"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!
quinta-feira, agosto 30, 2007
segunda-feira, agosto 27, 2007
Votações do "My Asian Movies"
Filmes em que participou, criticados no My Asian Movies: Azumi, a Assassina , Azumi 2: Amor ou Morte
Shin Hyun-june (Shin Hyeon-jun)
Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Shadowless Sword , Bichunmoo, o Guerreiro
Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Ashes of Time, 2046
Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Oldboy - Velho Amigo , Failan, Fim Feliz
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Jorge Soares Aka Shinobi
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domingo, agosto 26, 2007
Origem: Hong Kong
Duração: 97 minutos
Realizador: Jeffrey Lau
Com: Tony Leung Chiu Wai, Faye Wong, Vicki Zhao, Chang Chen, Rebecca Pan, Athena Chu, Eric Kot, Ning Jing, Roy Cheung, Jeffrey Lau
"A Princesa Wushuang e Ah Long"
Estória
Na época da dinastia Ming, numa determinada cidade, vive “Ah Long Aka Bully, the Kid” (Tony Leung Chiu Wai), um homem que todos os habitantes da localidade temem, devido à sua atitude quezilenta e agressiva. “Long” só tem olhos para a sua querida irmã “Feng Aka Phoenix” (Vicki Zhao), com a qual dirige uma residencial e restaurante.
Entretanto, a princesa “Wushuang” (Faye Wong) e o imperador “Zheng De” (Chang Chen) são irmãos que tentam fugir do palácio imperial e do extremo controlo exercido pela rainha-mãe (Rebecca Pan). Apenas “Wushuang” consegue ser bem sucedida e parte à aventura disfarçada de homem.
"O imperador Zheng De e Feng envergam indumentárias muito esquisitas para a época"
A verdadeira confusão chega no dia em que a princesa conhece “Long” e “Feng”. “Long” simpatiza com “Wushuang” e pensando que esta é um homem, julga ter encontrado um marido adequado para a sua irmã. “Feng” por sua vez fica deliciada com a ideia e apaixona-se. “Wushuang” enamora-se por “Long”, e como se não bastasse, o imperador “Zheng” sai do palácio comandando os guardas imperiais em busca da sua irmã, encontra “Feng” e é logo amor à primeira vista.
Os encontros e desencontros amorosos sucedem-se, e só a intervenção de “Amour Amour” (Athena Chu), para uns uma vidente, para outros uma deusa, é que irá salvar o dia!
"Review"
Com a realização de Jeffrey Lau e produção de, nada mais, nada menos, Wong Kar Wai, “Chinese Odyssey 2002” é o que normalmente é conhecido como um filme do Novo Ano Lunar, o mais importante feriado para os chineses. A indústria de filmes de Hong Kong, com propósitos comerciais, costuma lançar “blockbusters” por esta altura, de forma a capitalizar ao máximo as bilheteiras durante este período de férias. Em 2002, um dos escolhidos, ou melhor dizendo, o principal escolhido foi precisamente o filme que ora se aprecia neste texto.
Envergando um título semelhante aos dos dois êxitos do actor Stephen Chow, a saber, “Chinese Odyssey: Pandora’s Box” e “Chinese Odyssey: Cinderella”, podemos definir “Chinese Odyssey 2002” como uma comédia romântica, com a variante da mesma se passar num importante período da história chinesa. É a clássica e eterna estória da procura da cara-metade, polvilhada de elementos cómicos (alguns bem conseguidos, diga-se de passagem) e uma ou outra referência que se reconduz aos “wuxia” e aos filmes de artes marciais.
É divertido observar a maneira como Jeffrey Lau e Wong Kar Wai satirizam de uma forma bem disposta, e nada ofensiva, filmes como “Ashes of Time” (pense-se na melodia que passa por diversas vezes na última meia-hora do filme) ou nos já mencionados filmes da saga “Chinese Odyssey”, protagonizada por Stephen Chow. Inclusive existe uma declamação retirada destas películas, com a expressa menção a tal facto. Verdadeiramente delicioso é as piadas que se fazem com as obras de Wong Kar Wai, em que Jeffrey Lau exagera nas cenas em câmara lenta e no “freezing”, denotando uma veia cómica para com o seu próprio produtor nesta longa-metragem.
"Uma sentida declaração de amor"
No entanto, “Chinese Odyssey 2002” não vive apenas da comédia. Quando a película se aproxima do seu epílogo, existe um quase abandono do riso para passarmos a coisas mais sérias. A partir do momento em que o assunto está resolvido entre “Feng”, representada pela inexcedivelmente bela Vicki Zhao (como eu adoro esta mulher, ai, ai, ai…) e o imperador “Zheng De”, interpretado por Chang Chen (o inesquecível “Nuvem Negra” de “O Tigre e o Dragão”), a trama foca-se na relação entre “Long” e a princesa “Wushuang”. E aqui já nos deparamos perante algum drama de boa qualidade, que secundariza por completo os momentos mais bem dispostos.
Apesar da tradução inglesa parecer se reconduzir a algo de épico, não estamos perante nenhuma odisseia digna do seu nome, nem alguma demanda em especial, a não ser, claro está, a busca pela pessoa amada (que porventura será a maior das aventuras, admita-se…). O que está em causa é tão-só uma simples estória divertida, que se foca nas relações humanas. Nada mais do que isso.
