, e de uma forma progressiva, concluímos que os presumíveis delinquentes, começam a mudar de forma positiva a vida de todos os que os rodeiam, quão paladinos do antigamente.

"Bulldozer em acção"

Passando de uma fase em que abominávamos o comportamento dos rapazes, e começamos a admirar as suas atitudes de justiça, começamos a nos interrogar acerca das razões pelas quais os jovens agem criminosamente, envolvendo-se em rixas e ataques contra o património alheio. Tudo tem de ter uma explicação, e na altura certa o realizador Kim Sang-jin introduz, de uma forma previsível mas meritória, os conhecidos “flashbacks”. Espaçada e individualmente, cada um dos jovens quando se depara com determinada situação, aviva a memória e viaja até um acontecimento penoso que o marcou, e subsequentemente, provocou “o virar da página”. “No Mark” é um ex-jogador de basebol injustiçado; “Ddan Dda-ra” tinha uma banda de “rock”, mas um problema com dívidas afastou-o do mundo da música; “Paint” teve de enfrentar um pai que não entendia a sua veia artística para a pintura; por fim, “Bulldozer” era constantemente castigado de uma forma peculiar, nos tempos de liceu.

Sendo uma comédia, um tanto ou quanto “sui generis”, esta obra possui momentos de entretenimento bastante divertidos e de fácil apreensão para um espectador ocidental. Misture-se esta prerrogativa do filme, com cenas de acção bem conseguidas, e temos um produto bastante agradável de seguir. Os actores, principalmente os quatro protagonistas do filme, são bastante autênticos nas suas interpretações. E isto assume mais acuidade, quando estamos a falar de papéis que facilmente poderiam transparecer um bando de jovens completamente superficiais ou vazios, à semelhança de muitos “teen movies” norte-americanos.

Um dos grandes trunfos de “Attack the Gas Station!” é expôr uma crítica social, sem ter necessidade de recorrer a grandes pretensiosismos ou a discursos de aparente antologia, mas completamente ocos por dentro. A sua saudável sátira social, bastante incomum para quem está habituado aos produtos de “Hollywood”, é cativante e facilmente conquistará aqueles que visionarem esta película. Merecia uma banda-sonora mais imponente e trabalhada, atendendo a que possui uma personagem virada para o mundo musical e que faz questão de demonstrar essa faceta. Não será uma obra maior do cinema sul-coreano, mas esforça-se por ser uma lufada de ar fresco, numa cinematografia que por vezes está apegada a determinados géneros. E nós por estas bandas, à semelhança de muitos, gostamos de alguma originalidade, portanto...

Uma boa proposta!

Nota: Em 2010, vamos ter uma sequela intitulada "Attack the Gas Station! 2", também dirigida por Kim Sang-jin. Aguardemos, então!

"Pancadaria na bomba de gasolina"

The Internet Movie Database (IMDb) link

Trailer

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Intérprete - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75







sábado, fevereiro 21, 2009

Cheating/Hera Pheri - हेरा फेरी (2000)

Origem: Índia

Duração: 144 minutos

Realizador: Priyadarshan

Com: Akshay Kumar, Sunil Shetty, Paresh Rawal, Tabu, Gulshan Grover, Kulbhushan Kharbanda, Om Puri, Mukesh Khanna, Sulabha Arya, G. Asrani, Dinesh Hingoo, Mushtaq Khan, Kashmira Shah, Namrata Shirodkar, Snehal Dabi

"Baburao"

Sinopse

“Shyam” (Sunil Shetty) é um jovem que parte da sua vila para Calcutá, de maneira a tentar arranjar um emprego no banco onde o falecido pai trabalhou. O rapaz assenta a sua pretensão no facto do progenitor ter morrido num incêndio de uma sucursal do banco, fazendo com que esta instituição tenha uma dívida para com a família. Cedo, “Shyam” descobre que não está sozinho na luta pelo lugar, pois “Anuradha” (Tabu), cujo pai faleceu no mesmo incêndio, também pretende o emprego. No meio de discussões sobre qual dos pais morreu primeiro, “Shyam” tenta descobrir um sítio onde morar, e acaba por ir ter com “Baburao” (Paresh Rawal), um excêntrico e alcoólico dono de uma oficina chamada “Star Garage”, conseguindo aí um quarto.

"Shyam"

Os problemas não acabam, pois “Shyam” tem de partilhar a casa e também um pouco da sua vida com “Raju” (Akshay Kumar), um aldrabão nato cujo sonho é ganhar dinheiro fácil para subir na vida. Partilhando todos de imensas dificuldades financeiras, a sorte parece mudar quando numa noite de bebedeira, recebem um telefonema por engano, devido a uma troca de linhas. “Kabira” (Gulshan Gover), um terrível criminoso, raptou a neta do milionário “Deviprasad” (Kulbhushan Kharbanda), e exige uma fortuna como resgate. Muito por incentivo de “Raju”, os três decidem fazer-se passar pelos raptores, pedindo o dobro do dinheiro do resgate a “Deviprasad”, tencionando entregar o pedido pelos criminosos e a neta ao milionário. No meio do pouco ortodoxo esquema, escusado será dizer que muita confusão irá degenerar!

