"My Asian Movies" マイアジアンムービース

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quarta-feira, Março 09, 2011

Exiled/Fong juk – 放‧逐 (2006)

Capa

Origem: Hong Kong

Duração aproximada: 110 minutos

Realizador: Johnny To

Com: Anthony Wong, Francis Ng, Simon Yam, Nick Cheung, Lam Suet, Roy Cheung, Josie Ho, Richie Ren, Gordon Lam, Cheung Siu Fai, Ellen Chan, Hui Siu Hung, Ronald Yam

O grupo

“Da esquerda para a direita, em cima: Fat, Tai, Blaze e Cat; em baixo, Wo, a esposa Jin e o filho de ambos”

Sinopse

Em 1999, dois anos após o mesmo ter acontecido com Hong Kong, Macau está prestes a deixar a soberania de um país europeu, neste caso Portugal, e a retornar para o território da China. Quatro elementos de uma tríade chefiada por Fay (Simon Yam), a saber, “Blaze” (Anthony Wong), “Tai” (Francis Ng), “Cat” (Roy Cheung) e “Fat” (Lam Suet), são incumbidos da missão de matar um ex-membro da organização chamado “Wo” (Nick Cheung). Acontece que deparados perante o seu antigo companheiro e amigo, os quatro não conseguem levar a cabo o golpe e unem-se para proteger “Wo”, a sua esposa “Jin” (Josie Ho) e o filho de ambos recém-nascido.

Blaze 2

“Blaze”

Acontece que “Fay” vem de Hong Kong até Macau, de forma a destronar o domínio do “gangster” “Keung” (Gordon Lam), e assegurar que “Wo” efectivamente está morto. Quando descobre o que se passou, “Fay” não se deixa ficar e organiza uma caçada ao grupo. Uma cruzada de sangue está prestes a se desencadear.

Fai depara-se com Keung

“Fay depara-se com o rival Keung”

Review”

Tendo sido exibido em certames de cinema por todo o mundo, de que constituem exemplo Veneza e Toronto, e sido filmado na antiga colónia portuguesa de Macau, “Exiled” tem o condão de fazer assomar uma ideia logo à minha mente: não consigo encontrar um filme que defina melhor o estilo de Johnnie To e que granjeou tantos fãs. A película teve críticas positivas um pouco por todo o meio especializado e conseguiu mesmo ter a honra de ter sido a submissão oficial de Hong Kong aos óscares – 2008, na categoria de melhor filme estrangeiro.

“Exiled” representa o que de melhor a cena de Hong Kong tem para oferecer, possuindo momentos perfeitos de tensão e acção, a par de cenas dramáticas de antologia, que ficam gravadas algures na nossa memória, num “freeze frame” mental. A técnica de “slow motion” usada nas cenas de acção, onde os tiroteios infernais irrompem destemidos, é simplesmente maravilhosa e de chorar por mais. Os intervenientes são meticulosamente posicionados, antes da abrupta violência emergir, e uma autêntica valsa diabólica de balas, sangue e destruição demonstrar a sua estranha, mas inquestionável beleza. Num culminar usual, todos estes aspectos irrompem no inevitável “stand off” final.

Como foi referido na sinopse, a acção de “Exiled” passa-se numa Macau em processo de transicção da governação portuguesa para a administração chinesa. Aqui, com ou sem razão, é traçado um quadro de uma terra onde a lei não consegue impor a sua vontade, onde a polícia é pouco efectiva e corrupta, e as tríades fazem quase o que lhes bem apetece. Ajustes de contas são desfilados num restaurante, numa rua, num descampado, sem que as forças da ordem consigam fazer algo para impedi-lo, sendo mesmo atacadas em nome da cobiça que rodeia um enorme carregamento de ouro.