Os actores interpretam bem os seus papéis, sem almejar a nada de brilhante. Para o filme em questão, também não se exigia muito mais. De qualquer forma confesso que não gosto muito de ver Tony Leung Chiu Wai interpretar papéis cómicos, pois pessoalmente acho que não tem muito jeito para isso. Ponham Tony Leung num bom drama, e aí já estaremos no campo forte do actor, um dos melhores intérpretes de cinema a nível mundial. Actualmente, penso sinceramente que neste particular Tony Leung tem apenas um rival que é um senhor coreano chamado Choi Min-sik. Mais nada!
Chang Chen embora não tenha uma participação tão activa no filme quanto isso, dá para as encomendas. Vicki Zhao (ai, ai, ai outra vez…) é simplesmente adorável. Aquelas expressões naquela face moldada por Deus dão cabo do sistema a qualquer um. Athena Chu, outra musa do cinema asiático, dá um toque particularmente feliz ao filme, em especial nas partes de comédia. A primazia a nível da representação irá sem dúvida para Faye Wong, o que lhe valeu inclusive um prémio para a melhor actriz na 9ª edição dos “Hong Kong Film Critics Society Awards”. Merecido? Julgo sinceramente que sim.
Resta apenas dizer que a fotografia é belíssima, assemelhando-se em muito aos tons vivos que o mestre Wong Kar Wai gosta de usar nos seus filmes. A sua influência como produtor terá com certeza algo a ver com este aspecto. O resto situa-se num plano aceitável.
“Chinese Odyssey” está longe de ser um filme brilhante, ao contrário da opinião de alguns. No entanto é uma obra que denota mérito e que merece ser visionada pelos amantes dos filmes do século XXI “made in Hong Kong”.
"A princesa Wushuang medita no palácio imperial"
Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link
Outras críticas em português: Cinedie Asia
Avaliação:
Entretenimento - 8
Interpretação - 7
Argumento - 7
Banda-sonora - 7
Guarda-roupa e adereços - 8
Emotividade - 8
Mérito artístico - 8
Gosto pessoal do "M.A.M." - 7
Classificação final: 7,50
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Jorge Soares Aka Shinobi
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terça-feira, agosto 21, 2007
Origem: China/Hong Kong
Duração: 107 minutos
Realizador: Jingle Ma
Com: Rene Liu, Louis Koo, Richard Ng, Lawrence Chou, Bowie Tsang, Carl Ng, Sonja Kwok, Wei Wei, Li Qinqin, Yuya Kudo, Lam Suet, Macy Chan, Richie Ren
Estória
“Mi” (Rene Liu) é uma rapariga solteira de vinte e tal anos, que possui talento para tocar piano. A jovem dá-se bem com a solidão, apesar de ter o apoio de alguns amigos e do pai (Richard Ng). No entanto, quando se aproxima a data do seu aniversário (7 de Junho), “Mi” entra em polvorosa, pois o seu ex-namorado “Nam” (Louis Koo) envia-lhe sempre uma mensagem de aniversário pelo telemóvel.
Num longo “flashback”, acompanhamos o início do relacionamento de “Mi” e “Nam” ainda nos tempos da faculdade. “Mi” era uma rapariga tímida, que passava despercebida, enquanto “Nam” era um rapaz extremamente popular entre o sexo oposto. O improvável acontece, e ambos encetam um relacionamento. Chega a altura em que o rapaz, filho de boas famílias, vai para os E.U.A. uma temporada, esfriando bastante o relacionamento. No entanto, no aniversário de “Mi”, chega sempre o aguardado “SMS” de parabéns.
Posteriormente, “Nam” regressa a Hong Kong, e chega a altura de “Mi” partir para Tóquio, tendo em vista o aperfeiçoamento da sua técnica de piano. A distância mantém-se, embora “Nam” chegue a visitar “Mi” ao Japão, mas por alturas do aniversário de “Mi”, a inevitável mensagem chega sempre.
“Mi” eventualmente acaba por retornar a Hong Kong, e tudo parece se proporcionar para que o casal reate o relacionamento. No entanto, um evento inesperado acontece. “Nam” telefona a “Mi” a dizer que conheceu uma rapariga que ama bastante, indo-se casar com ela e partir para Xangai. O rapaz aconselha-a a esquece-lo.
No entanto, todos os anos “Mi” continua a receber a sua mensagem de aniversário. Qual será a razão para que “Nam” se casasse com outra rapariga, quando era óbvio que amava desmesuradamente “Mi”? Se disse para esquece-lo, porque é que as mensagens continuam a chegar no dia 7 de Junho?
"O casal defronta-se com os seus medos e anseios"
"Review"
Jingle Ma é um realizador extremamente versátil, e que considero, no que toca aos dramas, um dos realizadores mais “coreanos” da cena de Hong Kong. A sua apetência e habilidade para os filmes de “puxar a lágrima ao olho”, definiram objectivamente a minha opinião. Vários exemplos poderiam ser aventados, mas pense-se apenas em “Fly Me To Polaris”, esse drama de fazer chorar as pedras da calçada.
Baseado na novela “I Want to Go With You”, da autoria de Rene Liu (exacto, é a actriz principal deste filme), o argumento é bem feito e a trama verdadeiramente enternecedora. Quem ler a sinopse acima exposta, poderá pensar que estamos perante um monte de “baboseiradas”, do género novela mexicana, mas asseguro-vos que isto não é bem assim. É certo que “Happy Birthday” pretende ser o que se chama de “tearjerker”, levando a que inevitavelmente algumas cenas sejam eminentemente forçadas, e que nos façam pensar que de facto estamos perante mais um bando de “clichés” que visam fazer com que gastemos o “stock” de lenços de papel que temos à mão. Asseguro-vos igualmente que isto constitui a excepção e não a regra. O drama em regra é bem conseguido, e deveras cativante. Posso-vos dizer que em geral, a película me emocionou de certa forma. Mas isto tem uma explicação adicional, e sem querer revelar em demasia a minha vida, debruçarei-me um pouco mais sobre o argumento.
