"My Asian Movies" マイアジアンムービース
"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!
Segunda-feira, Novembro 09, 2009
Domingo, Novembro 08, 2009
“Testemunhos” de H. (“O Véu Pintado”)
Para iniciar a rubrica “Testemunhos”, convidei a H., a administradora do blogue “O Véu Pintado” (para aceder, basta clicar na imagem acima). Apesar da sua juventude, H. já é uma veterana na blogosfera, tendo tido sob os seus comandos anteriormente alguns blogues de cinema mais generalista, dotados de excelente qualidade. Colaborou na difusão do cinema asiático, auxiliando o saudoso blogue “Cine-Asia”, infelizmente no presente fora de actividade. Igualmente, publicou artigos para revistas cujo escopo se norteia pela sétima arte, e não só. Pessoalmente adoro o seu estilo de escrita, para além do cuidado e coerência com que dota as suas exposições. O seu projecto actual, o blogue “O Véu Pintado”, não se limita a debruçar-se sobre o cinema asiático, mas possui um objecto muito mais abrangente: a cultura chinesa, incluindo as suas regiões administrativas, dotadas de autonomia. Igualmente foca-se sobre Taiwan, onde a H. esteve recentemente (Nota pessoal: estou a morrer de inveja!), assim como a diáspora das citadas culturas pelo mundo inteiro. Ocasionalmente, temas sobre outros países asiáticos também são tratados. Gentilmente, como é seu apanágio, a H. acedeu a partilhar aqui algumas das suas opiniões. O resultado segue já abaixo.
“My Asian Movies”: O que achas que distingue genericamente a cinematografia oriental das demais?
H. : Depende dos autores e dos filmes, mas diria as (diferentes) formas de olhar a(s) realidade(s) social(is).
“M.A.M.”: O que te fascina mais neste tipo de cinema?
H. : Pegando na resposta anterior: as formas de olhar a(s) realidade(s) social(is) (no passado e no presente).
“M.A.M.” : Tens ideia de qual o primeiro filme oriental que visionaste?
H. : Provavelmente “O Tigre e o Dragão” quando estreou nos cinemas portugueses, filme que me suscitou um enorme interesse e vontade de descobrir outros filmes asiáticos, chineses em particular.
“M.A.M.”: Qual o país que achas, regra geral, põe cá para fora as melhores obras? No fundo, a tua cinematografia oriental favorita?
H. : Taiwan, pela capacidade particular de reflectir e explorar filmicamente a sua história e a sua identidade cultural (mas ressalvo que o meu conhecimento de algumas cinematografias asiáticas, como por exemplo a filipina ou a tailandesa, é bastante limitado).
“M.A.M.”: E já agora, qual o género com o qual te identificas mais? És mais virada para o drama, épico, wuxia, “Gun-fu”...
H. : Dramas e documentários.
“M.A.M.”: Uma tentativa de top 5 de filmes asiáticos?
H. : Difícil… entre mais antigos e mais recentes, não consigo fazer um top da Ásia no geral, pelo menos sem ser por país, por isso escolho apenas 5 autores da Ásia que aprecio particularmente:
Jia Zhang Ke, Wong Kar Wai, Hou Hsiao Hsien, Yasujiro Ozu, Abbas Kiarostami
“M.A.M.”: Realizador asiático preferido?
H. : Jia Zhang Ke
“M.A.M.”: Já agora, actor e actriz?
H. : Actor: Tony Leung Chiu Wai
Actriz: Gong Li
“M.A.M.”: Um filme oriental sobrevalorizado e outro subvalorizado?
H. : Sobrevalorizado: “Herói”, de Zhang Yimou
Subvalorizado: “Sedução, Conspiração”, de Ang Lee (embora o problema seja mais com os “desconhecidos” que com os “subvalorizados”)
“M.A.M.”: A difusão do cinema oriental está bem no teu país, ou ainda há muito para fazer?
H. : Em Portugal a difusão é bastante má, mas sempre vão existindo iniciativas meritórias como as mostras da Zero em Comportamento ou a presença de alguns filmes asiáticos em festivais de cinema, como o Fantasporto, o IndieLisboa ou o DocLisboa. A difusão no circuito de estreias comerciais é lamentável e no mercado de DVD bastante limitada.
“M.A.M.”: Que conselho darias a quem tem curiosidade em conhecer o cinema oriental, mas sente-se algo reticente?
