"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!

Mostrar mensagens com a etiqueta Testemunhos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Testemunhos. Mostrar todas as mensagens

sábado, maio 08, 2010

“Testemunhos” de Raphael Aka “Pinhead” (Meia-Noite no Templo de Shaolin)

Foto 2

O convidado desta semana é o Raphael Dias, também conhecido por “Pinhead”, em homenagem à célebre personagem do filme de terror “Hellraiser”. O Raphael é um devoto fã das películas orientais, em especial das que versam sobre artes marciais e o “kung fu old school”. O Raphael actualmente anda um pouco arredado das lides da blogosfera, sendo a sua última experiência (que seja do meu conhecimento) o blogue “Meia- noite no Templo” de Shaolin” (para aceder clicar na foto acima). Pessoalmente, fico bastante feliz que o Raphael tenha acedido a responder às minhas perguntas, pois além de eu já ter tomado contacto com ele há algum tempo, ele percebe e sabe bem do que fala.

Abaixo segue o resultado da entrevista.

“My Asian Movies”: O que achas que distingue genericamente a cinematografia oriental das demais?

Raphael Dias: O que fez eu me encantar pelo cinema asiático sempre foi a ousadia do cinema oriental, ao contrário da grande maioria dos ocidentais que sempre tentavam agradar a todos os públicos e assim formatando seus filmes para que não agredissem à censura ou aos estômagos sensíveis do publico o cinema asiático nunca teve medo de ser visceral, amoral e brutal.

Em outras palavras enquanto o cinema ocidental é um tapa de mão aberta no rosto o cinema asiático é uma pedrada na cara.

“M.A.M.”: O que te fascina mais neste tipo de cinema?

R.D. : Tentar sem medo de errar, diretores e atores que nunca tiveram medo de exagerar, nem sempre acertam é verdade, mas nunca tiveram medo de executar suas idéias, mesmo que elas parecessem absurdas.

“M.A.M.”: Tens ideia de qual o primeiro filme oriental que visionaste?

R.D. : Não tenho certeza, me lembro que o primeiro filme de kung-fu que assisti foi o Snake in the Eagle´s Shadow com Jackie Chan, mas se eu não me engano antes eu já tinha assistido o clássico da animação Akira de Katsuhiro Otomo.

“M.A.M.”: Qual o país que achas, regra geral, põe cá para fora as melhores obras? No fundo, a tua cinematografia oriental favorita?

R.D. : Acho que o país que sempre manteu um nivel de boas obras foi o Japão, em épocas como o final da década de 70 e o "boom" do cinema de kung fu a China/Hong-Kong/Taiwan tiveram sem dúvida a maior quantidade de bons filmes, porém com a década de 90 e o sucesso de Once Upon a Time in China os filmes de "wire-fu" infestaram o cinema e como eu nunca fui muito fã do gênero eu me sinto decepcionado ao analisar tal década. Enquanto isso o Japão sempre teve bons filmes em todas as décadas em um grande leque de gêneros, da ficção cientifica (com os filmes do Godzilla, Gamera e similares) até ao explotation visceral (como a doentia série Guinea Pig), passando pelas artes marciais (com Sonny Chiba e Etsuko Shiomi) e os excelentes filmes de Yakuza.

Mas no fundo, Hong Kong vai ser sempre o meu país favorito, graças a década de ouro dos filmes de kung-fu.

“M.A.M.”: E já agora, qual o género com o qual te identificas mais? És mais virado (a) para o drama, épico, wuxia, “Gun-fu”...

R.D. : Escolher apenas um gênero é uma tarefa impossivel, os filmes de kung-fu me acompanham desde minha infância o que fez eu nutrir certo carinho pelo gênero, porém, mesmo tendo me aprofundado no gênero já com certa idade eu sinto um enorme apreço pelo cinema gore/explotation, a dêmencia e o bizarrice sempre me agradaram hahaha.

“M.A.M.”: Uma tentativa de top 5 de filmes asiáticos?

R.D. : Odeio essa tarefa, sempre me sinto mal por não citar todos meus filmes favoritos, mas acho que meu top 5 seria algo assim (sem ordem de preferência):

All Night Long, 1992, dir. Katsuya Matsumura

Confesso que a vingança sempre foi um dos meus temas favoritos nos filmes e All Night Long trata disso, a vingança de 3 jovens contaminados por uma sociedade decadente, fora que a musica tema é uma das musicas mais lindas do cinema.

Bullet in the Head, 1990, dir. John Woo

Woo foi responsável por verdadeiras obras-primas no gênero de ação com seus tiroteios, mas nenhum de seus filmes conseguiu ter um roteiro tão criativo e com tamanha intensidade quanto Bullet in the Head, aonde podemos perceber que os anos em que ele trabalhou sendo assistente do diretor Chang Che influenciaram a sua maneira de contar uma história, pois assim como o diretor Chang Che aqui ele conta uma linda história sobre a amizade e até onde você é capaz de ir por seus amigos.

Knockabout, 1979, dir. Sammo Hung

Yuen Biao em sua melhor forma, Sammo Hung no auge da sua criatividade e ainda temos todo o carisma de Leung Kar Yan, com certeza um dos filmes de kung-fu com personagens mais carismaticos e uma das lutas finais mais arrasadoras que eu já assisti.

The Victim, 1980, dir. Sammo Hung

Um filme que é infelizmente muitas vezes esquecido pelos fãs de kung-fu, novamente temos Sammo Hung e Leung Kar Yan, mas dessa vez a grande estrela é Leung Kar Yan um mestre de kung-fu que é perseguido pelo seu irmão adotivo, mas todos nós sabemos que em filme de kung-fu só existe uma maneira de resolver as coisas certo? A luta final desse filme é uma das poucas que podem competir com a luta final de Knockabout.

Police Story, 1985, dir. Jackie Chan

Acho que sem esse filme talvez eu não seria tamanho fã do cinema asiático como sou hoje (e provavelmente muitos outros atuais fãs do cinema asiático), não há muito o que dizer sobre esse que deve ter sido uma das maiores revoluções no cinema de ação.

Esse é um TOP 5 básico, é impossível fazer algo do gênero sem sentir que estou sendo injusto, mesmo com obras mais recentes como Oldboy e Ichi the Killer.

“M.A.M.”: Realizador asiático preferido?

R.D. : Chang Che, muitos costumam comparar filmes de kung-fu a filmes pornográficos, aonde tudo o que importa é a ação.

Chang Che é o diretor que conseguiu provar que era possível unir ótimas cenas de luta com um roteiro bem escrito.

“M.A.M.”: Já agora, actor e actriz?

R.D. : Meu ator favorito é com certeza o "irmão" mais novo de Sammo Hung e Jackie Chan, o baixinho Yuen Biao, um ator incrivelmente carismático, acrobático e com alguns dos chutes mais bonitos do cinema de ação, como diria uma frase que eu li em um site em sua homenagem: "Yuen Biao, little tiger... big talent!"

“M.A.M.”: Um filme oriental sobrevalorizado e outro subvalorizado?

R.D. : Um filme superestimado é com certeza o primeiro filme do falecido Bruce Lee, The Big Boss.

Eu entendo que foi uma revolução no cinema, eu entendo que na época ninguém chutava como ele, sério, eu consigo entender que foi uma diferença enorme dos filmes que antecederam Big Boss como The Chinese Boxer com Jimmy Wang Yu, mas isso não muda o fato de que é um filme sem sal, com lutas monótonas e um roteiro tão mal escrito que chega a ser ofensivo.