Tiroteio 2

“Tiroteio no restaurante”

Na nossa humilde opinião, é improvável alguém se autointitular um apreciador do cinema de Hong Kong, sem prezar esta película e outras de natureza semelhante, desde que bem executadas e portadoras de um signo de qualidade. Tem um conjunto de homens afectados pela dureza do seu percurso de vida, que deixam a acção falar por si e mulheres que não conseguem entender esta maneira de agir e pugnam por um modo de vida mais calmo e pacífico. Mas acima de tudo, evidencia de sobremaneira aquele destino traduzido por um caminho que por mais que façamos, simplesmente não lhe conseguimos fugir.

Aqueles que se deram ao trabalho de reparar no grupo de actores que exibem as suas potencialidades nesta película, forçosamente terão de concluir que estamos perante um elenco de eleição, onde pontificam alguns dos mais talentosos intérpretes de Hong Kong e habitués das longas-metragens de Johnny To. O grande Anthony Wong exibe mais uma actuação de grande nível, num estilo inimitável e que só a ele lhe pertence, sendo bem acompanhado por Francis Ng. Simon Yam é um dos meus actores preferidos daquelas paragens, e para mim é algo complicado colocar-lhe defeitos. Igualmente é alguém que impõe um cunho e ritmo muito próprio nas suas performances, sendo que aqui o que lhe faltará serão, eventualmente e por força do argumento, mais alguns minutos. Nick Cheung, Roy Cheung e Lam Suet não destoam e enquadram-se bem nos seus papéis.

“Exiled” é um filme que honra muito bem o estilo do seu criador. É um orgulhoso e excelente exemplo do género “tríade” e atrever-me-ia a afirmar, quase um sonho para qualquer amante do género. Ao mesmo tempo, configura-se como uma história de amizade e honra impressionante, onde em nome dos ideiais e do código de conduta, mais depressa se verga do que se torce. A redenção acaba por ser tratada de uma forma crua, mas credível. No fundo, “Exiled” demonstra ser uma obra simples, nada esotérica e, à falta de melhor expressão...um filmão!!!

Fat Blaze Tai Cat

“Fat, Blaze, Tai e Cat”

imdb7.3 em 10 (3.904 votos) em 9 de Março de 2011

Outras críticas em português:

  1. Cine Players (Emílio Franco Jr.)
  2. Cinedie Asia
  3. Cine-Asia

Avaliação:

Entretenimento – 8

Interpretação – 8

Argumento – 8

Banda-sonora – 9

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 9

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 8

Classificação final: 8,25

domingo, Fevereiro 20, 2011

O Meu Vizinho Totoro/My Neighbor Totoro/Tonari no Totoro - となりのトトロ (1988)

Capa

Origem: Japão

Duração aproximada: 86 minutos

Realizador: Hayao Miyazaki

Vozes das personagens principais (versão original/japonesa): Noriko Hidaka (Satsuki), Chika Sakamoto (Mei), Shigesato Itoi (Tatsuo Kusakabe), Sumi Shimamoto (Yasuko Kusakabe), Hitoshi Takagi (Totoro), Toshiyuki Amagasa (Kanta), Machiko Washio (Sensei), Reiko Suzuki (Rôba), Shigeru Chiba (Kusakari Otoko)

Mei brinca com Totoro

“Mei brinca com Totoro”

Sinopse

“Satsuki”, de 7 anos, e a sua irmã “Mei”, de 4, mudam-se conjuntamente com o pai para o Japão rural, de forma a estarem mais perto do hospital onde a mãe permanece, com uma doença do foro pulmonar. A casa para onde vão viver é vista pelos habitantes locais, como estando assombrada. Na realidade, a moradia está infestada por espíritos da floresta, que retornam a uma árvore gigantesca das proximidades, quando a família vem habitar a residência.

Na árvore

“Mei, Satsuki, Totoro e os restantes espíritos da floresta”

As irmãs começam a explorar o novo mundo que se lhes depara e que para elas é desconhecido. Acabam por conhecer “Totoro”, uma espécie de felino gigantesco, com poderes especiais, mas tremendamente preguiçoso. Juntos, irão viver maravilhosas aventuras.