A ideia do casal apaixonado que não tem um final feliz está longe de ser uma novidade. Qualquer um de nós já experenciou, assistiu ou pelo menos ouviu falar de relações entre um homem e uma mulher que não deram certo por razões extra-amor. As circunstâncias vivenciais, a insegurança, os rumos diferentes que cada um quiseram dar à sua vida, a incompatibilidade de feitios, etc., etc., etc., não raras vezes conseguiram com que uma união bonita acabasse. Estou-me a lembrar de dois casos relacionados com amigos meus, com namoros de anos, terem terminado pela razão de eles quererem fazer a sua vida pós-universidade na terra que os viu nascer, a ilha da Madeira, e as namoradas de Portugal continental igualmente pretenderem construir a sua vida nas cidades de que eram provenientes (legitimamente diga-se). Não houve consenso, a teimosia imperou, e o resultado está-se mesmo a ver. Planos de vida…incompatibilidade de feitios…chamem-lhe do que quiserem!
O tema não é novo e já foi explorado em centenas de filmes.
O que me atraiu com uma violência magnética, no sentido de querer adquirir esta longa-metragem, foi o modo como o rapaz expressava o seu desejo de proximidade: as mensagens de telemóvel enviadas no dia de aniversário da ex-namorada. Fiquei estarrecido pelo simples facto de a minha pessoa de há uns anos para cá viver uma situação extremamente parecida (pelo menos nesta parte). Eu tive uma ex-namorada que não tenho pejo nenhum em admitir que amei bastante, e de há cinco anos para cá, o único contacto que mantenho é precisamente aquela mensagem de aniversário que faço questão de enviar por SMS no dia correspondente. Em 5 anos (este incluído), asseguro-vos que não falhei uma única vez. Estava criado o ambiente para que ansiasse o visionamento de “Happy Birthday”.
Embora não me tivesse identificado completamente com os sentimentos e as peripécias vividas pelo casal “Mi” e “Nam”, e ainda bem (mais não digo, senão desvendaria muito o enredo), revi-me bastante noutras, especialmente na ânsia e na expectativa de receber o bendito “SMS” no dia do meu aniversário (é verdade, também tenho direito a essa gentileza por parte da mesma pessoa), consubstanciada num olhar sub-reptício de meia em meia-hora para o telemóvel.
A fotografia e a ambiência com tons preferencialmente brancos (indicará pureza?) estão belíssimas, ajudando imenso os momentos mais melancólicos da película. As melodias, quase exclusivamente atinentes às músicas de piano tocadas por “Mi”, são comoventes e desempenham bem o seu papel.
O desempenho dos actores é bastante competente, indo as maiores honras para Rene Liu que nos oferece momentos de excelente representação. Não será alheio o facto de ter escrito a estória e porventura tal facto ter ajudado a sentir e a expressar o melhor que podia o interior e exterior de “Mi”.
Aconselhável!
Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link
Avaliação:
Entretenimento - 7
Interpretação - 8
Argumento - 8
Banda-sonora - 8
Guarda-roupa e adereços - 7
Emotividade - 9
Mérito artístico - 8
Gosto pessoal do "M.A.M." - 8
Classificação final: 7,88
Nota 1: Dedicado à pessoa a quem eu religiosamente envio um SMS de aniversário todos os anos.
Nota 2: Apesar de não ter nada a haver com o texto acima exposto, aproveito o ensejo para parabenizar a minha localidade, o Funchal, que comemora hoje 499 anos da sua elevação a cidade. Já só falta um para o meio milénio!
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Jorge Soares Aka Shinobi
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segunda-feira, agosto 20, 2007
Votações do "My Asian Movies"
Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": O Mito, A Dinastia da Espada, O Grande Mestre dos Lutadores
Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": A Chinese Ghost Story, The East is Red Aka Swordsman III, O Rei dos Jogadores, Butterfly & Sword
Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Shinobi: Heart Under Blade, Azumi, a Assassina
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Jorge Soares Aka Shinobi
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domingo, agosto 19, 2007
Origem: Hong Kong
Duração: 130 minutos
Realizador: Andrew Lau
Com: Aaron Kwok, Ekin Cheng, Sonny Chiba, Kristy Yeung, Shu Qi, Michael Tse, Jason Chu, Roy Cheung, Lawrence Cheng, Anthony Wong, Alex Fong, Yu Rong Guang, Dion Lam, Xu Jinglei, Lai Yiu Cheung, Wan Yeung Ming, Tsui Kam Kong, Lee Siu Kei, Ng Chi Hung, Christine Ng
Estória
O infame “Lord Conqueror” (Sonny Chiba) é o mais poderoso praticante de artes marciais à face da terra, tendo apenas como rival “Sword Saint” (Anthony Wong). Um dia, “Conqueror” expectante quanto ao seu futuro, requisita os serviços de um vidente chamado “Mud Buddha” (Lai Yiu Cheung). Este profetiza que se “Conqueror” tomar como seus discípulos duas crianças chamadas “Wind” e “Cloud” terá dez anos de felicidade e sorte. “Mud Buddha” reserva-se ao direito de decorrido este tempo, falar do resto do destino de “Conqueror”.