"Shyam, Baburao e Raju"

"Review"

“Hera Pheri” é um “remake” do filme de 1989, denominado “Ramji Rao Speaking”, cujo história o realizador Priyadarshan apreciou imenso. Estava dado o mote para que uma das comédias mais bem sucedidas do universo de “Bollywood” visse a luz do dia. O “frisson” viria a dar origem a sequelas, supostamente com uma qualidade inferior em todos os aspectos ao filme que agora se analisa. Neste aspecto, não me pronunciarei, pois assim como descobri “Hera Pheri” recentemente, desconheço por completo as restantes películas que compõem a saga e em que moldes saíram.

Por natureza, eu sou daquele tipo de espectador que não é atreito a comédias e este filme destina-se essencialmente àquelas pessoas que gostam de rir. Não é uma obra propriamente dita de humor inteligente ou mais cerebral. Constitui, isso sim, uma mais versada em pessoas reais, que vivem situações perfeitamente “surreais”. Quando visionei esta película, e ressalvadas as devidas distâncias, ocorreu-me à ideia por vezes as longas-metragens de Emir Kusturica, onde o grande realizador frequentemente parodia os costumes dos ciganos de leste. Em “Hera Pheri”, apesar de termos como fio condutor da trama as desastradas aventuras do trio de amigos, verdadeiramente as situações que nos fazem rir a bandeiras despregadas é a ridicularização dos problemas sociais e alguns aspectos culturais da Índia. Pelo exposto, por vezes senti-me algo frustrado por ainda não ter conhecimentos suficientes acerca da vivência naquele país, de forma a apreciar melhor o “nonsense” presente. E acreditem que é bastante!


"O telefonema da confusão"

Quanto à representação, sempre se dirá que o “quebra-corações” Akshay Kumar e Sunil Shetty exibem-se num nível aceitável. Mas sem dúvida absolutamente alguma que o mérito terá de ir quase todo para Paresh Rawal, no papel do alcoólico inveterado e míope “Baburao”. É ele quem verdadeiramente faz as despesas cómicas de “Hera Pheri”, e conseguiu arrancar-me saudáveis gargalhadas. Imperdíveis as situações em que tenta apartar as constantes brigas entre os seus dois companheiros interpretados por Khumar e Shetty , ou que devido à perda dos seus óculos causa situações mirabolantes. Rawal é bem secundado pelo histórico actor Om Puri, que interpreta “Karakh Singh”, um homem de bom coração, que se encontra desesperado por não poder casar a sua irmã, devido a “Shyam” não ter meios para pagar o dinheiro que lhe deve.

No que respeita às inevitáveis músicas, as mesmas não se encontram, nem de perto, nem de longe, ao nível de outras produções de “Bollywood” que tive a felicidade de ver. No entanto, sempre se encontram impregnadas de uma alegria contagiante que auxilia bastante o ritmo do filme. Um “quid” sem dúvida nenhuma é a presença da belíssima Namratha Shirodkar, a Miss Índia de 1993, na melhor música da película “Tun Tunak Tun”! Um regalo para a vista!

“Hera Pheri”, embora longe de merecer a aclamação obtida (exteriorizada, entre outros aspectos, na super inflacionada nota do IMDb), constitui uma película que conseguirá descontrair o espectador, e por vezes arrancar umas valentes gargalhadas, devido a um humor ingénuo mas cativante!

Não perdem nada em verificar!


"Os três amigos"

Cena do filme

The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,50




segunda-feira, junho 02, 2008

Welcome to Dongmakgol - 웰컴투 동막골 (2005)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 133 minutos

Realizador: Park Kwang-hyun

Com: Jeong Jae-yeong, Shin Ha-kyun, Kang Hye-jeong, Lim Ha-ryong, Seo Jae-kyeong, Ryu Deok-hwan, Steve Taschler, Jung Jae-jin, Lee Young-yi, Park Nam-hee, Jo Deok-hyeon, Yoo Seung-mok, Shim Won-cheol

"O capitão Neil Smith"

Sinopse

Em 1950 o exército norte-coreano invade o seu vizinho do sul, dando início à tristemente célebre guerra da Coreia. Os sul-coreanos são auxiliados por uma força das Nações Unidas sob o comando dos americanos, na pessoa do general Douglas MacArthur. Na sequência do conflito, o capitão da força aérea norte-americana “Neil Smith” (Steve Taschler) despenha-se com o seu caça perto de uma aldeia isolada conhecida como Dongmakgol. Os habitantes da povoação, apesar de não perceberem uma única palavra em inglês, ajudam “Neil”, e tentam com que ele se sinta em casa.