Totor toca flauta

“Totoro toca flauta”

Review”

Para muitos considerada a obra-prima de Miyazaki, “O Meu Vizinho Totoro”, doravante apenas “Totoro” é muito provavelmente o grande responsável pela internacionalização das longas-metragens de animação japonesas, considerando a excelente recepção crítica que teve a nível global. A própria personagem “Totoro” é de uma notoriedade assinalável, não sendo à toa que constitui o símbolo dos estúdios Ghibli, assim como detém uma popularidade entre as crianças do Japão, praticamente sem par (bem...talvez Doraemon seja um concorrente a ter em conta). Consta que esta obra é muito especial para o mestre Miyazaki, pois existe um segmento do argumento considerado autobiográfico. Acontece que o grande mestre e os irmãos quando eram crianças, a progenitora sofria de uma tuberculose muito agravada, fazendo com que a mesma estivesse muitas vezes hospitalizada. Em “Totoro”, e-nos induzido que a mãe de “Mei” e “Satsuki” padece do mesmo mal. Miyazaki confessaria que se os protagonistas desta longa-metragem fossem dois rapazes, tal seria uma dor bastante forte para si, devido às memórias dolorosas.

É certo e sabido que as crianças têm uma imaginação fértil, o que não é necessariamente negativo, muito pelo contrário. Por outro lado, também se costuma dizer que as crianças não mentem e relatam quase fielmente tudo o que vêm. Verdade seja dita, nem sempre é bem assim. Vem isto a propósito dos denominados “amigos imaginários” que povoam a meninice de muitos, que não a minha, e que são fruto da nossa percepção da realidade à altura, aliada à nossa imaginação. Se “Totoro” é um amigo imaginário, não cabe aqui tomar posição acerca desse aspecto. Até porque descobrimos na música do epílogo que o rei da floresta apenas se mostra a crianças e nunca a adultos. O que efectivamente se poderá desde logo avançar é que se trata de uma obra fundamental para qualquer cultor de cinema de animação, sendo de visionamento absolutamente obrigatório.

Dormindo

“Repousando”

O filme é de curta duração, pouco mais de 85 minutos, mas faz um excelente aproveitamento do tempo disponível. A animação é bastante aceitável e agradável à vista, o que não é necessariamente novidade no que toca a uma obra de Miyazaki, mesmo que a mesma remonte a 1988, indo presentemente a caminho de um quarto de século. Independentemente dos aspectos técnicos, quase irrepreensíveis, o que fará com que elejamos “Totoro” como um expoente máximo da animação, ou “apenas” como uma grande obra, será unicamente a nossa permeabilidade aos contos ditos mais infantis ou virados para as crianças. “Totoro” configura-se e demonstra-se claramente como uma apelativa história direcionada para os mais novos, imbuída de uma aura tocante que a todos contagia e não deixará certamente ninguém mergulhado na indiferença. A magia que norteia as aventuras das irmãs “Satsuki” e “Mei”, transporta-nos de nova para a infância e traz à mente aquelas saudosas memórias campestres, onde as brincadeiras e os odores misturavam-se dando origem a que sonhássemos acordados. Para quem teve a feliz oportunidade de beneficiar das maravilhas do mundo rural, é claro.

“Totoro” equilibra de uma forma espectacular, à falta de melhor expressão, a fantasia com a realidade. Trata-se de um extraordinário e maravilhoso conto, extremamente tocante, e que todos os pais deveriam de visionar em conjunto com os filhos, de forma a melhor absorverem a sua bela mensagem.Apostando na recorrente simbiose e relacionamento entre o homem e a natureza, neste caso entre a inocência das crianças e a sua interacção com o meio envolvente, Miyazaki constrói uma obra maior do cinema de animação, que com certeza perdurará pelos tempos e ecoará pela eternidade. Sinceramente, só não consta no topo das minhas obras preferidas, pois não sou muito atreito a um estilo de animação marcadamente infantil, de que “Totoro” quase de certeza é o expoente máximo, sendo rei e senhor.

Imperdível!