H. : Ver filmes, vários. Eles falam por si. Não há “cinema asiático” há “cinemas asiáticos”. Nem num só país há uma produção homogénea, creio. Por isso vejam muitos e diferentes filmes e tenho a certeza que, algures pelo caminho, se vão fascinar também.
Nota: Desde já agradeço imenso, a prontidão com que outros administradores de blogues e não só, já colaboraram nas entrevistas. Como a rubrica “Testemunhos” será semanal, as suas entrevistas acabarão por ser aqui publicadas.
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Jorge Soares Aka Shinobi
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12:34 PM
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Etiquetas: Testemunhos
Sábado, Novembro 07, 2009
Rubrica "Testemunhos"
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
em
6:08 PM
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Etiquetas: Testemunhos
Friend/Chingoo – 친구 (2001)
Origem: Coreia do Sul
Duração: 116 minutos
Realizador: Kwak Kyung-taek
Com: Yu Oh-seong, Jang Dong-kun, Seo Tae-hwa, Jeong Un-taek, Kim Bo-kyeong, Gi Ju-bong, Ju Hyeon, Chang Yun
“Os 4 amigos. Da esquerda para a direita: Sang-taek, Joon-suk, Dong-su e Jong-ho”
Sinopse
Em 1976, na cidade de Busan (também conhecida por Pusan), quatro jovens são amigos inseparáveis e partilham todos os seus momentos bons e maus. Cada um deles, possui uma personalidade muito própria e distinta dos demais. “Joon-suk” (Yu Oh-seong) é o filho de um líder Jopok (crime organizado sul-coreano), e o lutador mais destemido do grupo. “Dong-su” (Jang Dong-kun) sofre de um complexo de inferioridade, devido ao seu pai ser coveiro. De forma a ultrapassar a sua insegurança, exterioriza uma personalidade muito forte e faz tudo para impor a sua vontade. Torna-se no braço direito de “Joon-suk” no seu “gang” de jovens delinquentes, e apesar de serem bons amigos, existe sempre uma grande tensão entre ambos quando se encontram sós. “Jong-ho” (Jeong Un-taek) é o bobo da corte, e tudo faz para divertir o grupo. Por fim, “Sang-taek” é o estudante modelo, que apesar de prezar os amigos como irmãos, evita certo tipo de actividades, e evidencia óptimos resultados escolares. As experiências dos amigos acompanham o evoluir dos tempos de então, de que constitui exemplo o depararem-se com o primeiro vídeo-gravador, que usam para visionar “pinku eiga” japoneses, um género erótico cujo começo da popularidade remonta aos anos '60-'70.
“Joon-suk enfrenta um grupo de rivais”
Com o passar dos anos, o grupo separa-se, enveredando por caminhos diversos. “Sang-taek” e “Jong-ho” continuam os seus estudos na universidade, enquanto que “Joon-suk” e “Dong-su” desistem da escola e seguem a sua vida em organizações criminosas distintas. Em relação a estes últimos o conflito torna-se inevitável e uma guerra de personalidades deflagra. “Sang-taek” e “Jong-ho” tentam, em nome da amizade resolver as diferenças entre aqueles a quem consideram irmãos, mas o correr de sangue parece inevitável.
“Sang-taek ampara Joon-suk”
“Review”
Quando “Friend” viu a luz do dia, tornou-se quase instantaneamente no filme mais bem sucedido de sempre nas bilheteiras da Coreia do Sul, ostentando um orgulhoso recorde de mais de 8 milhões de sul-coreanos nas salas de cinema do país. Entretanto, e como o cinema é uma actividade extremamente dinâmica, “Friend” neste particular já foi batido por “Silmido”, “Taegukgi”, “The King and the Clown”, “Speedy Scandal” e “The Host”. Contudo, é indesmentível que estamos perante um marco do cinema daquelas paragens. A película é uma espécie de semi-autobiografia do realizador Kwak Kyung-taek, onde este disserta acerca da experiência com os seus amigos, ocorrida em anos passados na sua cidade natal, que é precisamente Busan.