"Pyo Hin-chul, o tenente do exército sul-coreano"

Entretanto chegam à aldeia três soldados norte-coreanos, sendo os únicos sobreviventes do seu pelotão, cujos restantes elementos foram mortos numa emboscada. O trio é liderado pelo sargento “Lee Sun-hwa” (Jeong Jae-yeong), sendo os membros remanescentes os soldados “Jang” (Lim Ha-ryong) e “Taek-ki” (Ryu Deok-hwan). Os combatentes são conduzidos à povoação por Yeo-il (Kang Hye-jeong), uma rapariga alucinada que “não diz coisa com coisa”. Para completar a lista de visitantes inesperados, temos dois soldados sul-coreanos, o tenente “Pyo Hin-chul” (Shin Ha-kyun) e “Moon” (Seo Jae-kyeong). Como é natural, desde logo surgem problemas entre todos os militares que se encontram em Dongmakgol, atendendo a que combatem em campos opostos. Os aldeões ficam abismados, pois não fazem a mínima ideia que uma guerra está a decorrer.

No meio da confusão, uma granada destrói o armazém onde os aldeões guardavam as suas provisões, fazendo com que os mesmos fiquem sem alimento. Com um sentimento de culpa latente, os contendores fazem uma trégua temporária, de forma a poderem auxiliar os habitantes de Dongmakgol a reabastecerem-se de víveres. À medida que os soldados vão-se adaptando ao estilo de vida dos aldeões, apercebem-se que se encontram num sítio pacífico e isolado, onde as ideologias nada significam. Quando tudo parece correr pelo melhor em sã convivência, forças externas aparecem a ameaçar a tranquilidade de Dongmakgol. Os soldados sentem-se no dever de unirem esforços e proteger a aldeia.

"Os soldados norte e sul-coreanos retratam-se, ajudando a população de Dongmakgol nas colheitas"

"Review"

Baseado num livro do popular escritor sul-coreano Jin Jang, “Welcome to Dongmakgol” constituiu a proposta da Coreia do Sul para os óscares de 2005, e nesse mesmo ano revelaria ser o 4º filme mais visto de sempre no país. Esta premissa assume ainda mais importância, pois o filme estreou uma semana após “Sympathy for Lady Vengeance”, e conseguiu praticamente o dobro dos resultados financeiros na bilheteira. Foi um grande triunfo para o realizador Park Kwang-hyun, ainda mais quando esta longa-metragem foi a sua estreia nas lides da sétima arte. Ou melhor dizendo, “Welcome to Dongmakgol” foi a primeira obra dirigida por Kwang-hyun, e igualmente a única também, pois o realizador nunca mais se aventurou pelas lides cinematográficas desde então. O filme foi bem aceite e esteve em exibição nalguns festivais de cinema importantes, tendo inclusive recebido o prémio de filme preferido da audiência, em Udine, no seu famoso certame de cinema oriental.

À medida que ia visionando “Welcome to Dongmakgol”, recuei até 1997, quando na faculdade, mais propriamente na disciplina de “História das Ideias Políticas”, tive de estudar (entre vários outros autores) Thomas More e a sua conhecida obra “Utopia”. O sentido da sociedade igualitária, onde todos têm uma palavra a dizer e existe uma partilha de bens adequada às necessidades de cada um está bem presente neste filme. A comunidade perfeita, onde todos podem deixar para trás as agruras da vida e serem felizes, aparece como um bálsamo para o grupo de soldados traumatizados pelo conflito. A certa altura, um admirado “Lee”, o líder dos norte-coreanos, questiona o chefe de aldeia como é que consegue fazer com que os habitantes sigam as suas ordens. “Lee” encontra-se ainda mais incrédulo, quando repara que o chefe não necessita de recorrer a expedientes autoritários ou violentos para conseguir se impôr. Serenamente, é-lhe respondido “mantenho-os alimentados e trato-os com amor e respeito”.

Podemos caracterizar “Welcome to Dongmakgol” como uma película composta por 50% de comédia e 50% de drama. O aspecto mais bem disposto do filme é bem conseguido, girando em torno da natural ingenuidade dos habitantes da aldeia. Estes nunca viram uma arma de fogo na vida, e por esse mesmo motivo, não sabem como reagir perante uma, ignorando que a mesma constitui uma ameaça. Igualmente tem alguma dose de piada observar os aldeões a tentar comunicar com o capitão “Smith” em inglês, redundando tudo numa total baralhada. Como absolutamente não pode existir um filme sul-coreano sem a sua quota parte de drama, à medida que caminhamos para o epílogo o mesmo vai tomando forma “leve, levemente”, até à tragédia da ordem. Esta parte da obra resulta bem, mas daí nada menos seria de esperar do filme, atendendo à sua origem. É comovente, embora não bastante credível, observar a coragem de um diminuto grupo de combatentes fazer face a um prelúdio de um bombardeamento norte-americano, tudo em nome de algo maior, um paraíso chamado “Dongmakgol”. Não haverá aqui um pouco do espírito de “Os Sete Samurais”?!