Grito

“Alegria”

imdb8.2 em 10 (34.872 votos) em 20 de Fevereiro de 2011

Outras críticas em português:

  1. Cinedie Asia
  2. Cine-Asia
  3. Cinema Indiscreto
  4. Hoje assistimos…
  5. Studio Ghibli Brasil

Avaliação:

Entretenimento – 8

Animação – 8

Argumento – 8

Banda-sonora – 8

Emotividade – 9

Mérito artístico – 9

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 8

Classificação final: 8,29

segunda-feira, Fevereiro 07, 2011

Take Care of My Cat/Goyangileul butaghae - 고양이를 부탁해 (2001)

Capa

Origem: Coreia do Sul

Duração aproximada: 112 minutos

Realizador: Jeong Jae-eun

Com: Bae Doo-na, Lee Yu-won, Ok Ji-young, Lee Eun-joo, Lee Eun-sil

5 amigas, quando mais jovens

“As 5 amigas”

Sinopse

Cinco amigas de Incheon parecem destinadas a acompanharem-se mutuamente toda a vida. A rebelde e bonita “Hye-joo” (Lee Yu-won), vai trabalhar para uma firma ligada à bolsa, em Seul, uma cidade que antigamente odiava e agora acha o centro do mundo; “Tae-hee” (Bae Doo-na) é a idealista do grupo, e tenta fugir do conformismo de classe média que lhe tentam incutir, ganhando desta forma a liberdade que necessita; “Biryu” (Lee Eun-joo) e “Onjoo” (Lee Eun-sil) são gémeas de ascendência chinesa que vivem sós. Aos poucos começam a perceber que as suas raízes podem ser um obstáculo para arranjarem empregos decentes. Para completar o grupo, temos “Ji-young” (Ok Ji-young), uma estudante que vive com os seus avós numa casa degradada de uma favela e que tenta encontrar uma solução para a sua pobre condição financeira.

Haejoo

“Hye-joo”

Enquanto adolescentes, tudo parecia correr pelo melhor, mas na jovem idade adulta as coisas já não são bem assim. “Hye-joo” e “Ji-young” mal se falam e a razão parece ser eminentemente social. “Hye-joo” tem um bom emprego na capital, roupas caras, um rapaz que se interessa imenso por ela e um telemóvel topo de gama; “Ji-young” não tem nada disto e possui um pavor enorme em se tornar uma sem-abrigo no futuro. “Tae-hee” tudo faz para que o grupo de amigas não se desmembre, mas a tarefa não parece nada fácil.

Tachee

“Tae-hee”

Review”

Apesar de no ano em que foi realizado ter sido um dos filmes mais elogiados pela crítica sul-coreana, “Take Care of My Cat” foi um fracasso de bilheteira, tendo sido retirado das salas de cinema poucos dias após a sua estreia. Por aqui desde logo se poderá depreender que os (supostos) entendidos do cinema e o público em geral estavam em dissonância quanto a este filme em concreto.

Na parte que me toca, sempre direi que visionar “Take Care of My Cat” foi experienciar sentimentos contraditórios. Se por um lado há que saudar o realismo e as performances do(a)s intérpretes do filme, assim como a abordagem da jovem mulher na Coreia do Sul, por outra via forçosamente terá de se reconhecer que a película possui quebras que a tornam por vezes ensossa e chata, embora ganhe alguns pontos à medida que caminha para o epílogo.

O título desta longa-metragem deriva de um gato chamado “Titi”. À medida que o argumento vai tomando forma e a dinâmica das relações entre as personagens acentua-se, é-nos revelado que o felino assume a natureza de símbolo para as cinco amigas. Sempre que “Titi” é passada para uma das jovens, esse acto constitui uma divisa do sentimento e da ligação existente entre elas, sendo reveladora a reacção evidenciada por cada uma, sempre que o testemunho é passado.