Normalmente costuma-se dividir “Friend” em duas partes, embora ache mais adequado autonomizar uma terceira. A primeira incide sobre a meninice dos amigos, onde experimentam as vivências comuns das crianças e acompanham com intensa curiosidade as novidades que se lhes vão deparando. Pense-se no vídeo-gravador que põe atónitos os miúdos, ou os filmes “pink” que ajudam o seu despertar para a sexualidade. A segunda parte, a que julgo merecer honras de apreciação própria, foca-se na adolescência dos intervenientes. Aqui começamos a nos aperceber de qual será o rumo que cada um irá tomar na sua vida, existindo uma bipartição no grupo. Enquanto “Jong-ho” e principalmente “Sang-taek”, parecem caminhar no rumo certo, obtendo resultados aceitáveis nos estudos, “Joon-suk” e “Dong-su” abandonam a escola e começam aos poucos a se impor como criminosos. No entanto, a amizade mantém-se, apesar de se notar uma tensão crescente entre estes dois últimos. Por fim, a terceira parte reconduz-se ao reencontro dos amigos, em circunstâncias adversas, onde “Joon-suk” e “Dong-su” estão em “gangs” de Jopok rivais, e a tensão está prestes a eclodir. A apreciação geral do argumento é positiva, embora se admita que o mesmo não é constante e por certas vezes se afigure algo desequilibrado. A primeira parte é sem dúvida a mais constante, onde é recriada uma Busan dos anos setenta, que me parece bastante fidelizada e onde apreciamos imenso a construção da personalidade dos jovens e a sua interacção. A segunda e terceira partes, embora mais emotivas, desembocam mais num filme Jopok, que será o equivalente sul-coreano às películas Yakuza no Japão, ou das Tríades na cinematografia de Hong Kong. Nada de mal existe nisto, até porque o autor deste texto é particularmente atreito ao género. Simplesmente nesta fase, “Friend” incide muito mais sobre a relação amor-ódio existente entre os amigos que degeneram para a delinquência, “Joon-suk” e “Dong-su”. Em consequência, os restantes elementos do quarteto que não descarrilaram, a saber, “Jong-ho” e “Sang-taek”, são menorizados na trama e em certos momentos, quase erradicados. Este factor provoca uma certa descompensação, porquanto é-nos incutido uma forte relação a quatro, desde o início da película.
“Dong-su contempla o mar, acompanhado por um capanga”
Não obstante a transformação do drama juvenil, para o filme Jopok, as cenas de acção e a tensão crescente entre as facções rivais, são algo digno de se ver. Embora embrenhada de alguns clichés próprios do género, é interessante acompanhar os meandros do crime organizado sul-coreano, muito centrado em certas actividades aparentemente fidedignas e legais, como o sector das pescas ou a construção civil. O “vai, não vai” entre os dois outrora amigos e agora rivais, funciona bem, e consegue-nos incutir algumas dúvidas sobre se a violência efectivamente vai grassar entre ambos. Mesmo sabendo que, inevitavelmente, tal terá de acontecer. Os momentos dedicados à luta das facções criminosas são muito efectivos e realistas, destacando-se a que intervém “Dong-so” quase no epílogo do filme, que almeja causar alguns arrepios e porque não dizê-lo, compaixão.
Com interpretações bastante competentes e uma cinematografia radiosa, “Friend” é mais um bom produto da escola da Coreia do Sul. Pode não estar no topo, mas rege-se pela bitola do bom, num plano mais elevado. O ano de 2001, foi de viragem para a cinematografia da Coreia do Sul, onde apareceram muitos obras de grande respeitabilidade, onde destacaria o grandioso “Failan”. “Friend” é passível de ser considerado como um dos grandes responsáveis deste momento bom e que viria a ser catalisador para que outras futuras longas-metragens sul-coreanas vissem a luz do dia e o caminho para a maior internacionalização começasse.
Vale a pena conferir!