"O professor Kim, observado pelos aldeões de Dongmakgol, tenta comunicar em inglês"

Os actores regra geral cumprem de uma forma competente no esgrimir das suas interpretações. Como costumo sempre destacar alguém nos meus textos, o prémio aqui irá para a excelente actriz Kang Hye-jeong, a “Mi-do” de “Oldboy”. O seu desempenho como a insana “Yeo-il” é fresco, eivado de uma loucura saudável e de uma incontornável ternura. Resta-me ainda fazer uma apologia à exuberante e maravilhosa fotografia presente na película, que em muito ajuda a formar a ideia de um paraíso na terra a que, aliada a uma aldeia que custou um milhão de dólares a construir, ajuda a produzir o efeito pretendido.

“Welcome to Dongmakgol” tenta passar a mensagem que é possível os norte e sul-coreanos resolverem as suas diferenças, e trabalharem num objectivo comum, como se fossem uma nação una. Os americanos, mais uma vez são o alvo a abater e considerado o inimigo externo. São eles que querem destruir “Dongmakgol” e em consequência pôr termo ao paraíso e à união dos povos irmãos. É certo que temos um americano bom da fita, a saber, o capitão “Smith”. Contudo, “Smith” acaba por se tornar um cidadão de “Dongmakgol”, e tudo faz igualmente para proteger a terra onde se conseguiu encontrar, inclusive lutando contra os seus próprios conterrâneos. Um clássico caso de “ressocialização” ?!

No entanto, confesso que já começo a ficar um tanto ou quanto saturado da repetição de temas e inspiração que alguns filmes sul-coreanos teimam em enveredar. É certo que o nacionalismo faz parte da cultura sul-coreana, caracterizado por duas ou três ideias essenciais, a saber, a reunificação das duas Coreias, o antagonismo contra a presença norte-americana no país e o ressentimento de sempre contra o Japão. Não estou obviamente a afirmar que os sul-coreanos não têm razão em muitos aspectos. É perfeitamente natural que os coreanos se queiram unificar, atendendo às características étnicas e culturais que detêm entre si. Igualmente torna-se legítimo que não se sintam muito satisfeitos com o facto de os norte-americanos ocuparem pacificamente uma parte do seu país, unicamente com objectivos militares e económicos. É compreensível que não vejam com muito bons olhos o império nipónico, atendendo ao longo historial de conflitos que mantiveram com aquela nação, e que redundaria mesmo em ocupação do seu território soberano. É uma questão cultural sem dúvida nenhuma. O que critico é a repetição de conceitos, sem qualquer tipo de inovação. E neste ideal, “Welcome to Dongmakgol”, com todos os seus méritos (e são alguns), nada traz de novo.

“Welcome to Dongmakgol” é uma película de qualidade, que possui características positivas, tornando-a justamente num dos produtos mais emblemáticos oriundos da Coreia do Sul. Contudo, e ao contrário do que muitas críticas que se podem encontrar um pouco por toda a internet querem fazer crer, não é uma longa-metragem de tão elevado nível que se possa qualificar de eleição.

Com interesse!

"Da esquerda para a direita: o capitão da força aérea norte-americana Neil Smith, o tenente do exército sul-coreano Pyo Hin-chul e o sargento das forças norte-coreanas Lee Sun-hwa"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emoividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,50





domingo, maio 25, 2008

Feel It...Say It/Tam tam ching suet suet sing (2006)

Origem: Hong Kong

Duração: 91 minutos

Realizador: Benny Chan

Com: Eric Kot, Candy Lo, Anson Leung, Tiffany Lee, Tats Lau, Jerry Lamb, Sam Lee, Chin Kar Lok, Simon Lui, Emily Kwan, Asuka Higuchi

"Ma Yeung e Dick Luk"

Sinopse

“Zmon Heung” (Eric Kot), também conhecido por “Dick Luk” (repare-se no trocadilho com a expressão inglesa “dick look”), é um médico especialista em doenças venéreas, que possui uma clínica isolada, onde todos os seus pacientes se podem dirigir sem terem que dar muito nas vistas. A maior parte dos doentes de “Heung”, traíram os seus companheiro(a)s e tiveram o azar de apanhar infecções de cariz sexual, querendo curas rápidas de forma a que a cara-metade não se aperceba das “facadinhas na relação”. No seu ofício, “Heung” é auxiliado pela enfermeira “Ma Yeung” (Candy Lo), uma pessoa extremamente competente e dedicada ao trabalho.

"Os traidores Fei e Bing, após uma "sessão agitada" num automóvel"

As coisas começam a complicar-se quando a bela jornalista “Faye Wong” (Tiffany Lee), a namorada de “Heung”, enceta um relacionamento paralelo com “Bing” (Anson Leung), um massagista que também é o companheiro de “Ma”. Eventualmente “Heung” e “Ma”, habituados a saber das traições de terceiros, descobrem que desta vez são eles as vítimas. Desolados, terminam as respectivas relações e encetam uma viagem bastante pessoal, de forma a tentarem perceber o que leva alguém a trair o parceiro. Nesta demanda, e sem que ambos esperassem, aproximam-se mais do que o previsto...