Yiyong e Titi o gato

“Ji-young e o gato Titi”

É de saudar, como anteriormente foi aflorado, o realismo destilado em algumas das cenas, sendo muito bem explorado o factor insegurança presente nas jovens, e as dificuldades com que as mesmas se deparam no seu dia-a-dia. A maior parte da tensão provém do relacionamento entre a bem sucedida “Hye-joo” e a paupérrima “Ji-young”, com a insensibilidade da primeira entrar em confronto directo com o orgulho ferido da segunda, que se gera a partir da sua fraca condição social. Um exemplo deste choque encontra-se na cena em que “Ji-young” confessa o seu sonho em estudar arte no estrangeiro, com “Hye-joo” a responder friamente que para isso ela necessitava de uma coisa que não tem, ou seja, dinheiro.

Bae Doo-na e Lee Yo-won, para além das restantes intervenientes, exibem-se em bom nível. As suas performances estão imbuídas de uma força muito reveladora e íntegra, que salva um pouco do algo de desinteressante que o filme possa evidenciar. As restantes actrizes acompanham muito bem este duo de reconhecidas capacidades, e possuem os seus momentos próprios, por vezes impressionantes.

“Take Care of My Cat” é um filme honesto, mas que falta espectacularidade e atributos que prendam o espectador ao ecrã. Fez as maravilhas à cena crítica cinematográfica sul-coreana, muito por força se calhar de representar algo de fresco na saturada repetibilidade com que a indústria daquele país por vezes se depara. Reconhecendo alguns méritos a “Take Care of My Cat”, alinharemos pela maioria, ou seja grande parte do público sul-coreano. Sinceramente, não achamos nada de especial. Um produto de boas intenções e pouco mais.

As gémeas Biuriu e Ohnjo

“As gémeas Biryu e Onjoo”

imdb7.3 em 10 (1.193 votos) em 7 de Fevereiro de 2011

Avaliação:

Entretenimento – 7

Interpretação – 8

Argumento – 7

Banda-sonora – 7

Guarda-roupa e adereços – 7

Emotividade – 8

Mérito artístico – 7

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 6

Classificação final: 7,13

sábado, Dezembro 25, 2010

Sumo Do, Sumo Don't/Shiko funjatta - シコふんじゃった。(1992)

Capa

Origem: Japão

Duração aproximada: 105 minutos

Realizador: Masayuki Suo

Com: Masahiro Motoki, Misa Shimizu, Naoto Takenaka, Akira Emoto, Kaori Mizushima, Hiromasa Taguchi, Robert Hoffman, Kentarô Sakai, Masaaki Takarai, Ritsuko Umemoto, Masaru Matsuda, Hiroshi Miyasaka, Goro Takaoka, Naomasa Musaka, Fuyuki Murakami

A equipa do liceu

“A equipa do liceu, acompanhada de Natsuko”

Sinopse

No Japão, a juventude actual está mais interessada nos desportos ocidentais tais como o basebol, o futebol ou o basquetebol. O professor Anayama (Akira Emoto), um antigo campeão universitário de Sumo chantageia o seu aluno “Shuhei” (Masahiro Motoki), fazendo depender a sua licenciatura da condição de se juntar ao clube da modalidade, existente na universidade. O rapaz não consegue ver como se irá sair bem da história, considerando que não percebe nada de Sumo, além de ser magro.

Natsuko e o Prof. Tokichi

“Natsuko e o Prof. Tokichi”

Juntamente com outras personagens pouco convencionais, entre as quais “Smiley” (Robert Hoffman), um ocidental que só aceita lutar com calças, a equipa universitária começa a ganhar forma, embora os resultados sejam desastrosos pois nenhum dos elementos percebe alguma coisa do desporto em causa. Contudo, e gradualmente, as coisas começam a mudar de figura.