Já um filme que é subestimado (além do The Victim que eu já comentei no Top 5) é o Miracles, tambem conhecido como Mr. Canton and Lady Rose, com Jackie Chan. De todos os filmes da década de 80 do Sr. Chan esse é o menos comentado e por muitos nem mesmo conhecido, o que é um absurdo já que foi nesse filme que Jackie Chan conseguiu unir uma fotografia linda, um roteiro interessante, um visual genial e lutas extremamente criativas.

“M.A.M.”: A difusão do cinema oriental está bem no teu país, ou ainda há muito para fazer?

R.D. : Não mesmo, ainda ocorre um certo preconceito com o cinema asiático por parte do público e um medo das distribuidoras em investir nesse mercado, mas com um certo sucesso de filmes como Ong-Bak, Tom Yum Goong e Flashpoint já tivemos alguns lançamentos interessantes, tanto em animação (o lançamento de Akira em DVD), tokusatsu (lançamentos de Dengeki Sentai Changeman, Kyojuu Tokusou Jaspion, Sekai Ninja Sen Jiraiya), quanto em filmes (Ichi the Killer, Dynamite Warrior e o aparente interesse de uma distribuidora em re-lançar o catálogo da finada China Video).

“M.A.M.”: Que conselho darias a quem tem curiosidade em conhecer o cinema oriental, mas sente-se algo reticente?

R.D. : Corram atrás, pesquisem e leiam sobre esse cinema tão exótico, ainda mais com as facilidades da internet que permite assistir à aqueles filmes que não foram lançados em seu país, mas lembre-se que baixar filmes que foram lançados em seu país também prejudica aos fãs do cinema asiático, afinal de contas como podemos cobrar o interesse das distribuidoras em lançarem esses filmes se nós também não fazemos nossa parte?

terça-feira, abril 20, 2010

“Testemunhos” de Ulises (“Batto presenta…”)

imagem

O convidado desta semana vem da vizinha Espanha, e é colaborador do Battosai, no seu blogue “Batto presenta” (para aceder, clicar na foto acima), já anteriormente entrevistado neste espaço. O espaço do Battosai já era bastante bom quando o seu administrador deambulava sozinho por estas lides da blogosfera cinéfila, mas o contributo do Ulises veio ser uma inquestionável mais-valia para o “Batto presenta”. O Ulises escreve textos muito conhecedores e interessantes, e devido à sua entrada, temos a oportunidade de muitas vezes sobre o mesmo filme, vermos a perspectiva autorizada dos dois. É sempre extremamente positivo confrontarmos duas opiniões, nem sempre coincidentes, mas que apresentam argumentos muito satisfatórios.

Abaixo fica o resultado da entrevista.

“MY Asian Movies”: O que achas que distingue genericamente a cinematografia oriental das demais?

Ulises : Que deja que los espectadores saquen sus propias conclusiones, sin necesidad de explicar hasta el mínimo detalle las intenciones del director.

“M.A.M.”: O que te fascina mais neste tipo de cinema?

U. : Su libertad formal en comparación con el de otras latitudes.

“M.A.M.”: Tens ideia de qual o primeiro filme oriental que visionaste?

U. : No lo recuerdo, pero seguro que fue alguna de Bruce Lee.

“M.A.M.”: Qual o país que achas, regra geral, põe cá para fora as melhores obras? No fundo, a tua cinematografia oriental favorita?

U. : Japón, sin duda.

“M.A.M.”: E já agora, qual o género com o qual te identificas mais? És mais virado (a) para o drama, épico, wuxia, “Gun-fu”...

U. : El de temática "costumbrista".

“M.A.M.”: Uma tentativa de top 5 de filmes asiáticos?

U. : Not One Less (Zhang Yimou)

Tokyo Monogatari (Yasuhiro Ozu)

All About Lily Chou-Chou (Shunji Iwai)

Tengoku to jigoku (Akira Kurosawa)

Oldboy (Park Chan-wook)

“M.A.M.”: Realizador asiático preferido?

U. : Yasujiro Ozu.

De los actuales, Shunji Iwai

“M.A.M.”: Já agora, actor e actriz?

U. : Toshiro Mifune y Setsuko Hara.

De los actuales, Tadanobu Asano y Bae Du-na

“M.A.M.”: Um filme oriental sobrevalorizado e outro subvalorizado?

U. : Pregunta dificil. Sobrevalorizado diría la cinematografía en general de Takashi Miike. Subvalorizado, Munekata kyodai de Ozu.

“M.A.M.”: A difusão do cinema oriental está bem no teu país, ou ainda há muito para fazer?

U. : Muy mal. En España es dificilísimo que el cine oriental llegue a estrenarse de forma normal en salas de cine fuera de lo que son los festivales.

“M.A.M.”: Que conselho darias a quem tem curiosidade em conhecer o cinema oriental, mas sente-se algo reticente?

U. : Que no se deje llevar por estereotipos, que el cinel oriental tiene una variedad de registros que no tiene ninguna otra cinematografía en el mundo.

quinta-feira, abril 08, 2010

“Testemunhos” de Takeshi (“Age of Asia”)

Foto

O convidado desta semana é Takeshi, o administrador do blogue “Age of Asia” (para aceder, clicar na foto acima). O Takeshi é um visitante assíduo aqui do “My Asian Movies”, assim como eu sou do espaço dele. Vale bem a pena dar uma vista de olhos no “Age of Asia”, pois além da grande qualidade que possui, temos acesso a um conteúdo bastante diversificado, sobre as cinematografias asiáticas mais populares. Desde comentários sobre filmes e manga, passando por trailers e as sempre bem-vindas beldades asiáticas, podemos encontrar os temas que apreciamos mais no cinema que todos prezamos. Vale bem a pena dar uma espreitadela no blogue a que o Takeshi se dedica tanto e que esperamos que perdure por muito tempo!

Abaixo segue o resultado da entrevista.

“My Asian Movies”: O que achas que distingue genericamente a cinematografia oriental das demais?

Takeshi : Não dá para generalizar, o cinema oriental como qualquer outro é muito diversificado. O principal fator é a própria cultura asiática presente em pequenos detalhes do cotidiano e comportamento de seus personagens. Por mais que tenham passado por processos de ocidentalização (o próprio cinema é coisa do ocidente), não há como esconder que na maioria dos casos eles valorizam mesmo são as próprias tradições, embora de forma muito comercial, e nisso os asiáticos são grandes exploradores.

“M.A.M.”: O que te fascina mais neste tipo de cinema?

T. : Exatamente essa forma como o cinema asiático sabe explorar ao máximo o seu conteúdo comercial. A versatilidade e a improvisação também são características que eu gosto demais do cinema oriental. O suitmation substituindo o stop motion, o kung fu ou chambara no lugar do "bang bang" dos westerns ou as formas mais baratas de se fazer animações, etc.

“M.A.M.”: Tens ideia de qual o primeiro filme oriental que visionaste?

T. : Não me lembro qual foi o primeiro filme, mas no Brasil foram muito populares entre os meados das décadas de 1980 e início dos anos 1990 os seriados infantis de super-heróis japoneses, os "tokusatsus" que eram exibidos na TV, daí veio o meu gosto por "animes" e cinema asiático. Como sou descendente de japoneses isso ajudou a aumentar o meu interesse no assunto. Meu avô também costumava alugar VHS de filmes e novelas japonesas como o popular "Abarenbo Shogun" (http://wiki.d-addicts.com/Abarenbo_Shogun) há filmes para cinema baseados na série televisiva. Talvez tenha sido qualquer uma dessas produções.

“M.A.M.”: Qual o país que achas, regra geral, põe cá para fora as melhores obras? No fundo, a tua cinematografia oriental favorita?

T. : Para mim é a China, mais precisamente o cinema de Hong Kong, de lá saem os melhores filmes de ação.

“M.A.M.”: E já agora, qual o género com o qual te identificas mais? És mais virado (a) para o drama, épico, wuxia, “Gun-fu”...