"A espiar os amantes"

"Review"

Antes de tudo, convém esclarecer que Benny Chan, o realizador do filme que apresento agora, não é o famoso Benny Chan, que teve a seu cargo obras emblemáticas de Hong Kong como “New Police Story”, “Gen X Cops” ou “Rob-B-Hood”. Este é um Benny Chan diferente, em que “Feel It...Say It” constitui apenas o seu segundo filme. A primeira longa-metragem deste realizador remonta a 2001, sendo uma película desconhecida de terror, intitulada sugestivamente de “Human Pork Chop”. Este Chan é uma figura de terceira linha da cinematografia daquelas paragens, cujas únicas razões pelas quais adquiri “Feel It...Say It” foram o seu argumento original e a pontuação extremamente elevada que ostenta na “IMDb” (actualmente 8,2, embora convenha dizer que apenas 8 votos foram considerados. Se atenderem ao meu, serão 9). As esparsas críticas que eu li, foram regra geral abonatórias para a película, pelo que aliado a um dvd a preço acessível, decidi arriscar e descobrir este filme. Ansiava obviamente que daqui adviesse uma boa surpresa.

Não existem praticamente dúvidas nenhumas que o filme expõe uma história de amor pouco convencional e dotada de uma originalidade muito própria. Com uma visão que eventualmente podemos catalogar de pós-modernista, “Feel It...Say It” prima por uma abordagem fresca sobre as dificuldades e incertezas na procura daquela pessoa que nos enche as medidas. Aqui não existe espaço para grandes laivos dramáticos, com jorros de lágrimas aliadas a cenas de paixão explosivas e de antologia. Tudo é analisado com uma frieza algo metódica e desapaixonada, em que os únicos momentos de algum êxtase são as cenas de amor entre os “traidores” “Fei” e “Bing”, para além da comédia extremamente “nonsense” que se repete ao longo de todo o filme. Comédia essa que é muito focada nas trapalhadas sexuais dos pacientes, e que é expressa através de trocadilhos com uma manancial de doenças venéreas, aliados a comentários feitos directamente para a câmara, possuidores de um conteúdo algo despropositado e fora do fio da narrativa. Um número musical surrealista também vem ajudar à festa! Convém ainda informar que temos um par de referências cinematográficas, que não vos consigo elucidar se têm um segundo sentido ou não. A primeira refere-se ao nome da namorada de “Dick”, que é homónima da conhecida actriz asiática Faye Wong. A segunda passará pelo apelido do casal japonês desavindo, que se chamam precisamente Kurosawa e dão origem a uma alegoria samurai rocambolesca.

"Com os Kurosawa, um casal japonês com problemas conjugais"

O que de facto é de relevar será sem dúvida as prestações do casal formado por Eric Kot e Candy Lo, impregnadas de uma honestidade a quase toda a prova. Os melhores momentos desta película serão sem dúvida quando o realizador dá largas à liberdade de interpretação daqueles dois actores que, embora não sejam bastante entusiasmantes, primam por nos fazer acreditar em cada uma das palavras que saem das suas bocas. Os intérpretes em questão parecem a maior parte das vezes nem estar a representar, mas a ter uma normal conversa corriqueira do quotidiano. Para o à vontade e interagir expresso por Kot e Lo, poderá ter contribuído o facto de “Feel It...Say It” ser a terceira colaboração no ano de 2006 (?!) em que ambos representam um par romântico (as outras duas foram “Half Twin” e “Cocktail”).

“Feel It...Say It” é um filme honesto, mas que não aspira a grandes voos nem a nada que se aproxime. Valerá acima de tudo pelas interpretações convincentes de Eric Kot e de Candy Lo, assim como pelo sua trama interessante. Ideal para um público menos “mainstream”, que adora discutir e imaginar pormenores de atalaia, onde os mesmos não existem! Apesar dos temas que constituem o seu cerne argumental é uma película pouco entusiasmante e, atrever-me-ia a dizer, um tanto ou quanto frígida ! Mas também não deve ser fácil fazer uma comédia romântica, onde as doenças venéreas e a infidelidade constituem os pormenores principais...

"Ma e Dick aproximam-se na ressaca das suas relações"

Trailer (não disponibilizado), The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento: 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 7,13





segunda-feira, setembro 24, 2007

Kung-Fu-Zão/Kung Fu Hustle/Kung Fu - 功夫 (2004)

Origem: Hong Kong

Duração: 95 minutos

Realizador: Stephen Chow

Com: Stephen Chow, Lam Chi Chung, Yuen Qiu, Yuen Wah, Eva Huang, Chan Kwok Kwan, Tin Kai Man, Feng Xiaogang, Lam Suet, Yuen Woo Ping, Yuen Cheung Yan, Lam Chi Sin, Wellson Chin, Dong Zhi Hua, Hsiao Liang, Chiu Chi Ling, Leung Siu Lung, Xing Yu, Zhang Yi Bai, Fung Min Hun

"Sing"

Estória

A Xangai da década de 1930 é completamente controlada pelas tríades, sendo o grupo mais forte o “Gang do Machado”. A polícia não intervém pois teme o crime organizado, além de ser altamente subornada pelos criminosos. Os únicos locais ainda seguros são os bairros pobres, que não despertam interesse nenhum nas máfias. Num desses bairros, conhecido como “pocilga”, vive um casal que arrenda todas as casas do sítio. O senhorio (Yuen Wah) é completamente dominado pela mulher (Yuen Qiu) que possui um feitio irascível, que todos temem.