Shuhei e Natsuko

“Shuhei e Natsuko”

Review”

O Sumo é o desporto tradicional do Japão, com uma comprovada existência superior a 2000 anos e cujas raízes são associadas à religião xintoísta. Trata-se de uma modalidade que representa muito da identidade nacional do país do sol nascente, e que faz parte do dia-a-dia do seu povo. Contudo, e à semelhança do que acontece por todo o mundo, as tradições por vezes são difíceis de manter. Muito disto acontece pelo facto de os jovens não serem tão atreitos a preservar o que transitou dos seus antepassados para o presente, estando os seus interesses mais orientados para a modernidade e a inovação. Parece ser um facto praticamente consumado que a juventude japonesa parece estar mais orientada para prosseguir um estilo de vida ocidental, abandonando aos pouco o que de mais tradicional tem o seu país. “Sumo Do, Sumo Don't” é uma comédia do realizador Masayuki Suo que visa satirizar precisamente este aspecto, ou seja, a relação dos jovens do Japão com um desporto que acontece ser um poderoso símbolo da nação. À altura, esta película teve uma aceitação francamente favorável, tendo sido a grande vencedora da 16ª edição do certame dos “Japan Academy Prize”, ocorrido no ano de 1993.

Com uma linha argumentativa simples, “Sumo Do, Sumo Don't” é um exercício bem sucedido, onde não se envereda pela comédia fácil, mas sim por uma reflexão bem humorada não apenas acerca da relação dos jovens com o Sumo, mas igualmente por outros dois importantes temas.

O primeiro prende-se com a mensagem de as diferenças culturais entre o Ocidente e o Oriente serem perfeitamente (re)conciliáveis. Neste particular, a personagem de “Smiley”, interpretada por Robert Hoffman, é o catalisador da acção. O “gaijin” (expressão que designa “forasteiro” para os japoneses), não tem uma atitude favorável para com o Sumo. Isto é exemplificado pelo facto de se recusar a envergar a indumentária tradicional do Sumo, querendo combater com calças. No final, e como seria de prever, “Smiley” muda a sua atitude e acaba por agradecer aos seus colegas o facto de finalmente ter entendido o espírito japonês.

A segunda premissa adicional importante, reconduz-se ao papel da mulher no Sumo. É ponto assente, que este desporto é um domínio dos homens. “Sumo Do, Sumo Don't” é considerado o primeiro filme, onde podemos ver não apenas uma mulher entrar no ringue, mas igualmente combater (disfarçada e através de um estratagema, é certo). Isto acontece quando “Masako” (personagem a cargo da actriz Masako Mamiya) combate em substituição de “Haruo” (Masaaki Takarai), um membro da equipa que se tinha lesionado.

Aoki

“Aoki”

O elenco, liderado por Masahiro Motoki que tivemos oportunidade de ver na obra-prima do cinema japonês “Okuribito – Departures”, comporta-se à altura. Não existem momentos de antologia a nível de interpretação, mas sim uma fluidez saudável que se aplaude. No que concerne aos momentos mais cómicos, e existem bastantes, estaremos perante um filme inteligente e despretensioso, que nos sensibilizará em alguns momentos. Pense-se apenas na constituição física de alguns dos membros da equipa, autênticos “trinca-espinhas”, que nunca na vida deteriam corpo para praticar um desporto como o Sumo, que exige, entre outras coisas, peso e robustez.

“Sumo Do, Sumo Don't”, é um filme com uma grande dose de entretenimento, que aborda de forma interessante a juventude japonesa, as relações entre diferentes culturas e o papel importante da mulher na evolução da sociedade japonesa. Diverte sem ofender, e transmite uma série de mensagens significativas que perduram na nossa memória. Face ao exposto, e parabenizando Masayuki Suo pela competente realização, resta-me apenas aconselhar esta obra que já detém 18 anos de existência, mas com uma actualidade vibrante.