“Conqueror” assassina os pais de “Wind” e “Cloud” sem estes saberem o autor dos crimes, e toma-os como os dois discípulos mais próximos.
Passados dez anos, “Wind” (Ekin Cheng) e “Cloud” (Aaron Kwok) transformaram-se nos dois guerreiros mais poderosos do clã, sendo apenas suplantados pelo próprio “Conqueror”. Este encontra-se furioso pelo desaparecimento de “Mud Buddha” e após algumas peripécias, acaba por encontrá-lo. O resto da profecia é então revelado. Pelos vistos, a boa fortuna de “Conqueror” irá acabar, pois “Wind” e “Cloud” unir-se-ão numa rebelião contra o seu mestre, destruindo-o.
Apercebendo-se da ameaça que impende sobre si, “Conqueror” usa a sua filha “Charity” (Kristy Yeung) para causar a desunião entre os dois guerreiros. Ambos amam a filha do mestre, mas “Conqueror” dá a sua filha em casamento a “Wind”. No dia da boda, “Cloud” não se deixa ficar, e combate com “Wind”. “Conqueror” vê uma oportunidade para acabar com os dois, mas mata a sua própria filha por engano.
“Wind” e “Cloud” põem de parte as suas diferenças e juntos empreendem uma jornada de luta e vingança contra “Conqueror”.
"Review"
Já antes tinha aqui falado da trilogia não oficial de filmes de fantasia da autoria de Andrew Lau, e a propósito desse aspecto elaborei textos acerca de “The Duel” e “A Man Called Hero”. Chegou pois a altura (com algum atraso admita-se) de dissertar um pouco acerca de “The Storm Riders”, indubitavelmente a melhor película da série.
Antes de tudo é preciso referir que esta longa-metragem é baseada numa “manhua” muito popular em Hong Kong, chamada “Fung Wan” (literalmente “Wind and Cloud”), da autoria de Ma Wing Shing. Tratando-se literalmente de uma fantasia de artes marciais, em que os intervenientes não se limitam apenas a possuir habilidades fora do normal no manejo da espada ou nos saltos que desafiam a gravidade, estamos perante uma estória com contornos ainda mais mitológicos em que as personagens voam e conseguem controlar alguns elementos da natureza e usa-los a seu favor. Falamos pois de uma película na linha de “Guerreiros da Montanha”, de Tsui Hark.
Simplesmente, e em comparação com o filme mencionado no fim do parágrafo anterior, estamos perante uma película muito melhor em praticamente todos os aspectos relevantes. Quanto a mim, “The Storm Riders” é o mais portentoso filme de fantasia de artes marciais jamais feito. É uma opinião, e vale o que vale!
Quando “The Storm Riders” viu a luz do dia, o sucesso foi imediato, tendo arrebatado nada mais, nada menos que 11 prémios na 18ª edição dos “Hong Kong Film Awards”, incluindo o de melhor actor (Sonny Chiba) e de melhor filme. Os efeitos especiais são francamente bons, nada tendo a ver com os efeitos medíocres que eram usados anteriormente nas fantasias que envolviam artes marciais. O uso extremo de CGI (Computer Generated Images – Imagens Geradas por Computador) é extremo, mas muito bem cuidado, fazendo em certas alturas com que os nossos olhos quase que saltem das órbitas. Podemos certamente dizer que no que toca a este género específico de filmes, existe a era anterior a “The Storm Riders” e a era “Pós-The Storm Riders”, tal a importância histórica que este filme reveste.
A trama está muito bem articulada. No entanto urge fazer uma chamada de atenção. Esta crítica tem por base a versão original, que erradamente foi apelidada de “Director’s Cut”, com a duração de 130 minutos. A versão internacional, foi extremamente cortada na sala de edição, com cerca de 90 e poucos minutos. Como resultado desta situação, a película ficou adulterada, com bastantes falhas argumentativas, fazendo com que o espectador não entendesse certas situações ou passagens do filme. Pelo exposto, fica desde já o aviso. Visionem a versão original, nunca a versão internacional.
A escolha do elenco foi verdadeiramente feliz. Estamos perante uma autêntica parada de estrelas de Hong Kong, tais como Ekin Cheng, Aaron Kwok, Kristy Yeung, Shu Qi, Anthony Wong, entre muitos outros. Para dar o correcto tempero e funcionando como um importante “quid”, Sonny Chiba, um dos mais consagrados actores japoneses, foi recrutado para o desempenho do vil “Lord Conqueror”, tendo desempenhado competentemente o seu papel (aquela voz é única).
Existe bastante acção, fazendo com que o filme não tenha praticamente momentos parados. É claro que as lutas não serão imbuídas das artes marciais tradicionais, afigurando-se mais como autênticas batalhas mágicas. Isto fará com que os amantes do Kung Fu mais tradicionalista ou “Kung Fu Old School” odeiem o filme com toda a intensidade.
Portanto se você pertence a este segmento, evite “The Storm Riders” a todo o custo. Caso contrário, não poderá absolutamente perder esta jóia do cinema de Hong Kong!