“Sing” (Stephen Chow) e “Bone” (Lam Chi Sin) são dois pequenos escroques, cujo sonho é serem admitidos no “Gang do Machado”. Certo dia, ao tentarem enganar os habitantes do bairro da “pocilga”, acabam por atrair a tríade e provocar um confronto, do qual os moradores saem vencedores. A razão para tal é que por detrás de pessoas aparentemente inofensivas, existem verdadeiros mestres de artes marciais tais como o padeiro (Dong Zhi Hua), o alfaiate (Chiu Chi Ling) e o carregador (Xing Yu).

"Fong"

Humilhado pela derrota, o “Irmão Sum” (Chan Kwok Kwan), contrata um duo de assassinos experimentados, que vencem os 3 mestres de artes marciais, mas que surpreendentemente acabam por perder para com o senhorio e a sua intratável esposa. “Sum” decide então recorrer a “Sing”, e contrata-o para libertar “Monstro” (Leung Siu Lung), que se encontra preso num manicómio e é considerado o maior assassino da história.

“Monstro” luta com o senhorio e a esposa, mas estes são ajudados inesperadamente por “Sing” e conseguem escapar. “Sing”, bastante ferido, é curado pelo casal e o seu “qi” (“chi” – força vital) é finalmente libertado, revelando-se o rapaz como um exímio mestre de artes marciais, que domina a técnica sagrada da “palma de Buda”.

As condições estão criadas para o grande confronto entre o “Gang do Machado”, agora liderado por “Monstro”, e um solitário “Sing”. Uma batalha épica irá ocorrer!!!

"O estranho casal de senhorios do bairro da pocilga"

"Review"

Hoje em dia, uma comédia de artes marciais protagonizada e realizada por Stephen Chow é sinónimo de um sucesso antecipado, não só a nível do continente asiático, mas igualmente no mundo inteiro. Chow significa dinheiro vivo e boas receitas de bilheteira. Embora eu esteja muito longe de ser um fã de comédias, e por isso mesmo Stephen Chow e Jackie Chan não recolham muito a minha preferência, sou forçado a reconhecer que Stephen Chow significa igualmente entretenimento e os seus filmes um bocado bem passado e descontraído. Para nos libertarmos um pouco do “stress” do dia-a-dia, não há nada como um filme de Stephen Chow. E desde os tempos em que o actor descobriu as maravilhas do CGI, esta premissa assume mais relevância, e ao contrário do que alguns pensavam, Chow atingiu outros patamares. Se uns gostam e outros não, isso já é outra conversa…

Quando “Kung Fu Hustle” viu a luz do dia, a expectativa em torno da película fez com que a mesma fosse praticamente um sucesso antecipado, muito por culpa do furor que “Shaolin Soccer” tinha feito três anos antes. E de facto o êxito de “Kung Fu Hustle” foi algo digno de se ver. Grandes receitas de bilheteira, e não apenas em Hong Kong. Dezassete prémios ganhos em vários certames de cinema, para além de 26 nomeações entre as quais uma para o “Globo de Ouro” para o melhor filme estrangeiro, e outro para o prémio BAFTA referente ao melhor filme não falado em inglês. Um inquestionável e excelente cartão de visita!

Que dizer do filme?

À semelhança do já aludido “Shaolin Soccer”, o estilo “cartoon” é incontornável. Aliás, em “Kung Fu Hustle”, esta característica ainda acaba por ser mais premente. Corridas à “Roadrunner” (Papa-léguas em Portugal), personagens que chocam com violência na parede e escorregam pela mesma suavemente, lutas em que os intervenientes são literalmente arremessados pelo ar num estilo muito semelhante a “The Matrix”, etc, etc, etc. O mesmo será dizer, uma loucura total (e porque não uma "Kung-Fu-Zão", um trocadilho com "confusão", sem ser depreciativo)!!!

"O Gang do Machado"

Pelas razões expostas no parágrafo anterior, “Kung Fu Hustle” vive quase completamente sob o signo do entretenimento. Tudo o resto assume um papel secundário. É certo que existe uma estória que é relativamente bem construída, embora simples e longe de ser original. Não se duvida que os adereços e a banda-sonora constituem bons acessórios. Mas neste filme de Stephen Chow, os espectaculares efeitos especiais e a comédia são verdadeiramente a lei!