Luta

“Shuhei em combate”

imdb7.1 em 10 (290 votos) em 25 de Dezembro de 2010

Avaliação:

Entretenimento – 8

Interpretação – 7

Argumento – 7

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 8

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 7,88

sexta-feira, Dezembro 24, 2010


Nos últimos tempos o "My Asian Movies" não tem sido actualizado com a frequência normal e regular, como era habitual e que eu certamente gostaria. Tal se deve a motivos de ordem pessoal, que me têm roubado algum tempo, algum dele usado para trabalhar neste blogue. Por outra via, a inspiração para o visionamento dos filmes, assim como para elaborar os correspondentes textos ultimamente não tem sido muita, confesso. De qualquer forma, asseguro-vos que o "My Asian Movies" continua bem vivo, e aguarda-se que tenha um novo e pujante fulgor para o novo ano que se avizinha. No entanto, o motivo principal para este "post" é outro. A época que se vive e o frequente e entusiástico apoio que este espaço tem recebido, fazem com que seja um imperativo que o administrador deste blogue deixe aqui expressosos seus agradecimentos aos que fiel e desinteressadamente aqui me visitam. Do fundo do coração, desejo um FELIZ E SANTO NATAL E VOTOS DE UM PRÓSPERO ANO NOVO DE 2011 para todos, sem excepção.

quinta-feira, Dezembro 09, 2010

Go For It, India!/ Chak De! India - चक दे इंडिया (2007)

Capa

Origem: Índia

Duração aproximada: 153 minutos

Realizador: Shimit Amin

Com: Shahrukh Khan, Vidya Malvade, Sagarika Ghatge, Shilpa Shukla, Chitrashi Rawat, Tanya Abrol, Anaitha Nair, Arya Menon, Shubhi Mehta, Kimi Laldawla, Masochon Zimik, Sandia Furtado, Nichola Sequeira, Kimberly Miranda, Seema Azmi, Raynia Mascerhanas, Nisha Nair

Kabir Khan 2

“Kabir Khan”

Sinopse

Após falhar um penalty crucial contra o Paquistão, na final do campeonato do mundo de hóquei em campo, “Kabir Khan” (Shahrukh Khan) é banido pela federação do seu país e visto como um traidor pelos seus conterrâneos. Apenas resta a “Kabir” sair do seu meio, e conjuntamente com a mãe, parte para um destino desconhecido, de forma a evitar a constante pressão negativa de que é alvo.

Kabir dâ uma desanca em Preeti

“Kabir desanca Preeti”

Sete anos depois, “Kabir” tem uma segunda hipótese de se redimir, quando é convidado para treinar a selecção nacional de feminina que irá participar no campeonato mundial de hóquei em campo na Austrália. No entanto, a tarefa não se afigura nada fácil, pois as raparigas, provenientes de diferentes estados indianos, com fortes clivagens culturais, possuem personalidades muito diferentes, o que gera conflitos entre elas e delas com o treinador. “Kabir” tem pela frente a tarefa mais difícil que encontrou, mas não desanima.

Corrida 3

“Treino tendo como pano de fundo a India Gate”

Review”

“Chak De! India” recebeu grande aclamação no país natal, sendo considerado com propriedade um exemplo de um filme que contempla a nova vaga de “Bollywood”, onde os elementos mais tradicionais mesclam-se com um tipo de cinema mais contemporâneo, sendo por este motivo mais atractivo e atreito a uma internacionalização. O “frisson” despertado, especialmente entre os meios desportivos, constitui um trunfo para esta película, e imagine-se, despertou a consciência da nação para a necessidade de reavivar a federação indiana de hóquei em campo, desporto com tradição naquele país, que havia sido suspensa em 2008. Um famoso jogador de hóquei em campo indiano viria mesmo a afirmar que a Índia tinha de fazer uma equipa à imagem da exibida em “Chak De! India”, onde se recrutavam jogadores (as) de várias partes do país, unificando-os numa força poderosa e determinada. O que é sempre de salutar, passa pelo facto desta película embrenhar-se em temas recorrentes, mas actuais, tais como as diferenças religiosas, a discriminação regional e étnica e o sexismo ainda bastante presente na Índia actual.

“Chak De! India”, é o típico filme cujo tema versa acerca de uma modalidade desportiva em particular, onde as probabilidades de determinada equipa vencer algo são ínfimas, mas que à custa de muito labor, querer e até alguma dose de sorte, o caminho para a glória é efectivado. A única diferença, mas de bastante relevo neste caso em concreto, é que aqui a velha fórmula resulta muito bem.