T. : São os filmes de ação em geral, combinados ou não com kung fu, mas divido essa com os longas animados. E de uns tempos para cá, tem crescido o meu interesse em "dramas", tenho medo que o meu gosto mude : ).

“M.A.M.”: Uma tentativa de top 5 de filmes asiáticos?

T. : Hard Boiled

Fist of Legend

Tonari no Totoro

Omohide Poro Poro

Flashpoint

Elenquei meus 5 prediletos, geralmente dos gêneros "ação" e "animação".

“M.A.M.”: Realizador asiático preferido?

T. : John Woo

“M.A.M.”: Já agora, actor e actriz?

T. : Ator: Andy Lau

Atriz: Chieko Baisho (uma das atrizes prediletas do diretor Yoji Yamada)

“M.A.M.”: Um filme oriental sobrevalorizado e outro subvalorizado?

T. : Sobre: "Hero"

Sub: "House of Flying Daggers"

Sim, ambos de Zhang Yimou.

“M.A.M.”: A difusão do cinema oriental está bem no teu país, ou ainda há muito para fazer?

T. : Eu diria que não é boa, mas pela situação atual até que está de bom tamanho. Dez anos atrás não se encontrava tantos títulos licenciados nas video-locadoras brasileiras, é claro que só dos diretores e atores mais consagrados, mas ultimamente venho percebendo que há muitos filmes B nas prateleiras, com áudios originais e dublagem em português-br, mas com poucos extras. Nas salas de cinema, nem sempre encontramos produções asiáticas, na maioria dos casos somente nas mostras internacionais realizadas nas capitais Rio e São Paulo, eu nunca tive oportunidade de ir ver.

“M.A.M.”: Que conselho darias a quem tem curiosidade em conhecer o cinema oriental, mas sente-se algo reticente?

T. : Não há porque ter preconceito, pois cinema é cinema, não interessa de que país seja, mas você descobrirá que o ocidente está cada vez mais se rendendo ao estilo oriental de fazer filmes, principalmente nos campos da "ação", "terror" e até "animação".
Ainda há muito o que descobrir do cinema oriental, eu mesmo conheço pouco da cinematografia indiana, a maior indústria do mundo da 7ª arte. E aos poucos estou me sensibilizando com filmes menos comerciais com diretores como Hirokazu Kore-eda, estou adorando ver clássicos de Akira Kurosawa ou os antigos heróis da Shaw Bros.

quinta-feira, abril 01, 2010

“Testemunhos” de Biliu (“O Mundo Asiático)

Foto

Depois de ter entrevistado há uns tempos atrás o Pablo Rodriguez de Melo, esta semana chega a vez de publicar as respostas de Biliu, um dos outros administradores do competente blogue “O Mundo Asiático” (para aceder, cliquem na foto acima). Como já tinha dito anteriormente, o espaço em causa O espaço em causa, faz jus à sua designação, e tem um interesse de grande relevância, para todos aqueles que se interessam não apenas pelas cinematografias asiáticas, mas igualmente por outros aspectos culturais daquelas paragens, como por exemplo, a musica. Está sempre dotado de notícias com actualidade, e várias sugestões interessantes tais como curiosidades, fotos, trailers, melodias e um manancial de coisas mais. Igualmente, é um site muito bom para quem preza a componente mais dramática da sétima arte. Pelo exposto, aconselha-se vivamente a sua visita.

Abaixo segue o resultado da entrevista.

“My Asian Movies”: O que achas que distingue genericamente a cinematografia oriental das demais?

Biliu: A cinematografia de cada país tem suas diferenças que as distingue, mas o que distingue a oriental das demais sem duvida é a cultura, o roteiro que são em sua maioria bem originais, as historias milenares que eles têm a mostrar, o enredo que em sua maioria tem uma grande mensagem a passar. Diferente de outros cinemas que estão preocupados com bilheterias, e trazem coisas que nada tem a nós acrescentar.

“M.A.M.”: O que te fascina mais neste tipo de cinema?

B. : Há muitas coisas que me fascinam no cinema oriental, o enredo que sem duvida tem um “q” a mais, mas sobre tudo as coisas que mais me encantam são a cultura (vestimenta, comida, lendas, lutas, artes, etc.) e a paisagem. Que sem duvida não há igual.

“M.A.M.”: Tens ideia de qual o primeiro filme oriental que visionaste?

B. : Fui criada nesse meio de filmes, então os assisto desde pequena, por isso é um pouco difícil

lembra qual foi o meu primeiro filme oriental, mas creio que tenha sido “Yige dou buneng shao” (“Not One Less”).

“M.A.M.”: Qual o país que achas, regra geral, põe cá para fora as melhores obras? No fundo, a tua cinematografia oriental favorita?

B. : A China produz filmes fascinantes, mas sou amante do cinema Coreano. Apesar de ser grande fã também das animações Japonesas.

“M.A.M.”: E já agora, qual o género com o qual te identificas mais? És mais virado (a) para o drama, épico, wuxia, “Gun-fu”...

B. : Eu sou bem eclética, gosto de boas historias com bons enredos, independente de gêneros.

Mas devo admitir que me fascina um bom romance épico com bonitas paisagens e muita luta.

“M.A.M.”: Uma tentativa de top 5 de filmes asiáticos?

B. : 1 ° Wo hu cang long (Crouching Tiger Hidden Dragon) (China/ 2000)

2 ° Hero (China/ 2002)

3 ° My Sassy Girl (Coréia do Sul/2001)

4 ° Oldboy (Coréia do Sul /2003)

5 ° Yige dou buneng shao (Not One Less) (China/1998)

“M.A.M.”: Realizador asiático preferido?

B. : Zhang Yimou

“M.A.M.”: Já agora, actor e actriz?

B. : Atriz: Gong Li

Ator: Jet Li

“M.A.M.”: Um filme oriental sobrevalorizado e outro subvalorizado?

B. : Sobrevalorizado The River (1997) e subvalorizado Curse of the Golden Flower(2006) apesar de ter ouvido muitas criticas, e do filme não ter tido o destaque que merecia, achei o filme perfeito!

“M.A.M.”: A difusão do cinema oriental está bem no teu país, ou ainda há muito para fazer?

B. : Infelizmente aqui no Brasil ainda há muito o que fazer, apesar do cinema Chinês ter seu pequeno espaço, ainda falta espaço para cinemas Coreanos, Indianos, Tawaineses entre outros, infelizmente ainda há muitas pessoas que acreditam que qualquer filme que não seja Americano é ruim, apesar de grandes bilheterias Americanas serem remake’s de filmes Orientais!

“M.A.M.”: Que conselho darias a quem tem curiosidade em conhecer o cinema oriental, mas sente-se algo reticente?

B. : Cinema é Arte e Arte é Cultura não há forma melhor e mais gostosa de ter acesso a cultura do que com o cinema. Cinema internacional não se resume só aos Estados Unidos, mas sim a tudo que não vem do seu país. Não há forma melhor de quebrar paradigmas do que formando sua própria opinião, e para formar sua opinião só assistindo.

Então assistam e tirem suas próprias conclusões, estejam abertos ao que o resto do mundo tem a lhes mostrar. Sejam pessoas Cultas!

terça-feira, março 16, 2010

“Testemunhos” de Sérgio Andrade (“Kino Crazy”)

Templo Zu Lai 031

O convidado desta semana é Sérgio Andrade, o administrador do excelente blogue brasileiro “Kino Crazy” (para aceder, clicar na foto acima, onde se pode ver o Sérgio no conhecido templo Zu Lai). Gosto especialmente de trocar ideias com este entrevistado e visitar o seu espaço, pois o Sérgio é dotado de uma vasta cultura cinematográfica, que se estende por bastantes géneros de cinema, sobre os quais encontramos sempre uma opinião significativa e muito fundamentada. Por isso, aconselho vivamente a descobrirem o espaço deste amante de cinema que sabe do que fala.