Julgo que ninguém pode duvidar do amor de Stephen Chow pelos filmes de artes marciais e pelos seus intervenientes. O próprio actor e realizador é um admirador confesso do ícone Bruce Lee. Tenho forçosamente que admitir, embora não seja muito do meu agrado, que existem várias formas de homenagear o género. Stephen Chow escolheu a comédia temperada de infantilidade e de elementos que muitas vezes roçam a “palhaçada” de circo. Mas nem por isso tem menos mérito que aqueles que enveredam pela perspectiva mais séria da “coisa”, e os resultados estão à frente de todos. Chow é sem dúvida nenhuma, um dos grandes nomes do cinema asiático!

O próprio Chow na escolha do elenco desta longa-metragem, fez questão de perpetuar essa mesma homenagem e admiração que nutre pelos filmes de artes marciais. Pense-se em Yuen Wah, um dos membros dos conhecidos “Seven Little Fortunes” (na realidade eram mais de sete), um grupo de estudantes da ópera de Pequim, famoso pelas suas actuações acrobáticas, dos quais fizeram parte, para além de Wah, Yuen Biao, Jackie Chan, Sammo Hung e Corey Yuen. Outro exemplo será Leung Siu Lung (aka Bruce Leung) que era conhecido nos anos ’70 e ‘80 por o “Terceiro Dragão” (os outros dois eram Bruce Lee e Jackie Chan). Este último actor, por exemplo, já não participava num filme há quinze anos!

A estória de amor também marca a sua presença e à semelhança de “Shaolin Soccer”, envereda pelo caminho da paixão entre alienados da sociedade. Existe uma relação entre “Fong” (representada por Eva Huang, uma actriz que não sei porquê, lembra-me Isabella Leong – isto é um grande elogio, acreditem!), uma rapariga muda que vende gelados e “Sing”, um criminoso de 10ª categoria. Pensem outra vez em “Shaolin Soccer”, e nas personagens aí representadas por Stephen Chow e Vicki Zhao (ai, ai, 1000 vezes suspiros…), e com certeza encontrarão alguma analogia.

Lembro-me perfeitamente que quando vi pela primeira vez “Kung Fu Hustle”, foi num dia em que quase nada me estava a correr bem, e que a minha pessoa estava um pouco triste e melancólica. A nostalgia era dona e senhora de mim, ao olhar para ruas da capital deste país, com as memórias a aflorarem cada poro da minha pele! Se calhar era um boa altura para visionar um melodrama qualquer de fazer chorar as pedras da calçada! Chegado ao “Alvaláxia”, terreno que não me é grato do ponto de vista futebolístico (não sou lá muito fã do “Lion Soccer”, por estas bandas é mais o “Dragon Soccer”), a veia do cinema asiático clamou mais alto, e “Kung Fu Hustle” foi eleito o companheiro da tarde. Posso dizer que o resto da jornada foi muito mais alegre…

É esse o mérito dos filmes de Stephen Chow no geral, e de “Kung Fu Hustle” em particular. De uma maneira disparatada, traz mais um pouco de felicidade à nossa vida!

"Sing em luta com o Gang do Machado"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia, FanatiCine, Not Alone, Lord of the Movies, Cine-Asia, Nem Todos São Arte, Rollcamera...action!

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75





domingo, agosto 26, 2007

Chinese Odyssey 2002/Tian xia wu shuang - 天下无双 (2002)

Origem: Hong Kong

Duração: 97 minutos

Realizador: Jeffrey Lau

Com: Tony Leung Chiu Wai, Faye Wong, Vicki Zhao, Chang Chen, Rebecca Pan, Athena Chu, Eric Kot, Ning Jing, Roy Cheung, Jeffrey Lau

"A Princesa Wushuang e Ah Long"

Estória

Na época da dinastia Ming, numa determinada cidade, vive “Ah Long Aka Bully, the Kid” (Tony Leung Chiu Wai), um homem que todos os habitantes da localidade temem, devido à sua atitude quezilenta e agressiva. “Long” só tem olhos para a sua querida irmã “Feng Aka Phoenix” (Vicki Zhao), com a qual dirige uma residencial e restaurante.

Entretanto, a princesa “Wushuang” (Faye Wong) e o imperador “Zheng De” (Chang Chen) são irmãos que tentam fugir do palácio imperial e do extremo controlo exercido pela rainha-mãe (Rebecca Pan). Apenas “Wushuang” consegue ser bem sucedida e parte à aventura disfarçada de homem.

"O imperador Zheng De e Feng envergam indumentárias muito esquisitas para a época"

A verdadeira confusão chega no dia em que a princesa conhece “Long” e “Feng”. “Long” simpatiza com “Wushuang” e pensando que esta é um homem, julga ter encontrado um marido adequado para a sua irmã. “Feng” por sua vez fica deliciada com a ideia e apaixona-se. “Wushuang” enamora-se por “Long”, e como se não bastasse, o imperador “Zheng” sai do palácio comandando os guardas imperiais em busca da sua irmã, encontra “Feng” e é logo amor à primeira vista.