“Dong-su em apuros”
The Internet Movie Database (IMDb) link
Avaliação:
Entretenimento – 8
Interpretação – 8
Argumento – 7
Banda-sonora – 8
Guarda-roupa e adereços – 8
Emotividade – 8
Mérito artístico – 8
Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7
Classificação final: 7,75
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
em
5:34 PM
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Etiquetas: Chang Yun, Coreia do Sul, Drama, Gi Ju-bong, Jang Dong-kun, Jeong Un-taek, Ju Hyeon, Kim Bo-kyeong, Kwak Kyung-taek, Seo Tae-hwa, Yu Oh-seong
Quarta-feira, Novembro 04, 2009
Beldades do Cinema Asiático - Nanase Aikawa




Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
em
10:28 PM
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Etiquetas: Beldades do cinema asiático, Nanase Aikawa
Domingo, Novembro 01, 2009
Be With You/Ima, ai ni yukimasu - いま、会いにゆきます (2004)
Origem: Japão
Duração: 119 minutos
Realizador: Nobuhiro Doi
Com: Yûko Takeuchi, Shido Nakamura, Akashi Takei, Karen Miyama, Yosuke Asari, Yuuta Hiraoka, Chihiro Otsuka, Mikako Ichikawa, Katsuo Nakamura, You, Suzuki Matsuo, Fumiyo Kohinata, Tokimasa Tanabe, Kei Tanaka
“Uma família feliz”
Sinopse
“Takumi” (Shido Nakamura) vive com o seu filho de seis anos “Yuji” (Akashi Takei), e ambos estão de luto pela morte de “Mio” (Yûko Takeuchi), a sua amada esposa e mãe, respectivamente. O viúvo não tem muito jeito para cuidar da criança, mas dá o seu melhor apesar de se encontrar debilitado por uma doença que lhe afecta um pouco a locomoção. Como resultado da sua enfermidade, “Takumi” evita grandes multidões e vive uma vida um tanto ou quanto solitária. O jovem “Yuji” encontra-se algo desapontado com as limitações do seu progenitor, mas não deixa de o apoiar em tudo o que este leva a cabo.
“Takumi e Mio brincam com o seu filho Yuji”
No seu leito de morte, “Mio” fez uma estranha promessa aos dois homens da sua vida. Garantiu que retornaria por ocasião da estação da chuva. Compreensivelmente, “Takumi” mostra-se céptico em relação à afirmação da sua esposa, mas “Yuji” nem por isso. No primeiro aniversário da morte de “Mio”, em plena estação da chuva, pai e filho passeiam pelos bosques na imediação da sua casa. Surpreendentemente, acabam por se deparar com uma mulher que é exactamente igual a “Mio”, e que parece sofrer de amnésia. Encorajados pela sua descoberta, “Takumi” e “Yuji” encaminham a mulher para a sua habitação, convencendo-a que ela é um elemento da sua família e que perdeu a memória.
A felicidade volta ao lar, e “Mio” reassume o seu papel como esposa e mãe, impregnando uma dinâmica nova ao lar. “Takumi”, numa tentativa de apelar às recordações da sua esposa, conta-lhe a história de como a conheceu e de como ambos se apaixonaram. Contudo, nem tudo o que é bom dura para sempre e todos ficam com a percepção que mal finde a estação das chuvas, a reunião dos três irá acabar e “Mio” partirá outra vez e para sempre.
“Aio e Mio partilham recordações”
“Review”
Baseado no “best seller” escrito Ichikawa Takuji, o filme “Be With You” já é considerado uma instituição no campo do drama asiático em geral e do nipónico em particular. Apesar de se encontrar imbuído de uma propositada manipulação sentimental, assim como poderá incorrer em algum excesso dramático, é uma experiência inesquecível desde o primeiro segundo até aos créditos finais. Dotado de um charme irresistível, embora simples e a leste de qualquer pretensiosismo, trata-se de uma película com uma envolvência e uma profundidade inolvidável e que quebrará a resistência dos corações mais empedernidos.
Antes de tudo, “Be With You” é uma ode ao amor, seja ele exteriorizado entre um casal apaixonado, como na sua componente paternal ou filial. E num misto de separação e reencontro, existe desde logo uma importante lição de vida a retirar do contexto desta longa-metragem. É essencial valorizarmos cada segundo que passamos com todas as pessoas pelas quais nutrimos verdadeiramente um amor ou amizade incondicional. É certo que em “Be With You” é escolhida uma trama que, à partida, se afigura inverosímil, e que roça por vezes um transcendental que parece desadequado ao contexto geral desta obra. Todavia, a forma como a evolução do argumento decorre perante nós, faz com que nos apercebamos que estamos perante uma história belíssima e que numa suave fluidez, cumpre plenamente os seus propósitos.