" Wind e Cloud, os dois heróis"
Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link
Outras críticas em português: Cinedie Asia
Avaliação:
Entretenimento - 9
Interpretação - 7
Argumento - 8
Banda-sonora - 8
Guarda-roupa e adereços - 9
Emotividade - 8
Mérito artístico - 9
Gosto pessoal do "M.A.M." - 8
Classificação final: 8,25
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Jorge Soares Aka Shinobi
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7:46 da tarde
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Etiquetas: Aaron Kwok, Alex Fong, Andrew Lau, Anthony Wong, Ekin Cheng, Fantasia, Hong Kong, Kristy Yeung, Lai Yiu Cheung, Michael Tse, Roy Cheung, Shu Qui, Sonny Chiba, Wan Yeung Ming, Xu Jinglei, Yu Rong-guang
sábado, agosto 18, 2007
Origem: Hong Kong
Duração: 93 minutos
Realizador: Johnny Mak
Com: Michelle Yeoh, Tony Leung Chiu Wai, Donnie Yen, Joey Wong, Jimmy Lin, Elvis Tsui, Chung Wah Tou, Chuen Chun Yip
Estória
“Butterfly” (Joey Wong) é uma bonita rapariga, que se encontra tremendamente enamorada por “Meng Sing Wan” (Tony Leung Chiu Wai), vivendo ambos numa casa à beira-rio, perante um cenário idílico. “Butterfly” odeia tudo o que tenha a ver com o mundo das artes marciais, devido ao assassínio do seu pai, um grande mestre. A jovem está convencida que “Meng” é um mercador honesto, que nada percebe de luta.
Na realidade “Meng” é um assassino extremamente dotado no domínio das artes marciais, e que faz parte de uma organização conhecida como “Floresta Feliz”, liderada por “Sister Ko” (Michelle Yeoh). “Ko” está apaixonada por “Meng”, mas não é retribuída, pois este encara-a como uma irmã mais velha, além de gostar bastante de “Butterfly”. Como se não bastasse, “Yip Cheung” (Donnie Yen), outro membro da organização e o melhor amigo de “Meng” ama “Ko”, mas não tem coragem para lhe confessar os seus sentimentos, pois sabe que esta só tem olhos para “Meng”.
Entretanto, o eunuco “Tsao” (Chung Hua Tou) incumbe “Ko” de uma missão muito delicada, que consiste em furtar um pergaminho que foi dado pelo eunuco “Li”, o grande rival de “Tsao”, ao mestre “Suen” (Elvis Tsui). “Ko” consegue introduzir “Meng” como espião na organização de “Suen”.
A partir daqui, inicia-se uma luta feroz pelo domínio do mundo das artes marciais, assim como pela conquista da pessoa amada.
"Meng e Ko prontos para a luta"
"Review"
Quando acabei de visionar “Butterfly and Sword” só pensei o seguinte:
“Ainda bem que este filme foi de borla!!!”
Já há muito tempo que tinha intenções em conferir esta película, pois além de ser um “Wuxia” (vocês sabem que tenho um fraco por este género), encontrava-se dotada de um elenco de luxo, com quatro nomes grandiosos da cena de Hong Kong, a saber, Tony Leung Chiu Wai, Michelle Yeoh, Donnie Yen e Joey Wong. Um belo dia, estava eu com um dinheirinho extra, a fazer as costumeiras deambulações pelo “Yesasia”, e como tinha adquirido três filmes, estive logo habilitado a escolher um quarto de graça, de uma lista pré-selecionada. Eu por acaso até tenho tido sorte nestas escolhas, pois todas as longas-metragens que tenho adquirido através desta promoção, têm revelado ser de boa ou até mesmo excelente qualidade. Mas como a sorte não dura sempre, lá teria de chegar o dia em que escolheria um filme “rasca”.
Como já disse em cima, “Butterfly and Sword” possui um elenco composto de nomes inultrapassáveis da cena de Hong Kong. Pergunta-se agora:
“Como é que estes grandes actores podem oferecer interpretações tão pobres, roçando por vezes o amadorismo?”
Joey Wong parece uma menina tonta sem substância nenhuma; Donnie Yen não tem mesmo jeito para desempenhar papéis em que tenha de revelar alguma fragilidade emocional; Tony Leung Chiu wai, o meu actor preferido daquelas paragens, quase que me matava de ataque cardíaco; salva-se minimamente Michelle Yeoh, que ainda conseguiu introduzir algum “glamour” e réstia de boa representação na personagem “Sister Ko”.
O argumento é péssimo, e contribui decisivamente para a má prestação dos consagrados acima referidos. Uma estória fútil, sem ponta por onde se lhe pegue, contada à pressa e com uma abordagem inconsequente. Existem situações em que não conseguimos perceber a razão para tal – bem que me fartei de usar o botão “pause” e o “rewind” do meu leitor de dvd – outras em que até estamos interessados em saber mais, mas irritantemente vedam-nos esse prazer a 100 à hora! As legendas a uma velocidade extrema também não ajudam nada!
No entanto, no meio de tanto desnorte, sempre se salva alguma coisa por pouco que seja. As cenas de luta, embora eivadas por vezes de alguma confusão, denotam espectacularidade, não fossem as mesmas dirigidas pelo consagrado realizador e director de acção Ching Siu Tung, autor das coreografias de vários filmes emblemáticos tais como “Duel to the Death”, “A Chinese Ghost Story”, “A Better Tomorrow II”, “New Dragon Gate Inn”, “Swordsman II”, “The Duel”, “Shaolin Soccer”, “Herói”, “O Segredo dos Punhais Voadores”, “The Curse of the Golden Flower” ou “Dororo”. O homem está praticamente em todas. Não consigo imaginar melhor cartão de visita!
“Butterfly and Sword” é um filme mediocre, que não deixará saudades a ninguém!
Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link
Avaliação:
Entretenimento - 8
Interpretação - 6
Argumento - 5
Banda-sonora - 7
Guarda-roupa e adereços - 7
Emotividade - 7
Mérito artístico - 7
Gosto pessoal do "M.A.M." - 5
Classificação final: 6,50
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
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12:51 da tarde
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Etiquetas: Chuen Chun Yip, Chung Wah Tou, Donnie Yen, Elvis Tsui, Hong Kong, Jimmy Lin, Joey Wong, Johnny Mak, Michelle Yeoh, Tony Leung Chiu Wai, Wuxia
quarta-feira, agosto 15, 2007
Origem: Japão
Duração: 110 minutos
Realizador: Akira Kurosawa
Com: Toshirô Mifune, Isuzu Yamada, Takashi Shimura, Akira Kubo, Minoru Chiaki, Hiroshi Tachikawa, Takamaru Sasaki, Kokuten Kodo, Chieko Naniwa, Eiko Miyoshi
"Estória"
“Taketori Washizu” (Toshirô Mifune) e “Miki Yoshiaki” (Minoru Chiaki) são dois valorosos comandantes de “Lord Tsuzuki” (Takamaru Sasaki), que se dirigem ao “castelo das teias”, a residência do seu senhor. A ânsia no reencontro com “Tsuzuki” é grande, pois os dois guerreiros encontram-se envoltos em glória, após terem derrotado um nobre rival daquele.
Ao atravessarem a “floresta das teias”, percurso obrigatório para chegar ao castelo com o mesmo nome, os dois amigos deparam-se com um estranho espírito que lhes faz uma premonição. “Tsuzuki” nomearia “Washizu” como o líder da guarnição norte e “Yoshiaki” como o comandante da primeira fortaleza. Posteriormente “Washizu” seria o líder do clã e o filho de “Yoshiaki” suceder-lhe-ia.
"Washizu com a sua mulher, a dama Asaji. O sangue dos traidores encontra-se na parede ao fundo "
Os samurais convencidos que sonharam seguem para o seu destino. No entanto, quando “Tsuzuki” procede às nomeações vaticinadas pela aparição fantástica, começam a dar crédito à profecia. A dama “Asaji” (Isuzu Yamada), mulher de “Washizu” convence-o a assassinar “Tsuzuki”, para que ambos tomem o poder.
“Washizu” cumpre a vontade da sua mulher e torna-se o líder do clã. Posteriormente o guerreiro começa a desconfiar de tudo e de todos, cometendo mais assassinatos, em ordem a manter o título nas suas mãos. Contudo o destino não deixará que os crimes de “Washizu” fiquem sem resposta.
"Washizu e Miki Yoshiaki perdidos no meio do nevoeiro"
"Review"
O grande mestre do cinema japonês Akira Kurosawa sempre teve uma grande admiração pelos grandes vultos de literatura universal, mormente os escritores russos, cuja predilecção pessoal ia para Dostoevsky. No entanto, as tragédias do mítico dramaturgo britânico William Shakespeare colheram imenso a sua simpatia. Não seria pois de admirar que Kurosawa se inspirasse nas obras de Shakespeare na feitura de alguns dos seus filmes, havendo a franca possibilidade do talento do realizador nipónico dar origem a mais um feito de registo na sétima arte. Foi isso que aconteceu neste caso. Shakespeare escreveu “Macbeth”, Kurosawa realizou “O Trono de Sangue”. O filme é eivado de uma muito boa qualidade, sendo considerado com alguma propriedade, uma das melhores longas-metragens do realizador.
Kurosawa segue de perto a peça de Shakespeare, mas tem o mérito de adaptar a história à realidade japonesa e ao clássico “chambara”. Por este mesmo motivo, viu-se obrigado a reformular o argumento de alguma forma, transformando, a título meramente exemplificativo, a Escócia do século XI de Macbeth, no Japão feudal do século XVI de “Washizu”.
“O Trono de Sangue” parte em desvantagem em relação a obras como “Os Sete Samurais” ou “The Hidden Fortress” no que concerne ao sentimento de aventura e diversão. No entanto, baterá estes filmes aos pontos no tocante à sua aura introspectiva, séria e fantasmagórica. “O Trono de Sangue” é verdadeiramente uma jornada negra, maléfica e de desespero humano, cheio de cenas e sons emblemáticos que pugnam pela escuridão.
Pessoalmente identifico-me mais com a primeira linha, encabeçada pelo glorioso “Os Sete Samurais” e porque não dizê-lo também “Ran, Os Senhores da Guerra”, esta última a minha obra preferida de Kurosawa. Não obstante este facto, “O Trono de Sangue” consubstancia-se num marco cinematográfico que o espectador mais atento não poderá ficar impassível, estando impregnado de várias influências do teatro tradicional japonês imbuído pelo drama “Noh”.
"A ruína de Washizu perante os seus samurais"
Mais uma vez, e nunca é demais dizê-lo, Kurosawa dirige uma obra com uma mestria fora do comum. Pormenores como “Lady Asaji” a ir buscar o saké com os soporíferos para adormecer os guardas de “Tsuzuki”, em que a nobre investida nas suas vestes brancas desaparece no negrume da sala, para depois reaparecer de repente com a face decidida; o crocitar dos corvos a adivinhar a morte; mas acima de tudo a célebre cena final em que “Washizu” é trespassado pelas setas dos seus próprios homens, constituem momentos verdadeiramente memoráveis da sétima arte.