Os encontros e desencontros amorosos sucedem-se, e só a intervenção de “Amour Amour” (Athena Chu), para uns uma vidente, para outros uma deusa, é que irá salvar o dia!

"A rainha-mãe"

"Review"

Com a realização de Jeffrey Lau e produção de, nada mais, nada menos, Wong Kar Wai, “Chinese Odyssey 2002” é o que normalmente é conhecido como um filme do Novo Ano Lunar, o mais importante feriado para os chineses. A indústria de filmes de Hong Kong, com propósitos comerciais, costuma lançar “blockbusters” por esta altura, de forma a capitalizar ao máximo as bilheteiras durante este período de férias. Em 2002, um dos escolhidos, ou melhor dizendo, o principal escolhido foi precisamente o filme que ora se aprecia neste texto.

Envergando um título semelhante aos dos dois êxitos do actor Stephen Chow, a saber, “Chinese Odyssey: Pandora’s Box” e “Chinese Odyssey: Cinderella”, podemos definir “Chinese Odyssey 2002” como uma comédia romântica, com a variante da mesma se passar num importante período da história chinesa. É a clássica e eterna estória da procura da cara-metade, polvilhada de elementos cómicos (alguns bem conseguidos, diga-se de passagem) e uma ou outra referência que se reconduz aos “wuxia” e aos filmes de artes marciais.

É divertido observar a maneira como Jeffrey Lau e Wong Kar Wai satirizam de uma forma bem disposta, e nada ofensiva, filmes como “Ashes of Time” (pense-se na melodia que passa por diversas vezes na última meia-hora do filme) ou nos já mencionados filmes da saga “Chinese Odyssey”, protagonizada por Stephen Chow. Inclusive existe uma declamação retirada destas películas, com a expressa menção a tal facto. Verdadeiramente delicioso é as piadas que se fazem com as obras de Wong Kar Wai, em que Jeffrey Lau exagera nas cenas em câmara lenta e no “freezing”, denotando uma veia cómica para com o seu próprio produtor nesta longa-metragem.


"Uma sentida declaração de amor"

No entanto, “Chinese Odyssey 2002” não vive apenas da comédia. Quando a película se aproxima do seu epílogo, existe um quase abandono do riso para passarmos a coisas mais sérias. A partir do momento em que o assunto está resolvido entre “Feng”, representada pela inexcedivelmente bela Vicki Zhao (como eu adoro esta mulher, ai, ai, ai…) e o imperador “Zheng De”, interpretado por Chang Chen (o inesquecível “Nuvem Negra” de “O Tigre e o Dragão”), a trama foca-se na relação entre “Long” e a princesa “Wushuang”. E aqui já nos deparamos perante algum drama de boa qualidade, que secundariza por completo os momentos mais bem dispostos.

Apesar da tradução inglesa parecer se reconduzir a algo de épico, não estamos perante nenhuma odisseia digna do seu nome, nem alguma demanda em especial, a não ser, claro está, a busca pela pessoa amada (que porventura será a maior das aventuras, admita-se…). O que está em causa é tão-só uma simples estória divertida, que se foca nas relações humanas. Nada mais do que isso.

Os actores interpretam bem os seus papéis, sem almejar a nada de brilhante. Para o filme em questão, também não se exigia muito mais. De qualquer forma confesso que não gosto muito de ver Tony Leung Chiu Wai interpretar papéis cómicos, pois pessoalmente acho que não tem muito jeito para isso. Ponham Tony Leung num bom drama, e aí já estaremos no campo forte do actor, um dos melhores intérpretes de cinema a nível mundial. Actualmente, penso sinceramente que neste particular Tony Leung tem apenas um rival que é um senhor coreano chamado Choi Min-sik. Mais nada!

Chang Chen embora não tenha uma participação tão activa no filme quanto isso, dá para as encomendas. Vicki Zhao (ai, ai, ai outra vez…) é simplesmente adorável. Aquelas expressões naquela face moldada por Deus dão cabo do sistema a qualquer um. Athena Chu, outra musa do cinema asiático, dá um toque particularmente feliz ao filme, em especial nas partes de comédia. A primazia a nível da representação irá sem dúvida para Faye Wong, o que lhe valeu inclusive um prémio para a melhor actriz na 9ª edição dos “Hong Kong Film Critics Society Awards”. Merecido? Julgo sinceramente que sim.

Resta apenas dizer que a fotografia é belíssima, assemelhando-se em muito aos tons vivos que o mestre Wong Kar Wai gosta de usar nos seus filmes. A sua influência como produtor terá com certeza algo a ver com este aspecto. O resto situa-se num plano aceitável.

“Chinese Odyssey” está longe de ser um filme brilhante, ao contrário da opinião de alguns. No entanto é uma obra que denota mérito e que merece ser visionada pelos amantes dos filmes do século XXI “made in Hong Kong”.

"A princesa Wushuang medita no palácio imperial"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,50