Muito ajuda à credibilidade de uma história com um elemento fantástico determinante (o retorno de “Mio” da morte), a grande performance dos actores principais. Yûko Takeuchi é a âncora da película, evidenciando uma actuação irrepreensível. A bela actriz japonesa destila força, graça e um calor humano abrasador, fazendo com que a personagem de “Mio” se traduza como o elo inquebrável que todos une e acolhe no seu regaço. O jovem Akashi Takei é uma criança querida, cujos actos sinceros, próprios de qualquer miúdo em idade da escola primária, nos enternecem ao ponto máximo. Ele necessita da sua mãe, sonha com a sua presença, vive um sonho impossível de concretizar que é o retorno de “Mio” e a sua esperança torna-se realidade. Até parece que os anseios de um petiz não conhecem limites e realizam verdadeiros milagres, Akashi Takei personifica uma criança cujo espírito forçosamente terá de ser admirado. Shido Nakamura, um actor que pessoalmente aprecio imenso, desponta num “Takumi” limitado, mas que força a nossa compaixão. Uma alma bondosa, ciente das suas incapacidades, que em nome do amor tenta dar tudo o que tem e não tem. Nakamura põe alma na sua actuação e espalha uma importante mensagem para aqueles que são mais pessimistas ou cujo rumo da vida anda meio perdido. Apesar de, em maior ou menor medida, possuirmos limitações, é possível encontrarmos o caminho para a felicidade. O grande mérito de Nakamura é fazer-nos acreditar que é sempre possível fazermos algo mais. Mesmo que no fim, subsista teimosamente a impressão que “Takumi” é sempre dependente de alguém, num caso de “Mio”, mais tarde de “Yuji”, é importante frisar que o homem, através da sua dedicação possibilitou que tanto mulher como o filho pudessem contribuir para o seu bem-estar. Shido Nakamura e Yûko Takeuchi casariam após a rodagem de “Be With You”, e quem sabe se o profícuo sentimentalismo exteriorizado pelos filmes e seus protagonistas, não os influenciou.
“Beijo num campo de girassóis”
A par da significativa actuação do trio familiar, “Be With You” tem outros condimentos que elevam esta obra para uma dimensão superior. Possui uma fotografia e um uso de cores fantástico, que se expressa em tantos momentos, que seria aqui exaustivo identificar um por um. Destacaria, por colherem a minha preferência pessoal, o beijo de “Takumi” e “Mio” no campo de girassóis, rodeados por uma aura dourada tão significativa, parecendo que a própria alma do astro-rei ter-se-ia dignado a marcar a sua presença na terra. Os interlúdios da chuva, em paisagens de sonho, sejam os bosques como o lago, constituem momentos únicos e extremamente inspiradores. A adequada banda-sonora, faz o resto, embora se estranhe um pouco a música do genérico final, a cargo do grupo japonês de rock alternativo “Orange Range”, que me parece um tanto ou quanto desenquadrada. O que é certo é que essa melodia, de seu nome “Hana” (traduz-se literalmente por “flor”), foi o single mais vendido no país do sol nascente em 2005.
“Be With You” é verdadeira poesia viva e em movimento. Sob o diapasão do reencontro e da importância dos entes queridos na nossa vida, é um festival de pormenores e momentos que indelevelmente marcam a alma. Exterioriza uma feliz simbiose entre a vivência humana e a natureza, numa combinação extremamente feliz. A chuva, os bosques, a ambiência urbana minimalista andam de mãos dadas com o elogio à maternidade, aos valores familiares e acima de tudo à capacidade de de amar que qualquer ser humano, indubitavelmente, possui. Infelizmente, o costumeiro “remake” americano já está na forja, onde a actriz Jennifer Garner despontará no papel principal. “Ima, ai ni yukimasu”, o título da película, significa algo como “agora mesmo, eu irei ter contigo”. Façam pois o favor de pegar em vós mesmos e irem descobrir esta magnífica obra de cinema.
“…agora mesmo, eu irei ter contigo”
The Internet Movie Database (IMDb) link
Outras críticas em português:
Avaliação:
Entretenimento – 8
Interpretação – 9
Argumento – 8
Banda-sonora – 8
Guarda-roupa e adereços – 8
Emotividade – 10
Mérito artístico – 9
Gosto pessoal do “M.A.M.” – 8
Classificação final: 8,50
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
em
12:46 PM
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Etiquetas: Akashi Takei, Chihiro Otsuka, Drama, Japão, Karen Miyama, Mikako Ichikawa, Nobuhiro Doi, Shido Nakamura, Yosuke Asari, Yuko Takeuchi, Yuuta Hiraoka
Quinta-feira, Outubro 29, 2009
Beldades do Cinema Asiático - Aoi Miyazaki
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
em
9:09 PM
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Etiquetas: Aoi Miyazaki, Beldades do cinema asiático