Abaixo fica o resultado da entrevista. 

“My Asian Movies”: O que achas que distingue genericamente a cinematografia oriental das demais?

Sérgio Andrade: Creio que seja uma sensibilidade particular na compreensão do ser humano, a coragem em abordar assuntos polêmicos, um modo de observar o mundo bem diverso do nosso, ocidentais.

“M.A.M.”: O que te fascina mais neste tipo de cinema?

S.A. : Além do que disse na pergunta anterior, me fascina também toda a parte técnica: os enquadramentos, a utilização da música, das cores, cenários, figurinos, o modo de interpretação dos atores e, last but not least, a beleza das mulheres orientais.

“M.A.M.”:  Tens ideia de qual o primeiro filme oriental que visionaste?

S.A. : Tenho quase certeza que foi “Mothra”, como é conhecido no ocidente o filme de monstro “Mosura”, de Ishirô Honda. Vi quando tinha uns 6 anos e nunca mais revi, mas me impressionou de tal forma que ainda lembro de várias cenas, como as diminutas irmãs gêmeas cantoras ou a lagarta gigante destruindo a cidade com o bater das asas.

“M.A.M.”: Qual o país que achas, regra geral, põe cá para fora as melhores obras? No fundo, a tua cinematografia oriental favorita?

S.A. : Apesar de não ter mais a mesma força que tinha até uns 20 anos atrás, minha cinematografia oriental favorita continua sendo a japonesa, que ainda consegue revelar diretores de raro talento como Kiyoshi Kurosawa, Sion Sono, Takashi Miike e outros.

“M.A.M.”: E já agora, qual o género com o qual te identificas mais? És mais virado (a) para o drama, épico, wuxia, “Gun-fu”...

S.A. : Quando me fazem esse tipo de pergunta sempre digo que gosto de Cinema, o que equivale dizer que me identifico com filmes de todos os gêneros, desde que sejam bons, claro rsss!

“M.A.M.”: Uma tentativa de top 5 de filmes asiáticos?

S.A. : Caramba, Jorge, essa é difícil...Por que não 50? Ou 500? Mas vamos lá (em ordem alfabética de título no Brasil):

Os Amantes Crucificados (Chikamatsu Monogatari) – Kenji Mizoguchi

Era uma vez em Tóquio (Tokyo Monogatari) – Yasujiro Ozu

O Império dos Sentidos (Ai no Korida) – Nagisa Oshima

O Mundo de Apu (Apur Sansar) – Satyajit Ray

O Profundo Desejo dos Deuses ( Kamigami no Fukaki Yokubo) – Shohei Imamura

“M.A.M.”: Realizador asiático preferido?

S.A. : Shohei Imamura

“M.A.M.”: Já agora, actor e actriz?

S.A. : Chishu Ryu, o alter ego de Ozu e Gong Li, a musa de Zhang Yimou.

“M.A.M.”: Um filme oriental sobrevalorizado e outro subvalorizado?

S.A. : Sobrevalorizado: Ashes of Time (Redux ou não), de Wong Kar Wai .

Subvalorizado: Invisible Waves, de Pen-Ek Ratanaruang.

“M.A.M.”: A difusão do cinema oriental está bem no teu país, ou ainda há muito para fazer?

S.A. : A cidade de São Paulo tem uma grande colônia japonesa, concentrada em sua maior parte no bairro da Liberdade. Foi assim que, entre o final da década de 40 e início dos anos 80 do século passado, São Paulo se transformou no paraíso do cinema japonês. As grandes companhias produtoras como Toho, Shochiku e Nikkatsu abriram salas na Liberdade, onde lançavam seus filmes às vezes com apenas alguns meses depois da estréia no Japão. Nos primeiros anos os filmes eram lançados sem legendas, mas com a profissionalização do setor começaram a ser legendados. Eram quatro ou cinco cinemas voltados exclusivamente para o filme  japonês (Niterói, Nippon, Jóia, etc.). Dessa forma muitos cineastas, como Yasujiro Ozu, p.ex., foram descobertos por nossa crítica muito antes da consagração na Europa ou nos EUA. O cinema japonês também exerceu grande influência nos diretores paulistanos, como Walter Hugo Khoury, e quase todo pessoal do movimento chamado “Cinema Marginal”, de Carlos Reichenbach à João Callegaro, de Ozualdo Candeias à João Silvério Trevisan.

Nos anos 80, com o surgimento do videocassete e a mudança de comportamento da nova geração a frequência às salas foi diminuindo e no final da década todos aqueles cinemas estavam fechados. Durante algum tempo foram pouquíssimos os filmes orientais que estrearam por aqui. Hoje em dia a coisa melhorou um pouco, temos recebido filmes japoneses, chineses, coreanos e até tailandeses, mas em sua maioria são filmes de gênero (terror, principalmente). Assim, temos pouco contato com o que de melhor tem sido feito no cinema oriental. Então, respondendo a sua pergunta, ainda há muito para fazer.

“M.A.M.”: Que conselho darias a quem tem curiosidade em conhecer o cinema oriental, mas sente-se algo reticente?

S.A. : Se você gosta de cinema ou tem curiosidade em saber como é a vida no oriente, você só poderá se enriquecer com as lições de arte e vida dadas pelo cinema oriental.

quarta-feira, março 03, 2010

Testemunhos de Miguel Teixeira (“O Lado B da Vida”)

Banner

O convidado desta semana é Miguel Teixeira, o administrador do blogue “O Lado B da Vida” (carregar na imagem supra para aceder), um espaço de reflexão pessoal que nos dizeres do próprio entrevistado se inspira na dualidade da nossa existência e das experiências que vivemos. “Porque na vida nem tudo é branco ou preto, bom ou mau, verdade ou mentira. Porque a vida não tem necessariamente de ser aquilo que parece (…) – Miguel Teixeira dixit. O Miguel é um apreciador de cinema asiático, principalmente do drama sul-coreano, e tem sido uma presença assídua e bem-vinda no “My Asian Movies”. Aproveitem e visitem “O Lado B da Vida”, pois possui uma variedade de assuntos muito interessante, entre os quais, o cinema.

Abaixo fica o resultado da entrevista.

“M.A.M.”: O que achas que distingue genericamente a cinematografia oriental das demais?

Miguel Teixeira : Basicamente uma extrapolação dos sentimentos levados quase ao limite, tanto no drama como na comédia e alguma pureza por vezes inocente e infantil que raramente encontramos nos blockbusters ocidentais.

“M.A.M.”: O que te fascina mais neste tipo de cinema?

M.T. : Tudo o que mencionei na resposta anterior, como se ainda fosse possível assistir a bom cinema ainda não corrompido pelos grandes interesses comerciais, mais preocupados com receitas de bilheteira ou com o egocentrismo pseudo-intelectual de certos realizadores. Não se entende o cinema asiático, sente-se.

“M.A.M.”: Tens ideia de qual o primeiro filme oriental que visionaste?

M.T. : O “Tigre e o Dragão” e “Herói”, que foram aliás os precursores de uma maior aposta por parte das distribuidoras em relação ao cinema oriental. Aliás, odiei esse primeiro contacto. Felizmente fui perseverante, mas o mercado nacional ainda continua a apostar muito nesse género de filmes, quando há muito e excelente cinema de géneros distintos, que infelizmente não chegam ainda ao grande público.

“M.A.M.”: Qual o país que achas, regra geral, põe cá para fora as melhores obras? No fundo, a tua cinematografia oriental favorita?