Shahrukh Khan é o líder de um grupo de actores, ou melhor, actrizes, que não pertencem ao panteão maior dos intérpretes de “Bollywood”. No entanto não se pense, ao contrário do que aconteceu em muitos outros filmes, que Khan tem um protagonismo desmesurado. É certo que uma das estrelas maiores do cinema de Mumbai, assume as despesas principais desta longa-metragem, contudo um dos méritos do realizador Shimit Amin passa por conferir destaque às jogadoras da selecção indiana, dando desta forma um fulgor muito apreciável a “Chak De! India”. É através destas mulheres que incide muita da parte do argumento que se centra nas diferenças culturais existentes na Índia, e que, através de Khan, aqui assumindo-se como baluarte da nação e do orgulho indiano, é desfilada uma mensagem claramente anti-divisionista e que apela à união de todos aqueles que nasceram no imenso pais. Khan, contudo, tem uma actuação merecedora de elogios, e que foge imenso ao estereótipo criado por outras longas-metragens que protagonizou. A diversidade, regra geral, é uma coisa positiva e possui grandes potencialidades de agradar no que à sétima arte diz respeito. A equipa indiana neste aspecto é muito bem estruturada e cativa imenso a atenção do espectador. “Somoi” (Nisha Nair) do estado de Jharkand, a temível “Nethra” (Sandy Furtado) de Andhra, a leoa do Punjab “Balbir” (Tanya Abrol), a minúscula “Komal” (Chitrashi Rawat), a veterana e conflituosa “Bindia” (Shilpa Shukla), a bondosa e capitã de equipa “Vidya (Vidya Malvade) e a bela “Preeti” (Sagarika Ghatge) são personagens que com a sua história de vida, dotam a película de um interesse inegável.

A equipa 2

“A selecção feminina da Índia”

O argumento, como já acima foi aflorado, não assenta em qualquer tipo de ideia inovadora. Contudo, e no meio da sua simplicidade, resulta. Existe uma aura de honestidade, frescura e até moralidade que nos conquista quase de imediato, e que nos acompanhará até ao epílogo de “Chak De! India”. As miúdas lutam por algo que só elas acreditam e mais ninguém, desfilando um sentido de honra que todas as dificuldades vence, e que se mantém impenetrável perante todos os obstáculos que se lhes deparam, graças ao trabalho arriscado mas louvável do treinador “Kabir Khan”. Um aspecto que importa sobretudo focar é a mensagem anti-sexista transmitida por “Chak De! India”, fazendo com que esta longa-metragem seja um verdadeiro ícone feminista que luta contra a visão da mulher servil, infelizmente ainda bastante comum na Índia actual. E a lição que “Preeti” dá ao seu namorado, um jogador de “cricket” convencido, que despreza o papel activo das mulheres na sociedade e a importância do hóquei em campo, é memorável.

“Chak De! India” acaba por ser um filme algo atípico no contexto de “Bollywood”, vindo na esteira da nova vaga de películas que de há uns anos para cá tem emergido na cena da sétima arte de Mumbai. Não existem as habituais coreografias de dança, mas sim uma banda-sonora de elevadíssima qualidade. Existe um ténue afloramento do romance, assim como uma omissão total dos maus da fita, nem tão-pouco um glamour exagerado. Estamos perante, isso sim e na minha modesta opinião, um dos mais fortes produtos provindos da maior indústria de cinema do mundo.

A não perder!!!

Golo contra a Coreia do Sul

“Golo!!!”

imdb8 em 10 (5.462 votos) em 09 de Dezembro de 2010

Avaliação:

Entretenimento – 9

Interpretação – 7

Argumento – 7

Banda-sonora – 9

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 9

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 8

Classificação final: 8,13

quarta-feira, Dezembro 08, 2010

Beldades da Cultura Asiática - Sagarika Ghatge










Uma belíssima actriz da cena de Bollywood. Mais informações AQUI.