A cena da morte de “Washizu” merece mais umas parcas linhas. Muitas das setas usadas eram verdadeiras, embora outras fossem falsificações de bambu. As flechas que batiam nas paredes eram reais, e não houve absolutamente nenhum efeito especial que entrasse na cena em questão. Foram isso sim usados arqueiros treinados, que disparavam para onde Mifune indicasse com os braços, no meio do seu torpor maníaco. Kurosawa pretendia que Mifune expressasse um medo genuíno (que não duvidamos que tivesse sentido), reflectido nas expressões faciais. O resultado foi de facto estrondoso.
Mifune, esse senhor do cinema nipónico e mundial, prova por que razão para muitos e para mim também, é considerado o melhor actor japonês de todos os tempos. Memorável a sua representação nesta película. Contam-se pelos dedos aqueles que como Mifune conseguem ser insanos, sanos, agressivos, doces, fortes, fracos, seguros e inseguros no mesmo filme. A sua representação em “O Trono de Sangue” é digna de figurar como um dos mais portentosos actos de representação na história do cinema. Mas verdade se diga, ninguém conseguia dirigir Mifune como Kurosawa. A prova deste aspecto reside no facto de o actor nunca ter igualado noutros filmes, as suas actuações nos “chambaras” únicos do realizador japonês.
“O Trono de Sangue” constitui uma proposta inolvidável e inultrapassável para qualquer amante da sétima arte. Explora competentemente a natureza humana, particularizando os seus anseios, medos e limites. Só não leva uma nota melhor, pois o administrador deste blogue gosta de um bocadinho mais de acção, quando se trata de um "jidaigeki".
Obrigatório!
Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link
Avaliação:
Entretenimento - 7
Interpretação - 10
Argumento - 9
Banda-sonora - 8
Guarda-roupa e adereços - 8
Emotiviade - 8
Mérito artístico - 9
Gosto pessoal do "M.A.M." - 8
Classificação final: 8,38
Esta crítica encontra-se igualmente disponível em ClubOtaku
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segunda-feira, agosto 13, 2007
Votações do "My Asian Movies"
Outros quatro grandes actores e actrizes que estão a votação aqui no blogue:
Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Dragon Chronicles: The Maidens of Heavenly Mountains, A Tríade de Xangai, 2046, Memórias de Uma Gueixa, A Maldição da Flor Dourada, O Imperador e o Assassino
Não participou em nenhum filme criticado no "My Asian Movies"
Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": The Moon Warriors
Filmes em que entrou, criticados no "My Asian Movies": Herói, Swordsman II, Fong Sai Yuk, Fong Sai Yuk II, Era Uma Vez na China, A Coragem do Guerreiro - Fearless
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quinta-feira, agosto 09, 2007
Obrigado Nana Mizuki

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Etiquetas: Devaneios
segunda-feira, agosto 06, 2007
Votações do "My Asian Movies"
Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Guerreiros da Montanha , The Promise, Dragão Branco, Failan, One Nite in Mongkok,
Filmes em que entrou, criticados no "My Asian Movies": Herói, Ashes of Time, Infiltrados , 2046, Butterfly & Sword, Chinese Odyssey 2002
Filmes em que entrou, criticados no "My Asian Movies": The Duel , A Man Called Hero, The Storm Riders
Shah Rukh Khan (Shahrukh Khan)
Filmes em que entrou, criticados no "My Asian Movies": Asoka
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Etiquetas: Cecilia Cheung, Kristy Yeung, Shahrukh Khan, Tony Leung Chiu Wai, Votações
sábado, agosto 04, 2007
Origem: França/Vietname
Duração: 111 minutos
Realizador: Jean-Jacques Annaud
Com: Jane March, Tony Leung Ka Fai, Fréderique Menninger, Arnaud Giovaninetti, Melvil Poupaud, Lisa Faulkner, Xiem Mang, Philippe Le Dem, Ann Schaufuss, Quach Van Han, Jeanne Moreau (narradora)
Chamada de atenção!
Porventura alguns estranharão ou acharão que o filme que ora se critica, não se enquadra no conteúdo temático deste blogue. Para os devidos esclarecimentos ir aqui.
"A rapariga francesa - Marguerite Duras"
Estória
Em 1929, no Vietname colonial, uma jovem rapariga francesa de 15 anos (Jane March) viaja num velho “ferry” através do delta do rio Mekong, dirigindo-se para Saigão. Ela retorna de uma visita à sua família que reside em Sadec, e faz a viagem de volta para o colégio interno onde estuda no 11º ano.
Um abastado chinês de 32 anos (Tony Leung Ka Fai) aborda-a e após uma breve conversa, oferece-lhe boleia no seu luxuoso veículo, para o resto da viagem. A rapariga, filha de uma professora arruinada financeiramente (Fréderique Menninger), deixa-se impressionar pelo aspecto do chinês e aceita a sua oferta.
"O chinês aborda a rapariga no ferry"
A partir daqui, um tórrido relacionamento físico instala-se entre os dois, fazendo com que se encontrem frequentemente num quarto em Saigão. A rapariga que era virgem, vê o seu mundo dar uma volta de 180 graus, descobrindo o prazer sexual, a paixão e eventualmente o amor.
Aos poucos os sentimentos de ambos começam a evoluir, mas o futuro do relacionamento é uma batalha perdida devido às diferenças pessoais, étnicas e culturais que subsistem entre os orientais e os europeus colonizadores.