M.T. : A da Coreia do Sul, talvez por terem sido daí os primeiros filmes que me envolveram sobremaneira, embora tenha começado há pouco a descobrir e a apreciar filmes de outras nacionalidades como o Japão e mesmo Taiwan ou a Índia, musicais à parte.

“M.A.M.”: E já agora, qual o género com o qual te identificas mais? És mais virado (a) para o drama, épico, wuxia, “Gun-fu”...

M.T. : Alguma comédia mas sobretudo drama e romance. A maior parte dos filmes asiáticos consegue mesclar na perfeição esses três géneros passando de um para o outro e com igual intensidade, quase sem darmos por isso.

“M.A.M.”: Uma tentativa de top 5 de filmes asiáticos?

M.T. : Já sei que vou ser injusto para com alguns dos meus favoritos, mas assim à cabeça diria: "A Moment to Remember", "Polícia em Fúria", "Windstruck", "Love Me Not" e "A Millionaire's First Love", entre tantos outros.

“M.A.M.”: Realizador asiático preferido?

M.T. : Kwak Jae-Yong.

“M.A.M.”: Já agora, actor e actriz?

M.T. : Jackie Chan, entre os actores, e uma escolha difícil entre elas, com Vicki Zhao Wei, Jeon Ji-Hyeon ou Moon Geun-Young, com uma ligeiríssima vantagem para a primeira.

“M.A.M.”: Um filme oriental sobrevalorizado e outro subvalorizado?

M.T. : Sobrevalorizado e segundo uma opinião muito pessoal "O Tigre e o Dragão", apesar de ter recuperado de certa forma o cinema oriental aos olhos do ocidente. Já subvalorizado é complicado dizer, já que boa parte dos meus preferidos nunca teve edição em Portugal. Talvez "A Moment To Remember".

“M.A.M.”: A difusão do cinema oriental está bem no teu país, ou ainda há muito para fazer?

M.T. : Há muito por fazer, porque a maior parte das pessoas ainda identifica o cinema oriental com o género wuxia ou o de terror, o que obviamente limita o número de apreciadores. Devia haver uma maior aposta, assim como no cinema brasileiro. No entanto, é de louvar algumas pedradas no charco como o lançamento do excelente “Windstruck” (“Sempre ao Teu Lado”, na versão nacional).

“M.A.M.”: Que conselho darias a quem tem curiosidade em conhecer o cinema oriental, mas sente-se algo reticente?

M.T. : Arriscar e ser perseverante. Eu não me arrependi.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

“Testemunhos” de Miguel Patrício (“Nihon Cine Art”)

560078

O convidado desta semana é Miguel Patrício, o timoneiro do espaço designado “Nihon Cine Art” (para aceder, favor clicar na foto supra). Igualmente é colaborador do blogue “Retroprojecção”, que foi onde comecei a tomar contacto com os textos do nosso entrevistado. Cabe ainda referir, que é responsável pela parte de cinema da revista online “Waribashi”, uma excelente publicação “on line”, cujo objectivo é divulgar a cultura japonesa através das vertentes anime e manga.  O Miguel é, principalmente mas não só, um cultor do cinema japonês das décadas de `60 e `70, essencialmente das obras que se costumam reconduzir à “Nouvelle Vague” japonesa. O “Nihon Cine Art”, é um recanto que se aconselha tremendamente a visita, onde podemos encontrar material raro, não tão virado para cinema de massas, mas de inquestionável qualidade. Desde filmes, bandas-sonoras, textos profusamente cuidados e bem escritos e muito mais. Vale bem a pena ir dar uma espreitadela a um blogue eivado de uma erudição muito cativante.

Abaixo segue a entrevista.

“M.A.M.”: O que achas que distingue genericamente a cinematografia oriental das demais?

Miguel Patrício : Primeiro, gostava de agradecer ao Jorge Soares por me ter dado voz neste novo espaço que seguirei atentamente no futuro.

Genericamente, apenas a geografia parece contar. Mas arreigado a isto estão outras culturas, e associadas a estas, ainda outras maneiras de filmar e contar histórias. Definir a diferença entre cultura oriental e cultura ocidental parece-me ser tão complexo que desisto sem sequer tentar. Mas gostaria de dizer isto: quem vê filmes, vê sempre ou quer ver, mesmo inconscientemente, outras culturas. A ideia de Humanidade (no que ela tem de geral e, por isso mesmo, de não local) não é conquistada à priori, mas apenas adquirida quando a trama, o “pathos” nos permite. No princípio, o mundo do cinema é estrangeiro do nosso mundo.

“M.A.M.”: O que te fascina mais neste tipo de cinema?

M.P. : Talvez a tarefa mais difícil seja definir a coisa mais familiar. Nesse sentido, não consigo responder com argumentos. Mas com redundâncias: Porque me fascina!

“M.A.M.”: Tens ideia de qual o primeiro filme oriental que visionaste?

M.P. : O primeiro, não. Deve ter sido algum anime perdido num lugar qualquer da minha infância. Mas o meu primeiro amor (isto para sermos líricos; porque quando se fala de paixões há que sê-lo) foi Sonatine de Takeshi Kitano, num serão estival da RTP2 há uns oito, nove anos atrás. Lembro-me de ser menino e não conseguir dormir à noite pela beleza amarga de tudo aquilo…

“M.A.M.”: Qual o país que achas, regra geral, põe cá para fora as melhores obras? No fundo, a tua cinematografia oriental favorita?

M.P. : Sou muito parcial no que diz respeito a este tópico. Quem me conhece pensa que defendo incondicionalmente o cinema japonês. Não o faço por menos, é verdade. Mas, de facto (e querendo legitimar a minha afinidade, digamos, injustificável) como posso eu não defendê-lo? Um cinema que passou dos melodramas mais lacrimejantes e das aventuras mais trepidantes e sem par, para a revolução estética e ética da Nouberu Bagu? Um cinema que em todos os domínios se destaca e que constantemente se reinventa? Como não amá-lo de corpo e alma?

Esse é, talvez, a grande vantagem do cinema nipónico em relação a todo o outro cinema oriental: um é mais completo do que o outro. Tal deve-se, no meu ponto de vista, ao facto do Japão ter crescido muito mais depressa do que o resto da Ásia. Só muito recentemente é que os outros países dão de si de maneira maciça. Em muitos casos, não deixam de ser ainda filmes de terceiro-mundo (o que não significa falta de qualidade), isto quer dizer, filmes em que as questões sociais se sobrepõem às psicológicas, em que muitas vezes o documentário anda de mãos dadas com a ficção.

“M.A.M.”: E já agora, qual o género com o qual te identificas mais? És mais virada para o drama, épico, wuxia, “Gun-fu”...

M.P. : Gosto sobretudo do género anti-género, isto é, os meios mediante os quais algo se torna dissidente, transgressor.

“M.A.M.”: Uma tentativa de top 5 de filmes asiáticos?

M.P. : A pergunta anuncia a impossibilidade dessa tarefa. Mas se puder mudar o critério, consigo. Top 5 de filmes excelentes. Aí vão alguns:

Eros Plus Massacre (Kiju Yoshida, 1969), The Man Who Left His Will on Film (Nagisa Oshima, 1970), Mandala (Akio Jissoji, 1972), Pastoral: To Die in the Country (Shuji Terayama, 1974), Noisy Requiem (Yoshihiko Matsui, 1988).

“M.A.M.”: Realizador asiático preferido?

M.P. : De entre estes, venha o diabo e escolha: Shuji Terayama, Kiju Yoshida, Nagisa Oshima, Yasujiro Ozu, Takeshi Kitano… etc e etc.

“M.A.M.”: Já agora, actor e actriz?

M.P. : No dia em que respondo a este questionário (9 de Novembro) comemora-se não só o vigésimo aniversário da queda do muro de Berlim, mas igualmente os 20 anos da morte de um grande actor, Yusaku Matsuda. Um bem-haja para ele.

Actrizes… qual escolher? É sabido que o amante de cinema é também um amante solitário de actrizes. Mas eu não sou como a maior parte dos fetichistas. A mim dá-me especial carinho ver as actrizes envelhecer, e não permanecer naquela imagem eterna do filme planeado. Nesta perspectiva, gostava bastante de ver como está Setsuko Hara, depois de tanto tempo excluída do mundo do cinema e não só.

“M.A.M.”: Um filme oriental sobrevalorizado e outro subvalorizado?

M.P. : Não penso que haja apenas filmes sobre ou subvalorizados. Existem épocas e correntes. Se na pintura e literatura é assim, porque não no cinema?

Posto isto, penso ser sobrevalorizado todo o fascínio que o Ocidente nutriu pela radicalidade física do cinema japonês do final dos anos 90. Falo dos filmes de gore e horror (dando, por conseguinte, muitas e variadas ideias para “remakes” americanos) que pavoneavam os festivais de cinema, mesmo os mais intelectualóides.

Uma época subvalorizadíssima são os anos 60/70 japoneses, o que corresponde à Nouvelle Vague Japonesa. Essa pertence à arqueologia cinematográfica, vício novo que eu e mais uns quantos cultivamos.

“M.A.M.”: A difusão do cinema oriental está bem no teu país, ou ainda há muito para fazer?

M.P. : Em Portugal os meios são escassos e os “nichos” insuficientes, como se sabe. Não existem, é certo, motivações que se posicionem para além do lucro na nossa modesta e interesseira difusão. Quando não farejam lucro, os distribuidores viram as costas irremediavelmente. Uns queriam uma “Hollywood” de olhos-em-bico para poderem reconquistar o mesmo público de sempre (estes têm por norma associar tudo ao Tarantino), outros, mais senhores de si, vão a Cannes e a Veneza com intuitos heróicos de levar para casa um cinema de autor para os “hospedeiros do costume”, que pagam mais para ver qual foi aquele filme exótico que ganhou o festival X.

Ousadia e honestidade não são palavras que constem no seu dicionário pessoal. A maior bênção, por isso mesmo, é a Internet: faz-nos não estar dependentes dessa gente.

“M.A.M.”: Que conselho darias a quem tem curiosidade em conhecer o cinema oriental, mas sente-se algo reticente?

M.P. : Se essa pessoa já tiver algum gosto oriental a germinar, é fácil cativar-lhe o interesse. Se não, primeiro e antes do mais, que saiba inglês ou francês. Depois, que tenha Internet (e não tenha amigos ou parentes próximos na polícia) e se prepare para ser um indigente, um ilegal. Finalmente que não tenha medo. Que isto do cinema ladra, mas não morde.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

“Testemunhos” de Nuno Barradas Jorge Aka Atomo (“Bitlogger”)

atomo

O convidado desta semana, acima epigrafado, fez-me o grande favor, sem para tal ser solicitado, de me remeter uma mini-biografia que passo a transcrever: “Nuno Barradas Jorge (aka Atomo!) é um blogger, artista multimédia, ilustrador e académico de cinema. Vive, trabalha e estuda no Reino Unido. Durante 4 anos editou Bitlogger (para aceder, carreguem na foto acima). Como em tudo na vida, leva estes questionários a sério, mas sem grande stress ou coerência. Afinal o Cinema é um antes do mais um prazer: exige insistência, goza-se de forma errática e ao sabor dos desejos e sabe sempre bem!”.

Na parte que me compete, tenho a dizer que o “bitlogger” sempre foi um espaço que colheu imenso o meu respeito e do qual fui um assíduo visitante. O seu conteúdo era vastíssimo, e embrenhava-se por uma diversidade de assuntos extremamente interessantes que, no que toca ao cinema, abarcava uma imensidão de temas onde as cinematografias não tinham fronteiras, nem tempo. Na parte mais “asiática” da coisa (e não só), o Nuno sempre teve uma sensibilidade especial para expor as suas ideias, numa escrita cuidada, compreensível e cativante. Por estar a falar no passado, já se percebe que o “bitlogger” parece ser um espaço extinto. Faço votos para que um dia seja reactivado, pois estava dotado de uma grande qualidade. Visitem-no e confiram “in loco”. Vale bem a pena!

Abaixo fica o resultado da entrevista.

“My Asian Movies”: O que achas que distingue genericamente a cinematografia oriental das demais?

Nuno Barradas Jorge : Actualmente pouco, já que o cinema oriental (sobretudo o mainstream) que nos chega à Europa está em sintonia como moldes de produção globais. No entanto existem alguns realizadores que conseguem marcar diferenças que normalmente atribuímos ao cinema oriental: orientação (cinemato)gráfica diferente da ocidental, narrativa mais complexa que a tradicionalmente explorada pelo cinema mainstream clássico (ou de Hollywood), um certo pendor para uma contemplação da imagem, algo inexistente actualmente na produção comercial americana e europeia.

“M.A.M.”: O que te fascina mais neste tipo de cinema?

N.B.J. : Penso que inicialmente foi um certo ‘exotismo’ por tipo(s) de cinema diferente(s) do que estava habituado a ver na televisão e a uma cultura diferente que não conhecia de todo. Sentir esse frisson penso que será algo que muitos cinéfilos devem sentir quando deparam com algo novo. Actualmente penso que é a descoberta de filmes ou ‘franjas’ cinematográficas que ainda conseguem ser inovadoras, algo já difícil numa cultura global cada vez mais uniforme e homogeneizada.

“M.A.M.”: Tens ideia de qual o primeiro filme oriental que visionaste?

N.B.J. : Confesso que não, embora esteja quase certo que deverá ter sido alguma coisa do Kurosawa que estaria a dar na televisão. Lembro-me de quando era criança de ficar estupefacto a olhar para a televisão ao ver os Sete Samurais ou os Contos da Lua Vaga. Essas são das primeiras memórias que tenho do cinema oriental … e do tal frisson de que estava a falar antes.

“M.A.M.”: Qual o país que achas, regra geral, põe cá para fora as melhores obras? No fundo, a tua cinematografia oriental favorita?

N.B.J. : Se estivermos a contar apenas com o trio do costume (Coreia do Sul, Hong Kong e Japão) parece-me que actualmente a Coreia do Sul ainda me consegue surpreender, sobretudo com realizadores esquecidos que agora estão a ser re-descobertos como Ki-young Kim.

Mas se abrangermos mais o espectro, parece-me que muita coisa interessante vem da Tailândia. O cinema de acção Thai goza de algum culto, a comédia é ainda bastante fresca e existe um tipo de comédia muito 'transgender' que realmente é inovadora nas filmografias orientais. Mesmo com a censura, a Tailândia consegue manter uma certa surpresa cinematográfica. Talvez seja porque ainda não é muito conhecida fora da zona, mas pessoalmente acho que também deve ser porque não estão muito preocupados em exportar para mercados globais, como actualmente o Japão e a Coreia do Sul, que capitalizam muito num cinema de terror já esgotado.

“M.A.M.”: E já agora, qual o género com o qual te identificas mais? És mais virado (a) para o drama, épico, wuxia, “Gun-fu”...

N.B.J. : Essa é difícil! De tudo um pouco, realmente! Mas se quisermos dividir as coisas por ‘géneros’, gosto bastante dos filmes dos anos 60 e 70 (japoneses) de Samurais e das excentricidades dos super heróis e monstros nos filmes Tokusatsu… sobretudo os mais antigos… e gosto muito de um certo drama e da comédia offbeat coreana e japonesa… nem só de bizarria vive o homem!