"O prelúdio de um entrelaçar de mãos"
"Review"
A escritora e realizadora Marguerite Duras constituiu um dos maiores vultos da cultura gaulesa, com um passado muito ligado ao oriente, tendo nascido em Saigão, na Indochina colonizada, actual Vietname. A sua vivência pessoal cicatrizada pela dureza e a adolescência de certa forma trágica, marcaram para sempre as suas obras e profícua actividade cultural. Em 1984 dava vida ao livro “L’Amant” que pretendeu ser um registo autobiográfico da sua adolescência no Vietname e que se centrava num romance proibido que manteve com um homem chinês mais velho. Este escrito viria a dar origem ao filme de Jean-Jacques Annaud, com o mesmo nome, e que aqui se tentará analisar um pouco.
Sempre nutri uma simpatia pelos filmes de Jean-Jacques Annaud, autor de películas como “O Nome da Rosa”, “Sete Anos no Tibete” ou “Inimigo às Portas”. A extrema sensibilidade e devoção com que se dedica aos seus registos, facilmente passam para os espectadores, fazendo com que os mesmos não consigam ficar indiferentes ao que se pretende transmitir. Outra coisa que se acentua em Annaud é o cuidado que põe nos detalhes das suas obras. Os diálogos são importantes, mas os gestos e as expressões das personagens nunca podem ser olvidados de alguma forma. Percebe-se bastante bem este aspecto, quando se visiona o “Making of” de “O Amante” e vemos o realizador francês dirigir uma inexperiente Jane March, indicando-lhe as poses que deverá utilizar na cena do “ferry” em que a actriz observa o rio Mekong. O resultado foi um transpirar exuberante de sensualidade e ao mesmo tempo meninice, que atrai a atenção de qualquer um. Eu se estivesse naquele barco, provavelmente teria que dar um mergulho para o rio, a ver se esfriava as ideias (já cá faltava a piada sexista)!
O argumento não é nada complexo, mas é extremamente tocante e bem feito. No fundo o que se depara perante nós é mais uma história de um amor proibido entre duas pessoas que só detêm diferenças entre si. Como já foi aludido na sinopse, Jean March tem 15 anos, é francesa, provém de uma família pobre e permanentemente destroçada por conflitos. Tony Leung Ka Fai interpreta uma personagem de um chinês rico, com 32 anos, “bon vivant” e que não consegue resistir aos atributos da jovem francesa. Todos nós sentimos à partida que este romance não poderá ter um desfecho feliz, mas mesmo assim a envolvência transmitida pelos dois amantes faz com que não desviemos os olhos do ecrã.
Os aspectos secundários do enredo, mas igualmente bastante importantes para que tenhamos uma percepção completa dos eventos, ajudam imenso à qualidade da trama. Focam-se essencialmente na família de Jane March. A mãe é uma mulher destroçada pela perda do marido e por um investimento ruinoso que fez, tendo como resultado o lançamento da família na miséria. O irmão mais velho é um verdadeiro cretino controlador, que esgota os parcos recursos da família na diversão e nos antros de ópio. O irmão mais novo é demasiado frágil para se deparar com os problemas da vida, sendo frequentemente tiranizado pelo mais velho, necessitando da protecção da irmã.
Quando se analisa “O Amante” é inevitável falar das cenas de sexo e de toda a celeuma que se originou à volta das mesmas. Jane March à altura tinha 18 anos e era uma estreante no mundo da sétima arte. O facto de ter usado cinco duplos nas cenas tórridas, não lhe livrou do facto de o meio alcunhá-la de “the sinner of Pinner” (“a pecadora de Pinner”). Pinner foi o subúrbio de Londres onde Jane March cresceu. Por sua vez, Tony Leung Ka Fai usou dois duplos.
As cenas propriamente ditas são escaldantes o suficiente para que possamos enquadrá-las no erótico. Inclusive gerou-se um debate entre os “users”da IMDb acerca de uma cena em que supostamente nos aperceberíamos que teria havido uma penetração. Julgo que quanto a isso não restarão muitas dúvidas. Existe sim senhor um momento em que é visível perceber tal sucedeu. Agora julgo que os intervenientes da cena muito possivelmente não terão sido Jean March e Tony Leung Ka Fai, mas sim os seus duplos. À altura da estreia do filme, Annaud foi questionado acerca do mesmo e deixou, provavelmente por questões de “marketing”, a dúvida no ar.
Só me resta dizer, um pouco em jeito de conclusão, que a fotografia é excelente, o que valeu inclusivamente uma nomeação para um Óscar, na edição dos prémios da Academia de 1993. As interpretações são muito boas, deixando-me uma mágoa pessoal que Jane March nunca tivesse até hoje uma carreira digna de se ver. Questiono-me o “porquê” acerca disto. Tony Leung Ka Fai é capaz do melhor e do pior. Aqui representou um dos mais bem conseguidos papéis da sua pródiga carreira. Não tenho dúvidas acerca disto.
“O Amante” constitui uma obra com mérito, e que ressalta o triunfo sentimental e sexual das mulheres e porque não dizê-lo dos homens também. Embora não seja propriamente o meu género de filme preferido, o seu visionamento é sem dúvida aconselhável!
"Cenas tórridas de amor num quarto em Saigão"
Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link
Outras críticas em português:
Avaliação:
Entretenimento - 7
Interpretação - 8
Argumento - 9
Banda-sonora - 7
Guarda-roupa e adereços - 7
Emotividade - 8
Mérito artístico - 8
Gosto pessoal do "M.A.M." - 7
Classificação final: 7,63
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Jorge Soares Aka Shinobi
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3:07 da tarde
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