“M.A.M.”: Uma tentativa de top 5 de filmes asiáticos?

N.B.J. : Essa ainda é mais difícil! Vou subverter a coisa e fazer um jogo tipo Bruno Aleixo: 5 filmes orientais dos últimos 20 anos que escolhia para ver em loop até morrer :

Electric Dragon 80.000 V (Sogo Ishii, 2001)

Ping Pong (Fumi Sori, 2002)

Chungking Express (Wong Kar Wai, 1994)

Linda, Linda, Linda (Nobuhiro Yamashita, 2005)

My Sassy Girl (Jae Young Kwak, 2001)

Nenhum deles poderá ser considerado uma obra-prima, mas enfim…

“M.A.M.”: Realizador asiático preferido?

N.B.J. : Agora é que rebentastes a escala de dificuldade! Pelas filmografias completas: Jae-young Kwak, Sogo Ishii, Yasujiro Ozu. Esses são os 3 que me lembro assim agora… de certeza que se tiver que olhar para isto daqui a 5 minutos vou encontrar mais 3 diferentes… muito sádica esta pergunta (lol)!

“M.A.M.”: Já agora, actor e actriz?

N.B.J. : A coreana Du-na Bae e o japonês Tadanobu Asano… raros serão os filmes desses dois actores que deixaria de ver.

“M.A.M.”: Um filme oriental sobrevalorizado e outro subvalorizado?

N.B.J. : Pessoalmente não entendo a hiper-valorização que se costuma dar a certas obras do Takashi Miike, embora reconheça o valor desse realizador. Também não entendo o enaltecimento de filmes mais espampanantes como Sakuran (2006). Acho que sobretudo este filme joga muito com uma certa ‘orientalidade’ para corresponder a uma distorção da visão do que é o cinema oriental, em parte devido as expectativas ‘patronizadoras’ das audiência ocidentais. Deixa uma sensação de que o cinema japonês actual é apenas apelativo visualmente, algo que é errado. Por outro lado existe ainda muita coisa para descobrir, no cinema mais recente... lembro-me assim de repente do Hsiao-hsien Hou, que é um tipo idolatrado pela critica, mas que tem sido ignorado pelo público, o que é pena. E claro, os filmes do Sogo Ishii, que são algo subvalorizados por serem mais low-budget. Mais isto, como tudo aqui expresso, são gostos pessoais!

“M.A.M.”: A difusão do cinema oriental está bem no teu país, ou ainda há muito para fazer?

N.B.J. : Em Portugal (o meu pais de origem), não sei muito bem, pois não tenho acompanhado o mercado. No pais onde vivo de alguns anos para cá, o Reino Unido, o mercado é algo pobre em diversidade, ficando-se muito pelos títulos do costume, sobretudo no que toca ao J-Horror e afins. As salas de cinema independente (fora de Londres entenda-se) vivem muito de um certo ‘indie’ formatado pelo gosto anglo-saxónico (muito pouco independente realmente). O que chega a essas salas de oriental são filmes que foram ao Sundance ou festivais assim… pouco do que chega, por exemplo, a França (um pais central para divulgação de filmografias orientais) vai para a esse tipo de cinema independentes.

Mesmo assim existem realmente boas surpresas. Em DVD (mais baratos que em Portugal) a oferta tem melhorado visivelmente nos últimos 3 anos e encontram-se títulos pouco divulgados e a preço acessível (a minha cópia do ‘Tokyo Zombie’ custou-me o equivalente a 5 euros!). E existem sempre surpresas, sobretudo porque algumas pessoas se mexem para trazer certos filmes e realizadores orientais a festivais pequeninos. O Bong Joo Ho (o realizador do Gwoemul) vai estar por aqui dentro de poucos dias a apresentar o seu último filme… algo surpreendente! (Nota: A entrevista do Nuno já foi remetida há algum tempo, pelo que se pede aos leitores a devida adaptação em função do contexto temporal, no que concerne à última frase).

“M.A.M.”: Que conselho darias a quem tem curiosidade em conhecer o cinema oriental, mas sente-se algo reticente?

N.B.J. : Isso vai depender dos gostos pessoais dessa pessoa, mas no geral o que se pode dizer às pessoas que têm curiosidade será a de irem pelos 'valores seguros'. Aquelas obras que (vai-se lá saber porquê) conseguiram ficar na mente do público ocidental. Filmes tão diferentes como "My Sassy Girl", "Yojimbo", ou "A Viagem de Chihiro" decerto que serão bons pontos de partida para quem tiver alguma curiosidade e não estiver muito condicionado pelo gosto dominante dos blockbusters. Essas obras normalmente abrem portas para outros realizadores e filmes e, sobretudo 'acostumam' muitas pessoas que pertencem a uma certa audiência preguiçosa a ser curiosa e procurar mais – é assim que as trends cinematográficas começam! Ser curioso é a melhor qualidade em alguém que gosta de cinema, e essa é a melhor arma para esse tipo de condicionantes.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

“Testemunhos” de Pablo Rodriguez Melo (“O Mundo Asiático”)



O convidado desta semana é o Pablo Rodriguez Melo, um dos administradores do blogue “O Mundo Asiático” (para aceder, clicar no “banner” do citado espaço, que se encontra acima). O espaço em causa, faz jus à sua designação, e tem um interesse de grande relevância, para todos aqueles que se interessam não apenas pelas cinematografias asiáticas, mas igualmente por outros aspectos culturais daquelas paragens, como por exemplo, a musica. Está sempre dotado de notícias com actualidade, e várias sugestões interessantes tais como curiosidades, fotos, trailers, melodias e um manancial de coisas mais. Igualmente, é um site muito bom para quem preza a componente mais dramática da sétima arte. É pois, um grande prazer para mim, trazer esta semana uma pessoa que, conjuntamente com outras, muito se dedica à divulgação da cultura oriental.


Abaixo segue o resultado da entrevista.


“M.A.M.”: O que achas que distingue genericamente a cinematografia oriental das demais?


Pablo Rodriguez Melo: Diria eu a maneira como contam as histórias, na maioria das vezes sem cair na “mesmice” do cine ocidental, e também a mistura de gêneros que eles fazem dentro de uma mesma obra, fazendo você ir do riso às lágrimas em poucos minutos. E claro, a cultura tão diferente a nossa.


“M.A.M.”: O que te fascina mais neste tipo de cinema?


P.R.M. : A simplicidade das histórias contadas. Acho que esse é um dos pontos fortes do cinema oriental. Uma simplicidade próxima a vida real, que atrai, que faz você sentir suas emoções na própria pele. E o mérito disso vai para os excelentes atores que há por lá.


“M.A.M.”: Tens ideia de qual o primeiro filme oriental que visionaste?


P.R.M. : Hmm... pra dizer a verdade não faz muito que entrei nesse mundo, mas não lembro exatamente qual foi; memória ruim hehehe... Mas poderia ter sido Memories of Murder ou Windstruck, com a minha atriz favorita hoje em dia.


“M.A.M.”: Qual o país que achas, regra geral, põe cá para fora as melhores obras? No fundo, a tua cinematografia oriental favorita?


P.R.M. : Bom, ainda tenho muito que ver, mas para mim é a Coréia. Sou um grande admirador do cinema coreano, e é o que mais vejo. E deixando de lado as obras mais conhecidas, há muitos trabalhos escondidos, ou que passam desapercebidos, e que infelizmente o público não tem muito interesse, mas que são verdadeiras obras-primas desse cine.


“M.A.M.”: E já agora, qual o género com o qual te identificas mais? És mais virado (a) para o drama, épico, wuxia, “Gun-fu”...


P.R.M. : Falando francamente, um bom drama, ou romance/drama; é o que me chama mais a atenção. Depois vem de artes marciais ou comédia. Mas vejo de tudo, sem nenhum tipo de preconceito sobre gênero ou tema.


“M.A.M.”: Uma tentativa de top 5 de filmes asiáticos?


P.R.M. : Pergunta complicada! Se me perguntasse um top 20 continuaria sendo complicada hahaha…


Vou dizer um top 5 dos filmes que vi esse ano.


Redcliff II, (impecável e grandioso)


Breathless (não esperava muito dele, mas foi uma grata surpresa)


With The Girl Of Black Soil (outra surpresa e um filme muito emotivo)


All About Lily Chou Chou


Nanking! Nanking!


“M.A.M.”: Realizador asiático preferido?


P.R.M. : Park Chan-wook


“M.A.M.”: Já agora, actor e actriz?


P.R.M. : Só vale um? Tenho vários!! Mas vamos lá.


Atriz: Jeon Ji-hyun, mesmo estando numa área pouco conhecida e atuando em outro idioma, ela tem uma presença incrível.


Ator: Kang-ho Song, um ator camaleônico. Encaixa bem em tudo que faz.


“M.A.M.”: Um filme oriental sobrevalorizado e outro subvalorizado?


P.R.M. : Depois de responder essa pergunta acho que não poderei sair mais na rua... hahaha. Embora tenha minha atriz preferida e os dois atores foram ótimos e é um filme muito bom, acho que My Sassy Girl é muito sobrevalorizado. Depois que se começa a conhecer mais sobre esse cinema, você vê que há trabalhos melhores. Um subvalorizado... difícil responder, mas os “desconhecidos”, com pouco interesse da mídia, esses são os subvalorizados.


“M.A.M.”: A difusão do cinema oriental está bem no teu país, ou ainda há muito para fazer?


P.R.M. : Não poderia te responder com segurança, pois nesse momento não estou no meu país de origem, mas pela pouca informação que tenho, no Brasil ainda engatinha de maneira muito lenta. E o que chega lá são apenas os trabalhos de diretores com grandes renome no exterior, e/ou os filmes que fazem estrondoso sucesso em todo mundo. Corrijam-me se estou errado.


“M.A.M.”: Que conselho darias a quem tem curiosidade em conhecer o cinema oriental, mas sente-se algo reticente?


P.R.M. : Que não se apegue apenas às opiniões alheias. Comece pelo gênero que acha que tem mais simpatia e depois vá abrindo a mente à outros gêneros. Ásia tem muito que nos mostrar, e garanto que não se arrependerá ao entrar nesse mundo.

terça-feira, janeiro 19, 2010

“Testemunhos” de Diego Martins (“Cine Dewonny”)

Foto

O convidado desta semana é o Diego Martins, o administrador do blogue “Cine Dewonny” (para aceder, clicar na foto acima). O Diego também é uma das pessoas que já marca a sua presença aqui no “My Asian Movies” há algum tempo. O seu blogue é bastante ecléctico, não se resumindo apenas ao cinema asiático, mas igualmente dissertando sobre filmes das mais variadas cinematografias, como a de alguns países europeus e a norte-americana. Igualmente o Diego no seu espaço, explana outras iniciativas interessantes, como a de um concurso bastante elaborado e interessante, no qual vergonhosamente ainda não participei. Sendo uma pessoa bastante acessível, o nosso companheiro brasileiro destas lides, está sempre pronto a dar uma opinião acerca do tema que todos nós gostamos, o cinema nas suas várias vertentes.

Abaixo fica o resultado da entrevista.

“My Asian Movies”: O que achas que distingue genericamente a cinematografia oriental das demais?

Diego Martins : Depende muito, cada diretor tem uma visão diferenciada, mas o que mais diferencia as produções orientais das demais é a realidade social - bem diferente da nossa por exemplo - em especial quando retratam relacionamentos. Ocidentais falam do amor de forma aberta, já asiáticos sofrem por isso e nem sempre relatam o que sentem - em especial as mulheres, que nesses filmes são meio que submissas. Outro fator que acho importante é a grande capacidade de criatividade que os asiáticos tem na elaboração de suas histórias, já tive o prazer de assistir diversos filmes com temáticas e histórias muito surpreendentes, na qual nunca vi nada parecido a nível de Hollywood por exemplo, o que torna o cinema oriental ainda mais especial e fundamental na nossa vida, pelo menos na minha, na qual sou grande admirador!

“M.A.M.”: O que te fascina mais neste tipo de cinema?

D.M. : A cultura oriental, que acho particularmente muito interessante, e ver ela sendo retratada no cinema é melhor ainda, e também é claro, a beleza da mulher oriental, as asiáticas são donas de uma beleza ímpar, impressionante como são lindas!

“M.A.M.”: Tens ideia de qual o primeiro filme oriental que visionaste?

D.M. : Acho que algum do Jackie Chan, não tenho certeza!

“M.A.M.”: Qual o país que achas, regra geral, põe cá para fora as melhores obras? No fundo, a tua cinematografia oriental favorita?

D.M. : Filmes chineses e japoneses são os que mais acompanho nos últimos 10 anos, mas ultimamente também ando apreciando muito o cinema coreano, tailândes e indiano!

“M.A.M.”: E já agora, qual o género com o qual te identificas mais? És mais virado (a) para o drama, épico, wuxia, “Gun-fu”...

D.M. : Filmes de artes marciais, sou fissurado e fanático por esse gênero, meu favorito!

“M.A.M.”: Uma tentativa de top 5 de filmes asiáticos?

D.M. : Muito difícil dizer apenas 5, mas lá vai sem pensar muito:

1- O Mestre Invencível 2 (Drunken Master 2). 1994. De Liu Chia-Liang.

2- Lutar ou Morrer. (Fist of Legend). 1994. De Gordon Chan.

3- O Clã das Adagas Voadoras. (House of Flying Daggers). 2004. De Yimou Zhang.

4- O Tigre e o Dragão. (Crouching Tiger, Hidden Dragon). 2000. De Ang Lee.

5- Os Sete Samurais. (Seven Samurai). 1954. De Akira Kurosawa.

“M.A.M.”: Realizador asiático preferido?

D.M. : No momento = Zhang Yimou!

“M.A.M.”: Já agora, actor e actriz?

D.M. : Preciso dizer 2 de cada:

Jackie Chan e Jet Li!

Gong Li e Zhang Ziyi!

“M.A.M.”: Um filme oriental sobrevalorizado e outro subvalorizado?

D.M. : Sobrevalorizado = "Herói" ("Hero" de Zhang Yimou), a crítica adorou, eu adorei, mas conheço pessoas que não gostaram tanto assim!

Subvalorizado = "Batalha Real" ("Battle Royale" de Kinji Fukasaku), a crítica especializada detestou, eu adorei!

“M.A.M.”: A difusão do cinema oriental está bem no teu país, ou ainda há muito para fazer?

D.M. : Está horrível, rídicula e lamentável, no cinema não passa nada, são poucos os que chegam até nós, salve raras excessões para filmes de Ang Lee e Zhang Yimou, e só, no mercado de dvd raramente é lançado algum, que pouca gente irá assistir, portanto, só resta as opções de conseguir os filmes de maneira não oficial, pela internet é um caso de bastante utilidade!

“M.A.M.”: Que conselho darias a quem tem curiosidade em conhecer o cinema oriental, mas sente-se algo reticente?

D.M. : Que descubra o quanto antes, a cinematografia oriental é maravilhosa e fascinante, não perca mais tempo e aprofunde seus horizontes!